Sunday, September 28, 2014

Jonathan Cook – The Blog from Nazareth / Israel’s very own history of eugenics


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Jonathan Cook – The Blog from Nazareth
Jonathan Cook – O Blog de Nazaré
Israel’s very own history of eugenics
A história bem específica de eugenia de Israel
26 September 2014
26 de setembro de 2014
This hour-long documentary, the Ringworm Children, raises so many disturbing questions about Israel and its relationship with the US that one hardly knows where to begin.
O documentário abaixo, de uma hora de duração, As Crianças com Dermatofitose, suscita tantas perguntas inquietantes acerca de Israel e de sua relação com os Estados Unidos que é difícil saber por onde começar.
In the 1950s, waves of new immigrants swept into Israel. To the dismay of the country’s Ashkenazi leaders (those originating from Europe and the US), the great majority were from Arab countries. Levi Eshkol, a later prime minister, expressed a common sentiment when he called them “human rubbish”. Israel, deprived of “good-quality” Jews, was being forced to bring to its shores Arab Jews, seen as just as primitive and dirty as the Palestinians whom Israel had recently succeeded in ethnically cleansing.
Nos anos 1950, levas de novos imigrantes aportaram em Israel. Para desânimo dos líderes asquenazes (aqueles que haviam vindo de Europa e Estados Unidos), a grande maioria vinha de países árabes. Levi Eshkol, posteriormente primeiro-ministro, expressou modo de sentir comum ao chamá-la de “lixo humano”. Israel, privado de judeus de “boa qualidade,” estava sendo forçado a trazer para suas costas judeus árabes, vistos como tão primitivos e sujos quanto os palestinos em relação aos quais Israel havia sido recentemente bem-sucedido em limpar etnicamente.
Into this deeply racist atmosphere stepped Dr Chaim Sheba, a eugenicist, who believed that the Arabs Jews were bringing along with them diseases that threatened the Ashkenazi Jews. His obsession was ringworm, an innocuous childhood disease that affects the scalp. He went to the US, collected old military X-ray equipment and zapped tens of thousands of these children’s heads with potentially lethal doses of radiation. The survivors tell of their horrifying experiences during and after the treatment, and of the brothers and sisters they lost at a young age.
Nessa atmosfera profundamente racista entrou em cena o Dr. Chaim Sheba, eugenista, o qual acreditava que os judeus árabes estavam trazendo consigo doenças que ameaçavam os judeus asquenazes. A obsessão dele era a dermatofitose, doença inócua da infância que afeta o couro cabeludo. Ele foi para os Estados Unidos, obteve equipamento militar antigo de raios X e sapecou doses potencialmente letais de radiação na cabeça de dezenas de milhares de crianças. Os sobreviventes falam de suas pavorosas experiências durante e depois do tratamento, e dos irmãos e irmãs de tenra idade que perderam.
But this isn’t just a history lesson exploring an unusual aspect of Israel’s racist underpinnings. The documentary exposes a massive cover-up by the state: many of the children’s medical files – long thought to have been lost – were actually held by one of the doctors involved. Even after this disclosure, the state has continued to refuse the victims access to the files, despite the fact that such access may be vital in helping them receive the correct life-saving treatment, as well as proper compensation.
Não se trata, contudo, apenas de aula de história explorando aspecto insólito dos alicerces racistas de Israel. O documentário expõe enorme encobrimento por parte do estado: muitos dos prontuários médicos das crianças – que de longa data se supunha perdidos – foram na verdade mantidos na posse de um dos médicos envolvidos. Mesmo depois dessa revelação, o estado continuou a recusar às vítimas acesso aos prontuários, a despeito do fato de tal acesso ser vital para ajudá-las a receber o tratamento correto para preservação das próprias vidas, bem como para indenização adequada.
The final shocking twist is the discovery that all these experiments cost the equivalent of hundreds of millions of dollars in today’s terms – in fact, more than Israel’s entire annual budget at the time. How could Israel have afforded it?
A chocante surpresa final é a descoberta de que todos esses experimentos custaram o equivalente a centenas de milhões de dólares em cifras atuais – na verdade, mais do que o orçamento anual total de Israel à época. Como pôde Israel arcar com o custo?
