Thursday, December 4, 2014

RT - Does America realize the consequences of forcing Russia into China’s arms?


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Does America realize the consequences of forcing Russia into China’s arms?
Será que os Estados Unidos entendem as consequências de empurrarem a Rússia para os braços da China?
Bryan MacDonald is a Russia-based Irish journalist and media commentator who focuses on Russia and its hinterlands and international geo-politics.
Bryan MacDonald é jornalista e comentador de mídia sediado na Rússia especializado em Rússia, suas áreas internas remotas e sua geopolítica internacional.
Published time: December 03, 2014 16:02
Publicado em 03 de dezembro de 2014, 16:02
A soldier from the US Pennsylvania National Guard (L) takes part in a field training exercise during the first phase Saber Strike 2014, at the Rukla military base, Lithuania, on June 14, 2014. (AFP Photo)
In Ukraine, the US is cutting off its nose to spite its face, as it transforms a regional struggle over “spheres of influence” into a global one. Unless the runaway train is swiftly derailed, the world faces a 21st century standoff between east and west.
Na Ucrânia, os Estados Unidos estão cortando fora o nariz para desfigurar o rosto, ao transformarem luta regional a propósito de “esferas de influência” em combate global. A menos que o trem descontrolado seja rapidamente descarrilado, o mundo ver-se-á diante de impasse de século 21 entre leste e oeste.
In 867 AD, Æbbe the Younger, Mother Superior of the convent at Coldingham in Scotland cut off her nose and upper lip and urged her fellow nuns to also disfigure themselves. It wasn’t for sacrificial reasons; it was because Viking raiders had landed nearby and the Abbess feared they would rape the community and deprive them of their chastity. By destroying their appearance, Mother Æbbe, correctly, guessed the Nordic marauders would show no interest. She was right - the Vikings were so disgusted that they burned the entire convent to the ground.
In 867 A.D, Æbbe a Jovem, Madre Superiora do convento de Coldingham na Escócia, cortou fora seu nariz e seu lábio superior e instou suas companheiras freiras a também se desfigurarem. Não por razões de sacrifício; e sim porque invasores vikings haviam aportado por perto e a abadessa temia que eles estuprassem a comunidade, privando as freiras de sua castidade. Mediante a ruína da própria aparência, Madre Æbbe, corretamente, conjecturara que os invasores nórdicos não mostrariam interesse. Estava certa - os vikings sentiram tanta repulsa que incendiaram o convento inteiro até não sobrar nada.
From this event was born the phrase “cutting off the nose to spite the face.” Although the original circumstances were slightly different, the term is a warning against pursuing revenge in a way that would damage the instigator more than the object of the anger. The USA is doing precisely this in its current attitude to Russia. By “punishing” Russia for resisting Western attempts to “grab” Ukraine, it is laying the foundations for a far more serious estrangement.
Desse evento surgiu a expressão “cortar o nariz para desfigurar a face.” Embora as circunstâncias originais fossem ligeiramente diferentes, a expressão é advertência contra perseguir vingança de maneira que prejudique o incitador mais do que o objeto da ira. Os Estados Unidos estão fazendo precisamente isso com sua atual atitude em relação à Rússia. Ao “punirem” a Rússia por esta resisitir a tentativas ocidentais de “açambarcar” a Ucrânia, estão deitando os alicerces de estranhamento muito mais sério.
A feud that began when President Putin stymied the hopes of elements in Washington to wage war with Syria now has the potential to reshape the entire world. You all know the story by now, neocon factions in the State Department took revenge against Putin's perceived stubbornness by ratcheting up tensions in Ukraine, leading to a violent revolution and civil war. The Crimean people voted to rejoin Russia and Washington, in tandem with the EU, imposed sanctions on Moscow.
