Sunday, January 18, 2015

JACOBIN - The Jock Doctrine


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JACOBIN
JACOBIN
The Jock Doctrine
A Doutrina do Atleta Exibido
Rio has used mega-events like the World Cup and the Olympics as a “state of exception” to push through private development projects and neoliberal reforms.
O Rio vem usando megaeventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos como “estado de exceção” para fazer aprovar projetos privados de desenvolvimento e reformas neoliberais.
Issue 15-16 - Paint the Town Red
Número 15-16 – Pinte a Cidade de Vermelho
Carolyn Prouse is a geographer at the University of British Columbia
Carolyn Prouse é geógrafa na University of British Columbia.
Remeike Forbes / Jacobin
[About Naomi Klein’s The Shock Doctrine, please check, for example, Wikipedia, ‘The Shock Doctrine.’ - TN]
[Acerca de The Shock Doctrine de Naomi Klein, por favor verifique, por exemplo, Wikipédia, ‘The Shock Doctrine.’ - NT]
As I walked through the streets of Rio de Janeiro on the opening day of the World Cup, I was surprised by the number of different protest slogans ringing out: Não vai ter Copa (There will be no Cup)! Contra estado autoritário e policial (Against an authoritarian and police state)! Eu só quero ser feliz na favela onde eu nasci (I only want to be happy in the favela where I was born)! The masses of bodies were in the streets that day largely for a common cause: accusing the Brazilian government of overspending and corruption, and standing against FIFA and the International Olympic Committee (IOC).
À medida que eu andava pelas ruas do Rio de Janeiro no dia de abertura da Copa do Mundo, ficava surpresa com o número de diferentes slogans de protesto ressoando: Não vai ter Copa (There will be no Cup)! Contra o estado autoritário e policial (Against an authoritarian and police state)! Eu só quero ser feliz na favela onde eu nasci (I only want to be happy in the favela where I was born)! As massas de pessoas estavam nas ruas naquele dia em grande parte em favor de causa comum: acusar o governo brasileiro de gastos perdulários e corrupção, e posicionar-se contra a FIFA e o Comitê Olímpico Internacional (IOC).
Cariocas are known for their love of soccer. But the massive burden of mega-event development has not escaped the attention of Rio’s citizens. The city held eight World Cup games this summer and is the sole host of the 2016 Summer Olympic Games. For the Olympics alone, the city has twenty-one Strategic Development Projects in the works, from new bus lines to housing projects, the total cost of which is USD $10 billion. Many of these expenditures are only loosely connected to the mega-events themselves.
Os cariocas são conhecidos por gostarem de futebol. Mesmo assim, o maciço fardo de desenvolvimento do megaevento não escapou à atenção dos cidadãos do Rio. A cidade foi hospedeira de oito jogos da Copa do Mundo neste verão e é a única anfitriã dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Só para os Jogos Olímpicos a cidade tem vinte e um Projetos Estratégicos de Desenvolvimento sendo gerados, desde novas linhas de ônibus a projetos de construção de casas, com custo total de USD $10 biliões de dólares. Muitos desses gastos estão apenas frouxamente conexos com os megaeventos eles próprios.
It’s common among dissidents to blame the burden of mega-events on international sport-governing bodies like FIFA and the IOC. What’s not to hate about capitalist regimes that masquerade as nonprofit organizations and take countries for rides of billions of dollars?
É comum entre dissidentes colocar a culpa dos megaeventos em órgãos internacionais de governança de esportes como FIFA e IOC. O que há de não odioso em regimes capitalistas que se disfarçam de organizações sem fins lucrativos e tomam países para passeios/atrações de biliões de dólares?
FIFA and the IOC do have a strong hand in how mega-events take shape in host nations. After a country or a city wins the bid to host an event, they must use what is called a Host City Agreement (with FIFA) or a Matrix of Responsibilities (with the IOC), which include lax visa requirements for FIFA or IOC employees and affiliates, tax exemptions, a mandate to beautify areas around sporting facilities, and exclusive rights for official partners and sponsors to sell their products in stadiums and fan spaces.
FIFA e IOC têm de fato mão forte no tocante a como megaeventos tomam forma em nações anfitriãs. Depois de país ou cidade ganhar a competição para hospedar evento, tem de usar o que é chamado de Acordo de Cidade Anfitriã (com a FIFA) ou Matriz de Responsabilidades (com o IOC), com exigências de visto mais fácil para empregados e filiados a FIFA ou IOC, isenções de impostos, determinação oficial de melhorar a aparência de áreas ao redor das instalações de esportes, e direitos exclusivos para que parceiros oficiais e patrocinadores vendam seus produtos em estádios e espaços de torcedores.
But it would be a mistake to solely blame FIFA and the IOC for the misuse of the public dime. FIFA only requires a country to have eight stadiums in which to host a World Cup, yet the previous Brazilian government, led by President Luiz Inácio Lula da Silva, chose to build twelve. Meanwhile, Rio has focused much of its Olympic preparation efforts on gentrifying the Porto Maravilha region, which wasn’t central to its winning bid.
