Tuesday, September 2, 2014

TPC - Welcome to the ‘New’ Middle East


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The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
Welcome to the ‘New’ Middle East
Bem-vindos ao ‘Novo’ Oriente Médio
Aug 26 2014 / 3:46 pm
26 de agosto de 2014 / 15:46 hs
Photo - Condoleeza Rice 'new Middle East' is finally here. (CODEPINK)
Foto - O 'novo Oriente Médio' de Condoleeza Rice finalmente está aí. (CODEPINK)
By Jeremy Salt – Ankara, Turkey
Por Jeremy Salt – Ancara, Turquia
The ‘birth pangs’ of which Condoleeza Rice spoke in 2006 during Israel’s onslaught on Lebanon have finally produced her ‘new’ Middle East, wrapped up in the black flags of the Islamic state. Impregnation was just a twinkle in the eye of the neo-conservatives back in the 1990s. Their talk was of an axis of evil, of making a ‘clean break’ and developing a new strategy to ‘secure the realm’. In 2005 Condi remarked that ‘a regional order that produced an ideology so savage as the one we now confront is no longer serving any civilized interest’. Ah, that wonderful word again, civilization, perfumed in the speeches of politicians and generals but actually reeking of blood. So Condi, Richard, Benjamin, Douglas and all those who laid the foundations of the new Middle East, does the realm seem any more secure now? How savage does the ideology of 2005 compare to the savagery of the ideology of 2014?
As ‘dores do parto’ das quais falou Condoleeza Rice em 2006, durante o feroz ataque de Israel ao Líbano, finalmente produziram o ‘novo’ Oriente Médio dela, embalado nas bandeiras pretas do estado islâmico. Instilação era apenas uma ideia fugaz para os neoconservadores nos idos dos anos 1990. Eles falavam era de um eixo do mal, de fazerem uma ‘ruptura radical’ e de desenvolverem uma nova estratégia para ‘assegurar o domínio’. Em 2005 Condi destacou que ‘ordem regional que produziu ideologia tão selvagem/bárbara como essa que ora confrontamos não mais serve a qualquer interesse civilizado’. Ah, de novo essa esplêndida palavra, civilização, olorosa nos discursos de políticos e generais mas, na realidade, catingando a sangue. Então, Condi, Richard, Benjamin, Douglas e todos aqueles que lançaram os alicerces do novo Oriente Médio, o domínio parece mais seguro agora? O quanto é selvagem/bárbara a ideologia de 2005 comparada com a selvageria/barbárie da ideologia de 2014?
The ‘new’ Middle East was born out of the ruins of the old. The ruin was not accidental but deliberate, an act of ‘creative chaos’. Like a snake shucking itself out of a dead skin the new Middle East wriggled into the bright light of day, first in Iraq. This was not so much birth as reincarnation, the democratic Phoenix born out of the ashes of a state terminally weakened by war and a decade of sanctions before the plug was finally pulled in a second war. In May, 2003, standing on the deck of the USS Abraham Lincoln in his ornamental bomber jacket, George Bush declared that the war was over. ‘Mission accomplished’ read the banner over his head just to make sure that the viewers in the homeland got the message.
O ‘novo’ Oriente Médio nasceu das ruínas do velho. A ruína não foi acidental e sim deliberada, ato de ‘caos criativo’. Como serpente livrando-se de pele morta, o novo Oriente Médio contorceu-se movendo-se para a luz clara do dia, primeiro no Iraque. Não tanto nascimento quanto reencarnação, a Fênix democrática nascida das cinzas de um estado terminalmente debilitado pela guerra e por uma década de sanções antes de o plugue ter sido finalmente enfiado numa segunda guerra. Em maio de 2003, de pé no convés do USS Abraham Lincoln vestindo sua jaqueta ornamental de couro, George Bush declarou que a guerra havia terminado. ‘Missão cumprida,’ lia-se na faixa acima da cabeça dele, só para assegurar que os espectadores no torrão natal captassem a mensagem. 
