Monday, September 8, 2014

TPC - Netanyahu vs. Abu Ubaydah: On Victory and False Victory


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The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
Netanyahu vs. Abu Ubaydah: On Victory and False Victory
Netanyahu vs. Abu Ubaydah: De Vitória e Falsa Vitória
Sep 3 2014 / 10:29 pm
3 de setembro de 2014 / 22:29 hs
Photo - The resistance victory statement was different from that of Netanyahu's.
Foto - A declaração de vitória da resistência foi diferente da de Netanyahu.
By Ramzy Baroud
Por Ramzy Baroud
In the rush to analyze the outcome of Israel’s 51-day war in Gaza, dubbed Operation Protective Edge, some may have neglected an important factor: this was not a war by traditional definitions of warfare, thus the conventional analyses of victory and defeat is simply not applicable.
No açodamento para analisar o resultado da guerra de 51 dias de Israel em Gaza, alcunhada de Operação Margem Protetora, algumas pessoas poderão ter negligenciado importante fator: essa não foi guerra segundo definições tradicionais de atividade guerreira, e portanto as análises convencionais de vitória e derrota simplesmente não são aplicáveis.
That being the case, how can we explain Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu’s triumphant statement on 28 August, and the massive celebrations on the streets of Gaza regarding the resistance ‘victory’ over Israel? To be truly fathomed, they must be understood in context.
Assim sendo, como poderemos explicar a triunfante declaração do Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu em 28 de agosto, e as maciças comemorações nas ruas de Gaza relativas à ‘vitória’ da resistência sobre Israel? Para serem verazmente deslindadas, elas terão de ser entendidas em contexto.
Soon after the ceasefire declaration on 26 August, ending Israel’s most destructive war on Gaza yet, Netanyahu seemed to have disappeared from the scene. Some Israeli media began predicting the end of his political reign. Although this notion was a bit hasty, one can understand why. Much of the man’s political career was predicated on his ‘anti-terror’ stance and Israeli security agenda.
Logo após a declaração de cessar-fogo de 26 de agosto, findando a mais destrutiva guerra de Israel contra Gaza, Netanyahu pareceu ter desaparecido do cenário. Parte da mídia israelense começou a prever o fim de seu reinado político. Embora essa noção fosse um tanto precipitada, é possível entender por quê. Grande parte da carreira política do homem estava assentada em sua posição ‘antiterror’ e na agenda de segurança israelense.
He served as prime minister from 1996 to 1999, with the decided aim of defeating the Oslo ‘peace process.’ He argued it compromised Israel’s security. Then as a finance minister in Sharon’s government (2003-05), he was troubled by Ariel Sharon’s intentions regarding re-deploying out of Gaza. In fact, it was the Gaza ‘disengagement plan’ that ended the Netanyahu-Sharon alliance.
Ele serviu como primeiro-ministro de 1996 a 1999, com o decidido propósito de desmontar o ‘processo de paz’de Oslo. Argumentava que ele comprometia a segurança de Israel. Em seguida, como ministro da finança no governo de Sharon (2003-05), foi inquietado pelas intenções de Ariel Sharon a respeito de reagrupar as forças militares fora de Gaza. Na verdade, foi o ‘plano de desengajamento’ de Gaza que pôs fim à aliança Netanyahu-Sharon.
It took Netanyahu a few years to fight his way back from the seeming oblivion in Israel’s complicated political landscape. He fought a grueling political battle, but managed to redeem only some of the rightwing Likud party’s past glory through fractious alliances. He served as prime minister from 2009-2013, and for a third term (a rarity in Israeli history) from 2013 to the present.
Levou alguns anos para que Netanyahu conseguisse sair de seu aparente olvido no complicado panorama político de Israel. Enfrentou exaustiva batalha política, mas conseguiu restaurar apenas parte da glória pretérita do partido direitista Likud, por meio de alianças turbulentas. Serviu como primeiro-ministro de 2009 a 2013, e num terceiro mandato (uma raridade em Israel) de 2013 ao presente.
