Monday, November 10, 2014

Americas South and North - The Ties between the Ayotzinapa Killings and Argentina’s Military Dictatorship



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Americas South And North
Américas Sul e Norte
A Look at History and Issues from Tierra del Fuego to the Arctic
Olhar Lançado a História e Questões da Terra do Fogo ao Ártico
The Ties between the Ayotzinapa Killings and Argentina’s Military Dictatorship
Os Liames entre os Assassínios de Ayotzinapa e a Ditadura Militar Argentina
November 8, 2014
8 de novembro de 2014
Over a month ago, 43 students from the Ayotzinapa teachers’ college in the state of Guerrero, Mexico, went “missing” after mobilizing and protesting for improvements in Mexico’s educational policy and social system. Within days, authorities had uncovered mass graves; yet the bodies were not of the students, making a bad situation even worse in revealing the depth of murder and “disappearance” of bodies in one of Mexico’s most violent states, where drug gangs have infiltrated not just the police force but the very mayoralty of Iguala itself. (Vice News, of all sites, has a useful timeline here.) As I wrote then, if  it turns out that the graves aren’t even the students’ remains, then not only are students still missing, but apparently other people have been murdered and dumped unceremoniously in hidden graves in an attempt to “erase” evidence of them, which is even worse.” Yesterday, state authorities announced that the students were indeed dead, cremated (some while still alive, apparently), and their ashes dumped, according to a gang confession.
Há mais de mês 43 estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, estado de Guerrero, México, “desapareceram” depois de se mobilizarem e protestarem pedindo melhorias na política educacional e no sistema social do México. Em questão de dias as autoridades deixaram a descoberto covas coletivas; os corpos, contudo, não eram dos estudantes, o que tornou situação má ainda pior ao revelar a profundidade do assassínio e do “sumiço” de corpos num dos mais violentos estados do México, onde quadrilhas de drogas já infiltraram não apenas a força policial como a própria prefeitura de Iguala. (O Vice News, de todos os sites, oferece útil cronograma aqui.) Como então escrevi, se vier a ser revelado que as covas não são sequer dos restos dos estudantes, então não apenas os estudantes ainda estarão desaparecidos como, aparentemente, outras pessoas terão sido assassinadas e despejadas sem cerimônia em covas ocultas em tentativa de “apagar” evidência delas, o que é ainda pior.” Ontem, autoridades do estado anunciaram que os estudantes foram com efeito mortos, cremados (alguns enquanto ainda vivos, aparentemente), e suas cinzas descartadas, de acordo com confissão de quadrilha.
Alma Guillermoprieto wrote a piece this week that covered not so much the events as their significance, especially with regards to the relationship between the state and society, as a group and class of citizens whose voices the state all too often ignores and whose rights it disregards finally made themselves heard.
Alma Guillermoprieto escreveu artigo esta semana que cobriu nem tanto os eventos quanto seu sentido, especialmente no tocante à relação entre o estado e a sociedade, na medida em que grupo ou classe de cidadãos cujas vozes o estado com demasiada frequência ignora e cujos direitos desconsidera finalmente fez-se ouvir.
Emiliano Navarrete, a slight man in a baseball cap who looked to be in his mid-thirties, was the last relative to speak.
Emiliano Navarrete, homem de pequenas dimensões com boné de beisebol, aparentemente na metade da casa dos trinta anos, foi o último parente a falar.
“I am the father of a boy who, for me, is not disappeared,” he began. “For me, he was kidnapped by men in uniform who are municipal police of Iguala, Guerrero.” His face was stretched taut against his skull from tension and the stress of speaking in public, and his stumbling Spanish revealed his Indian origins. “Why does this government act like this?” he went on, searching for words. “We are not sheep to be killed whenever they feel like it.”
“Sou pai de um jovem que, para mim, não desapareceu,” começou. “Para mim, ele foi raptado por homens de uniforme da polícia municipal de Iguala, Guerrero.” Sua face estava esticada tensa sobre o crânio por causa da tensão e a ansiedade de falar em público, e seu espanhol hesitante revelava sua origem índia. “Por que o governo age assim?” continuou, procurando palavras. “Não somos carneiros para ser mortos quando ele achar que deva matar-nos.”
Even the cameramen, normally so noisy and cynical, were listening closely. “I haven’t come here to ask for any favor,” Navarrete shouted now, in his rage. “I’ve come to demand [that our children be found], because I am a citizen of Mexico, and I have rights.”
Até os operadores de câmera, normalmente tão ruidosos e cínicos, ouviam atentamente. “Não vim aqui pedir nenhum favor,” gritou então Navarrete, em fúria. “Vim para exigir [que nossos filhos sejam encontrados], porque sou cidadão do México, e tenho direitos.”
The following day government security forces were deployed by the thousands in and around the towns of Iguala and Chilpancingo. They mobilized in tanks, helicopters, vans, and motorboats.