Será porém equívoco culpar unicamente FIFA e IOC pelo uso indevido do dinheiro público. A FIFA só exige que um país tenha oito estádios nos quais hospedar uma Copa do Mundo, e no entanto governo brasileiro anterior, liderado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, optou por construir doze. Ao mesmo tempo, o Rio tem concentrado muito de seus esforços de preparação para os Jogos Olímpicos na gentrificação da região de Porto Maravilha, que não foi essencial para sua oferta vencedora. 
So why are Rio de Janeiro and Brazil implementing projects beyond the requirements of FIFA and the IOC? Because mega-events have come to represent an opportunity, a chance for cities to promote themselves globally and to compete against one another for financial investments.
Sendo assim, por que estão Rio de Janeiro e Brasil implementando projetos além das exigências de FIFA e IOC? Porque megaeventos vieram a representar oportunidade, possibilidade de cidades promoverem-se globalmente e competirem umas com as outras por investimentos financeiros.
Cities are being transformed through neoliberal globalization: they are privatizing their assets and making public policy decisions based on the logic of a global market. New public-private partnerships (PPPs) are being created as municipalities are forced into competition on a national and international stage. Cities like Rio are behaving like entrepreneurs, seeking foreign investors through “placemaking” that targets the tourism and commerce industries in particular.
As cidades estão sendo transformadas por meio da globalização neoliberal: estão privatizando seu patrimônio e tomando decisões de políticas públicas baseadas na lógica de um mercado global. Novas parcerias público-privadas (PPP) estão sendo criadas à medida que municípios são forçados a entrar em competição em cenário nacional e internacional. Cidades como Rio estão agindo como empreendedores, procurando investidores estrangeiros por meio de “renovação temática total” tendo como alvo, especialmente, turismo e a área de comércio.
Political-economic power is being rescaled as international organizations and corporations gain influence and make profit while municipal governments assume the risks of unbridled development. Technocratic experts now ply their trade across the globe, offering their services to municipalities to help them compete. Where social services do exist, they tend to be focused on policing the disenfranchised, who have been losers within the neoliberal game. And hosting mega-events has become a key part of playing this game.
O poder político-econômico vai sendo reduzido à medida que organizações e corporações internacionais ganham influência e geram lucros enquanto governos municipais assumem os riscos do desenvolvimento desenfreado. Expertos tecnocráticos agora conduzem suas atividades em todo o globo, oferecendo seus serviços a municípios para ajudá-los a competir. Onde existam serviços sociais, tenderão a concentrar-se no policiamento dos privados de seus direitos, perdedores na arena do jogo neoliberal. E ser sede de megaeventos tornou-se parte decisiva no exercício desse jogo.
This hasn’t always been the case. It wasn’t until the 1984 Summer Olympic Games in Los Angeles that mega-events were seen as a way to profit through corporate sponsorships and the marketing of television broadcast rights. The Barcelona Games in 1992 carried the for-profit potential a step further, as Barcelona incorporated Olympic redevelopments into its municipal strategic plans, largely to attract foreign investors.
Nem sempre foi assim. Só a partir dos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 em Los Angeles os megaeventos foram vistos como forma de lucrar por meio de patrocínio corporativo e do comércio de direitos de transmissão por televisão. Os Jogos de Barcelona em 1992 levaram o potencial de lucro um passo além, quando Barcelona incorporou redesenvolvimentos Olímpicos em seus planos estratégicos municipais, em grande parte para atrair investidores estrangeiros.
Rio de Janeiro followed that example. With the help of Catalan consultants Jordi Borja and Manoel de Forn, Rio became the first South American city to create a strategic plan centered on marketing the city as a tourist destination and vaulting it into the mega-event circuit.
O Rio de Janeiro seguiu aquele exemplo. Com a ajuda dos consultores catalães Jordi Borja e Manoel de Forn, o Rio tornou-se a primeira cidade sul-americana a criar plano estratégico centrado em marketing da cidade como destino turístico e em guindá-la ao circuito dos megaeventos.
But Rio has taken these processes to such an extreme that critics from Brazil to Barcelona are crying foul: too much privatization, too many displacements, and too much money invested in an Olympic legacy.
O Rio, porém, levou esses processos a tal extremo que críticos, do Brasil a Barcelona, estão protestando veementemente: excesso de privatização, demasiadas remoções, e dinheiro demais investido num legado olímpico.
Developmentalism Meets Neoliberalism
Desenvolvimentismo Ao Encontro do Neoliberalismo
Brazilian cities have gone through remarkable changes in the last half-century. Under the military dictatorship from 1964 to 1985, municipal growth occurred within a centralist planning model, whereby the national government oversaw most economic and urban development. The development agenda, such as it was, put national ambitions ahead of municipal ones.
