Sunday, August 3, 2014

Jewish Voice for Peace - Letter from Tel Aviv - Hilla Dayan and PW Zuidhof


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Jewish Voice for Peace
Voz Judaica por Paz
Letter from Tel Aviv – Hilla Dayan and PW Zuidhof
Carta oriunda de Tel Aviv – Hilla Dayan e PW Zuidhof
Submitted by Anonymous on Thu, 07/31/2014 - 3:21pm
Submetida por Anonymous na quinta-feira 31 de julho de 2014 às 15:21 horas
Why do Israelis support a costly ground invasion of Gaza?
Por que israelenses apoiam cara invasão por terra de Gaza?
The summer in Israel was planned long in advance. Eager to go, our three small children were excited to start their Lego themed summer camp. We landed in Tel Aviv in steamy mid July, just when the current violence started. As a Dutch-Israeli family from Amsterdam that travels frequently to Israel we are used to being teased in calmer times about why, for our own sanity, we do not choose a real holiday destination instead of a conflict zone. Friends and relatives in the Netherlands are now worried. They inquire politely as to our safety and wellbeing. On facebook they see our shared images of dead and wounded children in Gaza, war horrors, anti-war demonstrations, international condemnations, outraged op-eds and petitions calling for immediate ceasefire. Pictures from home of smiling blond kids in green parks and sunny beaches are flickering in glaring contrast to the barrage of depressing feeds from our “vacation.”
O verão em Israel foi planejado com muita antecedência. Ansiosos para ir, nossos três filhos pequenos estavam excitados para começar seu acampamento de verão com o tema Lego. Aterrissamos em Tel Aviv no úmido meado de julho, exatamente quanto a violência atual começou. Como família holandesa-israelense de Amsterdam que viaja frequentemente para Israel, estávamos acostumados a ser questionados, em tempos mais calmos, acerca de por que, para bem de nossa própria sanidade, não escolhíamos lugar para férias de verdade em vez de zona de conflito. Amigos e parentes na Holanda estão agora preocupados. Perguntam cortesmente acerca de nossa segurança e bem-estar. No facebook, veem nossas imagens compartilhadas de crianças mortas e feridas em Gaza, horrores da guerra, manifestações de oposição à guerra, condenações internacionais, artigos de fundo indignados e petições em favor de imediato cessar-fogo. Fotos de crianças louras sorridentes em parques verdejantes e praias ensolaradas lampejam em conspícuo contraste com a barragem de feeds deprimentes de nossas “férias.”
Our family here knows we are appalled by the war and condemn the atrocities in Gaza but there is no point talking about it with them. As Israeli and Dutch citizens who want to see an end to the occupation our politics combined with the fact that we don't live in Israel makes us outsiders, if not outright “traitors.” We are naïve if we don’t see that hitting Gaza hard is necessary in response to the existential threat of Hamas. The weight of the overwhelming support for the war descends upon us daily, heavy and inescapable like the 90% humidity in the air. In Kindergartens, Pilates studios, hairdressers, office building signs are posted as people collect goodies for packages to send to our soldiers in the front. Soldiers are on everyone’s mind since the first smiley profiles of dead young man appeared in the news. At night many Tel Aviv restaurants and bars are empty or closed. Summer events and music concerts are cancelled so our sister and sister-in-law doda (aunt) miki the producer has plenty of time to spoil our children. This is war.
Nossa família daqui sabe que estamos consternados com a guerra e condenamos as atrocidades em Gaza, mas não adianta falar a respeito com ela. Como cidadãos israelenses e holandeses que desejam ver fim da ocupação, nossa posição política, conjugada com o fato de não morarmos em Israel, faz de nós estranhos, se não francamente “traidores.” Somos ingênuos se não vemos que golpear Gaza é indispensável como reação à ameaça existencial do Hamas. O peso do esmagador apoio à guerra desce sobre nós diariamente, pesado e inescapável como os 90% de umidade do ar. Em jardins de infância, estúdios de pilates, cabeleireiros, edifícios de escritórios, estão afixados cartazes enquanto pessoas coletam guloseimas para mandar para nossos soldados no front. Os soldados estão nas mentes de todo mundo desde que os primeiros perfis sorridentes dos jovens mortos apareceram no noticiário. À noite muitos restaurantes e bares de Tel Aviv ficam vazios ou são fechados. Eventos de verão e concertos musicais estão cancelados e pois nossa irmã e cunhada doda (tia) miki a produtora tem tempo de sobra para mimar nossos filhos. Isso é guerra.
