Friday, January 9, 2015

The Palestine Chronicle - ‘Dos’ and ‘Don’ts’: Things I Learned Writing about the Middle East


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The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
‘Dos’ and ‘Don’ts’: Things I Learned Writing about the Middle East
‘Faça’ e ‘Não Faça’: Coisas Que Aprendi Escrevendo Acerca Do Oriente Médio
Side with the victim. Always. (Activestills.org)
By Ramzy Baroud
Writing about and reporting the Middle East is not an easy task, especially during these years of turmoil and upheaval. While physical maps remain largely intact, the geopolitical map of the region is in constant influx. Following and reporting about these constant changes without a deep and compassionate understanding of the region will achieve little but predictable and lackluster content that offers nothing original, but recycled old ideas and stereotypes.
Escrever acerca do e reportar o Oriente Médio não é tarefa fácil, especialmente durante estes anos de turbulência e sublevação. Embora mapa físicos permaneçam em grande parte intactos, o mapa geopolítico sofre constante influxo. Acompanhar e reportar essas constantes mudanças sem entendimento profundo e compassivo da região só redundará em conteúdo previsível e vápido que nada oferecerá de original e sim apenas velhas ideias e estereótipos reciclados.
From my humble experience in the region, I share these “dos” and “don’ts” on how the Middle East should be approached in writing and reporting.
De minha humilde experiência na região partilho estes “faça” e “não faça” acerca de como o Oriente Médio deve ser abordado em escrita e reportagem.
Question Terminology
Questione a  Terminologia
To start with, the term Middle East is itself highly questionable. It is arbitrary, and can only be understood within proximity to some other entity, Europe, which colonial endeavors imposed such classifications on the rest of the word. Colonial Europe was the center of the globe and everything else was measured in physical and political distance from the dominating continent.
Para começar, a expressão Oriente Médio é ela própria altamente questionável. É arbitrária, e só pode ser entendida em termos da proximidade com outra entidade, a Europa, cujos esforços colonialistas impuseram tal classificação ao resto do mundo. A Europa colonial era o centro do globo e tudo o mais era medido em distância física e política do continente dominante.
Western interests in the region never waned. In fact, following US-led wars on Iraq (1990-91), a decade-long blockade, followed by a massive war and invasion (2003), the “Middle East” is back at the center of neocolonial activities, colossal western economic interests, strategic and political manoeuvrings.
Interesses ocidentais na região nunca decresceram. Na verdade, depois das guerras lideradas pelos Estados Unidos contra o Iraque (1990-91), bloqueio de década de duração, seguido de maciças guerra e invasão (2003), o “Oriente Médio” está de volta ao centro de atividades neocolonialistas, colossais interesses econômicos ocidentais, manobras estratégicas e políticas.
To question the term “Middle East” is to become conscious of the colonial history, and the enduringly fierce economic and political competition, which is felt in every facet of life in the region.
Questionar a expressão “Oriente Médio” é tornar-se cônscio da história neocolonial, e da duradoura feroz competição econômica e política, sentidas em todas as facetas da vida na região.
Then, learn to question many other terms: extremist, radical, moderate, terrorist, pro-western, liberal, socialist, Islamist, Islamic, anti-Islamist, secularist, and so on. These are mostly misleading labels. They might not mean at all what you think they do. Their use is often political as opposed to direct reference to an ideological or political position.
Em seguida, aprenda a questionar muitas outras expressões: extremista, radical, moderado, terrorista, pró-Ocidente, liberal, socialista, islamista, islâmico, anti-islamista, secularista, e assim por diante. Esses são, na maioria, rótulos desencaminhadores. Podem não significar nada, em absoluto, do que você pensa que significam. Seu uso é amiúde político, em contraste com referência direta a posição ideológica ou política. 
Learn the Language
Aprenda a Língua
If your reporting work is intrinsically linked to the Middle East, then you must learn a language. If you are not an Arabic-speaking journalist, you must invest the time to learn Arabic (or Farsi, Turkish, etc, depending on the specific region of your interest). Learning few greeting words and how to flag down a taxi is good, but will hardly allow you to overcome the numerous obstacles of having no direct access to a whole country, save few mostly western educated elites who speak your language. Even a local companion would hardly help bridge the language divide, for she/he is likely to have their own biases and limitations. Moreover, much is often omitted and lost in translation.
Se seu trabalho de reportagem estiver intrinsecamente ligado ao Oriente Médio, terá de aprender uma língua. Se você não for jornalista falante de árabe, terá de investir tempo para aprender árabe (ou farsi, turco etc., dependendo da região específica de seu interesse). Aprender umas poucas palavras de saudação e como parar um táxi é bom, mas dificilmente permitirá que você supere os numerosos obstáculos de não ter acesso direto a todo um país, salvo a poucas elites cultas geralmente educadas no Ocidente que falem sua língua. Até um companheiro local dificilmente ajudará você a transpor a barreira da língua, pois provavelmente terá seus próprios vieses e limitações. Ademais, muito é amiúde omitido e perdido em tradução.