No último meio século as cidades brasileiras sofreram notáveis mudanças. Sob a ditadura militar de 1964 a 1985, o crescimento municipal ocorreu dentro de modelo centralista de planejamento, por meio do qual o governo nacional supervisava a maior parte do desenvolvimento econômico e urbano. A agenda de desenvolvimento, tal como era, colocava as ambições nacionais acima das municipais.
With the transition to democracy and pressure from urban land reform movements, the new government included a chapter on urban policy in the constitution of 1988. Municipalities gained even greater independence in 2001 through the introduction of Brazil’s City Statute, in which cities became responsible for developing “master plans” through popular participation and community engagement.
Com a transição para a democracia e pressão de movimentos de reforma da terra urbana, o novo governo incluiu capítulo acerca de política urbana na constituição de 1988. Os municípios ganharam independência ainda maior em 2001, por meio da criação do Estatuto da Cidade do Brasil, pelo qual as cidades se tornaram responsáveis por desenvolver “planos diretores” por meio de participação popular e engajamento da comunidade.
According to Raquel Rolnik, a Brazilian urbanist and current United Nations Special Rapporteur on Adequate Housing, these new rules fit neatly into an emerging global neoliberal agenda. In what she calls a “perverse convergence” between urban rights and neoliberal privatization, the city statute has devolved significant power to municipalities as they become entrepreneurial entities competing for federal and international funding. The emphasis on popular participation and consultation has enabled private companies to gain increasing influence in policy circles and affect the flow of government funds.
De acordo com Raquel Rolnik, urbanista brasileira e atual Relatora Especial das Nações Unidas para Habitação Adequada, essas novas regras caem como luva numa agenda neoliberal global em surgimento. No que ela chama de “convergência perversa” entre direitos urbanos e privatização neoliberal, o estatuto da cidade confere significativo poder aos municípios na qualidade deles de entidades empreendedoras competindo por financiamento federal e internacional. A ênfase em participação e consulta popular tem permitido a empresas privadas ganharem crescente influência em círculos de políticas e afetarem o fluxo de fundos do governo.
And state funds are flowing. While the Brazilian government has privatized many of its assets and transferred huge sources of wealth to the private sector, it has remained a developmentalist state in some key regards: the federal government is focused on economic growth and the creation of jobs through investments in infrastructure. This focus was only strengthened following the 2008 global financial crisis. While many other countries imposed austerity measures to reduce state spending, the Workers’ Party (PT) introduced large infrastructure projects as stimulus packages.
E fundos estatais estão fluindo. Embora o governo brasileiro tenha privatizado muito de seu patrimônio e transferido enormes fontes de riqueza para o setor privado, tem permanecido estado desenvolvimentista sob certos aspectos decisivos: o governo federal está focado em crescimento econômico e criação de empregos por meio de investimentos em infraestrutura. Esse foco só foi fortalecido depois da crise financeira global de 2008. Enquanto muitos outros países impuseram medidas de austeridade para reduzir o dispêndio do estado, o Partido dos Trabalhadores (PT) criou grandes projetos de infraestrutura como pacotes de estímulo.
But the ways that funds get distributed and spent also matters. Municipalities, like corporations, are either forced to compete against one another for this funding or are given a direct transfer of funds as a product of close political relationships.
Contudo, os modos pelos quais os fundos são distribuídos e empregados também são importantes. Os municípios, do mesmo modo que as corporações, são ou forçados a competir uns com os outros por esse financiamento ou lhes é dada transferência direta de fundos como produto de estreitos relacionamentos políticos.
Sometimes both happen at once: those who “win” are those who have an inside track. It’s not a coincidence, for instance, that Odebrecht SA — the largest civil construction firm in Brazil and a major financial contributor to the PT — continues to win a massive share of the country’s development projects since the company’s rise during the military dictatorship. Here, developmentalism meets neoliberalism, as state infrastructure investment in redevelopment projects results in a transfer of funds from the public purse into private hands.
Por vezes ambos acontecem ao mesmo tempo: aqueles que “ganham” são aqueles que partem de situação de vantagem. Não é coincidência, por exemplo, a Odebrecht SA — a maior firma de construção civil do Brasil e grande contribuidora financeira do PT — continuar a ganhar maciça fatia dos projetos de desenvolvimento do país desde a ascensão da empresa durante a ditadura militar. No caso, o desenvolvimentismo vai ao encontro do neoliberalismo, visto que investimento do estado em infraestrutura, em projetos de redesenvolvimento, resulta em transferência de fundos do bolso do público para mãos privadas. 
Rio de Janeiro is pursuing these redevelopment projects with vigor. The 2014 FIFA World Cup and the 2016 Olympic Games have given the city the opportunity to revamp its strategic and master plans to become a cidade corporativa, or corporate city, in the words of Brazilian urbanist Ermínia Maricato. Rio’s transformation into this corporate city can be better understood by focusing on three of the city’s mega-event projects: Maracanã privatization, Porto Maravilha gentrification, and favela pacification.