Protracted War
Guerra Dilatada
The war was not over, of course. It started when the British occupied Baghdad in 1917; when the monarchy was destroyed in 1958; when Abd al Karim Qasim was murdered in 1963 and the Ba’ath came to power; when Saddam took over in 1979; when he took over Kuwait in 1990; when the Americans launched their air war and these are just some of the starting points. When it will end, how it will end, no one knows but as Donald Rumsfeld, has said on different occasions, freedom is untidy and democracy messy. Messy is a word often applied to a teenager’s bedroom but messy in Iraq means IEDs tearing the legs and genitals off American soldiers, white phosphorus melting flesh off the bones in Falluja, tens of thousands of civilians dead across the country, Nicholas Berg beheaded by Abu Musab al Zarqawi, prisoners humiliated and tortured at Abu Ghraib and a constitution written that effectively destroyed Iraq as a unitary state. The servants of empire seemed to have confidence in the rightness of their mission but it was not they who were standing on the edge of the abyss: it was the Iraqis whom they had come to save, had come to deliver the gifts of civilization and democracy.
A guerra, obviamente, não havia terminado. Começou quando os britânicos ocuparam Bagdá em 1917; quando a monarquia foi destruída em 1958; quando Abd al Karim Qasim foi assassinado em 1963 e o Ba’ath subiu ao poder; quando Saddam assumiu o controle em 1979; quando ele se apropriou do Cueite em 1990; quando os estadunidenses deflagraram sua guerra aérea, e esses são apenas alguns dos pontos de partida. Quando ela acabará, como acabará, ninguém sabe mas, como Donald Rumsfeld disse em diferentes ocasiões, a liberdade é desgrenhada e a democracia abagunçada. Abagunçado é palavra amiúde aplicada a quarto de dormir de adolescente mas abagunçado, no Iraque, significa dispositivos explosivos improvisados - IED dilacerando pernas e órgãos genitais de soldados estadunidenses, fósforo branco derretendo a carne despegando-a dos ossos em Falluja, dezenas de milhares de civis mortos em todo o país, Nicholas Berg decapitado por Abu Musab al Zarqawi, prisioneiros humilhados e torturados em Abu Ghraib e uma constituição escrita que com efeito destruiu o Iraque como estado unitário. Os servos do império pareciam estar confiantes na probidade de sua missão mas não eram eles que estavam de pé à beira do abismo: eram os iraquianos aos quais eles haviam vindo salvar, galardoar com os benefícios da civilização e da demoracia. 
‘Once again the Land between the Two Rivers is the focal point of the clash between the forces of darkness and the light of civilization, ’ L. Paul Bremer III, ‘Jerry’ to his friends, America’s proconsul in Baghdad, declared in 2004. He placed the citizens of the new Iraq on the front line between civilization and barbarism. Here Jerry, consciously or otherwise, was repeating a line that runs backwards from Bernard Lewis to the observations of the 19th century Scottish orientalist Sir William Muir, who declared, paraphrasing him, that Islam was the most stubborn enemy of civilization yet known. Within half a century or so the most stubborn enemy was communism. In the Middle East, by the 1950s, the most stubborn enemy was Arab nationalism. By the 1990s the most stubborn enemy was Islamic ‘radicalism’ and that, in its present savage incarnation, is where the turning wheel has come to rest for the time being. Civilization needs enemies, otherwise those are part of it would not know what it is: only by knowing the enemy do we know who we are. The enemy varies, which is why we need people like Professor Lewis to tell us who he is.
‘Mais uma vez a Terra entre os Dois Rios é o ponto focal do confronto entre as forças das trevas e a luz da civilização, ’ declarou, em 2004, L. Paul Bremer III, ‘Jerry’ para os amigos, procônsul dos Estados Unidos em Bagdá. Ele colocou os cidadãos do novo Iraque na linha de frente entre civilização e barbárie. Nisso Jerry, conscientemente ou não, estava repetindo uma linha que remonta de Bernard Lewis às observações do orientalista escocês do século 19 Sir William Muir que declarou, parafraseando-o, que o islã era o mais obstinado inimigo da civilização até então conhecido. Dentro de meio século ou em torno disso o inimigo mais obstinado era o comunismo. No Oriente Médio, nos anos 1950, o inimigo mais obstinado era o nacionalismo árabe. Nos anos 1990 o inimigo mais obstinado era o ‘radicalismo’ islâmico e esse, em sua presente encarnação bárbara, é onde a roda giratória veio a parar por enquanto. A civilização precisa de inimigos, caso contrário aqueles que fazem parte dela não saberiam o que ela é: apenas conhecendo o inimigo sabemos quem somos. O inimigo varia, e eis porque precisamos de pessoas como o Professor Lewis para dizer-nos quem ele é. 
