Saturday, November 15, 2014

RT - US-Russia sanctions war a golden opportunity


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US-Russia sanctions war a golden opportunity
Guerra de sanções Estados Unidos - Rússia, oportunidade de ouro
William Engdahl is an award-winning geopolitical analyst and strategic risk consultant whose internationally best-selling books have been translated into thirteen foreign languages.
William Engdahl é premiado analista geopolítico e consultor de risco estratégico cujos livros internacionalmente entre os mais vendidos já foram traduzidos para treze línguas diferentes.
Published time: August 14, 2014 13:01
Publicado em 14 de agosto de 2014 às 13:01 hs
RIA Novosti / Aleksandr Kondratuk
Now, it all depends on how well Russia’s leaders realize the chance they have to turn adversity into opportunity.
Agora, tudo depende de como os líderes da Rússia percebam a oportunidade que têm de transformar adversidade em oportunidade.
The ongoing US-led financial and economic sanctions war against Russia being waged by Washington and European NATO countries in recent weeks holds the seeds of a profound revolution in the global food chain, and a sound defeat for the globalized industrial “agribusiness revolution” of the past 50+ years that has so ruined the health and nutrition of most of the world.
A guerra em andamento de sanções financeiras e econômicas deflagrada pelos Estados Unidos contra a Rússia conduzida por Washington e países europeus da OTAN nas semanas recentes encapsula as sementes de profunda revolução na cadeia alimentar mundial, e de severa derrota da globalizada industrial “revolução do agronegócio” dos últimos 50+ anos que tanto tem arruinado a saúde e a nutrição da maior parte do mundo.
After patiently waiting during weeks of escalating sanctions on the financial, energy and defense sectors of the Russian economy over the ongoing crisis in Ukraine for precisely what crime or crimes no one is even certain anymore, Russian President Vladimir Putin and Prime Minister Dmitry Medvedev have finally made a definitive response.
Depois de esperar pacientemente durante semanas de sanções em escalada contra os setores financeiro, energético e de defesa da economia russa a propósito da crise em andamento na Ucrânia por precisamente que crime ou crimes ninguém mais sabe com certeza, o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro Dmitry Medvedev finalmente deram resposta definitiva.
Vladimir Putin signed a decree on August 6 banning imports of agricultural and food products from countries that have imposed sanctions on Russia. Moscow has banned beef, pork, poultry and dairy products, as well as fruit and vegetables from the United States, the European Union, Canada, Australia and Norway for one year.
Vladimir Putin assinou decreto em 6 de agosto proibindo importações de produtos agrícolas e alimentares de países que impuseram sanções à Rússia. Moscou proibiu carne bovina, suína, de aves e laticínios, bem como frutas e vegetais, de Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Austrália e Noruega por um ano.
Basta! Done. Borders with Russia, Belarus and Kazakhstan all closed to EU food imports. Lorries sent back home, full.
Basta! Feito. Fronteiras com a Rússia, Bielorrússia e Casaquistão, todas fechadas para importações da União Europeia - EU. Caminhões mandados de volta, cheios.  
The EU states demanded an “emergency” meeting to discuss the situation, as if they were somehow innocent of any provocation with their draconian and escalating economic and banking sanctions against key Russian industries. On 14 August in Brussels, senior agriculture officials from all 28 European Union countries will hold an emergency meeting to analyze the impact of the Russian ban on EU food imports. And in classical bureaucratic fashion the impotent EU Commission said that it “reserves the right to respond,” whatever that means, and will set up a task force on August 11 to “assess the situation.”
Os estados da EU convocaram reunião de “emergência” para discutir a situação, como se fossem de algum modo inocentes de qualquer provocação com suas draconianas e em escalada sanções econômicas e bancárias contra indústrias vitais russas. Em 14 de agosto, em Bruxelas, autoridades sêniores de agricultura de todos os 28 países europeus manterão reunião de emergência para analisar o impacto da proibição russa de importação de alimentos da EU. E de maneira burocrática clássica a impotente Comissão da EU disse que “reserva-se o direito de reagir,” o que quer que isso signifique, e criará força-tarefa em 11 de agosto para “avaliar a situação.”
It doesn’t take an EU task force to assess that the Russian food ban is a devastating blow to EU farmers who can ill afford such a blow. Fully 10 percent of EU agricultural exports go to Russia annually with a total value of around €11 billion according to official EU Commission figures.
Não é preciso força-tarefa da EU para avaliar que a proibição russa de importação de alimentos é golpe devastador nos agricultores da EU que mal têm condiçõpes de aguentar tal golpe. Plenos 10 por cento das exportações agrícolas da EU vão anualmente para a Rússia, com valor total de cerca de cerca de €11 biliões, de acordo com cifras oficiais da Comissão da EU.
Russia finds solutions

