Wednesday, July 23, 2014

THE ART OF NOT BEING GOVERNED / Anarchy – Never Been Tried? Part IV: In The Beginning


ENGLISH
PORTUGUÊS
THE ART OF NOT BEING GOVERNED
A ARTE DE NÃO SER GOVERNADO
Anarchy – Never Been Tried? Part IV: In The Beginning
Anarquia – Nunca Foi Tentada? Parte IV: No Princípio
Posted on October 14, 2013 by ts
Afixado em 14 de outubro de 2013 por ts
This is the fourth in a series of posts on historical free and anarchic societies by guest-author Daniel Hawkins
Esta é a quarta de uma série de afixações acerca de sociedades históricas livres e anárquicas, pelo autor convidado Daniel Hawkins
What is government?
O que é governo?
What is society?
O que é sociedade?
How are the two connected?
Como estão conexos?
These questions have been the subject of debate for centuries. And, really, if you’ve ever been in any sort of political debate—from debate about a local zoning law to one about a federal healthcare law—these three questions form the foundation of what we call “politics.” Of course, if you’re like most people, then you probably don’t directly ask yourself about these three questions or their implications in your daily life. When at a city council meeting or watching the news, the average person doesn’t think about the links between policies and taxation, police-power, and markets. But, I assure you, the links are real.
Essas perguntas vêm sendo objeto de debate há séculos. E, realmente, se você alguma vez esteve envolvido em qualquer tipo de debate político — de debate acerca de lei local de zoneamento a acerca de lei federal de serviços de saúde — essas três perguntas formam o fundamento do que chamamos de “política.” Obviamente, se você for como a maioria das pessoas, provavelmente não se perguntará acerca dessas três perguntas ou suas implicações para sua vida diária. Quando numa reunião de conselho de cidade ou vendo as notícias, a pessoa média não pensa nos liames entre políticas e tributação, poder da polícia, e mercados. Asseguro, porém, que os liames são reais.  
To really understand why things are the way they are, you have to examine how they got there. In other words, look at history. Consummate political thinkers like Plato, Niccolo Machiavelli, John Locke, and Ann Coulter have all pondered the philosophies surrounding governance. But, for all their differences, these people all believe one common thing:
Para realmente entender por que as coisas são como são, você terá de examinar como chegaram a sê-lo. Em outras palavras, veja a história. Pensadores políticos consumados como Platão, Niccolò Machiavelli, John Locke e Ann Coulter ponderaram, todos, acerca das filosofias em torno da governança. Apesar de todas as suas diferenças, essas pessoas todas acreditam em algo em comum:
Government is necessary.
O governo é indispensável.
There are a few reasons why they think this, and why the average person thinks this. There is a rationale, though, a set of ideas—no matter how false or evil—that prop up this system. Mainly, people see the functions which governments carry out (or are supposed to carry out), and think, “No one else can do that.”
Há alguns motivos pelos quais elas acham isso, e pelos quais a pessoa média acha isso. Há uma base lógica, pois um conjunto de ideias — pouco importa o quanto falso ou perverso — que escora esse sistema. Principalmente, as pessoas veem as funções que os governos desempenham (ou pretensamente desempenham) e pensam: “Ninguém mais pode fazer isso.”
Social welfare, parks, healthcare, schools, infrastructure, courts, firefighting, police, utilities, and national security are some public services that those who support the State (for those non-libertarians, that’s the “Statists” we always talk about) would not and cannot be handled by private business or charity.
Bem-estar social, parques, serviços de saúde, escolas, infraestrutura, tribunais, corpos de bombeiros, polícia, empresas de utilidade pública e segurança nacional são alguns dos serviços públicos que, na opinião  daqueles que apoiam o Estado (para os não libertários, são os tais “estatistas” de quem sempre falamos) não são nem podem ser conduzidos por empresas privadas ou instituições de caridade.
And, heaven forbid, even if these things were to collapse tomorrow, Statists believe total chaos would ensue. Nobody would, you know, continue being a rational person. No one would use the market to solve these issues. Nope. It would be a road-less world of war-lords and robber-barons. That is, until the mighty hand of Government reaches down from the heavens to save us all from ourselves. “Because”, Statists say, “government is inevitable. Sooner or later, anarchy breaks down and there will need to be a government.”
