Saturday, September 20, 2014

IKN - The Economist keeps up its pathetic South American coverage



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The Economist keeps up its pathetic South American coverage
The Economist continua sua cobertura de fazer chorar da América do Sul
Otto - 9/15/2014
Otto - 15/09/2014
I've heard tell from people living in other parts of the planet that The Economist covers their patch fairly well. I've also seen the occasional piece of sanity, repeat on occasion, from certain TE correspondents who write on specific locations in this continent. But overall they're the worst kind of stupid about South America, the stupid that tries and fails to ram down throats their house bias (dripping with White Man's Burden) in pieces that have the air of sagacity but once the surface is scratched, bear little or no resemblance to reality.
Já ouvi de pessoas residentes em outras partes do planeta que The Economist cobre sua região razoavelmente bem. Também já vi o ocasional episódio de sanidade, que se repete ocasionalmente, de certos correspondentes da TE que escrevem a respeito de locais específicos deste continente. No todo, porém, a revista é o pior tipo de ignorante acerca da América do Sul, o ignorante que tenta, sem conseguir, fazer descer pela goela do leitor seus preconceitos (embebidos no Fardo do Homem Branco [Rudyard Kipling, N.doT]) em artigos que têm ar de sagacidade mas, uma vez raspada a superfície, guardam pouca ou nenhuma semelhança com a realidade.
Intro done, and case in point this week is this article entitled "Memory is not history: “Dirty war” memorials should not be used to rewrite the past", which promotes the idea that post-dictatorship governments in South America are guilty of revisionism about the atrocities of the past, typically the 1970's (e.g. Chile, Argentina) but pre- and post- that hot period as well. As has been picked up by critics of the piece already, there's a basic falsehood in the title itself: Like it or not, memory is history. Lillie over at her always thoughtful blog on the subject puts it this way:
Introdução feita, e o caso em questão esta semana é este artigo intitulado "Memória não é história: memoriais da “guerra suja” não deveriam ser usados para reescrever o passado", o qual promove a ideia de que os governos pós-ditadura da América do Sul são culpados de revisionismo acerca das atrocidades do passado, tipicamente as dos anos 1970 (por exemplo Chile, Argentina) mas de antes e depois daquele período turbulento também. Como já bem percebido por críticos do artigo, há falsidade básica no próprio título: Goste você ou não, memória é história. Lillie, em seu sempre competente blog a respeito do assunto expressa-se do seguinte modo:
"Memorials are a shorthand, yes. You can't include the whole complexities of a country's experiences on a plaque. Memory, in its wider sense, tends to include the testimonies of victims and relatives and it encompasses a whole range of commemorative acts, both formal and informal."
"Os memoriais são apenas resumos, sim. Não é possível incluir todas as complexidades da experiência de um país numa placa. A memória, em seu sentido mais amplo, tende a incluir os depoimentos de vítimas e parentes e abrange todo um espectro de atos comemorativos, tanto formais quanto informais."
Meanwhile, Colin Snider (just back from his summer break, welcome back sir) at his space Americas South And North says it even more directly:
Por outro lado, Colin Snider (que acaba de voltar de sua folga de verão, bem-vindo de volta, senhor) em seu espaço em Américas Sul e Norte diz ainda mais diretamente:
Is memory history? Not in and of itself, no. But memory is a part of history, and a vital one.
É memória história? Não em si e de si própria - não é. Mas a memória é parte da história, e parte vital.
And that's exactly right. TE has apparently decided that people's experiences of the Dirty War period are discountable and their recollections, now concentrated into Memory Museums or commemorative statues by later government initiatives, don't count. Why that might be is easy to guess, as Occam's Razor would point to the obvious and long-standing colonial right wing editorial line of TE, then point to the tendency of post-dictatorship South American governments to be politically centrist, centre-left or plain left-wing, then put them together. Yes, TE sees lefties hiding behind bushes and reds in your beds, people. Take this line from the TE article as Exhibit A:
E é exatamente isso. A TE aparentemente resolveu que as experiências das pessoas no período da Guerra Suja são negligenciáveis e suas lembranças, agora concentradas nos Museus da Memória, ou em estátuas comemorativas graças a iniciativas de governos posteriores, não contam. Por que seria assim é fácil de adivinhar, visto que a Navalha de Occam apontaria para a óbvia e de longa data linha editorial colonial de direita da TE, em seguida apontaria para a tendência pós-ditatorial de governos da América do Sul de serem politicamente centristas, de centro-esquerda ou simplesmente de esquerda, e em seguida juntaria os dois elementos. Sim, a TE vê esquerdinhas escondendo-se atrás de moitas e comunistas nas camas de vocês, gente. Tomem esta linha do artigo da TE como Transparência A:
"The historical truth silenced by “memory” is that the cold war in Latin America was fought by two equally authoritarian sides."
"A verdade histórica silenciada pela “memória” é que a guerra fria na América Latina foi objeto de confronto de dois lados igualmente autoritários."
TE wants us to believe that yes those righties may have killed tens of thousands of people, but the lefties they were killing were equally as bad. Colin Snider replies succinctly and accurately in a way I couldn't manage to such bunkum (i.e. without using swear words):
A TE quer que acreditemos que, verdade, aqueles direitinhas podem ter matado dezenas de milhares de pessoas, mas os esquerdinhas que eles mataram eram igualmente maus. Colin Snider responde sucinta e precisamente a tal disparate de modo que eu não conseguiria (pelo menos sem usar palavrões):
To suggest that “both sides were equally authoritarian” is nonsense, because in order to be authoritarian, you actually have to have access to the instruments and mechanisms of power that allow you to rule in an authoritarian fashion. The leftist movements, armed or unarmed, never did; the right-wing military dictatorships did.
Sugerir que “ambos os lados foram igualmente autoritários” é um disparate porque, para ser-se autoritário, há que ter acesso aos instrumentos e mecanismos de poder que permitam governar de maneira autoritária. Os movimentos esquerdistas, armados ou desarmados, nunca o fizeram; as ditaduras militares de direita sim.
The Economist has a woeful track record of South American coverage, so in one way today's piece from them is just another in the line. But it's more insidious than the norm because it's a sneak attack that tries to take the truth, by which I mean the truth of the South American people directly affected by the Dirty War period, and portray that well documented but (by its own definition) subjective truth as revisionist, only to replace it with TE's own historically inaccurate revisionism which (oh so coincidentally) lends support to the right wing and that means people such as England's friends, Los Pinochet. Don't fall for the rubbish TE writes on the region, there's way too much of it already.
The Economist tem um histórico calamitoso de cobertura da América Latina e, portanto, de certo modo, o artigo de hoje é apenas mais um da fila. É, porém, mais insidioso do que o normal, posto que ataque covarde que tenta tomar a verdade, quero dizer, a verdade dos sul-americanos diretamente afetados pelo período da Guerra Suja, e retratar essa verdade bem documentada mas (pela definição da revista) subjetiva como revisionista, com vista a substituí-la pelo próprio revisionismo historicamente não rigoroso da TE que (oh vejam só que coincidência) empresta apoio à direita, e por direita se entende gente como os amigos da Inglaterra, Los Pinochet. Não se deixe engodar pelo lixo que a TE escreve acerca da região, já há dele demais. 
UPDATE: Setty has a different angle and lots of good background material thanks to a transcript of an interview he did with Ricardo Brodsky, executive director of the Memory Museum in Chile. Find that right here.
ATUALIZAÇÃO: Setty tem ângulo diferente e muito material de antecedentes graças a transcrição de entrevista que teve com Ricardo Brodsky, diretor executivo do Museu da Memória no Chile. Veja logo aqui.

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