Tuesday, November 18, 2014

RT - ‘US-led airstrikes – great recruiting tool to provide ISIS with cannon fodder’

‘US-led airstrikes – great recruiting tool to provide ISIS with cannon fodder’
‘Ataques liderados pelos Estados Unidos - ótima ferramenta de recrutamento para dar bucha de canhão ao ISIS’
Published time: November 17, 2014 17:54
Publicado em 17 de novembro de 2014 às 17:54 hs
AFP Photo / Lucas Jackson
Anti-IS airstrikes play into the hands of extremists as radicalized Muslims across the globe are view the West as a big foe they want to fight against, Dan Glazebrook, political writer and journalist, told RT.
Ataques aéreos anti-IS são bom negócio para os extremistas, visto que muçulmanos radicalizados em todo o mundo passam a ver o Ocidente como grande adversário contra os quais desejam lutar, disse ao RT Dan Glazebrook, escritor e jornalista político.
RT: A senior Kurdish leader is saying the CIA is underestimating the number of ISIS fighters, and they in fact number in their hundreds of thousands. If so, what will it take to defeat them?
RT: Líder curdo sênior está dizendo que a CIA está subestimando o número de combatentes do ISIS, e este conta, na verdade, com centenas de milhares. Se assim for, o que será necessário para derrotá-los?
Dan Glazebrook: I think to defeat them would really require a serious alliance. There is already an existing alliance, which is putting up an amazing job of defending Syria in particular against the forces of ISIS [now the Islamic State or IS, formerly ISIS/ISIL] and the other forces that have been backed by the West in its regime change attempt over the last three and a half years. And that alliance consists of the Syrian government, the Iranian government, Russia providing diplomatic support, and Hezbollah on the ground as well. This alliance has blown everybody’s minds in terms how it has managed to stave off an attack, [which has] had the backing and support of the US, Britain, Australia, [and most of the world’s leading] military powers. Yet, it has managed to stave off defeat. This is the alliance that has been doing the work of holding back the forces of ISIS. One thing would help is if the West stopped effectively supporting ISIS. Although, they are officially at war against ISIS at the moment, their policy of destabilization of Syria, which has led to the growth of ISIS over the past two years, continues. Their policy is still to remove Assad. There was talk a week or two ago from the US that removing Assad will be a necessary preliminary step to defeating ISIS, which is nonsensical comment. But it does show the position they are coming from.
Dan Glazebrook: Creio que derrotá-los requereria com efeito aliança séria. Há já uma aliança existente, que está fazendo excelente trabalho defendendo a Síria em particular contra as forças do ISIS [agora Estado Islâmico ou IS, antes ISIS/ISIL] e as outras forças apoiadas pelo Ocidente em sua tentativa de mudança de regime nos últimos três anos e meio. E a aliança consiste em governo sírio, governo iraniano, a Rússia proporcionando apoio diplomático, e o Hezbollah também no terreno. Essa aliança tem sido incrível em termos de como conseguiu conter ataque apoiado por Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália [e a maior parte das principais] potências militares do mundo. Apesar de tudo, tem conseguido evitar derrota. Essa é a aliança que tem feito o trabalho de conter as forças do ISIS. Algo que ajudaria seria o Ocidente parar de apoiar o ISIS. Embora oficialmente esteja em guerra contra o ISIS, sua política de desestabilização da Síria, que levou ao crescimento do ISIS nos últimos dois anos, continua. Sua política ainda é a de derrubar Assad. Houve conversa há semana ou duas, oriunda dos Estados Unidos, segundo a qual derrubar Assad será passo preliminar imprescindível para derrotar o ISIS, comentário que não faz sentido. Mostra, porém, a posição da qual eles partem. 
The US Congress passed a motion to support with $500 million the training for more soldiers to go and destabilize Syria to fight against the Syrian government to add to the growing list of soldiers, police and civilians that are killed by this insurrection daily. And to train them in Saudi Arabia which is the birth place of the ISIS-type violent sectarian ideology. What will be very helpful if the West was serious about defeating ISIS would be to stop providing it with effective support that is through the policy of destabilization of Syria. Of course that is not going to happen because the West still has this policy and it is not interested in defeating ISIS. ISIS is a key plank in their policy of destabilization. But this would be from the point of view what the West should be doing. If they were serious they would stop supporting ISIS and stopped destabilizing Syria.
O Congresso dos Estados Unidos aprovou moção para apoiar com $500 milhões treinamento de mais soldados para irem e desestabilizarem a Síria, para lutarem contra o governo da Síria aumentando a crescente lista de soldados, policiais e civis que são mortos diariamente por essa insurreição. E para treiná-los na Arábia Saudita, que é o berço da ideologia sectária violenta do tipo ISIS. O que seria de ajuda se o Ocidente estivesse falando sério quanto a derrotar o ISIS seria parar de oferecer a ele apoio na prática por meio da política de desestabilização da Síria. Obviamente isso não ocorrerá porque o Ocidente ainda tem essa política e não está interessado em derrotar o ISIS. O ISIS é elemento decisivo em sua política de desestabilização. Mas isso seria do ponto de vista do que o Ocidente deveria estar fazendo. Se estivesse falando sério pararia de apoiar o ISIS e cessaria de desestabilizar a Síria.