No dia seguinte forças de segurança do governo estavam espraiadas aos milhares nas e em torno das cidadezinhas de Iguala e Chilpancingo. Moviam-se em tanques, helicópteros, vans e lanchas.
The Mexican state’s response to the events in Iguala is indeed belated, as Guillermoprieto notes; yet as she also notes, it is in some ways remarkable that the state has mobilized at all, in light of how many times people have been murdered, their rights as citizens disregarded as the state failed to act to investigate or prevent such deaths, something the dozens of bodies who weren’t the students but who were uncovered in the wake of their disappearance reinforces.
A reação do estado mexicano aos eventos em Iguala chega em verdade atrasada, como observa Guillermoprieto; contudo, como observa ela também, é sob certos aspectos notável que o estado tenha-se sequer mobilizado, ao se pensar em quantas vezes pessoas foram assassinadas e tiveram seus direitos como cidadãs desrespeitados ao o estado deixar de agir para investigar ou impedir tais mortes, algo que as dúzias de corpos que não eram dos estudantes mas foram descobertas na esteira do desaparecimento deles reforça.
Yet of all the parts of Guillermoprieto’s piece that stuck out to me, it is perhaps the last sentence, almost tossed out as an aside, that struck me. She writes,
No entanto, de todas as partes do artigo de Guillermoprieto que me chamaram a atenção é talvez a última sentença, quase lançada ao papel como incidental, que me impressionou. Escreve ela:
[T]he spokesman for the families, Felipe de Jesús de la Cruz, has reiterated their position: they will only accept proof that their sons are dead in the form of positive DNA test results analyzed by a team of Argentine forensic anthropologists, who have been acting as independent investigators throughout the search.
[O] porta-voz das famílias, Felipe de Jesús de la Cruz, reiterou a posição delas: só aceitarão prova de que seus filhos estão mortos na forma de resultados positivos de testes de DNA analisados por equipe de antropólogos forenses argentinos, que vêm agindo como investigadores independentes ao longo da busca.
The reliance on Argentine forensic anthropologists is notable here. As many are aware, the wake of the military dictatorship that governed Argentina from 1976-1983 murdered and “disappeared” tens of thousands of Argentines, dumping some into the Atlantic Ocean but dumping many more into unidentified mass graves. In the wake of the dictatorship, a unique and previously-underdeveloped branch of anthropology developed, one that sought to be able to identify the bodies the families of the disappeared who sought to resolve the fate of their loved ones. As Rita Arditti has shown, organizations like the Grandmothers of the Plaza de Mayo drew on their plight and on their international connections to help spur the scientific community into new areas of genetic testing to identify remains of victims, providing not only closure for some but also helping to identify the “lost children” whom the regime and its allies had kidnapped and adopted after murdering their parents. To the present, Argentine forensic anthropologists are among the best in the world when it comes to trying to identify the bodies of the missing. While Guillermoprieto does not say as much, it seems highly likely that those forensic anthropologists who have worked in uncovering and identifying the disappeared in Argentina have been brought in to aid in Mexico. Their presence serves as a haunting and powerful reminder both of the tragedies of the disappeared in the past and the present, and of the importance of the ongoing quest for justice, be it in the history of Argentina or in the more recent events of Mexico.
A confiança nos antropólogos forenses argentinos é notável aqui. Como muita gente já sabe, as ditaduras militares que governaram a Argentina de 1976 a 1983 assassinaram e “deram sumiço” em dezenas de milhares de argentinos, jogando alguns no Oceano Atlântico mas jogando muitos mais sem identificação em covas coletivas. Na esteira da ditadura, um ramo sem similar e anteriormente subdesenvolvido da antropologia desenvolveu-se, um que buscava tornar-se capaz de identificar os corpos das famílias dos desaparecidos que buscavam descobrir o destino de seus queridos. Como Rita Arditti já mostrou, organizações como as Avós da Praça de Maio utilizaram sua aflitiva situação e suas conexões internacionais para ajudarem a estimular a comunidade científica a entrar em novas áreas de testes genéticos para identificação de restos de vítimas, proporcionando não apenas alívio de trauma para alguns como também ajudando a identificar as  “crianças perdidas” que o regime e seus aliados haviam sequestrado e adotado depois de assassinarem seus pais. Até o presente, os antropólogos forenses argentinos estão entre os melhores do mundo no tocante a tentativas de identificar corpos de pessoas desaparecidas. Embora Guillermoprieto não chegue a dizer tanto, parece altamente provável que tais antropólogos forenses que vêm trabalhando na descoberta e identificação dos desaparecidos na Argentina tenham sido levados para ajudar no México. Sua presença serve como pungente e podersoso lembrete tanto das tragédias dos desaparecidos no passado e no presente quanto da importância da permanente busca de justiça, seja na história da Argentina ou em eventos mais recentes no México.


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