Not only was Netanyahu the king of Israel, but its kingmaker as well. He did keep his friends close and enemies closer, and cleverly balanced out seemingly impossible coalition odds. He succeeded, not simply because he is a shrewd politician, but also because he managed to unite Israel around one goal: security. This he did by fighting “Palestinian terror,” a reference to various Palestinian resistance groups, including Hamas, and building Israeli defenses. He had such command over that political discourse that no one came even close, surly not the newcomer centralist politician Yair Lapid, or even rightwing and far-right hawks Avigdor Liberman and Neftali Bennet.
Não apenas foi Netanyahu o rei de Israel, mas também seu fazedor de reis. Ele manteve seus amigos perto e seus inimigos mais perto, e sagazmente equilibrou coalizões de probabilidade aparentemente impossível. Conseguiu-o, não apenas por ser político matreiro mas, também, por ter conseguido unir Israel em torno de uma meta única: segurança. Fez isso mediante combater o “terrorismo palestino,” referência a diversos grupos de resistência palestinos, inclusive o Hamas, e mediante robustecer as defesas israelenses. Ele teve tal domínio sobre tal discurso político que ninguém chegou sequer perto, seguramente não o político centrista chegante Yair Lapid, ou mesmo os falcões da direita e da extrema direita Avigdor Liberman e Neftali Bennet.
But then, Gaza happened, a war that could possibly become Netanyahu’s biggest miscalculation, and perhaps the reason for his downfall. Aside from the collapse in his approval ratings, down from 82% on 23 July, to less than 38% shortly after the ceasefire announcement, the man’s own language in his post-ceasefire press conference is telling enough.
Então, porém, Gaza aconteceu, guerra que poderia tornar-se o maior dos erros de cálculo de Netanyahu, e talvez motivo de sua derrocada. À parte o colapso de seus índices de aprovação, de 82% em 24 de julho para menos de 38% pouco depois do anúncio de cessar-fogo, o próprio palavreado do homem em sua coletiva de imprensa posterior ao cessar-fogo é suficientemente revelador.
He seemed desperate and defensive, arguing that Hamas failed to achieve its war objective, although it was Israel, not Hamas, that instigated the war with a list of objectives – none of which were achieved anyway. Hamas responded by mocking his statement as the group didn’t start the war, nor had any demands then, a group official told Al Jazeera. The demands were made in the subsequent ceasefire talks in Egypt, and some of them were in fact achieved.
Ele parecia desesperado e defensivo, argumentando que o Hamas fracassara em atingir seu objetivo de guerra, embora tenha sido Israel, não o Hamas, quem instigou a guerra com uma lista de objetivos - nenhum dos quais aliás conseguido. O Hamas respondeu mediante fazer caçoada da declaração dele, visto que o grupo não iniciara a guerra, nem tinha quaisquer demandas então, disse à Al Jazeera autoridade do grupo. As exigências foram feitas nas conversações subsequentes relativas ao cessar-fogo no Egito, e algumas delas foram de fato alcançadas.
Writing in Foreign Policy on 20 July 20, Ariel Ilan Roth came to an early conclusion about the Gaza war, which has proven to be only partly true. “No matter how and when the conflict between Hamas and Israel ends, two things are certain. The first is that Israel will be able to claim a tactical victory. The second is that it will have suffered a strategic defeat.”
Escrevendo no Política Externa em 20 de julho de 2014, Ariel Ilan Roth chegou a conclusão precoce acerca da guerra de Gaza, que veio a revelar-se apenas parcialmente verdadeira. “Independentemente de como e quando o conflito entre Hamas e Israel termine, duas coisas são certas. A primeira é que Israel conseguirá reivindicar vitória tática. A segunda é que terá sofrido derrota estratégica.”
Wrong. Even the tactical victory was denied this time around, unlike previous wars, most notably the so-called Operation Cast Lead (2008-09). The Gaza resistance must have learned from its past mistakes, managing to withstand a 51-day war with a destructive outcome unprecedented in all past Gaza conflicts. When the Egypt-mediated ceasefire was announced, every Israeli soldier was pushed behind Gaza’s borders.
Errado. Mesmo a vitória tática não foi alcançada desta vez, diferentemente das guerras anteriores, mais notavelmente a assim chamada Operação Chumbo Fundido (2008-09). A resistência de Gaza só pode ter aprendido com seus equívocos do passado, conseguindo sustentar uma guerra de 51 dias com resultado destrutivo sem precedente em todos os conflitos passados de Gaza. Quando o cessar-fogo mediado pelo Egito foi anunciado, todos os soldados israelenses haviam sido empurrados para fora das fronteiras de Gaza.
