Friday, February 6, 2015

CORPWATCH - Brazilian Truth Commission Alleges Volkswagen Had Ties To Former Military Junta



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Brazilian Truth Commission Alleges Volkswagen Had Ties To Former Military Junta
Comissão da Verdade Brasileira Alega que a Volkswagen Teve Vínculos Com Ex-Junta Militar
by Nicolas Krotz, CorpWatch Blog
January 26th, 2015
Citizens demanding justice for crimes committed during Brazilian military dictatorship. Photo: Circuito Fora do Eixo. Used under Creative Commmons license.
Volkswagen's subsidiary in Brazil has been accused of providing material support for torture conducted by the military dictatorship during its 21 year reign from 1964 to 1985. Details of the role of the German car manufacturer emerged in the final report of a national Truth Commission issued last month.
A subsidiária da Volkswagen no Brasil vem de ser acusada de fornecer apoio material para tortura conduzida pela ditadura militar durante seu período de existência de 21 anos de 1964 a 1985. Detalhes do papel da fabricante alemã de automóveis surgiram no relatório final da uma Comissão da Verdade nacional no mês passado.
Based in Wolfsburg, Germany, the Volkswagen group is the world's second largest automobile manufacturer with a global sales revenue of €197 billion and a profit of €9 billion in 2013 ($256 billion/$12 billion). It employs 570,000 workers and sells around ten million cars a year. Volkswagen do Brasil has been producing cars since 1953 and employs over 24,000 workers in the country today.
Sediado em Wolfsburg, Alemanha, o grupo Volkswagen é o segundo fabricante mundial de automóveis, com receita de vendas globais de €197 biliões e lucro de €9 biliões em 2013 ($256 biliões/$12 biliões). Emprega 570,000 trabalhadores e vende em torno de dez milhões de carros por ano. A Volkswagen do Brasil produz carros desde 1953 e emprega mais de 24.000 trabalhadores, hoje, no país.
"They held my arms behind my back and immediately put me in handcuffs. As soon as we arrived in Volkswagen's security center, the torture began. I was beaten, punched and slapped,” Lucio Bellentani, a former Volkswagen employee at a company plant in Sao Bernardo do Campo, near Sao Paulo, told the commission about his experiences in 1972.
"Seguraram meus braços atrás de minhas costas e imediatamente algemaram-me. Logo que chegamos ao centro de segurança da Volkswagen a tortura começou. Fui espancado, esmurrado e estapeado.” Lucio Bellentani, ex-empregado da Volkswagen em fábrica da empresa em São Bernardo do Campo, perto de São Paulo, contou à comissão suas experiências em 1972.
The Truth Commission was set up by Dilma Rousseff, the president of Brazil, to investigate what the government did to the people who fought against the military regime. The investigation was of particular interest to Rousseff, who was tortured herself.
A Comissão da Verdade foi criada por Dilma Rousseff, a presidente do Brasil, para investigar o que o governo fez às pessoas que combateram o regime militar. A investigação teve particular interesse para Rousseff, que ela própria foi torturada.
A final 1,000 page report, which was published in December 2014, documents the killing and disappearing of 434 people. The commission stated that "these are only the cases it was possible to verify ... despite obstacles to the investigation, notably the lack of access to armed forces' documentation, which is officially said to have been destroyed." Thousands of people were imprisoned for political reasons and an estimated 6,000 people were tortured.
Relatório final de 1.000 páginas, publicado em dezembro de 2014, documenta o assassínio e desaparecimento de 434 pessoas. A comissão declarou que "esses são apenas os casos que foi possível verificar ... a despeito de obstáculos à investigação, notavelmente a falta de acesso à documentação das forças armadas, que é oficialmente declarada ter sido destruída." Milhares de pessoas foram presas por motivos políticos e avalia-se que 6.000 pessoas foram torturadas.
