Wednesday, August 27, 2014

FPJ - Things Cannot Stay the Same after Israeli Genocide in Gaza



ENGLISH
PORTUGUÊS
Foreign Policy Journal
Jornal de Política Externa
Things Cannot Stay the Same after Israeli Genocide in Gaza
As Coisas Não Podem Continuar as Mesmas depois do Genocídio Israelense em Gaza
by Ramzy Baroud   |  August 21, 2014
por Ramzy Baroud   | 21 de agosto de 2014
After every bloody episode of violence perpetrated by Israel, media spin doctors are often deployed with one grand mission: to absolve Israel of any responsibility in their acts of carnage.
Depois de todo episódio sanguinolento de violência perpetrada por Israel, os doutores em viés de mídia amiúde espraiam-se com excelsa missão: absolver Israel de qualquer responsabilidade por seu atos de carnificina.
Not only do these apologists demonize Palestinians, but anyone who dares to take a stand on their behalf. The main staple of this Israeli strategy has been blaming the victim. Such a tactic is nothing new in the way the so-called “Arab-Israeli conflict” has been presented in Western media, whose narrative has been much closer to that of Israeli official and media discourses than that of Palestinians. This continued despite the decades-long military occupation, successive wars, and countless massacres.
Aqueles apologistas demonizam não apenas os palestinos como, também, qualquer pessoa que se atreva a tomar posição em favor deles. O principal elemento repetitivo dessa estratégia israelense tem consistido em responsabilizar a vítima. Essa tática não tem nada de novo em relação à maneira pela qual o assim chamado “conflito árabe-israelense” tem sido apresentado na mídia ocidental, cuja narrativa tem ficado muito mais próxima da dos discursos oficiais e da mídia israelense do que da dos palestinos. Isso continuou a despeito de ocupação militar de décadas de duração, guerras sucessivas, e incontáveis massacres.
Specifically, since the Israeli siege on Gaza, following the democratic elections that brought Hamas to power in January 2006, Israel needed all of its hasbara savvy, alongside that of its backers in western countries to explain why a population has been brutalized for making a democratic choice. The sheer amount of deception involved in the cleverly knitted story which purposely mixed between Hamas and al-Qaeda (as they once did between late Yasser Arafat and Hitler), among other ruses was a new low, even by Israel’s own standards.
Especificamente, desde o sítio israelense contra Gaza, na esteira das eleições democráticas que levaram o Hamas ao poder em janeiro de 2006, Israel precisou de toda a sua hasbara [habilidade em relações públicas], juntamente com a de seus partidários em países ocidentais, para explicar por que uma população tem sido brutalizada por exercer escolha democrática. A pura quantidade de engodo envolvida na história solertemente urdida que deliberadamente misturou Hamas e al-Qaeda (como no passado misturou o falecido Yasser Arafat e Hitler), entre outras artimanhas atinge novo nível de baixeza, mesmo pelos próprios padrões de Israel.
While the media demonized Hamas, the resistance and all the other “bad” Palestinians who voted for the movement, it intentionally ignored the fascism that was taking over Israeli society.
Enquanto a mídia demonizava o Hamas, a resistência, e todos os outros “maus” palestinos que votaram naquele movimento, intencionalmente ignoravam o fascismo que ganhava terreno na sociedade israelense.
For the bad – as in “radical,” “extremist,” anti-peace – Palestinian to exist, they have to be juxtaposed with the good Palestinian, represented in Palestinian Authority President Mahmoud Abbas and any faction, person or leader willing to, practically speaking, co-exist with the Israeli occupation. The PA went even further, by cooperating with Israel to ensure the demise of the Palestinian “radicals,” as in those who insist on resisting the occupation.
Para os maus palestinos – “radicais,” “extremistas,” contrários à paz – existirem, têm de ser contrastados com o bom palestino, representado pelo Presidente da Autoridade Palestina - PA Mahmoud Abbas e qualquer facção, pessoa ou líder disposto a, na prática, coexistir com a ocupação israelense. A PA foi ainda mais longe, cooperando com Israel para assegurar eliminação dos “radicais” palestinos, assim entendidos aqueles que insistem em resistir à ocupação.
Thanks to the PA, the price for the Israeli occupation has never been so cheap. Despite repeated attempts at re-activating the so-called peace process, Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu always found a way to torpedo such efforts, even those promoted by his closest allies in Washington. “Peace” is a major risk for Netanyahu, whose government is sustained by Jewish nationalists and extremists, who feel no particular need to end their colonization of the West Bank. Abbas had done a great deal to ensure that Israel feels no pressure to negotiate. Every attempt at resistance, even by standing peacefully with placards and banners in Ramallah’s al-Manara Square was crushed; often brutally.
