Tuesday, October 21, 2014

The Anti-Empire Report 133 - The Berlin Wall – Another Cold War Myth


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #133
O Relatório Anti-Império No. 133
By William Blum – Published October 16th, 2014
Por William Blum – Publicado em 16 de outubro de 2014
The Berlin Wall – Another Cold War Myth
O Muro de Berlim – Outro Mito da Guerra Fria
November 9 will mark the 25th anniversary of the tearing down of the Berlin Wall. The extravagant hoopla began months ago in Berlin. In the United States we can expect all the Cold War clichés about The Free World vs. Communist Tyranny to be trotted out and the simple tale of how the wall came to be will be repeated: In 1961, the East Berlin communists built a wall to keep their oppressed citizens from escaping to West Berlin and freedom. Why? Because commies don’t like people to be free, to learn the “truth”. What other reason could there have been?
9 de novembro registrará o 25o. aniversário da demolição do Muro de Berlim. O extravagante auê começou há meses em Berlim. Nos Estados Unidos podemos esperar todos os clichês da Guerra Fria acerca de O Mundo Livre contra a Tirania Comunista regurgitados e a lenda simplista de como o muro veio à existência repetida: Em 1961, os comunistas de Berlim Oriental construíram um muro para impedir que seus cidadãos oprimidos escapassem para Berlim Ocidental e a liberdade. Por quê? Porque os comunas não gostam que as pessoas sejam livres, saibam da “verdade”. Que outro motivo poderia haver?
First of all, before the wall went up in 1961 thousands of East Germans had been commuting to the West for jobs each day and then returning to the East in the evening; many others went back and forth for shopping or other reasons. So they were clearly not being held in the East against their will. Why then was the wall built? There were two major reasons:
Antes de tudo, antes de o muro ser erguido em 1961 milhares de alemães orientais iam para o trabalho no Ocidente e voltavam para o Oriente à noite; muitos outros iam e vinham para fazer compras ou por outras razões. Portanto, eles claramente não estavam sendo mantidos no Leste contra sua vontade. Por que, então, foi o muro construído? Houve dois principais motivos:
1) The West was bedeviling the East with a vigorous campaign of recruiting East German professionals and skilled workers, who had been educated at the expense of the Communist government. This eventually led to a serious labor and production crisis in the East. As one indication of this, the New York Times reported in 1963: “West Berlin suffered economically from the wall by the loss of about 60,000 skilled workmen who had commuted daily from their homes in East Berlin to their places of work in West Berlin.” [New York Times, June 27, 1963, p.12]
1) O Ocidente estava infernizando o Oriente com vigorosa campanha de recrutamento de profissionais e trabalhadores qualificados da Alemanha Oriental, que haviam recebido instrução a expensas do governo comunista. Isso finalmente levou a séria crise de trabalho e produção no Oriente. Como indício, o New York Times informou em 1963: “Berlim Ocidental sofreu economicamente com o muro por causa da perda de cerca de 60.000 trabalhadores qualificados que iam diariamente de seus lares em Berlim Oriental para seus locais de trabalho em Berlim Ocidental.” [New York Times, June 27, 1963, p.12]
It should be noted that in 1999, USA Today reported: “When the Berlin Wall crumbled [1989], East Germans imagined a life of freedom where consumer goods were abundant and hardships would fade. Ten years later, a remarkable 51% say they were happier with communism.” [USA Today, October 11, 1999, p.1] Earlier polls would likely have shown even more than 51% expressing such a sentiment, for in the ten years many of those who remembered life in East Germany with some fondness had passed away; although even 10 years later, in 2009, the Washington Post could report: “Westerners [in Berlin] say they are fed up with the tendency of their eastern counterparts to wax nostalgic about communist times.” [Washington Post, May 12, 2009; see a similar story November 5, 2009]
Dever ser notado que, em 1999, o USA Today informou: “Quando o Muro de Berlim desabou [1989], os alemães orientais imaginaram uma vida de liberdade onde os bens de consumo seriam abundantes e as privações amainariam. Dez anos depois, significativos 51% disseram que eram mais felizes com o comunismo.” [USA Today, October 11, 1999, p.1] Pesquisas anteriores provavelmente provavelmente teriam mostrado mais de 51% expressando tal sentimento pois, nos dez anos, muitos dos que se lembravam da vida na Alemanha Oriental com algum apreço haviam morrido; embora mesmo 10 anos depois, em 2009, o Washington Post pudesse informar: “Ocidentais [em Berlim] dizem estar fartos da tendência de suas contrapartes do leste de ficarem relembrando nostalgicamente a época comunista.” [Washington Post, May 12, 2009; see a similar story November 5, 2009]
It was in the post-unification period that a new Russian and eastern Europe proverb was born: “Everything the Communists said about Communism was a lie, but everything they said about capitalism turned out to be the truth.”
