Thursday, May 29, 2014

C4SS - "Intellectual Property": A Libertarian Critique / The Ethics of "Intellectual Property"


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
“Intellectual Property”: A Libertarian Critique
“Propriedade Intelectual”: Crítica Libertária
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 2 (Second Quarter 2009)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 2 (Segundo Trimestre de 2009)
Continued from - None
The Ethics of “Intellectual Property”
A Ética da “Propriedade Intelectual”
“Intellectual property” is a contentious issue among libertarians. Among the individualist anarchists alone, Lysander Spooner took an absolutist position in favor of patents and copyrights, defending them as binding in perpetuity, 1 whereas Benjamin Tucker classified them as one of his Four Monopolies.
“Propriedade intelectual” é objeto de controvérsia entre libertários. Só em meio aos anaquistas individualistas, Lysander Spooner assumiu posição absolutista em favor de patentes e copyrights, defendendo-os como valendo perpetuamente, 1 enquanto Benjamin Tucker classificou-os como um de seus Quatro Monopólios.
Fourth, the patent monopoly, which consists in protecting inventors and authors against competition for a period long enough to enable them to extort from the people a reward enormously in excess of the labor measure of their services,—in other words, in giving certain people a right of property for a term of years in laws and facts of Nature, and the power to exact tribute from others for the use of this natural wealth, which should be open to all. The abolition of this monopoly would fill its beneficiaries with a wholesome fear of competition which would cause them to be satisfied with pay for their services equal to that which other laborers get for theirs, and to secure it by placing their products and works on the market at the outset at prices so low that their lines of business would be no more tempting to competitors than any other lines. 2
Quarto, o monopólio da patente, que consiste em   proteger inventores e autores de competição por período longo o suficiente para habilitá-los a extorquir das pessoas recompensa enormemente excedente da medida de trabalho de seus serviços,—em outras palavras, em dar a certas pessoas direito e propriedade por período de anos em leis e fatos da Natureza, e o poder de exigir tributo de outrem para uso dessa riqueza natural, que deveria ficar aberta a todos. A extinção desse monopólio encheria seus beneficiários de saudável medo de competição que os levaria a ficar satisfeitos com o pagamento de seus serviços em igualdade de condições com a remuneração que os outros trabalhadores obtêm com seu trabalho, e a obtê-lo mediante colocarem seus produtos e obras no mercado de início com preços tão baixos que suas linhas de atividade não seriam mais tentadoras para competidores do que quaisquer outras linhas. 2
Ayn Rand regarded patents and copyrights as “the legal implementation of the base of all property rights: a man’s right to the product of his mind.”
Ayn Rand via patentes e copyrights como “a implementação legal da base de todos os direitos de propriedade: o direito do homem ao produto de sua mente.”
What the patent and copyright laws acknowledge is the paramount role of mental effort in the production of material values; these laws protect the mind’s contribution in its purest form: the origination of an idea. The subject of patents and copyrights is intellectual property.
O que leis de patente e copyright reconhecem é o papel supremo do esforço mental na produção de valores materiais; essas leis protegem a contribuição da mente em sua mais pura forma: a originação de uma ideia. O objeto das patentes e dos copyrights é a propriedade intelectual.
An idea as such cannot be protected until it has been given a material form. An invention has to be embodied in a physical model before it can be patented; a story has to be written or printed. But what the patent or copyright protects is not the physical object as such, but the idea which it embodies. By forbidding an unauthorized reproduction of the object, the law declares, in effect, that the physical labor of copying is not the source of the object’s value, that that value is created by the originator of the idea and may not be used without his consent; thus the law establishes the property right of a mind to that which it has brought into existence. 3
Ideia enquanto tal só poderá ser protegida depois de a ela ser conferida forma material. Invenção só poderá ser patenteada depois de incorporar-se em modelo físico; história terá de ser escrita ou impressa. O que patente ou copyright protege não é, porém, o objeto físico enquanto tal, e sim a ideia que ele incorpora. Ao proibir reprodução não autorizada do objeto a lei declara, na verdade, que o trabalho físico de copiar não é a fonte do valor do objeto, que esse valor é criado pelo originador da ideia e não pode ser usado sem consentimento dele; portanto a lei estabelece o direito de propriedade da mente ao que ela trouxe à existência. 3
Despite her defense of “intellectual property” as a property right rooted in natural law, interestingly,
A despeito da defesa que ela faz da “propriedade intelectual” como direito de propriedade alicerçado na lei natural, é interessante que
1 Lysander Spooner, The Law of Intellectual Property; or, An Essay on the Right of Authors and Inventors to a Perpetual Property in Their Ideas (Boston: Bela Marsh, 1855) Link in the original
2 “State Socialism and Anarchism: How Far They Agree, and Wherein They Differ,” in Benjamin R. Tucker, Instead of a Book, By a Man Too Busy to Write One. Gordon Press facsimile (New York: 1973 [1897]), p. 13.
3 Ayn Rand, Capitalism: The Unknown Ideal (New York: The New American Library Inc., 1967), p. 130.
Rand did not pursue the principle consistently to the same logical conclusion as Spooner. Rather than treating it as a right in perpetuity comparable to tangible property rights, to devolve to one's heirs and assigns without limits, she dismissed perpetual duration as an obvious impossibility. Instead, she considered the positive law's provisions for copyright and patent duration as “the most rational solution....” 4
Rand não perseguiu esse princípio coerentemente até a mesma conclusão de Spooner. Em vez de tratá-lo como direito perpétuo comparável a direitos de propriedade tangível, passível de ser transferido a herdeiros e cessionários sem limites, ela descartou a duração perpétua como impossibilidade óbvia. Em vez disso, considerou as disposições da lei positiva relativas a duração de copyright e patente como “a solução mais racional....” 4
Perhaps the most absurd development of “intellectual property” absolutism was that of Andrew Galambos. As Stephan Kinsella notes, “[i]t is difficult to find published discussions of Galambos’s idea, apparently because his own theories bizarrely restrict the ability of his supporters to disseminate them”; 5 students attending his classes were required to sign non-disclosure agreements promising not to circulate his ideas outside the circle of paying customers 6 (a rule which would seem to doom a movement to extinction about as effectively as the Shakers' ban on sexual intercourse). Galambos reputedly dropped a nickel in a box for the heirs of Thomas Paine every time he used the word “liberty,” and juxtaposed his first and middle names to avoid infringing on his father's “intellectual property” rights in his name. 7 If he paid royalties on the alphabet to the Tyre Chamber of Commerce, there is no record of it.
Talvez o desenvolvimento mais absurdo do absolutismo da “propriedade intelectual” tenha sido o de Andrew Galambos. Como observa Stephan Kinsella, “[é] difícil encontrar discussões publicadas da ideia de Galambos, aparentemente pelo fato de suas próprias teorias grotescamente restringirem a capacidade de seus partidários de disseminarem-nas”; 5 a estudantes que frequentavam as aulas dele era exigido que assinassem acordos de não revelação prometendo não disseminar as ideias dele fora do círculo de clientes pagantes 6 (regra que pareceria condenar qualquer movimento a extinção de modo praticamente tão eficaz quanto a proibição de relação sexual de Shakers). Diz-se que Galambos colocava cinco centavos numa caixa para os herdeiros de Thomas Paine cada vez que usava a palavra “liberdade,” e justapunha seu primeiro nome e nome do meio para evitar infringir os direitos de “propriedade intelectual” de seu pai em seu nome. 7 Se ele pagava royalties pelo uso do alfabeto à Câmara de Comércio de Tiro, não há registro do fato.
