Saturday, December 6, 2014

The Palestine Chronicle - Israel’s ‘Jewish Democracy’ is Now Just ‘Jewish’

The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
Israel’s ‘Jewish Democracy’ is Now Just ‘Jewish’
A ‘Democracia Judaica’ de Israel Agora é Apenas ‘Judaica’
Nov 28 2014 / 9:02 pm
28 de novembro de 2014 / 21:02 hs
'Israel was never a democracy in the classical Western sense of the term.' (Wikimedia/file)
By Ludwig Watzal
Por Ludwig Watzal
Sixty six years after the establishment of the State of Israel, even the most ubiquitous term employed to describe the political nature of Israel, namely as a “Jewish democratic state,” is becoming obsolete. The Netanyahu government and its right-wing coalition partners are preparing a law, which will exclusively define Israel as a “Jewish State” for the benefit of what they define as the “Jewish people”.
Sessenta e seis anos após a criação do Estado de Israel, até a mais ubíqua expressão empregada para descrever a natureza política de Israel, isto é, como “estado democrático judaico,” está-se tornando obsoleta. O governo Netanyahu e seus parceiros de coalização direitista estão preparando lei que definirá Israel como exclusivamente “estado judaico” para benefício do que eles definem como  “povo judeu”.
For independent observers, who do not wear Zionist propaganda glasses, Israel was never a democracy in the classical Western sense of the term, but always a Jewish democracy or a democracy sui generis, i.e. full democratic rights for Jews only. Jewish and democratic just does not fit. It’s an oxymoron. Nonetheless, the Zionist propaganda (hasbara) has left no stone unturned in order to hammer this conceptual contradiction into the Western public mind. The Israeli Palestinians have always been treated as second class citizens. The Israeli political class regards them as a “fifth column” that cannot be trusted.
Para observadores independentes, que não usam óculos de propaganda sionista, Israel nunca foi democracia no sentido ocidental clássico, e sim sempre democracia judaica ou democracia sui generis, isto é, plenos direitos democráticos para os judeus apenas. Judaico e democrático são simplesmente incompatíveis. É oxímoro. Nada obstante, a propaganda sionista (hasbara) não deixou pedra sem ser revolvida a fim de esculpir essa contradição conceptual na mente do público ocidental. Os israelenses palestinos sempre foram tratados como cidadãos de segunda classe. A classe política israelense os enxerga como “quinta coluna” indigna de confiança.
The proposed Basic Law shows that Israel, after 66 years of its existence, is in the dark about its identity. It is a proof of Israel’s shortcomings. From the Israel’s very foundation there existed a built-in contradiction: On the one hand, Israel was declared at its establishment as a “Jewish State in Eretz Yisrael” (Eretz Yisrael in Hebrew is equivalent to historical Palestine), on the other hand, the same Declaration promised to “ensure complete equality of (…) political rights to all its inhabitants irrespective of religion”. It has turned out that Israel could not be both.
A proposta Lei Básica mostra que Israel, depois de 66 anos de existência, está no escuro acerca de sua identidade. É prova de suas deficiências. Desde a própria fundação de Israel existiu uma contradição intrínseca: Por um lado, Israel foi declarado, ao ser instituído, como “Estado Judaico em Eretz Yisrael” (Eretz Yisrael, em hebraico, é equivalente à Palestina histórica) e, por outro, a mesma Declaração prometia “assegurar completa igualdade de (…) direitos políticos a todos os seus habitantes, independentemente de religião”. Veio-se a ver que Israel não podia ser ambos.
According to the “Law of Return” every bona fide Jew in the world could immigrate to Israel and automatically obtain Israeli citizenship. Other laws were enacted in parallel to prevent the return of expelled Palestinians and their right to their land. The contradiction was re-established by the “Nationality Law” of 1952, which reads: “A person who, immediately before the establishment of the State, was a Palestinian citizen (…) shall become an Israel national”.
De acordo com a “Lei do Regresso” todo judeu genuíno do mundo pode imigrar para Israel e automaticamente obter cidadania israelense. Outras leis foram aprovadas em paralelo para impedir o regresso de palestinos expulsos e seu direito a sua terra. A contradição foi reestabelecida pela “Lei da Nacionalidade” de 1952, que reza: “Pessoa que, imediatamente antes da instauração do Estado, era cidadã palestina (…) tornar-se-á nacional de Israel”.
Under the presidency of former Chief Justice Aharon Barak, the Basic Law “Human Dignity and Freedom” was passed, which coined the phrase “Jewish and democratic state” for Israel. The right-wing parties are now up in arms about this construction and consider the High Court of Israel (HCI) in general far too liberal. Some extremists even want to abolish this institution and replace it by a religious court. Due to the significant Palestinian population within Israel, former Israeli governments downplayed the Jewish component in that formula. But since right-wing parties now dominate Israel’s political landscape and parliament, the public was led to accept and even approve of racism and open discrimination of Israel’s Palestinian minority.
Na presidência do ex-Juiz Principal Aharon Barak, a Lei Básica “Dignidade Humana e Liberdade” foi aprovada, cunhando a expressão “estado judaico e democrático” para Israel. Os partidos da direita estão agora subindo nas tamancas em relação a essa expressão e considerando o Supremo Tribunal de Israel (HCI) em geral liberal demais. Alguns extremistas querem até extinguir aquela instituição e substituí-la por tribunal religioso. Face à significativa população palestina dentro de Israel, governos israelenses anteriores minimizaram a importância do componente judeu naquela fórmula. Visto, porém, que hoje partidos de direita dominam o panorama político e o parlamento de Israel, o público foi levado a aceitar e a até aprovar racismo e discriminação franca em relação à minoria palestina de Israel.