Foi durante o período de pós-unificação que novo provérbio russo e europeu oriental teve origem: “Tudo o que os comunistas diziam a respeito do comunismo era mentira, mas tudo o que diziam acerca do capitalismo acabou-se revelando verdadeiro.”
It should be further noted that the division of Germany into two states in 1949 – setting the stage for 40 years of Cold War hostility – was an American decision, not a Soviet one. [Carolyn Eisenberg, “Drawing the Line: The American Decision to Divide Germany, 1944-1949” (1996); or see a concise review of this book by Kai Bird in The Nation, December 16, 1996]
Deve-se adicionalmente notar que a divisão da Alemanha em dois estados em 1949 - preparando as condições para 40 anos de hostilidade da Guerra Fria - foi decisão estadunidense, não soviética. [Carolyn Eisenberg, “Drawing the Line: The American Decision to Divide Germany, 1944-1949” (1996); or see a concise review of this book by Kai Bird in The Nation, December 16, 1996]
2) During the 1950s, American coldwarriors in West Germany instituted a crude campaign of sabotage and subversion against East Germany designed to throw that country’s economic and administrative machinery out of gear. The CIA and other US intelligence and military services recruited, equipped, trained and financed German activist groups and individuals, of West and East, to carry out actions which ran the spectrum from juvenile delinquency to terrorism; anything to make life difficult for the East German people and weaken their support of the government; anything to make the commies look bad.
2) Durante os 1950, os guerreiros estadunidenses da Guerra Fria na Alemanha Ocidental desencadearam feroz campanha de sabotagem e subversão contra a Alemanha Oriental, projetada para subverter a estrutura econômica e administrativa daquele país. A CIA e outros serviços de inteligência e militares dos Estados Unidos recrutaram, equiparam, treinaram e financiaram grupos e indivíduos ativistas alemães, do Oeste e do Leste, para levarem a efeito ações que iam da delinquência juvenil ao terrorismo; qualquer coisa para tornar difícil a vida do povo alemão oriental e debilitar seu apoio ao governo; qualquer coisa para denegrir a imagem dos comunas.
It was a remarkable undertaking. The United States and its agents used explosives, arson, short circuiting, and other methods to damage power stations, shipyards, canals, docks, public buildings, gas stations, public transportation, bridges, etc; they derailed freight trains, seriously injuring workers; burned 12 cars of a freight train and destroyed air pressure hoses of others; used acids to damage vital factory machinery; put sand in the turbine of a factory, bringing it to a standstill; set fire to a tile-producing factory; promoted work slow-downs in factories; killed 7,000 cows of a co-operative dairy through poisoning; added soap to powdered milk destined for East German schools; were in possession, when arrested, of a large quantity of the poison cantharidin with which it was planned to produce poisoned cigarettes to kill leading East Germans; set off stink bombs to disrupt political meetings; attempted to disrupt the World Youth Festival in East Berlin by sending out forged invitations, false promises of free bed and board, false notices of cancellations, etc.; carried out attacks on participants with explosives, firebombs, and tire-puncturing equipment; forged and distributed large quantities of food ration cards to cause confusion, shortages and resentment; sent out forged tax notices and other government directives and documents to foster disorganization and inefficiency within industry and unions … all this and much more. [See William Blum, “Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II”, p.400, note 8, for a list of sources for the details of the sabotage and subversion.]
