Tuesday, August 12, 2014

The Anti-Empire Report - Cold War Two


English
Português
William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #131
O Relatório Anti-Império No. 131
By William Blum – Published August 11th, 2014
Por William Blum – Publicado em 11 de agosto de 2014
Cold War Two
Segunda Guerra Fria
During Cold War One those of us in the American radical left were often placed in the position where we had to defend the Soviet Union because the US government was using that country as a battering ram against us. Now we sometimes have to defend Russia because it may be the last best hope of stopping TETATW (The Empire That Ate The World). Yes, during Cold War One we knew enough about Stalin, the show trials, and the gulags. But we also knew about US foreign policy.
Durante a Primeira Guerra Fria aqueles dentre nós da esquerda radical estadunidense amiúde nos víamos na contingência de termos de defender a União Soviética, porque o governo dos Estados Unidos estava usando aquele país como aríete contra nós. Agora por vezes temos de defender a Rússia porque ela poderá ser a última melhor esperança de conter TETATW (O Império Que Devorou O Mundo). Sim, durante a Primeira Guerra Fria sabíamos o bastante acerca de Stalin, os julgamentos de fachada, e os gulags. Também sabíamos, porém, acerca da política externa dos Estados Unidos.
E-mail sent to the Washington Post July 23, 2014 about the destruction of Malaysian Airlines Flight 17:
E-mail enviado ao Washington Post em 23 de julho de 2014 acerca da destruição do Voo 17 das Linhas Aéreas Malaias:
Dear Editor,
Prezado Editor,
Your July 22 editorial was headed: “Russia’s barbarism. The West needs a strategy to contain the world’s newest rogue state.”
Seu editorial de 22 de julho tinha o título: “Barbárie da Rússia. O Ocidente precisa de uma estratégia para conter o mais recente estado sem escrúpulos do mundo.”
Pretty strong language. Vicious, even. Not one word of hard evidence in the editorial to back it up. Then, the next day, the Associated Press reported:
Palavreado bastante forte. Feroz, até. Nem uma palavra de evidência concreta, no editorial, para justificá-lo. Então, no dia seguinte, a Associated Press noticiou:
Senior U.S. intelligence officials said Tuesday that Russia was responsible for ‘creating the conditions’ that led to the shooting down of Malaysia Airlines Flight 17, but they offered no evidence of direct Russian government involvement. … the U.S. had no direct evidence that the missile used to shoot down the passenger jet came from Russia.
Altas autoridades de inteligência dos Estados Unidos disseram, na terça-feira, que a Rússia era responsável por ‘criar as condições’ que levaram a ser derrubado o Voo 17 das Linhas Aéreas Malaias, mas não ofereceram qualquer evidência de envolvimento direto do governo russo. … os Estados Unidos não tinham evidência direta de que o míssil usado para derrubar o jato de passageiros veio da Rússia.
Where were these words in the Post? You people are behaving like a rogue newspaper.
Onde estavam essas palavras no Post? Vocês aí estão-se comportando como jornal sem escrúpulos.
– William Blum
– William Blum
I don’t have to tell you whether the Post printed my letter. I’ve been reading the paper for 25 years – six years during Vietnam (1964-1970) and the last 19 years (1995-2014) – usually spending about three hours each day reading it very carefully. And I can say that when it comes to US foreign policy the newspaper is worse now than I can remember it ever was during those 25 years. It’s reached the point where, as one example, I don’t take at face value a word the Post has to say about Ukraine. Same with the State Department, which makes one accusation after another about Russian military actions in Eastern Ukraine without presenting any kind of satellite imagery or other visual or documentary evidence; or they present something that’s wholly inconclusive and/or unsourced or citing “social media”; what we’re left with is often no more than just an accusation. [See various examples at RT.com, such as “Jen Psaki’s most embarrassing fails, most entertaining grillings”, or simply search the site for “Ukraine Jen Psaki” ] Do they have something to hide?
Não preciso dizer a vocês se o Post publicou minha carta. Venho lendo aquele jornal por 25 anos - seis anos durante o Vietnã (1964-1970) e os últimos 19 anos (1995-2014) – gastando usualmente cerca de três horas por dia lendo-o bem cuidadosamente. E posso dizer que, quando se trata da política externa dos Estados Unidos, o jornal é pior agora do que consigo lembrar ter sido durante os citados 25 anos. Chegou a ponto de, por exemplo, eu não acreditar, à primeira vista, em uma só palavra do que o Post tem a dizer acerca da Ucrânia. O mesmo no tocante ao Departamento de Estado, que faz acusação após acusação acerca de ações militares russas no leste da Ucrânia sem apresentar qualquer tipo de imagem de satélite ou outra evidência visual ou documental; ou apresenta algo totalmente não conclusivo e/ou sem fonte ou citando a “mídia social”; amiúde somos deixados com nada mais do que apenas uma acusação. [Ver vários exemplos no RT.com, tais como “Os insucessos mais embaraçosos e os interrogatórios cerrados mais interessantes de Jen Psaki”, ou simplesmente pesquisem o site com “Ucrânia Jen Psaki” ] Terão eles algo a esconder?