E, Deus nos livre, se essas coisas entrassem em colapso amanhã, os estatistas acreditam que caos total seguir-se-ia. Ninguém continuaria, pois é, a ser pessoa racional. Ninguém usaria o mercado para resolver esses problemas. Nada disso. Seria um mundo sem estradas de déspotas militares e barões ladrões. Isto é, até que a poderosa mão do Governo descesse dos céus para salvar-nos todos de nós próprios. “Porque”, dizem os estatistas, “o governo é inevitável. Cedo ou tarde, a anarquia pára de funcionar e haverá necessidade de governo.”
Why?
Por quê?
Because we have been taught to think that society and government are inextricably linked. We have been taught that they are inter-dependent, like thunder and lightning. With society, it’s thought, there will always be deficiencies. There will always be burglars, murderers, arsonists, etc. to warrant a State-run justice system. There will always be wealth inequality to warrant a Welfare State. And so on, and so on, and so on. The need for mutual protection and aid, to Statists, brought primitive Man together to form something called the “Social Contract.” Thomas Hobbes and Jean-Jacques Rousseau wrote extensively on this theory. For some reason, instead of relying on things like voluntary trade, people apparently got together and said, “You know what we need? An all-powerful harbinger of poverty and death to tell us all how to live.”
Porque fomos ensinados a pensar que sociedade e governo estão inextricavelmente ligados. Ensinaram-nos que eles são interdependentes, como trovão e relâmpago. Na sociedade, pensa-se, sempre haverá deficiências. Sempre haverá arrombadores, assassinos, incendiários etc. a necessitar um sistema de justiça administrado pelo Estado. Sempre haverá desigualdade de riqueza a justificar um Estado Assistencialista. E assim por diante. A necessidade de proteção e ajuda mútua, para os estatistas, levou o homem primitivo a associar-se para formar algo chamado o “Contrato Social.” Thomas Hobbes e Jean-Jacques Rousseau escreveram extensamente acerca dessa teoria. Por algum motivo, em vez de recorrerem a coisas tais como comércio voluntário, as pessoas aparentemente juntam-se e dizem “Sabe do que precisamos? Um todo-poderoso arauto da pobreza e da morte para dizer-nos a todos nós como viver.”
But, unfortunately, these Social Contracts weren’t limited to the present parties. By virtue of our birth, we are evidently indebted to our holy protector, the State. Statists will not say this, of course, they will say we are indebted to society, but imply that the State is the vessel by which we owe others, hence the “we are the government” mantra. And, to them, we must deal with every pain and evil brought on by the State because “it’s necessary.”
Infelizmente, contudo, esses Contratos Sociais não ficaram limitados às partes presentes. Em virtude de nosso nascimento, somos evidentemente devedores de nosso sagrado protetor, o Estado. Os estatistas não dirão isso, obviamente; dirão que somos devedores da sociedade, mas implicarão que o Estado é o instrumento pelo qual devemos a outrem, daí o mantra “nós somos o governo.” E, para eles, precisamos aguentar todos os sofrimentos e perversidades trazidos pelo Estado porque “é necessário.”
But what if it’s not?
Mas e se não for?
What if we can be different? What if it has been different?
E se pudermos ser diferentes? E se já foi diferente?
Jericho
Jericó
Nestled in the fertile Jordan River Valley, in present-day Palestine, on the outskirts of an urban area, there is what seems to be a pile of rubble whose importance cannot be overstated. This rubble is the remains of the city of Jericho. This city isn’t just important in the Abrahamic tradition. Jericho is actually the oldest city on Earth.
Aninhada no fértil Vale do Rio Jordão, na atual Palestina, nos subúrbios de área urbana, há o que parece ser uma pilha de entulho cuja importância não pode ser exagerada. Esse entulho é o remanescente da cidade de Jericó. A cidade não é importante apenas na tradição de Abraão. Jericó é, em realidade, a cidade mais antiga da Terra.
If you’re looking at the origins of society, there’s hardly a better place to look. And, rest assured, Jericho is a city of wonders. Biblical archaeologists and anthropologists have obsessed over this city ever since the first shard of pottery was discovered there. The city, they realized, actually has about 20 consecutive settlements built over each other. The original inhabitants can only be termed “geniuses.” These people drew the blueprints for all towns in the future. The most amazing thing, though, is that they all this with absolutely no government.
