Wednesday, January 21, 2015

The Anti-Empire Report #136 - Murdering journalists … them and us.


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #136
O Relatório Anti-Império No.136
By William Blum – Published January 20th, 2015
Por William Blum – Publicado em 20 de janeiro de 2015
Murdering journalists … them and us.
Assassínio de jornalistas ... eles e nós.
After Paris, condemnation of religious fanaticism is at its height. I’d guess that even many progressives fantasize about wringing the necks of jihadists, bashing into their heads some thoughts about the intellect, about satire, humor, freedom of speech. We’re talking here, after all, about young men raised in France, not Saudi Arabia.
Depois de Paris, a condenação do fanatismo religioso atingiu o pico. Eu suporia que até a muitos progressistas ocorre a fantasia de torcer o pescoço dos jihadistas, enfiando-lhes na cabeça alguns pensamentos acerca de intelecto, acerca de sátira, humor, liberdade de expressão. Estamos falando aqui, afinal de contas, a respeito de jovens criados na França, não na Arábia Saudita.
Where has all this Islamic fundamentalism come from in this modern age? Most of it comes – trained, armed, financed, indoctrinated – from Afghanistan, Iraq, Libya, and Syria. During various periods from the 1970s to the present, these four countries had been the most secular, modern, educated, welfare states in the Middle East region. And what had happened to these secular, modern, educated, welfare states?
De onde veio todo esse fundamentalismo islâmico nesta idade moderna? A maior parte dele vem – treinado, armado, financiado, doutrinado – de Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria. Durante vários períodos dos anos 1970 até o presente esses quatro países foram os estados do bem-estar social mais seculares, modernos e instruídos da região do Oriente Médio. E o que aconteceu com esses estados do bem-estar social seculares, modernos e instruídos?
In the 1980s, the United States overthrew the Afghan government that was progressive, with full rights for women, believe it or not [US Department of the Army, Afghanistan, A Country Study (1986), pp.121, 128, 130, 223, 232], leading to the creation of the Taliban and their taking power.
Nos anos 1980 os Estados Unidos derrubaram o governo afegão, que era progressista, com plenos direitos para as mulheres, acreditem ou não [Departamento do Exército dos Estados Unidos, Afeganistão, Estudo de País (1986), pp.121, 128, 130, 223, 232], levando à criação do talibã e da tomada do poder por ele.
In the 2000s, the United States overthrew the Iraqi government, destroying not only the secular state, but the civilized state as well, leaving a failed state.
Nos anos 2000 os Estados Unidos derrubaram o governo iraquiano, destruindo não apenas o estado secular, mas também o estado civilizado, deixando um estado de sistema econômico/político tão fraco que o governo não mais está no controle [a failed state].
In 2011, the United States and its NATO military machine overthrew the secular Libyan government of Muammar Gaddafi, leaving behind a lawless state and unleashing many hundreds of jihadists and tons of weaponry across the Middle East.
Em 2011, os Estados Unidos e sua máquina militar da OTAN derrubaram o governo secular líbio de Muammar Gaddafi, deixando na esteira um estado sem lei e provocando onda de muitas centenas de jihadistas e toneladas de armamentos em todo o Oriente Médio.
And for the past few years the United States has been engaged in overthrowing the secular Syrian government of Bashar al-Assad. This, along with the US occupation of Iraq having triggered widespread Sunni-Shia warfare, led to the creation of The Islamic State with all its beheadings and other charming practices.
E nos últimos anos os Estados Unidos têm estado engajados em derrubar o governo secular sírio de Bashar al-Assad. Isso, juntamente com a ocupação do Iraque pelos Estados Unidos ter deflagrado disseminada guerra entre sunitas e xiitas, levou à criação do Estado Islâmico com todas as suas decapitações e outras encantadoras práticas.
However, despite it all, the world was made safe for capitalism, imperialism, anti-communism, oil, Israel, and jihadists. God is Great!
