Thursday, January 15, 2015

JACOBIN - The Paranoid Style in Brazilian Politics


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JACOBIN
JACOBIN
The Paranoid Style in Brazilian Politics
O Estilo Paranoico na Política Brasileira
The slow decline of the Brazilian Workers’ Party has emboldened the country’s growing right wing.
O lento declínio do Partido dos Trabalhadores brasileiro tem dado ânimo à crescente direita brasileira.
1.7.15
Patrick de Oliveira is a PhD student in history at Princeton University.
1.7.15
Patrick de Oliveira é estudante PhD de história na Princeton University.
A December cover of the conservative Brazilian magazine Veja.
Speaking after her October reelection, Brazilian President Dilma Rousseff said that she didn’t think the country was divided. That might have been wishful thinking.
Falando depois de sua reeleição em outubro, a presidente brasileira Dilma Rousseff disse não achar que o país estava dividido. Pode ter sido pensamento baseado no desejo.
The 2014 campaign was the most bitter since Brazil returned to direct popular elections in 1989. Supporters of Aécio Neves, Rousseff’s opponent in the runoff election, expressed legitimate — albeit selective — indignation over the corruption scandals that have plagued the Workers’ Party (PT) in its twelve years in power. A new right-wing punditry has taken ownership of this outrage, launching tirades against the evils of big government and cynical leftist agents seeking to undermine traditional values — a discourse reminiscent of the American Tea Party.
A campanha de 2014 foi a mais acrimoniosa desde que o Brasil retornou a eleições populares diretas em 1989. Partidários de Aécio Neves, opositor de Rousseff no segundo turno eleitoral, expressaram legítima — apesar de seletiva — indignação com os escândalos de corrupção que têm empesteado o Partido dos Trabalhadores (PT) em seus doze anos no poder. Novos expertos da direita assumiram essa indignação, invectivando os males do governo hipertrofiado e de cínicos agentes esquerdistas em busca do solapamento dos valores tradicionais  — num discurso que lembra o Tea Party estadunidense.
This new Brazilian right, unlike the Tea Party, does not have a foundational moment in national history it can appropriate in order to oppose any kind of progressive politics — what Jill Lepore calls an anti-historical perspective. But its members still see even the smallest left initiative as a lethal threat to their vision of a good society.
Essa nova direita brasileira, diferentemente do Tea Party, não tem um momento fundacionnal do qual possa apropriar-se para opor-se a qualquer tipo de política progressista — o que Jill Lepore chama de perspectiva anti-histórica. Seus membros, ainda assim, veem qualquer menor iniciativa da esquerda como ameaça letal à visão que têm do que seja uma boa sociedade. 
They perceive themselves as engaged in a life-or-death struggle to protect Western civilization (narrowly understood as being sustained by the twin pillars of economic liberalism and cultural conservatism) against the specter of a scheming authoritarian left.
Eles se percebem como engajados em luta de vida ou morte para proteger a civilização ocidental (estreitamente entendida como sendo sustentada pelos dois pilares gêmeos do liberalismo econômico e do conservadorismo cultural) contra o espectro de uma esquerda autoritária conspiradora.
One of the leading figures in shaping this new right-wing discourse is Rodrigo Constantino, a blogger and columnist for Veja magazine. The morning after Rousseff’s reelection, Constantino posted on Facebook that people should find a copy of Atlas Shrugged. He followed with blog posts accusing Rousseff voters of being either ignorant or scoundrels, making it impossible to have a political discussion with them.
Uma das figuras mais importantes no delineamento desse novo discurso direitista é Rodrigo Constantino, blogador e colunista da revista Veja. Na manhã subsequente à reeleição de Rousseff, Constantino afixou no Facebook que as pessoas deveriam encontrar um exemplar do Atlas Shrugged. Deu sequência com afixações de blog acusando os eleitores de Rousseff de serem ou ignorantes ou desonestos, tornando impossível ter discussão política com eles.
Possessing a truculent demeanor, Constantino likes to portray himself as speaking truth to power as Brazil speedily heads toward destination Havana. He enjoys pointing out the smallest signs of the country’s cultural transformation into an authoritarian communist state — from university conferences on Marxism to the use of red in the World Cup’s logo.