One of the many ironies of this “war vacation” is that the war and the vacation do coincide. Unlike many Israelis we are privileged to be able to take off for several weeks each summer. We got lucky with a house swap and stay at the very heart of Tel Aviv, complete with its Bauhaus glory and shady broad boulevards. So we take the kids on evening strolls on Rothschild Boulevard; hang out at Habima square, go to the beach and the pool, occasionally dine out. Our war amounts to spending a few minutes in a friendly meet and greet in the staircase of the apartment building if we happen to be home with the children when the siren is on. At night we do not disturb the kids’ sleep and skip the neighborly meet and greet, like last night when the siren went off. It took us few rather disorienting days here to slowly come to the conclusion that the palpable collective fear is disproportionate to the actual threat.
Uma das muitas ironias dessas “férias em guerra” é que a guerra e as férias não coincidem. Diferentemente do que ocorre com muitos israelenses, somos privilegiados por podermos sair durante diversas semanas cada verão. Tivemos a sorte de uma permuta de casas e estada bem no centro de Tel Aviv, com ainda por cima a magnificência da Bauhaus e amplos bulevares sombreados. Assim, levamos as crianças em caminhadas noturnas no Bulevar Rothschild; zanzamos pela praça Habima square, vamos à praia e à piscina, ocasionalmente jantamos fora. Nossa guerra resume-se a encontro amigável e cumprimentos na escada do prédio de apartamentos caso ocorra estamos em casa com as crianças quando a sirene soa. À noite não perturbamos o sono das crianças e dispensamos o encontro e saudação com os vizinhos, como na noite passada quando a sirene começou. Levamos alguns dias desorientadores aqui para chegarmos à conclusão de que o palpável medo coletivo é desproporcional em relação à ameaça real.
Government propaganda, lies and deceptions to galvanize support for the war is relentless and the Iron Dome system, the system that intercepts Hamas rockets, is just part of it. An expert opinion according to which the Israeli population is almost 100% safe even without it because of the inferiority of Hamas' weapons and the abundance of shelter infrastructure seemed credible. Deep inside, we believe, everyone knows that the chance something will happen to you here is statistically negligible. It can happen, like the chance of dying in a shocking aviation disaster as what happened this summer to hundreds of Dutch citizens, but it is very unlikely.
Propaganda do governo, mentiras e ardis para galvanizar apoio à guerra são incessantes e o sistema Domo de Ferro, o sistema que intercepta foguetes do Hamas, é apenas parte disso. Opinião de especialista segundo a qual a população israelense está quase 100% a salvo sem ele por causa da inferioridade das armas do Hamas e da abudundância de infraestrutura de abrigos parece crível. Bem no fundo, acreditamos, todo mundo sabe que a probabilidade de alguma coisa acontecer com você aqui é estatisticamente negligenciável. Pode acontecer, como na probabilidade de morte em desastre aéreo como aconteceu neste verão a centenas de cidadãos holandeses, mas é muito improvável.
One commentator rightly said that Iron Dome functions as the Deus-ex-Machina of this war. Everyone but us is convinced it saves lives. We see it more as a psychological warfare device. Curiously, much of the explosion sound that gets people so worked up here is largely produced by the Iron Dome system itself. What is striking if not outright suspicious is that there is hardly any information in the aftermath of interceptions; we know nothing about it and nobody cares. The threat of warheads in any case gradually subsides as we write giving way to fear from terrorist infiltration from the Gaza tunnels. This shift happened within days from the ground invasion, which marked a notable decrease in the number of Iron Dome alarms.