Se você estiver procurando as origens da sociedade, dificilmente haverá melhor lugar para procurar. E, esteja certo, Jericó é uma cidade de prodígios. Arqueólogos bíblicos e antropólogos ficaram obcecados com aquela cidade desde que o primeiro caco de cerâmica foi descoberto ali. A cidade, compreenderam eles, em realidade tem 20 assentamentos consecutivos construídos um em cima do outro. Os habitantes originais só podem ser chamados de “gênios.” Aquelas pessoas traçaram as plantas de todas as pequenas cidades do futuro. A coisa mais espantosa, contudo, é que fizeram tudo isso absolutamente sem governo.
About 11,500 years ago, all humans were nomadic. Understandably, because most of the earth was frozen over, except for small areas where animals migrated. Eventually, though, some group of people found a temperate oasis with a nearby spring. Instead of leaving in the winter, the people found it most efficient to just stay there.
Há cerca de 11.500 anos, todos os seres humanos eram nômades. Compreensivelmente, pois a maior parte da Terra estava congelada, sendo a exceção pequenas áreas onde animais migravam. Por fim, contudo, algum grupo de pessoas encontrou oásis temperado com fonte próxima. Em vez de saírem no inverno, essas pessoas acharam mais eficiente continuar lá.
With straw, mud, and sunlight, the people in the camp developed the ability to create houses. It’s not certain, but these were probably the first free-standing permanent dwellings in history. They were round, one or two-story homes, with mud and thatch roofs, and with hearths inside and sometimes outside. Bodies (as in many other ancient cities) were often buried underneath the family’s house. This is disgusting, of course, but this was a time when people were still figuring out how build a town. The valley where Jericho sits is fairly fertile and enjoys pretty mild temperatures, but the areas surrounding their settlement received more rain. So, as evidence suggests, they built a series of irrigation canals. This allowed for the cultivation of domestic crops, which may have never been done before.
Com palha, barro e luz do sol, as pessoas daquele acampamento desenvolveram a capacidade de criar casas. Não é certeza, mas aqueles foram provavelmente as primeiras residências permanentes independentes da história. Eram casas redondas, de um ou dois andares, com telhados de barro e vegetação seca, e com lareiras internas e por vezes externas. Corpos (como em muitas outras cidades antigas) eram amiúde enterrados sob a casa da família. Isso é repugnante, obviamente, mas naquele tempo as pessoas ainda estavam aprendendo como construir uma cidade. O vale onde Jericó está é razoavelmente fértil e goza de temperaturas suaves, mas as áreas que circundam o assentamento recebem mais chuva. Portanto, como sugere a evidência, as pessoas construíram uma série de canais de irrigação. Isso permitiu o cultivo de plantações domésticas, algo que talvez nunca tivesse sido feito antes. 
A wall was eventually erected as well as a mud-brick tower that sat inside of it. In most cases, archaeologists would be quick to label the wall and the tower as “defensive” structures, but even mainstream archeology has concluded that the tower was for religious purposes and the wall to prevent floodwaters from reaching it. This, according to experts, was an incredible feat, and would have taken at least 100 days to complete with the help of more than 100 people.
Finalmente foi construído muro, bem como torre de tijolos de barro dentro dele. Na maior parte dos casos, os arqueólogos serão lestos em rotular o muro e a torre de estruturas “defensivas,” mas mesmo a arqueologia convencional já concluiu que a torre tinha propósitos religiosos e o muro era para evitar que inundações a atingissem. Isso, de acordo com especialistas, foi feito incrível, e deve ter levado pelo menos 100 dias para ser completado, com a ajuda de mais de 100 pessoas. 
After about 800 years, the settlement had grown to about 2,000-3,000 people. Keep in mind, this was when the total human population was decidedly smaller and spread out. Later, a group of nomads came to Jericho. It is not clear from the evidence whether or not the two peoples went to war, but there is no definitive evidence that they did. In any case, these new people were absorbed into the already existent population. The new population developed painted pottery, and also apparently painted and decorated the skulls of their ancestors. These show the first real development of art. The city was built upon further and further, and there is no evidence of violence during this period.
Depois de cerca de 800 anos, o assentamento havia crescido para cerca de 2.000 - 3.000 pessoas. Tenhamos em mente, isso quando a população humana total era decididamente menor e espalhada. Mais tarde, grupo de nômades veio para Jericó. Não fica claro, a partir da evidência, se ou não os dois povos entraram em guerra, mas não há evidência definitiva de que entraram. De qualquer modo, aquelas novas pessoas foram absorvidas pela população já existente. A nova população desenvolveu cerâmica pintada e, também, aparentemente pintava e decorava os crânios de seus ancestrais. Estes mostram o primeiro desenvolvimento real de arte. A cidade foi construída, outra e outra vez, em cima de si própria, e não há evidência de violência durante esse período.
