Saturday, January 3, 2015

C4SS - What is Left-Libertarianism?



ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
What is Left-Libertarianism?
O que é Libertarismo de Esquerda?
Kevin Carson | June 15th, 2014
Left-libertarianism has been getting a lot of buzz recently in the broader American libertarian community. The term “left-libertarian” has been used many ways in American politics, and there seems to be some confusion within the libertarian community itself as to who left-libertarians actually are.
O libertarismo de esquerda vem despertando muito interesse, recentemente, na comunidade libertária estadunidense mais ampla. A expressão “libertário de esquerda” tem sido usada de muitas maneiras na política estadunidense, e parece haver certa confusão, dentro da própria comunidade libertária, acerca de quem são, na realidade, os libertários de esquerda.
The basic ideas of left-libertarianism, as we at the Alliance of the Libertarian Left (ALL) and Center for a Stateless Society (C4SS) identify with that label, are broader than our organizations alone. The 1990s were a sort of Steam Engine Time for the general idea of libertarianism with a left-wing orientation, and the use of free market ideas as a weapon against the evils of corporate capitalism; a number of thinkers have developed parallel lines of analysis independently of one another, and it has grown into a large and loose-knit ideological tendency. But considering the disproportionate role ALL and C4SS have played in the growing prominence of this tendency, it’s only appropriate to explain where we’re coming from and what we mean by left-libertarianism.
As ideias básicas do libertarismo de esquerda, tais como as entendemos os que pertencemos à Aliança da Esquerda Libertária (ALL) e ao Centro por uma Sociedade sem Estado (C4SS), são mais abrangentes do que nossas organizações apenas. Os anos 1990 foram espécie de época de formulação simultânea da ideia geral de libertarismo com orientação esquerdista e do uso de ideias de livre mercado contra os males do capitalismo corporativo; diversos pensadores desenvolveram linhas paralelas de análise, independentemente uns dos outros, que confluíram numa tendência ideológica ampla com vínculos flexíveis. Considerando, contudo, o papel desproporcionalmente grande que a ALL e o C4SS têm desempenhado na crescente preeminência dessa tendência, torna-se apropriado explicar de onde viemos e o que queremos dizer com libertarismo de esquerda.
The oldest and broadest usage of “left-libertarian,” and perhaps most familiar to those in the anarchist movement at large, dates back to the late nineteenth century, and includes pretty much the whole non-statist, horizontalist or decentralist Left — everybody but Social Democrats and Leninists, basically. It was originally used as a synonym for “libertarian socialist” or “anarchist,” and also commonly included syndicalists, council communists, followers of Rosa Luxemburg and Daniel DeLeon, etc. Many of us at C4SS would consider ourselves part of this broader left-libertarian community, although what we mean when we call our position “left-libertarian” is more specific.
O uso mais antigo e amplo da expressão “libertário de esquerda,” e talvez mais familiar para aqueles que integram o movimento anarquista em geral, remonta ao período tardio do século dezenove, e inclui praticamente toda a esquerda não estatista, horizontalista ou descentralista — todo mundo exceto social-democratas e leninistas, basicamente. Foi originalmente usada como sinônimo de “socialista libertário” ou “anarquista,” e também incluía sindicalistas, comunistas de conselhos, seguidores de Rosa Luxemburg e Daniel DeLeon, etc. Muitos de nós do C4SS considerar-nos-íamos parte dessa comunidade libertária esquerdista mais ampla, embora o que queiramos dizer ao chamar nossa posição de “libertária de esquerda” seja mais específico.
To the general public these days, “left-libertarian” is more apt to call to mind a school of thought exemplified within the past twenty years by Hillel Steiner and Peter Vallentyne, among others. Most adherents of this philosophy combine a belief in self-ownership and the non-aggression principle with left-wing views on the limited extent to which individuals can remove property from the common and acquire unlimited rights of disposal over it simply by mixing their labor with it. It overlaps heavily with Georgism and Geolibertarianism. Although this version of left-libertarianism is not coextensive with what we promote at ALL/C4SS, and some of our members would object to aspects of it, it’s easy to imagine an adherent of this philosophy being at home among us.
