Tuesday, December 2, 2014

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The siege of Julian Assange is a farce - an investigation by John Pilger
O sítio a Julian Assange é farsa - investigação por John Pilger
Published time: November 19, 2014 12:23
Publicado em 19 de novembro de 2014 às 12:23 hs
WikiLeaks founder Julian Assange (AFP Photo)
The siege of Knightsbridge is a farce. For two years, an exaggerated, costly police presence around the Ecuadorean embassy in London has served no purpose other than to flaunt the power of the state.
O sítio de Knightsbridge é farsa. Durante dois anos, presença exagerada e dispendiosa da polícia em torno da embaixada equatoriana em Londres só serviu ao propósito de exibir ostensivamente o poder do estado.
Their quarry is an Australian charged with no crime, a refugee from gross injustice whose only security is the room given him by a brave South American country. His true crime is to have initiated a wave of truth-telling in an era of lies, cynicism and war.
Sua presa é australiano acusado de crime nenhum, refugiado de flagrante injustiça cuja única segurança é o cômodo a ele dado por corajoso país sul-americano. Seu verdadeiro crime é ter iniciado onda de contar a verdade numa época de mentiras, cinismo e guerra.
The persecution of Julian Assange must end. Even the British government clearly believes it must end. On 28 October, the deputy foreign minister, Hugo Swire, told Parliament he would “actively welcome” the Swedish prosecutor in London and “we would do absolutely everything to facilitate that”. The tone was impatient.
A perseguição a Julian Assange precisa acabar. Até o governo britânico claramente acredita que ela precisa acabar. Em 28 de outubro, o ministro do exterior adjunto, Hugo Swire, disse ao Parlamento que “daria entusiásticas boas-vindas” à promotora sueca em Londres e “faríamos absolutamente tudo a nosso alcance para facilitarmos isso”. O tom era de impaciência.
The Swedish prosecutor, Marianne Ny, has refused to come to London to question Assange about allegations of sexual misconduct in Stockholm in 2010 – even though Swedish law allows for it and the procedure is routine for Sweden and the UK. The documentary evidence of a threat to Assange’s life and freedom from the United States – should he leave the embassy – is overwhelming. On May 14 this year, US court files revealed that a “multi subject investigation” against Assange was “active and ongoing”.
A promotora sueca, Marianne Ny, tem-se recusado a ir a Londres para interrogar Assange acerca de alegações de conduta sexual imprópria em Estocolmo em 2010 – embora a lei sueca preveja essa hipótese e o procedimento seja rotina para Suécia e Reino Unido. A evidência documental de ameaça à vida e à liberdade pelos Estados Unidos - se ele deixasse a embaixada - é esmagadora. Em 14 de maio deste ano, arquivos de tribunal dos Estados Unidos revelaram que “investigação de múltiplos tópicos” contra Assange estava “ativa e em andamento”.
Ny has never properly explained why she will not come to London, just as the Swedish authorities have never explained why they refuse to give Assange a guarantee that they will not extradite him on to the US under a secret arrangement agreed between Stockholm and Washington. In December 2010, the Independent revealed that the two governments had discussed his onward extradition to the US before the European Arrest Warrant was issued.
Ny nunca explicou adequadamente por que não irá a Londres, assim como as autoridades suecas nunca explicaram por que se recusam a dar a Assange garantia de não extraditá-lo para os Estados Unidos com base em acordo secreto entre Estocolmo e Washington. Em dezembro de 2010, o Independent revelou que os dois governos haviam discutido sua extradição para os Estados Unidos antes do Mandado Europeu de Detenção - EAW ter sido emitido.
Perhaps an explanation is that, contrary to its reputation as a liberal bastion, Sweden has drawn so close to Washington that it has allowed secret CIA “renditions” – including the illegal deportation of refugees. The rendition and subsequent torture of two Egyptian political refugees in 2001 was condemned by the UN Committee against Torture, Amnesty International and Human Rights Watch; the complicity and duplicity of the Swedish state are documented in successful civil litigation and WikiLeaks cables. In the summer of 2010, Assange had been in Sweden to talk about WikiLeaks revelations of the war in Afghanistan – in which Sweden had forces under US command.
