Thursday, September 18, 2014

Memory in Latin America - Response to "Memory is not history"


English
Português
Memory in Latin America
Memória na América Latina
...the news headlines include a number of stories that reflect the persistence of a past that is everlasting and does not wish to pass... (Jelin, State Repression and the Struggles for Memory, 2003)
...os títulos de jornais incluem diversos textos que refletem a persistência de um passado que é perene e recusa-se a ficar para trás... (Jelin, Repressão do Estado e as Lutas por Memória, 2003)
Response to "Memory is not history"
Resposta a "Memória não é história"
Monday, 15 September 2014
Segunda, 15 de setembro de 2014
The Economist's Bello column this week has a column entitled "Memory is not history", which argues that "there are dangers [in South America’s] intellectual fashion for “historical memory”." It goes on to accuse "the left" of "rewriting history" - in fact, of imposing "memory" over an accurate "history".
A The Economist desta semana tem uma coluna de Bello intitulada "Memória não é história", que sustenta que "há perigos [na América do Sul] no modismo intelectual em favor da “memória histórica”". Continua, acusando "a esquerda" de "reescrever a história" - na verdade, de impor "memória" a uma "história" acurada.
I would argue that the piece contains several important distortions, aside from trying to lump together a region from Colombia down to the Southern Cone.
Gostaria de argumentar que o artigo ostenta diversas distorções importantes, além de tentar amontoar num único todo uma região que se estende da Colômbia ao Cone Sul.
The historical truth silenced by “memory” is that the cold war in Latin America was fought by two equally authoritarian sides.
A verdade histórica silenciada pela “memória” é que a guerra fria na América Latina foi embate de dois lados igualmente autoritários.
But it was not. To take the example of Argentina, yes, there were Montoneros and there were incidences of left-wing violence before the 1976 coup. But to suggest that the small leftist group, which was largely destroyed before the military took power, was in any way equivalent to the forces of the State is very far off the mark.
Acontece que não foi. Para tomar o exemplo da Argentina, sim, houve Montoneros e houve incidentes de violência esquerdista antes do golpe de 1976. Sugerir, contudo, que aquele pequeno grupo esquerdista, que estava em grande parte destruído antes de os militares tomarem o poder, era sob qualquer aspecto equivalente às forças do estado é cometer erro palmar.
The Economist points out that some human rights groups in Argentina tend to use the figure of 30,000 disappeared and it contrasts this with the nearly 9,000 victims recorded by the CONADEP commission. It is inaccurate and unfair to use the CONADEP list to undermine estimates of the disappeared, and I explained explained why in detail years agowhy in detail years ago. See also here for more on the numbers.
The Economist destaca que alguns grupos de direitos humanos na Argentina tendem a usar o número de 30.000 desaparecidos e que isso contrasta com as aproximadamente 9.000 vítimas registradas pela comissão CONADEP. É inexato e injusto usar a lista da CONADEP para solapar estimativas de desaparecidos, e expliquei por que, detalhadamente, há anos. Veja também aqui para mais acerca dos números.
None of this mitigates the inexcusable barbarity of Pinochet or of the Argentine junta.
Nada disso mitiga a brutalidade indesculpável de Pinochet ou da junta argentina.
The problem is that it does. You can't equate State terrorists with their victims, suggest that calculations of the disappeared are deliberately inflated, and then claim that you're not weakening the accounts of the dictatorships' crimes.
O problema é que mitiga. Não se pode comparar terroristas estatais com suas vítimas, sugerir que os cálculos de desaparecidos estejam deliberadamente inflados, e em seguida asseverar que isso não esmaece as descrições dos crimes das ditaduras.
Memorials are a shorthand, yes. You can't include the whole complexities of a country's experiences on a plaque. Memory, in its wider sense, tends to include the testimonies of victims and relatives and it encompasses a whole range of commemorative acts, both formal and informal. Pulling out the memory/history dichotomy and reiterating the dos demonios theory ("each side was as bad as the other") is a means of obscuring human rights abuses and seeking to paper over the crimes of the past.
Os memoriais são resumos, sim. Não é possível incluir todas as complexidades da experiência de um país numa placa. A memória, em seu sentido mais amplo, tende a incluir os depoimentos de vítimas e parentes e abrange todo um espectro de atos comemorativos, tanto formais quanto informais. Elidir a dicotomia memória/história e reiterar a teoria dos dois demônios ("cada lado foi tão ruim quanto o outro") são meios de ocultar abusos de direitos humanos e tentar tapar o sol com a peneira no tocante aos crimes do passado.


No comments:

Post a Comment