Monday, December 8, 2014

RT - Save the Corporations…I mean Children


ENGLISH
PORTUGUÊS
RT
RT
Save the Corporations…I mean Children
Salvem as Corporações…Quero Dizer, as Crianças
Currently a Research Associate at the INSYTE Group, Dr. Roslyn Fuller has previously lectured at Trinity College and the National University of Ireland. She tweets at @roslynfuller
Atualmente Associada de Pesquisa do INSYTE Group, a Dra. Roslyn Fuller já lecionou no Trinity College e na Universidade Nacional da Irlanda. Tuíta em @roslynfuller
Published time: November 28, 2014 15:49
Publicado em 28 de novembro de 2014 às 15:49
Former Minister of the United Kingdom and Global Legacy Award Honoree Tony Blair (AFP Photo/Stephen Lovekin)
When Save the Children chose to bestow the Global Legacy Award on Tony Blair, the charity inadvertently revealed the dark underbelly of NGO activity.
Quando a Save the Children optou por conferir o Prêmio Legado Global a Tony Blair, a instituição de caridade inadvertidamente revelou os bastidores sinistros da atividade da ONG.
When Tony Blair received the Global Legacy Award last week from Save the Children, an organization dedicated to “transforming children’s lives,” it seemed like a bad joke to many people. This, after all, was a man who had been willing to use fabricated evidence to launch an illegal war against Iraq during his time as Britain’s Prime Minister, a conflict that irrevocably “transformed” the lives of thousands of children by killing them. These days Blair is advising the new military regime in Egypt and doing a sideline in Saudi oil kickbacks. We don’t hear too much about children in either of those countries, but I’m willing to bet that living under military or aristocratic dictatorship isn’t too good for the little mites, especially when, as is the case with Saudi Arabia, child marriage is nothing unusual.
Quando Tony Blair recebeu o Prêmio Legado Global na semana passada, da Save the Children, organização dedicada a “transformar vidas de crianças,” aquilo pareceu piada de mau gosto para muita gente. Aquele, afinal de contas, era homem que se dispusera a usar evidência fabricada para deflagrar guerra ilegal contra o Iraque durante seu mandato como Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, conflito que de maneira definitiva “transformou” as vidas de milhares de crianças mediante matá-las. Atualmente Blair está assessorando o novo regime militar do Egito e complementando a féria com propinas para facilitar transações com petróleo saudita. Não ouvimos falar muito de crianças em nenhum desses dois países, mas sou capaz de apostar que viver sob ditadura militar ou aristocrática não é lá muito bom para os pequeninos, especialmente quando, como no caso da Arábia Saudita, casamento de crianças não é nada inusitado.
Considering this track record, I would think that anyone who has simply refrained from hurting children would be more qualified to receive an award from a charity dedicated to their protection than Tony Blair.
Considerando esse histórico, eu acharia que qualquer pessoa que tenha simplesmente se abstido de machucar crianças estaria mais qualificada do que Tony Blair para receber prêmio de instituição de caridade dedicada à proteção dos pequenos.
So how did “Teflon Tony” not only get away with murder, but actually get rewarded for it? Did the good folks at Save the Children simply suffer a regrettable overdose of saintliness, deciding to sweep Blair’s past transgressions under the rug, and judge him not lest they themselves be judged? It sounds like the kind of misguided, goodness-orgy that an organization dedicated to helping children might be susceptible to. But if your idea of charity is still stuck in the age of rending thy cloak in half to clothe the naked, and dividing thy bread to feed the hungry, think again.
Assim, como foi que “Tony Teflon” não apenas safou-se de assassínios como, na verdade, ganhou recompensa por eles? Será que as boas almas da Save the Children simplesmente sofrem de lamentável overdose de santidade, decidindo varrer as transgressões passadas de Blair para baixo do tapete, e não julgá-lo para também não serem julgadas? Isso soa como aquela espécie de orgia equivocada de bondade a que organização dedicada a ajudar crianças poderia ser susceptível. Se contudo sua ideia de caridade ainda for a da época de rasgar sua capa em dois para vestir os nus, e de dividir o pão com quem tem fome, pense de novo.
These days “helping” the needy is big business. Much has (rightly) been made of Save the Children’s direct connections to Blair: UK Chief Executive Justin Forsyth worked for Tony Blair back when he was Prime Minister, as did Fergus Drake, the charity’s UK Director of Programmes. But these two hardly make up the entire decision-making apparatus of the global behemoth that is Save the Children. How did such a disastrous decision slide through the ranks? A quick scan of the current and former occupations of Save the Children’s trustees and top staff shows why the idea of rewarding the former PM slipped down their gullet so effortlessly: Barclays Bank, Unilever, Proctor & Gamble, Xerox, Yahoo, Johnson & Johnson, Pfizer, American Express, Goldman Sachs, KPMG, Coca-Cola, IKEA…the list goes on.