Talvez uma explicação seja que, contrariamente a sua reputação de baluarte liberal, a Suécia se tenha aproximado tanto de Washington que tem permitido “entregas extrajudiciais” secretas da CIA – inclusive deportação ilegal de refugiados. A entrega extrajudicial e subsequente tortura de dois refugiados políticos egípcios em 2001 foi condenada pela Comissão das Nações Unidas contra a Tortura, pela Anistia Internacional e pelos Vigilantes de Direitos Humanos; a cumplicidade e a duplicidade do estado sueco estão documentadas em litígio civil bem-sucedido e em telegramas do Wikileaks. No verão de 2010, Assange havia estado na Suécia para falar acerca das revelações do WikiLeaks acerca da guerra no Afeganistão - onde a Suécia tinha forças sob comando dos Estados Unidos.
The Americans are pursuing Assange because WikiLeaks exposed their epic crimes in Afghanistan and Iraq: the wholesale killing of tens of thousands of civilians, which they covered up; and their contempt for sovereignty and international law, as demonstrated vividly in their leaked diplomatic cables.
Os estadunidenses estão perseguindo Assange porque o WikiLeaks expôs seus épicos crimes no Afeganistão e no Iraque: a matança por atacado de dezenas de milhares de civis, que eles encobriram; e o desprezo deles por soberania e lei internacional, como mostrado vividamente em seus telegramas diplomáticos vazados.
For his part in disclosing how US soldiers murdered Afghan and Iraqi civilians, the heroic soldier Bradley (now Chelsea) Manning received a sentence of 35 years, having been held for more than a thousand days in conditions which, according to the UN Special Rapporteur, amounted to torture.
Por sua parte em revelar como soldados dos Estados Unidos assassinaram civis afegãos e iraquianos, o heroico soldado Bradley (agora Chelsea) Manning recebeu sentença de 35 anos, havendo sido mantido preso por mais de mil dias em condições que, de acordo com o Relator Especial das Nações Unidas, equivaleram a tortura.
Reuters/John Stillwell
Few doubt that should the US get their hands on Assange, a similar fate awaits him. Threats of capture and assassination became the currency of the political extremes in the US following Vice-President Joe Biden’s preposterous slur that Assange was a “cyber-terrorist”. Anyone doubting the kind of US ruthlessness he can expect should remember the forcing down of the Bolivian president’s plane last year – wrongly believed to be carrying Edward Snowden.
Poucas pessoas duvidam de que, se os Estados Unidos pusessem as mãos em Assange, o mesmo fado o aguardaria. Ameaças de captura e assassínio tornaram-se a moeda dos extremos políticos nos Estados Unidos seguindo a ridícula calúnia do vice-presidente Joe Biden de que Assange era “ciberterrorista”. Qualquer pessoa que duvide da implacabilidade que Assange pode esperar deveria lembrar-se do pouso forçado do avião do presidente boliviano no ano passado - erradamente suposto estar carregando Edward Snowden.
According to documents released by Snowden, Assange is on a “Manhunt target list”. Washington’s bid to get him, say Australian diplomatic cables, is “unprecedented in scale and nature”. In Alexandria, Virginia, a secret grand jury has spent four years attempting to contrive a crime for which Assange can be prosecuted. This is not easy. The First Amendment to the US Constitution protects publishers, journalists and whistleblowers. As a presidential candidate in 2008, Barack Obama lauded whistleblowers as “part of a healthy democracy [and they] must be protected from reprisal”. Under President Obama, more whistleblowers have been prosecuted than under all other US presidents combined. Even before the verdict was announced in the trial of Chelsea Manning, Obama had pronounced the whistleblower guilty.
De acordo com os documentos divulgados por Snowden, Assange está numa “lista de alvos de caçada humana”. O empenho de Washington em pegá-lo, dizem telegramas diplomáticos australianos, é “sem precedentes em escala e natureza”. Em Alexandria, Virgínia, júri secreto de instrução despendeu quatro anos tentando engenhar crime pelo qual Assange possa ser processado. Não é fácil. A Primeira Emenda à Constituição dos Estados Unidos protege publicadores, jornalistas e denunciantes. Como candidato à presidência em 2008, Barack Obama elogiou os denunciantes como “parte de democracia saudável [e eles] precisam ser protegidos de represália”. No governo do presidente Obama mais denunciantes foram processados do que nos governos de todos os outros presidentes dos Estados Unidos juntos. Mesmo antes de o veredito ser anunciado no julgamento de Chelsea Manning, Obama já havia declarado o denunciante culpado.