De atitude truculenta, Constantino gosta de retratar-se como dizendo a verdade ao poder enquanto o Brasil rapidamente caminha rumo ao destino Havana. Gosta de destacar os menores sinais da transformação cultural do país em estado comunista autoritário — desde conferências em universidade acerca de marxismo ao uso do vermelho no logotipo da Copa do Mundo.
In addition to being a writer, Constantino is the president of the Instituto Liberal and a founding member of the Instituto Millenium, free-market organizations modeled after the Cato Institute. Other prominent members of the new Brazilian right include Olavo de Carvalho, a self-proclaimed philosopher, and Felipe Moura Brasil, who also has a Veja blog. These men have adroitly built a following in the digital age, starting blogs in the mid-2000s and promoting their views on Facebook, Twitter, and Orkut.
Além de ser escritor, Constantino é presidente do Instituto Liberal e membro fundador do Instituto Millenium, organizações de livre mercado modeladas segundo o Cato Institute. Outros preeminente membros da nova direita brasileira são Olavo de Carvalho, autoproclamado filósofo, e Felipe Moura Brasil, que também tem blog na Veja. Esses homens habilmente construíram grupo de seguidores na era digital, começando blogs em meados dos anos 2000 e promovendo seus pontos de vista em Facebook, Twitter, e Orkut.
As they grew in popularity, the three men perfected an acerbic style fond of sarcastic diatribes (Constantino), ironic turns of phrases (Brasil), and homophobic profanity (Carvalho) not all that different from rightists like Ann Coulter, Andrew Breitbart, and Rush Limbaugh.
À medida que cresciam em popularidade, os três homens aperfeiçoaram estilo acerbo, com diatribes sarcásticas (Constantino), palavreado irônico (Brasil) e profanidade homofóbica (Carvalho) nem tão diferente de direitistas como Ann Coulter, Andrew Breitbart, e Rush Limbaugh.
The Brazilians are well versed in American conservative writers. Constantino, an ardent defender of the country’s elites, is fond of Thomas Sowell; Brasil, who sees himself as a cultural critic, has consistently drawn from Breitbart.com commentators, translating their articles and videos attacking the Left’s alleged slow march through the institutions; and Carvalho — who sees little to no difference between Barack Obama, Rousseff and Fidel Castro — gets his news from WorldNetDaily and Townhall.com.
Os brasileiros são bem versados em escritores conservadores estadunidenses. Constantino, ardoroso defensor das elites do país, tem apreço por Thomas Sowell; Brasil, que se vê como crítico cultural, tem-se consistentemente abeberado dos comentadores do Breitbart.com, traduzindo seus artigos e vídeos atacando a alegada lenta marcha da esquerda através das instituições, e Carvalho — que vê pouca diferença entre Barack Obama, Rousseff e Fidel Castro — obtém suas notícias de WorldNetDaily e Townhall.com.
Constantino, Brasil, and Carvalho have “tropicalized” some of the tropes that define contemporary American conservative discourse. They accuse any progressive organization of being a disingenuous militant operative for the PT, just as the Tea Party universalized its misgivings about ACORN to all forms of community organizing. They have also translated the myth of the American “welfare queen” into the lazy Bolsa Família beneficiary who abuses the system (even though the subsidies offered are hardly enough to allow a beneficiary to live as a “moocher”).
Constantino, Brasil, e Carvalho “tropicalizaram” alguns dos tropos que definem o discurso conservador estadunidense. Eles acusam qualquer organização progressista de ser agente militante insincero do PT, do mesmo modo que o Tea Party universalizou seus receios acerca da ACORN para todas as formas de organização comunitária. Também traduziram o mito da “rainha aproveitadora de assistencialismo” estadunidense para a o preguiçoso beneficiário do Bolsa Família que abusa do sistema (embora os subsídios oferecidos mal deem para beneficiário viver como “aproveitador”).
Even the Economist and the World Bank have praised the program, but Constantino and company interpret it as a political ploy by the PT to purchase votes. From there they construct a perverse political geography that sets “moochers” against “workers.” The largest concentration of families who have benefited from the program reside in the Northeast, a region historically ignored by the federal government in favor of the South and the Southeast — strongholds of the political and financial elites.