Hoje em dia “ajudar” os necessitados é negócio dos grandes. Muito já se falou (com razão) acerca das conexões diretas da Save the Children com Blair: o Executivo Principal para o Reino Unido, Justin Forsyth, trabalhou com Tony Blair quando este era Primeiro-Ministro, como também Fergus Drake, o Diretor de Programas do Reino Unido daquela instituição de caridade. Esses dois, porém, dificilmente representam o aparato total de tomada de decisões do monstro global que é a Save the Children. Como decisão assim desastrosa desceu pela cadeia hierárquica? Rápida vistoria das funções atuais e anteriores dos diretores e dos comissionados mais altos mostra por que a ideia de recompensar o antigo Primeiro-Ministro desceu-lhes pela garganta tão sem esforço: Barclays Bank, Unilever, Proctor & Gamble, Xerox, Yahoo, Johnson & Johnson, Pfizer, American Express, Goldman Sachs, KPMG, Coca-Cola, IKEA…a lista continua.
Former Prime Minister of the United Kingdom Tony Blair (AFP Photo/Andrew Burton)
With a line up like this behind Save the Children, it’s positively shocking that it took the organization so long to hand old Tony his lifetime achievement award. It would be hard to think of someone who has done more for the corporations that many of the trustees and management staff seem to have such a close relationship with. Not least of these favors would be letting them avoid paying millions in taxes by failing to close loopholes (e.g. Proctor & Gamble and IKEA and Barclays).
Com elenco como esse por trás da Save the Children, é positivamente escândalo a organização ter levado tanto tempo para entregar ao velho Tony seu prêmio relativo ao conjunto de sua carreira. Seria difícil pensar em alguém que tenha feito mais pelas corporações com as quais muitos dos diretores e gerentes parecem ter relacionamento tão próximo. Não os menores desses favores seriam permitir-lhes evitar pagar milhões em impostos mediante deixar de fechar brechas tributárias (por exemplo Proctor & Gamble e IKEA e Barclays).
And, while Save the Children is in the news today, its establishment friendly structure is by no means unusual. Many large NGOs are little more than public sector mirrors of private sector interests, with a top staff that has every reason not to rock the status quo.
E embora a Save the Children esteja nos noticiários atualmente, sua estrutura amigável em relação à elite dominante de modo algum é insólita. Muitas grandes ONG são pouco mais do que espelhos no setor público de interesses do setor privado, com equipe de gerência que tem todos os motivos para não ameaçar o statu quo.
They still fulfill a useful purpose, just not the one projected to the public.
Elas ainda servem a propósito útil, apenas não o projetado para o público.
Governments like to “involve the public” by consulting with NGOs so that they can pretend to meet people halfway and “hear their concerns.” Ensuring that no one in a position of power at those NGOs has any truly radical ideas is a good way to control this conversation while maintaining a paper-thin veneer of political inclusiveness. At the same time big corporations, who are allowed to avoid taxes can donate a small fraction of those funds to the right kind of NGO. By “voluntarily” giving back to the communities they’ve sucked so much out of, as opposed to the “involuntary” way in which everyone else “gives back” on their annual tax return, big corporations can adorn themselves with the laurels of their “community outreach” and “proud sponsorship.” Of course it is only natural for a company that gives such a large donation to be rewarded with a seat on the NGO’s board. Just as it is only natural for governments to “reach out” to the kind of NGO that has a silver-plated list of trustees and upper management that they already do business with rather than one run by the kind of rabble that make uncomfortable demands. It’s a match made in paradise for everyone involved.
Os governos gostam de “envolver o público” mediante levar em consideração as ONG fingindo, assim, estar, até certo ponto, “ouvindo as preocupações” das pessoas. Assegurar que ninguém em posição de poder nessas ONG tenha quaisquer ideias verdadeiramente radicais é boa maneira de controlar essa conversa, enquanto mantendo verniz de inclusão política da espessura de papel. Ao mesmo tempo as grandes corporações, às quais permitido evitar impostos, podem doar pequena fração de tal butim para o tipo certo de ONG. Mediante devolverem “voluntariamente” às comunidades das quais sugaram tanto, em vez de do “involuntário” pelo qual todo mundo mais “devolve” em sua declaração anual de renda, as grandes corporações podem adornar-se com os lauréis de seu “alcance comunitário” e “orgulhoso patrocínio.” Obviamente é apenas natural empresa que faz tão grande doação ser recompensada com assento na diretoria da ONG. Assim como é apenas natural os governos “estenderem a mão” para o tipo de ONG que tem lista folheada a prata de diretores e de gerência superior com os quais já faz negócios, em vez de voltar-se para aquele tipo gerido por gentalha que faz exigências desconfortáveis. É sopa no mel para todos os envolvidos.