Um comentador corretamente disse que o Domo de Ferro funciona como o deus ex machina desta guerra. Todo mundo, exceto nós, está convencido de que ele salva vidas. Nós o vemos mais como recurso de guerra psicológica. Curiosamente, grande parte do som de explosão que deixa as pessoas tão tensas aqui é produzido a partir do próprio Domo de Ferro. O que é curioso, se não francamente suspeito, é praticamente não haver informação na esteira de intercepções; não ficamos sabendo de nada e ninguém dá a mínima. A ameaça de ogivas, de qualquer forma, gradualmente diminui enquanto escrevemos, dando lugar a medo de infiltrações terroristas pelos túneis de Gaza. Essa mudança aconteceu em questão de dias a partir da invasão por terra, que marcou notável decréscimo do número de alarmes do Domo de Ferro.
How come everyone, even in our leftie circles, is so psychologically affected by this war? Why are they so afraid? earlier rounds - the second Intifada with buses and markets exploding - were much more terrifying. Of course far too many are first and foremost afraid for the lives of their loved ones, soldiers and reservists in Gaza. In my family a distant relative was wounded; the brother of a friend is "inside"; The ex of a friend, who I know way back from our military service during the first Intifada, was drafted. With more than forty soldiers dead, it appears that the imaginary threshold of a war too costly to wage has not been crossed.
Como explicar que todos, mesmo em nossos círculos esquerdistas, esteja tão afetado psicologicamente por esta guerrar? Por que estão assim tão atemorizados? Rodadas anteriores - a segunda Intifada, com ônibus e mercados explodindo - foram muito mais aterradores. Obviamente grande parte teme pela vida de seus entes queridos, soldados e reservistas em Gaza. Em minha família, um parente afastado foi ferido; o irmão de um amigo está "dentro"; O ex de uma amiga, que conheço desde nosso serviço militar durante a primeira Intifada, foi conscrito. Com mais de quarenta soldados mortos, parece que o limiar imaginário de uma guerra cara demais para ser conduzida ainda não foi cruzado.
As we write this, carnage in Gaza and the death of scores of soldiers is authorized to continue. Why? The Israeli narcissism that concerns itself only with IDF casualties while hundreds of bodies pile up in Gaza is nothing new. The logic of war normality we experience here in Tel Aviv just confirms it. The soldiers die so that we can live “normally.” Violence is inevitable because Israel is under attack. One has to be here to understand fully that the legitimacy of this war is not just manufactured top down by the Israeli government. It is a genuine and widespread social reality. Everyone, even those few hundreds opposing the war, us included, take part daily in its production. Take for instance the dynamic of normal routine interrupted regularly by sirens. In no time, these interruptions themselves became a normal routine. We all got used to the “pending emergency” situation. We are all on an emergency-normality switch mode. People stop cars in the middle of the road to seek shelter in nearby buildings only to go back behind the wheel and honk impatiently at the other drivers as if nothing happened; In cafes people nervously react to suspicious sounds, jump from their seats to the sound of sirens, and return seconds later to their relaxed posture sipping their espressos and so on.
Enquanto escrevemos, a carnificina em Gaza e a matança de pencas de soldados estão autorizadas a continuar. Por quê? O narcisismo israelense que se preocupa apenas com baixas das Forças de Defesa de Israel - IDF enquanto centenas de corpos se empilham em Gaza não é nada de novo. A lógica da normalidade da guerra que experimentamos aqui em Tel Aviv apenas o confirma. Os soldados morrem para que possamos viver “normalmente.” A violência é inevitável porque Israel está sob ataque. É preciso estar aqui para entender plenamente que a legitimidade desta guerra não é apenas manufaturada de cima para baixo pelo governo israelense. É uma genuína e disseminada realidade social. Todo mundo, mesmo aquelas poucas centenas que se opõem à guerra, nós incluídos, toma parte diariamente em sua produção. Tomemos por exempo a dinâmica da rotina normal interrompida regularmente por sirenes. Muito rapidamente essas interrupções se tornaram rotina normal. Todos nos acostumamos à situação de “emergência iminente.” Estamos todos em modo de chave emergência-normalidade. As pessoas param carros no meio da rua para buscarem abrigo em prédios próximos, só para voltarem para detrás do volante e buzinarem impacientemente para outros motoristas como se nada houvesse acontecido; em cafés pessoas reagem nervosamente a sons suspeitos, pulam de seus assentos ao som de sirenes, e voltam segundos depois para sua postura descontraída bebericando seus expressos e assim por diante.