Para o público geral de hoje em dia, “libertário de esquerda” tende mais a trazer à mente escola de pensamento exemplificada, nos últimos vinte anos, por Hillel Steiner e Peter Vallentyne, entre outros. A maioria dos seguidores dessa filosofia conjuga crença na soberania pessoal e no princípio de não agressão com pontos de vista esquerdistas acerca da medida limitada em que os indivíduos possam remover propriedade do comunal e adquirir direitos ilimitados de dela dispor mediante simplesmente entrosar nela seu trabalho. Imbrica-se, em grande medida, com o georgismo e o geolibertarismo. Embora essa versão do libertarismo de esquerda não seja coextensiva com a que promovemos em ALL/C4SS, e alguns de nossos membros possivelmente objetem a aspectos dela, é fácil imaginar adepto dessa filosofia sentindo-se à vontade em nosso meio.
Within the Anglospheric libertarian community, and those who describe themselves as “liberal” elsewhere in the world, “left-libertarianism” might be associated with Murray Rothbard’s and Karl Hess’s attempt at an alliance with anarchists in the SDS around 1970, and left-Rothbardian movements like Sam Konkin’s Agorism that grew out of it. Although left-Rothbardianism and Konkin’s Agorism are not the official position of the ALL/C4SS, it’s fair to say that we have some organizational continuity with Konkin’s Movement of the Libertarian Left, and a significant part of our oldest core membership come from the left-Rothbardian and Konkinite tradition. I myself do not. We are a multi-tendency coalition that includes left-Rothbardians, classic 19th century individualist anarchists, Georgists, and many other traditions.
Dentro da comunicade libertária anglosférica, e no seio daqueles que se descrevem como “liberais” em outras partes do mundo, “libertarismo de esquerda” poderá quem sabe estar associado à tentativa de Murray Rothbard e de Karl Hess de uma aliança com os anarquistas da SDS em torno de 1970, e a movimentos rothbardianos de esquerda como o agorismo de Sam Konkin que daí surgiu. Embora o rothbardismo de esquerda e o agorismo não constituam a posição oficial de ALL/C4SS, é adequado dizer que exibimos certa continuidade organizacional com o Movimento da Esquerda Libertária de Konkin e que parte significativa de nosso núcleo de membros mais antigos veio da tradição rothbardiana de esquerda e konkinista. Eu próprio não vim. Somos coalizão de múltiplas tendências que inclui rothbardianos de esquerda, anarquistas individualistas clássicos do século 19, georgistas, e muitas outras tradições. I
There is also a tendency among American libertarians to confuse us with “Bleeding Heart Libertarians,” which is actually the name of a specific blog. Although there is some good writing there and they’ve published some of our stuff, we are not bleeding heart libertarians as such. Bleeding Heart Libertarians are a lot closer to “liberaltarian” fusionism, with deviations ranging from Cass Sunstein’s “libertarian paternalism” to the defense of sweatshops and Israeli settlements. Not to mention most of them aren’t anarchists, and we are.
Há também tendência entre os libertários estadunidenses de confundir-nos com os “libertários de coração confrangido” [Bleeding Heart Libertarians], que é, na verdade, nome de blog específico. Embora haja bons textos ali e eles tenham publicado algum de nosso material, não somos libertários de coração confrangido no sentido próprio da expressão. Os libertários de coração confrangido estão muito mais próximos do fusionismo “liberaltário,” com desvios que vão desde o “paternalismo libertário” de Cass Sunstein à defesa das fábricas de exploração de trabalhadores [sweatshops] e dos assentamentos israelenses. Para não mencionar que a maioria deles não é anarquista, e nós somos.
So now that we’ve considered all the things that we of ALL/C4SS are not, and do not mean by “left-libertarianism,” what do we actually stand for? We call ourselves left-libertarians, first, because we want to recuperate the left-wing roots of free market libertarianism, and second because we want to demonstrate the relevance and usefulness of free market thought for addressing the concerns of today’s Left.
Assim, posto havermos considerado todas as coisas que nós de ALL/C4SS não somos, e não queremos dizer com “libertarismo de esquerda,” o que realmente defendemos? Chamamo-nos libertários de esquerda, primeiro, porque desejamos resgatar as raízes esquerdistas do libertarismo de livre mercado e, segundo, porque desejamos mostrar claramente a pertinência e a utilidade do pensamento de livre mercado para o tratamento das preocupações da esquerda contemporânea.
Classical liberalism and the classical socialist movement of the early 19th century had very close common roots in the Enlightenment. The liberalism of Adam Smith, David Ricardo and the other classical political economists was very much a left-wing assault on the entrenched economic privilege of the great Whig landed oligarchy and the mercantilism of the moneyed classes.