Save the Children’s award to Tony Blair may have stepped over the line and provoked outrage, but this problem has been cruising quietly just under the surface for a long time, as big charities have moved so far into lockstep with government and corporate interests as to become virtually indistinguishable from them. You can’t challenge the establishment when you are part of it.
O prêmio da Save the Children a Tony Blair pode ter ido além do aceitável e provocado indignação, mas esse problema lateja subterraneamente há muito tempo, visto que as grandes instituições de caridade aproximaram-se tanto do governo e dos interesses corporativos que acabaram tornando-se praticamente indistinguíveis deles. Ninguém pode questionar a elite dominante quando é parte dela.
But NGOs are good for so much more than just siphoning off domestic disgruntlement into the Kafkaesque world of “civil society discourse.”
As ONG, contudo, são úteis para muito mais do que apenas canalizar a insatisfação doméstica para o mundo kafkaesco do “discurso da sociedade civil.”
NGO just means “non-governmental organization,” i.e. all you really need to be is an organization that is not officially part of the government. And you can slice that pretty fine.
ONG significa apenas “organização não governamental,” isto é, para que exista, basta não ser oficialmente parte do governo. E é possível apresentar isso de modo muito positivo.
Consider the Club of Madrid, composed of nearly 100 former “democratic” Presidents and Prime Ministers (e.g. Bill Clinton, Jimmy Carter) and funded by (among others) the cities of Rotterdam and Madrid, the World Bank, the IMF, the Governments of Belgium and Mexico and the International Development Agencies of Australia and Sweden. The “club” also receives sponsorship from Wal-Mart, Microsoft and NATO. Or perhaps I can interest you in Kenya’s Institute of Economic Affairs brought to you by the Canadian and Swedish International Development Agencies, as well as the European Union and the Center for Private Enterprise. Past donors have included the World Bank, as well as the Dutch and Danish Embassies and the British Council.
Considere o Clube de Madri, composto de cerca de 100 presidentes e primeiros-ministros “democráticos” (p.ex. Bill Clinton, Jimmy Carter) e financiado (entre outros) pelas cidades de Rotterdam e Madri, Banco Mundial, FMI, governos de Bélgica e México e agências de desenvolvimento internacional de Austrália e Suécia. O “clube” também recebe patrocínio de Wal-Mart, Microsoft e OTAN. Ou talvez eu consiga despertar seu interesse no Instituto de Assuntos Econômicos do Quênia levado a você pelas agências de desenvolvimento internacional canadense e sueca, bem como pela União Europeia e pelo Centro da Empresa Privada. Doadores do passado incluem o Banco Mundial, bem como as embaixadas holandesa e dinamarquesa e o Conselho Britânico.
Club of Madrid (Flickr.com/ Club de Madrid)
Some NGO’s receive more than 90 percent of their budget from a single government source, sometimes a foreign government. This is particularly prevalent in Eastern Europe and Central Asia.
Algumas ONG recebem mais de 90 por cento de seu orçamento de uma única fonte de governo, por vezes de governo estrangeiro. Isso é particularmente prevalente no Leste Europeu e na Ásia Central.
In Kyrgyzstan between 70-100 percent of the budget of a typical NGO is provided by foreign donors and “the overwhelming majority” of NGO officials recognized operating there “that the accountability of an NGO to the donor is a top priority.” A study conducted in Georgia, Moldova and the Ukraine revealed that only one-fifth of NGOs agreed that their strength came from their membership base. The researchers concluded that “the elitist nature of NGOs” could be attributed to the fact that they received most of their funding from foreign sources, citing frequent NGO meetings with foreign embassies. These kinds of NGOs are sometimes called “AstroTurf”, because they don’t have any real support – they’re merely a front organizations meant to pursue the agenda of whoever holds the checkbook, often without the full knowledge of those actually doing the work on the ground. These aren’t charities but weapons in the endless battle that is global politics, quite literally a fifth column operating behind enemy lines. According to American politician Ron Paul, the US funneled $5 billion through NGOs active in Ukraine in the service of overthrowing Victor Yanukovich’s government. It is pause for thought, especially when one notes the ferocity with which donor nations resist the slightest regulation of NGO activity in foreign nations.