Many Israelis, including very young children, incessantly consume updates on strikes and interceptions through the “red color” app. The app with the red icon on their smartphones is decorated with a sound radiation sign resembling the nuclear danger logo. Authorities, institutions, employers, all heighten security procedures, producing signs, road signs and flyers with instructions on buildings “safe spaces”. Municipalities put on giant billboards with patriotic slogans, one more offensively patriotic than the other. We received a leaflet to parents from the kids’ summer camp advising us on how to maintain “emotional safe spaces” for our children. On TV mainly men talk: brain-dead, repetitive, militaristic tactic-talk. The blogger Idan Landau once aptly called this tsunami of public appearances at times of war zman hagvarim - "the time of men."  At the same time, the witch hunt of dissenters has reached epidemic proportions, targeting many, and women especially, who dare speak their minds against the war. Orna Banai, Gila Almagor, Shira Gefen are famous celebrities who were vilified for speaking out; a Palestinian psychologist working for the Lod municipality and many like her got fired for what they posted on facebook.
Muitos israelenses, inclusive crianças muito novas, consomem incessantemente notícias atualizadas de ataques e intercepções por meio da aplicação “cor vermelha.” A aplicação com o ícone vermelho em seus smartfones é decorada com sinal de irradiação de som parecido com o logotipo de perigo nuclear. Autoridades, instituições, empregadores, todos robustecem procedimentos de segurança, produzindo cartazes, sinais de estrada e folhetos com instruções acerca de “espaços seguros” em edifícios. Prefeituras erigem enormes cartazes com lemas patrióticos, cada um mais ofensivamente patriótico do que o outro. Recebemos um folheto destinado aos pais oriundo do acampamento de verão das crianças aconselhando-nos quanto a como manter  “espaços emocionais seguros” para nossas crianças. Na TV principalmente homens conversam: conversas extremamente estúpidas, repetitivas, de tática militarista. O blogador Idan Landau de certa feita apropriadamente chamou esse tsunami de comparecimentos públicos em tempo de guerra de zman hagvarim - "a hora dos homens."  Ao mesmo tempo, a caça às bruxas aos dissidentes veio a atingir proporções epidêmicas, escolhendo como alvos muitas pessoas, e especialmente mulheres, que ousam falar o que pensam acerca da guerra. Orna Banai, Gila Almagor, Shira Gefen são famosas celebridades que foram difamadas por expressarem franca e publicamente suas opiniões; uma psicóloga palestina funcionária do município de Lod e muitas pessoas semelhantes foram demitidas por causa do que afixaram no facebook.
The Open House LGBT organization in Jerusalem came under attack after Elinor Sidi, its director, took a stance against the war. In academia, university presidents published statements warning that they monitor staff and students expressions on social media and will resort to sanctions if they express “too extreme” opinions. This blunt assault is what happens publicly. In private, we know from our friends, many who are politically colored as unpatriotic or anti-Zionist pay a great personal price. Candidates for jobs are asked to write letters renouncing their political opinions. University presidents intervene personally to block “controversial” appointments. Ron Shoval, former leader of Im Tirtzu organizations called to put to use the boycott law, from its sinful inception no more than a dead letter law, to preemptively prosecute and jail human rights defenders. The idea is to prevent human rights organizations from reporting to an international investigation like the Goldstone commission after operation Cast Lead. This witch hunt did not begin yesterday, but the war made things much worse. We encounter both this white fascism running through the main echelons of Israeli society, and the street fascism, those small but well organized gangs of the extreme right who mobilize to beat and intimidate anti-war protestors when they take to the street. In the cultural war raging here it is the Mizrahi face of the extreme right chanting “death to Arab” on the street that grabs all the attention. Haaretz is covering this Mizrahi extreme right extensively. Indeed, it is perceived by lefties especially as menacing, as the “sewage” flooding civilized Israel. But, the white fascism of university presidents or Im Tirtzu is far worse, far more dangerous. One Ron Shoval is more effective in crushing dissent than a thousand street gangs. Those are the people who really hold the key to a complete breakdown of the façade of Israeli democracy.