“Documents released by WikiLeaks since Assange moved to England,” wrote Al Burke, editor of the online Nordic News Network, an authority on the multiple twists and dangers facing Assange, “clearly indicate that Sweden has consistently submitted to pressure from the United States in matters relating to civil rights. There is every reason for concern that if Assange were to be taken into custody by Swedish authorities, he could be turned over to the United States without due consideration of his legal rights.”
“Documentos divulgados pelo WikiLeaks desde que Assange mudou-se para a Inglaterra,” escreveu Al Burke, editor da Rede Nórdica de Notícias, autoridade nas guinadas e perigos com que se defronta Assange, “claramente indicam que a Suécia tem-se sistematicamente dobrado a pressão dos Estados Unidos em assuntos relacionados com direitos civis. Há todos os motivos para crer que, se Assange fosse tomado sob custódia das autoridades suecas, seria entregue aos Estados Unidos sem devida consideração de seus direitos legais.”
There are signs that the Swedish public and legal community do not support prosecutor’s Marianne Ny’s intransigence. Once implacably hostile to Assange, the Swedish press has published headlines such as: “Go to London, for God’s sake.”
Há sinais de que o público e a comunidade jurídica sueca não apoiam a intransigência da promotora Marianne Ny. No passado implacavelmente hostil a Assange, a imprensa sueca tem publicado manchetes tais como: “Vá a Londres, pelo amor de Deus.”
Why won’t she? More to the point, why won’t she allow the Swedish court access to hundreds of SMS messages that the police extracted from the phone of one of the two women involved in the misconduct allegations? Why won’t she hand them over to Assange’s Swedish lawyers? She says she is not legally required to do so until a formal charge is laid and she has questioned him. Then, why doesn’t she question him?
Por que ela não quer ir? Mais precisamente, por que ela não permite ao tribunal sueco acesso a centenas de mensagens do SMS que a polícia extraiu do telefone de uma das duas mulheres envolvidas nas alegações de má conduta? Por que ela não as entrega aos advogados suecos de Assange? Ela diz que só será legalmente obrigada a fazê-lo depois de ser formulada acusação formal e de ela tê-lo interrogado. Se assim é, por que ela não o interroga?
This week, the Swedish Court of Appeal will decide whether to order Ny to hand over the SMS messages; or the matter will go to the Supreme Court and the European Court of Justice. In high farce, Assange’s Swedish lawyers have been allowed only to “review” the SMS messages, which they had to memorise.
Esta semana, o Tribunal Sueco de Apelações decidirá se determinará que Ny entregue as mensagens do SMS; ou o assunto irá para o Supremo Tribunal e para a Corte Europeia de Justiça. Em supina farsa, foi permitido aos advogados suecos de Assange apenas “examinarem” as mensagens do SMS, que tiveram de memorizar.
One of the women’s messages makes clear that she did not want any charges brought against Assange, “but the police were keen on getting a hold on him”. She was “shocked” when they arrested him because she only “wanted him to take [an HIV] test”. She “did not want to accuse JA of anything” and “it was the police who made up the charges”. (In a witness statement, she is quoted as saying that she had been “railroaded by police and others around her”.)
As mensagens de uma das mulheres deixam claro que ela não queria que qualquer acusação fosse formulada contra Assange, “mas a polícia estava empenhada em agarrá-lo”. Ela ficou “chocada” quando o detiveram porque ela apenas “queria que ele fizesse teste [de HIV]”. Ela “não quis acusar JA de nada” e “a polícia é que formulou as acusações”. (Em declaração de testemunha, ela é citada dizendo ter sido “coagida pela polícia e por outras pessoas ao redor dela”.)
Neither woman claimed she had been raped. Indeed, both have denied they were raped and one of them has since tweeted, “I have not been raped.” That they were manipulated by police and their wishes ignored is evident – whatever their lawyers might say now. Certainly, they are victims of a saga worthy of Kafka.