The State Department’s Public Affairs spokespersons making these presentations exhibit little regard or respect for the reporters asking challenging questions. It takes my thoughts back to the Vietnam era and Arthur Sylvester, Assistant Secretary of Defense for Public Affairs, the man most responsible for “giving, controlling and managing the war news from Vietnam”. One day in July 1965, Sylvester told American journalists that they had a patriotic duty to disseminate only information that made the United States look good. When one of the reporters exclaimed: “Surely, Arthur, you don’t expect the American press to be handmaidens of government,” Sylvester replied: “That’s exactly what I expect,” adding: “Look, if you think any American official is going to tell you the truth, then you’re stupid. Did you hear that? – stupid.” [Congressional Record (House of Representatives), May 12, 1966, pp. 9977-78, reprint of an article by Morley Safer of CBS News ]
Os porta-vozes da Assuntos Públicos do Departamento de Estado que fazem essas apresentações mostram pouca consideração ou respeito pelos repórteres que fazem perguntas questionadoras. Isso leva meus pensamentos de volta à época do Vietnã e a Arthur Sylvester, Secretário Assistente de Defesa para Relações com o Público, o homem mais responsável por “dar, controlar e gerir as notícias de guerra oriundas do Vietnã”. Num dia de julho de 1965 Sylvester disse a jornalistas estadunidenses que eles tinham dever patriótico de disseminar apenas informações que apresentassem os Estados Unidos sob ótica favorávelo. Quando um dos repórteres exclamou: “Seguramente, Arthur, você não espera que a imprensa estadunidense seja empregadinha subserviente do governo,” Sylvester respondeu: “É exatamente isso que espero,” acrescentando: “Veja bem, se você acha que uma autoridade estadunidense dirá a verdade a você, você é estúpido. Ouviu bem? – estúpido.” [Histórico do Congresso (Câmara dos Deputados), 12 de maio de 1966, pp. 9977-78, republicação de artigo de Morley Safer no CBS News ]
Such frankness might be welcomed today as a breath of fresh air compared to the painful-to-observe double-talk of a State Department spokesperson.
Tal franqueza poderia ser bem-vinda hoje como uma lufada de ar fresco em comparação com as penosas de observar algaravias de duplo sentido dos porta-vozes do Departamento de Estado.
My personal breath of fresh air in recent years has been the television station RT (formerly Russia Today). On a daily basis many progressives from around the world (myself included occasionally) are interviewed and out of their mouths come facts and analyses that are rarely heard on CNN, NBC, ABC, CBS, NPR, PBS, Fox News, BBC, etc. The words of these progressives heard on RT are typically labeled by the mainstream media as “Russian propaganda”, whereas I, after a long lifetime of American propaganda, can only think: “Of course. What else are they going to call it?”
Minha lufada pessoal de ar fresco nos anos recentes tem sido a estação de televisão RT (anteriormente Rússia Hoje). Diariamente muitos progressistas do mundo inteiro (eu próprio ocasionalmente incluído) são entrevistados e de suas bocas vêm fatos e análises raramente ouvidos em CNN, NBC, ABC, CBS, NPR, PBS, Fox News, BBC, etc. As palavras desses progressistas ouvidas no RT são usualmente rotuladas pela mídia convencional de “propaganda russa”, enquanto eu, depois de longa vida de propaganda estadunidense, só posso pensar: “Claro. De que mais eles chamarão isso?”
As for Russia being responsible for “creating the conditions” that led to the shooting down of Flight 17, we should keep in mind that the current series of events in Ukraine was sparked in February when a US-supported coup overthrew the democratically-elected government and replaced it with one that was more receptive to the market-fundamentalism dictates of the World Bank, International Monetary Fund, and the European Union. Were it not for the coup there would have been no eastern rebellion to put down and no dangerous war zone for Flight 17 to be flying over in the first place.
Quanto a a Rússia ser responsável por “criar as condições” que levaram à derrubada do Voo 17, deveríamos ter em mente que a atual série de eventos na Ucrânia foi deflagrada em fevereiro, quando golpe apoiado pelos Estados Unidos derrubou o governo democraticamente eleito e substituiu-o por outro mais receptivo aos ditames do fundamentalismo de mercado do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, e da União Europeia. Não fosse o golpe não haveria rebelião a suprimir no leste e nem zona perigosa de guerra sobre a qual pairando o Voo 17, para começo de conversa.
The new regime has had another charming feature: a number of outspoken neo-Nazis in high and low positions, a circumstance embarrassing enough for the US government and mainstream media to turn it into a virtual non-event. US Senator John McCain met and posed for photos with the leader of the neo-Nazi Svoboda Party, Oleh Tyahnybok (photos easily found on the Internet). Ukraine – whose ties to Naziism go back to World War Two when their homegrown fascists supported Germany and opposed the Soviet Union – is on track to becoming the newest part of the US-NATO military encirclement of Russia and possibly the home of the region’s newest missile base, target Moscow.
