Monday, July 21, 2014

THE ART OF NOT BEING GOVERNED / Anarchy - Never Been Tried? Part III: Fire and Ice


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THE ART OF NOT BEING GOVERNED
A ARTE DE NÃO SER GOVERNADO
Anarchy – Never Been Tried? Part III: Fire and Ice
Anarquia – Nunca Foi Tentada? Parte III: Fogo e Gelo
Posted on September 6, 2013 by ts
Afixado em 6 de setembro de 2013 por ts
This is the third in a series of posts on historical free and anarchic societies by guest-author Daniel Hawkins
Esta é a terceira de uma série de afixações acerca de sociedades históricas livres e anárquicas, pelo autor convidado Daniel Hawkins
There is a dichotomy that I’ve had on my mind lately. It’s one that’s been ever-present in metaphysics and mysticism since people have been around: the worlds of fire and ice. It’s in several creation myths. It’s the subject of a great poem by Robert Frost. It’s a primal juxtaposition, the classic example of opposites. We usually think that separate spheres, separate worlds, cannot and should not coexist or overlap. Similarly, we sometimes think that differing cultures usually do not have overlapping ideas, and if they did, those ideas would only be coincidental.
Há uma dicotomia que tenho tido em minha mente recentemente. É uma que sempre esteve presente em metafísica e misticismo desde que as pessoas existem: os mundos de fogo e gelo. Está em diversos mitos da criação. É tema de magnífico poema de Robert Frost. É justaposição primeva expressiva de contrastes, exemplo clássico de opostos. Usualmente pensamos que esferas separadas, mundos separados, não podem e não devem coexistir ou imbricar. Similarmente, pensamos por vezes que culturas diferentes usualmente não têm ideias que imbricam e, se tivessem, essas ideias seriam apenas coincidentes.
But, according to anthropological and historical evidence, there are far fewer “opposites” in the world than we thought. Particularly, I refer to the Horn of Africa and Iceland. You might think them unlikely cousins, what with one being home to hardy, pale Aryans and the other to equatorial African Muslims, but these two places, these lands of fire and ice, have much more in common than we thought.
Contudo, de acordo com evidência antropológica e histórica, há muito menos “opostos” no mundo do que supúnhamos. Particularmente, refiro-me ao Chifre da África e à Islândia. Você poderia supô-los primos improváveis, pois uma é lar de pálidos arianos robustos, e a outra de muçulmanos africanos equatoriais, mas esses dois lugares, essas terras de fogo e gelo, têm muito mais em comum do que suporíamos.
As I discussed in the last installment of this series, Polycentric Law was a rather successful social organization in Ireland, (for those unfamiliar with the term, see: [please see link in the original] and [please see link in the original]). The discussion about Ireland and its Brehon system may have left a lot of readers wondering if and how another society could replicate its success. Well, it’s really common sense to assume that when there is no State to speak of, there are a few inevitable disputes here and there, and that there must be some way to peacefully settle them. A system of competing judges and claims courts could, theoretically, handle any dispute involving natural law while at the same time having the wiggle room to accommodate for changing societal values. It’s really no surprise, either. When similar conditions apply, similar solutions are put forward. For example, ancient bows and arrows—useful for long-range hunting and combat—can be found on multiple continents where people had no way of contacting each other. Certain TV personalities might say that aliens came and gave everyone the same idea, but there’s actually a more plausible explanation: it was just efficient and necessary. The State, we know, is neither. Enter these two remarkable places, where, in the absence of a violent and coercive behemoth called the State, forged something beautiful.