Até o Economist e o Banco Mundial elogiaram o programa, mas Constantino e companhia interpretam-no como trama política do PT para comprar votos. A partir daí eles constroem perversa geografia política que opõe “aproveitadores” a “trabalhadores.” A maior concentração de famílias que se beneficiaram do programa reside no Nordeste, região historicamente ignorada pelo governo federal em favor do Sul e do Sudeste — baluartes das elites políticas e financeiras.
Following Rousseff’s victory, Constantino posted a colored-coded election map contrasting the states that each party took and bringing up the question of secession. Never mind that Neves failed to win his home state, Minas Gerais, which he governed for two terms and is in the Southeast, or that a gradated map shows that Rousseff’s popularity extended well into other regions.
Depois da vitória de Rousseff, Constantino afixou mapa da eleição com código de cores contrastando os estados em que cada partido venceu e suscitando a questão da secessão. Pouco importa que Neves não tenha conseguido ganhar em seu estado natal, Minas Gerais, que governou por dois mandatos e está no Sudeste, ou que mapa com gradações mostre que a popularidade de Roussef se estendeu bastante para outras regiões. 
But intellectual rigor has never been Constantino’s strong suit. His most recent book — which secured him the Veja position — is called Esquerda Caviar (a loose translation: “limousine liberals”). It is mainly an attack on the supposed hypocrisy of public figures like Chico Buarque and the recently deceased Oscar Niemeyer, who, according to Constantino, do not practice what they preach and are leftists only because it is trendy, since they still play by the rules of capitalism.
Rigor intelectual, porém, nunca foi o forte de Constantino. Seu livro mais recente — que lhe valeu o cargo na Veja — é chamado Esquerda Caviar (tradução lassa: “liberais de limusine”). É precipuamente ataque à suposta hipocrisia de figuras públicas como Chico Buarque e o recentemente falecido Oscar Niemeyer, que, de acordo com Constantino, não praticam o que pregam e só são esquerdistas porque é modernoso, visto que eles ainda jogam segundo as regras do capitalismo. 
Esquerda Caviar resembles Jonah Goldberg’s Liberal Fascism, proclaiming to be thoughtful and well-researched yet still entertaining. Both books, however, have little intellectual merit. Historians of fascism dismissed Goldberg’s argument as being a simplistic political hit-job.
Esquerda Caviar é parecido com Liberal Fascism de Jonah Goldberg, proclamando ser cuidadosamente pensado e bem pesquisado, e ainda assim interessante. Ambos os livros, contudo, exibem pequeno mérito intelectual. Historiadores do fascismo desqualificaram a argumentação de Goldberg como desenvolvida de modo simplista para atender a interesses políticos.
Robert Paxton, a preeminent scholar of Vichy France, criticized Goldberg for stereotyping liberals “to make them abstract, uniform, robotic.” Constantino follows the same procedure, presenting a homogeneous left (he manages to lump together names like Obama, Chomsky, Niemeyer, and Travolta) made up primarily of hypocrites who attack capitalism while gorging on its products.
Robert Paxton, preeminente acadêmico de Vichy, França, criticou Goldberg por estereotipar os liberais “a fim de torná-los abstratos, uniformes, robóticos.” Constantino segue o mesmo procedimento, apresentando uma esquerda homogênea (ele coloca no mesmo saco nomes como Obama, Chomsky, Niemeyer, e Travolta) integrada basicamente por hipócritas que atacam o capitalismo enquanto se banqueteiam com seus produtos.
Yet as the Brazilian anthropologist Rosana Pinheiro-Machado argues, the hypocrisy accusation is only sustained through a dishonest caricature of leftist thought. After all, for Marx himself the problem was not the bourgeoisie’s capacity to produce wealth, but the structures that promoted its unequal distribution through the exploitation of the proletariat.
Contudo, como a antropóloga brasileira Rosana Pinheiro Machado argumenta, a acusação de hipocrisia só consegue ser sustentada à custa de caricatura desonesta do pensamento esquerdista. Afinal de contas, para o próprio Marx o problema não era a capacidade da burguesia de produzir riqueza, e sim as estruturas que promoviam distribuição desigual dela por meio de exploração do proletariado.
And as if its spurious thesis were not enough, Esquerda Caviar also has factual errors, including quoting one of those grotesquely photoshopped images of a Wisconsin sign warning criminals that its citizens are armed (which was used to make a case for a liberalization of gun rights in Brazil).