Nada obstante, a despeito de tudo, o mundo foi tornado seguro para capitalismo, imperialismo, anticomunismo, petróleo, Israel, e jihadistas. Deus é Grande!
Starting with the Cold War, and with the above interventions building upon that, we have 70 years of American foreign policy, without which – as Russian/American writer Andre Vltchek has observed – “almost all Muslim countries, including Iran, Egypt and Indonesia, would now most likely be socialist, under a group of very moderate and mostly secular leaders”. [Counterpunch, January 10, 2015] Even the ultra-oppressive Saudi Arabia – without Washington’s protection – would probably be a very different place.
Começando com a Guerra Fria, e com as intervenções acima em cima dela, temos 70 anos de política externa estadunidense, sem a qual - como o escritor russo-estadunidense Andre Vitchek observou – “quase todos os países muçulmanos, inclusive Irã, Egito e Indonésia, seriam hoje muito provavelmente socialistas, sob grupo de líderes muito moderados e em sua maioria seculares”. [Counterpunch, 10 de janeiro de 2015] Até a ultraopressora Arábia Saudita - sem a proteção de Washington - provavelmente seria lugar muito diferente.
On January 11, Paris was the site of a March of National Unity in honor of the magazine Charlie Hebdo, whose journalists had been assassinated by terrorists. The march was rather touching, but it was also an orgy of Western hypocrisy, with the French TV broadcasters and the assembled crowd extolling without end the NATO world’s reverence for journalists and freedom of speech; an ocean of signs declaring Je suis CharlieNous Sommes Tous Charlie; and flaunting giant pencils, as if pencils – not bombs, invasions, overthrows, torture, and drone attacks – have been the West’s weapons of choice in the Middle East during the past century.
Em 11 de janeiro, Paris foi sítio de Marcha de Unidade Nacional em honra da revista Charlie Hebdo, cujos jornalistas haviam sido assassinados por terroristas. A marcha foi bastante tocante, mas também orgia de hipocrisia ocidental, com os transmissores da TV francesa e a multidão reunida encomiando sem fim a reverência do mundo da OTAN pelos jornalistas e pela liberdade de expressão; um oceano de cartazes declarando Je suis CharlieNous Sommes Tous Charlie; e ostentatórios lápis gigantes, como se lápis – não bombas, invasões, derrubadas, tortura, e ataques de drones - tivessem sido as armas de escolha do Ocidente durante o século passado.
No reference was made to the fact that the American military, in the course of its wars in recent decades in the Middle East and elsewhere, had been responsible for the deliberate deaths of dozens of journalists. In Iraq, among other incidents, see Wikileaks’ 2007 video of the cold-blooded murder of two Reuters journalists; the 2003 US air-to-surface missile attack on the offices of Al Jazeera in Baghdad that left three journalists dead and four wounded; and the American firing on Baghdad’s Hotel Palestine the same year that killed two foreign cameramen.
Nenhuma referência foi feita ao fato de a instituição militar estadunidense, no curso de suas guerras em décadas recentes no Oriente Médio e alhures, ter sido responsável pela morte deliberada de dezenas de jornalistas. No Iraque, entre outros incidentes, vejam o vídeo de 2007 do Wikileaks do assassínio a sangue frio de dois jornalistas da Reuters; em 2003, o ataque de míssil ar-terra dos Estados Unidos aos escritórios da Al Jazeera em Baghdad que deixou três jornalistas mortos e quatro feridos; e o fogo estadunidense contra o Hotel Palestina em Bagdá no mesmo ano, que matou dois cameramen estrangeiros.