Among the Austrians, Ludwig von Mises, no market anarchist, took a largely agnostic attitude toward the legitimacy of patents. As a purely utilitarian assessment of their effect, he argued that they enabled sellers to charge a monopoly price for goods that might not have been offered at all without the use of patents to recoup the cost of development. 8
Entre os Austríacos, Ludwig von Mises, que não era anarquista de mercado, assumiu atitude em grande medida agnóstica no tocante à legitimidade de patentes. Com avaliação puramente utilitária de seu efeito, argumentou que elas permitiam a vendedores a cobrar preço de monopólio por bens que simplesmente não poderiam absolutamente ter sido oferecidos sem o uso de patentes para recuperar o custo de desenvolvimento. 8
Murray Rothbard, on the other hand, was not shy in his denunciation of patents as a fundamental violation of free market principles:
Murray Rothbard, por outro lado, não foi tímido em sua denúncia de patentes como violação fundamental de princípios de livre mercado:
Patents prevent a man from using his invention even though all the property is his and he has not stolen the invention, either explicitly or implicitly, from the first   inventor. Patents, therefore, are grants of exclusive monopoly privilege by the State and are invasive of property rights on the market. 9
Patentes impedem que pessoa use sua invenção mesmo quando toda a propriedade seja sua e ele não tenha roubado a invenção, seja explícita, seja implicitamente, do primeiro inventor. Patentes, pois, são concessões de privilégio de monopólio exclusivo dadas pelo Estado e são invasoras dos direitos de propriedade no mercado. 9
Rothbard dismissed utilitarian arguments for patents, based on claims that they are socially necessary to promote innovation, with the contempt they deserved:
Rothbard desqualificou argumentos utilitários para patentes, baseados em asseverações de elas serem socialmente necessárias para promover inovação, com o desprezo que eles mereciam:
The most popular argument for patents among economists is the utilitarian one that a patent for a certain number of years is necessary to encourage a sufficient amount of research expenditure for inventions and innovations in processes and   products.
O argumento mais em voga para patentes entre economistas é o utilitário, segundo o qual é necessária patente por certo número de anos para estimular quantidade suficiente de gasto de pesquisa para invenções e inovações em processos e produtos.
This is a curious argument, because the question immediately arises: By what standard do you judge that research expenditures are “too much,” “too little,” or just about enough? This is a problem faced by every governmental intervention in the market’s production. Resources—the better lands, laborers, capital goods, time—in society are limited, and they may be used for
É argumento curioso, porque surge imediatamente a pergunta: Qual é o padrão para avaliação de os gastos de pesquisa serem “excessivos,” “demasiado escassos,” ou praticamente suficientes? Esse é um problema enfrentado por toda intervenção governamental na produção do mercado. Os recursos—as melhores terras, trabalhadores, bens de capital, tempo—na sociedade são limitados, e podem ser usados para
4 Ibid., p. 132.
5 N. Stephan Kinsella, Against Intellectual Property (Ludwig von Mises Institute, 2008), p. 16n. This monograph first appeared as an article the symposium Applications of Libertarian Legal Theory, published in the Journal of Libertarian Studies 15, no. 2 (Spring 2001).
6 Ibid., p. 27.
7 Ibid.
8 Ludwig von Mises, Human Action (Chicago: Regnery, 1949, 1963, 1966), pp. 385-386, 680-681.
9 Murray N. Rothbard, Man, Economy, and State: A Treatise on Economic Principles (Auburn, Ala.: The Ludwig von Mises Institute, 1962, 1970, 1993), p. 655.
countless alternative ends. By what standard does someone assert that certain uses are “excessive,” that certain uses are “insufficient,” etc.?...
incontáveis fins alternativos. Com base em que padrão alguém afirma que certos usos são “excessivos,” que certos usos são “insuficientes,” etc.?...
Many advocates of patents believe that the ordinary competitive conditions of the market do not sufficiently encourage the adoption of new processes and that therefore innovations must be coercively promoted by the government. But the market decides on the rate of introduction of new processes just as it decides on the rate of industrialization of a new geographic area. In fact, this argument for patents is very similar to the infant-industry argument for tariffs—that market processes are not sufficient to permit the introduction of worthwhile new processes. And the answer to both these arguments is the same: that people must balance the superior productivity of the new processes against the cost of installing them, i.e., against the advantage possessed by the old process in being already built and in existence. Coercively privileging innovation would needlessly scrap valuable plants already in existence and impose an excessive burden upon consumers. For consumers’ desires would not be satisfied in the most economic manner. 10
Muitos defensores das patentes acreditam que as condições competitivas ordinárias do mercado não estimulam suficientemente a adoção de novos processos e que portanto as inovações tenham de ser coercitivamente promovidas pelo governo. O mercado, porém, decide acerca da taxa de introdução de novos processos do mesmo modo que decide da taxa de industrialização de nova área geográfica. Na verdade, esse argumento em favor das patentes é muito parecido com o argumento indústrias nascentes para tarifas—que os processos do mercado não são suficientes para permitir a introdução de processos novos que valham a pena. E a resposta a ambos esses argumentos é a mesma: que as pessoas precisam sopesar a produtividade superior dos novos processos comparando-a com o custo de instaurá-los, isto é, com a vantagem detida pelo processo antigo pelo fato de estar já construído e já ser existente. Privilegiar coercitivamente a inovação levará a sucateamento desnecessário de preciosas fábricas já existentes e imporá ônus excessivo aos consumidores. Pois os desejos dos consumidores não serão satisfeitos da maneira mais econômica. 10
This is, incidentally, the same sort of argument used for eminent domain, when property is seized for the use of a business that will be “more valuable” to the local economy.
Esse é, incidentalmente, o mesmo tipo de argumento usado para o domínio eminente, quando propriedade é confiscada para uso de atividade que será “mais valiosa” para a economia local.
If Rothbard rejected patents in principle, he considered copyright to be perfectly tenable and legitimate, on the assumption that it could be achieved through voluntary contract alone.
Se Rothbard rejeitou patentes em princípio, considerou o copyright perfeitamente sustentável e legítimo, com base na assunção de poder ser obtido exclusivamente por meio de contrato voluntário .
A man writes a book or composes music. When he publishes the book or sheet of music, he imprints on the first page the word “copyright.” This indicates that any man who agrees to purchase this product also agrees as part of the exchange not to recopy or reproduce this work for sale. In other words, the author does not sell his property outright to the buyer; he sells it on condition that the buyer not reproduce it for sale. Since the buyer does not buy the property outright, but only on this condition, any infringement of the contract by him or a subsequent buyer is implicit theft and would be treated accordingly on the free market. The copyright is therefore a logical device of property right on the free market. 11
Pessoa escreve livro ou compõe música. Quando publica o livro ou partitura musical, imprime na primeira página a palavra “copyright.” Isso indica que qualquer pessoa que concorde em comprar tal produto concorda, como parte da transação, com não copiar ou reproduzir aquela obra para venda. Em outras palavras, o autor não vende sua propriedade incondicionalmente ao comprador; vende-a sob condição de o comprador não a reproduzir para venda. Visto que o comprador não compra a propriedade incondicionalmente, e sim apenas sob aquela condição, qualquer infringência do contrato por ele ou por comprador subsquente é roubo implícito e será tratado acordemente no livre mercado. O copyright é portanto instrumento lógico de direitos de propriedade no livre mercado. 11
But the sort of contractual copyright regime Rothbard envisioned would, in fact, be practically untenable.
O tipo de regime contratual de copyright concebido por Rothbard, contudo, seria insustentável na prática.
