Friday, March 6, 2015

The Anti-Empire Report #137 - The ideology of the American media is that it believes that it doesn’t have any ideology



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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #137
O Relatório Anti-Império No. 137
By William Blum – Published February 23rd, 2015
Por William Blum – Publicado em 23 de fevereiro de 2015
The ideology of the American media is that it believes that it doesn’t have any ideology
A ideologia da mídia estadunidense consiste em ela acreditar que não tem ideologia nenhuma
So NBC’s evening news anchor, Brian Williams, has been caught telling untruths about various events in recent years. What could be worse for a reporter? How about not knowing what’s going on in the world? In your own country? At your own employer? As a case in point I give you Williams’ rival, Scott Pelley, evening news anchor at CBS.
Então o novo âncora da NBC, Brian Williams, foi flagrado dizendo inverdades acerca de vários eventos em anos recentes. O que poderia ser pior para um repórter? Que tal não saber o que anda acontecendo no mundo? No próprio país dele? Na própria empresa em que trabalha? Como exemplo claro, menciono o rival de William, Scott Pelley, âncora das notícias da noite na CBS.
In August 2002, Iraqi Deputy Prime Minister Tariq Aziz told American newscaster Dan Rather on CBS: “We do not possess any nuclear or biological or chemical weapons.” [5]
Em agosto de 2002, o primeiro-ministro adjunto iraquiano Tariq Aziz disse ao noticiarista estadunidense Dan Rather da CBS: “Não possuímos quaisquer armas nucleares, biológicas ou químicas.” [5]
5. CBS Evening News, August 20, 2002
In December, Aziz stated to Ted Koppel on ABC: “The fact is that we don’t have weapons of mass destruction. We don’t have chemical, biological, or nuclear weaponry.” [6]
Em dezembro, Aziz declarou a Ted Koppel na ABC: “O fato é que não temos armas de destruição em massa. Não temos armamentos químicos, biológicos ou nucleares.” [6]
6. ABC Nightline, December 4, 2002
Iraqi leader Saddam Hussein himself told CBS’s Rather in February 2003: “These missiles have been destroyed. There are no missiles that are contrary to the prescription of the United Nations [as to range] in Iraq. They are no longer there.” [7]
O próprio líder iraquiano Saddam Hussein disse à CBS, em fevereiro de 2003: “Esses mísseis foram destruídos. Não há mísseis contrários à prescrição das Nações Unidas [quanto a alcance] no Iraque. Não mais estão lá.” [7]
7. “60 Minutes II”, February 26, 2003
Moreover, Gen. Hussein Kamel, former head of Iraq’s secret weapons program, and a son-in-law of Saddam Hussein, told the UN in 1995 that Iraq had destroyed its banned missiles and chemical and biological weapons soon after the Persian Gulf War of 1991. [8]
Além disso, o General Hussein Kamel, ex-chefe do programa de armas secretas do Iraque, e genro de Saddam Hussein, disse às Nações Unidas, em 1995, que o Iraque havia destruído seus mísseis e armamentos químicos e biológicos proibidos logo depois da guerra do Golfo Pérsico de 1991. [8]
8. Washington Post, March 1, 2003
There are yet other examples of Iraqi officials telling the world, before the 2003 American invasion, that the WMD were non-existent.
Há outros exemplos de autoridades iraquianas dizendo ao mundo, antes da invasão estadunidense de 2003, que as armas de destruição em massa eram inexistentes.
Enter Scott Pelley. In January 2008, as a CBS reporter, Pelley interviewed FBI agent George Piro, who had interviewed Saddam Hussein before he was executed:
Entra em cena Scott Pelley. Em janeiro de 2008, como repórter da CBS, Pelley entrevistou o agente do FBI George Piro, que havia entrevistado Saddam Hussein antes de este ser executado:
PELLEY: And what did he tell you about how his weapons of mass destruction had been destroyed?
PELLEY: E o que ele lhe disse acerca de suas armas de destruição em massa terem sido destruídas?
PIRO: He told me that most of the WMD had been destroyed by the U.N. inspectors in the ’90s, and those that hadn’t been destroyed by the inspectors were unilaterally destroyed by Iraq.