The report concludes that over 80 national and international business companies collaborated extensively with the military government. These companies provided intelligence about their employees, handed over individuals to the Department of Political and Social Order (the former police administration centre, prison and torture chamber) and even financed pro-government paramilitary forces, such as the Operacao Bandeirante.
O relatório conclui que mais de 80 empresas comerciais internacionais colaboraram amplamente com o governo militar. Essas empresas forneceram inteligência acerca de seus empregados, entregaram pessoas ao Departamento de Ordem Política e Social (o ex-centro de administração da polícia, prisão e câmara de tortura) e até financiaram forças paramilitares pró-governo, tais como a Operação Bandeirante.
In February 2014, the commission decided to dig deeper into the relationship between the military regime and Volkswagen.
Em fevereiro de 2014, a comissão decidiu aprofundar-se no relacionamento entre o regime militar e a Volkswagen.
According to the investigators findings, a special agency named the Centro Comunitário de Segurança (CECOSE) was set up in 1983 where army and military police officials met with representatives of 25 major companies. The report states, that “the representative of Volkswagen played a huge role in the meetings, initiated talks about most important issues and prepared comments in the form of 'reminders' to CECOSE.”
De acordo com os resultados da investigação, órgão especial chamado Centro Comunitário de Segurança (CECOSE) foi criado em 1983 onde autoridades do exército e da polícia militar encontravam-se com representantes de 25 grandes empresas. O relatório declara que “o representante da Volkswagen desempenhava enorme papel nas reuniões, dava início a conversas acerca das questões mais importantes e preparava comentários na forma de  'lembretes' ao CECOSE.”
The “documents show with exceptional clarity how companies expected the government to help them solve their problems with their workers,” Sebastiao Neto, a member of the Truth Commission, told Reuters. “Low workers' wages were considered a key to economic growth in Brazil.”
Os “documentos mostram com excepcional clareza como as empresas esperavam que o governo as ajudasse a resolver seus problemas com os trabalhadores,” disse à Reuters Sebastião Neto, membro da Comissão da Verdade. “Trabalhadores de baixa remuneração eram considerados decisivos para crescimento econômico no Brasil.”
Among the people that Volkswagen monitored was Luiz Inacio Lula da Silva, a prominent union leader, despite the fact that he was not employed by the company. Lula, who later rose to become president of Brazil between 2003 and 2010, told the Volkswagen workers at the time that their management was spying on them.
Entre as pessoas que a Volkswagen monitorava estava Luiz Inácio Lula da Silva, preeminente líder sindical, a despeito de fato de ele não ser empregado da empresa. Lula, que mais tarde ascendeu para tornar-se presidente do Brasil entre 2003 e 2010, contou aos trabalhadores da Volkswagen, à época, que a gerência daquela empresa os estava espionando.
The Truth Commission has recommended that the Brazilian military own up to its activities during the dictatorship.
A Comissão da Verdade recomendou que a instituição militar brasileira admita suas atividades ilícitas durante a ditadura.
In Germany, an activist coalition of 20 NGOs named “Nunca Mais - Nie Wieder” has sprung up to demand details about the role of German companies, individuals and institutions that supported the Brazilian military. Academics like Nina Schneider, a Latin American historian at the University of Konstanz, specifically want to know how much the German parent company knew about what was happening in Brazil. “This needs to be clarified, and Volkswagen must state its positions,” she told Deutsche Welle radio.
Na Alemanha, coalizão ativista de 20 ONG chamada “Nunca Mais - Nie Wieder” movimentou-se para exigir detalhes acerca do papel das empresas alemãs, indivíduos e instituições que apoiaram a instituição militar brasileira. Acadêmicos como Nina Schneider, historiadora da América Latina na Universidade de Konstanz, especificamente querem saber o quanto a empresa mãe alemã sabia acerca do que estava acontecendo no Brasil. “Isso precisa ser esclarecido, e a Volkswagen precisa declarar suas posições,” disse ela à rádio Deutsche Welle.