E como se sua tese espúria não fosse bastante, Esquerda Caviar também exibe erros factuais, inclusive citando uma daquelas imagens grotescamente fotoshopiadas de um cartaz de Wisconsin advertindo criminosos de que seus cidadãos estão armados (que foi usada para dar força ao argumento favorável à liberalização de direitos referentes a armas no Brasil).
At best, and this is probably what both authors hoped for, Goldberg and Constantino succeeded at creating catch terms that can be thrown around to avoid a thoughtful engagement with leftist critics. After all, there’s no point in arguing with fascists and hypocrites.
Na melhor das hipóteses, e é o que ambos autores provavelmente esperavam, Goldberg e Constantino foram bem-sucedidos em criar frases de efeito que podem ser lançadas ao redor ao se querer evitar confronto em profundidade com críticos esquerdistas. Afinal de contas, não tem sentido argumentar com fascistas e hipócritas. 
Like Constantino, Carvalho has also become more popular with the release of a book: O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota (The Minimum You Need to Know to Not Be an Idiot). Most of Carvalho’s previous books were more esoteric and philosophical and thus had a limited impact, but O Mínimo is an edited collection of old, more accessible columns written by Carvalho for a gamut of publications. Brasil, who came up with the idea for the book, organized the essays into vast themes, such as “Youth,” “Socialism,” “Globalism,” and “Intelligentsia.”
Como Constantino, Carvalho tornou-se mais popular com o lançamento de um livro: O Mínimo Que Você Precisa Saber Para Não Ser Um Idiota (The Minimum You Need to Know to Not Be an Idiot). A maior parte dos livros anteriores de Carvalho eram mais esotéricos e filosóficos e portanto tiveram impacto limitado, mas O Mínimo é coleção editada de colunas antigas, mais acessíveis, escritas por Carvalho para uma série de publicações. Brasil, que deu a ideia do livro, organizou os ensaios em temas vastos, tais como “Juventude,” “Socialismo,” “Globalismo,” e “Intelligentsia.”
As the reader makes her way through this comprehensive explanation of the contemporary world — Brasil compares Carvalho to Borges’s character in “The Aleph” who “sees everything simultaneously in reality” and is able to convey the image to his readers — she can learn how former Brazilian president Luiz Inácio Lula da Silva managed to fool governments and media across the world into thinking he was a market-friendly socialist; how socialism, history’s biggest murderer, claimed the lives of more than 100 million people; how leftism is a psychological disorder; how the Rockefeller, Carnegie and Ford foundations have been funding anti-American and anti-capitalist research; and how Obama is part of the vast internationalist left-wing conspiracy to undermine American supremacy.
À medida que o leitor avança através dessa abrangente explanação do mundo contemporâneo — Brasil compara Carvalho ao personagem de Borges em “El Aleph” que “vê tudo simultaneamente na realidade” e é capaz de transmitir a imagem a seus leitores — consegue ver como o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva fez para enganar governos e mídia de todo o mundo levando-os a pensar que ele era um socialista amigável em relação ao mercado; como socialismo, o maior assassino da história, subtraiu a vida de mais de 100 milhões de pessoas; como o esquerdismo é um distúrbio psicológico; como as fundações Rockefeller, Carnegie e Ford têm financiado pesquisa antiestadunidense e anticapitalista; e como Obama é parte da vasta conspiração internacional de esquerda para solapar a supremacia estadunidense.
Brasil is one of Carvalho’s pupils and tends to regurgitate his tutor’s teachings on his blog or through pithy tweets. Carvalho has no academic training and is not cited by other philosophers, but this has not stopped him from starting a cultish online school, where for as low as $20 a month one can get a “General introduction to higher education in its totality.”
Brasil é um dos pupilos de Carvalho e tende a regurgitar os ensinamentos de seu tutor em seu blog ou por meio de concisos tuítes. Carvalho não tem treinamento acadêmico e não é citado por outros filósofos, mas isso não o impediu de começar uma escola sectária online, onde, por tão pouco quanto $20 dólares por mês, uma pessoa pode obter “Introdução geral à educação superior em sua totalidade.”
