Friday, December 19, 2014

The Palestine Chronicle - Whitewashing CIA Torture: ‘We Are (not so) Awesome’ after All



ENGLISH
PORTUGUÊS
The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
Whitewashing CIA Torture: ‘We Are (not so) Awesome’ after All
Caiação da Tortura da CIA: ‘Não Somos (tão) Excelentes’ Afinal
Dec 16 2014 / 4:53 pm
There is little evidence to show that such 'awesomeness' will cease anytime soon.
By Ramzy Baroud
“This is not who we are. This is not how we operate,” were the words of President Barack Obama commenting on the grisly findings of a long-awaited congressional report on the use of torture by the US Central Intelligence Agency (CIA).
“Isto não é quem somos. Isto não é como operamos,” foram as palavras do Presidente Barack Obama comentando os repulsivos resultados de há muito esperado relatório congressional acerca do uso de tortura pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA).
The report is difficult to read, not just because it is awfully long – hundreds of pages of a summary of a nearly 6,000-page investigation, including 38,000 citations based on the review of six million pages – but because it was most disturbing. Parts of it resemble the horror of an extremely dark Hollywood movie. But it was all real: from rectal feeding (as in putting hummus in detainee’s rectums), to rape, to torturing prisoners to death, to blinding prisoners, to forcing them to stand on broken feet, for days. It is beyond ghastly.
O relatório é difícil de ler, não apenas por ser imensamente longo – centenas de páginas de sumário de investigação de aproximadamente 6.000 páginas, inclusive 38.000 citações baseadas em análise de seis milhões de páginas – mas  por ser extremamente preocupante. Partes dele assemelham-se ao horror de filme extremamente tenebroso de Hollywood. Mas foi tudo real: de alimentação retal (como inserção de homus no reto de detentos) a estupro, a tortura de prisioneiros até à morte, a cegamento de prisioneiros, a forçá-los a ficar de pé em cima de pés quebrados, durante dias. É algo além do monstruoso.
Also, it was all useless. Even worse, it is strongly believed that the torture dungeons – many of which were outsourced to other countries, including 25 in Europe, including the democracy and human rights-touting Britain – have achieved little but fabricated information. What else can an innocent man say when there is nothing to say? He can lie, hoping that maybe such lies would save his life.
Ademais, foi também tudo inútil. Pior, acredita-se firmemente que os calabouços de tortura – muitos dos quais terceirizados em outros países, inclusive 25 na Europa, inclusive na Grã-Bretanha alardeadora de democracia e direitos humanos – conseguiram pouco mais do que informação forjada. O que mais homem inocente pode dizer quando nada há para dizer? Ele pode mentir, esperando que talvez tais mentiras salvem sua vida.
Of course, aging accused war criminals like former Vice President, Dick Cheney, were quick to dismiss the report and its detailed brutal interrogation tactics as “full of crap”.
Obviamente, encanecidos acusados de criminosos de guerra, como o ex-Vice-Presidente Dick Cheney, foram lestos em desqualificar o relatório e suas detalhadas táticas de interrogatório brutal como “cheio de disparates”.
Without a shred of remorse, he told Fox News Channel on 10 December, a day after the report was released: “What happened here was that we asked the agency to go take steps and put in place programs that were designed to catch the bastards who killed 3,000 of us on 9/11 and make sure it never happened again, and that’s exactly what they did.”
Sem um pingo de remorso, ele disse ao Canal Fox News em 10 de dezembro, um dia depois de o relatório ser divulgado: “O que aconteceu aqui foi que pedimos à agência para tomar providências e montar programas que apanhassem os bastardos que mataram 3.000 de nós no 11/9 e assegurassem que aquilo nunca mais acontecesse, e foi exatamente o que ela fez.”
It matters little that these “steps” killed innocent people, violated US and international law, and, equally important, lead to nothing but confessions under the duress of torture.
Pouco importa que essas “providências” tenham matado pessoas inocentes, violado a lei dos Estados Unidos e a internacional e, igualmente importante, levassem a nada que não confissões sob a brutalidade da tortura.
Cheney’s complete disregard for human rights and international law is not the exception, but very much defines US attitude towards seemingly unimportant matters as law and due process in its most destructive so-called war on terror. His attitude was echoed repeatedly by many others, who insist on the US’s moral superiority, yet without providing a shred of evidence to validate such an assertion.
O completo desprezo de Cheney por direitos humanos e lei internacional não é exceção, mas define muito bem a atitude dos Estados Unidos em relação a assuntos aparentemente desimportantes tais como lei e processo devido em sua extremamente destrutiva assim chamada guerra ao terror. A atitude dele foi repetidamente imitada por muitas pessoas, que insistem na superioridade moral dos Estados Unidos, sem contudo fornecer qualquer fragmento de evidência para validar tal asserção.