Nenhuma das duas mulheres afirmou ter sido estuprada. Na verdade, ambas negaram ter sido estupradas e uma deles tuitou “Não fui estuprada.” Que foram manipuladas pela polícia e seus desejos foram ignorados é evidente – o que quer que os advogados delas possam dizer agora. Certamente, elas são vítimas de uma saga digna de Kafka.
For Assange, his only trial has been trial by media. On 20 August 2010, the Swedish police opened a “rape investigation” and immediately - and unlawfully - told the Stockholm tabloids that there was a warrant for Assange’s arrest for the “rape of two women”. This was the news that went round the world.
Para Assange, seu único julgamento tem sido julgamento pela mídia. Em 20 de agosto de 2010 a polícia sueca abriu “investigação e estupro” e imediatamente - e à margem da lei - disse aos tabloides de Estocolmo existir mandado para detenção de Assange por “estupro de duas mulheres”. Essa foi a notícia que deu volta ao mundo.
In Washington, a smiling US Defense Secretary Robert Gates told reporters that the arrest “sounds like good news to me”. Twitter accounts associated with the Pentagon described Assange as a “rapist” and a “fugitive”.
Em Washington, sorridente Secretário de Defesa Robert Gates disse a repórteres que a detenção “soa para mim como boa notícia”. Contas do Twitter associadas com o Pentágono descreveram Assange como “estuprador” e “fugitivo”.
Less than 24 hours later, the Stockholm Chief Prosecutor, Eva Finne, took over the investigation. She wasted no time in cancelling the arrest warrant, saying, “I don’t believe there is any reason to suspect that he has committed rape.” Four days later, she dismissed the rape investigation altogether, saying, “There is no suspicion of any crime whatsoever.” The file was closed.
Menos de 24 horas mais tarde, a Promotora-Chefe de Estocolmo, Eva Finne, assumiu a investigação. Não perdeu tempo para cancelar o mandado de prisão, dizendo: “Não acredito haver qualquer motivo para suspeitar que ele tenha cometido estupro.” Dois dias depois, cancelou toda a investigação, dizendo: “Não há suspeita de crime nenhum.” O dossiê foi encerrado.
Head of the Swedish investigation in Julian Assange case, Chief prosecutor Marianne Ny (AFP/SCANPIX SWEDEN)
Enter Claes Borgstrom, a high profile politician in the Social Democratic Party then standing as a candidate in Sweden’s imminent general election. Within days of the chief prosecutor’s dismissal of the case, Borgstrom, a lawyer, announced to the media that he was representing the two women and had sought a different prosecutor in the city of Gothenberg. This was Marianne Ny, whom Borgstrom knew well. She, too, was involved with the Social Democrats.
Entra em cena Claes Borgstrom, político proeminente do Partido Social Democrático à época candidato em iminente eleição geral na Suécia. Dentro do prazo de três dias do arquivamento do caso pela promotora-chefe, Borgstrom, advogado, anunciou à mídia estar representando as duas mulheres e ter procurado promotora diferente na cidade de Gothenberg. Era Marianne Ny, a quem Borgstrom conhecia bem. Ela, também, estava envolvida com os Social Democratas.
On 30 August, Assange attended a police station in Stockholm voluntarily and answered all the questions put to him. He understood that was the end of the matter. Two days later, Ny announced she was re-opening the case. Borgstrom was asked by a Swedish reporter why the case was proceeding when it had already been dismissed, citing one of the women as saying she had not been raped. He replied, “Ah, but she is not a lawyer.” Assange’s Australian barrister, James Catlin, responded, “This is a laughing stock … it’s as if they make it up as they go along.”
Em 30 de agosto, Assange apresentou-se voluntariamente a delegacia de polícia em Estocolmo e respondeu a todas as perguntas a ele formuladas. Entendeu o assunto estar dado por encerrado. Dois dias depois, Ny anunciou estar reabrindo o caso. Repórter sueco perguntou a Borgstrom por que o caso estava prosseguindo quando já havia sido arquivado, citando uma das mulheres dizendo não ter sido estuprada. Ele respondeu: “Ah, mas ela não é advogada.” O advogado habilitado a defesa em alta corte de Assange, James Catlin, respondeu, “Isso é uma piada … vão inventando pelo caminho.”