Speaking the native language will gain you more than access, but trust as well, and help you develop real compassion with people who are in greater need to be heard.
Falando a língua nativa você ganhará mais acesso, mas também confiança, e ajudará você a desenvolver compaixão real por pessoas que estão na maior necessidade de serem ouvidas.
Start at the Bottom
Comece de Baixo
Arundhati Roy is quoted as saying: “There’s really no such thing as the ‘voiceless’. There are only the deliberately silenced, or the preferably unheard.”
Arundhati Roy é citada como dizendo: “Os ‘sem voz’ em realidade não existem. Há apenas os deliberadamente silenciados, ou os preferivelmente não ouvidos.”
Every Middle Eastern country has its educated elites. They are often approached by the media out of convenience. An Egyptian English speaking graduate from the American University of Cairo, or a Yemeni head of EU-funded NGO, or a Palestinian Ramallah-based political analyst who is loosely affiliated with the Palestinian Authority are all obvious media mouthpieces. They speak one foreign language or another; they know what a sound bite is; they don’t require much training; and they are always ready with their talking points. Although they may be the ideal media guest, they may be the least qualified to comment on a story.
Todo país do Oriente Médio tem suas elites cultas. Elas são amiúde abordadas pela mídia por mor de conveniência. Um graduado egípcio falante de inglês da Universidade Estadunidense do Cairo, ou chefe iemenita de ONG financiada pela União Europeia, ou analista político palestino sediado em Ramallah vagamente filiado à Autoridade Palestina são todos óbvios porta-vozes da mídia. Falam uma língua estrangeira ou outra; sabem o que é um extrato de entrevista; não requerem muito treinamento; e estão sempre prontos com seus tópicos de interesse. Embora possam ser o convidado ideal da mídia, podem ser os menos qualificados para comentar uma história.
Your best bet as a reporter is to start from the bottom, the people who are mostly disaffected by whatever story you are reporting: the victims, their families, eyewitnesses, and the community as a whole. While such voices are often neglected or used as content fillers, they should become the center of any serious reporting from the region, especially in areas that are torn by war and conflict.
Sua melhor opção como repórter é começar de baixo, das pessoas mais insatisfeitas por qualquer história que você esteja cobrindo: as vítimas, suas famílias, testemunhas oculares, e a comunidade como um todo. Embora essas vozes sejam amiúde negligenciadas ou usadas como enchimento de conteúdo, elas devem tornar-se o centro de qualquer cobertura séria da região, especialmente em áreas laceradas por guerra e conflito. 
Side with the Victim, but Be Careful
Apoie a Vítima, mas Seja Cauteloso
True, there might be more than one side to the same story, but that should not be the driving force of your reporting.
Verdade, pode haver mais de um lado da mesma história, mas isso não deverá ser a força impulsionadora de sua reportagem.
Start by being aware of your limitations as a person to report on a story without feeling sympathy towards people who are the subject of your report: a Syrian mother separated from her children, a Gaza father, who lost his wife and five kids to Israeli bombs, an Egyptian democracy activist on a prolonged hunger strike, and so on.
Comece sendo consciente de suas limitações como pessoa para narrar história sem sentir simpatia por pessoas objeto da reportagem: mãe síria separada dos filhos, pai gazense que perdeu a mulher e cinco filhos por causa de bombas de Israel, ativista egípcio pela democracia em prolongada greve de fome, e assim por diante.
But let the understanding of the cost of conflict be your guide in understanding the bigger and more multifaceted issues, without turning into an advocate for one cause or another. Human rights advocacy, if done for the right reasons is a noble and important mission, but on its own is not journalism per se.
Deixe porém o entendimento do custo do conflito ser seu guia para entender as questões maiores e mais multifacetadas, sem tornar-se defensor de uma causa ou de outra. A defesa dos direitos humanos, se feita pelos motivos certos, é missão nobre e importante, mas em si própria não é jornalismo. 
One of the greatest flaws in how the Syria war is reported is the simplistic and polarising approach and terminology. It depends on what channel you are watching or what newspaper you are reading, only one set of victims or refugees matters. Most media weep for the Syrian people, but the victim and victimizer differs when seen from the perspective of Al Jazeera vs. Al Mayadeen, to Press TV, to Russia Today, to Fox News, to the BBC. Manipulating who qualifies to be a victim, is a highly political question with far-reaching consequences.