First, as Kinsella points out, contracts are only binding against the actual parties, so contractual copyright would be unenforceable against third parties who came into possession of copyrighted material. 12
Primeiro, como destaca Kinsella, os contratos só obrigam as partes efetivamente contratantes e, portanto, o copyright contratual não poderia ser feito cumprir contra terceiros que viessem a ter posse do material protegido por copyright. 12
Second, there are serious practical questions about the legal enforceability of contractual copyright —so-called “shrink wrap” contracts—even against the accepting party. Pseudonymous blogger “quasibill,” of The Bell Tower, writes of the serious problems the common law “meeting of the minds” requirement entails for contract enforcement in general.
Segundo, há sérias questões práticas acerca da possibilidade de impor legalmente o cumprimento do copyright contratual—os assim chamados contratos “shrink wrap”(*)—mesmo em relação à parte aceitante. O blogueiro de pseudônimo “quasibill,” de A Torre do Sino, escreve acerca dos sérios problemas que a exigência da lei consuetudinária de “convergência das mentes” implica para imposição de cumprimento de contratos em geral.
(*) shrink-wrap – (Computação) Produto vendido comercialmente como pacote de software pronto e acabado – Oxford English (US)
As an initial matter, it is important to clarify that a contract is not a written document. For reasons that should become more apparent as you read on, the written document is nothing more than very good evidence regarding the terms of the contract. It is the agreement of the parties, or to use Anglo-American common law terminology, the “meeting of the minds” that is the actual
Como questão inicial, é importante esclarecer que o contrato não é o documento escrito. Por motivos que se tornarão mais claros à medida que você for lendo, o documento escrito é nada mais do que evidência muito boa referente aos termos do contrato. É o acordo das partes ou, para usar a terminologia da lei consuetudinária anglo-americana, a “convergência das mentes” o real
10 Ibid., pp. 657-658.
11 Ibid., p. 654.
12 Kinsella, Against Intellectual Property, p. 46.
contract. As such, the contract is a subjective creature by nature, as it requires reading the minds of at least two people.
contrato. Nessa medida, o contrato é ente subjetivo por natureza, visto requerer a leitura da mente de pelo menos duas pessoas.
….The words written on a document do not constitute the agreement – they are merely evidence of what the parties intended the agreement to be....
…. As palavras escritas em documento não constituem o acordo – são apenas evidência do que as partes pretenderam que o acordo fosse....
In particular, he mentions that courts generally recur to external evidence like standard market practices (“course of industry”) to ascertain subjective understanding or intent, in determining whether a “meeting of minds” took place and an enforceable contractual obligation therefore exists. 13
Em particular, ele menciona que tribunais geralmente recorrem a evidência externa tal como práticas padronizadas de mercado (“praxe da área/indústria”) para averiguar entendimento ou intenção subjetiva, na determinação de se terá havido ou não “convergência das mentes” e portanto se existido ou não obrigação contratual passível de ser feita cumprir. 13
By this line of reasoning, both the seller's and the buyer's reasonable expectations in regard to enforceability will play a large role in determining whether the buyer did, indeed, assume contractual copyright obligations by the mere act of purchase. In an environment where verifying compliance is costly and the risks of detection and sanction are low, it is unlikely that either a buyer, or a court after the fact, will take any such contract seriously.
Conforme essa linha de raciocínio, as expectativas razoáveis tanto do vendedor quanto do comprador no tocante à possibilidade de imposição de observância desempenharão amplo papel na determinação de se o comprador realmente assumiu obrigações contratuais de copyright pelo mero ato da compra. Em ambiente onde verificar cumprimento seja dispendioso e os riscos de detecção e sanção sejam baixos, é improvável que ou comprador ou, depois de fato consumado, tribunal, leve a sério tal contrato.
By way of analogy, some employers may demand, as a condition of employment, that their employees not smoke even in their own homes, that they refrain from barroom discussions prejudicial to the employer's reputation, or that they not park on company premises with a weapon concealed in the trunk. In most such cases, the employee is likely to sign an acknowledgement form and accept the job with his fingers crossed, and with the mental reservation that it's “none of their damned business.” If a job application asks questions that the prospective employee considers inappropriately nosy or intrusive (i.e. about political sympathies, social affiliations, and the like), he is likely to take the attitude that it's the prospective employer's problem to find out such things at his own effort and expense if he wants to know them badly enough; he is under no obligation to incriminate himself.
À guisa de analogia, alguns empregadores poderão exigir, como condição de emprego, que seus empregados não fumem mesmo em suas casas, que se abstenham de discussões, no bar, prejudiciais à reputação do empregador, ou que não estacionem em dependências da empresa com arma oculta no porta-malas. Na maior parte de tais casos, o empregado provavelmente assinará formulário de aceitação fazendo figa, e com a reserva mental de que “isso não é da conta do empregador.” Se um formulário de admissão fizer perguntas que o empregado em perspectiva considerar abelhudas ou intrusivas (isto é, acerca de simpatias políticas, conexões sociais e coisas que tais), o candidato a emprego provavelmente assumirá a atitude de que é problema do empregador em perspectiva descobrir tais coisas por esforço e despesa próprios se ele realmente quiser saber; o empregado não tem qualquer obrigação de incriminar-se. 
Kinsella has expressed skepticism, on similar grounds, regarding the enforceability of shrink-wrap and click-wrap contracts:
Kinsella, com fundamentos similares, expressou ceticismo acerca da possibilidade de imposição de observância de contratos shrink-wrap e click-wrap(*):
(*) clickwrap – Denota acordo legal cuja aceitação é confirmada mediante clicar-se ícone na tela, como no caso de uso de software – Oxford English (US)
….[T]here is often no meeting of the minds on the fine print. If the customers routinely just click the "I have read and agree to these terms" box but never do read it, and the vendor knows this, then it's a sort of fiction to assume both sides have actually agreed on these terms.... 14
….[A]miúde não há convergência das mentes nas letras miúdas. Se os clientes usualmente apenas clicam na caixa "Li e concordo com estes termos" mas nunca os leem, e o vendedor sabe disso, então é espécie de ficção assumir que ambos os lados efetivamente concordaram com aqueles termos.... 14
….I believe two consenting parties have the right to enter into whatever terms they want, even if they are stricter and more draconian than those set by modern IP law.   ...[But] I do not believe that something is part of the agreement merely because it is written down in the fine print of a click-wrap or similar type agreement; there needs to be true meeting of the minds (for example, suppose I sneak into the last clause of a long click-wrap agreement, "And the purchaser hereby agrees to give me half his income for the rest of his life." Well, I know that you are just gonna click "yes" without reading, so I am aware that you are NOT consenting to this term, so there is no meeting of the minds; that should not be enforceable, and arguably neither should boilerplate, "unreasonable" terms in fine print that the publisher knows the customer is not even really aware of). 15
….Acredito que duas partes que consintam tenham o direito de enunciar quaisquer termos que desejem, mesmo se mais estritos e mais draconianos do que aqueles estabelecidos pela moderna lei de propriedade intelectual - IP. ...[Mas] não acredito que algo seja parte do acordo meramente por ele ser escrito em letras miúdas num acordo click-wrap ou de tipo similar; precisa haver verdadeira convergência das mentes (por exemplo, suponhamos que eu enfie furtivamente na última cláusula de longo acordo click-wrap "E o comprador pelo presente concorda em dar-me metade de sua renda pelo resto da vida dele." Bem, sei que você clicará "sim" sem ler, portanto sei muito bem que você NÃO está consentindo no tocante a isso, portanto não há convergência das mentes; isso não deverá   ser passível de ser feito cumprir, e quase indiscutivelmente o mesmo se dará no tocante a termos estandardizados "irrazoáveis" em letras miúdas acerca dos quais o publicador sabe o cliente sequer estar de fato consciente. 15
13 Quasibill, “Contract Enforcement Consolidation,” The Bell Tower, December 20, 2007 Link in the original
14 Stephan Kinsella comment under Aheram, “The Validity of End User Licesnse Agreements Redux,” Copyfascism Watch, December 2, 2008 Link in the original
15 Kinsella comment under David K. Levine, “Can You Contract Away Fair Use?” Against Monopoly, April 13, 2009 Link in the original
Third, the enforcement of contractual copyright, even if enforceable in law, would present enormous problems for verification of compliance. The enormous and draconian body of copyright legislation over the past twenty years should indicate that enforcement of copyright requires an intrusive regulatory and surveillance state, and that copyright is virtually unenforceable without such a mechanism.