Carvalho’s students would argue that the education he offers tops that of institutions of higher learning, given that the latter are infiltrated by Marxists. His students see themselves as the guardians of conservative values and truth. Many are also enamored with the military, which they see as the last protector of Brazilian democracy, and have calling for it to intervene in Rousseff’s government — an absurdity they justify by reinterpreting the 1964 military coup as a preventive maneuver against a supposedly incoming Communist dictatorship.
Os alunos de Carvalho argumentariam que a educação que ele oferece é superior às das instituições de ensino superior, dado que essas últimas estão infiltradas de marxistas. Seus alunos se veem como guardiães dos valores conservadores e da verdade. Muitos também se entusiasmam com os militares, que veem como os últimos protetores da democracia brasileira, e pediram para eles intervirem no governo Roussef — absurdo que justificam mediante reinterpretarem o golpe militar de 1964 como manobra preventiva contra suposta ditadura comunista que se aproximava.
Carvalho lives in Virgina. Yet the distance has not dampened his popularity. In fact, it has added to his messianic mystique. O Mínimo has become a bestseller through Brasil’s viral marketing, which portrays Carvalho as an exiled truth-teller — a twenty-first century, rightwing Victor Hugo. Carvalho also has the support of a number of b-list celebrities, including Lobão, a washed-up rocker who has been centrally involved in organizing the recent demonstrations calling for Rousseff’s impeachment — demonstrations that have also drawn a contingent calling for a return to the military dictatorship.
Carvalho mora na Virgínia. A distância, porém, não tem esmaecido sua popularidade. Na verdade, tem aumentado sua mística messiânica. O Mínimo tornou-se bestseller por meio do marketing viral do Brasil, que retrata Carvalho como contador da verdade exilado — um Victor Hugo direitista do século vinte e um. Carvalho tem também apoio de diversas celebridades da lista b, inclusive Lobão, roqueiro de fama em águas passadas, que tem estado centralmente envolvido em organizar as recentes manifestações clamando pelo impeachment de Roussef — manifestações que também atraíram um contingente a clamar pelo retorno da ditadura militar.
The protests have also served as a site for right-wing politicians to build up their credibility as a viable opposition. Eduardo Bolsonaro, a congressman for the Social Christian Party (PSC), gave a speech at a November protest in which, with a gun tucked into his waist, he praised the police for only beating up rowdy protestors (i.e. leftists).
Os protestos também serviram como local para políticos da direita construírem sua credibilidade como oposição viável. Eduardo Bolsonaro, deputado do Partido Social Cristão (PSC), proferiu discurso num protesto em novembro no qual, com arma de fogo enfiada na cintura, elogiou a polícia por espancar apenas protestadores desordeiros (isto é, esquerdistas).
Eduardo is the son of Jair Bolsonaro, a notably reactionary congressman for the Progressive Party (PP). Jair is a military man who celebrates the dictatorship years and enjoys going on tirades against human rights organizations. He favors the death penalty and the use of torture in police interrogations, and has made claims that if one of his sons had been gay he would have resolved the issue with a few spankings.
Eduardo é filho de Jair Bolsonaro, deputado notoriamente reacionário do Partido Progressista (PP). Jair é militar que comemora os anos de ditadura e gosta de lançar invectivas contra organizações de direitos humanos. É a favor da pena de morte e do uso de tortura em interrogatórios da polícia, e tem dito que se um de seus filhos fosse gay ele teria resolvido o problema com algumas palmadas. 
Although they have their differences, Constantino, Carvalho, and Brasil all share a conspiratorial mind, believing that the Left in Brazil has created a hegemonic cultural environment through Gramscian tactics. The delusion consuming them is that a supranational organization, the Foro de São Paulo, is secretly succeeding in a communist takeover of Latin America. The Foro does exist, although it is better understood as a diverse network of leftist organization with views ranging from social democracy to communism that tries to articulate alternatives to neoliberalism — a sort of antithesis to Davos.
Embora tenham suas diferenças, Constantino, Carvalho, e Brasil partilham, todos, de mente conspiratória, acreditando que a Esquerda no Brasil criou ambiente cultural hegemônico por meio de táticas gramscianas. O delírio que os consome é o de que uma organização supranacional, o Foro de São Paulo, está secretamente sendo bem-sucedida numa tomada comunista da América Latina. O Foro existe, embora seja melhor entendido como rede diversificada de organizações esquerdistas com pontos de vista variando de democracia social a comunismo que tenta articular alternativas ao neoliberalismo — uma espécie de antítese de Davos.