A Rússia encontra soluções

The sanctions crisis is in another perspective a golden opportunity for Russia and its key allies, especially the BRICS states where Brazil, Russia, India, China and South Africa just signed an historic mutual agreement to create a unique economic infrastructure bank and currency defense fund. The EU Commission announced it planned to lobby Latin American countries like Brazil and Chile to “solidarize” with the EU sanctions. They apparently live on a different planet.
A crise das sanções é, sob outra perspectiva, oportunidade de ouro para a Rússia e seus aliados decisivos, especialmente os estados do BRICS onde Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul acabam de assinar acordo mútuo histórico para criar um banco sem similar de infraestrutura econômica e um fundo de defesa da moeda. A Comissão da EU anunciou que planejava fazer lobby junto aos países latino-americanos como Brasil e Chile para “solidarizarem-se” com as sanções da EU. Aparentemente ela vive num planeta diferente.
Now Russia is already in negotiations with BRICS partner Brazil to boost imports from that major food export nation and economic partner. Russia's state agricultural supervisor, the Federal Veterinary and Phytosanitary Inspection Service, held talks with representatives of Brazil, Argentina, Ecuador and Chile on the prospect of increasing food imports from the region just after the ban took effect. Brazil authorized the immediate export of chicken, beef and pork from 90 meat plants to Russia, and expects to boost exports in other categories as well. "Russia has the potential to be a large consumer of agricultural commodities, not just meat," Seneri Paludo, Brazil's Secretary for Agriculture stated.
Agora a Rússia já está em negociações com o parceiro do BRICS Brasil para aumentar as importações daquela nação grande exportadora de alimentos e parceira econômica. Logo depois de a proibição passar a viger o supervisor agrícola do estado da Rússia, o Serviço Federal de Inspeção Veterinária e Fitossanitária, manteve conversações com representantes de Brasil, Argentina, Equador e Chile acerca da perspectiva de aumentar importação de alimentos da região. O Brasil autorizou imediata exportação de aves, carne bovina e suína de 90 instalações processadoras de carne para a Rússia, e espera aumentar exportações também de outras categorias. "A Rússia tem potencial para tornar-se grande consumidora de produtos agrícolas, não apenas carne," declarou Seneri Paludo, secretário de agricultura do Brasil.
RIA Novosti / Alexandr Kryazhev
Turkey, where newly-elected President Recep Tayyip Erdogan has been drawing closer to cooperation with Russia as Washington increasingly targets the Turkish leader for not being part of Washington’s New World Order, is discussing increasing Turkish food exports to neighboring Russia. Russian food companies have also negotiated with Turkey to offset the loss of EU foods, according to Turkish Exporters Assembly chairman, Mehmet Buyukeksi. "Demand from Russia for Turkish products increased after limits to trade with the U.S. and EU were introduced," Buyukeksi said. A Russian delegation arrives in Turkey this week to discuss details. Buyukeksie expects a significant increase in poultry and seafood exports, and also fruit and vegetables.
A Turquia, onde o recentemente eleito presidente Recep Tayyip Erdogan vem procurando cooperação mais estreita com a Rússia à medida que Washington ataca crescentemente o líder turco por não ser parte da Nova Ordem Mundial de Washington, está cogitando de aumentar exportações de alimentos da Turquia para a vizinha Rússia. Empresas russas de alimentos também têm negociado com a Turquia para compensar a perda dos alimentos da EU, de acordo com o presidente da Associação dos Exportadores Turcos, Mehmet Buyukeksi. "A demanda da Rússia por produtos turcos aumentou depois de limites ao comércio com os U.S. e a EU terem sido introduzidos," disse Buyukeksi. Delegação russa chega à Turquia esta semana para discutir detalhes. Buyukeksie espera importante aumento em exportações de aves e frutos do mar, e também de frutas e vegetais.
Reviving Russia’s natural agriculture
Revivescência da agricultura natural da Rússia
But by far the most important possible consequence from the food crisis is the opportunity to roll-back two decades of destruction of Russian consumer food quality through imports of industrialized agribusiness products from the EU and USA, of everything from industrially-processed chickens, meat, fish to GMO soybeans and corn.
De longe, porém, a mais importante consequência possível da crise de alimentos é a oportunidade de reverter duas décadas de destruição da qualidade dos alimentos para o consumidor russo por meio de importações de produtos de agronegócio industrializado da EU e dos USA, de tudo, desde aves, carne e peixe processados industrialmente a soja e milho geneticamente modificados.
In a recent visit to Moscow and St. Petersburg I took the occasion to examine the shelves of typical Russian supermarkets. The offerings on display were virtually identical to that in a German REWE or major French supermarket chains like Carrefour. Nestle, Unilever, Kraft, Kellogg’s dominated. And as has been amply documented, the nutritional quality of those western agribusiness imports is often worse than nil—it is actually harmful to consumers over long periods. Excessive forms of sugars, MSG, flavor enhancing chemicals. The EU tomatoes are sprayed typically with chemical preservatives to look “fresh-picked” on arrival in Moscow. A taste test confirms they are not worth biting.