Eventually, Jericho was abandoned. Some say it was after the conquering by the Israelites (though archaeological evidence of this is missing), and the Canaanites. After the Canaanites, Jericho was conquered by the Assyrians, the Babylonians, the Persians, the Judeans, the Greeks, the Romans, the Arabs, the Crusaders, the Ottomans, and more recently, the Jordanians.
Por fim, Jericó foi abandonada. Alguns dizem que isso aconteceu depois da conquista pelos israelitas (embora falte evidência arqueológica para isso), e pelos cananeus. Depois dos cananeus, Jericó foi conquistada por assírios, babilônios, persas, habitantes de Judá, gregos, romanos, árabes, cruzados, otomanos e, mais recentemente, os jordanianos. 
Again, we see this beautifully vibrant, forward-thinking society decimated by places with governments. We really cannot discount the value of Jericho, though. This society, with absolutely no government, survived for about 9,000 years. Think about this. The average government survives for about 200-400 years. Jericho, before the decades of war and conquering, survived 30 times longer than that. That means there were about 360 generations of people born in the stateless city of Jericho. Not only is it one of the longest-lasting civilizations in history, but it was one of the most innovative. Crops, houses, walls, art—all these things were basically invented in Jericho. They were invented in a place with no government to regulate human behavior. There’s nothing certain about how exactly these people dealt with each other, but we do know that their society was one to be envied.
Mais uma vez vemos essa belamente vibrante sociedade de pensamento inovador/desenvolvimentista/progressista dizimada por locais com governos. Realmente não podemos, porém, diminuir o valor de Jericó. Aquela sociedade, sem absolutamente nenhum governo, sobreviveu perto de 9.000 anos. Pensem nisso. O governo médio sobrevive por cerca de 200 a 400 anos. Jericó, antes das décadas de guerra e conquista, sobreviveu 30 vezes mais do que isso. Isso significa que houve cerca de 360 gerações de pessoas nascidas na cidade sem estado de Jericó. Não apenas se trata de uma das civilizações de mais longa duração da história, como uma das mais inovadoras. Plantações, casas, muros, arte — todas essas coisas foram basicamente inventadas em Jericó. Foram inventadas em lugar sem governo para regulamentar o comportamento humano. Nada há de certo a respeito de como exatamente aquelas pessoas lidavam umas com as outras, mas sabemos que a sociedade delas era de ser invejada.
Çatalhöyük
Çatalhöyük
Yes, to native English speakers, this name is hard to pronounce. I’ve been researching it for a couple of months now, and I still can’t pronounce it. But, trust me, this one’s important. Located in modern-day Turkey, near a twin set of volcanoes, the settlement of Çatalhöyük vies with Jericho for the oldest settlement on Earth.
Sim, para falantes nativos de inglês esse nome é difícil de pronunciar. Venho pesquisando a respeito há alguns meses e ainda não consigo pronunciá-lo. Mas, acreditem-me, é importante. Localizada na moderna Turquia, perto de uma dupla de vulcões gêmeos, o assentamento de Çatalhöyük compete com Jericó pelo título de mais antigo assentamento da Terra.
Coincidentally, the settlers of Çatalhöyük not only traded with Jericho, but were probably the mysterious immigrants who brought painted skulls there. Obsidian tools have been found in Jericho, but they definitely originated in the volcanoes near Çatalhöyük. In exchange, the settlers took flint and sea shells from Jericho. But, before they were seasoned tradesmen, the settlers of Çatalhöyük were simple and smart nomads. Like Jericho, Çatalhöyük has several consecutive settlements built one on top of the other—about 18, actually—and they were just as innovative.
Coincidentemente, os colonizadores de Çatalhöyük não apenas mantinham comércio com Jericó como, também, eram provavelmente os misteriosos imigrantes que levaram crânios pintados para lá. Foram encontradas ferramentas de obsidiana em Jericó, mas elas definitivamente originaram-se dos vulcões perto de Çatalhöyük. Em contrapartida, os colonos levaram sílex e conchas marinhas de Jericó. Em vez de serem, contudo, comerciantes versados, os colonos de Çatalhöyük eram nômades simples e espertos. Como Jericó, Çatalhöyük tem diversos assentamentos construídos um em cima do outro — cerca de 18, na verdade — e igualmente inovadores.
