Monday, February 9, 2015

World Socialist Web Site - Brazilian daily reports multinationals aided Latin American death squads


ENGLISH
PORTUGUÊS
World Socialist Web Site
Web Site Socialista Mundial
Published by the International Committee of the Fourth International (ICFI)
Publicado pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (ICFI)
Brazilian daily reports multinationals aided Latin American death squads
Diário brasileiro informa que multinacionais ajudaram esquadrões da morte latino-americanos
GM, Chrysler, VW implicated
GM, Chrysler, VW implicadas
By Bill Van Auken
Por Bill Van Auken
24 May 2005
24 de maio de 2005
Major US and European corporations collaborated intimately with Latin American military dictatorships in the 1960s and 1970s, fingering militant workers for arrest, torture and often death, according to an article that appeared this week in the Brazilian daily O Globo.
Grandes corporações estadunidenses e europeias colaboraram intimamente com ditaduras militares latino-americanas nos anos 1960 e 1970, delatando trabalhadores militantes para detenção, tortura e amiúde morte, de acordo com artigo publicado esta semana no diário brasileiro O Globo.
Based on newly released secret police documents as well as the work of Brazilian historians, the article, written by Brazilian journalist Jose Casado, establishes that auto companies, including General Motors, Chrysler and Volkswagen, the Firestone tire company and other corporations routinely handed over lists of suspected union activists to the secret police and clandestine death squads.
Baseado em documentos da polícia secreta recentemente liberados, bem como na obra de historiadores brasileiros, o artigo, escrito pelo jornalista brasileiro José Casado, evidencia que empresas automobilísticas, inclusive General Motors, Chrysler e Volkswagen, a empresa de pneus Firestone e outras corporações rotineiramente entregavam listas de ativistas sindicais suspeitos à polícia secreta e a esquadrões da morte clandestinos.
This state-corporate repression was so effective in Brazil that none of the major companies registered a single strike in nine years—1969 to 1978. The resulting suppression of wages and benefits constituted the political foundation for the so-called “Brazilian miracle” of high profits and growth rates that came to an end with the onset of the debt crisis at the end of the 1970s.
Essa repressão estatal-corporativa era tão eficaz no Brasil que nenhuma das grandes empresas registrou qualquer greve em nove anos — 1969 a 1978. A resultante supressão de salários e benefícios constituiu o fundamento político do assim chamado “milagre brasileiro” de altos lucros e taxas de crescimento que chegaram ao fim com o início da crise da dívida no final dos anos 1970.
The military came to power in Brazil through a 1964 coup orchestrated with the support of Washington and the CIA. By 1969, the regime had turned to intense repression, suspending habeas corpus and dragging thousands of people from their homes, workplaces and schools to be thrown into prison, tortured and summarily executed.
Os militares subiram ao poder por meio de golpe, em 1964, orquestrado com apoio de Washington e da CIA. Em 1969, o regime passou a praticar intensa repressão, suspendendo o habeas corpus e arrastando milhares de pessoas de suas casas, locais de trabalho e escolas, lançando-as na prisão, torturando-as e executando-as sumariamente.
The foreign corporations welcomed this repression and sought to support it in every way possible. This was the period in which corporate donations funded “Operation Bandeirantes,” a paramilitary secret police operation formed within the army. The money was used to recruit operatives from within the different branches of the military and police in Sao Paulo, the country’s industrial center, who were then used in hunting down, abducting and torturing suspected militants and leftists.
As corporações estrangeiras viram com bons olhos essa repressão e buscaram apoiá-la de toda maneira possível. Foi o período no qual doações corporativas financiaram a “Operação Bandeirantes,” operação da polícia secreta paramilitar formada internamente ao exército. O dinheiro era usado para recrutar agentes de dentro dos diferentes ramos da instituição militar e da polícia em São Paulo, o centro industrial do país, que eram em seguida usados para caçar, sequestrar e torturar militantes e esquerdistas.
But the collaboration went well beyond mere financial support. In November 1969, the O Globo article recounts, representatives of Volkswagen, GM, Chrysler, Firestone, Philips and other companies met in Sao Paulo with the local chief of the secret police organization DOPS (Department of Political and Social Order) and a representative of the army. Their aim was to establish a permanent body to coordinate repression of Brazilian workers.
A colaboração, contudo, foi muito além de mero apoio financeiro. Em novembro de 1969, narra o artigo de O Globo, representantes de Volkswagen, GM, Chrysler, Firestone, Philips e outras empresas encontraram-se em São Paulo com o chefe local da organização da polícia secreta DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e um representante do exército. Seu objetivo era criar órgão permanente para coordenar a repressão a trabalhadores brasileiros.