Graças à PA, o preço da ocupação israelense nunca foi tão barato. A despeito de repetidas tentativas de reativação do assim chamado processo de paz, o Primeiro-Ministro israelense Benjamin Netanyahu sempre encontrou maneira de torpedear tais esforços, mesmo aqueles promovidos por seus mais próximos aliados em Washington. “Paz” constitui grande risco para Netanyahu, cujo governo é sustentado por nacionalistas e extremistas judeus, que não sentem nenhuma necessidade particular de pôr fim a sua colonização da Margem Oeste. Abbas tem feito muito para assegurar que Israel não sinta pressão para negociar. Toda tentativa de resistência, mesmo mediante ficar de pé com cartazes e faixas na Praça al-Manara em Ramallah, foi esmagada; amiúde brutalmente.
Gaza, however, remained an exception. Israel’s brutality there has reached unprecedented levels, especially after Israel’s Cast Lead Operation, which killed and wounded thousands. Many predicted that the crimes in Gaza would turn the tide against Israel, but they didn’t. Israeli influence over the media was still tight enough that somehow they managed to, at least, neutralize the impact of Cast Lead. The advent of the Arab Spring and the devaluing of human life, as happened in Syria, Libya and Egypt, somehow buried the Israeli crimes in Gaza; however temporarily.
Gaza, entretanto, remanesceu exceção. A brutalidade de Israel ali atingiu níveis sem precedentes, especialmente após a Operação Chumbo Fundido, que matou e feriu milhares. Muitos predisseram que os crimes em Gaza virariam a maré contra Israel, mas não o fizeram. A influência israelense sobre a mídia ainda era forte o suficiente para de algum modo conseguir, pelo menos, neutralizar o impacto da Chumbo Fundido. O advento da Primavera Árabe e a desvalorização da vida humana, como aconteceu em Síria, Líbia e Egito, de algum modo sepultou os crimes israelenses em Gaza; ainda que temporariamente. 
But Israel’s latest war on Gaza mounted to a genocide. Israel’s argument that it was “defending itself” was no longer a sufficient excuse. No amount of hasbara was enough to explain the burying alive of entire families, the summary execution of civilians, the pulverizing of entire neighborhoods, the gunning down of fleeing children playing at the beach during a deceptive moment of “lull,” the destruction of dozens of mosques and churches, the killing of civilians hiding in UN schools-turned temporary shelters.
A mais recente guerra de Israel em Gaza, porém, equivaleu a genocídio. O argumento de Israel de que estava “se defendendo” não mais foi desculpa suficiente. Nenhuma quantidade de hasbara foi suficiente para explicar a queima de famílias inteiras vivas, a execução sumária de civis, a pulverização de bairros inteiros, o fuzilamento de crianças em fuga que brincavam na praia durante enganoso momento de “calmaria,” a destruição de dúzias de mesquitas e igrejas, o homicídio de civis que se escondiam em escolas das Nações Unidas transformadas em abrigos temporários.
It was particularly embarrassing for Israel, but also telling, that the Gaza resistance, which stood alone, fighting tens of thousands of well-armed invaders from tunnels, killed 64 Israelis. All but three were soldiers, mostly killed inside Gaza.
Foi particularmente embaraçoso para Israel, mas também revelador, a resistência de Gaza, que atuou sozinha, combatendo dezenas de milhares de invasores fortemente armados a partir de túneis, ter matado 64 israelenses. Todos, exceto três, eram soldados, mortos principalmente dentro de Gaza.
As the world was awakened to the level of devastation created by Israel in Gaza, many also became aware that such wrath is not independent from the fascism that has gripped Israeli society for years. In Israel, there is no longer room for dissent, and those in the highest positions of power, are the ones who openly and freely preach genocide.
À medida que o mundo era despertado para o nível de devastação criado por Israel em Gaza, muitas pessoas também ficaram cônscias de que tal fúria não é independente do fascismo que vem, há anos, mantendo em suas garras a sociedade israelense. Em Israel não mais há lugar para dissidência, e aqueles nas mais altas posições do poder são os que aberta e livremente pregam genocídio.
In his excellent article in the American Conservative on August 6, Scott McConnell wrote, “All societies have their hate groups and extremists, but nowhere in the democratic world are they nearer to the center of power than Israel.”  He elaborated, “In the 1980s Meir Kahane had a small following in Israel, but his pro-ethnic cleansing party was made illegal. Now Kahanists are in the center of the country’s ruling ideology.”