“But how do archaeologists know these places didn’t have governments?” asks the skeptic. “There can’t be any written records of an anarchist society 11,000 years before Christ.”
“Como é, porém, que os arqueólogos sabem que esses lugares não tiveram governo?” pergunta o cético. “Não pode haver nenhum registro escrito de uma sociedade anarquista de 11.000 anos antes de Cristo.”
True, there is no written account of these places, so it’s impossible to have a first-hand account declaring that there was no government. But, researchers use the same techniques they do for any other civilization for locating evidence of government. Researchers look for public buildings, mainly. It seems simple, but for governments to function, they need offices. They need congregational areas, they need administrative centers, armories, treasuries, etc. They look for areas of concentrated weapons, areas of concentrated wealth, and for evidence of tributes to or worshiping of humans. Sometimes, they  look for evidence of slavery. None of these things were ever found in Jericho, Çatalhöyük, or Harappa. In contrast, in the Chaldean, Assyrian, Persian, Syrian, Egyptian, and Babylonian civilizations (which are near the same age), all of these things are found. There was simply no plausible evidence that these three places were governed.
Verdade, não há descrição escrita desses lugares e é, portanto, impossível ter-se descrição em primeira mão declarando que não havia governo. Os pesquisadores, porém, usam as mesmas técnicas que utilizam para qualquer outra civilização para localizar evidência de governo. Os pesquisadores procuram edifícios públicos, principalmente. Parece simples, mas para os governos funcionarem eles precisam de escritórios. Precisam de áreas de reunião, centros administrativos, arsenais, tesouros etc. Procuram áreas de armas concentradas, áreas de riqueza concentrada, e evidência de tributos cobrados de, ou adoração proveniente de, seres humanos. Por vezes, procuram evidência de escravatura. Nenhuma dessas coisas foi jamais encontrada em Jericó, Çatalhöyük, ou Harappa. Em contraste, nas civilizações caldeia, assíria, persa, síria, egípcia e babilônia (que são aproximadamente da mesma idade), todas essas coisas foram encontradas. Simplesmente não havia evidência plausível de que aqueles três lugares mencionados fossem governados.
Another great clue for Çatalhöyük in favor of statelessness is the layout of the houses. To the average viewer, it would seem that the mud-brick and plaster houses were laid out willy-nilly. There was really very little room (if any) for walkways between. This is a pretty decent indication that there was little to no central planning of any kind in the community. Actually, the near 10,000 people probably walked around on top of the houses and entered through holes in the roof. Once through the holes, they would climb down ladders into the home. The homes were decorated with vibrant murals, and the inhabitants bought bright pottery and religious figurines from local artists. Like Jericho, the skulls of Çatalhöyük were painted to resemble the faces of the owners, so some historians deem this the first example of portraiture. One painting in a home of the nearby volcanoes is probably the first map/landscape painting. Eventually, the people even developed metal cooking utensils.
Outra grande chave para Çatalhöyük em favor da ausência de estado é o leiaute das casas. Para o espectador médio, pareceria que as casas de tijolos de barro e gesso eram construídas sem planejamento. Havia realmente muito pouco espaço (se houvesse) para passadiços entre elas. Esse é indício bastante decente de que havia pouco ou nenhum planejamento central de qualquer tipo na comunidade. Na verdade, as cerca de 10.000 pessoas provavelmente subiam nas casas e entravam usando buracos no telhado. Uma vez tendo entrado no buraco, desciam por meio de escadas. As casas eram decoradas com vibrantes murais, e os habitantes compravam cerâmica de cores vívidas e estatuetas religiosas de artistas locais. Como em Jericó, os crânios de Çatalhöyük eram pintados para se assemelharem às faces de seus donos, e assim alguns historiadores consideram isso o primeiro exemplo de retrato pictórico. Uma pintura, numa casa, dos vulcões próximos é provavelmente a primeira pintura de mapa/panorama. Finalmente, as pessoas desenvolveram até utensílios de metal para cozinha. 