Como discuti no último componente desta série, a Lei Policêntrica constituiu organização social bastante bem-sucedida na Irlanda (para os não familiarizados com a expressão, ver: [por favor veja link no original] e [por favor veja link no original]see: [please see link in the original]. A discussão acerca da Irlanda e seu sistema Brehon pode ter deixado muitos leitores pensando acerca de se e como outra sociedade poderia reproduzir aquele sucesso. Bem, é realmente senso comum assumir que, não havendo Estado digno de menção, haverá algumas inevitáveis disputas aqui e ali, e terá de haver algum modo pacífico de resolvê-las. Um sistema de juízes competidores e tribunais de litígio poderia, teoricamente, lidar com qualquer disputa envolvendo a lei natural tendo, ao mesmo tempo, flexibilidade para adaptar-se a mudanças de valores sociais. Isso nem é, outrossim, de surpreender. Quando condições similares se aplicam, soluções similares são propostas. Por exemplo, antigos arcos e flechas — úteis para caçadas e combates de longa duração — podem ser encontrados em muitos continentes onde as pessoas não tinham como entrar em contato umas com as outras. Certas personalidades da TV poderiam dizer que alieníginas vieram e deram a todos a mesma ideia, mas há em verdade explicação mais plausível: era apenas eficiente e necessário. O Estado, sabemos, não é nem um nem outro. Entram em cena esses dois lugares notáveis onde, na ausência do monstro colossal violento e coercitivo chamado Estado, forjaram algo lindo.
Norway was changing fast in the 10th century. Up until then, it mostly resembled Greece. Direct democracy was the system used by Norwegian men and women who lived in a patchwork of petty kingdoms. Each state had an Earl, usually a wealthy aristocratic warlord who presided over a general assembly, where people from the area could come to discuss any (presumably pasty) issues and disputes of the day. Unfortunately, Earl Harald Fairhair grew ambitious and sought to unify these states under his banner of a unified Norway. While some saw his actions as an attempt to genuinely bring people together for common defense and peace, others viewed it as a brash, tyrannical power-grab. So, like many groups before and after them, the people who wanted freedom left their homes, sailing for a recently-discovered island to the west: Iceland.
A Noruega, no século 10, modificava-se rapidamente. Até então, ela mais se parecia com a Grécia. Democracia direta era o sistema usado pelos homens e mulheres noruegueses que viviam numa colcha de retalhos de pequeninos reinos. Cada estado tinha um Earl, usualmente um rico chefe guerreiro aristocrático que presidia uma assembleia geral, onde as pessoas da área podiam vir e discutir quaisquer questões e disputas (presumivelmente pasty [?]) do momento. Infelizmente, o Earl Harald Cabelo Louro tornou-se ambicioso e buscou unificar esses estados sob sua plataforma de uma Noruega unificada. Embora algumas pessoas tivessem visto suas ações como tentativa de genuinamente unir as pessoas para defesa comum e paz, outras as viram como audacioso e tirânico açambarcamento de poder. Assim, como muitos grupos antes e depois, as pessoas que desejavam liberdade deixaram seus lares, velejando para uma ilha recentemente descoberta no oeste: Islândia.
The new settlers brought their traditions with them, as did other Irish settlers not long after. It’s still debated among academics about what exactly happened to create the new social order known as Godhordh. Some (more Statist) thinkers claim a group of warlords/chieftains banded together to create a new general assembly, like an ancient congress, that would lay the foundation for Iceland’s modern democracy. Others, like David Friedman and Roderick T. Long, contest that narrative and instead posit, with ample evidence, that Iceland was an anarchic paradise.
Os novos colonizadores levaram consigo suas tradições, como também o fizeram outros colonizadores irlandeses não muito após. Ainda é debatido entre acadêmicos o que exatamente ocorreu resultando na criação da nova ordem social conhecida como Godhordh. Alguns pensadores (especialmente estatistas) asseveram que um grupo de chefes guerreiros/chefes de clãs aglutinaram-se para criar uma nova assembleia geral, como um congresso antigo, que estabeleceu os fundamentos da moderna democracia islandesa. Outros, como David Friedman e Roderick T. Long, contestam essa narrativa e postulam, antes, com ampla evidência, que a Islândia era um paraíso anárquico.