Uma das grandes falhas no modo pelo qual a guerra na Síria é relatada é a abordagem e linguagem simplista e polarizadora. Dependendo de que canal você esteja assistindo ou de que jornal esteja lendo, apenas um conjunto de vítimas ou refugiados importará. A maior parte da mídia chora pelo povo sírio, mas a vítima e o vitimizador diferem quando vistos da perspectiva de Al Jazeera versus  Al Mayadeen, Press TV, Russia Today, Fox News, BBC. Manipular quem se qualifica para ser vítima é questão altamente política com consequências de longo alcance.
Learn History
Aprenda História
Consider this, once fringe group like the Houthis of Yemen are becoming the kingmakers of a country, whose central government is by name only, and whose military is divided between sectarian, regional and tribal allegiances. How is one to report on this fairly new phenomenon without developing a solid understanding of Yemeni history and historical divides, regional and international politics that have greatly disturbed any sense of normalcy in that Arab country for decades? Scraps of information about the Yemen revolution from Wikipedia and some newspaper’s “fact sheet” will not do, if one indeed aims to convey a reasonably full picture of the ongoing conflict in Yemen.
Considere o seguinte: grupo outrora marginal, como os hutis, está-se tornando o grupo de maior poder político no Iêmen, cujo governo central é apenas nominal, e cuja instituição militar está dividida entre lealdades sectárias, regionais e tribais. Como poderá alguém relatar esse fenômeno relativamente novo sem desenvolver sólido entendimento da história iemenita e das discordâncias históricas, e das políticas regionais e internacionais que têm perturbado grandemente qualquer senso de normalidade naquele país árabe por décadas? Pedaços de informação acerca da revolução iemenita da Wikipedia e “resumo dos fatos” de algum jornal não resolverão, se alguém realmente visar a cobrir cenário razoavelmente completo do conflito em andamento no Iêmen.
History is essential to understanding any conflict in the region, because every single conflict has its own protracted history, which understanding is essential to fathoming the complexity of the present.
A história é essencial para entender qualquer conflito na região, porque todo conflito específico tem sua própria história protraída, cujo entendimento é essencial para compreender a complexidade do presente.
Raise Questions
Suscite Perguntas
Don’t be afraid to raise questions and provide context that you, and, at times, only you believe is essential to the story.
Não tenha temor de formular perguntas e oferecer contexto que você e, por vezes, apenas você acredite essencial para a história.
The so-called Islamic State (IS) is a relevant example. Virtually unknown few years ago, IS is now supposedly the greatest danger facing the Middle East, as its oddly composed, but well-armed battalions are moving in multiple directions, leaving in their wake gory stories of death and destruction. But how is one to position a story of this magnitude? What would be a proper context? Who is supplying IS with weapons and constant stream of funds? Can IS’s war, or the war on IS be reported without a clear contextualization that would take several factors into account, at the heart of which is the US invasion of Iraq? Hardly, but many regularly do, and they seem to get away with it.
O assim chamado Estado Islâmico (IS) é exemplo relevante. Praticamente desconhecido há poucos anos, o IS é agora, supostamente, o maior perigo com que se defronta o Oriente Médio, na medida em que seus batalhões, exoticamente compostos mas bem armados, avançam em múltiplas direções, deixando em sua esteira horripilantes histórias de morte e destruição. Como porém encaixará alguém história dessa magnitude? Qual seria contexto adequado? Quem está fornecendo ao IS armamentos e contínuo fluxo de recursos financeiros? Poderá a guerra do IS, ou a guerra contra o IS, ser relatada sem clara contextualização que leve diversos fatores em conta, no cerne dos quais a invasão do Iraque pelos Estados Unidos? Dificilmente, mas muita gente regularmente faz isso, e parece safar-se sem problemas.
Remember, no such major upheavals happen in a vacuum. Dare to question the motives in the selective reporting of others.
Lembremo-nos, turbulências da espécie não surgem no vácuo. Atreva-se a questionar os motivos na cobertura seletiva feita por outras pessoas.
Avoid Subjective Language
Evite Linguagem Subjetiva
Don’t use the words “terrorist” and “terrorism” unless in proper context. You are not the judge of who is and who is not a terrorist, a term that doesn’t reference a fact but a political perspective. There are many such terminology which are pitfalls that could compromise the credibility of your reporting.
Não use as palavras “terrorista” e “terrorismo” fora de contexto adequado. Você não é o juiz de quem é e quem não é terrorista, palavra que não referencia fato e sim perspectiva política. Há muita terminologia da espécie que urde armadilhas que poderão comprometer a credibilidade de sua cobertura.