Rixa que surgiu quando o Presidente Putin frustrou as esperanças de elementos em  Washington de guerra à Síria tem agora potencial para redelinear o mundo inteiro. Todos vocês agora já sabem da história, facções neocons no Departamento de Estado vingaram-se do que interpretaram como teimosia de Putin açulando tensões na Ucrânia, levando a revolução violenta e guerra civil. O povo da Crimeia votou por reintegrar-se à Rússia e Washington, juntamente com a União Europeia - EU, impôs sanções a Moscou.
Except they weren’t the kind of sanctions designed to damage Russia’s ability to defend itself. Instead, they were clearly aimed at regime change by targeting close supporters of the Russian President. Subsequently, the short-sighted sanctions led to unprecedented approval ratings for Putin as the Russian people rallied around their leader. In their eyes, an attack on their President was an attack on the nation. What the State Department meddlers didn't countenance is that Russians, with high levels of education, are too savvy to be hoodwinked by playground tactics.
Só que não foram os tipos de sanções concebidas para prejudicar a capacidade da Rússia de defender-se. Pelo contrário - foram claramente assestadas para provocar mudança de regime ao visarem estreitos apoiadores do presidente russo. Subsequentemente, tais sanções de visão curta levaram a avaliações positivas sem precedentes em relação a Putin, pois o povo russo cerrou fileiras em torno de seu líder. A seus olhos, ataque a seu presidente era ataque à nação. O que os intrujões do Departamento de Estado não previram é que os russos, com altos níveis de educação, são esclarecidos demais para serem engrupidos com táticas de intimidação.
Since then, bilateral relations between the White House and the Kremlin have reached their lowest point since the Russian Federation was founded in 1991. This has happened only 4 years after Putin advocated a free trade agreement between the EU and Russia. “A harmonious economic community stretching from Lisbon to Vladivostok,” as he wrote in Germany’s Süddeutsche Zeitung at the time.
Desde então, relações bilaterais entre a Casa Branca e o Kremlin chegaram a seu ponto mais baixo desde a fundação da Federação Russa em 1991. Isso aconteceu quatro anos apenas após Putin ter defendido acordo de livre comércio entre União Europeia e Rússia. “Comunidade econômica harmoniosa estendendo-se de Lisboa a Vladivostok,” como escreveu ele no alemão Süddeutsche Zeitung à época.
In 48 months we have gone from a prospective giant Western alliance, with Russia at its centre, to a situation where Russia is now ready to possibly join an Eastern alliance led, to all intents and purposes, by China. We know neocons aren’t the brightest lights in the firmament but are they really this stupid?
Em 48 meses passamos de gigantesca aliança ocidental em perspectiva, com a Rússia no centro dela, para situação na qual a Rússia agora está pronta para possivelmente juntar-se a aliança oriental liderada, sob todos os aspectos importantes, pela China. Sabemos que os neocons não são as luzes mais fulgurantes do firmamento, mas chegam a nível tão grande de estupidez?
Russian President Vladimir Putin, left, and Chinese President Xi Jinping (RIA Novosti)
If you didn’t know the personalities involved and were asked to suggest the obvious alignment of the world, you’d probably say that Russia’s place was in the European camp. It shares a Christian faith with the rest of the continent and has always been at least a “slightly” European power - much like the United Kingdom.
Se vocês não conhecessem as personalidades envolvidas e fosse pedido que sugerissem o alinhamento óbvio do mundo, provavelmente diriam que o lugar da Rússia seria no arraial europeu. Ela compartilha fé cristã com o resto do continente e tem sido sempre potência pelo menos “levemente” europeia - de modo muito parecido ao do Reino Unido.
In truth, Russia has little in common with Asian cultures, aside from geography. Even in the far eastern outpost of Vladivostok (which is on the far side of China), an Italian is far more likely to blend in than a Malaysian. This is not related to appearance - there are many ethnic east-Asians in the region, who regard themselves as thoroughly Russian and, by virtue, European. Indeed there are millions of people east of the Urals who have actually never set foot in what is generally considered to be Europe, but describe themselves as being Europeans. It’s a state of mind but, then again, Europe has always been as much an idea as a place.