PIRO: Ele me disse que a maior parte das armas de destruição em massa havia sido destruída pelos inspetores das Nações Unidas nos anos 1990, e aquelas armas não destruídas pelos inspetores haviam sido destruídas unilateralmente pelo Iraque.
PELLEY: He had ordered them destroyed?
PELLEY: Havia ele ordenado que fossem destruídas?
PIRO: Yes.
PIRO: Sim.
PELLEY: So why keep the secret? Why put your nation at risk? Why put your own life at risk to maintain this charade? [9]
PELLEY: Então por que manter o segredo? Por que colocar a própria nação dele em risco? Por que colocar a própria vida em risco para sustentar essa mentira? [9]
9. “60 Minutes”, January 27, 2008
For a journalist there might actually be something as bad as not knowing what’s going on in his area of news coverage, even on his own station. After Brian Williams’ fall from grace, his former boss at NBC, Bob Wright, defended Williams by pointing to his favorable coverage of the military, saying: “He has been the strongest supporter of the military of any of the news players. He never comes back with negative stories, he wouldn’t question if we’re spending too much.” [10]
Para um jornalista, pode haver, em realidade, algo tão ruim quanto não saber o que está acontecendo em sua área de cobertura noticiosa, mesmo em sua própria estação. Depois de Brian Williams ter caído em desgraça, seu ex-chefe na NBC, Bob Wright, defendeu Williams destacando sua cobertura favorável da instituição militar, dizendo: “Ele tem sido o mais forte apoiador da instituição militar entre todos profissionais de notícias. Nunca vem de volta com histórias negativas, nunca questiona se estamos gastando demais.” [10]
10. Democracy Now!, February 12, 2015, Wright statement made February 10
I think it’s safe to say that members of the American mainstream media are not embarrassed by such a “compliment”.
Creio não haver risco em afirmar que os membros da mídia convencional estadunidense não ficam constrangidos com esse tipo de “cumprimento”.
In his acceptance speech for the 2005 Nobel Prize for Literature, Harold Pinter made the following observation:
Em seu discurso de aceitação do prêmio Nobel de literatura de 2005, Harold Pinter fez a seguinte observação:
Everyone knows what happened in the Soviet Union and throughout Eastern Europe during the post-war period: the systematic brutality, the widespread atrocities, the ruthless suppression of independent thought. All this has been fully documented and verified.
Todo mundo sabe o que aconteceu na União Soviética e por toda a Europa Oriental durante o período posterior à guerra: a sistemática brutalidade, as disseminadas atrocidades, a impiedosa supressão do pensamento independente. Tudo isso já foi plenamente documentado e verificado.
But my contention here is that the US crimes in the same period have only been superficially recorded, let alone documented, let alone acknowledged, let alone recognized as crimes at all.
Contudo, meu ponto aqui é que os crimes dos Estados Unidos no mesmo período só foram registrados superficialmente, menos ainda documentados, menos ainda reconhecidos, menos ainda reconhecidos como crimes, no mínimo que fosse.
It never happened. Nothing ever happened. Even while it was happening it wasn’t happening. It didn’t matter. It was of no interest. The crimes of the United States have been systematic, constant, vicious, remorseless, but very few people have actually talked about them. You have to hand it to America. It has exercised a quite clinical manipulation of power worldwide while masquerading as a force for universal good. It’s a brilliant, even witty, highly successful act of hypnosis.
Nunca aconteceu. Nunca jamais aconteceu. Mesmo quando estava acontecendo não estava acontecendo. Não importava. Não era de interesse. Os crimes dos Estados Unidos têm sido sistemáticos, constantes, violentos e cruéis, destituídos de qualquer mercê, mas muito pouca gente em verdade falou a respeito deles. Temos de tirar o chapéu para os Estados Unidos. Exerceram manipulação extremamente fria e calculista do poder no mundo todo, ao mesmo tempo em que posavam de força a serviço do bem universal. É brilhante, solerte até, altamente bem-sucedido ato de hipnose.


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