Sunday, September 14, 2014

TPC - ISIS and Israel Allies against a Palestinian State



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The Palestine Chronicle
The Palestine Chronicle
ISIS and Israel Allies against a Palestinian State
ISIS e Israel Aliados contra Estado Palestino
Sep 10 2014 / 1:46 pm
10 de setembro de 2014 / 13:46 hs
Photo - Alleged ISIS Syrian Rebels Burn Palestinian Flag in Aleppo (YouTube)
Foto - Rebeldes Supostamente Sírios do ISIS Queimam Bandeira Palestina em Aleppo (YouTube)
By Jonathan Cook – Nazareth
Por Jonathan Cook – Nazaré
An image speaks a thousand words – and that is presumably what Israel’s supporters hoped for with their latest ad in the New York Times.
Imagem fala mil palavras - e presumivelmente isso é o que os partidários de Israel esperaram com seu mais recente anúncio no New York Times.
Two photographs are presented side by side. One, titled ISIS, is the now-iconic image of a kneeling James Foley, guarded by a black-hooded executioner, awaiting his terrible fate. The other, titled Hamas, is a scene from Gaza, where a similarly masked killer stands over two victims, who cower in fear.
São apresentadas duas fotos em cotejo. Uma, intitulada ISIS, é a agora icônica imagem de um James Foley ajoelhado, sob guarda de executor de embuço preto, à espera de seu terrível destino. A outra, intitulada Hamas, é cena de Gaza, onde matador similarmente mascarado debruça-se sobre duas vítimas, que se retraem de medo.
A headline stating “This is the face of radical Islam” tries, like the images, to equate the two organizations.
Manchete afirmando “Esta é a face do islam radical” tenta, como as imagens, igualar as duas organizações.
We have heard this line repeatedly from Israel’s prime minister, Benjamin Netanyahu, who tweeted “Hamas is ISIS” after the video of Foley’s beheading aired. Last week, in a speech addressed to the family of Steven Sotloff, ISIS’s latest victim, he called Hamas and ISIS “tentacles of a violent Islamist terrorism.”
Temos ouvido esse refrão repetidamente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que tuitou “Hamas é ISIS” depois de o vídeo da decapitação de Foley ter ido ao ar. Semana passada, em discurso dirigido à família de Steven Sotloff, a mais recente vítima do ISIS, ele chamou o Hamas e o ISIS de “tentáculos de violento terrorismo islamista.”
Netanyahu’s depiction of Hamas and ISIS, or Islamic State, as “branches of the same poisonous tree” is a travesty of the truth.
A maneira de Netanyahu retratar Hamas e ISIS, ou Estado Islâmico, como “galhos da mesma árvore venenosa” é uma paródia da verdade.
The two have entirely different – in fact, opposed – political projects. ISIS wants to return to a supposed era of pure Islamic rule, the caliphate, when all Muslims were subject to God’s laws (sharia). Given that Muslims are now to be found in every corner of the globe, the implication is that ISIS ultimately seeks world domination.
Os dois têm projetos políticos inteiramente diferentes - na verdade, opostos. O ISIS deseja retorno a pretensa era de puro domínio islâmico, o califado, quando todos os muçulmanos estavam sujeitos às leis de Deus (sharia). Dado haver hoje muçulmanos em toda parte do mundo, a implicação é a de o ISIS, em última análise, buscar domínio mundial.
Hamas’s goals are decidedly more modest. It was born and continues as a national liberation movement, seeking to create a Palestinian state. Its members may disagree on that state’s territorial limits but even the most ambitious expect no more than the historic borders of a Palestine that existed a few decades ago.
As metas do Hamas são decididamente mais modestas. Nasceu e continua como movimento de libertação nacional, buscando criar estado palestino. Seus membros podem discordar quanto aos limites territoriais do estado, mas até os mais ambiciosos não esperam mais do que as fronteiras históricas de uma Palestina que existia há poucas décadas.
ISIS aims to sweep away Palestine and every other Arab state in the region.
O ISIS busca varrer Palestina e todos os outros estados árabes da região.
That is the key to interpreting the very different, if equally brutal, events depicted in the two images.
Essa é a chave para interpretar os eventos muito diferentes, se igualmente brutais, retratados nas duas imagens.
ISIS killed Foley, dressed in Guantanamo-style orange jumpsuit, purely as spectacle – a graphic message to the world of its menacing agenda. Hamas’ cruelty was directed at those in Gaza who collaborate with Israel, undermining any hope of Palestinian liberation from Israel’s occupation.
O ISIS matou Foley, vestido com macacão alaranjado no estilo Guantánamo, puramente como espetáculo - mensagem eloquente ao mundo de sua agenda ameaçadora. A crueldade do Hamas estava dirigida para aqueles, em Gaza, que colaboram com Israel, solapando qualquer esperança de libertação palestina da ocupação israelense.
