Monday, December 29, 2014

The Blog from Nazareth - Israel and Europe’s shared anti-semitism


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Jonathan Cook – The Blog from Nazareth
Jonathan Cook – O Blog de Nazaré
Israel and Europe’s shared anti-semitism
Antissemitismo compartido por Israel e Europa
18 December 2014
Here’s a telling comment from the leader of a Swedish far-right party that throws a little light on the real reason early last century the great colonial power of the time, Britain, sponsored – through the Balfour Declaration – Israel’s creation.
Eis aqui comentário revelador do líder de partido sueco de extrema direita que lança um pouco de luz sobre o real motivo pelo qual, no início do século passado, a grande potência colonial da época, Grã-Bretanha, patrocinou – por meio da Declaração Balfour – a criação de Israel.
Bjorn Soder, leader of the Sweden Democrats party, has demanded that Jews drop their Jewish identity and assimilate if they want to live as Swedish citizens. (I don’t speak Swedish so I can’t check the original story, but the Guardian’s headline suggests Soder’s problem is with Jews in Sweden having a religious identity, which seems improbable. The text of the story indicates that he objects to Jews in Sweden having a Jewish ethnic or national identity. In his view, presumably, this would conflict with a Swedish national identity and raise issues of dual loyalty.)
Bjorn Soder, líder do partido Democratas Suecos, vem de demandar que os judeus renunciem a sua identidade judaica e sejam assimilados, se desejarem viver na Suécia como cidadãos suecos. (Não falo sueco e pois não posso conferir o artigo original, mas a manchete do Guardian sugere que o problema de Soder diz respeito a os judeus, na Suécia, terem identidade religiosa, o que parece improvável. O texto do artigo indica que ele objeta a judeus na Suécia terem identidade étnica ou nacional. Do ponto de vista dele, presumivelmente, isso entraria em conflito com identidade nacional sueca e suscitaria questões de lealdade dual.)
Here’s what he says to critics who accuse him of being anti-semitic: “Those who know me when it comes to Jews know I have long had a very strong commitment to both the state of Israel and the Jewish people.”
Eis o que ele diz a críticos que o acusam de ser antissemita: “Aqueles que me conhecem sabem que, no tocante aos judeus, sempre tive forte compromisso tanto com o estado de Israel quanto com o povo judeu.”
I don’t think he’s being disingenuous here. This attitude towards Jews was one common in Europe last century (and, as we shall see, lingers to this day, especially among Israel’s supporters).
Não acredito que ele esteja sendo insincero. Essa atitude em relação aos judeus era comum na Europa no século passado (e, como veremos, persiste até hoje, especialmente entre apoiadores de Israel).
Soder’s concerns were shared by the European elites of the time, including the British cabinet ministers who devised the Balfour Declaration. Britain’s solution was to encourage Jews to migrate from Europe to the Middle East. To export the “problem”, as they saw it, to the colonies. Other European leaders, most notably Adolf Hitler, would eventually settle on a more extreme solution: the genocide of the Jews in Europe.
As preocupações de Soder eram compartidas pelas elites europeias da época, inclusive pelos ministros do gabinete britânico que elaboraram a Declaração Balfour. A solução da Grã-Bretanha foi estimular os judeus a migrarem da Europa para o Oriente Médio. Para exportar o “problema”, como o viam, para as colônias. Outros líderes europeus, mais notadamente Adolf Hitler, optariam finalmente por solução mais extremada: o genocídio dos judeus da Europa.
In other words, the logic of Israel’s creation and of the extermination of the Jews was intimately related – flipsides of the same deep-seated European racism. Both assumed that Jews were unassimilable, potentially disloyal outsiders who needed either to be expelled or to be killed.
Em outras palavras, a lógica da criação de Israel e o extermínio dos judeus estavam intimamente relacionados – faces diferentes do mesmo racismo europeu profundamente entranhado. Ambos assumindo que os judeus eram inassimiláveis, estranhos potencialmente desleais que precisariam ser ou expelidos ou mortos.