A organização Open House de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais - LGBT em Jerusalém ficou sob ataque depois que Elinor Sidi, sua diretora, tomou posição contra a guerra. Na academia, presidentes de universidade publicaram comunicados advertindo monitorarem expressão de ideias do corpo docente e dos alunos na mídia social, e que recorrerão a sanções se aqueles expressarem opiniões “excessivamente radicais.” Essa agressão rombuda é a que acontece publicamente. Privadamente, sabemos por nossos amigos, muitas pessoas declaradamente impatrióticas ou anti-sionistas pagam grande preço pessoal. A candidatos a emprego é pedido que escrevam cartas renunciando a suas opiniões políticas. Presidentes de universidade intervêm pessoalmente para bloquear nomeações “controversas.” Ron Shoval, ex-líder das organizações Im Tirtzu, pediu utilização efetiva da lei de boicote, desde sua concepção imoral não mais que lei de letra morta, para processar preventivamente e encarcerar defensores de direitos humanos. A ideia é impedir que organizações de direitos humanos recorram a investigações internacionais tal como a comissão Goldstone depois da operação Cast Lead. Essa caça às bruxas não começou ontem, mas a guerra tornou as coisas muito piores. Encontramos tanto esse fascismo branco percorrendo os principais escalões da sociedade israelense quanto o fascismo de rua, aquelas pequenas porém bem organizadas quadrilhas de extrema direita que se mobilizam para espancar e intimidar manifestantes contrários à guerra que saiam às ruas. Na guerra cultural que aqui campeia, é a face Mizrahi da extrema direita entoando “morte aos árabes” na rua que capta toda a atenção. O Haaretz está cobrindo extensamente essa extrema direita Mizrahi. Na verdade, ela é percebida pelas esquerdas como especialmente ameaçadora, como o “esgoto” que inunda o Israel civilizado. Todavia, o fascismo branco dos presidentes de universidade ou das Im Tirtzu é muito pior, muito mais perigoso. Um Ron Shoval é mais eficaz em esmagar os dissidentes do que mil quadrilhas de rua. Essas são as pessoas que realmente têm a posse da chave de completo esfacelamento da fachada da democracia israelense.
We attempted to describe the regime of manufactured fear and psychological support for the war, penetrating all aspects of life in all directions. For the vast majority of the country this fear is disproportionate to the actual threat. We described also a climate of threat of violence and violence directed against any form of dissent. In an atmosphere of pending emergency dissent is forbidden and any government action addressing the collective paranoia from the threat of Hamas is seen in a positive light. Needless to say, the government does nothing to curb the climate of violence against dissenters. Instead it incites it with reckless disregard to its potentially disastrous consequences. We do not fear to go and demonstrate, we are still able to do that with reasonable safety, but staying safe on the street is a slightly more complicated task than calculating where the nearest building entrance is in case of a siren alarm. This regime of collective fear and collective mobilization in support of the war is so intense, that our “war vacation” is starting to feel like we took the wrong flight and landed in North Korea.
Tentamos descrever o regime de manufatura de medo e apoio psicológico à guerra, penetrando todos os aspectos da vida em todas as direções. No concernente à vasta maioria do país, esse medo é desproporcional em relação à ameaça real. Descrevemos também clima de ameaça de violência e violência dirigida contra qualquer forma de dissidência. Em atmosfera de emergência iminente a dissidência é proibida e qualquer ação do governo em consonância com a paranoia coletiva em relação à ameaça do Hamas é vista sob luz positiva. Desnecessário é dizê-lo, o governo nada faz para reduzir o clima de violência contra dissidentes. Pelo contrário, incita-o com inconsequente desprezo por suas potencialmente desastrosas consequências. Não temos medo de participar de manifestações públicas, ainda conseguimos fazê-lo com razoável segurança, mas permanecer a salvo na rua é tarefa ligeiramente mais complicada do que calcular onde fica a entrada de edifício mais próxima no caso de alarme de sirene. Esse regime de medo coletivo e mobilização coletiva de apoio à guerra é tão intenso que nossas “férias de guerra” estão começando a parecer que tomamos o voo errado e aterrissamos na Coreia do Norte.