Like other early civilizations, the residents of Çatalhöyük were some of the first to try farming. Different cereals and legumes were the main crops, but these were still secondary to the more paleolithic practices of hunting and gathering. However, Çatalhöyük is usually noted among historians as the first area to practice the domestication of livestock. All of these feats were accomplished in Çatalhöyük, yet very few researchers mention that there is literally no evidence of a government there. If they do mention it, there is usually no more analysis of the effects of statelessness. I think we’re beginning to see a trend here, though. Like Jericho, Çatalhöyük survived for an inordinate amount of time—about 2,000 years, actually. This isn’t anywhere near the longevity of Jericho, but 2,000 years is still incredible. Consider what can happen in 2,000 years. 2,000 years ago, Christ was preaching in the Levant. 2,000 years ago, Ovid was writing the Metamorphoses. A lot can happen in that time, and in southern Turkey, it did. It did so—I will say this again—without government.
Como em outras civilizações antigas, os residentes em Çatalhöyük estiveram entre os primeiros a tentarem atividades de fazenda. As principais culturas eram diferentes cereais e leguminosas, as quais contudo eram secundárias em comparação com as práticas mais paleolíticas de caçar e catar. Contudo, Çatalhöyük é usualmente citada, entre os historiadores, como a primeira área a praticar a domesticação de animais de fazenda. Todos esses feitos foram consumados em Çatalhöyük, e no entanto muito poucos pesquisadores mencionam não haver, literalmente, qualquer evidência de governo ali. Se mencionam, usualmente não há mais análise dos efeitos da ausência de estado. Acredito que começamos a ver uma tendência aqui, porém. Como Jericó, Çatalhöyük sobreviveu por período desproporcional de tempo — cerca de 2.000 anos, na realidade. Isso nem chega perto da longevidade de Jericó, mas 2.000 anos é ainda incrível. Considere o que pode acontecer em 2.000 anos. Há 2.000 anos Cristo estava pregando no Levante. Há 2.000 anos, Ovídio estava escrevendo as Metamorfoses. Muita coisa pode acontecer nesse período e, no sul da Turquia, aconteceu. E aconteceu — direi de novo — sem governo.
Harappa
Harappa
Harappa is the most investigated and most discussed society of the three in this article. And, though it is the last, it is certainly not least. Located in modern-day Pakistan, Harappa is considered by many to be the home to the Indus River Valley civilization, and to civilization itself.
Harappa é a mais investigada e mais discutida sociedade das três deste artigo. E, embora seja a última, é certamente não a menos importante. Localizada no atual Paquistão, Harappa é considerada, por muitos, o lar da civilização do Vale do Rio Indo, e da própria civilização. 
Harappa lays claim to many achievements. For example, researchers have found some sort of writing all over Harappa, which likely predates Cuneiform and Phoenician (for those readers out there who have lives, think Stone Age chicken scratch). As for the overall layout of Harappa, it’s fairly similar to Jericho and Çatalhöyük. There are very basic, mud-brick houses, with the dead usually buried beneath the floors. There is evidence of farming and ranching. Any fortifications were likely to protect against monsoon waters, and there is no evidence of war or slavery. There are no notable religious or administrative buildings, definitely no treasuries, and no real signs of a stratified socioeconomic hierarchy.
Harappa reclama para si muitas realizações. Por exemplo, os pesquisadores descobriram uma espécie de escrita em toda Harappa, que provavelmente é de data anterior às escritas cuneiforme e fenícia (para aqueles leitores que não vivem só para estudar, pensem em garranchos da Idade da Pedra). Quanto ao leiaute geral de Harappa, é bastante semelhante aos de Jericó e Çatalhöyük. Há casas muito básicas de tijolos de barro, com os mortos usualmente sepultados sob os pisos. Há evidência de plantações e criação de animais. Quaisquer fortificações provavelmente eram para proteger de águas de monções, e não há evidência de guerra ou escravidão. Não há edifícios religiosos ou administrativos notáveis, definitivamente não há tesouros, e não há sinais reais de hierarquia socieconômica estratificada. 
What’s really unique about Harappa, though, is its organization. In stark contrast to Çatalhöyük, there are actually roads. Not only are there roads, but the area is laid out in an almost grid-like pattern. In the cities there is (get this) municipal drainage. That’s right, there is definitive evidence of public services being provided without a government. Stop the presses. Scholars note a sense of uniformity throughout the cities which make up Harappa. On top of the uniform writing system, there is a system of uniform weights and measurements used by traders and merchants. The religious figurines and children’s toys—though they do no indicate an organized, collectively recognized cult—indicate a sort of cultural homogeneity. It was Spontaneous Order played out in real life.