O liberalismo clássico e o movimento socialista clássico do início do século 19 tiveram raízes comuns muito afins no Iluminismo. O liberalismo de Adam Smith, David Ricardo e dos outros economistas políticos clássicos foi, em grande medida, ataque esquerdista ao arraigado privilégio econômico da grande oligarquia latifundiária Whig e ao mercantilismo das classes abastadas.
As the rising industrialists defeated the Whig landlords and mercantilists in the 19th century and gained a predominant position in the state, classical liberalism gradually took on the character of an apologetic doctrine in defense of the entrenched interests of industrial capital. Even so, the left-wing — even socialistic — strands of free market thought continued to survive on the margins of establishment liberalism.
À medida que os donos de indústrias foram vencendo os proprietários fundiários Whig e os mercantilistas no século 19 e ganhando posição predominante no estado, o liberalismo clássico foi gradualmente assumindo a feição de doutrina apologética em defesa dos arraigados interesses do capital industrial. Apesar disso, as tendências esquerdistas — até socialistas — do pensamento de livre mercado sobreviveram às margens do liberalismo do establishment.
Thomas Hodgskin, a classical liberal who wrote in the 1820s through 1860s, was also a socialist who saw rent, profit and interest as monopoly returns on artificial property rights and privilege. Josiah Warren, Benjamin Tucker and the other American individualists also favored a free market form of socialism in which unfettered competition would destroy rent, profit and interest and guarantee that “the natural wage of labor in a free market is its product.” Many individualist anarchists associated with Tucker’s Liberty group had close ties to radical labor and socialist groups like the Knights of Labor, the International Workingmen’s Association and the Western Federation of Miners.
Thomas Hodgskin, liberal clássico que escreveu dos anos 1820 aos 1860, era também socialista que via renda, lucro e juros como retornos de monopólio assentados em direitos artificiais de propriedade e em privilégio. Josiah Warren, Benjamin Tucker e os outros individualistas estadunidenses também eram a favor de forma de socialismo de livre mercado na qual competição livre destruiria a renda, o lucro e os juros e garantiria que “o salário natural do trabalho num livre mercado fosse seu produto.” Muitos anarquistas individualistas associados ao grupo Liberty de Tucker tinham estreitos vínculos com grupos trabalhistas radicais e socialistas como Cavaleiros do Trabalho, Associação Internacional dos Trabalhadores e Federação Ocidental de Mineiros.
This strand of libertarianism was also on the cultural Left, closely associated with movements for the abolition of slavery, and for racial equality, feminism and sexual freedom.
Essa cepa de libertarismo inseria-se também na esquerda cultural, estreitamente associada a movimentos de abolição da escravidão e em favor da igualdade racial, do feminismo e da liberdade sexual.
As the class wars of the late 19th century raged on, “free market” and “free enterprise” rhetoric in mainstream American politics came to be associated more and more with the militant defense of corporate capital against radical challenges from the labor and farm populist movement. At the same time the internal split within the anarchist movement between communists and individualists left the latter isolated and vulnerable to colonization by the Right. In the early 20th century, “free market libertarianism” came to be closely associated with right-wing defenses of capitalism by Mises and Rand. The surviving individualist tradition was stripped of its older left-wing, pro-labor and socialistic cultural traditions, and took on an increasingly right-wing apologetic character.
À medida que se desenrolavam as guerras de classe do período tardio do século 19, retórica de “livre mercado” e “livre empreendimento” na política convencional estadunidense veio a, cada vez mais, ficar associada à defesa militante do capital corporativo contra desafios radicais do movimento populista trabalhista e rural. Ao mesmo tempo, a divisão interna dentro do movimento anarquista entre os comunistas e os individualistas deixou estes últimos isolados e vulneráveis a colonização pela direita. No início do século 20, “libertarismo de livre mercado” veio a ficar estreitamente associado a defesas direitistas do capitalismo por Mises e Rand. A tradição individualista sobrevivente foi despojada de suas antigas tradições culturais esquerdistas, trabalhistas e socialistas, e assumiu caráter cada vez mais apologético da direita.
Nevertheless, even then some remnant of the older left-wing tradition survived in American libertarianism. In particular Georgists and quasi-Georgists like Bolton Hall, Albert Nock and Ralph Borsodi straggled along through the mid-20th century.
