Saturday, February 21, 2015

Middle East Eye - 36 years on, the US is still struggling to understand Iran


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MIDDLE EAST EYE
MIDDLE EAST EYE
36 years on, the US is still struggling to understand Iran
36 anos depois, os Estados Unidos ainda têm dificuldade em entender o Irã
Mahan Abedin
Friday 20 February 2015 12:07 GMT
Newly de-classified US files point to American confusion on the Iranian Revolution; a state of affairs that continues to dog US policy on Iran
Arquivos recentemente desclassificados [oficialmente declarados não mais secretos] dos Estados Unidos mostram confusão dos estadunidenses acerca da Revolução Iraniana; estado de coisas que continua a causar problemas para a política dos Estados Unidos relativa ao Irã
Last week, the Islamic Republic of Iran commemorated the 36th anniversary of the Islamic Revolution that toppled the Shah and empowered sections of the Shiite clergy. In the last three decades and a half the face of Iran has changed beyond all recognition, as have many aspects of the country’s domestic and foreign policy.
Na semana passada a República Islâmica do Irã comemorou o 36o aniversário da Revolução Islâmica que derrubou o Xá e colocou no poder secções do clero xiita. Nas últimas três décadas e meia a face do Irã modificou-se a ponto de tornar-se irreconhecível, como ocorreu também com muitos dos aspectos da política doméstica e externa do país.
Newly de-classified US files relating to the so-called “Huyser mission” (referring to late General Robert E. Huyser) paint a picture of American helplessness in the face of the Iranian revolution. While the United States had reluctantly abandoned the Shah by the time General Huyser arrived in Tehran in early January 1979, there appears to have been an absence of detailed insight as to what should and would follow the Shah’s overthrow.
Arquivos recentemente desclassificados dos Estados Unidos relacionados com a assim chamada“missão Huyser” (referência o falecido General Robert E. Huyser) exibem quadro da incapacidade estadunidense de entender a revolução iraniana. Embora os Estados Unidos tivessem relutantemente abandonado o Xá quando o General Huyser chegou em Teerá no início de janeiro de 1979, parece ter havido ausência de discernimento detalhado acerca do que deveria acontecer e aconteceria na esteira da derrubada do Xá.
Instead American leaders and strategists had adopted very broad and general policy guidelines such as the need for the US and Iran “to have strong and stable government ties”. As it turned out the very opposite ensued, as Iranian-US relations plunged into a Cold War which continues to this day.
Em vez disso, líderes e estrategistas estadunidenses haviam adotado diretrizes de políticas muito amplas e gerais tais como a necessidade de Estados Unidos e Irã “terem vínculos fortes e estáveis de governo”. Como veio a ocorrer, exatamente o oposto se seguiu, visto que as relações iranianas-estadunidenses mergulharam numa Guerra Fria que continua até hoje.
These de-classified documents are important not only because they help settle historical uncertainties and disputes, but more importantly because they underline America’s deep confusion and misunderstanding of the nature of Iranian society and the attendant balance of power within that society.
Esses documentos desclassificados são importantes não apenas por ajudarem a resolver incertezas e disputas históricas porém, mais importante, por eles sublinharem a profunda confusão e o entendimento profundamente equivocado dos Estados Unidos acerca da natureza da sociedade iraniana e do conexo equilíbrio de poder dentro de tal sociedade.
The United States could still draw important lessons from its doomed mission to manage the Iranian revolution. This is all the more important as there are tentative but credible signs of a possible thaw in bilateral relations.
Os Estados Unidos ainda poderiam extrair importantes lições de sua malfadada missão de gerir a revolução iraniana. Isso se torna ainda mais importante na medida em que há sinais tentativos mas críveis de possível degelo nas relações bilaterais.
Historical clarity
Clareza história
The release of classified documents centred on the so-called Huyser mission go a long way in achieving near total clarity on the role of foreign powers in the Iranian revolution of 1978-79.
A divulgação de documentos classificados centrados na assim chamada missão Huyser em muito contribui para atingimento de total clareza acerca do papel de potências estrangeiras na revolução iraniana de 1978-79.
The issues at stake are not merely academic, as for the past three and a half decades a lively and at times acrimonious debate has raged within certain Iranian communities – particularly those in exile – on the putative complicity of the US government in the Shah’s downfall.