Like its landscape, Iceland’s political climate was bare, but beneath the surface, change was coming. There were no Earls or kings, no seat of power. But, unlike a certain group of fictional schoolboys, the inhabitants didn’t kill each other and burn everything to the ground. It’s surprising, but it was in their best interests to just get along. For one thing, the women of the time were relatively respected. This was likely a carry-over from Norway and Ireland, where women owned property, divorced their husbands, and fought in combat. And then there’s the fact that private property was sacred, as was reputation. Anyone who breached either was in immediate danger of shunning by his or her community as well as a lawsuit. The judges who oversaw these trials were called Godhars. While some say they were chieftains, they were more likely just elders who memorized social codes and passed them on to their families via oral tradition. Together with other officials, these men formed the Godhordh system. Godhars were not like the average judge. A Godhar could sell his position as judge (a scenario that might give nightmares to many), but the position also hinged on being able to gather enough supporters to keep his job.
Como seu panorama, o clima político da Islândia era despojado mas, sob a superfície, mudança estava chegando. Não havia earls nem reis, não havia sede do poder. Todavia, diferentemente de certo grupo de garotos de escola ficcionais, os habitantes não se matavam e queimavam tudo até só restar cinza. É surpreendente, mas era do interesse deles viverem em harmonia. Para começo de conversa, as mulheres da época eram relativamente respeitadas. Isso provavelmente era algo herdado de Noruega e Irlanda, onde as mulheres tinham propriedades, divorciavam-se dos maridos, e lutavam em combate. E depois havia o fato de a propriedade privada ser sagrada, como o era a reputação. Qualquer pessoa que desrespeitasse uma ou outra ficava em perigo imediato de ser rejeitada por sua comunidade, bem como de responder a processo. Os juízes que presidiam esses julgamentos eram chamados Godhars. Embora alguns digam que eles eram chefes de clãs, eles mais provavelmente eram apenas anciãos que memorizavam os códigos sociais e os passavam adiante para suas famílias por meio de tradição oral. Juntamente com outras autoridades, esses homens formavam o sistema Godhordh. Os Godhars não eram como o juiz usual. Um Godhar podia vender seu cargo de juiz (hipótese que poderia dar pesadelos a muitas pessoas), mas o cargo também dependia inteiramente do ser capaz de obter partidários suficientes para a manutenção de sua função.
This brings us to our next topic: in this system, there was no monopoly on justice. Not only were these seats temporary, private positions, but in sharp contrast to every other country (including Norway), there was no geographical monopoly. This created a competitive environment. Parties involved in a dispute could go to argue their claims in court, only after paying a fee to a judge (sometimes appointed by a Godhar). If one party couldn’t win a case, he had the option of appeal, going to a competing court, or finding someone with more money to protect him. This may seem like a radical and greedy system to some, but there were several checks and balances built in. In order for a judge to maintain credibility, he had to make sure the community saw him as a just and equitable man. Likewise, for a party to earn the support of moneyed folks to represent them, the party had to make sure his or her case held water, or else the reputations of his entire side were in jeopardy. So, logically, there was a explosion of firms that acted as both insurance and security companies (sound familiar, An-Caps?). So, as with Ireland, we see the maintenance of order as both an economic and social act, born out of voluntary cooperation.
Isso nos leva a nosso próximo tópico: naquele sistema não havia monopólio da justiça. Não apenas eram aqueles assentos cargos temporários e privados com, em agudo contraste com todos os outros países (inclusive Noruega), não havia monopólio geográfico. Isso criava ambiente competitivo. Partes envolvidas em disputa podiam levar suas causas a tribunal só depois de pagarem taxa a um juiz (por vezes nomeado por um Godhar). Se uma parte não pudesse ganhar uma causa, tinha a opção de apelar, recorrendo a tribunal competidor, ou encontrando alguém com mais dinheiro para protegê-la. Esse poderá parecer, para algumas pessoas, sistema radical e ganancioso, mas havia diversos controles e verificações embutidos nele. Para que um juiz mantivesse credibilidade, tinha de assegurar-se de que a comunidade o visse como homem justo e equânime. Analogamente, para uma parte ganhar o suporte de pessoas endinheiradas que a representassem, a parte tinha de assegurar que sua causa fosse razoável, ou então as reputações de todos a seu lado ficariam em risco. Portanto, logicamente, havia uma explosão de firmas que atuavam tanto como empresas de seguros quanto de segurança (soa familiar, anarcocapitalistas?). Portanto, do mesmo modo que na Irlanda, vemos a manutenção da ordem como ato tanto econômico quanto social, nascido de cooperação voluntária. 