Nada obstante, mesmo então algum remanescente da tradição de esquerda mais antiga sobreviveu no libertarismo estadunidense. Em particular georgistas e quase-georgistas como Bolton Hall, Albert Nock e Ralph Borsodi continuaram nas imediações em meado século 20.
We on the Libertarian Left consider it utterly perverse that free market libertarianism, a doctrine which had its origins as an attack on the economic privilege of landlords and merchants, should ever have been coopted in defense of the entrenched power of the plutocracy and big business. The use of the “free market” as a legitimizing ideology for triumphant corporate capitalism, and the growth of a community of “libertarian” propagandists, is as much a perversion of free market principles as Stalinist regimes’ cooptation of rhetoric and symbols from the historic socialist movement was a perversion of the working class movement.
Nós da esquerda libertária consideramos completa perversão o fato de o libertarismo de livre mercado, doutrina que teve suas origens como ataque ao privilégio econômico de proprietários fundiários e comerciantes, ter sido aliciado para defesa do poder arraigado da plutocracia e das grandes empresas. O uso do “livre mercado” como ideologia legitimadora do capitalismo corporativo triunfante, e o crescimento de comunidade de propagandistas “libertários,” é perversão dos princípios do livre mercado tanto quanto a cooptação, pelos regimes stalinistas, da retórica e dos símbolos do movimento socialista histórico foi perversão do movimento da classe trabalhadora.
The industrial capitalist system that the libertarian mainstream has been defending since the mid-19th century has never even remotely approximated a free market. Capitalism, as the historic system that emerged in early modern times, is in many ways a direct outgrowth of the bastard feudalism of the late Middle Ages. It was founded on the dissolution of the open fields, enclosure of the commons and other massive expropriations of the peasantry. In Britain not only was the rural population transformed into a propertyless proletariat and driven into wage labor, but its freedom of association and movement were criminalized by a draconian police state for the first two decades of the 19th century.
O sistema capitalista industrial que a corrente libertária convencional vem defendendo desde meado século 19 nunca se aproximou, sequer remotamente, de livre mercado. O capitalismo, como sistema histórico surgido no início da época moderna, é, sob diversos aspectos, rebento direto do feudalismo bastardo da Idade Média tardia. Fundamentou-se na dissolução dos campos abertos, no cerco das terras comunais e em outras expropriações maciças dos camponeses. Na Grã-Bretanha a população rural não apenas foi transformada em proletariado sem posses e coagido a trabalho assalariado, como também teve sua liberdade de associação e movimento criminalizada por draconiano estado policial durante as duas primeiras décadas do século 19.
On a global level, capitalism expanded into a world system through the colonial occupation, expropriation and enslavement of much of the global South. Tens and hundreds of millions of peasants were dispossessed from their land by the colonial powers and driven into the wage labor market, and their former holdings consolidated for cash crop agriculture, in a global reenactment of the Enclosures of Great Britain. In not only colonial but post-colonial times, the land and natural resources of the Third World have been enclosed, stolen and plundered by Western business interests. The current concentration of Third World land in the hands of landed elites producing in collusion with Western agribusiness interests, and of oil and mineral resources in the hands of Western corporations, is a direct legacy of four hundred years of colonial and neo-colonial robbery.
Em nível global, o capitalismo expandiu-se, tornando sistema mundial por meio de ocupação colonial, expropriação e escravização de muito do sul global. Dezenas e centenas de milhões de camponeses foram destituídos de sua terra por potências coloniais e obrigados a entrar no mercado de trabalho assalariado, e suas antigas propriedades foram consolidadas para agricultura de cultivo comercial, numa reedição global dos cercos da Grã-Bretanha. Em tempos tanto coloniais quanto pós-coloniais a terra e os recursos naturais do Terceiro Mundo foram cercados, roubados e pilhados por interesses comerciais ocidentais. A atual concentração de terra no Terceiro Mundo nas mãos de elites latifundiárias que produzem em conivência com os interesses do agronegócio ocidental, e de petróleo e recursos minerais nas mãos de corporações ocidentais, é legado direto de quatrocentos anos de roubo colonial e neocolonial.