RT: Do you think the claims will lead to any change in Western tactics?
RT: Você acha que aquela afirmação levará a qualquer mudança na tática do Ocidente?
DG: No, I don’t believe so. I am not even convinced that was such a surprise or shock to the West. They would have an interest to downplay the number of soldiers in ISIS in order to justify the idea - which was also nonsensical to begin with - that ISIS could be defeated by airstrikes alone. Now the truth is starting to come out but that is kind of the horses are already bolted. The airstrikes are already well on the way. The US is already bombing Syria, the US and Britain are already bombing Iraq, and now it is just increasingly apparent with these new figures of how many ISIS fighters there are. It is now becoming increasingly apparent that the air strikes will not help to defeat them in any way.
DG: Não, não acredito. Sequer estou convencido de ter sido grande surpresa ou choque para o Ocidente. Eles teriam interesse em minimizar o número de soldados do ISIS para justificar a ideia - também disparatada, para começo de conversa - de que o ISIS poderia ser derrotado só por ataques aéreos. Agora a verdade está começando a aparecer mas o fato já está de certo modo consumado. Os ataques aéreos já estão em pleno andamento. Os Estados Unidos já estão bombardeando a Síria, Estados Unidos e Grã-Bretanha já estão bombardeando o Iraque, e agora já estão cada vez mais visíveis essas novas cifras acerca de quantos combatentes do ISIS há. Está agora ficando cada vez mais claro que os ataques aéreos não ajudarão a derrotá-los de modo algum.
RT: Several days ago America's top military officer General Martin Dempsey said Washington is considering sending combat troops to Iraq. Will the US be spurred or deterred by these new figures?
RT: Há vários dias a autoridade militar de alto escalão dos Estados Unidos General Martin Dempsey disse que Washington cogita de enviar tropas de combate ao Iraque. Os Estados Unidos serão impulsionados ou dissuadidos por essas novas cifras?
DG: No, the decision whether or not they are going to send ground troops is going to be based on their long-term strategy of how they are going to deal with the fact that their invasion of Iraq in 2003 and subsequent occupation did not lead to the kind of puppet-regime that perhaps they were hoping for. In fact even the leader that they helped to install – [former Iraqi PM] Maliki – has actually more or less disavowed the US. And the US dictate refused to sign a new deal to allow further occupation of his country in 2011, moved to closer ties with Iran, refused to support their policy in Syria and so on. Really the strategies are all about how to prevent Iraq reemerging as a powerful, independent state. And even their occupation failed to do this. These are the kind of things that shape their strategy towards Iraq and Syria, and the issue of the Islamic State is a tool against independent governance like Iraq and Syria that has been used and abused by British and American governments in the last few years. They will continue to do that. If they have ground troops in Iraq and if they have an increasing military presence there, that will help to coordinate the kind of groups like ISIS that they have been supporting. Not necessarily directly. Obviously ISIS is not in a direct US chain of command as far as we know. But in the sense of military operations to direct them in certain areas, keep them away from certain strategically important areas; direct them in other areas that they do want to destabilize, direct even more towards Syria away from Kurdish areas, and so on, and so forth.
DG: Não, a decisão de se eles mandarão ou não tropas terrestres estará baseada na estratégia de longo prazo deles de como irão lidar com o fato de a invasão do Iraque por eles em 2003 e subsequente ocupação não levou ao tipo de regime títere que talvez estivessem esperando. Na verdade, até o líder que eles esperavam empossar - [o ex-primeiro-ministro iraquiano] Maliki – já mais ou menos repudiou os Estados Unidos. E os colocados pelos Estados Unidos recusaram-se a assinar novo acordo permitindo ocupação de seu país em 2011, moveram-se rumo a vínculos mais estreitos com o Irã, recusaram-se a apoiar a política deles na Síria e assim por diante. Realmente as estratégias dizem respeito a impedir que o Iraque ressurja como estado poderoso e independente. E até a ocupação deles não conseguiu isso. Esses são os tipos de coisas que modelam a estratégia deles em relação a Iraque e Síria, e a questão do Estado Islâmico é uma ferramenta contra governança independente como Iraque e Síria foram objeto de uso e abuso pelos governos britânico e estadunidenses nos últimos anos. Eles continuarão a fazer isso. Se tiverem tropas terrestres no Iraque e se tiverem presença militar crescente ali, isso ajudará a coordenar grupos como o ISIS que eles têm apoiado. Não necessariamente diretamente. Obviamente o ISIS não está numa cadeia de comando direta dos Estados Unidos, tanto quanto saibamos. Contudo, no sentido de operações militares para dirigi-lo em certas áreas, mantê-los distantes de certas áreas estrategicamente importantes; dirigi-los em outras áreas que eles não querem desestabilizar, dirigi-los ainda mais na direção da Síria e distanciá-los de áreas curdas, e assim por diante.