Constantino, Carvalho, and Brasil see the cultural sphere as the battlefield where the political war will be won, and they all seem to think that leftist are wining thanks to the battalions of “feminazis,” “gayzists,” and “racists” who have become increasingly vocal.
Constantino, Carvalho e Brasil veem a esfera cultural como o campo de batalha onde a guerra política será ganha, e parecem, todos eles, pensar que os esquerdistas estão vencendo graças aos batalhões de  “feminazistas,” “gayzistas,” e “racistas” que têm conseguido cada vez mais fazer ouvidas suas vozes.
For the three white men, the rise of movements that oppose the sexism, homophobia, and racism that are still very much a feature of everyday life in Brazil is not the sign of a more open and participatory democracy, but the signal of a future dictatorship of political correctness. In an online world hungry for memes and strong positions articulated in small doses carrying a punch, this Manichaean vision has seduced a population disappointed with the ubiquitous corruption scandals of the last few decades.
Para esses três homens brancos, a ascensão de movimentos que se opõem a sexismo, homofobia e racismo são ainda muito indicação de que a vida cotidiana no Brasil não aponta para uma democracia mais aberta e participativa, e sim é sinal de ditadura de correção política. Num mundo online faminto de memes e de posições fortes expressadas em pequenas doses prenhes de efeito forte, essa visão maniqueísta tem seduzido uma população desiludida por causa dos ubíquos escândalos de corrupção das últimas décadas. 
With access to Veja, which has a weekly circulation of approximately one million, Constantino and Brasil now have a much wider audience than two years ago. Their diatribes are shared and liked on Facebook, the more quotable segments forwarded to Whatsapp groups. As the messages distance themselves from their source, they become disembodied idées reçus. And by amalgamating political corruption with a supposedly endemic social and cultural corruption, the new Brazilian right threatens much of the progress made on those two latter fronts over the last twelve years.
Com acesso a Veja, que tem circulação semanal de aproximadamente um milhão de exemplares, Constantino e Brasil agora têm plateia muito mais ampla do que há dois anos. As diatribes deles são partilhadas e fruídas no Facebook, os segmentos mais citáveis encaminhados a grupos Whatsapp. À medida que as mensagens se distanciam de sua fonte, tornam-se idées reçus desencarnadas. E mediante amalgamar corrupção política com supostamente endêmica corrupção social e cultural, a nova direita brasileira ameaça grande parte do progresso feito nessas duas últimas frentes ao longo dos últimos doze anos. 
The reactionary vision articulated by these three culture warriors has arguably gained purchase because the Brazilian left has failed in its critique of the PT’s fall from grace. An ethical opposition party during the Fernando Henrique Cardoso years, the PT has become a governing party that’s not averse to using corruption in order to foster alliances and get things done.
A visão reacionária formulada por esses três guerreiros da cultura tem plausivelmente ganhado terreno porque a esquerda brasileira tem fracassado em sua crítica da queda do PT do estado de graça. Partido de oposição ético durante os anos de Fernando Henrique Cardoso, o PT tornou-se partido governante não avesso a usar corrupção a fim de promover alianças e conseguir resultados.
There were glimpses of a decidedly critical leftist position when Luciana Genro, the presidential candidate for the Socialism and Freedom Party (PSOL), pointedly criticized the PT for failing to resist the yoke of finance capital after taking power. Meanwhile, Jean Wyllys, a PSOL congressman, has attracted a following among young people and used his status as a former reality TV star to speak against racial and sexual discrimination.
Houve vislumbres de posição esquerdista decididamente crítica quando Luciana Genro, candidata à presidência pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), criticou sem ambiguidades o PT por fracassar em resistir ao jugo do capital financeiro depois de subir ao poder. Ao mesmo tempo, Jean Wyllys, deputado do PSOL, tem atraído grupo de seguidores entre os jovens e usado sua condição de ex-astro de reality TV para falar contra discriminação racial e sexual.
But both Genro and Wyllys are members of a small political party. They not only have limited exposure time during the campaign period, but they do not benefit from the aura of legitimacy that the lack of a party affiliation offers Constantino, et al.