The extra-judicial execution of collaborators may be ugly but it has a long tradition among resistance movements fighting asymmetrical wars. Militants among the Marxist revolutionaries of Latin America and the Catholic nationalists in Ireland, as well as the Allied resistance in Nazi Europe and the Jewish underground against the British in Palestine, had nary a Muslim in their ranks but they brutally punished those who betrayed them.
A execução extrajudicial de colaboradores pode ser feia mas tem longa tradição nos movimentos de resistência que combatem em guerras assimétricas. Militantes dentre os revolucionários marxistas da América Latina e os nacionalistas católicos na Irlanda, bem como a resistência aliada na Europa nazista e a clandestinidade judaica contra os ingleses na Palestina não tinham sequer um muçulmano em suas fileiras, mas puniam brutalmente aqueles que os traíam.
ISIS’s reported 20,000 foot soldiers have quickly taken over swaths of Iraq and Syria in a murderous and uncompromising campaign against anyone who rejects not only Islam but their specific interpretation of it.
Os supostamente 20.000 soldados de infantaria do ISIS tomaram rapidamente tratos de Iraque e Síria em campanha assassina e implacável contra quem quer que rejeitasse não apenas o islã mas a interpretação específica deste deles.
Hamas – split between political and militant factions – has shown itself both pragmatic and accountable to the Palestinian public. It won the last national election, in 2006, and after its recent fight against Israel in Gaza is by far the most popular Palestinian movement.
O Hamas – dividido entre facções políticas e militantes - tem-se mostrado ao público palestino tanto pragmático quanto responsável. Venceu a última eleição nacional, em 2006, e depois de sua recente luta contra Israel em Gaza é, de longe, o mais popular movimento palestino.
Despite being in control of Gaza for eight years, it has not implemented sharia law nor targeted the enclave’s Christians. Instead it has recently formed a unity government with its secular political rivals in Fatah, and has been more than willing to negotiate with Israel.
A despeito de estar no controle de Gaza há oito anos, não implementou a lei sharia nem perseguiu os cristãos do enclave. Pelo contrário - recentemente formou governo de unidade com seus rivais políticos seculares do Fatah, e tem estado mais do que disposto a negociar com Israel.
According to reports, Hamas leader Khaled Meshal has joined Mahmoud Abbas, the leader of the Palestinian Authority, in demanding the most diminutive Palestinian state possible, inside the 1967 borders.
De acordo com relatos, o líder do Hamas, Khaled Meshal, cotizou-se com Mahmoud Abbas, líder da Autoridade Palestina, em demandar o menor estado palestino possível, dentro das fronteiras de 1967.
Netanyahu’s fundamentalist right wing are the ones refusing to negotiate, with either Hamas or Abbas.
A ala direitista fundamentalista de Netanyahu é que se recusa a negociar, quer com Hamas ou Abbas.
In casting a popular resistance movement like Hamas as ISIS, Netanyahu has tarred all Palestinians as bloodthirsty Islamic extremists. And here we reach Israel’s real goal in equating the two groups.
Ao caracterizar movimento de resistência popular como o Hamas como ISIS, Netanyahu denigre todos os palestinos considerando-os extremistas islâmicos sanguissedentos. E neste ponto entendemos o real objetivo de Israel ao igualar os dois grupos.
Netanyahu’s comparison has a recent parallel. Immediately after the 9/11 attacks on the US, Ariel Sharon made a similar equivalence between al-Qaeda and the late Palestinian leader Yasser Arafat.
A comparação de Netanyahu tem paralelo recente. Imediatamente após os ataques do 11/9 aos Estados Unidos, Ariel Sharon estabeleceu equivalência similar entre al-Qaeda e o falecido líder palestino Yasser Arafat.
Israel’s intelligence officials even called the destruction of the Twin Towers a “Hanukkah miracle”, a view echoed by Netanyahu years later when he described the attack as beneficial, adding that it had “swung American public opinion in our favor”.
As autoridades de inteligência de Israel chegaram a chamar a destruição das Torres Gêmeas de “milagre de Hanukkah”, ponto de vista que reverberou em Netanyahu anos depois quando ele descreveu o ataque como benéfico, acrescentando que ele “fez guinar a opinião pública estadunidense para nosso lado”.
All of them understood that 9/11 had reframed the debate about the Oslo-inspired debate about the Palestinians needing statehood to one about an evil axis of Middle East terror.
Todos eles entenderam que o 11/9 havia modificado o quadro do debate inspirado em Oslo acerca de os palestinos precisarem de um estado, para debate acerca de eixo do mal do terror no Oriente Médio.
Sharon reveled in calling Arafat the head of an “infrastructure of terror”, justifying Israel’s crushing the uprising of the second intifada.
Sharon deliciou-se em chamar Arafat de líder de uma “infraestrutura de terror”, justificando o esmagamento, por Israel, do levante da segunda Intifada.
Similarly, Netanyahu’s efforts are designed to discredit all – not just the Islamic variety of – Palestinian resistance to Israel’s occupation. He hopes to be the silent partner to Barack Obama’s new coalition against ISIS.