We of the Libertarian Left, as we understand it at C4SS, want to take back free market principles from the hirelings of big business and the plutocracy, and put them back to their original use: an all-out assault on the entrenched economic interests and privileged classes of our day. If the classical liberalism of Smith and Ricardo was an attack on the power of the Whig landed oligarchs and the moneyed interests, our left-libertarianism is an attack on the closest thing in our own time: global finance capital and the transnational corporations. We repudiate mainstream libertarianism’s role in defense of corporate capitalism in the 20th century, and its alliance with conservatism.
Nós da esquerda libertária, tal como entendida no C4SS, desejamos tomar de volta os princípios do livre mercado das mãos dos assalariados das grandes empresas e da plutocracia, e destiná-los a seu uso original: ataque total aos arraigados interesses econômicos das classes privilegiadas de nossos dias. Se o liberalismo clássico de Smith e Ricardo constituiu ataque ao poder dos oligarcas latifundiários Whig e aos interesses dos abastados, nosso libertarismo de esquerda é ataque ao que mais se parece com aquilo em nosso tempo: o capital financeiro global e as corporações transnacionais. Repudiamos o papel do libertarismo dominante na defesa do capitalismo corporativo do século 20 e sua aliança com o conservadorismo.
We of the Libertarian Left also want to demonstrate the relevance of free market principles, free association and voluntary cooperation in addressing the concerns of today’s Left: Economic injustice, the concentration and polarization of wealth, the exploitation of labor, pollution and waste, corporate power, and structural forms of oppression like racism, sexism, homophobia and transphobia.
Nós da esquerda libertária desejamos também mostrar claramente a pertinência dos princípios de livre mercado, livre associação e cooperação voluntária na abordagem das preocupações da esquerda contemporânea: Injustiça econômica, concentração e polarização da riqueza, exploração do trabalho, poluição e resíduos, e formas estruturais de opressão tais como racismo, sexismo, homofobia e transfobia.
Where robbery or injustice have been done, we take an unflinching stand for full rectification. Wherever ownership of land by neo-feudal elites persists, it should be treated as the rightful property of those whose ancestors have worked and used it. Peasants evicted from land to raise cash crops for Cargill and ADM should be restored to them. Haciendas in Latin America should be opened up for immediate homesteading by landless peasants. The title to vacant and unimproved land in the United States and other settler societies that has been enclosed and held out of use by absentee landlords should be voided. In cases where land originally claimed under such an illegitimate title is currently worked or inhabited by tenants or mortgage-payers, full title should be immediately transferred to them. Corporate title to mines, forests and oilfields obtained through colonial robbery should be voided out.
Onde tenham sido perpetrados roubo ou injustiça, assumimos firme postura favorável a plena retificação. Onde persista propriedade da terra por elites neofeudais, deverá ela ser tratada como propriedade legítima daqueles cujos ancestrais a tenham trabalhado e usado. Camponeses desalojados da terra para instauração de cultivo comercial para Cargill e ADM deveriam ser retornados a ela. Grandes fazendas na América Latina deveriam ser abertas para imediata ocupação produtiva por camponeses sem terra. Os títulos de terra vaga e não melhorada nos Estados Unidos e em outras sociedades de colonos que tenha sido cercada e mantida fora de uso por proprietários ausentes deveriam ser anulados. Nos casos em que a terra originalmente reclamada em virtude de título ilegítimo da espécie esteja sendo atualmente trabalhada ou habitada por inquilinos ou pagadores de hipoteca, deveria ser imediatamente transferida a estes plena titularidade. Títulos de propriedade corporativa de minas, florestas e campos petrolíferos obtidos por meio de roubo colonial deveriam ser anulados.
The minimum list of demands of left-libertarianism should include abolition of all artificial property rights, artificial scarcities, monopolies, entry barriers, regulatory cartels and subsidies, by which virtually the entire Fortune 500 gets the bulk of its profits. It should include an end to all absentee title to vacant and unimproved land, all “intellectual property” monopolies, and all restrictions on free competition in the issue of money and credit or on the free adoption of any and all media of exchange chosen by the parties to a transaction. For example, the abolition of patents and trademarks would mean an end to all legal barriers that prevent Nike’s contractors in Asia from immediately producing identical knockoff sneakers and marketing them to the local population at a tiny fraction of the price, without the Swoosh markup. It would mean an immediate end to all restrictions on the production and sale of competing versions of medications under patent, often for as little as 5% of the price. We want the portion of the price of all goods and services that consists of embedded rents on “property” in ideas or techniques — often the majority of their price — to vanish in the face of immediate competition.