On the day Marianne Ny re-activated the case, the head of Sweden’s military intelligence service (“MUST”) publicly denounced WikiLeaks in an article entitled “WikiLeaks [is] a threat to our soldiers.” Assange was warned that the Swedish intelligence service, SAP, had been told by its US counterparts that US-Sweden intelligence-sharing arrangements would be “cut off” if Sweden sheltered him.
No dia em que Marianne Ny reativou o caso, o chefe do serviço militar de inteligência da Suécia (“MUST”) denunciou publicamente o WikiLeaks em artigo intitulado “WikiLeaks [é] ameaça a nossos soldados.” Assange foi avisado de que o serviço sueco de inteligência, SAP, havia sido informado por suas contrapartes estadunidenses de que acordos de compartilhamento de inteligência entre Estados Unidos e Suécia seria “anulados” se a Suécia o protegesse.
For five weeks, Assange waited in Sweden for the new investigation to take its course. The Guardian was then on the brink of publishing the Iraq “War Logs”, based on WikiLeaks’ disclosures, which Assange was to oversee. His lawyer in Stockholm asked Ny if she had any objection to his leaving the country. She said he was free to leave.
Por cinco semanas Assange esperou na Suécia que a nova investigação seguisse seu curso. O Guardian estava então prestes a publicar os “Diários de Guerra” do Iraque, baseados nas revelações do Wikileaks, que Assange supervisaria. Seu advogado em Estocolmo perguntou a Ny se ela tinha qualquer objeção a ele sair do país. Ela disse que ele era livre para sair.
Inexplicably, as soon as he left Sweden - at the height of media and public interest in the WikiLeaks disclosures - Ny issued a European Arrest Warrant and an Interpol “red alert” normally used for terrorists and dangerous criminals. Put out in five languages around the world, it ensured a media frenzy.
Inexplicavelmente, logo que ele saiu da Suécia - no ápice do interesse da mídia e do público pelas revelações do WikiLeaks - Ny emitiu Mandado Europeu de Detenção e um “alerta vermelho” da Interpol normalmente usado para terroristas e criminosos perigosos. Veiculado em cinco línguas ao redor do mundo, assegurou frenesi da mídia.  
Assange attended a police station in London, was arrested and spent ten days in Wandsworth Prison, in solitary confinement. Released on £340,000 bail, he was electronically tagged, required to report to police daily and placed under virtual house arrest while his case began its long journey to the Supreme Court. He still had not been charged with any offence. His lawyers repeated his offer to be questioned by Ny in London, pointing out that she had given him permission to leave Sweden. They suggested a special facility at Scotland Yard used for that purpose. She refused.
Assange compareceu a delegacia de polícia em Londres, foi detido e passou dez dias na Wandsworth Prison, em confinamento solitário. Solto mediante fiança de £340.000 libras, foi-lhe atrelado dispositivo de rastreamento eletrônico, imposta exigência de prestar contas à polícia diariamente, e foi colocado praticamente em prisão domiciliar enquanto seu caso iniciava sua longa viagem até o Supremo Tribunal. Ainda não havia sido formalmente acusado de qualquer ofensa. Seus advogados repetiram sua oferta de ser interrogado por Ny em Londres, destacando que ela havia dado a ele permissão para sair da Suécia. Sugeriram que dependência especial da Scotland Yard fosse usada para esse propósito. Ela recusou.
Katrin Axelsson and Lisa Longstaff of Women Against Rape wrote: "The allegations against [Assange] are a smokescreen behind which a number of governments are trying to clamp down on WikiLeaks for having audaciously revealed to the public their secret planning of wars and occupations with their attendant rape, murder and destruction... The authorities care so little about violence against women that they manipulate rape allegations at will. [Assange] has made it clear he is available for questioning by the Swedish authorities, in Britain or via Skype. Why are they refusing this essential step in their investigation? What are they afraid of?"