Don’t be a Tourist
Não Seja Turista
Reporting, especially from conflict zone, is a huge responsibility. Sometimes, misleading reporting can cost lives. Avoid the passer-by casual reporting, as in a young New Zealander hopping from Yemen, to Bahrain, to Egypt, to Tunisia in two weeks, producing a whole number of articles for whatever outlet willing to publish, but without scratching the surface of a story. Five days in Sana’a and a week in Bahrain, doesn’t make you an international reporter, doesn’t give your insight, much merit, and frankly does a disservice to the profession. You cannot possibly inform others of what you hardly comprehend.
Fazer cobertura, especialmente de zona de conflito, é enorme responsabilidade. Por vezes, cobertura equivocada pode custar vidas. Evite cobertura de passante casual, como saltitante jovem neozelandês que, do Iêmen, passou para Bahrain, Egito, Tunísia, em duas semanas, produzindo toda uma série de artigos para qualquer jornal que deseje publicá-los, mas sem arranhar a superfície de uma história. Cinco dias em Sana’a e uma semana em Bahrain não tornarão você repórter internacional, não darão a você discernimento, grande mérito, e francamente prestarão desserviço à profissão. Você dificilmente poderá informar outros daquilo que mal compreende.
Don’t Get too Involved
Não Se Envolva Demais
The opposite of the hopping reporter is the “expert” journalist, westerners and others who spend many years reporting from a single country. They can be enormously helpful in conveying a truly authentic story, with consistency over time. The pitfall, however, is that some get too involved, thus taking sides and falling into the trap of the divided politics of the areas from which they report. Lebanon is rife with such examples. Also, the Kurdish region in northern Iraq, for it was accessible to western journalists for many years. Thanks to them, much of the Iraq story in skewed and one-sided.
O oposto do repórter saltitante é o jornalista “especialista,” os ocidentais e outros que passam muitos anos informando a partir de um único país. Eles poderão ser enormemente úteis em transmitir história verdadeiramente autêntica, com coerência ao longo do tempo. O problema, porém, é que alguns desses repórteres tornam-se por demais envolvidos, vindo a tomar partido e a assim cair na armadilha da política dividida das áreas a partir das quais informam. O Líbano está cheio desses exemplos. Também a região curda no norte do Iraque, pois foi acessível a jornalistas ocidentais por muitos anos. Graças a eles, muito da história iraquiana é distorcida e unilateral. 
Don’t Generalize
Não Generalize
When your interest in the Middle East is centered on a single topic, for example, the Arab Spring, you are deemed to oversimplify and generalize. You are compelled to look for common dominators between “Arab Spring countries”, while willfully dismissing all else. Yemen is a unique case in time and space and can only be truly understood within a set of variables that reflect that uniqueness. While the Tunisian revolution may have inspired revolutionaries and opportunists to follow suit or to exploit the transition, the outcomes of such revolts was largely determined by local and regional factors.
Quando seu interesse no Oriente Médio estiver centrado num único tópico, por exemplo, a Primavera Árabe, você tenderá a simplificar em excesso e a generalizar. Você ver-se-á compelido a procurar denominadores comuns entre “países da Primavera Árabe”, deliberadamente deixando de lado tudo o mais. O Iêmen é caso único em tempo e espaço e só poderá ser verdadeiramente entendido dentro de um conjunto de variáveis que refletem esse caráter único. Embora a revolução tunisiana possa ter inspirado revolucionários e oportunistas a imitá-la ou a explorar a transição, os resultados de tais revoltas foram em grande parte determinados por fatores locais e regionais.
Avoid generalizations to a fault. It will require more research on your part, but that is what sets a serious reporter from others.
Evite generalizações de defeitos. Isso requererá mais pesquisa de sua parte, mas é isso que distingue um repórter sério de outros.
And finally, always remember, writing and reporting are a learned process, and there is always something new for all of us to learn. So remain humble, and always welcome the opportunity to learn new things.
E, finalmente, lembre-se sempre, escrever e reportar são processo aprendido, e há sempre algo novo para todos nós aprendermos. Portanto, permaneça humilde, e sempre dê boas-vindas à oportunidade de aprender coisas novas.
- Ramzy Baroud has been writing about the Middle East for over 20 years. He is an internationally-syndicated columnist, a media consultant, an author of several books and the founder of PalestineChronicle.com. He is currently completing his PhD studies at the University of Exeter. His latest book is My Father Was a Freedom Fighter: Gaza’s Untold Story (Pluto Press, London).
- Ramzy Baroud escreve acerca do Oriente Médio há mais de 20 anos. É colunista internacionalmente consorciado, consultor de mídia, autor de diversos livros e fundador do PalestineChronicle.com. Atualmente completa seus estudos de PhD na Universidade de Exeter. Seu livro mais recente é Meu Pai Foi Combatente Pela Liberdade: A História Não Contada de Gaza (Pluto Press, Londres).

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