Although one is relieved that the truth was, at least partly, laid bare, thanks to the persistent efforts of members in the Senate Intelligence Committee, the resulting discourse is still disturbing. Aside from the fact that top officials insist that there will be no prosecution for the war criminals, the language of President Obama and others promise little soul searching ahead.
Embora haja alívio por a verdade ter sido, pelo menos parcialmente, desnudada, graças aos persistentes esforços de membros da Comissão de Inteligência do Senado, o discurso resultante ainda é inquietante. À parte o fato de autoridades de cimo insistirem em que não haverá processo para os criminosos de guerra, a linguagem do Presidente Obama e de outros promete pouca perquirição aprofundada à frente.
“This is not who we are,” said Obama.
“Isto não é quem somos,” disse Obama.
Yet, John O. Brennan, the director of the CIA, still defended the agency’s use of the brutal tactics in American gulags, “sidestepping questions about whether agency operatives tortured anyone,” according to the New York Times.
Entanto, John O. Brennan, diretor da CIA, ainda defendeu o uso, pela agência, das táticas brutais nos gulags estadunidenses, “esquivando-se diante de perguntas acerca de se agentes secretos da agência torturaram pessoas,” de acordo com o  New York Times.
“The ‘lunch tray’ for one detainee, which contained hummus, pasta with sauce, nuts and raisins, ‘was ‘pureed’ and rectally infused,” the report said.
“A ‘bandeja de almoço’ para um dos detentos, que continha homus, macarrão com molho, nozes e passas, ‘foi transformada em pasta’ e introduzida retalmente,” disse o relatório.
“This is not how we operate,” Obama said. But how do “we” exactly operate when the report was the outcome of 6 million documents? That is 6,000,000. There can no longer be a “few bad apples” argument made here, as the horrors of Abu Ghraib were once justified.
“Isto não é como operamos,” disse Obama. Como, porém, operamos “nós,” exatamente, quando o relatório foi resultado de 6 milhões de documentos? Foram 6.000.000. Não mais pode ser desenvolvida a argumentação de “alguns poucos maus elementos” aqui, como a usada para justificar, no passado, os horrores de Abu Ghraib.
These practices were carried out for years and involved numerous personnel, numerous prisons and many countries that included almost the entirety of Europe, and some of the biggest human rights violators on earth, including Middle Eastern and African countries. It was financed by a mammoth budget, and continues to be defended, brazenly by those who ordered them, who are unlikely to see their day in court.
Essas práticas foram levadas a efeito durante anos e envolveram numerosos funcionários, numerosas prisões e muitos países abrangendo quase a Europa inteira, e alguns dos maiores violadores de direitos humanos do planeta, inclusive países do Oriente Médio e da África. Foram financiadas por orçamento colossal, e continuam a ser defendidas, insolentemente, por aqueles que as ordenaram e que improvavelmente serão levados a tribunal.
Senate Intelligence Committee chairwoman Dianne Feinstein, was adamant in her rejection of CIA torture. The program was “morally, legally and administratively misguided (and) far more brutal than people were led to believe,” she told the Senate.
A presidente da Comissão de Inteligência do Senado, Dianne Feinstein, foi inflexível em sua condenação da tortura da CIA. O programa era “moral, legal e administrativamente errôneo (e) muito mais brutal do que as pessoas eram levadas a acreditar,” disse ela ao Senado.
Fair enough. But then this torture program is “a stain on our values and on our history.”
Muito que bem. Mas então o programa de tortura é “mácula em nossos valores e em nossa história.”
There is this stubborn insistence on highlighting the same kind of moral superiority, contrary to all evidence. But isn’t the whole so-called war on terror, and the continued American military involvement in the Middle East, the lethal unmanned drone program, which has killed thousands, the unconditional support for Israel and all sorts of oppressive regimes, and much more, all “morally, legally and administratively misguided?”
Há essa obstinada insistência em destacar o mesmo tipo de superioridade moral, contrária a toda evidência. Mas não são a assim chamada guerra ao terror, toda ela, o contínuo envolvimento militar estadunidense no Oriente Médio, o letal programa de aviões não tripulados - drones, que já mataram milhares, o apoio incondicional a Israel e a toda espécie de regimes opressores, e muito mais, todos  “moral, legal e administrativamente errôneos?”
Between Cheney’s bullying attitude and Obama’s/Feinstein’s, which claims that the massive, outsourced program is merely a “stain” on otherwise perfect American values, the report is unlikely to change much. Justice is unlikely to be served.