Em recente visita a Moscou e São Petersburgo tive ocasião de examinar as prateleiras de supermercados russos típicos. A oferta em exibição era praticamente idêntica à do REWE alemão ou de grandes cadeias francesas de supermercados como Carrefour. Nestlé, Unilever, Kraft, Kellogg, dominavam. E como tem sido amplamente documentado, a qualidade nutricional daquelas importações do agronegócio ocidental é amiúde pior que nada - é em verdade danosa aos consumidores, ao longo de extensos períodos. Formas excessivas de açúcares, glutamato monossódico, produtos químicos acentuadores do paladar. Os tomates da EU são vendidos normalmente com preservativos químicos para parecerem “recém-colhidos” ao chegarem a Moscou. Teste de sabor confirma que não vale a pena comê-los.
RIA Novosti / Alexander Kondratyuk
A real Russian tomato
Tomate russo de verdade
My first visit to the Russian Federation took place in 1994 when I was invited to deliver a lecture in Moscow on the perils of dealing with the IMF. I had flown in from Frankfurt where I lived at the time. At a simple lunch given by the conference hosts, a successor to IMEMO, I ate a tomato salad. My mouth watered to actually taste a real tomato as I had in my youth. Russian agriculture in the Soviet era, as backward and inefficient as it was, had one sterling advantage over that of the USA or EU. Because of the military demands on the chemical industry, no or almost no chemical fertilizers or herbicides were sprayed on the food. It was real, natural food.
Minha primeira visita à Federação Russa aconteceu em 1994 quando convidado para fazer palestra em Moscou acerca dos perigos de lidar com o FMI. Eu voara de Frankfurt onde vivia à época. Num almoço simples oferecidos pelos anfitriões da conferência, sucessores do IMEMO, comi salada de tomate. Minha boca encheu-se de água por em verdade saborear um tomate real como eu comera na juventude. A agricultura russa na era soviética, por retrógrada e ineficiente que fosse, tinha uma vantagem decisiva em relação à dos USA ou da EU. Por causa das exigências militares em relação à indústria química, nenhum ou quase nenhum fertilizante químico ou herbicida era borrifado nos alimentos. Era comida real, natural.
I often spoke of this experience with many Russian friends. They had forgotten actually how tasty it was, tasty because it’s natural. Now, out of the necessity of the embargo, the Medvedev government has the opportunity to roll-back two decades of WTO “free trade” strictures and to subsidize domestic natural or as the EU prefers to call it, “organic” agriculture. If done right, if treated as a national food security priority, it could revive countless dying rural areas where farmers were bankrupted after 1991 by the flood of cheap EU and USA food imports, dumped deliberately to force a Russian strategic dependency on NATO for its own food security.
Amiúde falei dessa experiência a muitos amigos russos. Eles haviam em verdade esquecido de o quanto era saboroso, saboroso porque natural. Agora, por causa da necessidade decorrente do embargo, o governo Medvedev tem a oportunidade de voltar atrás duas décadas de restrições de “livre comércio” da Organização Mundial do Comércio e de subsidiar a agricultura doméstica natural ou, como a EU prefere chamá-la, agricultura “orgânica.” Se feito isso direito, se tratado como prioridade nacional de segurança alimentar, isso poderá revivescer incontáveis áreas rurais moribundas onde os produtores rurais faliram depois de 1991 por causa da inundação de importações baratas de alimentos da EU e dos USA, com preços deliberadamente aviltados para forçar dependência estratética russa da OTAN no tocante a sua própria segurança alimentar.
As one commentator put it, “Russian products are GMO-free, and they have much less preservatives, antibiotics, colors, taste enhancers, or pesticides. And since they are local, they don't need to be brought in by using the kind of refrigeration/preservation techniques which typically make products taste like cardboard. In other words, Russian agricultural products taste much better, but that is not enough to complete. This embargo now gives them a powerful boost to invest, develop and conquer market shares.”
Como disse um comentador, “Os produtos russos não são geneticamente modificados e têm muito menos preservativos, antibióticos, colorantes, acentuadores de sabor, ou pesticidas. E visto serem locais, não precisam ser vendidos com recurso a uso de técnicas de refrigeração/preservação que tipicamente fazem os produtos saberem a cartolina. Em outras palavras, os produtos agrícolas russos têm sabor muito melhor, mas isso não é o bastante. Este embargo agora dá-lhes poderoso impulso para investimento, desenvolvimento e conquista de fatias de mercado.”
The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.
Afirmações, pontos de vista e opiniões expressados nesta coluna são unicamente do autor e não necessariamente representam os do RT.


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