Some academics are irritated by Iceland’s competitive justice system. The Icelandic sagas even seem to be a chronicle of a wild, feuding society. But, we find that these feuds, on a larger scale of time, were few and far between, and when they did occur, they had very low casualties. Many sagas are actually about lawyers and farmers—the people who made up the backbone of Icelandic society—not like the pillaging Vikings across the sea. Not only did the fierce competition between courts and defense companies make it impossible for armies to be amassed, but feuds were almost always contained to families who just disliked each other. The farms and villages that subscribed to competing companies and Godhars were built alongside each other, pressuring each other to be peaceful. The result was a people who relied on trade and cooperation as opposed to theft and imprisonment. It worked for the better part of 300 years. Thought it didn’t live as long as other Anarchist societies (most of which we will discuss in future articles), the society known as the Icelandic Commonwealth survived much longer than most States. It met its untimely demise at the hands of a matured Kingdom of Norway in 1262.
Alguns acadêmicos mostram-se irritados com o sistema competitivo de justiça da Islândia. As sagas islandesas até parecem crônicas de uma sociedade selvagem, de rixas prolongadas. Contudo, descobrimos que essas rixas prolongadas, numa escala de tempo maior, foram poucas e espaçadas e, quando ocorriam, causavam muito poucas baixas. Muitas sagas são, em realidade, acerca de advogados e fazendeiros — as pessoas que formavam a espinha dorsal da sociedade islandesa — e não de pessoas como os pilhadores vikings mar afora. Não apenas a feroz competição entre tribunais e empresas de defesa tornava impossível a aglutinação de exércitos, como as rixas quase sempre ficavam adstritas a famílias que simplesmente não se gostavam. As fazendas e vilas que recorriam a empresas competidoras e a Godhars eram construídas umas ao lados das outras, pressionando-se mutuamente para serem pacíficas. O resultado era povo que recorria a comércio e cooperação por oposição a roubo e prisão. Funcionou bem na maior parte dos 300 anos. Embora não tenha sobrevivido por tanto tempo quanto outras sociedades anarquistas (a maioria das quais discutiremos em artigos futuros), a sociedade conhecida como Comunidade Islandesa sobreviveu por muito mais tempo do que a maioria dos Estados. Encontrou sua morte prematura pelas mãos de amadurecido Reino da Noruega em 1262.
6,000 miles away, something else was happening in the hills and savannas of Africa. Some historians place it around the 7th century, some before, and others still place it a millennium earlier. It was a voluntary, polycentric system that began in present-day Somalia, that today is called Xeer.
A 6.000 milhas dali, algo diferente estava acontecendo nas colinas e savanas da África. Alguns historiadores situam-no em torno do século 7, alguns antes, e outros ainda o situam um milênio antes. Foi um sistema voluntário e policêntrico que começou na atual Somália, hoje denominado xeer.
Yes, I know, I said the S-word. One could go into diatribes and dissertations about how misinformed the public is about Somalian politics and history (and how it’s really not an anarchic country), but unfortunately, there’s not much time or room here. What we do know is that at some point, Xeer (pronounced “hear”) was formed, and that it’s still very much alive today.
Sim, eu sei, disse o palavrão. Poderíamos seguir com diatribes e dissertações acerca do quanto o público está mal informado acerca da política e da história da Somália (e como realmente ela não é um país anárquico), mas, infelizmente, não há muito tempo ou espaço aqui. O que sabemos é que, em algum momento, xeer (pronunciado “rir”) foi formado, e está em grande parte vivo em nossos dias.