Roots of ‘Takfiris’
Origens dos ‘takfiris’
Jerry was speaking a greater truth than he possibly knew even if civilization and barbarism have always been interdependent. Civilization needs barbarism not only as its alter ego but as the means by which it is delivered, with the infinitely greatest price always paid by those who are its raw material, the rough and ready clay from which it is molded. ‘The light of civilization’ in Iraq has now been shrunk to a pinpoint. The invasion of the Mongols in the 13th century has been superseded by the invasion of the takfiris. The Mongols are supposed to have left in their wake pyramids of skulls. Whether they actually did we will never know but there is no supposing about what the takfiris do. They bury their victims alive, cut their throats, behead them, line them up on the side of a road and shoot them in the back of the head and massacre them in groups. What the Mongols are supposed to have done comes down to us by word of mouth: what the takfiris do is filmed so we can watch and be horrified, terrified and intimidated.
Jerry estava falando verdade maior do que possivelmente saberia mesmo se civilização e barbárie tiverem sido sempre interdependentes. A civilização precisa da barbárie não apenas como seu alter ego mas como meio pelo qual ela é concedida, com o preço infinitamente maior sempre pago por aqueles que são sua matéria prima, o barro áspero e pronto a partir do qual ela é moldada. ‘A luz da civilização’ no Iraque agora reduziu-se ao tamanho de uma ponta de alfinete. A invasão dos mongóis no século 13 foi suplantada pela invasão dos takfiris. Os mongóis supostamente deixaram em sua esteira pirâmides de crânios. Se realmente deixaram nunca saberemos, mas o que os takfiris fazem não é questão de suposição. Eles enterram suas vítimas vivas, cortam-lhes a garganta, decapitam-nas, alinham-nas ao lado de uma estrada e atiram atrás da cabeça delas e as massacram em grupos. O que os mongóis supostamente fizeram chega a nós pelo que contam: o que os tafkiris fazem é filmado a fim de que possamos ver e ficar horrorizados, aterrorizados e intimidados. 
There is no mystery about where the takfiris come from. The ‘swamp’ is not the Syrian mukhabarat state or agricultural depression. They have their place in the unfolding of the crisis in Syria but the true breeding ground of the takfiris is the policies pursued by the US and its allies since 1990. They are ultimately responsible for what we now seeing in Iraq, which they crippled in the air war of 1991 and finally broke with the invasion of 2003. In 2011 it was Libya’s turn: what was a country is now a patchwork of territorial enclaves fought over by rival militias, mostly Islamist, one of which has just taken control of Tripoli’s international airport.
Não há mistério acerca de de onde os takfiris vêm. O ‘pântano’ não é o estado mukhabarat sírio ou a depressão agrícola. Eles têm seu lugar no desdobramento da crise na Síria, mas o verdadeiro caldo de cultura dos takfiris são as políticas perseguidas pelos Estados Unidos e seus aliados desde 1990. Elas são, em última análise, responsáveis pelo que estamos agora vendo no Iraque, que elas aleijaram na guerra aérea de 1991 e finalmente despedaçaram com a invasão de 2003. Em 2011 foi a vez da Líbia: o que era um país é agora uma colcha de retalhos de enclaves territoriais disputados a muque por milícias rivais, na maioria islamistas, uma das quais acaba de assumir o controle do aeroporto internacional de Trípoli.
After finishing off Libya the same crew turned their attention to Syria. Failing to win UNSC support for a full-scale aerial assault, they threw their weight behind an attack on the country through armed groups. The takfiris poured into the fissures they opened up. Turkey’s prime minister and now president, Recep Tayyip Erdogan, played a pivotal role, thrusting himself into the forefront of the campaign against the government in Damascus. The tough guy from the inner Istanbul suburb of Kasimpasa bellowed and raged at Bashar al Assad. Backing up words with action he turned southeastern Turkey into a jumping off point for armed men seeking the overthrow of the Syrian government, not just the (very) so-called Free Syrian Army (FSA) but foreign takfiris making their way to the front from the four corners of the Muslim worlds.