As a consequence of popular racism, the Netanyahu cabinet has discussed several versions of a new Basic Law that will finally establish Israel as what has been termed a racist pariah state. The cabinet version was approved by 14 against 6 votes. Should this bill become law, Israel will be an overt ethnocracy. The question which would then arise for Israel’s friends in the US and Europe is, how to reconcile Israel’s self- definition as a Jewish State with democratic values. The West will probably also manage to explain this anachronism, as it has previously justified Israel’s human rights violations, colonialism, violations of international law and closed its eyes on war crimes and atrocities by the Israeli army against Palestinians. Western political elites will find ways to justify or at least explain away this institutional racism.
Como consequência de racismo popular, o gabinete de Netanyahu já discutiu diversas versões de nova Lei Básica que finalmente estabeleça Israel como aquilo que tem sido chamado de estado pária racista. A versão do gabinete foi aprovada por 14 votos a 6. Se o projeto tornar-se lei, Israel será etnocracia sem rebuços. A pergunta então que será suscitada para os amigos de Israel nos Estados Unidos e na Europa é: como conciliar a autodefinição de Israel como Estado Judaico com valores democráticos. O Ocidente provavelmente dará um jeito de explicar também esse anacronismo, como já previamente justificou violações de direitos humanos, colonialismo e violações da lei internacional por Israel, e fechou os olhos para crimes de guerra e atrocidades cometidas pelo exército israelense contra palestinos. Elites políticas ocidentais encontrarão modos de justificar ou pelo menos minimizar a importância desse racismo institucional, encontrando alguma desculpa.
In Israel, the draft presented by the government caused an outcry by the liberal spectrum. Even President Reuven Rivlin spoke out against Netanyahu’s “Jewish state bill”. He called for a referendum and said “democracy and Judaism must remain equal”. He asked at a conference in Eilat: “Does promoting this law, not in fact, question the success of the Zionist enterprise in which we are fortunate to live?” Rivlin is a former Knesset member of Netanyahu’s Likud party with political scores to settle with the Prime Minister. Rivlin decried the elevation of Israel’s Jewish dimension over its democratic one, proposed in some versions of the intended new law.
Em Israel, a versão preliminar apresentada pelo governo causou clamor por parte do espectro liberal. Até o Presidente Reuven Rivlin falou publicamente contra o “projeto de lei de estado judaico” de Netanyahu. Convocou referendo e disse que “democracia e judaísmo precisam permanecer iguais”. Perguntou, numa conferência em Eilat: “Promover essa lei não equivale a questionar o sucesso do empreendimento sionista no qual temos a dita de viver?” Rivlin é antigo membro no  Knesset do partido Likud de Netanyahu com contas políticas a acertar com o Primeiro-Ministro. Rivlin denunciou publicamente a elevação da dimensão judaica de Israel acima da democrática, proposta em algumas versões da nova lei.
The tainted atmosphere that led to this proposed law will neither vanish in the Knesset nor in the Israeli public mind. If the “Jewishness” of the State of Israel will prevail over the democratic one, the “Nation-State of the Jewish people” is going to admit that it is a theocracy guided by racist ideology. In future, the political discussion will have to revolve around the racial aspect of Jewishness and Jewish culture in Israel and less around colonial Zionism that has hitherto served as a vehicle for Israeli Jewish expansionism. Israel has always been a Jewish state. It finally appears to admit that it has no interest in democracy. How will the US Empire and Israel’s European friends react to this new definition of the State of Israel?
A atmosfera poluída que levou à proposta dessa lei não se desvanecerá nem no Knesset nem na mente do público israelense. Se a “judaicidade” do Estado de Israel prevalecer sobre a dimensão democrática, o “Estado-Nação do povo judeu” admitirá ser teocracia guiada por ideologia racista. No futuro, a discussão política terá de girar em torno do aspecto racial da judaicidade e da cultura judaica em Israel e menos em torno do sionismo colonial que até agora tem servido como veículo para o expansionismo israelense judaico. Israel sempre foi estado judaico. Finalmente parece admitir não ter interesse em democracia. Como reagirão o Império dos Estados Unidos e os amigos europeus a essa nova definição do Estado de Israel?
At the end of the day, Israel has to choose between a Jewish state with some democratic embedded particles or a democratic state with a Jewish preponderance. It cannot have the cake and eat it, too. The critics of the term “Jewish democratic state” asked for a “Jewish state”. For some a “Jewish state” might be the solution of the Israeli dilemma, but for others this might be the nail in the coffin for the Zionist enterprise. As a state for all its citizens, the land is light years.
No final das contas, Israel terá de escolher entre ser estado judaico com algumas partículas democráticas incrustadas ou estado democrático com preponderância judaica. Não poderá conservar o bolo e comê-lo ao mesmo tempo. Não poderá acender uma vela a Deus e outra ao Diabo. Os críticos da expressão “estado democrático judaico” pediram um “estado judaico”. Para alguns, “estado judaico” poderia ser a solução do dilema israelense mas, para outros, poderá ser a pá de cal para o empreendimento sionista. O país está a anos-luz de ser estado para todos os seus cidadãos.
- Dr. Ludwig Watzal works as a journalist and editor in Bonn, Germany. Her runs the bilingual blog ‘between the lines.’ He contributed this article to
- O Dr. Ludwig Watzal trabalha como jornalista e editor em Bonn, Alemanha. Gere o blog bilíngue ‘entre as linhas.’ Escreveu este artigo para o

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