O Rio de Janeiro está perseguindo esses projetos de redesenvolvimento com vigor. A Copa do Mundo da FIFA de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 deram à cidade a oportunidade de modernizar seus planos estratégicos e diretores para tornar-se cidade corporativa, ou corporate city, nas palavras da urbanista brasileira Ermínia Maricato. A transformação do Rio nessa cidade corporativa melhor pode ser entendida mediante considerarmos três dos projetos de megaeventos da cidade: privatização do Maracanã, gentrificação de Porto Maravilha, e pacificação da favela.
Maracanã 2.0
Maracanã 2.0
People who know futebol know Maracanã. This stadium is perhaps the most famous in the entire world, familiar for its standing-room-only section that could double in size for large Brazilian matches.
Pessoas que gostam de futebol conhecem o Maracanã. Esse estádio é talvez o mais famoso do mundo inteiro, conhecido por sua secção de pessoas em pé que pode dobrar seu tamanho para grandes jogos brasileiros.
It’s the stadium that some of the best players in the history of the game, like Pelé and Garrincha, have called home. It’s where the infamous “Maracanazo” episode occurred during the 1950 World Cup final, in which Uruguay beat Brazil to accomplish one of the largest upsets in soccer history. Indeed, despite years of military dictatorship and widespread poverty, it’s that loss that many Brazilians still refer to as the lowest point in the country’s history.
É o estádio que alguns dos melhores jogadores da história do jogo, como Pelé e Garrincha, têm chamado de lar. Foi lá que ocorreu o episódio, de infausta memória, do “Maracanazo,” durante o final da Copa do Mundo de 1950, quando o Uruguai venceu o Brasil numa das maiores vitórias inesperadas da história do futebol. Com efeito, a despeito de anos de ditadura militar e pobreza disseminada, muitos brasileiros ainda se referem àquela derrota como o ponto mais baixo da história do país.
Maracanã, in other words, has been much more than a building to soccer fans in Brazil.
O Maracanã, em outras palavras, tem sido muito mais do que uma construção para os fãs de futebol no Brasil.
But this has dramatically changed with the World Cup and Olympic Games. The stadium has been refurbished to the extent that it is now almost unrecognizable. Or, rather, it looks like any other sanitized stadium space built for international competition. This building, in which corporate boxes have replaced standing crowds, is exactly the sort of sterile environment that municipalities are constructing to climb the hierarchy of world cities that can attract more events, more tourists, and more capital.
Isso porém mudou dramaticamente com a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. O estádio foi reformado a ponto de tornar-se quase irreconhecível. Ou, antes, parece-se agora com qualquer espaço de estádio asséptico construído para competição internacional. O edifício, onde camarotes corporativos substituíram multidões de pé, é exatamente o tipo de ambiente estéril que os municípios estão construindo para ascender na hierarquia das cidades mundiais que podem atrair mais eventos, mais turistas, e mais capital.
A great deal of public money has been invested in refurbishing the stadium to meet the demands of FIFA. Federal, state, and municipal governments have spent approximately USD $598 million on stadium upgrading in Rio, more than double the cost originally projected.
Grande porção de dinheiro público tem sido investido na reforma do estádio para atendimento às exigências da FIFA. Governos federal, estadual e municipal já gastaram aproximadamente USD $598 milhões em ascenso de estádios no Rio, mais do que o dobro do custo originalmente projetado.
As geographer Chris Gaffney writes, the problem with this spending isn’t simply the amount being invested. The stadium could become a white elephant, useful only for the mega-events. Even more concerning, however, is that this once-public facility has been transformed into private space, with all activities now oriented toward making profit for the public-private partnership that currently manages the stadium.
Como escreve o geógrafo Chris Gaffney, o problema com esses gastos não é simplesmente a soma que está sendo investida. O estádio poderá tornar-se elefante branco, útil apenas para megaeventos. Mais preocupante ainda, porém, é que essa instalação outrora pública vem sendo transformada em espaço privado, com todas as atividades agora orientadas para gerar lucro para a parceria público-privada que atualmente gere o estádio.
Maracanã is also a prime example of the new legal spaces that characterize neoliberal globalization. The stadium and its surrounding neighborhood have become “zones of exclusivity,” marketplaces for FIFA and its corporate sponsors. Budweiser, Coca Cola, and McDonald’s can sell their products, but you will have a difficult time finding Brazilian staples churrasco, guaraná, or açaí — or the vendors who have made their living selling such products for years.
O Maracanã é também excelente exemplo dos novos espaços legais que caracterizam a globalização neoliberal. O estádio e seus bairros circunjacentes tornaram-se “zonas de exclusividade,” mercados para a FIFA e seus patrocinadores corporativos. Budweiser, Coca Cola e McDonald’s podem vender seus produtos, mas você terá dificuldade para encontrar as comidas brasileiras básicas churrasco, guaraná, ou açaí — ou os vendedores de rua que vieram ganhando a vida vendendo esses produtos há anos.