A lista mínima de exigências do libertarismo de esquerda deveria incluir extinção de todos os direitos artificiais de propriedade,  escassez artificial, monopólios, barreiras a entrada, cartéis regulamentadores e subsídios, por meio dos quais todas as 500 da Fortune obtêm o grosso de seus lucros. Deveria incluir fim de todo título de proprietário ausente de terra vaga e não melhorada, todos os monopólios de “propriedade intelectual,” e todas as restrições à livre competição na questão de moeda e crédito, ou na livre adoção de qualquer e todo meio de troca escolhidos pelas partes de transação. Por exemplo, a extinção de patentes e marcas comerciais significaria o fim de todas as barreiras legais que impedem os empreiteiros da Nike na Ásia de produzirem imediatamente imitações idênticas dos tênis e vendê-las à população local por pequena fração do preço, sem o encargo/sobrepreço do Swoosh. Significaria fim imediato de todas as restrições à produção e venda de versões competitivas de remédios patenteados, por amiúde tão pouco quanto 5% do preço. Queremos que a porção do preço de todos os bens e serviços consistente em rendas incorporadas à “propriedade” de ideias ou de técnicas — amiúde a maior parte do preço respectivo — desapareça graças a imediata competição.
Our agenda should include, also, an end to all artificial barriers to self employment, home-based enterprise, and vernacular or self-built housing and other means of low-cost subsistence — that includes licensing and zoning laws or safety codes. And it should include an end to all legal restrictions on the right of labor to organize and to withhold its services under any and all circumstances or to engage in boycotts, and an end to all legal privileges that give certified union establishments the right to restrict wildcatting and other direct action by their rank-and-file.
Nosso programa deverá incluir, ademais, o fim de todas as barreiras artificiais ao autoemprego, à empresa caseira, à residência vernácula ou autoconstruída e a outros meios de subsistência de baixo custo — inclusive leis de licenciamento e zoneamento ou códigos de segurança. E deveria incluir fim de todas as restrições legais ao direito de os trabalhadores se organizarem e de se negarem a prestar serviços em qualquer circunstância ou participarem de boicotes, e fim de todos os privilégios legais que dão a estabelecimentos sindicais certificados direito de restringir paralisações súbitas não oficiais e outras ações diretas por parte de seus trabalhadores de base.
In the case of pollution and resource depletion, the left-libertarian agenda must include an end to all privileged access to land by extractive industries (i.e. the collusion of the U.S. Bureau of Land Management with oil, mining, logging and ranching companies), all subsidies to energy and transportation consumption (including an end to airport and highway subsidies, including the use of eminent domain for those purposes), an end to the use of eminent domain for oil and gas pipelines, the elimination of all regulatory caps on corporate liability for oil spills and other pollution, an end to the doctrine by which minimal regulatory standards preempt more stringent preexisting common law standards of liability, and a full restoration of unlimited liability (as it existed under the original common law of torts) for polluting activity like fracking and mountaintop removal. And it must include, obviously, the role of the U.S. warfare state in securing strategic access to foreign oil basins or keeping sea lanes open for oil tankers.
No caso de poluição e esgotamento de recursos, o programa libertário de esquerda tem de incluir fim de todo acesso privilegiado à terra por indústrias extrativas (isto é, o conluio da Agência de Administração da Terra dos Estados Unidos com empresas de petróleo, mineração, madeireiras e grandes fazendas), todos os subsídios a energia e consumo de transporte (inclusive fim de subsídios a aeroportos e a rodovias, aí incluído o uso de domínio eminente para aqueles propósitos), e fim do uso do domínio eminente para oleodutos e gasodutos, eliminação de todas as limitações regulamentares da responsabilidade corporativa por derrames de petróleo e outras formas de poluição, fim da doutrina segundo a qual os padrões mínimos regulamentares sobrepõem-se a padrões de responsabilização mais estritos da lei consuetudinária preexistente, e plena restauração da responsabilidade ilimitada (como existia na lei consuetudinária original dos delitos civis) por atividade poluente tal como fracking e remoção de cimo de montanha. E tem de incluir, obviamente, o papel do estado beligerante dos Estados Unidos em ganhar acesso estratégico a bacias de petróleo estrangeiras ou em manter rotas marítimas abertas para navios petroleiros.