Depois de liquidar com a Líbia, a mesma turma voltou sua atenção para a Síria. Falhando em conseguir apoio do Conselho de Segurança das Nações Unidas - UNSC para agressão aérea de escala total, jogaram seu peso por trás de ataque ao país por meio de grupos armados. Os takfiris instilaram-se nas fissuras que eles abriram. O primeiro-ministro da Turquia e agora presidente, Recep Tayyip Erdogan, desempenhou papel fundamental, lançando-se na linha de frente da campanha contra o governo de Damasco. O durão do subúrbio decadente de Kasimpasa, em Istambul, mugiu e berrou para Bashar al Assad. Secundando palavras com ações, transformou o sudeste da Turquia em ponto de partida para homens armados em busca da derrubada do governo sírio, não apenas do (muito) assim chamado Exército da Síria Livre (FSA), mas de takfiris estrangeiros trilhando seu caminho para a linha de frente a partir dos quatro cantos dos mundos muçulmanos.
Misreading Syria
Leitura equivocada da Síria
Flying into Istanbul, all they had to do was walk to the domestic terminal and take the first plane to Antakya or Adana and the safe houses awaiting them; if they were Chechens, all they had to do was cross the Georgian border with Turkey in the northeast. Syrian takfiris operated from the refugee camps set up along the Turkish border, moving freely between them and treating Turkey as rest and recreation between bouts of fighting with one of the armed groups. ‘Gone to the mountain’ was what their womenfolk said to those who asked where they were. The questionable role of aid agencies in underwriting the activities of these people is just one of many questions that need to be answered at some point.
Voando para Istambul, tudo o que eles tinham a fazer era caminhar para o terminal doméstico e tomar o primeiro avião para Antaky ou Adana e os covis que esperavam por eles; se chechenos, tudo o que tinham a fazer era cruzar a fronteira georgiana com a Turquia a nordeste. Takfiris sírios operavam a partir dos campos de refugiados erigidos ao longo da fronteira turca, movendo-se livremente entre eles e tratando a Turquia como descanso e recreação entre surtos de combates com um dos grupos armados. ‘Foram para a montanha’ era o que as mulheres da comunidade diziam quando indagadas acerca de onde eles estavam. O papel questionável dos organismos de socorro em subscreverem as atividades dessas pessoas é apenas uma das muitas perguntas que precisam ser respondidas em algum momento.
The claim of a ‘rebellion’ – even worse a ‘revolution’ – hijacked by ‘extremists’ was not true from the start. Armed men butchered soldiers and civilians in the first week of the ‘peaceful protests’ in Dara’a and perpetrated a terrible massacre in Jisr al Shughur a few months later, burying bodies in mass graves or flinging them into the Assi (Orontes) river to cries of ‘Allahu Akbar.’ The FSA, organizing bombings in Damascus from across the border in Turkey, was soon supplanted in the field by takfiri fighting groups: its own most effective fighting force, the Faruq Brigades, was as brutal as any of the takfiri groups and permeated by takfirism anyway. The takfiris rejected everything the US and its allies, including the FSA and its political arm, the Syrian National Council, said they stood for. The western members of this coalition professed to be doing all this for the sake of democracy: as hostile to democracy as were the armed groups, Saudi Arabia and Qatar did not even pretend. Bashar al Assad oversaw amendments to the constitution which removed the Ba’ath Party as the central pillar of state and society and set up the framework of a multi-party electoral system. These significant changes were dismissed out of hand in Washington, London and Paris for the simple reason that the end objective in Syria never was ‘transition to democracy’ but the destruction of a government which was Iran’s most important regional ally.
A asseveração de uma ‘rebelião’ – pior ainda, uma ‘revolução’ – sequestrada por ‘extremistas’ não era verdade desde o começo. Homens armados estriparam soldados e civis na primeira semana dos ‘protestos pacíficos’ em Dara’a e perpetraram terrível massacre em Jisr al Shughur poucos meses depois, enterrando corpos em valas comuns ou arremessando-os no rio Assi (Orontes) aos gritos de ‘Allahu Akbar.’ O FSA, organizando explosão de bombas em Damasco a partir do cruzamento da fronteira com a Turquia, foi cedo suplantado na área por grupos combatentes takfiris: sua própria mais eficaz força combatente, as Brigadas Faruq, foi tão brutal quanto qualquer dos grupos takfiris e, de qualquer forma, estava permeada pelo takfirismo. Os takfiris rejeitaram tudo o que os Estados Unidos e seus aliados, inclusive o FSA e seu braço político, o Conselho Nacional Sírio, haviam dito ser o que eles defendiam. Os membros ocidentais dessa coalizão professaram estar fazendo tudo aquilo para o bem da democracia: tão hostis à democracia quanto os grupos armados, Arábia Saudita e Catar sequer fingiram. Bashar al Assad superintendeu emendas à constituição que removeram o Partido Ba’ath como pilar central do estado e da sociedade e estabeleceram o arcabouço de um sistema eleitoral multipartidário. Essas importantes mudanças foram desqualificadas de pronto em Washington, Londres e Paris pelo simples motivo de o objetivo final na Síria nunca ter sido ‘transição para a democracia’ e sim a destruição de um governo que era o mais importante aliado regional do Irã.