Almost immediately after the agreement, a Hamas official from Gaza read a statement in which he called on Israelis living in the many evacuated border towns to return to their homes, in a statement of defiance also unprecedented. Shortly after, hundreds of fighters representing all factions, Fatah included, stood at the ruins of the Shejaiya, neighbourhood in Gaza city. “There is no room amongst us for that defeated, weak Arab,” the military leader of the Gaza resistance Abu Ubaydah declared, as throngs of people showered the fighters with kisses.
Quase imediatamente depois do acordo, autoridade do Hamas em Gaza leu declaração na qual convidava os israelenses residentes nas muitas cidadezinhas evacuadas da fronteira a retornarem a seus lares, numa declaração de desafio também sem precedente. Pouco depois, centenas de combatentes representando todas as facções, inclusive o Fatah, confluíram para as ruínas de Shejaiya, bairro da cidade de Gaza. “Não há lugar, entre nós, para aquele árabe derrotado e fraco,” declarou o líder militar da resistência de Gaza Abu Ubaydah, enquanto multidões de pessoas cobriam os combatentes de beijos.
He too declared some kind of victory. But is his “victory” statement any different from that of Netanyahu’s?
Ele também declarou certo tipo de vitória. Será, porém, sua declaração de “vitória” em alguma coisa diferente daquela de Netanyahu?
“Israel has a history of claiming victory when in fact it has suffered defeat; the October 1973 war is the best example,” wrote Roth in Foreign Policy. The difference back then is that many in Israel accepted false victories. This time around they refuse to do so, as various opinion polls by Haaretz, Channel 2 and others are showing. Furthermore, the chasm in Israel’s political class is wider than it has been in many years.
“Israel tem um histórico de cantar vitória quando na verdade sofreu derrota; a guerra de outubro de 1973 é o melhor exemplo,” escreveu Roth em Política Externa. A diferença é que, o passado, muita gente em Israel aceitava as vitórias falsas. Desta vez as pessoas se recusam a fazê-lo, como estão mostrando diversas pesquisas de opinião de Haaretz, Canal 2 e outros. Ademais, a divergência acentuada de opiniões na classe política israelense é maior do que foi em muitos anos.
Irrespective of this, ‘victory’ of the resistance cannot be understood within the same context of Israel’s own definition of victory, or false victory. Surely the resistance “was able to establish deterrence, displaying an incredible level of resilience and strength, even when equipped with primitive weapons,” as argued by Samah Sabawi. The very idea that powerful Israel, and the likes of Netanyahu, can use Palestinians as a testing ground for weapons or to enhance approval ratings seems to be over. The Sharon old wisdom that the Arabs and Palestinians “must be hit hard” and “must be beaten,” as a precondition for calm, or peace, was challenged like never before in the history of Arab-Israeli wars.
Independentemente disso, ‘vitória’ da resistência não pode ser entendida no mesmo contexto da definição de vitória, ou de falsa vitória, do próprio Israel. Seguramente a resistência “foi capaz de estabelecer dissuasão, exibindo incrível nível de resiliência e força, mesmo equipada com armas primitivas,” como argumentou Samah Sabawi. A própria ideia de que o poderoso Israel, e os tipos tais como Netanyahu, podem usar os palestinos como campo de teste de armas ou fazer subir percentuais de aprovação parece ter ficado no passado. A velha sabedoria de Sharon segundo a qual “é preciso bater duro” nos árabes e nos palestinos e conforme a qual eles “precisam ser desancados” como pré-condição de calma, ou paz, foi contestada como nunca antes na história das guerras árabes-israelenses.
Gaza’s ceasefire “celebrations” were not the kind of celebrations that would follow a football match win. To comprehend it as an expression of mere joy is a mistake, and reflects a lack of understanding of Gaza society. It was more of a collective statement by people who lost 2,143 people, mostly civilians, and have over 11,000 wounded and maimed to care for. Let alone the total or partial destruction of 18,000 homes, 75 schools, many hospitals, mosques, and hundreds of factories and shops.