Reuters / Alaa Al-Marjani
RT: How has ISIS managed to become such a huge force in such a short time?
RT: Como conseguiu o ISIS tornar-se força tão enorme em tempo tão curto?
DG: There are a number of things that have an answer to that question. First thing you have to understand is that there has been a huge project to support groups like ISIS that goes back to even before the Syrian uprising. The key article to read is Seymour Hersh’s investigation called “The Redirection” where he outlines a very specific strategy in 2007 by Bandar of Saudi Arabia, Dick Cheney, and other neocons in the US government at that time to build up a number of paramilitary forces specifically to take on Syria in particular. Also through that to take on the strength of Hezbollah, Iran as well, and the Shiites within Iraq. This strategy involved funding the most violent a kind of sectarian chauvinist groups that could be found in the Sunni community. And there is likely to be billions spent on this project. We have seen that the ISIS is the richest terrorist group in the world - several billion dollars at its disposal. This can’t be isolated from the fact that there have been billions of dollars of US cash that went missing in Iraq several years ago, there was a huge scandal, can’t be isolated from the fact that over $400 million of equipment went missing in Afghanistan from the US around this time last year.
DG: Há diversas coisas que respondem a essa pergunta. A primeira coisa a entender é haver enorme projeto para apoiar grupos como o ISIS, que remonta a antes mesmo do levante sírio. O artigo decisivo a ser lido é a investigação de Seymour Hersh chamada “O Redirecionamento” onde ele delineia a estratégia muito específica, em 2007, por Bandar da Arábia Saudita, Dick Cheney e outros neocons do governo dos Estados Unidos à época para formar diversas forças paramilitares especificamente para enfrentar a Síria especialmente. Também enfrentar a força do Hezbollah, também do Irã, e dos xiitas dentro do Iraque. Essa estratégia envolveu financiar o mais violento tipo de grupos chauvinistas sectários que poderiam ser encontrados na comunidade sunita. E há provavelmente biliões gastos nesse projeto. Já vimos que o ISIS é o grupo terrorista mais rico do mundo - diversos biliões de dólares à disposição. Isso não pode ser desvinculado do fato de terem sumido biliões de dólares do Iraque há diversos anos, houve enorme escândalo, não pode ser desvinculado do fato de mais de $400 milhões em equipamento dos Estados Unidos terem sumido no Afeganistão por esta época no ano passado.
That is a big part of the picture of the story of how ISIS became so powerful. Another important part is that now these airstrikes have begun, that is excellent recruiting to provide the cannon fodder for ISIS because for the past three years it has been difficult for ISIS and these groups to pose as being anti-West. They have been so obviously on the same side as the West. Radicalized Muslims in western countries and elsewhere in the world see the West is to be a big problem that they want to fight against. Now suddenly with this airstrikes they can see ISIS as something that is going to help them to fight against the West. ISIS is not particularly against the West, everything that it is doing is precisely in line with what the West’s program and strategy for the region is which is why they were funding them for so long effectively through the Saudi and Qatar proxies. That is the two aspects of this. This is a part of the long-term US and British strategy, and secondly, now they have got this great recruiting tool that they are posing as anti-Western fighters fighting against Western infidels and so on. It is not true but it is a great recruiting tool. In fact the airstrikes have served probably to increase the strength of ISIS more than to undermine it by giving this kind of shot in the arm in terms of credibility that they were lacking before.
Essa é grande parte do quadro da história de como o ISIS tornou-se tão poderoso. Outra importante parte é que agora esses ataques aéreos começaram, isso é excelente para o recrutador, para obter bucha de canhão para o ISIS porque, nos três anos passados, ficou difícil para o ISIS e aqueles grupos posarem de contra o Ocidente. Eles têm estado tão obviamente do mesmo lado que o Ocidente. Muçulmanos radicalizados em países ocidentais e em outras partes do mundo veem o Ocidente como grande problema contra o qual desejam lutar. Agora subitamente com esses ataques aéreos eles podem ver o ISIS como algo que os ajudará a lutar contra o Ocidente. O ISIS não é particularmente contra o Ocidente, tudo o que está fazendo está precisamente em linha com o programa e a estratégia do Ocidente para a região, eis porque este o financia há longo tempo por meio dos procuradores sauditas e do Catar. Há dois aspectos nisso. É parte da estratégia de longo prazo de Estados Unidos e Grã-Bretanha e, em segundo lugar, agora conseguiram essa grande ferramenta de recrutamento ao posarem de combatentes contrários ao Ocidente contra infiéis ocidentais e assim por diante. Não é verdade mas é uma grande ferramenta de recrutamento. Na verdade os ataques aéreos provavelmente têm servido para aumentar a força do ISIS mais do que para solapá-la, mediante dar-lhe essa espécie de injeção no braço em termos de credibilidade da qual carecia antes.
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