As it was only the takfiri fighting groups which had any hope of bringing this government down, the anti-Syrian coalition poured money and arms in their direction even while the US and its western partners claimed to support only the ‘moderates.’ They provided the takfiris with the anti-tank and surface-to-air missiles now in the possession of the Islamic state. They falsely and fraudulently accused the Syrian government of launching chemical weapons attacks which were undoubtedly the work of their protégés. Takfiris were trained in Jordan in a collaborative effort reportedly involving the US and Israel, which, according to the Syrian government, was channeling them into Syria through the occupied Golan Heights as well as treating the wounded in Israeli hospitals. Despite its claims of supporting only ‘moderates’ the US had no means of controlling where these fighters went once inside Syria. Many will have turned up inside the ranks of the Islamic state.
Como apenas os grupos combatentes takfiris representavam qualquer esperança de derrubar aquele governo, a coalizão contra a Síria despejou dinheiro e armas na direção deles, embora os Estados Unidos e seus parceiros ocidentais afiançassem estar apoiando apenas os ‘moderados.’ Forneceu aos takfiris os mísseis antitanque e superfície-ar agora em poder do estado islâmico. Falsa e fraudulentamente acusou o governo sírio de lançar ataques com armas químicas que eram isso sim indubitavelmente obra de seus próprios protegidos. Takfiris foram treinados na Jordânia num esforço cooperativo que, diz-se, envolveu os Estados Unidos e Israel, que, de acordo com o governo sírio, os canalizavam para dentro da Síria através das ocupadas Colinas de Golã, e bem assim tratavam os feridos em hospitais israelenses. A despeito de suas asseverações de dar suporte apenas a ‘moderados,’ os Estados Unidos não tinham meios para controlar onde esse combatentes iam uma vez dentro da Síria. Muitos terão aparecido nas fileiras do estado islâmico.
Selective Morality
Moralidade Seletiva
Only when European takfiris turned up in Syria did western governments begin to show alarm at the consequences of their policies and that was for their own sake, not Syria’s. The near-decapitation of a soldier in a London street in November, 2013, and later, the picture of a young Australian boy holding up the severed head of a Syrian soldier at the instigation of his doting father, caused alarm and revulsion. Heads had been cut and throats slit in Syria for years without these governments uttering a word of protest but the sight of their own citizens brandishing bloody knives and holding up severed heads filled them with disgust. What if they did these things, not in the streets and squares of Idlib or Al Raqqa, but the streets and squares of Washington, Paris, Brussels and London?
Apenas quando takfiris europeus apareceram na Síria governos ocidentais começaram a mostrar alarme com as consequências de suas políticas, e isso por interesse próprio, não da Síria. A quase decapitação de soldado em rua de Londres em novembro de 2013 e, mais tarde, o retrato de jovem menino australiano segurando a cabeça decepada de soldado sírio por instigação de seu pai coruja causaram alarme e repulsa. Cabeças haviam sido cortadas e gargantas abertas na Síria durante anos sem esses governos pronunciarem uma só palavra de protesto, mas a visão de seus próprios cidadãos brandindo facas sanguinolentas e exibindo cabeças decepadas encheu-os de nojo. E se eles viessem a fazer essas coisas não nas ruas e praças de Idlib ou Al Raqqa, mas nas ruas e praças de Washington, Paris, Bruxelas e Londres?
Even at this late stage, with the minions of the Islamic state rampaging across Iraq and Syria, their response to what is going on is morally selective. Yes, the Yazidis have to be saved from these butchers and so do the Kurds but what about everyone else? Is there any difference between a Syrian mother and child and an Iraqi mother and child, Yazidi, Sunni, Alawi, Shia or Christian, about to be swept into the black maw of the Islamic state? Or for that matter, equally ignored by western governments, the men, women and children slaughtered by the Zionists in Gaza?