Corporate capitalism and class oppression live, move and have their being in state intervention on behalf of the privileged and powerful. Genuine free markets, voluntary cooperation and free association will act like dynamite at the foundations of this system of oppression.
O capitalismo corporativo e a opressão de classe movem-se e têm seu ser na intervenção do estado em favor dos privilegiados e poderosos. Genuínos livres mercados, cooperação voluntária e livre associação terão efeito de dinamite nos alicerces desse sistema de opressão.
Any left-libertarian agenda worthy of the name must also include a concern for social justice and combating structural oppression. That means, obviously, an end to all state-enforced discrimination on the basis of race, gender, or sexual orientation. But it means much more.
Qualquer programa libertário de esquerda digno desse nome terá, também, de incluir preocupação com justiça social e luta contra a opressão estrutural. Isso significa, obviamente, fim de toda discriminação imposta pelo estado com base em raça, gênero ou orientação sexual. Significa, porém, muito mais.
True, as libertarians we oppose all legal restrictions on freedom of association, including laws against discrimination by private businesses. But we should enthusiastically support direct action to combat injustice in the social realm. And historically, state non-discrimination laws have served only to codify, grudgingly and after the fact, gains won on the ground through direct action like bus boycotts, lunch counter sit-ins and the Stonewall riots. We should support the use of direct action, social pressure, boycotts and social solidarity to combat structural forms of oppression like racism and rape culture, and challenging internalized norms that perpetuate such systems of coercion.
Verdade, como libertários opomo-nos a toda restrição legal a liberdade de associação, inclusive leis contra discriminação por empresas privadas. Devemos, porém, apoiar entusiasticamente ação direta para combate à injustiça no âmbito social. E, historicamente, as leis estatais contra discriminação só serviram para codificar, de má vontade e depois do fato, triunfos concretos obtidos por meio de ação direta tais como boicotes a ônibus, ocupações de lanchonetes e os distúrbios de Stonewall. Devemos apoiar o uso de ação direta, pressão social, boicotes e solidariedade social para combate a formas estruturais de opressão tais como racismo e cultura de estupro, e o questionamento de normas internalizadas que perpetuam esses sistemas de coerção.
In addressing all forms of injustice, we should take an intersectional approach. That includes a repudiation of the Old Left practices of dismissing race and gender concerns as “divisive” or something to be postponed “until later” in the interest of class unity. It also includes a repudiation of racial and gender justice movements dominated by upper-middle-class professionals, that focus solely on black or female “faces in high places” and “cabinets/boardrooms that look like the rest of America” while leaving the power of those high places, cabinets and boardrooms untouched. The assault on one form of entrenched privilege must not be seen coming at the expense of other struggles; rather, the struggles are all complementary and mutually reinforcing.
Na abordagem de todas as formas de injustiça, deveríamos optar por enfoque interseccional. O qual inclui repúdio das práticas da antiga esquerda de desqualificar preocupações de raça e gênero como “divisivas” ou algo a ser deixado “para mais tarde” no interesse da unidade de classe. Inclui também repúdio de movimentos de justiça racial e de gênero dominados por profissionais da classe média alta, que concentram seus esforços em ver “rostos pretos ou femininos em altas esferas” e “gabinetes/diretorias que se pareçam com o resto dos Estados Unidos” deixando porém intocado o poder dessas altas esferas, gabinetes e diretorias. O ataque a uma forma de privilégio precisa não ser efetuado a expensas de outras lutas: antes, as lutas são todas complementares e reforçam-se mutuamente.
Paying special concern to the intersectional needs of the least privileged comrades in each justice movement — women and people of color in the working class; poor and working women, women of color, transgender women and sex workers within feminism; women and poor and working people within the racial justice movement; etc. — does not divide these movements. It actually strengthens them against attempts by the ruling class to divide and conquer by exploiting internal fracture lines as a source of weakness. For example, the big land-owners defeated the tenant farmer unions in the American South of the 1930s by encouraging and exploiting racial discord and causing the movement to split into separate black and white unions. Any class, racial or sexual justice movement that ignores the intersection of multiple forms of oppression among its own members, instead of paying special attention to the special needs of the least privileged, leaves itself open to the same kind of opportunism. Ultimately, any such attention to intersectional concerns must include a safe spaces approach that creates a welcome atmosphere of genuine debate for all, without the chilling effect of deliberate harassment and slurs.