As questões em jogo não são meramente acadêmicas, visto que, no decurso das últimas três décadas e meia, debate vibrante e por vezes acrimonioso ganhou força dentro de certas comunidades iranianas - particularmente daquelas no exílio - acerca de putativa cumplicidade do governo dos Estados Unidos na queda do Xá.
The conspiracy theories are mainly pushed by royalist circles and those parties who lost a great deal in the dramatic shift of power which followed the revolution’s climax on 11 February 1979.
As teorias de conspiração são promovidas principalmente por círculos realistas e por aqueles partidos que perderam consideravelmente na dramática mudança de poder que se seguiu ao clímax da revolução em 11 de fevereiro de 1979.
The remnants of the Shah’s regime have long argued that the revolution could not have succeeded without covert support from the United States. General Huyser’s belated mission to monitor and manage the final stage of the revolution neatly fitted into this conspiracy theory.
Os remanescentes do regime do Xá há muito argumentam que a revolução não poderia ter sido bem-sucedida sem apoio secreto dos Estados Unidos. A atrasada missão do General Huyser visante a observar e verificar, e bem assim gerir, o estágio final da revolução encaixa-se como uma luva nessa teoria da conspiração.
But what the declassified files show us is that the United States had failed to predict – let alone manipulate – the timing and intensity of the Iranian revolution. Moreover, US leaders, strategists and policymakers appear to have been deeply confused and divided on how to respond.
O que, porém, os arquivos desclassificados nos mostram é que os Estados Unidos não haviam conseguido prever – menos ainda manipular – a sucessão temporal e a intensidade da revolução iraniana. Além disso, os líderes, estrategistas e formuladores de políticas dos Estados Unidos parecem ter ficado enormemente confusos e divididos acerca de como reagir.
The broad majority of US decision makers – including President Jimmy Carter – appear to have been intent on supporting a civilian administration led by the late Shapour Bakhtiar. However, a significant minority, led by national security advisor and chief US foreign policy strategist at the time Zbigniew Brzezinski, were not opposed to a military coup by the Shah’s army.
A ampla maioria dos tomadores de decisões dos Estados Unidos – inclusive o presidente Jimmy Carter – parece ter tido a intenção de apoiar administração civil liderada pelo falecido Shapour Bakhtiar. Importante minoria, porém, liderada pelo assessor de segurança nacional e principal estrategista de política externa dos Estados Unidos à época, Zbigniew Brzezinski, não se opunha a golpe militar pelo exército do Xá.
In any case, based on the newly declassified files – and other credible sources – there is no evidence whatsoever that the Unities States government, whether in whole or in part, had conspired against the Shah.
De qualquer forma, com base nos arquivos recentemente desclassificados - e em outras fontes fidedignas - não há evidência absolutamente nenhuma de que o governo dos Estados Unidos, no todo ou parte, tenha conspirado contra o Xá.
On the contrary, the US government appears to have been intent on not ceding any form of advantage to the revolutionaries. The primary US concern was the preservation of Iranian-American ties, which US leaders thought could best be achieved by retaining as much of the Shah’s regime as possible.
Pelo contrário, o governo dos Estados Unidos parece ter tido a intenção de não conceder qualquer forma de vantagem aos revolucionários. A principal preocupação dos Estados Unidos era a preservação dos laços iranianos-estadunidenses, que, achavam os líderes dos Estados Unidos, melhor seria alcançada mediante retenção de tanto do regime do Xá quanto possível.
Hence the strong US support for the doomed Shapour Bakhtiar (who was prime minister for barely a month) and the Shah’s army. This ill-informed American strategy unravelled within weeks as Bakhtiar fled his post and the army declared its neutrality in the face of the inevitable.
Daí o forte apoio dos Estados Unidos ao desafortunado Shapour Bakhtiar (que foi primeiro-ministro por apenas um mês) e ao exército do Xá. Essa péssimamente informada estratégia estadunidense esfarinhou-se em semanas, com Bakhtiar dando no pé de seu posto e o exército declarando neutralidade face ao inevitável.
Lessons from the past
Lições do passado
The Huyser mission documents tell us a great deal about the depth of US misunderstanding of Iranian polity and society. Foremost, some American strategists (notably Brzezinski) appear to have been deluded in so far as they thought a military coup could actually stop the revolutionary tide.