Mesmo nessa fase tardia, com os apaniguados do estado islâmico ferozmente desembestados no Iraque e na Síria, a reação ao que está acontecendo é moralmente seletiva. Sim, os iazidis têm de ser salvos desses açougueiros e bem assim os curdos, mas e o resto? Há qualquer diferença entre mãe e filho sírios e mãe e filho iraquianos, iazidis, sunitas, alauítas, xiitas ou cristãos, no tocante a serem varridos para o negrume do abomaso do estado islâmico? Ou, por falar nisso, igualmente ignorados pelos governos ocidentais, os homens, mulheres e crianças chacinados pelos sionistas em Gaza?  
The response of the US to rise of the Islamic state has very much centered on protecting US interests as these excerpts from Barack Obama’s statement of August 18 indicate:
A reação dos Estados Unidos à ascensão do estado islâmico ficou extremamente centrada em proteger os interesses dos Estados Unidos, como revelam os excertos seguintes da declaração de 18 de agosto de Barack Obama:
‘The Mosul dam fell under terrorist control earlier this month and is directly tied to our objective of protecting Americans in Iraq. If that dam was breached it could have proven catastrophic, with flood that would have threatened the loss of thousands of civilian lives and endangered our embassy compound in Baghdad …. There should be no doubt that the United States military will continue to carry out the limited missions that I’ve authorized – protecting our personnel and facilities in Iraq in both Erbil and Baghdad and providing humanitarian support as we did on Mount Sinjar.’
‘A represa de Moçul caiu sob controle terrorista no início deste mês e isso está diretamente ligado a nosso objetivo de proteger os estadunidenses no Iraque. Se aquela represa fosse rompida isso se teria revelado catastrófico, com inundação que teria ameaçado a perda de milhares de vidas de civis e ameaçado nosso complexo da embaixada em Bagdá …. Não deverá haver dúvida de que a instituição militar dos Estados Unidos continuará a levar a efeito as missões limitadas que autorizei - protegendo nosso pessoal e nossas instalações tanto em Erbil quanto em Bagdá e proporcionando suporte humanitário como fizemos no Monte Sinjar.’
The Islamic state immediately flung down the gauntlet by beheading an American photographer and threatening to murder another captive American unless Obama stopped his ‘limited missions.’ Like most other journalists, these two crossed into Syria illegally and were reporting the war from the ‘rebel’ side before the ‘rebels’ turned on them. Captive Turkish nationals are similarly exposed. The followers of the Caliph Ibrahim kidnapped 49 Turkish consular staff and their families when they seized Mosul in July, along with 31 Turkish truck drivers. Since then nothing has been heard of them. The beheading of James Foley sends the same message to Turkey as is being sent to the US: if it does anything to slow the advance of the Islamic state its captured nationals may suffer the same terrible fate.
O estado islâmico imediatamente lançou a luva, mediante decapitar fotógrafo estadunidense e ameaçar matar outro estadunidense cativo a menos que Obama parasse com suas ‘missões limitadas.’ Como a maioria de outros jornalistas, aqueles dois entraram na Síria ilegalmente e estavam noticiando a guerra a partir do lado ‘rebelde’ antes de os ‘rebeldes’ atacarem-nos. Cativos de nacionalidade turca ficam similarmente expostos. Os seguidores do califa Ibrahim sequestraram 49 membros do serviço consular turco e as famílias deles quando tomaram Moçul em julho, juntamente com 31 caminhoneiros turcos. Desde então não mais se ouviu falar deles. A decapitação de James Foley envia a mesma mensagem à Turquia que está sendo enviada aos Estados Unidos: se ela fizer qualquer coisa para atrasar o avanço do estado islâmico, seus cidadãos capturados poderão ter o mesmo terrível destino.
‘Creative Chaos’
‘Caos Criativo’
The Mosul dam has been ‘saved’ and the Islamic state driven back from the approaches to Erbil but the city of Mosul remains in its hands and Aleppo is now threatened. Well financed from oil sales and well-armed, the Islamic state has the right combination of manpower, weaponry, fighting experience and confidence to sweep aside its takfiri rivals and challenge the Syrian army for control of the city. Its fall would clear the way through the Alawi heartland to the Mediterranean coast.
A represa de Moçul foi ‘salva’ e o estado islâmico feito recuar dos avanços sobre Erbil, mas a cidade de Moçul continua nas mãos dele e agora Aleppo está ameaçada. Bem financiado graças a venda de petróleo e bem armado, o estado islâmico tem a combinação certa de integrantes, armamento, experiência de combate e confiança para varrer do caminho seus takfiris rivais e desafiar o exército sírio na busca do controle da cidade. A queda dela limparia o caminho através do centro mais populoso alauíta à costa do Mediterrâneo.