Many commentators in Brazil have described this as a state of exception: democratic rules are being suspended for authoritarian and non-transparent forms of governance in the shape of unelected non-governmental organizations like FIFA, the IOC, and Rio’s newly created Public Olympic Authority. Importantly, the Brazilian state doesn’t simply disappear in this arrangement: the government is necessary to pass legislation creating zones of exclusivity and new authorities.
Muitos comentadores no Brasil já descreveram isso como estado de exceção: as regras democráticas estão sendo suspensas em favor de formas de governança autoritárias e não transparentes sob forma de organizações não governamentais não eleitas como FIFA, IOC, e a recentemente criada Autoridade Pública Olímpica. Importante, o estado brasileiro não simplesmente desaparece nesse arranjo: o governo é necessário para aprovar legislação criando zonas de exclusividade e novas autoridades.
This state of exception also applies to the people who live in the areas surrounding this stadium. Their livelihoods, housing, and bodies are being made exceptional and expendable. In the neoliberal city, the poor are the first ones to be relocated for the sake of profit.
Esse estado de exceção também se aplica às pessoas que vivem nas áreas circunjacentes ao estádio. Seu sustento, moradia, e corpos estão sendo tornados excepcionais e dispensáveis. Na cidade neoliberal, os pobres são os primeiros a ser realocados a bem do lucro.
Porto Maravilha
Porto Maravilha
But mega-event developments are not limited to stadiums. The Porto Maravilha (Marvelous Port) project is being hailed as the largest Olympic development project in the city of Rio de Janeiro. The total cost of this five-square-kilometer redevelopment is a whopping USD $4 billion.
Megaeventos, contudo, não ficam limitados a estádios. O projeto Porto Maravilha (Marvelous Port) está sendo louvado como o maior projeto de desenvolvimento olímpico da cidade do Rio de Janeiro. O custo total desse redesenvolvimento de cinco quilômetros quadrados são tremendos USD $4 biliões.
Yet the project was never a cornerstone of the Olympic bid and is set to host only a few minor Olympic events. What it is doing is further consolidating the power of the largest public-private partnership the country has ever seen.
Nada obstante, o projeto nunca foi pedra angular da oferta olímpica e provavelmente será usado para apenas alguns eventos olímpicos menores. O que ele está fazendo é consolidar adicionalmente o poder da maior parceria público-privada que o país jamais viu.
The port area of Rio de Janeiro has a rich history. It was the locus of the Atlantic slave trade and remains a center of Afro-Brazilian culture. It was the home of the Portuguese monarchy after they fled the Iberian Peninsula, and more recently was the seat of the federal government. But with the transfer of the nation’s capital to Brasilia in the 1960s, deindustrialization in the 1970s, and flight of businesses to the western part of the city in the 1980s, the area fell into economic decline. Today, the port is home to abandoned factory buildings and low-income communities.
A área portuária do Rio de Janeiro tem rica história. Foi o local do comércio de escravos do Atlântico e continua centro de cultura afro-brasileira. Foi sede da monarquia portuguesa depois que ela fugiu da Península Ibérica e, mais recentemente, foi sede do governo federal. Com a transferência, contudo, da capital do país para Brasília nos anos 1960, desindustrialização nos anos 1970 e mudança dos negócios para a parte oeste da cidade nos anos 1980, a área entrou em declínio econômico. Hoje, o porto é lar de edifícios fabris abandonados e comunidades de baixa renda.
Construction companies, engineering firms, and architectural conglomerates are all but drooling over the possibilities of port gentrification. Port redevelopment projects have figured prominently in the entrepreneurial city’s strategy to attract foreign capital, business, and tourism. In cities around the world, port areas — Puerto Vell in Barcelona, Atlantic Gateway in Manchester, the Inner Harbor in Baltimore, and now Porto Maravilha in Rio — are marked as potential centers of tourism, culture, real estate, and business.
Empresas de construção, firmas de engenharia e conglomerados de arquitetura quase babam de prazer face às possibilidades de gentrificação do porto. Os projetos de redesenvolvimento do porto têm figurado preeminentemente na estratégia empreendedorista da cidade para atrair capital estrangeiro, empresas e turismo. Em cidades em todo o mundo, áreas portuárias — Puerto Vell em Barcelona, Atlantic Gateway em Manchester, Inner Harbor em Baltimore, e agora Porto Maravilha no Rio — são assinaladas como centros potenciais de turismo, cultura, imóveis, e negócios.
Like spectacles elsewhere, Rio’s mega-events have fostered a veritable “state of emergency.” As researchers Fernanda Sánchez and Anne-Marie Broudehoux have noted, zoning regulations have been changed, tax exemptions granted, and legal mechanisms reformed in order to create the largest consortium of private companies ever responsible for a project in Brazil. This consortium, called Porto Novo, is comprised of three companies — Odebrecht, Carioca, and OAS — that have their hands in many of Rio’s redevelopment projects.