Katrin Axelsson e Lisa Longstaff, da Mulheres Contra Estupro, escreveram: "As alegações contra [Assange] são cortina de fumaça por trás da qual diversos governos estão tentando reprimir o WikiLeaks por haver audaciosamente revelado ao público o planejamento secreto, por eles, de guerras e ocupações, com o estupro, o assassínio e a destruição que as acompanham... As autoridades importam-se tão pouco com a violência contra mulheres que manipulam alegações de estupro a seu talante. [Assange] deixou claro estar disponível para ser interrogado pelas autoridades suecas, na Grã-Bretanha ou via Skype. Por que elas estão-se recusando a esse passo essencial em sua investigação? De que têm medo?"
This question remained unanswered as Ny deployed the European Arrest Warrant, a draconian product of the “war on terror” supposedly designed to catch terrorists and organized criminals. The EAW had abolished the obligation on a petitioning state to provide any evidence of a crime. More than a thousand EAWs are issued each month; only a few have anything to do with potential “terror” charges. Most are issued for trivial offences—such as overdue bank charges and fines. Many of those extradited face months in prison without charge. There have been a number of shocking miscarriages of justice, of which British judges have been highly critical.
Essa pergunta permanecia sem resposta enquanto Ny emitia o Mandado Europeu de Detenção, produto draconiano da “guerra ao terror” alegadamente concebido para apanhar terroristas e criminosos organizados. O EAW havia abolido a obrigação de estado peticionário fornecer qualquer evidência de crime. Mais de mil EAW são emitidos por mês; apenas uns poucos têm qualquer coisa a ver com potenciais acusações de “terror”. A maioria é emitida por causa de ofensas triviais—tais como cobranças bancárias vencidas e multas. Muitos dos extraditados passam meses na prisão sem acusação. Tem havido diversos casos chocantes de erro judicial, fortemente criticados por juízes britânicos.
The Assange case finally reached the UK Supreme Court in May 2012. In a judgment that upheld the EAW – whose rigid demands had left the courts almost no room for manoeuvre - the judges found that European prosecutors could issue extradition warrants in the UK without any judicial oversight, even though Parliament intended otherwise. They made clear that Parliament had been “misled” by the Blair government. The court was split, 5-2, and consequently found against Assange.
O caso Assange finalmente chegou ao Supremo Tribunal do Reino Unido em maio de 2012. Num julgamento que manteve a EAW – cujas rígidas exigências não haviam deixado às cortes quase nenhum espaço para manobra - os juízes concluíram que os promotores europeus podiam emitir mandados de extradição no Reino Unido sem qualquer supervisão judicial, mesmo que o Parlamento pretendesse o contrário. Deixaram claro que o Parlamento havia sido “induzido a erro” pelo governo Blair. O tribunal dividiu-se, 5-2, e consequentemente concluiu contra Assange.
However, the Chief Justice, Lord Phillips, made one mistake. He applied the Vienna Convention on treaty interpretation, allowing for state practice to override the letter of the law. As Assange’s barrister, Dinah Rose QC, pointed out, this did not apply to the EAW.
O Juiz Principal, porém, Lord Phillips, cometeu equívoco. Aplicou a Convenção de Viena à interpretação do tratado, permitindo ao estado fazer caso omisso da letra da lei. Como a advogada de Assange habilitada a defesa em alto tribunal, Dinah Rose QC, destacou, a Convenção não é aplicável ao EAW.
The Supreme Court only recognised this crucial error when it dealt with another appeal against the EAW in November last year. The Assange decision had been wrong, but it was too late to go back.
O Supremo Tribunal só reconheceu esse erro crucial quando ouvindo outro apelo contra a EAW em novembro do ano passado. A decisão acerca de Assange havia sido errada, mas era tarde demais para retroceder. 
Assange’s choice was stark: extradition to a country that had refused to say whether or not it would send him on to the US, or to seek what seemed his last opportunity for refuge and safety. Supported by most of Latin America, the courageous government of Ecuador granted him refugee status on the basis of documented evidence and legal advice that he faced the prospect of cruel and unusual punishment in the US; that this threat violated his basic human rights; and that his own government in Australia had abandoned him and colluded with Washington. The Labor government of prime minister Julia Gillard had even threatened to take away his passport.