O novo regime tem exibido outra característica encantadora: certo número de neonazistas declarados em cargos altos e baixos, circunstância embaraçosa o suficiente para o governo dos Estados Unidos e a mídia convencional transformarem-na virtualmente em não-evento. O Senador dos Estados Unidos John McCain encontrou-se e posou para fotos com o líder do Partido Svoboda neonazista, Oleh Tyahnybok (fotos facilmente encontráveis na Internet). A Ucrânia - cujos laços com o nazismo remontam à Segunda Guerra Mundial, quando seus fascistas domésticos apoiaram a Alemanha e opuseram-se à União Soviética – está a caminho de tornar-se a mais nova parte do cerco Estados Unidos-OTAN à Rússia e possivelmente o lar da mais nova base de mísseis da região, assestados em Moscou.
It is indeed possible that Flight 17 was shot down by the pro-Russian rebels in Eastern Ukraine in the mistaken belief that it was the Ukrainian air force returning to carry out another attack. But other explanations are suggested in a series of questions posed by Russia to the the Secretary-General of the UN General Assembly, accompanied by radar information, satellite images, and other technical displays:
É, com efeito, possível que o Voo 17 tenha sido derrubado pelos rebeldes pró-Rússia no leste da Ucrânia na crença equivocada de ser a força aérea ucraniana voltando para levar a efeito outro ataque. Outras explicações, porém, são sugeridas numa série de perguntas feitas pela Rússia ao Secretário Geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, acompanhadas de informações de radar, imagens de satélite e outras exibições técnicas:
“Why was a military aircraft flying in a civil aviation airway at almost the same time and the same altitude as a civilian passenger aircraft? We would like to have this question answered.”
“Por que avião militar estava voando em rota de aviação civil quase ao mesmo tempo e na mesma altitude que um avião civil de passageiros? Gostaríamos de ver essa pergunta respondida.”
“Earlier, Ukrainian officials stated that on the day of the accident no Ukrainian military aircraft were flying in that area. As you can see, that is not true.”
“Anteriormente, autoridades ucranianas declararam que, no dia do acidente, nenhum avião militar ucraniano estava voando naquela área. Como vocês podem ver, isso não é verdade.”
“We also have a question for our American colleagues. According to a statement by American officials, the United States has satellite images which show that the missile aimed at the Malaysian aircraft was launched by the militants. But no one has seen these images.” [“Letter dated 22 July 2014 from the Permanent Representative of the Russian Federation to the United Nations addressed to the Secretary-General”, released by the UN 24 July, Document No. A/68/954-S/2014/524 ]
“Temos uma pergunta também para nossos colegas estadunidenses. De acordo com declaração de autoridades estadunidenses, os Estados Unidos têm imagens de satélite que mostram que o míssil tendo por alvo o avião malaio foi lançado pelos militantes. Ninguém, porém, viu essas imagens.” [“Carta datada de 22 de julho de 2014 do Representante Permanente da Federação Russa às Nações Unidas endereçada ao Secretário-Geral”, divulgada pelo Documento das Nações Unidas No. A/68/954-S/2014/524 de 24 de julho ]
There is also this intriguing speculation, which ties in to the first Russian question above. A published analysis by a retired Lufthansa pilot points out that Flight 17 looked similar in its tricolor design to that of Russian President Putin’s plane, whose plane with him on board was at the same time “near” Flight 17. In aviation circles “near” would be considered to be anywhere between 150 to 200 miles. [“Pre-WWIII German Pilot Shocker, MH17 ‘Not Hit By Missile’”, Before It’s News, July 31 2014 ] Could Putin’s plane have been the real target?
Há também intrigante especulação conexa com a primeira pergunta russa acima. Análise publicada por piloto aposentado da Lufthansa destaca que o Voo 17 parecia similar, em seu design tricolor, ao avião do Presidente russo Putin, cujo avião, com ele a bordo, estava, na mesma hora, “perto” do Voo 17. Em círculos de aviação “perto” seria considerado estar entre 150 a 200 milhas. [“Sensacional Revelação Prenunciadora de Terceira Guerra Mundial de Piloto Alemão, MH17 ‘Não Foi Atingido Por Míssil’”, Antes de Ser Notícia, 31 de julho de 2014 ] Poderia o avião de Putin ter sido o verdadeiro alvo?
There is as well other serious and plausible questioning of the official story of Russia and/or Ukrainian anti-Kiev militias being responsible for the shootdown. Is Flight 17 going to become the next JFK Assassination, PanAm 103, or 9-11 conspiracy theory that lingers forever? Will the Iraqi weapons of mass destruction and the Syrian chemical weapons be joined by the Russian anti-aircraft missile? Stay tuned.
Há também outro sério e plausível questionamento da história oficial de milícias russas e/ou ucranianas antiKiev como sendo responsáveis pela derrubada. Será que o Voo 17 tornar-se-á a próxima teoria da conspiração Assassínio de JFK, 103 da Panam, ou 11/9, que subsistirá para sempre? Far-se-ão as armas iraquianas de destruição em massa e as armas químicas da Síria acompanhar do míssil antiaéreo russo? Fiquem ligados.

No comments:

Post a Comment