Foi empreendimento notável. Os Estados Unidos e seus agentes usaram explosivos, incêndios criminosos, curtos-circuitos e outros métodos para danificar usinas elétricas, estaleiros, canais, docas, edifícios públicos, postos de gasolina, transportes públicos, pontes etc.; descarrilaram trens de carga, ferindo seriamente trabalhadores; queimaram 12 vagões de um trem de carga e destruíram mangueiras de pressão de ar de outros; usaram ácido para danificarem maquinário vital de fábrica; colocaram areia na turbina de fábrica, levando-a a paralisação; atearam fogo a fábrica de produção de telhas; promoveram operações-tartaruga em fábricas; mataram 7.000 vacas de uma cooperativa de laticínios por meio de envenenamento; acrescentaram sabão a leite em pó destinado a escolas da Alemanha Oriental; quando presos, estavam de posse de grande quantidade do veneno cantaridina com o qual planejavam produzir cigarros envenenados para matar alemães orientais importantes; prepararam bombas de fedor para dissolver reuniões políticas; tentaram inviabilizar o Festival Mundial da Juventude em Berlim Oriental mediante enviarem convites falsos, promessas falsas de cama e mesa grátis, notícias falsas de cancelamentos etc.; efetuaram ataques a participantes com explosivos, bombas incendiárias, e equipamento de furar pneus; forjaram e distribuíram grandes quantidades de cartões de rações alimentares para causar confusão, racionamentos e ressentimento; enviaram avisos forjados de impostos e outras diretrizes e documentos para promover desorganização e ineficiência dentro das indústrias e sindicatos ... isso e muito mais.  [See William Blum, “Killing Hope: US Military and CIA Interventions Since World War II”, p.400, note 8, for a list of sources for the details of the sabotage and subversion.]
The Woodrow Wilson International Center for Scholars, of Washington, DC, conservative coldwarriors, in one of their Cold War International History Project Working Papers (#58, p.9) states: “The open border in Berlin exposed the GDR [East Germany] to massive espionage and subversion and, as the two documents in the appendices show, its closure gave the Communist state greater security.”
O Centro Internacional Woodrow Wilson para Acadêmicos, de guerreiros da Guerra Fria conservadores de Washington, DC, em um de seus Documentos de Trabalho de Projeto de História Internacional da Guerra Fria (#58, p.9) declara: “A fronteira aberta em Berlim expunha a GDR [Alemanha Oriental] a espionagem e subversão maciças e, como mostram os dois documentos dos apêndices, seu fechamento proporcionou ao estado comunista maior segurança.”