Terceiro, a imposição de cumprimento do copyright contratual, mesmo se constar na lei, apresentará enormes problemas de verificação de cumprimento. O enorme e draconiano corpo de legislação de copyright dos último vinte anos deveria evidenciar que o fazer cumprir copyright requer a existência de estado intrusivo em termos de regulamentação e de vigia, e que o copyright é praticamente impossível de fazer cumprir sem tal mecanismo.
The new digital copyright regime has done away with many traditional limitations on copyright from the days when it affected mainly the print medium, like the “first sale” and “fair use” doctrines. We can thank the traditional exceptions to copyright, for example, for the public library and for free access to photocopiers.
O novo regime de copyright digital eliminou muitas limitações tradicionais ao copyright dos tempos em que este afetava principalmente o meio impresso, como as doutrinas da “primeira venda” e “uso permitido.” Podemos ser gratos a exceções tradicionais ao copyright, por exemplo, na biblioteca pública e para livre acesso a fotocopiadoras.
Charles Johnson gives, as an example of the fair use exception, the common university practice of making course reserves available for photocopying, rather than expecting every student to buy a scholarly book at the academic publishing houses' steep rates. (I myself have numerous photocopies of books ordered through Interlibrary Loan, which would otherwise have cost me $70 or more, often for slim volumes of under two hundred pages.) But, he says,
Charles Johnson dá, como exemplo da exceção de uso permitido, a prática comum na universidade de tornar materiais destinados a cursos específicos disponíveis para fotocópia, em vez de se esperar cada estudante comprar livro acadêmico das casas publicadoras acadêmicas pagando preços elevados. (Eu próprio tenho numerosas fotocópias de livros encomendadas por meio da Interlibrary Loan; não fora isso cada livro ter-me-ia custado $70 dólares ou mais, amiúde volumes finos de menos de duzentas páginas.) Contudo, diz ele,
as soon as the University eliminates the paper medium, and facilitates exactly the same thing through an non-commercial, internal University course pack website — which does nothing at all more than what the xerox packets did, except that it delivers the information to pixels on a monitor instead of toner on a page — the publishers’ racket can run to court, throw up its arms, and start hollering Computers! Internet!, send their lawyers to try to shake down have a discussion with the University administration for new tribute to their monopoly business model, and then, failing that, utterly uncontroversial decades-old practices of sharing knowledge   among colleagues and students suddenly become a legal case raising core issues like the future of the business model for academic publishers, while even the most absurd protectionist arguments are dutifully repeated by legal flacks on behalf of sustaining the racket.... 16
logo que a Universidade elimina o meio papel, e facilita exatamente a mesma coisa por meio de website não comercial, interno à Universidade, de cópias de textos — que em nada diferem dos documentos em xerox, exceto por a informação tomar a forma de pixels em monitor em vez de toner de uma página — a caterva dos publicadores pode correr para os tribunais, erguer os braços e começar a gritar Computadores! Internet!, mandar seus advogados para tentarem combinar uma discussão com a administração da Universidade para criação de novo tributo para seu modelo de negócios de monopólio, e então, se isso não funcionar, práticas de décadas de idade completamente não controversas de compartilhamento de conhecimento entre colegas e estudantes subitamente tornam-se processo legal suscitando questões básicas tais como o futuro do modelo de negócios dos publicadores acadêmicos, enquanto até os mais absurdos argumentos protecionistas são servilmente repetidos por propagandistas jurídicos a serviço da sustentação   da caterva.... 16
In the case of digital content, especially, copyright would be virtually unenforceable without not only DRM, but the criminalization of technical means for circumventing it. Imagine buying a car on the contractual understanding that you wouldn't drive it to certain places that the dealership disapproved. In the real world, such a contract would be a dead letter because of the high cost of verifying compliance. But if the contract were governed by the legal regime prevailing in the digital content industries, the car would be designed with built-in blocks against driving the car to forbidden places. And not only that, such blocks would be mandated by law, and developing and selling means to circumvent them would be   criminal acts. Doesn't sound very libertarian, does it?
No caso do conteúdo digital, especialmente, o copyright seria praticamente impossível de fazer cumprir sem não apenas a DRM [gestão de direitos digitais] mas também a criminação dos meios técnicos de contorná-la/burlá-la. Imagine comprar um carro dentro do entendimento contratual de não levá-lo a certos lugares que a concessionária desaprovasse. No mundo real, tal contrato seria letra morta por causa do alto custo de verificar cumprimento. Se porém o contrato fosse governado pelo regime legal prevalecente nas indústrias de conteúdo digital, o carro seria projetado com dispositivos de bloqueio embutidos que tornariam impossível levar o carro a lugares proibidos. E não apenas isso, mas tais dispositivos de bloqueio seriam determinados por lei, e desenvolver e vender meios de contorná-los/burlá-los seriam atos criminosos. Isso não soa muito libertário, soa?
In “The Right to Read,” Richard Stallman depicted the inevitable logic of such principles, as depicted in a late 21st century society under total copyright lockdown.
Em “O Direito de Ler,” Richard Stallman descreveu a inevitável lógica de tais princípios, como retratada numa sociedade tardia do século 21 sob total restrição de copyright.
if he lent her his computer, she might read his books. Aside from the fact that you could go to prison for many years for letting someone else read your books, the very idea shocked him at first. Like everyone, he had been taught since elementary school that sharing books was nasty and wrong —something that only pirates would do.
se ele emprestasse seu computador para ela, ela poderia ler seus livros. À parte o fato de ele poder ir para a prisão por muitos anos por deixar outra pessoa ler seus livros, a própria ideia chocou-o de início. Como a todo mundo, havia-lhe sido ensinado desde a escola primária que compartilhar livros era asqueroso e errado—algo que só piratas fariam.
And there wasn't much chance that the SPA—the Software Protection Authority—would fail to
E não havia muita probabilidade de a SPA—a Autoridade de Proteção de Software—não conseguir
16 Charles Johnson, "How Intellectual Protectionism promotes the progress of science and the useful arts," Rad Geek People's Daily, May 28, 2008
catch him. In his software class, Dan had learned that each book had a copyright monitor that reported when and where it was read, and by whom, to Central Licensing. (They used this information to catch reading pirates, but also to sell personal interest profiles to retailers.)...
pegá-lo. Em sua classe de software, Dan havia aprendido que cada livro tinha um monitor de copyright que informava ao Licenciamento Central quanto e onde ele era lido, e por quem. (Eles usavam essas informações para apanhar leitores piratas, mas também para vender perfis de interesses pessoais a varejistas.)...
Of course, Lissa did not necessarily intend to read his books. She might want the computer only to write her midterm. But Dan knew she came from a middle-class family and could hardly afford the tuition, let alone her reading fees. Reading his books might be the only way she could graduate. He understood this situation; he himself had had to borrow to pay for all the research papers he read....
Obviamente, Lissa não necessariamente pretendia ler os livros dele. Ela poderia querer o computador apenas para fazer seu exame escrito de meio de semestre. Dan sabia, porém, que ela vinha de família de classe média e mal podia pagar o custo da instrução, muito menos as taxas de leitura. Ler os livros dele poderia ser a única maneira de conseguir diplomar-se. Ele entendia a situação; ele próprio tinha tido de tomar empréstimos para pagar todos os artigos de pesquisa que lera....