Contudo, tanto Genro quanto Wyllys são membros de partido político pequeno. Não apenas têm pouco tempo de exposição durante o período de campanha como não se beneficiam da aura de legitimidade que a falta de filiação a partido oferece a Constantino et al.
The absence of critical radical publications has allowed Veja to claim the mantle of government watchdog (Carta Capital, the most prominent left-leaning magazine, has avoided hard hits against the PT). Veja claims impartiality but has always favored governments further to the right. Following Lula’s historic election in 2002, it found a new sense of purpose, reporting all the scandals and pseudo-scandals of the PT government with a missionary zeal.
A ausência de publicações radicais críticas tem permitido a Veja reclamar o papel de controle do governo (Carta Capital, a revista mais preeminente de tendência esquerdista, tem evitado ataques duros contra o PT). Veja assevera imparcialidade mas sempre mostrou-se favorável a governo mais para a direita. Depois da eleição histórica de Lula em 2002, descobriu novo senso de propósito, reportando todos os escândalos e pseudoescândalos do governo do PT com zelo missionário.
Corruption has been a feature of the Rousseff administration, which is now dealing with a grafting scheme involving Brazil’s largest state-owned company, Petrobras. It was also present during Lula’s eight years in power, when another kickback scheme, the Mensalão, tainted his legacy.
A corrupção tem sido característica da administração Roussef, que agora está lidando com um sistema de corrupção envolvendo a maior empresa de propriedade do estado do Brasil, a Petrobrás. O qual estava também presente durante os oito anos de Lula no poder, quando outro esquema de propinas, o Mensalão, maculou seu legado.
But Neves’s party, the Brazilian Social Democracy Party (PSDB) has also had its fair share of scandals. There is strong evidence that in 1997 votes were bought in order to approve a constitutional amendment permitting reelection, which opened the path for Cardoso’s second term. (It is worth mentioning that independent inquiries into corruption and indictments have been undertaken with more zeal under Rousseff’s presidencies than under Cardoso’s).
Contudo, o partido de Neves, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) também tem tido sua generosa quota de escândalos. Há forte evidência de que, em 1997, foram comprados votos a fim de ser aprovada emenda constitucional permitindo a reeleição, o que abriu caminho para o segundo mandato de Cardoso. (Vale mencionar que investigações independentes de corrupção e indiciações foram empreendidos com mais zelo sob as presidências de Roussef do que sob as de Cardoso).
The New York Times recently wrote that we might be seeing “the beginning of the end for the nation’s entrenched culture of impunity.” Still, the PT’s long run in power has given critics like Constantino plenty of ammunition to taint leftist causes writ large.
Recentemente o New York Times escreveu que talvez estejamos vendo “o princípio do fim da entranhada cultura de impunidade do país.” Ainda assim, a longa história do PT no poder tem dado a críticos como Constantino abundância de munição para macular em grande estilo causas esquerdistas.
Two questions, then, remain to be answered. First, can a more aggressively responsible investigative journalism, something in the molds of ProPublica, emerge in Brazil to offer citizens a more nuanced analysis of the deeds and misdeeds of the political and financial classes? Second, can the Left find a voice that is both steadfastly critical of the PT’s transgressions and engaging as the new right?
Duas perguntas, assim, ficam por ser respondidas. Primeiro, poderá jornalismo investigativo mais agressivamente responsável, algo nos moldes da ProPublica, surgir no Brasil para oferecer aos cidadãos análise mais nuanceada dos feitos e malfeitos das classes políticas e financeiras? Segundo, poderá a Esquerda encontrar uma voz que seja tanto rotundamente crítica das transgressões do PT quanto atraente como a nova direita?
The continuing construction of a more inclusive and just social democracy in Latin America’s biggest country and the world’s seventh largest economy may depend on the answers. Otherwise, reactionary voices will continue to acquire legitimacy, putting to test the hard-earned social advancements of the last twelve years.
A continuação da construção de uma democracia mais inclusiva e justa no maior país da América Latina e sétima economia do mundo depende das respostas. Caso contrário, vozes reacionárias continuarão a adquirir legitimidade, pondo à prova os dificilmente conquistados avanços sociais dos últimos doze anos.
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