De modo análogo a espetáculos em toda parte, os megaeventos do Rio têm promovido verdadeiro “estado de emergência.” Como as pesquisadoras Fernanda Sánchez e Anne-Marie Broudehoux já observaram, regulamentações de zoneamento têm sido modificadas, isenções de impostos concedidas, e meganismos legais reformados para criar o maior consórcio de empresas privadas jamais responsável por projeto no Brasil. Esse consórcio, chamado Porto Novo, é integrado por três empresas — Odebrecht, Carioca, e OAS — que têm as mãos em muitos dos projetos de redesenvolvimento do Rio.
High rollers in Brazil have been pursuing this port redevelopment strategy for a long time, and it wasn’t a coincidence that these companies were awarded the project. In fact, they had been eyeing the port for years. According to Gusmão de Oliveira, the new municipal decree granting them development rights was effectively copied from a private-sector proposal for port redevelopment in 2009 written by these very same companies. The sense of urgency around the Olympics provided the opportunity to rush into this PPP without adequate public oversight.
Grandes apostadores vêm perseguindo essa estratégia de redesenvolvimento do porto há muito tempo, e não foi coincidência essas empresas terem conseguido o projeto. Na verdade, elas vêm observando o porto há anos. De acordo com Gusmão de Oliveira, o novo decreto municipal que concede a elas direitos de desenvolvimento foi, em realidade, copiado de proposta do setor privado para redesenvolvimento do porto em 2009 escrito exatamente por mencionadas empresas. O senso de urgência em torno dos Jogos Olímpicos proporcionou a oportunidade para precipitar essa PPP sem adequada supervisão do público. 
But who profits through these mechanisms isn’t all that matters. Who gets pushed out, and how, is also fundamental. Neighborhoods can only be revalorized through gentrification after they have been devalued. And it is poor, darker-skinned people who are considered to devalue land in this area. People who have been oppressed and neglected for generations will now be pushed out.
Quem porém lucra com esses mecanismos não é tudo o que importa. Aqueles que são postos de lado, e como, é também algo fundamental. Bairros só podem ser revalorizados por meio da gentrificação depois de terem sido desvalorizados. E são as pessoas pobres, de pele escura, as que são consideradas como desvalorizando terra naquela área. Pessoas que vêm sendo oprimidas e negligenciadas há gerações serão agora postas de lado. 
This is accomplished in part through the language and framing of redevelopments. Meu Porto Maravilha, an interactive exhibit set up to showcase the area’s redevelopment plans to the public, describes the port area as “empty” and “derelict.” But a quick look around the port reveals vibrant housing communities, people working on the streets, and local businesses catering to lunch crowds.
Isso é conseguido em parte por meio do palavreado e da estrutura dos redesenvolvimentos. Meu Porto Maravilha, exposição interativa montada para mostrar os planos de redesenvolvimento da área ao público, descreve a área do porto como “vazia” e “dilapidada.” Todavia, rápido olhar pelo porto revela vibrantes comunidades habitacionais, pessoas trabalhando nas ruas e comércio local vendendo comida para multidões na hora do almoço.
Descriptions of “dereliction” and “emptiness” effectively erase the thousands of people without homes, squatter communities, and favela residents who currently live in this area. Rhetorically erased in an attempt to legitimize the project, Rio’s impoverished populations will be physically removed as land values increase and speculation runs amok.
Descrições de “dilapidação” e “vacuidade” na prática elidem os milhares de pessoas sem lar, comunidades de ocupantes ilegais de imóveis, e residentes de favelas que atualmente moram na área. Retoricamente excluídas numa tentativa de legitimização do projeto, as populações pobres do Rio serão fisicamente removidas, enquanto o valor da terra aumentará e a especulação campeará desabrida.
Quiet the Favelas
Silenciamento das Favelas
Nowhere are race, class, and the rhetoric of dereliction more keenly felt than in the pacification of Rio’s favelas. These communities of low-income people have grown rapidly in the last forty years as a result of massive urbanization, developing on hilltops and other environmentally vulnerable spaces that were the only places available to people migrating for work from other areas of the country. The historic neglect and marginalization of favelas by state and municipal governments means that residents have had inconsistent access to the city’s legal infrastructure and services.
Em nenhum outro lugar raça, classe e retórica de dilapidação são mais agudamente sentidas do que na pacificação das favelas do Rio. Essas comunidades de pessoas de baixa renda cresceram rapidamente nos últimos quarenta anos em resultado de urbanização maciça, desenvolvendo-se nos topos de morros e em outros espaços ambientalmente vulneráveis que eram os únicos lugares disponíveis para pessoas que migravam, em busca de trabalho, de outras áreas do país. Negligência e marginalização históricas das favelas por governos estaduais e municipais significam que os residentes têm tido acesso inconsistente aos serviços legais de infraestrutura da cidade.