Na verdade, a Rússia tem pouco em comum com a cultura asiática, fora a geografia. Mesmo no posto avançado do extremo oriente de Vladivostok (que fica além da China), um italiano muito mais provavelmente se sentirá à vontade do que um malaio. Isso não diz respeito a aparência - há muitos asiáticos orientais étnicos na região que se veem como totalmente russos e, em decorrência, europeus. Na verdade há milhões de pessoas a leste dos Urais que nuncam puseram o pé no que é geralmente considerado Europa, mas descrevem-se como europeias. É um estado de espírito mas, convenhamos, a Europa sempre foi tanto ideia quanto lugar.
For years commentators have speculated: “imagine Russia’s resources and military power with Western Europe’s technology and fiscal heft?” It would, of course, be the single most powerful economic and martial bloc in the world. Not only that, but such a rapprochement makes complete sense and has done since 1991.
Por anos comentadores especularam: “imaginem os recursos e o poderio militar da Rússia juntos com a tecnologia e a carga fiscal da Europa?” Seria, obviamente, individualmente, o bloco econômico e marcial mais poderoso do mundo. Não apenas isso, mas tal aproximação faz completo sentido e o faz desde 1991.
However, it is Washington’s worst nightmare. An EU-Russia alliance and partial union would erode America’s influence in Europe. Hence, to knock it on head, just as it seemed Germany was warming to the notion, the US has managed to drive a massive wedge between Moscow and its natural allies in Europe.
Entretanto, é o pior pesadelo de Washington. Aliança e união parcial União Europeia-Rússia erodiriam a influência dos Estados Unidos na Europa. Portanto, para impedir que isso aconteça, logo quando parecia que a Alemanha estava ficando simpática à noção, os Estados Unidos trataram de enfiar enorme cunha entre Moscou e seus aliados naturais na Europa.
Before they clap themselves on the back too loudly, the Americans might want to pause for a second. In pursuing this haphazard course, they’ve managed to send Russia hurtling into China’s warm embrace.
Antes de baterem nas costas de modo demasiado ruidoso, os estadunidenses poderiam desejar fazer pausa por um segundo. Ao trilharem esse caminho errático, conseguiram levar a Rússia a despencar-se para receber o afetuoso abraço da China.
Thus, cutting off their nose to spite their face. Instead of allowing a tri-polar world, the US in control of the Americas, China in Asia, and a giant Eurasian alliance as a buffer - Washington has managed to create a much more confrontational bi-polar world. In the blue corner, the USA and a castrated, divided Europe which is being pulled in all kinds of directions and in the red corner, a resurgent China and a Russia that, most likely, would prefer to be in a different corner altogether, or none,
Portanto, cortando fora o nariz para desfigurar a face. Em vez de permitirem mundo tripolar, os Estados Unidos controlando as Américas, a China na Ásia, e uma gigantesca aliança eurasiana como tampão - Washington tem diligenciado por criar mundo bipolar muito mais tendente a confronto. No canto azul, os Estados Unidos e Europa castrada e dividida puxada em todos os tipos de direção e, no canto vermelho, ressurgente China e Rússia que, muito provavelmente, preferiria estar em canto completamente diferente, ou em nenhum.
This is the way the US State Department wishes the world to be - in a constant state of chaos. Now, instead of a US-EU-Russia detente, they have managed to manufacture a new Cold War for the 21st century with Ukraine as the new Berlin.
Essa é a maneira de ser que o Departamento de Estado dos Estados Unidos deseja para o mundo - em constante estado de caos. Agora, em vez de uma detente Estados Unidos - União Europeia - Rússia, conseguiu manufaturar nova Guerra Fria para o século 21 com a Ucrânia como nova Berlim.
