Friday, October 3, 2014

The Blog from Nazareth - The lesson Hollywood cannot teach us



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Jonathan Cook – The Blog from Nazareth
Jonathan Cook – O Blog de Nazaré
The lesson Hollywood cannot teach us
A lição que Hollywood não pode ensinar-nos
26 September 2014
26 de setembro de 2014
Possibly the most insightful statement ever made by a journalist was from Gary Webb, who killed himself in 2004, years after the CIA and media rivals destroyed his career and credibility.
Possivelmente a declaração mais lúcida já feita por jornalista foi a de Gary Webb, que se matou em 2004, anos depois de a CIA e rivais da mídia terem destruído sua carreira e credibilidade.
I was winning awards, getting raises, lecturing college classes, appearing on TV shows, and judging journalism contests. And then I wrote some stories that made me realize how sadly misplaced my bliss had been. The reason I’d enjoyed such smooth sailing for so long hadn’t been, as I’d assumed, because I was careful and diligent and good at my job. The truth was that, in all those years, I hadn’t written anything important enough to suppress.
Eu estava ganhando prêmios, aumentos de salário, fazendo palestras em universidades, aparecendo em programas de TV, e julgando em competições de jornalismo. E então escrevi alguns artigos que me levaram a entender o quanto minha beatitude havia sido ilusória. O motivo pelo qual eu gozara de tão tranquila trajetória por tanto tempo não havia sido, ao contrário do que eu assumira, o fato de ter sido diligente e competente em meu trabalho. A verdade era que, em todos aqueles anos, eu não houvera escrito nada importante o bastante para ter a publicação proibida.
Now Hollywood is making a film, called Kill the Messenger, about the San Jose Mercury News reporter. Webb briefly created a national scandal in 1996 by exposing how the CIA-backed Contras in Latin America had funded their guerrilla war through trafficking crack cocaine to African American communities in the US, with the knowledge of the CIA and other US agencies. The scandal quickly subsided because the CIA and other journalists – from the New York Times, the Washington Post and especially from the LA Times, who had been scooped on their own patch by Webb – waged a campaign of vilification. The toll eventually led Webb to take his own life.
Agora Hollywood está fazendo filme, chamado Matar o Mensageiro, acerca daquele repórter do San Jose Mercury News. Webb por curto tempo criou escândalo nacional em 1996 ao expor como os Contras, apoiados pela CIA, na América Latina, haviam financiado sua guerra de guerrilha mediante traficarem cocaína craque para comunidades afro-estadunidenses nos Estados Unidos, com o conhecimento da CIA e de outros órgãos dos Estados Unidos. O escândalo rapidamente amainou porque a CIA e outros jornalistas – de New York Times, Washington Post e especialmente LA Times, que haviam sido superados por Webb em suas próprias áreas – conduziram campanha de descrédito. O fardo finalmente levou Webb a acabar com a própria vida.
It should be welcome news that his original revelations will be heard by a new generation, and that the US media’s hand-in-glove relationship to the US intelligence agencies will get national exposure.
Deveria ser boa notícia as revelações originais dele serem ouvidas por nova geração, e o relacionamento de conluio da mídia dos Estados Unidos com os órgãos de inteligência dos Estados Unidos ser exposto nacionalmente.
A story like Webb’s ought to remind us that the CIA, the NSA and other US agencies are not there ultimately to “do good”, not even to serve us, the people, but to help prop up a world order that benefits a small, greedy global elite and to spread fear and misinformation among the rest of us to keep us divided and obedient. And the media’s role is to serve that same global elite, rarely to hold it to account. That was the mistake made by Webb and briefly by his news editors, who quickly abandoned Webb after more senior colleagues on bigger papers taught them what journalism is really about.
História como a de Webb deveria ajudar-nos a lembrar que a CIA, a NSA e outros órgãos dos Estados Unidos não estão lá, em última análise, para  “fazer o bem”, nem mesmo para servir-nos, a nós o povo, e sim para ajudarem a escorar uma ordem mundial que beneficia uma pequena elite mundial gananciosa e para disseminarem medo e desinformação entre os restantes de nós para manter-nos divididos e obedientes. E o papel da mídia é servir à mesma elite global, raramente sendo responsabilizada por isso. Esse foi o equívoco cometido por Webb e por curto tempo por seus editores, que rapidamente abandonaram Webb depois que colegas mais graúdos de jornais maiores ensinaram-lhes a que, realmente, o jornalismo diz respeito.
But I fear Hollywood’s interest should be read in different terms. It signifies a realisation by movie execs that Webb’s revelations are now old enough to constitute “history”, no more threatening to the contemporary reputations of the CIA or the US media than filming Mutiny on the Bounty was to the modern British navy.
Temo, porém, que o interesse de Hollywood deva ser entendido de maneira diferente. Tudo faz crer entendimento, da parte dos executivos do cinema, de que as revelações de Webb são agora antigas o bastante para constituírem “história”, não mais ameaçadoras das reputações contemporâneas da CIA ou da mídia dos Estados Unidos do que o filme O Grande Motim o foi para a moderna marinha britânica.
Hollywood knows that where there’s a good story, there’s money to be made from us – audiences only too happy to be outraged at injustice but also only too wiling to believe such “ancient” injustices offer no lessons for the present. For that reason, it is doubtful Kill the Messenger’s viewers will emerge from the film more critical news consumers. They will still trust their daily paper and the TV news, and still assume that when all the president’s men tell them of events on distant shores – from Venezuela to Iran, Syria and Ukraine – they are being told the unvarnished truth.
Hollywood sabe que onde há boa história há dinheiro a ser extraído de nós – plateias extremamente satisfeitas com se indignarem mas também extremamente dispostas a acreditar que tais injustiças “antigas” não oferecem lições para o presente. Por esse motivo, é duvidoso que os espectadores de Matar o Mensageiro saiam do filme como consumidores de notícias mais críticos. Eles continuarão a acreditar em seu jornal diário e no noticiário de TV, e continuarão a assumir que quando todos os homens do presidente falarem para eles acerca de eventos em costas distantes  – de Venezuela a Irã, de Síria a Ucrânia – estar-lhes-ão contando a verdade nua e crua.

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