Later on, Dan would learn there was a time when anyone could go to the library and read journal articles, and even books, without having to pay. There were independent scholars who read thousands of pages without government library grants. But in the 1990s, both commercial and nonprofit journal publishers had begun charging fees for access. By 2047, libraries offering free public access to scholarly literature were a dim memory.
Mais tarde, Dan ficaria sabendo que houvera tempo quando todo mundo podia ir à biblioteca e ler artigos de periódicos, e até livros, sem ter de pagar. Havia acadêmicos independentes que haviam lido milhares de páginas sem subvenções do governo a bibliotecas. Nos anos 1990, porém, publicadores tanto comerciais quanto sem fins lucrativos de periódicos haviam começado a cobrar taxas por acesso. Em 2047, bibliotecas oferecendo acesso público grátis a literatura acadêmica eram vaga memória. 
There were ways, of course, to get around the SPA and Central Licensing. They were themselves illegal. Dan had had a classmate in software, Frank Martucci, who had obtained an illicit debugging tool, and used it to skip over the copyright monitor code when reading books. But he had told too many friends about it, and one of them turned him in to the SPA for a reward (students deep in debt were easily tempted into betrayal). In 2047, Frank was in prison, not for pirate reading, but for possessing a debugger.
Havia maneiras, obviamente, de contornar a SPA e o Licenciamento Central. Eram, elas próprias, ilegais. Um colega de classe de Dan no curso de software, Frank Martucci, havia obtido ferramenta ilícita de depuração, e a usara para contornar o código do monitor de copyright para ler livros. Ele entanto falou a muitos amigos acerca do assunto, e um deles o denunciou à SPA em troca de recompensa (estudantes muito endividados ficavam facilmente tentados a trair os colegas). Em 2047, Frank estava na prisão, não por leitura pirata, mas por possuir depurador.
Dan would later learn that there was a time when anyone could have debugging tools. There were even free debugging tools available on CD or downloadable over the net. But ordinary users started using them to bypass copyright monitors, and eventually a judge ruled that this had become their principal use in actual practice. This meant they were illegal; the debuggers' developers were sent to prison.
Dan ficaria sabendo, mais tarde, que houvera tempo quando qualquer pessoa podia ter ferramentas de depuração. Havia até ferramentas grátis de depuração disponíveis em CD ou baixáveis da rede. Usuários comuns, contudo, começaram a usá-las para contornar monitores de copyright e, finalmente, juiz decidiu que aquele havia-se tornado o principal uso delas na prática real. Isso significava que elas eram ilegais; os desenvolvedores dos depuradores foram mandados para a prisão. 
Programmers still needed debugging tools, of course, but debugger vendors in 2047 distributed numbered copies only, and only to officially licensed and bonded programmers. The debugger Dan used in software class was kept behind a special firewall so that it could be used only for class exercises.
Os programadores, obviamente, ainda precisavam de ferramentas de depuração, mas os vendedores de depuradores, em 2047, só distribuíam exemplares numerados, e apenas para programadores licenciados e mediante assinatura de termo de responsabilidade. O depurador que Dan usava no curso de software era mantido atrás de firewall especial de modo a só poder ser usado para exercícios do curso. 
It was also possible to bypass the copyright monitors by installing a modified system kernel. Dan would eventually find out about the free kernels, even entire free operating systems, that had existed around the turn of the century. But not only were they illegal, like debuggers—you could not install one if you had one, without knowing your computer's root password. And neither the FBI nor Microsoft Support would tell you that. 17
Era também possível contornar os monitores de copyright mediante instalar-se um núcleo de sistema modificado. Dan finalmente ficaria sabendo desses núcleos grátis, até sistemas operacionais inteiros grátis, que haviam existido em torno da virada do século. Eles porém não apenas eram ilegais, como os depuradores—se tivesse um, não conseguiria instalá-lo sem saber a senha de raiz do seu computador. E nem o FBI nem o Suporte da Microsoft diriam a você qual seria ela. 17
There's a reason for such draconian controls. As described by Michel Bauwens of the Foundation for Peer-to-Peer Alternatives, the corporate economy faces a growing crisis of realization, in monetizing and capturing profits from use-value created in the immaterial realm. It is becoming increasingly impossible to capture value from the ownership of ideas, designs, and technique—all the "ephemera" and "intellect" that Tom Peters writes about as a component of commodity price—leading to a crisis of sustainability for capitalism.
Há motivo para tais controles draconianos. Como descrito por Michel Bauwens, da Fundação para Alternativas Peer-to-Peer, a economia corporativa enfrenta crescente crise de realização, no concernente a monetizar e captar   lucros de uso-valor criado no reino imaterial. Está-se tornando crescentemente impossível captar valor oriundo de propriedade de ideias, projetos, e técnica—todos os "efêmeros" e "intelectos" acerca dos quais Tom Peters escreve como componentes do preço da commodity—levando a crise de sustentabilidade do capitalismo.
17 Richard Stallman, “The Right to Read” (updated 2007). It originally appeared in the February 1997 issue of Communications of the ACM (Volume 40, Number 2)
Recall the following: the thesis of cognitive capitalism says that we have entered a new phase of capitalism based on the accumulation of knowledge assets, rather than physical production tools. [McKenzie Wark's] vectoralist thesis says that a new class has arisen which controls the vectors of information, i.e. the means through which information and creative products have to pass, for them to realize their exchange value. They both describe the processes of the last 40 years, say the post-1968 period, which saw a furious competition through knowledge-based competition and for the acquisition of knowledge assets, which led to the extraordinary weakening of the scientific and technical commons. And they do this rather well.
Lembremo-nos do seguinte: a tese do capitalismo   cognitivo diz que entramos numa nova fase do capitalismo baseada na acumulação de ativos de conhecimento, em vez de de ferramentas de produção física. A tese vetorialista [de McKenzie Wark] diz ter surgido nova classe que controla os vetores de informação, isto é, os meios pelos quais a informação e os produtos criativos têm de passar, para realizarem seu valor de troca. Ambos descrevem os processos dos últimos 40 anos, digamos o período posterior a 1968, que assistiu a furiosa competição por meio da competição baseada em conhecimento e pela aquisição de ativos de conhecimento, que levou ao extraordinário definhamento dos commons(*) científicos e técnicos. E os descrevem bastante bem.
(*) commons – Tratado como singular: Terra ou recursos pertencentes a ou afetando o todo de uma comunidade – Oxford English (US)
But in my opinion, both theses fail to account for the newest of the new, i.e. to take into account the emergence of peer to peer as social format. What is happening?
Em minha opinião, porém, ambas as teses deixam de levar em conta o mais novo do novo, isto é, de levar em conta o surgimento do peer-to-peer(*) como estrutura/formato social. O que está acontecendo?
(*) peer-to-peer – Expressão que denota ou se refere a redes de computadores nas quais cada computador pode funcionar como servidor para os outros, permitindo acesso compartilhado a arquivos e periféricos sem necessidade de servidor central – Oxford English (USA).
peer - Pessoa de mesma idade, condição ou habilidade/talento/proficiência que outra pessoa especificada: ‘ele tem recebido muitas críticas de seus peers [pares] acadêmicos – Oxford English (US).