Controversy is not new to Volkswagen's Brazilian operations. Franz Paul Stangl, the former Nazi camp commander of the death camps at Sobibor and Treblinka, escaped Germany to Brazil where he worked for Volkswagen in Sao Bernardo do Campo for 15 years. Stangl was extradited in 1967 and found guilty for the mass murder of 900,000 people.
Controvérsia não é algo novo no funcionamento da Volkswagen brasileira. Franz Paul Stangl, ex-comandante de campo nazista dos campos da morte de Sobibor e Treblinka, escapou da Alemanha para o Brasil onde trabalhou para a Volkswagen em São Bernardo do Campo por 15 anos. Stangl foi extraditado em 1967 e considerado culpado pelo assassínio em massa de 900.000 pessoas.
After the Truth Commission report was published, Volkswagen agreed to pursue “any indication of possible involvement of the employees at Volkswagen do Brasil in human rights violations during the period of military dictatorship," a company spokesperson told Deutsche Welle. Manfred Grieger, head of Volkswagen’s corporate history department, noted that the company has tried to be honest about its past, noting that Volkswagen has reported extensively about its role in Germany during the First and Second World Wars.
Depois que o relatório da Comissão da Verdade foi publicado, a Volkswagen concordou em perseguir “qualquer indicação de possível envolvimento dos empregados da Volkswagen do Brasil em violações de direitos humanos durante o período da ditadura militar," disse porta-voz da empresa à Deutsche Welle. Manfred Grieger, chefe do departamento de história corporativa da Volkswagen, observou que a empresa tem tentado ser honesta acerca de seu passado, notando que a Volkswagen tem relatado extensamente acerca de seu papel na Alemanha durante a primeira e a segunda guerra mundial.
But to this day, Volkswagen continues to be a controversial employer in Brazil, most recently for alleged anti-union practices. At the end of last year, Volkswagen decided to dismiss 800 workers from its Anchieta plant in Sao Bernardo do Campo, citing the ongoing economic crisis in Brazil.
Até hoje, porém, a Volkswagen continua a ser empregador controverso no Brasil, mais recentemente por práticas antissindicato. Ao final do ano passado, a Volkswagen resolveu demitir 800 trabalhadores de sua fábrica de Anchieta em São Bernardo do Campo, citando a crise econômica em andamento no Brasil. 
The union argued that the dismissals violated the contract the company signed guaranteeing the workers' jobs until 2017. “We cannot accept these massive layoffs,” Wagner Santana, the chief of the Sindicato dos Metalúrgicos do ABC union, said in a press statement.
O sindicato argumentou que as demissões violavam o contrato que a empresa assinara garantindo os empregos dos trabalhadores até 2017. “Não podemos aceitar essas dispensas em massa,” disse em comunicado à imprensa Wagner Santana, o chefe do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Volkswagen workers responded by staging an occupation of the plant in Anchieta and shutting down the production line after the New Year, Junge Welt reported. The following week, some 10,000 auto-workers including employees from Ford and Mercedes Benz, staged a major protest against layoffs.
Os trabalhadores da Volkswagen responderam mediante promoverem ocupação da fábrica em Anchieta e fecharem a linha de produção depois do Ano Novo, informou o Junge Welt. Na semana seguinte, cerca de 10.000 trabalhadores na indústria automobilística, incluindo empregados de Ford e Mercedes Benz, promoveram grande protesto contra dispensas.
The workers demanded that the company guarantees job security in times of economic turbulence. "This protection already exists in some countries confronting crisis situations, as is the case with Germany itself, where Volkswagen's parent company is," Santana said.
Os trabalhadores exigiram que a empresa garantisse segurança no emprego em épocas de turbulência econômica. "Essa proteção realmente existe em alguns países que confrontam situações de crise, como é o caso da própria Alemanha, onde isso acontece com a empresa mãe Volkswagen," disse Santana.


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