During the late 1980s and 1990s, after waves of deindustrialization swept across the country, hitting Rio de Janeiro particularly hard, the drug trade gained a stronghold in the city’s favelas. This was particularly concerning for Rio’s governors and media, because the favelas are located in some of the richer neighborhoods of Zona Sul. This apparent hazard to the wealthy led the municipal and state government to develop a mandate to quash the violence. Mega-events have provided an opportunity to further this agenda.
Ao final dos anos 1980 e nos 1990, depois de ondas de desindustrialização terem-se espraiado pelo país, fustigando de maneira particularmente inclemente o Rio de Janeiro, o comércio de drogas ganhou bastião nas favelas da cidade. Isso se tornou particularmente preocupante para os governadores e para a mídia do Rio, porque as favelas estão localizadas em alguns dos mais ricos bairros da Zona Sul. Esse claro perigo para os ricos levou o governo municipal e estadual a tomar providências para conter a violência. Os megaeventos proporcionaram oportunidade de acelerar essa agenda.
Military police occupation is central to Rio’s mega-event strategy. The first large-scale military intervention in Rio’s favelas of this era occurred just prior to the Pan American Games in 2007. Hundreds of military police invaded Complexo do Alemão, in Rio’s impoverished Zona Norte, under the guise of “taking back” the community from drug traffickers. Nineteen people, mostly young black boys, were killed during the operation.
A ocupação pela polícia militar é fundamental para a estratégia de megaeventos do Rio. A primeira intervenção militar de grande escala nas favelas do rio nesta era ocorreu logo antes dos Jogos Panamericanos de 2007. Centenas de policiais militares invadiram o Complexo do Alemão, na empobrecida Zona Norte do Rio, sob pretexto de “retomar” a comunidade de traficantes de drogas. Dezenove pessoas, na maioria jovens pretos, foram mortas durante a operação.
In 2008, shortly after Brazil won the rights to host the 2014 World Cup, and as Rio was bidding for the Olympic Games, the state government of Rio de Janeiro introduced the Police Pacification Unit (UPP) program. Supposedly designed to control drug-trafficking territory, the program established a permanent military police presence in numerous favelas.
Em 2008, pouco depois de o Brasil ter ganho os direitos para hospedar a Copa do Mundo de 2014, e enquanto o Rio fazia suas ofertas para os Jogos Olímpicos, o governo estadual do Rio de Janeiro lançou o programa de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Pretensamente concebido para controlar território de tráfico de drogas, o programa estabeleceu presença permanente da polícia militar em numerosas favelas.
Complexo do Alemão and other low-income communities have now been invaded by the UPP units. The media has framed the presence as a way to both save “innocent” favela residents and protect tourists and international visitors to Rio.
O Complexo do Alemão e outras comunidades de baixa renda estão agora invadidos pelas unidades de UPP. A mídia tem dourado a pílula da presença como forma tanto de salvar “inocentes” residentes de favela quanto de proteger turistas e visitantes internacionais no Rio.
Pacification is a program designed partly to securitize the mega-events and “protect” favela populations, despite the continued deaths of residents at the hands of the military police. But it also fits into Rio’s broader neoliberalization strategy. It’s often said among the city’s low-income residents that the first group entering the favelas after the military police was Light, the private (formerly state-owned) electricity company. Cable enterprises, bank branches, and garbage collectors soon followed.
A pacificação é programa projetado em parte para securitizar os megaeventos e “proteger” as populações das favelas, a despeito da contínua morte de residentes nas mãos da polícia militar. Enquadra-se também, contudo, na estratégia mais ampla de neoliberalização do Rio. É amiúde dito entre os residentes de baixa renda da cidade que o primeiro grupo a entrar nas favelas depois da polícia militar foi a Light, a empresa privada (anteriormente de propriedade do estado) de eletricidade. Empresas de televisão a cabo, filiais de bancos e coletores de lixo cedo seguiram-se.
The UPP program has been part of a strategy to integrate the favelas into the urban fabric and provide government support where there once was none. But they have also allowed the state to achieve more permanent surveillance within these areas and open them up to state-sanctioned economic development.
O programa UPP tem sido parte de estratégia para integrar as favelas no tecido urbano e oferecer apoio do governo onde no passado não havia nenhum. Ele entanto também tem permitido ao estado realizar vigilância mais permanente dessas áreas e abri-las para desenvolvimento econômico sancionado pelo estado.
The rhetoric of pacification has celebrated the small entrepreneur and tried to attract business interests into these previously “dangerous” and “untapped” communities. Now events are staged to exploit the business opportunities that favelas offer. An event called “Bairro Chic” (Chic Neighborhood) held this past May in a grandiose theater in Rio brought stakeholders from the private sector together to discuss the potential for profit in pacified favelas. Such events, attempting to make favelas trendy, are becoming commonplace in Rio.