O que há de realmente único no tocante a Harappa, contudo, é sua organização. Em agudo contraste com Çatalhöyük, há realmente estradas. Não apenas há estradas, como ademais a área é de leiaute de padrão quase como grade. Nas cidades há (entendam isso) drenagem municipal. Isso mesmo, há evidência definitiva de serviços públicos sendo proporcionados sem governo. Os eruditos observam um sentido de uniformidade nas cidades que constituem Harappa. Além do sistema uniforme de escrita, há um sistema uniforme de pesos e medidas usado por comerciantes e mercadores. As estatuetas religiosas e os brinquedos de crianças — embora não indiquem culto organizado, coletivamente reconhecido — indicam uma espécie de homogeneidade cultural. Era uma Ordem Espontânea dramatizada na vida real. 
Not only did this work, but it made the civilization flourish. There is more than enough evidence to indicate that the Harappans traded with everyone they could. Namely, they traded with their neighbors to the West, the Mesopotamians. Though the Mesopotamians were Statists, the Harappans were not. The Harappan society was so advanced, in fact, that there were several families or companies that traded in and outside of Harappa, as far as Indonesia and Egypt. Each family or company used a unique seal with a logo on it. And, no matter what RBE advocates say, these early Neolithic people did use money. The really interesting thing is that in contrast with sites in France, for example, there is no uniform coinage in Harappa. That means that there was no central bank (which we still haven’t figured out how to do yet).
Não apenas aquilo funcionava, mas fazia a civilização florescer. Há mais do que evidência suficiente para indicar que os harappenses comerciavam com todos com quem podiam. Isto é, comerciavam com seus vizinhos do Oeste, os mesopotâmios. Embora os mesopotâmios fossem estatistas, os harappanos não eram. A sociedade harappana era tão avançada que havia diversas famílias ou companhias que comerciavam dentro e fora de Harappa, tão longe quanto em Indonésia e Egito. Cada família ou companhia usava um sinete exclusivo com logotipo. E, não importa o que os defensores da economia baseada em recursos - RBE digam, aquele povo do início do Neolítico usava sim dinheiro. A coisa realmente interessante é que, em contraste com locais em França, por exemplo, não há cunhagem uniforme em Harappa. Isso significa que não havia banco central (que nós ainda não aprendemos como fazer).
Scholars have assumed that the Mesopotamians had the advantage in trade (what with being a slave empire and all). But, upon further examination of Harappa’s raw materials, their transportation methods, and their rate of expansion, it’s pretty easy to say that it could have been the Harappans who were doing a favor for the Mesopotamians by trading with them.
Os eruditos assumiram que os mesopotâmios levavam vantagem no comércio (por serem um império escravagista etc.). Contudo, examinando-se melhor as matérias-primas de Harappa, seus métodos de transporte e sua taxa de expansão, é muito fácil dizer que podem ter sido os harappanos que estavam fazendo um favor aos mesopotâmios ao comerciarem com eles. 
Harappa was by far more advanced than Jericho or Çatalhöyük, but they all had very much in common. After a beautiful run of 3,000 years, Harappa vanished. The reasons for Harappa’s decline are murky. In all likelihood, we can chalk its fall up to bad luck. As the world transitioned away from the last Ice Age and more to what we see today, the monsoons around India grew more dramatic, leaving Harappa more or less a desert. Eventually, the Aryan people settled in the remains of Harappa, bringing with them their theocratic government, and the stateless trade empire that was Harappa was forgotten.
Harappa era, de longe, mais avançada do que Jericó ou Çatalhöyük, mas todas tinham muito em comum. Depois de bela existência com duração de 3.000 anos, Harappa desapareceu. Os motivos para o declínio de Harappa são obscuros. De toda probabilidade, podemos atribuí-lo a falta de sorte. À medida que o mundo fez a transição distanciando-se da última Idade do Gelo aproximando-se do que vemos hoje, as monções em torno da Índia tornaram-se mais dramáticas, transformando Harappa mais ou menos num deserto. Finalmente, o povo ariano estabeleceu-se no remanescente de Harappa, trazendo com ele seu governo teocrático, e o império de comércio sem estado que fora Harappa foi esquecido.