Entre a atitude intimidadora de Cheney e a de Obama e Feinstein, que afirmam ser o colossal e terceirizado programa meramente “mácula” em no mais perfeitos valores estadunidenses, o relatório improvavelmente mudará grande coisa. Improvavelmente a justiça será satisfeita.
There can be no serious rethink and moral awakening without talking full responsibility, not just of vile torture tactics, but the entirety of the US’s misguided foreign policy which is predicated on violence, and lots of it.
Não pode haver sério repensamento e conscientização moral sem assunção de plena responsabilidade, não apenas de vis táticas de tortura, mas da errônea política externa dos Estados Unidos inteira, que está assentada em violência, e em muita violência.
“I will leave to others how they might want to label these activities,” Brennan said.
“Deixarei a outros dar o nome que desejem para  essas atividades,” disse Brennan.
The report indicated that detainees were tortured before they were even asked to cooperate. How does one label that Mr. Brennan? Even by the logic of those who torture, such tactics are senseless.
O relatório assinala que os detentos eram torturados antes mesmo de ser-lhes pedido que cooperassem. Que nome dar a isso, Sr. Brennan? Mesmo pela lógica daqueles que torturam, tal tática é sem sentido.
Should some insist on the old, tired “few bad apples” argument, the report indicated that in “Detention Site Green” CIA interrogators objected to the continued use of torture, before they were told to carry on by their seniors. No few bad apples. The whole barrel is rotten.
Se alguém insistir na velha e desgastada argumentação dos “poucos maus elementos”, o relatório assinalou que no “Local de Detenção Verde” interrogadores da CIA objetaram ao uso continuado de tortura, antes de ser-lhes determinado, por seus superiores, que fossem em frente. Nada de uns poucos maus elementos. A estrutura inteira está podre.
There can be no justification to what the US has done, not just against suspects in its global wars, but against entire nations, who were completely innocent of any involvement in any terror attacks on 11 September, prior or after that date.
Não pode haver justificativa para o que os Estados Unidos têm feito, não apenas contra suspeitos em suas guerras globais, mas contra nações inteiras, que eram completamente inocentes de qualquer envolvimento em quaisquer ataques terroristas no 11 de setembro, antes, ou depois daquela data. 
But CIA torture being a “stain” on an otherwise flawless record doesn’t suffice either. In fact, in some way, this logic is the heart of the problem, since it blocks any attempt at honest reading of whatever “values” Washington stands for, and tries to achieve, using “soft diplomacy” of “rectal feeding”.
Entanto, ser a tortura da CIA “mácula” em histórico no demais impecável também não basta. Na verdade, de certo modo, essa lógica aloja-se no cerne do problema, visto que inviabiliza qualquer tentativa de leitura honesta de quais sejam “valores” que Washington apoie, e tente materializar, usando a “diplomacia de incentivo” de “alimentação retal”.
What is equally worrying to what the report has contained is the existing mindset in the US, among the ruling class and the media.
Igualmente preocupante no tocante ao que o relatório contém é a postura mental existente nos Estados Unidos, entre a classe dominante e a mídia.
This reality can be best summarised in the words of a Fox News show co-host, Andrea Tantaros: “The United States of America is awesome, we are awesome,” she exclaimed.
Essa realidade pode ser melhor resumida nas palavras da coapresentadora de programa da Fox News Andrea Tantaros: “Os Estados Unidos são excelentes, somos excelentes,” exclamou.
“The reason they want to have this discussion is not to show how awesome we are. This administration wants to have this discussion to show us how we’re not awesome.”
“O motivo de eles desejarem essa discussão é não mostrarem o quanto somos excelentes. Esta administração deseja ter essa discussão para mostrar-nos como não somos excelentes.”
With such overriding thoughtless mindset, there is little evidence to show that such “awesomeness” will cease anytime soon, even if at the expense of many innocent people.
Com predomínio de tal postura mental insensível, há pouca evidência a mostrar que tal  “excelência” cesse em qualquer futuro próximo, mesmo a expensas de muitas pessoas inocentes.
- Ramzy Baroud is an internationally-syndicated columnist, a media consultant, an author and the founder of PalestineChronicle.com. His latest book is My Father Was a Freedom Fighter: Gaza’s Untold Story (Pluto Press, London).
- Ramzy Baroud é colunista internacionalmente consorciado, consultor de mídia, autor, e fundador do PalestineChronicle.com. Seu livro mais recente é Meu Pai Foi Combatente pela Liberdade: História Não Contada de Gaza (Pluto Press, London).

No comments:

Post a Comment