According to the meeting’s minutes, the company representatives and the state security officials discussed “problems” in the factories and decided to establish a permanent office in the DOPS headquarters, which became known as the “Community Center.”
De acordo com as minutas da reunião, os representantes das empresas e as autoridades de segurança do estado discutiram “problemas” nas fábricas e decidiram criar escritório permanente na sede do DOPS, que se tornou conhecido como  “Centro Comunitário.”
This center became a clearinghouse for the victimization of workers in the factory, who in a number of cases subsequently “disappeared.”
Esse centro tornou-se centro de intercâmbio de informação para vitimização de trabalhadores da
fábrica os quais, em certo número de casos, subsequentemente “desapareceram.”
“The big companies recruited personnel from the armed forces and the police, and maintained spying operations against their employees in the factories and the unions,” the article states. “At Volkswagen and Chrysler, for example, they handed over lists of employees to the security agencies, sometimes together with their personnel files.”
“As grandes empresas recrutavam pessoal das forças armadas e da polícia, e mantinham operações de espionagem de seus empregados nas fábricas e nos sindicatos,” declara o artigo. “Na Volkswagen e na Chrysler, por exemplo, entregaram listas de empregados para as agências de segurança, por vezes junto com os arquivos pessoais dos funcionários.”
Spokesmen for the multinational corporations contacted by O Globo claimed ignorance of these arrangements. Volkswagen said it was “apolitical” and had always maintained “advanced” employee relations. Chrysler said it had no knowledge of the repression and “therefore we have no comment.”
Porta-vozes das corporações multinacionais com os quais O Globo entrou em contato afirmaram ignorância desses arranjos. A Volkswagen disser ser “apolítica” e ter sempre mantido relacionamentos “avançados” com os empregados. A Chrysler disse que não tinha conhecimento da repressão e “portanto nada temos a comentar.”
One participant in this state-corporate setup, however, was more open about it. “We were defending our businesses from the terrorists, from subversion,” recalled Synesio de Oliveira, a representative of the Constanta group (a company that merged with Philips in 1998). “The plan was: if there was a suspicious case, we would communicate it to the community.”
Um participante dessa montagem estado-corporação, contudo, foi mais aberto a respeito do assunto. “Estávamos defendendo nossas empresas dos terroristas, da subversão,” relembrou Synésio de Oliveira, representante do grupo Constanta (empresa que se fundiu com a Phillips em 1998). O plano era: se há caso suspeito, comunicá-lo-emos à comunidade.”
The dictatorship was itself keenly interested in spying on the working class, which it recognized as its most dangerous enemy. Under military rule, the government dictated salary increases, and its spies were told to carefully monitor reactions within the factories and the unions when these decrees were issued.
A ditadura estava ela própria agudamente interessada em espionar a classe trabalhadora, que considerava seu mais perigoso inimigo. No regime militar o governo ditava os aumentos de salário, e seus espias recebiam instruções de monitorarem cuidadosamente reações dentro das fábricas e dos sindicatos quando essas decretações eram emitidas.
At the same time, by establishing corporatist control over the unions, the dictatorship was able to employ the dues check-off system as a sinister means of financing the repression. Compulsory union dues at the time amounted to 20 percent of wages and were funneled into the Ministry of Labor. From there the funds went to buy equipment for the police, including patrol cars purchased from GM.
Ao mesmo tempo, mediante estabelecer controle corporatista sobre os sindicatos, a ditadura conseguia empregar o sistema de consignação em folha de pagamento como sinistro meio de financiar a repressão. Deduções compulsórias para sindicatos, à época, chegavam a 20 por cento dos salários e eram canalizadas para o Ministério do Trabalho. Dali os fundos iam para comprar equipamento para a polícia, inclusive carros de patrulha comprados da GM.
“It was said that the companies financed the death squads with the money taken out as union contributions,” Almir Pazzianotto, who was a lawyer for the metalworkers union in Sao Paulo’s ABC industrial belt in the 1970s, told O Globo. Pazzianotto became minister of labor after the fall of the dictatorship.
“Foi dito que as empresas financiavam os esquadrões da morte com o dinheiro tomado sob forma de contribuições para sindicatos,” disse a O Globo Almir Pazzianotto, que foi advogado do sindicato dos metalúrgicos na área industrial do ABC em São Paulo nos anos 1970. Pazzianotto tornou-se ministro do trabalho depois da queda da ditadura.