Em seu excelente artigo publicado no American Conservative em 6 de agosto, Scott McConnell escreveu: “Todas as sociedades têm os seus grupos de ódio e extremistas, mas em nenhuma parte do mundo democrático eles se situam tão perto do centro de poder quanto em Israel.” Pormenorizou: “Nos anos 1980 Meir Kahane tinha pequeno número de seguidores em Israel, mas seu partido favorável à limpeza étnica foi tornado ilegal. Agora os kahanistas estão no centro da ideologia que governa o país.”
This was discussed in context of statements made by Moshe Feiglin, deputy speaker of the Knesset and a “top player in Israel’s ruling Likud Party.” Fieglin called for Palestinians from Gaza to be resettled in concentration camps, and all of Hamas and its supporters to be “annihilated.” Who can now, with a good conscience, protest those who infuse the Nazi analogy to what is happening in Palestine?
Isso foi discutido no contexto de declarações feitas por Moshe Feiglin, vice-líder do Knesset e “figura de proa no partido governante Likud de Israel.” Fieglin demandou que os palestinos de Gaza sejam reassentados em campos de concentração, e todo o Hamas e seus partidários sejam “aniquilados.” Quem poderá agora, em sã consciência, protestar contra aqueles que recorrem à analogia nazista ao falar do que está acontecendo na Palestina?
Meanwhile, in this age of social media, where mainstream news networks no longer have complete command over the narrative, no self-respecting intellectual, journalist, official or any citizen with a conscience can plead ignorance and stand on the fence of neutrality.
No entretempo, nesta época de mídia social, na qual redes convencionais de notícias não mais têm comando completo sobre a narrativa, nenhum intelectual, jornalista ou autoridade que se dê o respeito ou qualquer cidadão com consciência poderá alegar ignorância e ficar em cima da cerca da neutralidade.
Gaza has indeed changed everything. Israel’s criminality and fascism should no longer be open for vibrant media debates, but it must be acknowledged as an uncontested fact. Our language, as in our perception, must also change to accommodate this uncontested reality.
Gaza com efeito mudou tudo. A criminalidade e o fascismo de Israel não mais deverão ficar abertos para vibrantes debates na mídia, mas terão de ser reconhecidos como fato inconteste. Nossa linguagem, quero dizer, nossa percepção, precisa mudar para adequar-se a tal realidade inconteste.
To end the Israeli genocide and occupation, the wheel of continuous action must turn and keep on turning. Those who support Israel must be exposed, and those who facilitate the Israeli occupation and sustain its war machine are partakers in the war crimes committed daily in Gaza and the rest of Palestine. They must be boycotted. The Boycott, Divestment and Sanctions (BDS) movement must grow and serve as the main platform for international solidarity.
Para acabar com o genocídio e a ocupação de Israel, é mister que a roda da ação contínua seja posta em movimento e mantida girando. Aqueles que apoiam Israel precisam ser tornados visíveis, e aqueles que contribuem para a ocupação israelense e mantêm sua máquina de guerra são partícipes dos crimes de guerra cometidos diariamente em Gaza e no resto da Palestina. Precisam ser boicotados. O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) precisa crescer e servir como principal plataforma para solidariedade internacional.
Time for clever words and no action are long gone, and those who remain “soft” on Israel, for whatever reason, have no place in what is becoming a global movement with uncompromising demands: end the occupation, punish its sustainers, halt ethnic cleaning and genocide, end the siege, and bring Israeli and other culprits to the international criminal court for their massive war crimes and crimes against humanity.
Já se foi o tempo de palavras engenhosas e nenhuma ação, e aqueles que permanecem “flexíveis” em relação a Israel, qualquer seja a razão, não têm lugar no que se está tornando movimento global com exigências não negociáveis: fim da ocupação, punição dos que a sustêm, cessação da limpeza étnica e do genocídio, fim do sítio, e encaminhamento dos culpados israelenses e de outras nacionalidades ao tribunal criminal internacional por seus gravíssimos crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
About the Author
Acerca do Author
Ramzy Baroud is a PhD scholar in People’s History at the University of Exeter. He is the Managing Editor of Middle East Eye. He is an internationally-syndicated columnist, a media consultant, an author and the founder of PalestineChronicle.com. His latest book is My Father Was a Freedom Fighter: Gaza’s Untold Story (Pluto Press, London). 
Ramzy Baroud é Doutor especialista em História de Baixo para Cima na Universidade de Exeter. É Editor-Gerente do Middle East Eye. É colunista internacionalmente consorciado, consultor de mídia e autor e fundador do PalestineChronicle.com. Seu livro mais recente é Meu Pai Foi um Combatente pela Liberdade: A História Não Contada de Gaza (Pluto Press, Londres). 

No comments:

Post a Comment