No Quirguistão, de 70 a 100 por cento do orçamento de uma ONG típica são fornecidos por doadores estrangeiros e “a avassaladora maioria” das autoridades das ONG que ali reconhecidamente funcionam reconheceu “que a prestação de contas de uma ONG ao doador é prioridade máxima.” Estudo conduzido na Geórgia, Moldávia e Ucrânia revelou que apenas um quinto das ONG concordava com que sua força vinha da respectiva base de membros. Os pesquisadores concluíram que “a natureza elitista das ONG” podia ser atribuída ao fato de elas receberem a maior parte de seu financiamente de fontes estrangeiras, citando frequentes reuniões de ONG com embaixadas estrangeiras. Esses tipos de ONG são por vezes chamados de “grama artificial”, porque não têm qualquer suporte real - são meramente organizações de fachada dispostas a perseguir a agenda de quem detiver o talão de cheques, amiúde sem conhecimento pleno daqueles que realmente fazem o trabalho em campo. Não são instituições de caridade mas armas na infindável batalha que é a política global, muito literalmente quintas-colunas funcionando atrás das linhas inimigas. De acordo com o político estadunidense Ron Paul, os Estados Unidos canalizaram $5 biliões de dólares por meio de ONG ativas na Ucrânia a serviço de derrubarem o governo de Victor Yanukovich. Dá o que pensar, especialmente quando se observa a ferocidade com que nações doadoras resistem à mais tênue regulamentação de atividades de ONG em nações estrangeiras.
When Russia passed a law in 2012 requiring that NGOs register as foreign agents if they received foreign funding it was touted around the world as proof of Vladimir Putin’s insanity. How dare he try to get foreign NGOs to do something as demeaning as register, an action all “real” foreign people already have to undertake when they set up in most European countries, including Russia? My guess would be that one dares these things when foreign-funded NGOs start meeting with embassies from donor nations. That’s the kind of activity that rings alarm bells.
Quando a Rússia aprovou lei, em 2012, exigindo que as ONG, caso recebessem financiamento do exterior, se registrassem como agentes estrangeiras, isso foi trombeteado ao redor do mundo como prova da insanidade de Vladimir Putin. Como tem ele a audácia de tentar obrigar ONG estrangeiras fazerem algo tão atentatório à dignidade quanto registrarem-se, algo que todas as pessoas estrangeiras “reais” já têm de fazer ao estabelecerem-se na maioria dos países estrangeiros, inclusive a Rússia? Minha impressão é que ninguém se atreve a fazer essas coisas quando ONG com financiamento estrangeiro começam a fazer reuniões com embaixadas de nações doadoras. É o tipo de atividade que faz soar campainhas de alarme. 
There are, of course, real grassroots NGOs out there, somewhere beyond the circle of limelight that encloses the gala dinners and fancy trophies. There are people who do good work, providing relief or a hand up for those most in need, but Blair’s Global Legacy Award shows just how much all of their efforts have been hijacked by the fraud that global “charity” has become, an empty shell all too happy to glad-hand those at the top while kicking those at the bottom.
Há, naturalmente, ONG realmente de base, de certo modo fora do círculo do foco de atenção pública que se forma ao redor de jantares de gala e sofisticados troféus. Há pessoas que fazem bom trabalho, proporcionando assistência ou ajuda para os mais necessitados, mas o Prêmio de Legado Global de Blair mostra apenas o quanto todos os esforços de tais pessoas foi sequestrado pela fraude em que a “instituição de caridade” global se tornou, instituição sem conteúdo que se compraz em saudar efusivamente os que estão por cima enquanto chuta os que estão por baixo.
Some of the statistics in this article taken from: Anara Musabaeva “Responsibility, Transparency and Legitimacy of Socially-Oriented NGOs in Kyrgyzstan”, International NGO Training and Research Centre, January 2013
Algumas das estatísticas deste artigo obtidas de: Anara Musabaeva “Responsabilidade, Transparência e Legitimidade de ONG Socialmente-Orientadas no Quirguistão”, Centro de International de Treinamento e Pesquisa de ONG, janeiro de 2013
Orysia Lutsevych “Briefing Paper, How to Finish a Revolution: Civil Society and Democracy in Georgia, Moldova and Ukraine” Chatham House.
Orysia Lutsevych “Documento de Apresentação de Fatos e Informações Relevantes, Como Acabar com uma Revolução: Sociedade Civil e Democracia em Geórgia, Moldávia e Ucrânia” Chatham House.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
As declarações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente da autora e não necessariamente representam os do RT.

No comments:

Post a Comment