The documentary suggests persuasively that the US, with its own long fascination with eugenics, most likely sub-contracted these experiments to Israel as a way to bypass the increasing domestic legal impediments it faced. The US presumably footed the huge bill.
O documentário sugere persuasivamente que os Estados Unidos, com sua própria fascinação de longo tempo pela eugenia, muito provavelmente subcontrataram Israel para esses experimentos, como forma de contornar os crescentes obstáculos jurídicos internos ao país com que se deparavam. Os Estados Unidos presumivelmente bancaram a colossal conta.
There are a couple of troubling omissions in the documentary itself. The first is that Dr Sheba did not carry out these experiments on Arab Jews only. He also exposed many Palestinian children in Israel to the same huge doses, for the same racist reasons.
Há algumas omissões preocupantes no próprio documentário. A primeira é não mencionar que o Dr. Sheba não conduziu esses experimentos apenas em judeus árabes. Ele também expôs muitas crianças palestinas em Israel às mesmas doses colossais, pelas mesmas razões racistas.
The other is that Dr Sheba is still venerated to this day in Israel and has one of the country’s most famous hospitals, the Chaim Sheba Medical Center, named after him. As the documentary makes clear, there was plenty of evidence by the 1950s of the extremely dangerous effects of radiation on humans. What Dr Sheba did was a form of genocide. That he is still honoured in Israel is, to my mind, no different from Germany naming a hospital in Berlin the Josef Mengele Medical Center.
A outra é não dizer que o Dr. Sheba continua a ser venerado, até hoje, em Israel, e um dos mais famosos hospitais do país, o Centro Médico Chaim Sheba, recebeu dele o nome. Como o documentário deixa claro, havia evidência mais do que suficiente, nos anos 1950, acerca dos efeitos extremamente perigosos de radiação em seres humanos. O que o Dr. Sheba praticou foi modalidade de genocídio. O fato de ele ainda ser respeitado em Israel é, em meu modo de ver, algo em nada diferente de a Alemanha dar a hospital em Berlim o nome de Centro Médico Josef Mengele.
But keeping Dr Sheba’s reputation unblemished is, I suspect, important to those who wish to prevent other, even more unseemly skeletons being unearthed over this affair.
Nada obstante, manter ilibada a reputação do Dr. Sheba é, suspeito, importante para aqueles que desejam impedir que outros esqueletos relacionados com o caso, ainda mais inconvenientes, sejam exumados.
(UPDATE BELOW)
(ATUALIZAÇÃO ABAIXO)
The documentary, from 2003, is in five 10-min parts:
O documentário, de 2003, tem cinco partes de 10 minutos cada:
Please see the original post/Por favor veja a afixação original/ http://www.jonathan-cook.net/blog/2014-09-26/israels-very-own-history-of-eugenics/
UPDATE:
ATUALIZAÇÃO:
I often talk about “hasbara” (which Israelis translate as “explanation” but really means “propaganda”) but rarely have I found an example of it quite as blatant as the entry on the Ringworm Affair on Wikipedia. By the look of it, it has been written by an Israeli government hasbara team. One can almost hear the indignation in the text of the entry as the documentary’s claims are dismissed. Interestingly, however, no attempt is made to refute the two accusations at the heart of the film: that the medical files are still being withheld from the victims, and that the sum needed for the experiments was astronomical and way beyond Israel’s means. So who paid for them and why?
Falo amiúde de “hasbara” (que os israelenses traduzem como “explanação” mas realmente significa “propaganda”) porém raramente encontrei exemplo tão flagrante quanto o no tópico acerca do Caso da Dermatofitose na Wikipedia. Pelo jeito, foi escrito por equipe de hasbara do governo israelense. É quase audível a indignação no texto do tópico à medida que as asseverações do documentário são desqualificadas. Interessante, porém, é que nenhuma tentativa é feita para refutar as duas acusações no cerne do filme: a de que os prontuários médicos ainda estão retidos sem acesso das vítimas a eles, e a de que a quantia necessária para os experimentos era astronômica e além dos meios de Israel. Portanto, quem pagou, e por quê?

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