A Chinese Type 86A IFV seen during the final rehearsal of the joint Russia-China anti-terror exercise Peace Mission (RIA Novosti)
With Russia alienated by the West and China eager to buy high-end weaponry, a joint military pact seems the likely outcome. Concurrently, the previously zombie-like NATO has awoken like a pensioner who was discovered house music and fancies a last youthful dance.
Com a Rússia alienada pelo Ocidente e a China ávida por comprar armamentos de ponta, parece provável pacto militar conjunto. Simultaneamente, a anteriormente morta-viva OTAN despertou como aposentado que, vivendo de pensão, tenha descoberto discoteca com música eletrônica e comece a sonhar com uma última dança em estilo jovem.
If a Moscow-Beijing military alliance does take shape, such a bloc would dominate the Eurasian landmass, with naval bases all the way from the Baltic, via the Arctic and Pacific, to the South China Sea. A union between Russia's advanced weaponry and China's huge population and industrial muscle would eventually prove a match for NATO, thereby giving the US an excuse to ratchet up military spending. If Europe attempted to follow suit, it would likely deepen its economic malaise. The main point is that the whole notion is such an incredibly wasteful use of finite global resources.
Se aliança militar Moscou-Beijing viesse a concretizar-se, tal bloco dominaria a massa continental eurasiana, com bases navais em toda a extensão do Báltico, via Ártico e Pacífico, ao Mar do Sul da China. União entre os armamentos avançados da Rússia e enorme população e poderio industrial da China poderia em última análise revelar-se páreo para a OTAN, dando assim aos Estados Unidos pretexto para ampliar o dispêndio militar. Se a Europa tentar seguir o exemplo, isso provavelmente aprofundará seu mal-estar econômico. O ponto principal é que tudo isso representará desperdício inacreditável de recursos globais finitos. 
The confrontation between Russia and the West is a gift that keeps on giving for China. Just as the self-destruction of the Euro-centric world a century ago allowed the building a new US-centric system, the weakening of the US will probably result in China becoming the world’s leading power. Europe’s last chance to stake its own claim, has evaporated into thin air thanks to a bone-headed, subservient (to Washington) strategy in eastern part of the continent. Europe’s inability to separate the European Union from the archaic NATO has been its undoing.
O confronto entre Rússia e Ocidente é um presente que rende dividendos para a China. Do mesmo modo que a autodestruição do mundo eurocêntrico, há um século, permitiu a edificação de novo sistema centrado nos Estados Unidos, o enfraquecimento dos Estados Unidos provavelmente resultará em a China tornar-se a potência mais importante do mundo. A última oportunidade da Europa de fazer valer seus direitos evaporou-se completamente graças a uma estratégia imbecil subserviente (a Washington) na parte ocidental do continente. A incapacidade da Europa de separar a União Europeia da arcaica OTAN tem sido sua desgraça. 
Four years after Putin proposed a Russian-EU alliance from “Lisbon to Vladivostok,” we instead have an embryonic new Cold War. It’s not too late to halt the wagons but time is limited. The next US administration, if it’s sufficiently blessed to be shorn of neocons, must decide which is more important to it: to antagonize Russia in the eastern borderlands, losing its world hegemony in the process, or to find a way of resolving friction with Moscow, thus halting the process of China’s accession to the role of global superpower.
Quatro anos depois de Putin ter proposto aliança Rússia - União Europeia de “Lisboa a Vladivostok,” temos, em vez de, nova Guerra Fria em embrião. Não é tarde demais para parar os carros, mas o tempo é limitado. A próxima administração dos Estados Unidos, se abençoada a ponto de ver-se tosquiada de neocons, terá de decidir o que é mais importante para si: antagonizar a Rússia nas fronteiras orientais, perdendo, nesse processo, sua hegemonia, ou encontrar forma de resolver a fricção com Moscou, sustando dessarte o processo de atingimento, pela China, da condição de superpotência global.
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.

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