Throughout the 1950s, the East Germans and the Soviet Union repeatedly lodged complaints with the Soviets’ erstwhile allies in the West and with the United Nations about specific sabotage and espionage activities and called for the closure of the offices in West Germany they claimed were responsible, and for which they provided names and addresses. Their complaints fell on deaf ears. Inevitably, the East Germans began to tighten up entry into the country from the West, leading eventually to the infamous wall. However, even after the wall was built there was regular, albeit limited, legal emigration from east to west. In 1984, for example, East Germany allowed 40,000 people to leave. In 1985, East German newspapers claimed that more than 20,000 former citizens who had settled in the West wanted to return home after becoming disillusioned with the capitalist system. The West German government said that 14,300 East Germans had gone back over the previous 10 years. [The Guardian (London), March 7, 1985]
Ao longo dos anos 1950 os alemães orientais e a União Soviética repetidamente deram entrada em reclamações junto aos ex-aliados dos soviéticos no Ocidente e junto às Nações Unidas acerca de atividades específicas de sabotagem e espionagem e demandaram fechamento dos escritórios na Alemanha Ocidental que afiançavam ser os responsáveis, em relação aos quais forneceram nomes e endereços. Suas reclamações caíram em ouvidos moucos. Inevitavelmente, os alemães orientais começaram a tornar mais rigorosa a entrada no país de pessoas vindas do Ocidente, até finalmente erigirem o muro de triste fama. Entretanto, mesmo depois de o muro construído havia emigração regular legal, embora limitada, do oriente para o ocidente. Em 1984, por exemplo, A Alemanha Oriental permitiu que 40.000 pessoas saíssem. Em 1985, jornais da Alemanha Oriental afirmaram que mais de 20.000 ex-cidadãos que se haviam estabelecido no Ocidente desejavam voltar depois de desiludirem-se com o sistema capitalista. O governo alemão ocidental disse que 14.300 alemães orientais haviam voltado ao longo dos 10 anos anteriores. [The Guardian (London), March 7, 1985]
Let’s also not forget that while East Germany completely denazified, in West Germany for more than a decade after the war, the highest government positions in the executive, legislative, and judicial branches contained numerous former and “former” Nazis.
Não nos esqueçamos também de que enquanto a Alemanha Oriental desnazistou-se completamente, na Alemãnha Ocidental por mais de década as mais altas posições do governo no executivo, legislativo e judiciário abrigaram numerosos ex e “ex” nazistas.
Finally, it must be remembered, that Eastern Europe became communist because Hitler, with the approval of the West, used it as a highway to reach the Soviet Union to wipe out Bolshevism forever, and that the Russians in World War I and II, lost about 40 million people because the West had used this highway to invade Russia. It should not be surprising that after World War II the Soviet Union was determined to close down the highway.
Finalmente, precisa ser lembrado que a Europa Oriental tornou-se comunista porque Hitler, com aprovação do Ocidente, usou-a como rodovia para atingir a União Soviética a fim de varrer o bolchevismo para sempre, e que os russos, na Primeira e na Segunda Guerra Mundial, perderam cerca de 40 milhões de pessoas por o Ocidente ter usado tal rodovia para invadir a Rússia. Não deveria ser surpreendente que, depois da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética estivesse decidida a fechar a estrada.
For an additional and very interesting view of the Berlin Wall anniversary, see the article “Humpty Dumpty and the Fall of Berlin’s Wall” by Victor Grossman. Grossman (née Steve Wechsler) fled the US Army in Germany under pressure from McCarthy-era threats and became a journalist and author during his years in the (East) German Democratic Republic. He still lives in Berlin and mails out his “Berlin Bulletin” on German developments on an irregular basis. You can subscribe to it at wechsler_grossman@yahoo.de. His autobiography: “Crossing the River: a Memoir of the American Left, the Cold War and Life in East Germany” was published by University of Massachusetts Press. He claims to be the only person in the world with diplomas from both Harvard University and Karl Marx University in Leipzig.
Para adicional e muito interessante ponto de vista acerca do aniversário do Muro de Berlim, veja o artigo “Humpty Dumpty and the Fall of Berlin’s Wall” de Victor Grossman. Grossman (née Steve Wechsler) fugiu do Exército dos Estados Unidos na Alemanha sob pressão de ameaças da era McCarthy e tornou-se jornalista e autor durante seus anos na República Democrática Alemã (Oriental). Ainda mora em Berlim e envia por email, não regularmente, seu “Berlin Bulletin” acerca de desdobramentos na Alemanha. Você pode assiná-lo em wechsler_grossman@yahoo.de. A autobiografia dele: “Cruzamento do Rio: Memória da Esquerda Estadunidense, da Guerra Fria e da Vida na Alemanha Oriental” foi publicada pela Imprensa da Universidade de Massachusetts. Ele afirma ser a única pessoa no mundo com diplomas tanto da Harvard University quanto da Karl Marx University em Leipzig.

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