They are all animals” a tattooed man in his 30s muttered in our direction as we just got up to pay for our coffee. "Are you sure ALL of them are?" one of us replied later contemplating the stupidity of a casual response that could have easily provoked violence. Hamas is seen as a mortal, inhuman enemy, which must be crushed, decimated. In line with Prime Minister Netanyahu it is for many heir to Amalek in ancient times and Hitler. This is no apology but Israelis have been traumatized by the savage campaigns of suicide bombings of Hamas beginning in the 1990s, and so it is psychologically impossible for many to acknowledge that however criminal the actions of military resistance to the occupation sometimes are, in fact as soon as Hamas took power over Gaza in 2006 it became an intimate strategic partner of the militant Israeli government. Mash'al and Bibi are caught like lovers on an airplane about to crash in a deadly embrace for their own survival. Although the IDF now deals Hamas a military blow, the government is in fact desperate to keep the organization somehow alive. Military sources said from the outset of the operation that the purpose of the invasion this time is not to “break Hamas.” Hamas’ demands for a ceasefire in turn reflect just how addicted it became to the crumbs falling from the Israeli government table. The script for a ceasefire was already written before the ground invasion began. It is a matter of ending the bloody spectacle with a mere semblance of two sides mutually bettering their positions. The tragedy of course is that so many stand-ins and movie extras must die so spectacularly in vain for the status quo of occupation-resistance to continue. It may sound crazy, given all that we have said so far about Israel in the grip of fascism, but right to left people understand perfectly well the futility of the bloodshed. They already talk about the next round as inevitable. Depressed and helpless to stop it many express confusion and are simply torn between their instinct of victimization and sense of horror at the high price in human life. What is entirely lost or powerfully sublimated is the consequence of being implicated in and authorizing crimes against humanity. Israelis consider the war of position between Hamas and their government to be an existential war, and the conduct of their enemy, they feel, absolves them from any accountability. In their battle of survival, real and imaginary, it only makes sense to let the enemy die and verify the killing (vidu hariga). In this savage place no laws of war apply.
“Eles são todos animais,” murmurou um homem tatuado na casa dos 30 anos de idade em nossa direção logo que nos levantamos para pagar nosso café. "O senhor está certo de que TODOS eles são?" respondeu um de nós depois, considerando a estupidez de uma resposta descuidada que poderia ter facilmente provocado violência. O Hamas é visto como inimigo mortal e desumano, que precisa ser esmagado, dizimado. Em acordo como Primeiro-Ministro Netanyahu, ele é, para muitas pessoas, herdeiro de Amaleque, nos tempos antigos, e Hitler. Não há porque pedir desculpas, mas os israelenses ficaram traumatizados pelas selvagens campanhas de homens-bomba suicidas do Hamas a partir dos anos 1990 e, portanto, é psicologiamente impossível para muitos reconhecerem que, por mais criminosas que sejam por vezes as ações de resistência militar à ocupação, na verdade ao assumir o poder em Gaza em 2006 o Hamas tornou-se íntimo parceiro estratégico do governo israelense militante. Mash'al e Bibi sao surpreendidos como amantes num avião prestes a cair num abraço mortal por sua própria sobrevivência. Embora as IDF agora desfiram golpe militar no Hamas, o governo está, na verdade, desesperado para manter aquela organização, de alguma forma, viva. Fontes militares disseram desde o começo da operação que a finalidade da invasão desta vez não é  “acabar com o Hamas.” Por outro lado, os pedidos de cessar-fogo do Hamas refletem o quanto ele já ficou viciado nas migalhas que caem da mesa de negociação do governo israelense. O roteiro de cessar-fogo já tinha sido escrito antes de começar a invasão por terra. Trata-se de encerrar o espetáculo sanguinolento com mera aparência dos dois lados