In terms of knowledge creation, a vast new information commons is being created, which is increasingly out of the control of cognitive capitalism. 18
Em termos de criação de conhecimento, está sendo criado vasto novo commons de informação, cada vez mais fora do controle do capitalismo cognitivo. 18
In a later blog post for the P2P Foundation, Bauwens elaborated on the nature of cognitive capitalism as a response to the limits on accumulation in the finite physical realm, attempting a new form of accumulation based on ownership of the cognitive realm. But this attempt is doomed to fail because of the increasing untenability of property rights in the information realm. Various resource and input crises like Peak Oil, he wrote, are creating new limits to growth based on extensive expansion in the physical realm. He compares the imperative for capitalism to switch from extensive to intensive development to the parallel crisis of the chattel slave economy.
Em postagem posterior em blog da Fundação P2P, Bauwens discorreu acerca da natureza do capitalismo cognitivo como reação aos limites da acumulação no reino físico finito, a tentar nova forma de acumulação baseada na propriedade do reino cognitivo. Essa tentativa, contudo, está fadada ao fracassso por causa da crescente insustentabilidade/indefensabilidade dos direitos de propriedade no reino da informação. Diversas crises de recursos e de insumos tais como o Pico do Petróleo, escreveu ele, estão criando novos limites ao crescimento baseado em expansão extensiva no reino físico. Ele compara o imperativo para o capitalismo de mudar do desenvolvimento extensivo para o intensivo à crise paralela da economia da escravatura tradicional.
This is no trivial affair, as the failure of extensive development is what brought down earlier civilizations and modes of production. For example, slavery was not only marked by low productivity, but could not extend this productivity as that would require making the slaves more autonomous, so slave-based empires had to grow in space, but at a certain point in that growth, the cost of expansion exceeded the benefits. This is why feudalism finally emerged, a system which refocused on the local, and allowed productivity growth as serfs had a self-interest in growing and ameliorating the tools of production.
Isso não é coisa trivial, visto que o fracasso do desenvolvimento extensivo é o que pôs fim a civilizações e modos de produção antigos. Por exemplo, a escravidão não apenas caracterizava-se por baixa produtividade, como não conseguia aumentar essa produtividade, visto que isso requereria tornar os escravos mais autônomos, e portanto os impérios baseados na escravatura tinham de aumentar em espaço mas, a certa altura desse aumento, o custo da expansão excedia os benefícios. Eis porque finalmente surgiu o feudalismo, sistema que voltou a concentrar-se no local e permitia aumento de produtividade na medida em que os servos tinham interesse próprio em aumentar e melhorar as ferramentas de produção.
The alternative to extensive development is intensive development, as happened in the transition from slavery to feudalism. But notice that to do this, the system had to change, the core logic was no longer the same. The dream of our current economy is therefore one of intensive development, to grow in the immaterial field, and this is basically what the experience economy means. The hope that it expresses is that business can simply continue to grow in the immaterial field of experience.
A alternativa ao desenvolvimento extensivo é o desenvolvimento intensivo, como aconteceu na transição da escravidão para o feudalismo. Notemos porém que, para fazer isso, o sistema teve de mudar, a lógica nuclear não mais era a mesma. O sonho de nossa economia atual é portanto desenvolvimento intensivo, crescer no campo imaterial, e isso é basicamente o que significa a economia de experiência. A esperança que ela expressa é a de que os negócios simplesmente continuem a crescer no campo imaterial da experiência.
However, Bauwens writes, this is not feasible. The emergence of the peer model of production, based on the non-rivalrous nature and virtually non-existent marginal cost of reproduction of digital information, and coupled with the increasing unenforceability of "intellectual property" laws, means that capital is incapable of realizing returns on ownership in the cognitive realm.
Entretanto, escreve Bauwens, isso não é viável. O surgimento do modelo peer de produção, baseado em a natureza de não rivalidade e no custo marginal praticamente inexistente da reprodução da informação digital, além da crescente impossibilidade de impor observância das leis de "propriedade intelectual," significa que o capital é incapaz de realizar retornos da propriedade no reino cognitivo.
1) The creation of non-monetary value is exponential.
1) A criação de valor não monetário é exponencial.
2) The monetization of such value is linear
2) A monetização desse valor é linear.
18 Michel Bauwens, P2P and Human Evolution. Draft 1.994 (Foundation for P2P Alternatives, June 15, 2005) Link in the original
In other words, we have a growing discrepancy between the direct creation of use value through social relationships and collective intelligence..., but only a fraction of that value can actually be captured by business and money. Innovation is becoming... an emergent property of the networks rather than an internal R&D affair within corporations; capital is becoming an a posteriori intervention in the realization of innovation, rather than a condition for its occurrence....
Em outras palavras, temos crescente discrepância entre a criação direta de valor de uso por meio de relações sociais e a inteligência coletiva..., mas apenas fração desse valor pode de fato ser captada por empresa e dinheiro. A inovação está-se tornando… propriedade das redes em surgimento em vez de assunto interno de pesquisa e desenvolvimento – R&D dentro das corporações; o capital está-se tornando intervenção a posteriori na realização da inovação, em vez de condição da ocorrência dela....
What this announces is a crisis of value..., but also essentially a crisis of accumulation of capital. Furthermore, we lack a mechanism for the existing institutional world to re-fund what it receives from the social world. So on top of all of that, we have a crisis of social reproduction.... 19
O que isso anuncia é uma crise de valor..., mas também essencialmente crise de acumulação de capital. Ademais, falta-nos mecanismo para que o mundo institucional hoje existente re-financie o que recebe do mundo social. Portanto, por cima de tudo isso, temos crise de reprodução social.... 19
Corporations rely on increasingly authoritarian government legislation to capture value from proprietary information. Johann Soderberg compares the way photocopiers were monitored in the old USSR, to protect the power of elites in that country, to the way the means of digital reproduction are monitored in this country to protect corporate power. 20
As corporações recorrem a legislação governamental cada vez mais autoritária a fim de captarem valor a partir de informação proprietária(*). Johann Soderberg compara o modo pelo qual as fotocopiadoras eram monitoradas na antiga URSS, para proteção do poder das elites naquele país, com o modo pelo qual os meios de reprodução digital são monitorados neste país para proteção do poder corporativo. 20
(*) proprietary information – Informação restrita de propriedade de empresa que dá a tal empresa certas vantagens competitivas – ver http://definitions.uslegal.com/p/proprietary-information/   
The good news in all this is that, even with the upward ratcheting of “intellectual property” law and of the mandated electronic surveillance technologies for enforcing it, it is still becoming unenforceable. In an age of bittorrent, strong encryption, and proxy servers hosted in international anti-copyright havens, the DMCA is a dead letter for anyone who cares enough to take even minimal trouble to circumvent it.
A boa notícia em tudo isso é que, mesmo com o crescente torniquete da legislação de “propriedade intelectual” e das tecnologias de espreita tornadas obrigatórias para impor observância, a propriedade intelectual continua a tornar-se impossível de ser feita cumprir. Numa época de bittorrent, criptografia robusta e servidores proxy hospedados em refúgios internacionais anticopyright, a Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital - DMCA é letra morta para qualquer um que cuide o suficiente de dar-se mesmo a trabalho mínimo de contorná-la/burlá-la.
A good example is the so-called “DeCSS uprising,” which followed from an attempt to suppress public discussion of means for circumventing DVD encryption.
Bom exemplo é o assim chamado “levante do DeCSS,” que surgiu de tentativa de supressão de discussão pública acerca de meios de contornar/burlar criptografia de DVD.
Journalist Eric Corley--better known as Emmanuel Goldstein, a nom de plume borrowed from Orwell's 1984--posted the code for DeCSS (so called because it decrypts the Content Scrambling System that encrypts DVDs) as a part of a story he wrote in November for the well-known hacker journal 2600. The Motion Picture Association of America (MPAA) claims that Corley defied anticircumvention provisions of the Digital Millennium Copyright Act (DMCA) by posting the offending code....