A escolha de Assange era paupérrima: extradição pra país que se havia recusado a dizer se ou não o mandaria para os Estados Unidos, ou buscar o que parecia sua última oportunidade de refúgio e segurança. Apoiado pela maior parte da América Latina, o corajoso governo do Equador concedeu a ele condição de refugiado com base em evidência documentada e aconselhamento jurídico segundo o qual ele enfrentava a perspectiva de punição cruel e insólita nos Estados Unidos; a ameaça a ele violava seus direitos humanos básicos; e seu próprio governo na Austrália o havia abandonado e entrado em conluio com Washington. O governo trabalhista da primeira-ministra Julia Gillard havia até ameaçado tomar-lhe o passaporte.
Gareth Peirce, the renowned human rights lawyer who represents Assange in London, wrote to the then Australian foreign minister, Kevin Rudd: "Given the extent of the public discussion, frequently on the basis of entirely false assumptions... it is very hard to attempt to preserve for him any presumption of innocence. Mr. Assange has now hanging over him not one but two Damocles swords, of potential extradition to two different jurisdictions in turn for two different alleged crimes, neither of which are crimes in his own country, and that his personal safety has become at risk in circumstances that are highly politically charged."
Gareth Peirce, o renomada advogada de direitos humanos que representa Assange em Londres, escreveu ao então ministro do exterior australiano, Kevin Rudd: "Dada a extensão da discussão pública, frequentemente na base de assunções inteiramente falsas... é muito difícil tentar preservar, em relação a ele, qualquer presunção de inocência. O Sr. Assange tem agora pairando sobre ele não uma, e sim duas espadas de Dâmocles, de potencial extradição para duas diferentes jurisdições em sucessão por dois diferentes alegados crimes, nenhum dos quais constitui crime em seu próprio país, e sua segurança pessoal tem ficado em risco em circunstâncias altamente carregadas politicamente."
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It was not until she contacted the Australian High Commission in London that Peirce received a response, which answered none of the pressing points she raised. In a meeting I attended with her, the Australian Consul-General, Ken Pascoe, made the astonishing claim that he knew “only what I read in the newspapers” about the details of the case.
Só depois de ter entrado em contato com a Alta Comissão Australiana em Londres Peirce recebeu resposta, a qual não respondia a nenhum dos pontos que ela havia suscitado. Em reunião à qual ela presente, o cônsul-geral australiano, Ken Pascoe, fez a espantosa afirmação e que “só tinha conhecimento do que havia lido nos jornais” acerca dos detalhes do caso.
Meanwhile, the prospect of a grotesque miscarriage of justice was drowned in a vituperative campaign against the WikiLeaks founder. Deeply personal, petty, vicious and inhuman attacks were aimed at a man not charged with any crime yet subjected to treatment not even meted out to a defendant facing extradition on a charge of murdering his wife. That the US threat to Assange was a threat to all journalists, to freedom of speech, was lost in the sordid and the ambitious.
No entretempo, a perspectiva de grotesco erro judicial foi afogada numa campanha vituperativa contra o fundador do WikiLeaks. Ataques profundamente pessoais, mesquinhos, desapiedados e desumanos foram desfechados contra homem não acusado de qualquer crime e, nada obstante, sujeitado a tratamento não dispensado sequer a réu enfrentando extradição por acusação de matar a própria mulher. O fato de a ameaça dos Estados Unidos a Assange ser ameaça a todos os jornalistas, à liberdade de palavra, foi perdido em meio à sordidez e à ambição. 
Books were published, movie deals struck and media careers launched or kick-started on the back of WikiLeaks and an assumption that attacking Assange was fair game and he was too poor to sue. People have made money, often big money, while WikiLeaks has struggled to survive. The editor of the Guardian, Alan Rusbridger, called the WikiLeaks disclosures, which his newspaper published, "one of the greatest journalistic scoops of the last 30 years". It became part of his marketing plan to raise the newspaper’s cover price.