The article notes that the collaboration between the corporations and state repression was not limited to Brazil. In Argentina, where the military regime was even more murderous, thousands of workers were rounded up in the months following the 1976 coup. It cites a 1978 cable from the US embassy in Buenos Aires reporting to Washington on the “great cooperation between management and the security agencies” and citing the general expectation among foreign companies that the repression would intensify “minimizing the risk of strikes in their industries.”
O artigo nota que a colaboração entre as corporações e a repressão estatal não ficava limitada ao Brasil. Na Argentina, onde o regime militar era ainda mais assassino, milhares de trabalhadores foram arrebanhados nos meses seguintes ao golpe de 1976. Cita telegrama de 1978 da embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires informando a Washington a “grande cooperação entre gerência e os órgãos de segurança” e citando a expectativa geral entre as empresas estrangeiras de que a repressão se intensificaria “minimizando o risco de greves em suas indústrias.”
In Argentina, companies like Mercedes Benz and Ford allowed their facilities to be used as clandestine detention centers, where workers singled out by management were imprisoned, tortured and killed, according to the article.
Na Argentina, empresas como Mercedes Benz e Ford permitiam que suas dependências fossem usadas como centros clandestinos de detenção, onde trabalhadores assinalados pela gerência eram presos, torturados e mortos, de acordo com o artigo.
Apparently similar arrangements existed in Brazil. The article cites the testimony of a worker, Antonio Guerra, who wrote at the time, “There are elements from DOPS and SNI (National Intelligence Service) in different sections.... They have already set up prisons inside the factory itself. Other times they grab the worker and take him out of the factory, where DOPS or Oban (Operation Bandeirantes) is waiting for him.”
Aparentemente havia arranjos similares no Brasil. O artigo cita testemunho de trabalhador, Antônio Guerra, que escreveu à época: “Há elementos de DOPS e SNI (Serviço Nacional de Informações) em diferentes seções.... Já criaram prisões dentro da própria fábrica. Outras vezes eles agarram o trabalhador e o levam para fora da fábrica, onde o DOPS ou a Oban (Operação Bandeirantes) está esperando por ele.”
From the mid-1960s on, the foreign companies, concerned with militancy in their workforces and emboldened by the support of the military regime, began beefing up their internal security arrangements. Those set up by Volkswagen, which then employed some 30,000 workers in Brazil, were considered a model by the other multinationals.
A partir de meados dos anos 1960 as empresas estrangeiras, preocupados com a militância em suas forças de trabalho e encorajadas pelo apoio do regime militar, começaram a robustecer seus esquemas internos de segurança. Os estabelecidos pela Volkswagen, que à época empregava cerca de 30.000 trabalhadores no Brasil, foram considerados modelo pelas outras multinacionais.
They were organized by a real specialist, Franz Paul Stangl. A Nazi fugitive, Stangl had served the Third Reich by running the death camps at Sobibor and Treblinka. After escaping to Brazil in the early 1950s, he spent 15 years working for VW there, before his past was exposed and he was extradited to Germany, where he died in prison.
Foram organizados por real especialista, Franz Paul Stangl. Fugitivo nazista, Stangl havia servido o Terceiro Reich administrando os campos da morte de Sobibor e Treblinka. Depois de escapar para o Brasil no início dos anos 1950, passou 15 anos trabalhando para a VW no país, antes de seu passado ser revelado e ele ser extraditado para a Alemanha, onde morreu na prisão.
He was later replaced by Adhemar Rudge, a Brazilian army colonel who was fluent in German. “We never had terrorists in the factories,” Rudge told O Globo. “We prevented it, eventually with some sharing of information with the DOPS.”
Foi mais tarde substituído por Adhemar Rudge, coronel do exército brasileiro fluente em alemão. “Nunca tivemos terroristas nas fábricas,” disse Rudge a O Globo. “Impedimos que acontecesse, em última análise mediante algum compartilhamento de informações com o DOPS.”
Despite its omnipresent and ferocious character, this system of anti-working class repression proved insufficient to hold back the militant strike wave that swept Brazil beginning in 1978, fatally undermining the dictatorship.
A despeito de seu caráter onipresente e cruel, aquele sistema de repressão de classe contra os trabalhadores comprovou-se insuficiente para conter a onda de greves militantes que varreram o Brasil a partir de 1978, solapando fatalmente a ditadura.

No comments:

Post a Comment