Stopping the Islamic state just in Iraq – even if this can be done and the task is growing more difficult by the day – would be like chopping the head off a weed while leaving the roots in the ground. It is self-evident that it has to be stopped in Syria as well but this will mean calling off the campaign of the last four years and cooperating with the Syrian government. There are some signs that the US is already giving some support to Syria behind the scenes but no signs that it is prepared to do what is necessary to stop the Islamic state. Turkey is being asked to do more to seal its border and Saudi Arabia and Qatar will have to be told to cut off the money pipeline. As the Islamic state is increasingly self-sufficient it is already rather too late for this. The administration does not see the Islamic threat as an immediate threat to the homeland, so why do more than drop a few bombs and make noises about threatened minorities? Senior officials and military men are already saying that only when US interests are directly threatened will the administration do more.
Deter o estado islâmico apenas no Iraque - mesmo que isso possa ser feito, e a tarefa torna-se mais difícil cada dia - seria como cortar a folhagem de erva daninha deixando as raízes no solo. É evidente que ele tem de ser detido também na Síria, mas isso significará cancelar a campanha dos últimos quatro anos e cooperar com o governo sírio. Há alguns sinais de que os Estados Unidos já estão dando algum apoio à Síria por trás da cortina, mas não há sinais de que estejam dispostos a fazer o que é necessário para deter o estado islâmico. Está sendo pedido à Turquia que faça mais no sentido de lacrar sua fronteira, e terá de ser dito à Arábia Saudita e ao Catar que cortem a torneira do dinheiro. Na medida em que o estado islâmico torna-se cada vez mais autossuficiente, já é tarde demais para isso. A administração não vê a ameaça islâmica como ameaça imediata ao torrão natal e, pois, por que fazer mais do que despejar algumas bombas e fazer barulho acerca das minorias ameaçadas? Altas autoridades e militares já estão dizendo que só quando os interesses dos Estados Unidos ficarem diretamente ameaçados a administração fará mais.
The Islamic state is growing stronger by the day and stopping it in a few months is going to be infinitely more difficult than stopping it now, and here another question has to be asked. The US and its allies have tried very hard to destroy the Syrian government. Now they have in their hands the weapon they wanted all along: a highly motivated, well-armed movement with a large army. Is this by accident or design? Either way, why stop the Islamic state now when it has the best chance yet of breaking up Syria? If the problem is indecision and an unwillingness to commit then the US and its allies are giving the Islamic state exactly what it expected. If the end objective of ‘creative chaos’ always was creating more chaos, then the present mess can be regarded as a brilliant policy triumph. The alternative explanation is that the present mess is the inevitable outcome of decades of policies gone wrong: either way the ‘west’, its interests and its regional surrogates, especially those in the gulf, will eventually be no safer than anyone else.
O estado islâmico está cada dia mais forte e detê-lo dentro de alguns meses será infinitamente mais difícil do que fazê-lo agora, e aqui outra pergunta tem de ser formulada. Os Estados Unidos e seus aliados têm tentado muito fortemente destruir o governo sírio. Agora eles têm na mão a arma que sempre desejaram: movimento altamente motivado e bem armado, com um grande exército. Aconteceu isso por acidente ou deliberadamente? De qualquer forma, por que deter o estado islâmico agora, quando ele tem a melhor oportunidade de acabar com a Síria? Se o problema é indecisão e falta de disposição de comprometer-se, então os Estados Unidos e seus aliados estão dando ao estado islâmico exatamente o que ele esperava. Se o objetivo final do ‘caos criativo’ sempre foi criar mais caos, então a bagunça atual pode ser vista como brilhante triunfo político. A explicação alternativa é que a bagunça atual é o inevitável resultado de décadas de políticas fracassadas: em qualquer das duas hipóteses, o ‘ocidente’, seus interesses e seus representantes regionais, especialmente aqueles no golfo, no final não terão mais segurança do que qualquer outra pessoa.
- Jeremy Salt is an associate professor of Middle Eastern history and politics at Bilkent University in Ankara, Turkey. He contributed this article to PalestineChronicle.com.
- Jeremy Salt é professor associado de história e política do Oriente Médio na Universidade Bilkent em Ancara, Turquia. Ele escreveu este artigo para o PalestineChronicle.com.

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