As “comemorações” do cessar-fogo em Gaza não foram do tipo das que se seguiriam a uma vitória em jogo de futebol. Entendê-las como expressão de mera alegria é equívoco, e reflete falta de entendimento da sociedade de Gaza. Foram mais uma declaração coletiva de pessoas que perderam 2.143 pessoas, em sua maioria civis, e têm mais de 11.000 feridos e mutilados para cuidar. Sem falar na destruição total ou parcial de 18.000 residências, 75 escolas, muitos hospitais, mesquitas, e centenas de fábricas e lojas. 
No, it was not a statement of defiance in the symbolic sense either. It was a message to Israel that the resistance has matured and that Israel’s complete dominance over when wars start and how they end is over.
Não, não foi, tampouco, declaração de desafio no sentido simbólico. Foi uma mensagem a Israel de que a resistência amadureceu e que o domínio completo de Israel acerca de quando começam e como terminam as guerras acabou.
Only the future could prove how accurate such an assessment is and how consequential it will be for the West Bank and East Jerusalem, which are under military occupation. Interestingly, “liberating Jerusalem,” was in fact a dominant theme among jubilant Palestinians in Gaza. Another theme was the insistence of national unity among all Palestinians. After all, this was the real reason why Netanyahu had launched his war on Gaza in the first place.
Apenas o futuro poderá revelar o quanto tal avaliação é precisa e o quanto ela terá consequências para a Margem Oeste e para Jerusalém Leste, que estão sob ocupação militar. Interessante que “libertar Jerusalem” foi de fato tema dominante entre os jubilosos palestinos em Gaza. Outro tema foi a insistência em unidade nacional entre todos os palestinos. Afinal de contas, esse foi o real motivo pelo qual Netanyahu deflagrou sua guerra em Gaza, antes de tudo. 
Resistance discourse, al-Muqawama, is now the most dominant in Palestine, and it goes beyond factional divides, or the tired discussion about useless ‘peace talks’ that garnered nothing for Palestinians but territorial loss, political division and much humiliation. That sentiment is already reverberating in the West Bank. But how it will be translated in the future is yet to be seen, considering the fact that the Palestinian Authority (PA) there is weak in its dealings with Israel, and very intolerant of any political dissent.
O discurso da resistência, al-Muqawama, é agora o mais dominante na Palestina, e vai além de divisões de facções, ou da exaurida discussão acerca de inúteis ‘negociações de paz’ que nada angariaram para os palestinos a não ser perdas territoriais, divisão política e muita humilhação. Esse modo de ver já está reverberando na Margem Oeste. Como porém será traduzido no futuro está ainda por ser visto, considerando-se o fato de que a Autoridade Palestina (PA) ali é fraca em suas lides com Israel, e muito intolerante em relação a qualquer dissidência política.
Israeli pressure on PA President Mahmoud Abbas will continue. In his first press conference after the ceasefire Netanyahu repeated the same ultimatum. Abbas “needs to choose what side he is on,” he said.
A pressão israelense sobre o Presidente da PA, Mahmoud Abbas, continuará. Em sua primeira coletiva de imprensa após o cessar-fogo Netanyahu repetiu o mesmo ultimato. Abbas “precisa escolher de que lado está,” disse ele.
After failing to end the Gaza resistance, Netanyahu is left with nothing other than pressuring Abbas, 79, whose choice, after Gaza’s war, means so little to begin with.
Depois de fracassar em acabar com a resistência em Gaza, Netanyahu é deixado sem nada, a não ser com pressionar Abbas, de 79 anos de idade, cuja amplitude de escolha, depois da guerra de Gaza, parece muito estreita, para começo de conversa.
- Ramzy Baroud is a PhD scholar in People’s History at the University of Exeter. He is the Managing Editor of Middle East Eye. Baroud is an internationally-syndicated columnist, a media consultant, an author and the founder of PalestineChronicle.com. His latest book is My Father Was a Freedom Fighter: Gaza’s Untold Story (Pluto Press, London).
- Ramzy Baroud é acadêmico com PhD em História de Baixo para Cima na Universidade de Exeter. É o Editor-Gerente de Middle East Eye. Baroud é colunista internacionalmente consorciado, consultor de mídia, autor e fundador do PalestineChronicle.com. Seu livro mais recente é Meu Pai Foi um Combatente pela Liberdade: A História Não Contada de Gaza (Pluto Press, Londres).

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