mutuamente melhorando suas posições. A tragédia, naturalmente, é que tantos atores substitutos e extras do filme tenham de morrer tão espetacularmente em vão para que continue o statu quo da ocupação-resistência. Poderá soar loucura, dado tudo o que temos dito até agora acerca de Israel nas garras do fascismo, mas da direita à esquerda as pessoas compreendem perfeitamente bem a futilidade do derramamento de sangue. Já falam da próxima rodada como inevitável. Deprimidas e impotentes para fazê-lo cessar, muitas pessoas exprimem confusão e estão simplesmente dilaceradas entre seu instinto de vitimização e sentimento de horror com o alto preço em vidas humanas. O que é inteiramente perdido ou poderosamente sublimado é a consequência de estar implicado em e de autorizar crimes contra a humanidade. Os israelenses consideram a guerra de posição entre o Hamas e seu governo como guerra existencial, e a conduta de seu inimigo, entendem eles, os absolve de qualquer responsabilização. Em sua batalha pela sobrevivência, só faz sentido deixar o inimigo morrer e confirmar a matança (vidu hariga). Neste lugar selvagem leis da guerra não vigem.
Our children's renewed Israeli passports arrived just before the ground invasion. Staring at their pictures, Israeli IDs and passport numbers, the thought crossed our minds - why can't they be spared this terrible burden? Why should they carry an identity associated with cruelty, horrors, war, occupation, apartheid, crimes against humanity? They are Dutch kids after all, fluent in Hebrew but with a thick Amsterdam accent. Why can't they just sleep in their beds safely without their parents agonizing about children killed in their name? We should go home to Amsterdam or join our relatives vacationing in la Palma, a Canary island. This war vacation and the summer disaster in the Netherlands made us aware of our fragility, temporariness, and inability to control what is happening in our environment. It also sharpened our differences. At times like these mom is better off here in this normal-savage place where she is from, and where she directly partakes in efforts to stop the war. For dad it is crazy to be here, where he is surrounded by supporters of war crimes, who seem superficially normal and go about their normal lives. The kids, they just soak up the sun and enjoy themselves tremendously, their family and friends keep them happy. Their happiness and safety is comforting, but what would we say when they start asking us: mom, dad, what is war, who is doing it, and why can’t you stop it?
Os passaportes israelenses renovados de nossos filhos chegaram logo antes da invasão por terra. Olhando para as fotos deles, identidades e números de passaportes israelenses, cruzou nossas mentes o pensamento - por que não podem eles ser poupados desse terrível fardo? Por que deverão eles carregar uma identidade associada a crueldade, horrores, guerra, ocupação, apartheid, crimes contra a humanidade? Afinal de contas são crianças holandesas, fluentes em hebraico mas com forte sotaque de Amsterdam. Por que não podem elas simplesmente dormir em suas camas em segurança, sem seus pais confrangidos com crianças mortas em nomes delas? Deveremos voltar para casa em Amsterdam ou juntar-nos a nossos parentes em férias em la Palma, ilha das Canárias. Essas férias de guerra e o desastre de verão na Holanda tornaram-nos cônscios de nossa fragilidade, efemeridade, e incapacidade de controlar o que está acontecendo em nosso ambiente. Também aguçaram nossas diferenças. Em tempos como estes mamãe fica em melhor condição aqui neste lugar normal-selvagem onde nasceu, e onde ela pode juntar-se a esforços para acabar com a guerra. Para papai, é loucura estar aqui, onde ele fica cercado de apoiadores de crimes de guerra, que parecem superficialmente normais e tocam suas vidas normais. As crianças, elas apenas tomam sol e se divertem imensamente, sua família e seus amigos mantêm-nas felizes. Sua felicidade e segurança são confortadoras, mas o que diremos quando elas começarem a nos perguntar: mamãe, papai, o que é guerra, quem a está fazendo, e por que vocês não conseguem acabar com ela?
Hilla Dayan and PW Zuidhof
Hilla Dayan e PW Zuidhof

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