A retórica da pacificação vem encomiando o pequeno empreendedor e tentando atrair interesses comerciais para essas comunidades anteriormente “perigosas” e “não aproveitadas.” Agora os eventos estão estruturados de maneira a explorar as oportunidades de negócios que as favelas oferecem. Evento chamado “Bairro Chic” (Chic Neighborhood) levado a efeito em maio passado em grandioso teatro no Rio aglutinou interessados do setor privado para discutirem o potencial de lucro em favelas pacificadas. Tais eventos, tentando tornar as favelas estilosas, estão-se tornando correntes no Rio.
As pacified favelas are marketed for commercial development, the value of land is increasing. Particularly in Rio de Janeiro’s Zona Sul, where the areas offer magnificent views of the ocean, land speculation and gentrification have increased dramatically since pacification — so much so that Vidigal, a favela on the West side of Zona Sul, will soon be the next home of soccer superstar David Beckham.
À medida que as favelas pacificadas são mercadejadas para desenvolvimento comercial, o valor da terra vai aumentando. Particularmente na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde as áreas oferecem magnificente vista do oceano, especulação imobiliária e gentrificação aumentaram dramaticamente depois da pacificação — tanto que Vidigal, favela no lado oeste da Zona Sul, logo será o novo lar do superastro do futebol David Beckham.
Back to the Streets
De Volta às Ruas
On that opening day of the World Cup, I stood with the protesters. There were blocks of favela residents chanting against the police violence of pacification. There were activists holding signs denouncing gentrification of the downtown port area. And there were vendors selling food to protesters, having been banned from the grounds around Maracanã.
No dia de abertura da Copa do Mundo, fiquei com os protestadores. Havia blocos de residentes em favelas gritando contra a violência da polícia de pacificação. Havia ativistas segurando cartazes denunciando gentrificação da área do porto no centro da cidade. E havia vendedores de rua vendendo comida para os protestadores, depois de serem banidos das proximidades do Maracanã.
On that day, the connections were being made viscerally as demonstrators stood shoulder-to-shoulder on the pavement: Maracanã renovation, Porto Maravilha revitalization, and favela pacification. All privatizing public resources, all dispossessing low-income people. And all part of the veritable legacy of Rio’s mega-events.
Naquele dia, as conexões estavam sendo feitas visceralmente, com os demonstradores de pé ombro a ombro no asfalto: renovação do Maracanã, revitalização de Porto Maravilha, e pacificação da favela. Todas privatizando recursos públicos, todas desapossando pessoas de baixa renda. E todas parte do real legado dos megaeventos do Rio.
It’s true that some Brazilians will make money from hosting the 2014 FIFA World Cup and the 2016 Olympic Games. Indeed, what is particularly insidious about the neoliberal city within a neo-developmentalist Brazil is that massive quantities of public money are being invested in infrastructure developments for the profit of the already rich, who tend to be national and international developers with close financial and political ties to the ruling parties.
É verdade que alguns brasileiros ganharão dinheiro sediando a Copa do Mundo de 2014 da FIFA e os Jogos Olímpicos de 2016. Na verdade, o que é particularmente insidioso na cidade neoliberal dentro de um Brasil neodesenvolvimentista é que maciça quantidade de dinheiro público está sendo investida em desenvolvimento de infraestrutura para os já ricos, que tendem a ser desenvolvedores nacionais e internacionais com estreitos vínculos financeiros e políticos com os grupos dominantes.
But the people are angry. Citizens are demanding change in the streets of Rio de Janeiro and other Brazilian cities. The rhetoric and media discussions of these protests, however, must extend beyond a critique of mega-events. Social movements and demonstrators who are unhappy with Rio’s redevelopment will have to continue taking to the streets and boardrooms to target the governance structures and ideologies that make urban competition and the profit motive the only obvious course for this city.
As pessoas, porém, estão com raiva. Os cidadãos estão exigindo mudança, nas ruas do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras. A retórica e as discussões na mídia desses eventos, contudo, precisam estender-se para além de uma crítica dos megaeventos. Movimentos sociais e demonstradores que estão descontentes com o redesenvolvimento do Rio terão de continuar a tomar as ruas e as salas de conferências para questionar as estruturas de governança e ideologias que tornam a competição urbana e o objetivo de lucro o único caminho óbvio para a cidade.
Of all the cities faced with privatization via mega-events, perhaps Rio de Janeiro can do it differently. Brazilian urban movements have shown in the past that they can effect significant change. It’s because of their efforts that urban rights are enshrined in the country’s constitution. Now, a new generation of activists is fighting to ensure that these rights have meaning in the new Rio.
De todas as cidades defrontadas por privatização via megaeventos talvez o Rio de Janeiro seja a que possa fazer as coisas de modo diferente. Os movimentos urbanos brasileiros já mostraram, no passado, que conseguem fazer mudanças significativas. É por causa dos esforços deles que os direitos urbanos estão inscritos na constituição do país. Agora, nova geração de ativistas está lutando para assegurar que esses direitos tenham expressão no novo Rio.
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