Friday, May 2, 2014

The Blog from Nazareth - A clue as to why the Shin Bet might hack me


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Jonathan Cook – The Blog from Nazareth
Jonathan Cook – O Blog de Nazaré
A clue as to why the Shin Bet might hack me
Uma pista acerca de por que o Shin Bet poderá ter invadido meu computador
7 February 2014
7 de fevereiro de 2014
I have been pondering – probably more than is wise – what happened yesterday, when I lost control of my computer for an hour shortly after I had contacted the Israeli prime minister’s spokesman for a comment from the Shin Bet. I was working on a story about the various ways the Shin Bet seeks to exert pressure on Palestinians to recruit them as collaborators. For details of what happened, you can read about it here.(*)
Tenho pensado – provavelmente mais do que seria sensato – no que aconteceu ontem, quando perdi o controle de meu computador por uma hora pouco depois de ter entrado em contato com o porta-voz do primeiro-ministro israelense em busca de comentário por parte do Shin Bet. Eu estava trabalhando num artigo acerca das várias maneiras pelas quais o Shin Bet procura exercer pressão sobre palestinos para recrutá-los como colaboradores. Você poderá ler detalhes acerca do que aconteceu clicando aqui.(*)
Several people have pointed out, following my post last night, that we should all assume that we are being watched all the time, and especially people like journalists. Much as I would be secretly flattered to think that I have my own dedicated Shin Bet agent analysing my every keystroke, as I laboriously tap out my stories, I am realist enough to know that is a little unlikely. Even the Shin Bet must have worked out by now that it is simpler to wait a day or two to read the posts on my website. The Shin Bet has limited resources, and I and people like me are still a marginal problem (though maybe not for much longer).
Diversas pessoas já mencionaram, depois de minha postagem da noite passada, devermos todos assumir estarmos sendo vigiados o tempo todo, e isso é aplicável especialmente a pessoas tais como jornalistas. Por mais que secretamente eu possa sentir-me lisonjeado ao pensar ter meu próprio agente exclusivo do Shin Bet analisando cada teclagem minha, ao eu laboriosamente digitar meus artigos, sou realista o bastante para saber que isso é um pouco improvável. Até o Shin Bet terá de já ter percebido, a esta altura, ser mais simples esperar um dia ou dois para ler os textos afixados em meu website. O Shin Bet tem recursos limitados, e eu e pessoas como eu ainda somos problema marginal (embora talvez por não muito tempo mais).
The thing that has puzzled me most is the brazen manner in which this was done, while I was looking on trying to regain control of my computer. No effort was made to hide the hack. I and several other readers have speculated that I should interpret this behaviour as a warning, or threat. As I explained yesterday, one of the Shin Bet’s main goals in recruiting collaborators is, in addition to gathering information, to sow fear and doubt, to isolate people and dissuade them from working together – in the Palestinian case, on resistance to the occupation.
O que veio me deixando mais perplexo é a maneira descarada pela qual a coisa foi feita, enquanto eu olhava acontecer, tentando recobrar o controle de meu computador. Nenhum esforço foi feito para ocultar o acesso não autorizado. Eu e diversos outros leitores já especulamos que eu deveria interpretar esse comportamento como advertência, ou ameaça. Como expliquei ontem, um dos principais objetivos do Shin Bet no recrutamento de colaboradores, além de amealhar informação, é o de isolar pessoas e dissuadi-las de trabalhar juntas – no caso palestino, na resistência à ocupação.
Nonetheless, I don’t find this explanation entirely satisfying either. I can’t believe that the Shin Bet are so naive as to think that showing me they can watch me whenever they choose will force me to pack up my journalistic bags and take up another career, or tone down my reporting. After all, this is all I know how to do.
Nada obstante, não acho essa explicação inteiramente satisfatória. Não consigo acreditar que o Shin Bet seja ingênuo a ponto de pensar que mostrar-me poder vigiar-me sempre que desejar forçar-me-á a fazer minhas malas jornalísticas e seguir outra carreira, ou suavizar a linguagem de meus artigos. Afinal de contas, escrever é a única coisa que sei fazer.
So what happened last night?
Assim sendo, o que foi que aconteceu a noite passada?
As I was trying to clear my mind to fall asleep, the penny dropped. In recounting the events yesterday, I overlooked an important element. Shortly after I emailed David Baker, one of the prime minister’s spokesmen, with my question for the Shin Bet, he emailed back. This is what he wrote:
Enquanto eu tentava esvaziar a mente para poder dormir, caiu a ficha. Ao descrever os eventos, ontem, negligenciei importante elemento. Pouco depois de eu ter mandado email para David Baker, um dos porta-vozes do primeiro-ministro, com minha pergunta para o Shin Bet, ele me mandou email de volta. Eis o que escreveu:

Jonathan, Please send me the names  of those who asked for the permits and I will try to get you a response from the relevant authority.
Jonathan, Por favor mande-me os nomes das pessoas que solicitaram as permissões e tentarei obter para você resposta da autoridade competente.
Now, at the time I thought this a ludicrous request. What journalist is going to hand over a list of Palestinians who have complained to human rights lawyers that they were pressured into collaborating after requesting permits for emergency medical treatment? I ignored it and asked Baker just to get a response to my general question about whether such techniques were used. Now I consider his response both a little more sinister than I assumed and also the clue as to what happened.
Pois bem, ao ver aquilo minha reação foi a de estar diante de um pedido ridículo. Que jornalista entregará lista de palestinos que reclamaram a advogados de direitos humanos por terem sido pressionados a colaborar depois de terem pedido permissões para tratamento médico urgente? Deixei de lado o tópico e pedi a Baker para simplesmente obter resposta a minha pergunta geral acerca de se tais técnicas eram usadas. Agora vejo a resposta dele como um tanto mais sinistra do que havia pensado, e também a vejo como a pista para explicar o que aconteceu.
First for the sinister. There’s a famous saying: to a hammer, every problem looks like a nail. The Shin Bet’s main operational tool is collecting intelligence, including human intelligence (i.e. collaborators, in all their various guises). So I suspect that when they received my mail their first institutional reflex was to try to ensnare me, clumsily, into collaborating, whether inadvertently or not. When I refused to take the bait, they started thinking along different lines.
Falemos primeiro do caráter sinistro. Há famoso ditado: para martelo, todo problema tem aparência de prego. A principal ferramenta operacional do Shin Bet é a coleta de inteligência, inclusive inteligência humana (isto é, colaboradores, em todas as suas diversas guisas). Assim, suspeito de que, quando os membros daquela organização receberam meu email, seu primeiro reflexo institucional foi tentar envolver-me, canhestramente, na colaboração, inadvertidamente ou não. Quando recusei-me a morder a isca, começaram a pensar em abordagens alternativas.

I am guessing that when my request came through, the assumption with some mid-level Shin Bet officer was that I would have on my computer either my notes from conversations with Palestinians complaining about the Shin Bet, or a list from human rights groups of  such Palestinians. Remember that the effort to recruit collaborators is a violation of the Geneva Conventions. In short, it’s a war crime. So I think we can safely assume that the Shin Bet is understandably a little sensitive about this aspect of their operations.
Estou apostando em que, quando meu pedido chegou lá, a assunção de algum funcionário de nível intermediário do Shin Bet foi a de eu ter em meu computador ou minhas anotações de conversas com palestinos que reclamavam do Shin Bet, ou lista de grupos de direitos humanos defensores de tais palestinos. Lembremo-nos de que o esforço para recrutar colaboradores constitui violação das Convenções de Genebra. Em poucas palavras, constitui crime de guerra. Em decorrência, acredito podermos assumir, com segurança, que o Shin Bet seja compreensivelmente um tanto melindroso no tocante a esse aspecto de suas operações.

I am also guessing that they were concerned I might start to worry and delete the information from my computer. Time was of the essence: hack my computer quickly and download whatever was on the hard drive for leisurely analysis. In essence, what seems to have happened was the equivalent of the journalist or gumshoe who returns home to find his apartment ransacked by the security services. The only difference was that in virtual-world they can ransack your computer while you stand there helplessly watching them do it.
Estou apostando também em que eles ficaram preocupados com que eu pudesse começar a ficar apreensivo e apagasse as informações de meu computador. O tempo era essencial: invadir meu computador rapidamente e copiar o que quer que houvesse no meu disco rígido para análise sem pressa. Em essência, o que parece ter acontecido foi o equivalente ao jornalista ou detetive que volta para casa e descobre seu apartamento vasculhado/virado de pernas para o ar pelos serviços de segurança. A única diferença foi a de que no mundo virtual podem vasculhar seu computador enquanto você fica ali impotentemente vendo eles fazerem-no.
I recount the above in this much detail because one of the things that I find so irritating about the Israeli documentary The Gatekeepers, and the general acclamation of it, is the impression it has created among more naive viewers, including most reviewers, that the Shin Bet’s recent heads have been sensitive and liberal-minded individuals caught in an impossibly difficult situation. That’s like thinking Mafia godfathers are really just nice guys working in a tough world.
Descrevo o acima com tanto detalhe porque uma das coisas que acho extremamente irritantes no documentário israelense Os Guardiães, e na aclamação geral dele, é a impressão que criou entre espectadores mais ingênuos, inclusive na maioria dos críticos e comentadores, de que os chefes recentes do Shin Bet têm sido pessoas sensíveis e de mente liberal apanhadas numa situação irremediavelmente difícil. É como pensar que os chefões da Máfia são em realidade apenas ótimas pessoas atuando num mundo inclemente.
The Shin Bet is run by people who have the minds of thugs, clever thugs, but thugs nonetheless. If that has always been true, it is all the more so now. The Haaretz newspaper recently revealed that three of the four top posts in the Shin Bet are currently occupied by people who describe themselves as national-religious – that is, the ideology of the extremist settlers.
O Shin Bet é gerido por pessoas com mentalidade de bandido, bandidos talentosos, mas ainda assim bandidos. Se isso sempre foi verdade, é-o hoje mais do que nunca. O jornal Haaretz revelou recentemente que três em cada quatro postos no Shin Bet são atualmente ocupados por pessoas que se descrevem como nacional-religiosas – isto é, com a ideologia dos colonos extremistas.
That too might help to explain the arrogance of ransacking my computer while I looked on. If they do that to a journalist who has at least the odd feeble tool (like this blog) to fight back, what are they doing to desperate, vulnerable Palestinians who need permits to get emergency medical treatment outside Gaza? I think we know the answer.
Isso pode também ajudar a explicar a arrogância de vasculharem meu computador enquanto eu olhava. Se eles fazem isso a um jornalista que tem pelo menos ocasional fraca ferramenta (como este blog) para revidar, o que estarão fazendo com palestinos desesperados e vulneráveis que precisam de permissões para obter tratamento médico de urgência fora de Gaza? Acho que sabemos a resposta.

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