Let me just say that I am not an archaeologist, nor am I a paid historian. I simply look for my sources, read them, and synthesize them in the form of an article. From what I have found, these three civilizations are fantastic examples of stateless societies. Though there are no signs in these areas that read “Anarchists Welcome!” many seasoned researchers will tell you that many times, it’s about what you cannot see. You must understand, to these people, government was probably something foreign, if they even considered it.
Deixem-me dizer que não sou arqueólogo, nem historiador pago. Simplemente procuro minhas fontes, leio-as, e sintetizo-as em forma de artigo. Do que descobri, aquelas três civilizações são exemplos fantásticos de sociedades sem estado. Embora não haja tabuletas naquelas áreas dizendo “Anarquistas, Sejam Bem-Vindos!” muitos pesquisadores experientes dirão a você que, muitas vezes, a coisa está exatamente naquilo que você não consegue ver. Você precisa entender: para aquelas pessoas, o governo era provavelmente algo com que não estavam familiarizadas, se é que alguma vez cogitaram dele.
You may have heard anarchists say things like “you practice anarchy every day at home.” It was the same for these people, if on a larger scale. I highly doubt there weren’t any problems in these places. No—problems must exist before solutions do. But, in spite of having no governing body, society happened. Social organization simply didn’t require compulsion or coercion. From farming to art to sewers, these people discovered civilization. What is civilization? More than practical innovation, civilization is the practice of living amicably with another person. Civilization is trading with others, speaking with others, and building a legacy with others.
Você poderá ter lido anarquistas dizerem coisas tais como “você pratica anarquia todo dia em casa.” O mesmo acontecia com aquelas pessoas, em escala maior. Duvido muito que não houvesse problemas naqueles lugares. Não — é preciso existir problemas antes de existirem soluções. Contudo, a despeito de não ter entidade governante, a sociedade acontecia. A organização social simplesmente não requer compulsão ou coerção. De atividades rurais a arte e a esgotos, aquelas pessoas descobriram a civilização. O que é civilização? Mais do que inovação prática, civilização é a prática de viver amigavelmente com outra pessoa. Civilização é comerciar com os outros, falar com os outros, e construir um legado com os outros. 
So, time to answer the three questions.
Portanto, hora de responder às três perguntas.
Government is the process of ruling over another person.
Governo é o processo de exercer poder/autoridade sobre outra pessoa.
Society is a voluntary association of people living and interacting with each other.
Sociedade é associação voluntária de pessoas vivendo e interagindo umas com as outras.
Hobbes was wrong. The social contract does not need to include anyone ruling over anyone else, as these three cases demonstrate. The “state of nature” is not a war of all against all. People can develop complex structures (physical and social) without asking for some magical sovereign’s permission before doing so. People do not need to force others into paying for anything to which they do not wish to contribute. Society is voluntary. Government is force, and you do not need it.
Hobbes estava errado. O contrato social não tem de incluir ninguém exercendo poder/autoridade sobre ninguém, como esses três casos patenteiam. O “estado de natureza” não é uma guerra de todos a todos. As pessoas podem desenvolver estruturas complexas (físicas e sociais) sem pedir a algum soberano mágico permissão antes de fazê-lo. As pessoas não precisam forçar outras a pagar algo para o que não desejem contribuir. A sociedade é voluntária. O governo é força, e você não precisa dele.
“Yes, okay, okay,” cedes Mr. Skeptic. “That’s great. But, you have to acknowledge that these societies existed thousands of years ago. Government has been the way of life for humans for centuries now. How can we really be sure that society without government will work for us today?”
“Sim, muito bem, muito bem,” concede o Sr. Cético. “Isso é ótimo. Todavia, você tem de reconhecer que aquelas sociedades existiram há milhares de anos. O governo tem sido um modo de vida para os seres humanos durante séculos, agora. Como podemos realmente estar seguros de que sociedade sem governo funcionará para nós hoje?”
Part 1: [Please see link in the original]
Parte 1: [Por favor veja link no original]
Part 2: [Please see link in the original]
Parte 2: [Por favor veja link no original]
Part 3: [Please see link in the original]
Parte 3: [Por favor veja link no original]
Like this? Donate Bitcoin to ts at:
Gosta deste texto? Doe Bitcoin a ts em:
1E1nqYZ5bpB3K8udDaeVpFYiiFe3pc1XcK

No comments:

Post a Comment