The structure resembles Godhordh in that there are judges, jurists, lawyers, detectives, and enforcers. Don’t let those titles fool you, Xeer is definitely private and definitely stateless. There are no uniforms, no licenses, and no offices. In fact, court cases are almost always held under the nearest acacia tree, where the people lay out mats and discuss the case. To make sure each party can pay, most communities urge every person to carry some manner of insurance before taking a case to court. This system is still practiced every day across Somalia (particularly in the north and west), and despite the war and poverty that have torn the nation apart, one can’t help but notice how little it’s changed.
A estrutura parece Godhordh na medida em que há juízes, advogados, detetives, e agentes compelidores. Não deixe esses títulos iludirem você, xeer é definitivamente privado e sem estado. Não há uniformes, licenças, e escritórios. Na verdade, as causas de tribunal são quase sempre julgadas sob as acácias, onde as pessoas estendem esteiras e discutem a causa. Para assegurarem-se de que ambas as partes possam pagar, a maioria das comunidades urge cada pessoa a pagar algum tipo de seguro antes de levar a causa ao tribunal. Este sistema ainda é praticado todos os dias na Somália (particularmente em norte e oeste) e, a despeito de guerra e pobreza que têm esfrangalhado a nação, não há como deixar de observar quão pouco mudou.
There are a few opinions on how old Xeer is, exactly. Some say it predates Islam, while others say it followed, and others still say Xeer may have been the basis for a trade empire (using “empire” loosely) that spanned the continent. Regardless, we can conclude with solid evidence a few interesting things. Before there was even a Somali people, the tribes recognized Xeer. While Islam is also a unifying factor in Somalia, the introduction of it via both peaceful and aggressive missionaries did little to change the customs of Xeer. And, lastly, Xeer traditions are held even above Islamic law, for not only does it take precedent in cases where Xeer and Islam conflict, but in almost every case, someone who holds a position like a judge or detective cannot be involved in the clergy at all. Incredibly, people have managed to self-regulate their private law system without it devolving into some kind of dystopian film.
Há algumas opiniões acerca de quanto xeer é antigo, exatamente. Alguns dizem que é de data anterior à do islã, enquanto outros dizem que é mais novo, e outros ainda dizem que xeer pode ter sido a base de um império comercial (usando a palavra “império” latamente) que se espraiava pelo continente. Independentemente disso, podemos concluir, de sólida evidência, algumas coisas interessantes. Antes de sequer haver povo somali, as tribos reconheciam xeer. Embora o islã seja também fator unificador na Somália, sua introdução por missionários tanto pacíficos quanto agressivos pouco fez para mudar os costumes de xeer. E, por fim, as tradições xeer são mantidas acima mesmo da lei islâmica, pois não apenas têm precedência em casos de conflito de xeer e islã, como em quase todos os casos alguém que desempenhe função tal como a de juiz ou detetive não pode estar envolvido, em absoluto, com o clericato. Incrivelmente, as pessoas conseguiram autorregulamentar seu sistema legal privado sem ele ter denegenerado em algum tipo de filme distópico.
Aside from religion, Xeer takes a sharp digression from politics as well. Before the invasion by European powers around the year 1900, Somalia had never known a government. This is pretty interesting information, considering that there were several empires surrounding Somalia for centuries. But, eventually, the defenses of the tribes couldn’t stand up to the industrial might of the West. Britain and Italy both exerted heavy pressure on the population to adhere to written laws and costumed dictators. It was arguably these Europeans that, through a series of laws and codes, actually promoted Sharia in official courts, thus paving a road for the Islamic Courts Union.
Separado da religião, xeer distancia-se agudamente também da política. Antes da invasão das potências europeias em torno do ano 1900, a Somália nunca havia conhecido governo. Essa é informação bastante interessante, considerando-se que diversos impérios circundaram a Somália durante séculos. Finalmente, porém, as defesas das tribos não puderam prevalecer contra o poderio industrial do Ocidente. Grã-Bretanha e Itália ambas exerceram forte pressão sobre a população para que adotasse leis escritas e ditadores em trajes próprios. Plausivelmente, foram esses europeus que, por meio de série de leis e códigos, em realidade promoveram a sharia nos tribunais oficiais, desse modo preparando o terreno para a União dos Tribunais Islâmicos. 