O jornalista Eric Corley--mais conhecido como Emmanuel Goldstein, pseudônimo literário tomado de empréstimo ao 1984 de Orwell--postou o código do DeCSS (assim chamado porque ele decodifica o Sistema de Embaralhamento de Conteúdo que criptografa os DVD) como parte de   uma história que escreveu em novembro para o bem conhecido periódico hacker 2600. A Associação Cinematográfica dos Estados Unidos (MPAA) assevera que Corley transgrediu disposições contra burla da Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital (DMCA) ao postar o código violador....
The whole affair began when teenager Jon Johansen wrote DeCSS in order to view DVDs on a Linux machine. The MPAA has since brought suit against him in his native Norway as well. Johansen testified on Thursday that he announced the successful reverse engineering of a DVD on the mailing list of the Linux Video and DVD Project (LiViD), a user resource center for video- and DVD-related work for Linux....
A coisa toda começou quando o adolescente Jon Johansen escreveu o DeCSS para ver DVDs numa máquina Linux. A MPAA desde então vem movendo processo contra ele também em sua nativa Noruega. Johansen depôs na quinta-feira que anunciou a bem-sucedida engenharia reversa de um DVD na lista de destinatários do Projeto Linux de Vídeo e DVD (LiViD), centro de recursos para usuários para trabalhos relacionados com vídeo e DVD para Linux....
The judge in the case, the honorable Lewis Kaplan of the US District Court in southern New York, issued a preliminary injunction against posting DeCSS. Corley duly took down the code, but did not help his defense by defiantly linking to myriad sites which post DeCSS....
O juiz do caso, o meritíssimo Lewis Kaplan, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos no sul de New York, emitiu injunção preliminar contra a postagem do DeCSS. Corley obedientemente removeu o código, mas não cooperou com sua defesa ao desafiadoramente efetuar link com múltiplos sites que postam o DeCSS....
True to their hacker beliefs, Corley supporters came to the trial wearing the DeCSS code on t-shirts. There are also over 300 Websites that still link to the decryption code, many beyond the reach of the MPAA. 21
Fiel a suas crenças de hackers, os partidários de Corley foram ao julgamento vestindo camisetas com o código do DeCSS. Ademais, há mais de 300 websites que ainda têm link para o código de decifração, muitos além do alcance da MPAA. 21
19 Michel Bauwens, "Can the experience economy be capitalist?" P2P Foundation Blog, September 27, 2007 Link in the original
20 Johan Soderberg, Hacking Capitalism: The Free and Open Source Software Movement (New York and London: Routledge, 2008), , pp. 144-145.
21 Deborah Durham-Vichr, "Focus on the DeCSS trial," CNN.Com, July 27, 2000 Link in the original
This incident, and the humiliating failure of so many other corporate attempts—starting with the “McLibel” case in the UK—to suppress the free circulation of proprietary information or supposedly libelous statements, 22 should demonstrate this beyond the shadow of a doubt.
Esse incidente, e o humilhante fracasso de tantas outras tentativas corporativas—começando com o caso “McLibel” no Reino Unido—de suprimir a circulação de informação proprietária ou declarações pretensamente caluniosas, 22 deveriam deixar o assunto claro além de qualquer sombra de dúvida.
Every such attempt, inevitably, results in the rapid transfer of files of prohibited information around the Worldwide Web, and the proliferation of mirror sites, orders of magnitude faster than content owners can suppress any particular violator. The would-be corporate proprietors of information find themselves playing whack-a-mole.
Cada tentativa do gênero, inevitavelmente, resulta na rápida transferência de arquivos de informação proibida pela Rede Mundial, e a proliferação de sites-espelho, ordens de grandeza mais rapidamente do que donos de conteúdo possam reprimir qualquer violador específico. Os pretensos proprietários corporativos de informação flagram-se brincando de cabra-cega.
And in the offensive-defensive arms race between the statist surveillance technologies required to enforce proprietary content, and the circumvention technologies needed to trade such content freely, the defensive side will always be a step ahead. Ultimately, the legal suppression of “piracy” by the surveillance state depends on the same sort of people who are responsible for delivering your mail to the correct address—which means things don't look very hopeful for the enemies of freedom.
E na corrida armamentista ofensiva-defensiva entre as tecnologias de espreita estatistas necessárias para impor observância quanto a conteúdo proprietário e as tecnologias de burla necessárias para transacionar tal conteúdo livremente, o lado defensivo sempre estará um passo à frente. Em última análise, a repressão legal da “pirataria” pelo estado espreitador depende do mesmo tipo de gente responsável por entregar sua correspondência no endereço certo—o que significa que as coisas não parecem muito   alvissareiras para os inimigos da liberdade.
If the DMCA is unenforceable even with state-mandated DRM and criminalization of technical means of circumvention, and even with taxpayer subsidy to the legal cost of enforcement, what would become of such extensive copyright claims in a free   market regime? In a free market regime, where enforcement of such claims is a private good provided at cost, the payment of contractual copyright enforcement would be endogenous—i.e., the cost would be borne by the beneficiary of enforcement.
Se é impossível fazer cumprir a DMCA mesmo com gestão de direitos digitais - DRM e criminação dos meios técnicos de burla, e mesmo com subsídio do pagador de impostos para o custo legal da imposição de observância, o que seria de tais abrangentes reivindicações de copyright num regime de livre mercado? Num regime de livre mercado, onde o fazer valer tais reivindicações é bem privado fornecido a determinado custo, o pagamento da imposição de observância do copyright contratual seria endógeno—isto é, o custo seria pago pelo beneficiário da imposição de observância.
“Intellectual property” is a form of privilege, just one example of a broader category of artificial property rights.
“Propriedade intelectual” é forma de privilégio, apenas um exemplo de uma categoria mais ampla de direitos artificiais de propriedade.
Like all forms of coercion, artificial property rights create a zero-sum situation in which one party benefits at the other's expense. There is a symmetrical relationship between one party's benefit and the other's loss. While natural property rights benefit everyone by securing the individual's claim to the product of his own effort, artificial property rights enable the holder to collect tribute from the efforts of others. Natural property rights are a way of dealing with scarcity; artificial property rights create scarcity.
Como toda forma de coerção, os direitos artificiais de propriedade criam uma situação de soma zero na qual uma parte beneficia-se a expensas da outra. Há relação simétrica entre o benefício de uma parte e o prejuízo da outra. Enquanto os direitos naturais de propriedade beneficiam a todos, ao proteger a reivindicação do indivíduo ao produto de seu próprio esforço, os direitos artificiais de propriedade habilitam o detentor a coletar tributo dos esforços de outrem. Os direitos naturais de propriedade são forma de lidar com a escassez; os direitos artificiais de propriedade criam escassez.
The distinction between natural and artificial property rights is analogous to that of Albert Jay Nock between “labor-made” and “law-made” property. 23 Were it not for the legal appropriation of the land, Nock argued—i.e., the engrossment of vacant and unimproved land to a favored class which did not appropriate it by its own labor, but was enabled to collect tribute from those who did—economic exploitation would be impossible. Historically, so long as wage employers have to compete with easy access to self-employment, there is a floor under the wages people are willing to work for and a ceiling on the rate of profit. As Kropotkin asked:
A distinção entre direitos naturais e artificiais de propriedade é análoga à de Albert Jay Nock entre propriedade “criada pelo trabalho” e “criada pela lei.” 23 Não fora pela apropriação legal da terra, argumentou Nock—isto é, pela atribuição de propriedade de terra vaga e não beneficiada a classe favorecida que não se apropriou dela por meio de seu próprio trabalho, e sim foi habilitada a coletar tributo daqueles que o fizeram—a exploração econômica seria impossível. Historicamente, quando os empregados assalariados têm de competir com o acesso fácil ao autoemprego, há um piso para os salários pelos quais as pessoas estão dispostas a trabalhar e um teto da taxa de lucro. Como perguntou Kropotkin:
If every peasant-farmer had a piece of land, free from rent and taxes, if he had in   addition the tools and the stock necessary for farm labour--Who would plough the lands of the baron? Everyone would look after his own....