Devotar preocupação especial às necessidades interseccionais dos colegas menos privilegiados em cada movimento por justiça — mulheres e pessoas de cor na classe trabalhadora; mulheres pobres e trabalhadoras, mulheres de cor, mulheres transgênicas e trabalhadoras do sexo dentro do feminismo; mulheres, pobres e trabalhadores no movimento por justiça racial; etc. — não divide esses movimentos. Na verdade fortalece-os contra tentativas da classe dominante de dividir para conquistar mediante exploração de linhas internas de fratura como fonte de fraqueza. Por exemplo, os grandes proprietários de terras derrotaram os sindicatos de arrendatários rurais no sul estadunidense dos anos 1930 mediante estimularem e explorarem discórdia racial, conseguindo que o movimento se dividisse em sindicatos de brancos e de pretos separados. Qualquer movimento de justiça racial ou sexual que ignore a intersecção de múltiplas formas de opressão no seio de seus próprios membros, em vez de dedicar atenção especial às necessidades especiais dos menos privilegiados, torna-se vulnerável ao mesmo tipo de oportunismo. Em última análise, esse tipo de atenção aos problemas interseccionais tem de incluir abordagem de espaço seguro que crie atmosfera propícia a genuíno debate por todos, sem o efeito paralisador de pressão/intimidação agressiva e insinuações/alegações danosas/insultuosas.
Libertarians — often by our own fault — have been dismissed by many as “pot-smoking Republicans,” adhering to an insular ideology mainly of white middle-class males in Silicon Valley startups. In all too many establishment libertarian publications and online communities, the reflexive tendency is to defend big business against attacks by workers and consumers, landlords against tenants, and Walmart against Main Street, dismissing any critics as enemies of the free market and treating corporations as if they were proxies for market principles. It’s paralleled by a similar tendency to dismiss all concerns for racial and sexual justice as “collectivist.” The result is a movement seen by poor and working people, women and people of color as utterly irrelevant to their concerns. Meanwhile, white male 20-something tech workers explain the lack of women and minorities by reference to their “natural collectivism,” and morosely quote Nock from “Isaiah’s Job” to each other.
Os libertários — amiúde por nossa própria culpa — têm sido desqualificados por muitos como “Republicanos fumadores de maconha,” aderindo a uma ideologia insular principalmente de brancos de classe média de firmas iniciantes do Vale do Silício. Em demasiadas publicações libertárias do establishment e comunidades online, a tendência reflexa é defender as grandes empresas contra ataques de trabalhadores e consumidores, proprietários contra inquilinos, e a Walmart contra as lojas de rua, descartando quaisquer críticos como inimigos do livre mercado e tratando as corporações como se fossem porta-vozes dos princípios de mercado. É paralela a tendência similar de descartar todas as preocupações com justiça racial e sexual como “colectivistas.” O resultado é um movimento visto pelos pobres e pelos trabalhadores, mulheres e pessoas de cor, como totalmente irrelevante para suas preocupações. Enquanto isso, homens brancos na casa dos 20 anos trabalhadores em tecnologia explicam a falta de mulheres e de minorias em função de “coletivismo natural,” e taciturnamente citam uns para os outros o “Trabalho de Isaías” de Nock.
We on the Libertarian Left don’t want to be relegated to the catacombs, or be the modern-day equivalent of Jacobites sitting in the coffee houses and reminiscing about Bonnie Prince Charlie and the ’15. We don’t want to moan about how society is going to hell in a handbasket, while the majority of people fighting to change things for the better ignore us. We want our ideas to be at the center of struggles everywhere for justice and a better life. And we can only do this by treating the real concerns of actual people as if they’re worthy of respect, and showing how our ideas are relevant. This is what we aim to do.
Nós da esquerda libertária não queremos ser relegados às catacumbas, ou ser o equivalente moderno dos jacobitas sentados em cafés recordando o Bonnie Prince Charlie e o ’15. Não queremos gemer acerca de como a sociedade está indo para o vinagre, enquanto a maioria das pessoas que luta para mudar as coisas para melhor nos ignora. Queremos que nossas ideias estejam no centro de lutas por justiça e vida melhor em toda parte. E só poderemos fazer isso mediante abordar as preocupações reais das pessoas reais, vendo-as como dignas de respeito e mostrando que nossas ideias são relevantes. Isso é o que pretendemos fazer.
Translations for this article:
Traduções deste artigo:

No comments:

Post a Comment