Similarmente, os esforços de Netanyahu visam a desacreditar toda - não apenas a variedade islâmica da - resistência palestina à ocupação de Israel. Ele espera ser o parceiro silente da nova coalizão de Barack Obama contra o ISIS.
Aaron David Miller, an adviser to several US administrations on Israeli-Palestinian negotiations, warned in Foreign Policy last week that the rise of ISIS would pose a serious setback to Palestinian hopes of statehood – a point underscored by the far greater concerns about ISIS than the Palestinians’ plight expressed by Arab League delegates at this week’s meeting in Cairo.
Aaron David Miller, assessor de diversas administrações dos Estados Unidos para negociações israelenses-palestinas, advertiu, em Foreign Policy, na semana passada, que a ascensão do ISIS representaria sério revés para as esperanças palestinas de um estado - ponto que fica bem claro ao se notar as preocupações muito maiores com o ISIS do que com o drama dos palestinos expressadas pelos delegados da Liga Árabe na reunião desta semana no Cairo.
How Netanyahu hopes to follow Sharon in exploiting this opportunity was on show last week, when Israeli intelligence revealed a supposed Hamas plot to launch a coup against the PA.
Como Netanyahu espera seguir Sharon na exploração dessa oportunidade ficou visível na semana passada, quando a inteligência israelense revelou suposta conspiração do Hamas para desferir golpe contra a Autoridade Palestina - PA.
The interrogation of Hamas officials, however, showed only that they had prepared for the possibility of the PA’s rule ending in the West Bank, either through its collapse under Israeli pressure or through a disillusioned Abbas handing over the keys to Israel.
O interrogatório de autoridades do Hamas, porém, mostrou apenas que eles estavam preparados para a possibilidade do final do governo da PA na Margem Oeste, ou por causa de colapso sob pressão israelense, ou por um desiludido Abbas entregando as chaves a Israel.
But talk of Hamas coups has melded with other, even wilder stories, such as the claims last week from foreign minister Avigdor Lieberman that ISIS cells had formed in the West Bank and inside Israel. Defense minister Moshe Yaalon underscored this narrative by hurriedly classifying ISIS as a “proscribed” organization.
A conversa acerca de golpes do Hamas, porém, mesclou-se com outras histórias, ainda mais fortes, como as afirmações, na semana passada, do ministro do exterior Avigdor Lieberman de que haviam sido formadas células do ISIS na Margem Oeste e dentro de Israel. O ministro a defesa Moshe Yaalon avalizou a narrativa mediante rapidamente classificar o ISIS como organização “proscrita.”
All this fear-mongering is designed both to further undermine the Palestinian unity government between Hamas and Fatah, and to sanction Israel’s behavior by painting a picture, as after 9/11, of an Israel on the front line of a war against global terror.
Toda essa instigação de medo visa tanto a solapar mais amplamente o governo de unidade palestina de Hamas e Fatah quanto a sancionar o comportamento de Israel mediante pintar um quadro, como depois do 11/9, de um Israel na linha de frente de uma guerra contra o terror global.
“Israel’s demands for a continued Israeli presence [in the West Bank] and a lengthy withdrawal period will only harden further,” wrote Miller.
“As demandas de Israel em favor de continuação da presença israelense [na Margem Oeste] e de longo período de retirada apenas se tornarão mais enfáticas,” escreveu Miller.
In reality, Israel should share common cause with Palestinian leaders, from Fatah and Hamas, against ISIS. But, as ever, Netanyahu will forgo his country’s long-term interests for a short-term gain in his relentless war to keep the Palestinians stateless.
Na realidade, Israel deveria compartilhar causa comum com os líderes palestinos, de Fatah a Hamas, contra o ISIS. Como sempre, porém, Netanyahu relegará os interesses de longo prazo de seu país em favor de ganho de curto prazo em sua incansável guerra para manter os palestinos sem estado.
- Jonathan Cook won the Martha Gellhorn Special Prize for Journalism. His latest books are “Israel and the Clash of Civilisations: Iraq, Iran and the Plan to Remake the Middle East” (Pluto Press) and “Disappearing Palestine: Israel’s Experiments in Human Despair” (Zed Books). He contributed this article to PalestineChronicle.com. Visit his website: www.jonathan-cook.net. (A version of this article first appeared in the National, Abu Dhabi.)
- Jonathan Cook ganhou o Prêmio Especial Martha Gellhorn de Jornalismo. Seus livros mais recentes são “Israel e o Embate de Civilizações: Iraque, Irã e o Plano para Refazer o Oriente Médio” (Pluto Press) e “Palestina em Desaparecimento: Experimentos de Israel em Desespero Humano” (Zed Books). Ele encaminhou este artigo para publicação no PalestineChronicle.com. Visite o website dele: www.jonathan-cook.net. (Versão deste artigo foi publicada anteriormente no the National, Abu Dhabi.)

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