The Zionists both exploited this racism for their own ends (the creation of a Jewish state) and mirrored it, adopting the same ideas as the racists of an identifiable Jewish nation (identified through blood or religion) and one that needed to live apart from other nations.
Os sionistas tanto exploraram esse racismo para seus próprios objetivos (a criação de um estado judaico) quanto o espelharam, adotando as mesmas ideias como racistas de nação judaica identificável (identificada por meio de sangue ou religião) e de nação que precisava viver à parte das outras nações.
Zionism, the movement for creating a Jewish state and one that succeeded only when it agreed that such a state would be built on the Palestinians’ homeland, precisely depended on claims of chosen-ness and Biblical entitlement to territory. Where Europe’s racists believed the Jews should be contained or quarantined in the Middle East, the Zionists believed the Jews should create an ethnically pure national fortress.
O sionismo, o movimento para criação de estado judeu e que só teve sucesso quando concordou em que tal estado seria construído no torrão natal dos palestinos, dependia precisamente de afirmações de povo escolhido e direito bíblico ao território. Enquanto os racistas europeus acreditavam que os judeus deveriam ser contidos ou ficar em quarentena no Oriente Médio, os sionistas acreditavam que os judeus deveriam criar uma fortaleza nacional etnicamente pura.
This is why the idea invented by Israel of a “new anti-semitism” – one distinguishable from historical anti-semitism because it supposedly infects only the left and is marked by criticism of Israel – is so laughable. The true anti-semites have always been the devoted followers of the Zionist movement, the Israeli elites and their many diehard friends in European capitals.
Eis porque a ideia inventada por Israel de “novo antissemitismo” – passível de ser distinguido do antissemitismo histórico porque supostamente infecta apenas a esquerda e caracteriza-se por crítica a Israel – é tão risível. Os verdadeiros antissemitas sempre foram os dedicados seguidores do movimento sionista, as elites israelenses e seus muitos obstinados amigos nas capitais europeias.
Soder and his tinpot racists are small fry compared to that crowd.
Soder e seus racistas de meia pataca são pintos quanto comparados com aquela turma.
UPDATE
ATUALIZAÇÃO
A Swedish reader, Kristoffer Larsson, clarifies Soder’s thinking and makes an important additional point. In the tradition of ethnic nationalists, Soder is trying to insist on a distinction between Swedish citizenship and Swedish nationality, suggesting that there is a deeper Swedishness that one achieves only by identifying exclusively with an imagined Swedish nationality.
Leitor sueco, Kristoffer Larsson, esclarece o pensamento de Soder e aporta importante ponto adicional. Na tradição dos nacionalistas étnicos, Soder está tentando insistir em distinção entre ciadania sueca e nacionalidade sueca, sugerindo existir uma suecidade mais profunda do que aquela que alguém obtém mediante identificar-se exclusivamente com uma imaginada nacionalidade sueca.
Larsson writes:
Larsson escreve:
Björn Söder, who’s one of the leading Sweden Democrats (but not its leader), makes a distinction between citizenship and nationality. He said that Jews, Kurds, Laplanders and other minorities can hold Swedish citizenship without belonging to the Swedish “nation”. His belief is that you can hold several citizenships but only belong to one nation (e.g. Swedish, Jewish, Arab, Kurdish). Hence, if an immigrant wishes to adopt Swedish nationality he must abandon his other nationality/-ies. The problem, he argues, is when there are too many nations in one country; he says it’s preferable if the country’s geographical boundaries are in conjunction with the spread of the main group’s members.
Björn Söder, um dos principais Democratas Suecos (mas não líder deles), estabelece distinção entre cidadania e nacionalidade. Ele disse que os judeus, curdos, lapões e outras minorias podem ter cidadania sueca sem pertencer à “nação” sueca. A crença dele é que alguém pode ter diversas cidadanias, mas só pode pertencer a uma nação (por exemplo, sueca, judaica, árabe, curda). Portanto, se imigrante desejar adotar nacionalidade sueca, terá de abandonar sua(s) outra(s) nacionalidade(s). O problema, argumenta ele, ocorre quando há demasiadas nações dentro de um só país; ele diz ser preferível que os limites geográficos do país estejam em conjunção com o espraiamento dos membros do grupo majoritário.
You will, of course, note the similarity with how things work in Israel: one may be a citizen of the Jewish state without being of Jewish nationality (le’om). So the Jewish community leader mentioned in the Guardian article will condemn Söder for his statement but would adamantly defend Israel even though it has actually implemented this very distinction between nationality and citizenship (likely one of the reasons why Söder supports Israel). I say “would” because no journalist would ever ask her about it, probably because they don’t understand the situation in Israel.
Você, obviamente, notará a similaridade com como as coisas funcionam em Israel: alguém pode ser cidadão do estado judaico sem ser de nacionalidade judaica (le’om). Portanto o líder da comunidade judaica mencionado no artigo do Guardian condenará Soder por sua declaração mas defenderia firmemente Israel embora este tenha em realidade implementado exatamente tal distinção entre nacionalidade e cidadania (provavelmente um dos motivos pelos quais Soder apoia Israel). Digo “defenderia” porque nenhum jornalista jamais perguntará a respeito, provavelmente por não entender a situação em Israel.
In response to my post, Moshe Machover, an Israeli philosopher teaching at London University, makes a similar point more bluntly:
Em reação a minha postagem, Moshe Machover, filósofo israelense que leciona na Universidade de Londres, faz observação similar de maneira mais brusca:
Note that the far-right Swedish politician not only admires Israel, but implicitly concurs with Israel’s leaders who claim that Israel is the nation state of all Jews. It would follow that Israel, not Sweden, is the nation state of Swedish Jews.
Note que o político sueco de extrema direita não apenas admira Israel como, implicitamente, concorda com os líderes de Israel que afirmam que Israel é o estado-nação de todos os judeus. Seguir-se-ia que Israel, não Suécia, é o estado-nação dos judeus suecos.

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