Os documentos relativos à missão Huyser dizem-nos muito acerca da dimensão do entendimento equivocado dos Estados Unidos a respeito do processo de governo e da sociedade iraniana. Acima de tudo, alguns estrategistas estadunidenses (especialmente Brzezinski) parecem ter sido vítimas de ilusão ao crerem que golpe militar poderia com efeito conter a maré revolucionária. 
A coup would not have only provoked a bloodbath but most likely it would have led to the rapid disintegration of the Iranian armed forces. The Iranian revolution had engaged and energised every section of society and it was led by a profoundly charismatic leader. In short the revolution was an unstoppable force.
Golpe não apenas teria provocado banho de sangue como, muito provavelmente, teria levado a rápida desintegração das forças armadas iranianas. A revolução iraniana havia engajado e energizado todas as secções da sociedade e era liderada por líder enormemente carismático. Em suma, a revolução era força impossível de conter.
As it turned out the revolutionaries rewarded the armed forces’ neutrality by allowing the military to retain most of its structures, doctrines and culture. But the revolutionaries were far-sighted enough to create a parallel armed force in the form of the Islamic Revolutionary Guards Corps (IRGC).
Como se veio a revelar, os revolucionários recompensaram a neutralidade das forças armadas mediante permitirem que a instituição militar retivesse a maior parte de suas estruturas, doutrinas e cultura. Os revolucionário porém tiveram descortínio suficiente para criarem uma força armada paralela na forma do Corpo dos Guardas Revolucionários Islâmicos (IRGC).
In the immediate term the Revolutionary Guards not only neutralised the potential threat from the army, but long-term the IRGC became the vehicle through which revolutionary Iran projected a wide range of soft and hard power across the region.
No período imediato os Guardas Revolucionários neutralizaram a ameaça potencial representada pelo exército, mas no longo prazo o IRGC tornou-se o veículo por meio do qual o Irã revolucionário projetou amplo espectro de poderio persuasivo e coercitivo por toda a região.
One of the main factors underpinning the intensity and longevity of the political, ideological and strategic conflict between Iran and the United States is the seeming inability of the US government to come to terms with the Iranian revolution.
Um dos principais fatores na base da intensidade e longevidade do conflito político, ideológico e estratégico entre Irã e Estados Unidos é a aparente incapacidade dos governo dos Estados Unidos de digerir a revolução iraniana.
The post-revolutionary national security establishment in Iran has often complained that the United States aspires to engineer a “regime change” in Iran with a view to restoring the status quo ante. This factor alone, the Iranians argue, makes honest engagement with the United States all but impossible.
O grupo de poder e influência em segurança nacional pós-revolucionário do Irã tem reclamado amiúde que os Estados Unidos aspiram a engendrar “mudança de regime” no Irã com vista a restaurar o statu quo ante. Só esse fator, argumentam os iranianos, torna praticamente impossível envolvimento honesto com os Estados Unidos.
If the United States is serious about coming to a limited understanding with the Islamic Republic with a view to restoring relations in the long-term, then American leaders and policy makers must address this central Iranian concern. It is only by officially recognising the changes inspired by the Iranian revolution that the US can begin to credibly re-engage with Iran.
Se os Estados Unidos estiverem falando a sério acerca de chegarem a entendimento limitado com a República Islâmica com vista a restauração de relações no longo prazo, então os líderes e formuladores de políticas estadunidenses precisam atacar essa preocupação iraniana fundamental. Só mediante reconhecerem oficialmente as mudanças inspiradas pela revolução iraniana poderão os Estados Unidos começar a crivelmente reestabelecerem relacionamento com o Irã.
- Mahan Abedin is an analyst of Iranian politics. He is the director of the research group Dysart Consulting.
- Mahan Abedin é analista de política iraniana. É diretor do grupo de pesquisa Dysart Consulting.
The views expressed in this article belong to the author and do not necessarily reflect the editorial policy of Middle East Eye.
Os pontos de vista apresentados neste artigo são os do autor e não necessariamente refletem a política editorial do Middle East Eye.
Photo: Iranians attend the 36th anniversary of the Islamic Revolution in Tehran's Azadi Square on February 11, 2015 (AA) 
Foto: Iranianos comemoram o 36o. aniversário da Revolução Iraniana na Praça Azadi em Teerã em 11 de fevereiro de 2015. (AA)

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