Moreover, on October 8, 2001, the second day of the US bombing of Afghanistan, the transmitters for the Taliban government’s Radio Shari were bombed and shortly after this the US bombed some 20 regional radio sites. US Defense Secretary Donald Rumsfeld defended the targeting of these facilities, saying: “Naturally, they cannot be considered to be free media outlets. They are mouthpieces of the Taliban and those harboring terrorists.” [Index on Censorship, the UK’s leading organization promoting freedom of expression, October 18, 2001]
Além disso, em 8 de outubro de 2001, o segundo dia do bombardeio dos Estados Unidos no Afeganistão, os transmissores da Rádio Shari do governo talibã foram bombardeados e pouco depois os Estados Unidos bombardearam cerca de 20 locais regionais de rádio. O Secretário de Defesa dos Estados Unidos Donald Rumsfeld defendeu o ataque àquelas dependências, dizendo: “Naturalmente, eles não podem ser considrados veiculadores de mídia livre. São porta-vozes do talibã e dos que dão abrigo a terroristas.” [Índice de Censura, organização líder do Reino Unido promovendo liberdade de expressão, 18 de outubro de 2001]
And in Yugoslavia, in 1999, during the infamous 78-day bombing of a country which posed no threat at all to the United States or any other country, state-owned Radio Television Serbia (RTS) was targeted because it was broadcasting things which the United States and NATO did not like (like how much horror the bombing was causing). The bombs took the lives of many of the station’s staff, and both legs of one of the survivors, which had to be amputated to free him from the wreckage. [The Independent (London), April 24, 1999]
E na Iugoslávia, em 1999, durante o abominável bombardeio de 78 dias de um país que não representava perigo algum para os Estados Unidos ou para qualquer outro país, a estatal Radio Television Serbia (RTS) foi atacada porque estava transmitindo coisas de que os Estados Unidos e a OTAN não gostavam (como quanto horror o bombardeio estava causando). As bombas tiraram a vida de muitos dos membros da estação de TV, e ambas as pernas de um dos sobreviventes, que tiveram de ser amputadas para que ele pudesse ser tirado dos destroços. [The Independent (London), April 24, 1999]
I present here some views on Charlie Hebdo sent to me by a friend in Paris who has long had a close familiarity with the publication and its staff:
Apresento aqui alguns pontos de vista a respeito do Charlie Hebdo a mim enviados por amigo em Paris que de longa data nutre estreita familiaridade com a publicação e sua equipe:
“On international politics Charlie Hebdo was neoconservative. It supported every single NATO intervention from Yugoslavia to the present. They were anti-Muslim, anti-Hamas (or any Palestinian organization), anti-Russian, anti-Cuban (with the exception of one cartoonist), anti-Hugo Chávez, anti-Iran, anti-Syria, pro-Pussy Riot, pro-Kiev … Do I need to continue?
“Em política internacional o Charlie Hebdo era conservador. Apoiou cada uma das intervenções da OTAN, da Iugoslávia ao presente. Era antimuçulmano, anti-Hamas (ou qualquer organização palestina), antirrusso, anticubano (com exceção de um cartunista) e anti-Hugo Chávez, anti-Irã, anti-Síria, pró-Pussy Rio, pró-Kiev ... Preciso continuar?
“Strangely enough, the magazine was considered to be ‘leftist’. It’s difficult for me to criticize them now because they weren’t ‘bad people’, just a bunch of funny cartoonists, yes, but intellectual freewheelers without any particular agenda and who actually didn’t give a fuck about any form of ‘correctness’ – political, religious, or whatever; just having fun and trying to sell a ‘subversive’ magazine (with the notable exception of the former editor, Philippe Val, who is, I think, a true-blooded neocon).”
“Estranhamente, a revista era considerada ‘esquerdista’. É difícil para mim criticá-la porque as pessoas de lá não eram ‘más pessoas,’ apenas um punhado de cartunistas engraçados, sim, mas inconsequentes intelectuais sem qualquer agenda particular e que em realidade não davam a mínima para qualquer forma de ‘correção’ – política, religiosa, ou o que seja; só se divertiam e tentavam vender uma revista ‘subversiva’ (com a notável exceção do ex-editor, Philippe Val, que é, acredito eu, neocon de verdade).”

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