Livros foram publicados, acordos para a feitura de filmes fechados, e carreiras na mídia lançadas ou revigoradas por conta do WikiLeaks e de assunção de que atacar Assange era fácil e ele era pobre demais para entrar com processo. Pessoas têm ganho dinheiro, amiúde muito dinheiro, enquanto o Wikileaks tem lutado para sobreviver. O editor do Guardian, Alan Rusbridger, chamou as revelações do WikiLeaks, que seu jornal publicou, "um dos maiores furos jornalísticos dos últimos 30 anos". Tornou-se parte de seu plano de marketing para aumentar o preço de capa do jornal.
With not a penny going to Assange or to WikiLeaks, a hyped Guardian book led to a lucrative Hollywood movie. The book’s authors, Luke Harding and David Leigh, gratuitously described Assange as a “damaged personality” and “callous”. They also revealed the secret password he had given the paper in confidence, which was designed to protect a digital file containing the US embassy cables. With Assange now trapped in the Ecuadorean embassy, Harding, standing among the police outside, gloated on his blog that “Scotland Yard may get the last laugh”.
Sem um tostão mandado para Assange ou para o Wikileaks, um livro altamente anunciado do Guardian levou a lucrativo filme de Hollywood. Os autores do livro, Luke Harding e David Leigh, gratuitamente descreveram Assange como “personalidade distorcida” e “insensível”. Também revelaram a senha secreta que ele havia dado ao jornal em confiança, a qual visava a proteger arquivo digital contendo os telegramas da embaixada dos Estados Unidos. Com Assange agora preso na embaixada equatoriana, Harding, em meio à polícia do lado de fora, com prazer malsão afixou em seu blog que “A Scotland Yard poderá ser quem rirá por último”.
The injustice meted out to Assange is one of the reasons Parliament will eventually vote on a reformed EAW. The draconian catch-all used against him could not happen now; charges would have to be brought and “questioning” would be insufficient grounds for extradition. “His case has been won lock, stock and barrel,” Gareth Peirce told me, “these changes in the law mean that the UK now recognises as correct everything that was argued in his case. Yet he does not benefit. And the genuineness of Ecuador’s offer of sanctuary is not questioned by the UK or Sweden.”
A injustiça imposta a Assange é um dos motivos pelos quais o Parlamento finalmente votaria uma EAW reformada. O draconiano dispositivo abrangente usado contra ele não poderia acontecer hoje; acusações formais teriam de ser formuladas e “interrogatório” seria base insuficiente para extradição. “Seu processo foi vitorioso de cabo a rabo,” disse-me Gareth Peirce, “essas mudanças na lei significam que o Reino Unido agora reconhece como correto tudo que foi argumentado nesse processo. Apesar disso, ele não se beneficia. E a legitimidade da oferta de refúgio pelo Equador não é questionada pelo Reino Unido ou pela Suécia.”
On 18 March 2008, a war on WikiLeaks and Julian Assange was foretold in a secret Pentagon document prepared by the “Cyber Counterintelligence Assessments Branch”. It described a detailed plan to destroy the feeling of “trust” which is WikiLeaks’ “centre of gravity”. This would be achieved with threats of “exposure [and] criminal prosecution”. Silencing and criminalising this rare source of independent journalism was the aim, smear the method. Hell hath no fury like great power scorned.
Em 18 de março de 2008 guerra a WikiLeaks e Julian Assange foi vaticinada em documento secreto do Pentágono preparado pela “Divisão de Avaliações de Contrainteligência Cibernética”. Descrevia plano detalhado para destruir o sentimento de “confiança” que é o “centro de gravidade” do Wikileaks. Isso seria conseguido com ameaças de “desmascaramento [e] processo criminal”. Silenciar e criminar essa rara fonte de jornalismo independente era o objetivo, caluniar o método. Nem o inferno tem a fúria de uma grande potência desdenhada.
For important additional information, click on the following links:
Para importantes informações adicionais, clique nos seguintes links:
By John Pilger, London-based journalist, film-maker and author.
Por John Pilger, jornalista sediado em Londres, cineasta e autor.
A former war correspondent, Pilger has twice won Britain's highest award for journalism; his documentary films have won television Academy Awards in the UK and the US.
Antigo correspondente de guerra, Pilger já ganhou duas vezes o mais alto prêmio de jornalismo da Grã-Bretanha; seus filmes documentários já ganharam prêmios da Academia em televisão no Reino Unido e nos Estados Unidos.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
As declarações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.

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