Today, we see a similar situation, where Western powers and radical Islam rage over who will rule Somalia. It was the introduction of government itself that even made these wars possible. Archaeologists have yet to find any evidence of broad conflict prior to colonization. Recently, Somalia was ranked as the world’s most violent country. Some (again, more Statist) political analysts blame it on the weakness of Xeer. But is peace the same as weakness? How could Xeer last so long if it were weak? How come, even during colonization, Xeer was so popular that it was integrated into official laws? How come Xeer, a seemingly disorganized, decentralized, archaic, off-the-cuff social organization, has resisted the Leviathan?
Hoje vemos situação semelhante, na qual as potências ocidentais e o islã radical se embatem a propósito de quem governará a Somália. Foi a própria instauração do governo que tornou essas guerras possíveis. Os arqueólogos ainda não encontraram qualquer evidência de conflito amplo antes da colonização. Recentemente, a Somália foi classificada como o país mais violento do mundo. Alguns (de novo, em sua maioria estatistas) analistas políticos culpam por isso a debilidade do xeer. É porém paz o mesmo que fraqueza? Como poderia xeer durar tanto se fosse fraco? Como explicar, durante a colonização, que xeer era tão popular que foi integrado em leis oficiais? Como explicar que xeer, organização social aparentemente desorganizada, descentralizada, arcaica e improvisada, tenha resistido ao Leviatã?
The answer lies in one truth: people want freedom. Polycentric Law seems, at first glance, much too complex and organized to be real anarchy. But that’s exactly what anarchy is—anarchy is responsibility. Anarchy is social codes instead of prisons and police. Anarchy is organization instead of chaos. Is there any better definition of chaos than the poverty and violence created by the State? Is there any better definition of order than the peace caused by free trade and social cooperation? This is simultaneous invention. This is spontaneous order. What more evidence is there that anarchy is man’s natural state? What more evidence is there that anarchy is amazing?
A resposta assenta-se numa só verdade: as pessoas querem liberdade. A Lei Policêntrica parece, à primeira vista, ser complexa e organizada demais para ser anarquia real. É, porém, exatamente o que anarquia é — anarquia é responsabilidade. Anarquia são códigos sociais em vez de prisões e polícia. Anarquia é organização em vez de caos. Há qualquer definição melhor de caos do que a pobreza e a violência criadas pelo Estado? Há melhor definição de ordem do que a paz causada pelo livre comércio e pela cooperação social? Isso é invenção simultânea. Isso é ordem espontânea. Que maior evidência há de que a anarquia é o estado natural do homem? Que maior evidência há de que a anarquia é espantosa?
Now, all we can do is hope that Somalia looks to Iceland. If we use history as our guide, we can understand how best to face the future. There are many places left to talk about, and I hope to show you—whether you’re a skeptic who has yet to be convinced of Anarchism’s merits, or a long-time supporter who’s just looking for more evidence—that anarchy can be realized, even today.
Ora bem, tudo o que podemos esperar é que a Somália se pareça com a Islândia. Se usarmos a história como nosso guia, poderemos entender como melhor olhar o futuro. Há muitos lugares ainda acerca dos quais falar, e espero mostrar a você — se você for cético que ainda tenha de ser convencido dos méritos do anarquismo, ou partidário de longa data apenas em busca de mais evidência — que a anarquia pode ser concretizada, mesmo nos dias de hoje.
If you missed the previous parts of this series, catch up here:
Se você perdeu as partes anteriores desta série, poderá lê-las aqui:
Part 1: [Please see link in the original]
Part 1: [Por favor veja link no original]
Part 2: [Please see link in the original]
Part 2: [Por favor veja link no original]
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