Se todo camponês-produtor rural tivesse um pedaço de terra, livre de aluguel e taxas, e se ele, ademais tivesse as ferramentas e os animais necessários para o trabalho no campo--Quem lavraria as terras do barão? Todo mundo cuidaria da própria terra....
22 Numerous examples—the Diebold corporate emails and Sinclair Media boycott, the Alisher Usmanov libel case, the Wikileaks case, etc.—are provided in the appendices to Chapter Nine (“Special Agency Problems of Labor”) in Kevin Carson, Organization Theory: A Libertarian Perspective (Booksurge, 2008). An earlier online draft of the chapter can be found at Link in the original
23 Albert Jay Nock, Our Enemy, the State (Delavan, Wisc.: Hallberg Publishing Corp., 1983), p. 80
If all the men and women in the countryside had their daily bread assured, and their daily needs already satisfied, who would work for our capitalist at a wage of half a crown a day, while the commodities one produces in a day sell in the market for a crown or more? 24
Se todos os homens e mulheres no campo tivessem seu pão de cada dia assegurado, e suas necessidades diárias já satisfeitas, quem trabalharia para nosso capitalista com remuneração de meia coroa por dia, enquanto os gêneros que uma pessoa produz são vendáveis no mercado por uma coroa ou mais? 24
Defenders of “intellectual property” argue that the innovator deserves the scarcity rents, as a reward for the net contribution to consumers' utility. If the consumer does not consider the innovation a benefit even at the patented price, he is free not to buy it. Reason magazine's Ronald Bailey, an enthusiastic supporter of the drug and biotech industries, is a good exemplar of this line of argument. Citing a study that compared the overall economic value to consumers from increased life expectancy to the cost paid for drugs, he argued (in the words of his title) that "drug companies don't get enough money... for the life-saving benefits they give us....” 25
Os defensores da “propriedade intelectual” argumentam que o inovador merece as rendas da escassez como recompensa pela contribuição líquida à utilidade para o consumidor. Se o consumidor não considerar a inovação benefício mesmo ao preço patenteado, é livre para não comprar. Ronald Bailey, da revista Reason, entusiástico apoiador das indústrias de remédios e biotecnologia, é bom exemplo dessa linha de argumentação. Citando estudo que comparou o valor econômico geral para os consumidores decorrente da maior expectativa de vida com o custo pago por medicamentos, ele argumentou (nas palavras de seu artigo) que "as empresas de remédios não obtêm dinheiro suficiente... pelos benefícios de promoção de vida que nos dão....” 25
There's a word for someone who's able to price a good according to the consumer's benefit from it: a monopolist. The normal effect of market competition is for the productivity benefits of new technology to translate directly into lower consumer prices. It is only through artificial property rights that privileged sellers can charge the consumer in proportion to his increased utility, regardless of the cost of supplying the good. Patents impede the normal process of market competition by which technological innovation translates directly into lower consumer cost. They enable the privileged to appropriate productivity gains   for themselves, rather than allowing their benefits to be socialized through market competition.
Há palavra para pessoa capaz de dar preço a um bem de acordo com o benefício dele para o consumidor: monopolista. O efeito normal da competição de mercado é os benefícios da produtividade de nova tecnologia traduzirem-se diretamente em preços mais baixos para o consumidor. Só por meio de direitos artificiais de propriedade vendedores privilegiados podem cobrar do consumidor proporcionalmente ao aumento de utilidade para ele, independentemente do custo de fornecer o bem. As patentes frustram o processo normal de competição de mercado por meio do qual inovação tecnológica traduz-se diretamente em custo mais baixo para o consumidor. Capacitam os privilegiados a apropriarem ganhos de produtividade para si próprios, em vez de permitirem que os benefícios sejam socializados por meio da competição de mercado.
But they do more than that: they make it possible to collect tribute for the "service" of not obstructing production. As John R. Commons observed, the alleged "service" performed by the holder of artificial property rights, in "contributing" some “factor” to production, is defined entirely by his ability to obstruct access to it. As I wrote in Studies in Mutualist Political Economy, marginalist economics
Fazem porém mais que isso: tornam possível coletar tributo pelo "serviço" de não obstruir a produção. Como observou John R. Commons, o alegado "serviço" prestado pelo detentor de direitos artificiais de propriedade, ao "contribuir" com algum “fator” para a produção, é definido inteiramente por sua capacidade de obstruir acesso a ela. Como escrevi em Estudos em Economia Política Mutualista, a economia marginalista
treated the existing structure of property rights over "factors" as a given, and proceeded to show how the product would be distributed among these "factors" according to their marginal contribution. By this method, if slavery were still extant, a marginalist might with a straight face write of the marginal contribution of the slave to the product (imputed, of course, to the slave­ owner), and of the "opportunity cost" involved in committing the slave to one or another use. 26
tratou a estrutura existente de direitos de propriedade de "fatores" como um dado, e então passou a mostrar como o produto seria distribuído entre esses "fatores" de acordo com a contribuição marginal deles. Por meio desse método, se a escravidão ainda existisse, um marginalista poderia, de cara limpa, escrever a respeito da contribuição marginal do escravo para o produto (imputada, obviamente, ao dono do escravo), e do "custo de oportunidade" envolvido em dedicar o escravo a um ou a outro uso. 26
Such privileges, Maurice Dobb argued, were analogous to a state grant of authority to collect tolls, (much like the medieval robber barons who obstructed commerce between their petty principalities):
Tais privilégios, argumentou Maurice Dobb, eram análogos a concessão, pelo estado, de coletar pedágio (muito como os barões ladrões medievais que obstruíam o comércio entre seus pequeninos principados):
Suppose that toll­gates were a general institution, rooted in custom or ancient legal right. Could it reasonably be denied that there would be an important sense in which the income of the toll­owning class represented "an appropriation of goods produced by others" and not payment for an "activity directed to the production or transformation of economic goods?" Yet toll­charges would be fixed in competition with alternative roadways, and hence would, presumably, represent prices fixed "in an open market...." Would not the opening and shutting of toll­gates become an essential factor of
Suponhamos que os postos de pedágio fossem uma instituição geral, embasada em costume ou antigo direito legal. Poderia, razoavelmente, ser negado haver importante sentido no qual a renda da classe proprietária dos postos de pedágio representaria "apropriação de bens produzidos por outrem" e não pagamento por "atividade direcionada para a produção ou transformação de bens econômicos?" Não obstante, os valores de pedágio seriam fixados em competição com estradas alternativas, e portanto representariam, presumivelmente, preços fixados "num mercado aberto...." Não se tornariam a abertura e fechamento dos postos de pedágio fator essencial de
24 Peter Kropotkin, The Conquest of Bread (New York: Vanguard Press, 1926), pp. 36-37.
25 Ronald Bailey, "Drug Companies Don't Get Enough Money ...," Reason Hit&Run blog, February 22, 2006 Link in the original
26 Kevin Carson, Studies in Mutualist Political Economy (Blitzprint, 2004), p. 79.
production, according to most current definitions of a factor of production, with as much reason at any rate as many of the functions of the capitalist entrepreneur are so classed to­day? This factor, like others, could then be said to have a "marginal productivity" and its price be regarded as the measure and equivalent of the service it rendered. At any rate, where is a logical line to be drawn between toll­gates and property ­rights over scarce resources in general? 27
produção, de acordo com a maioria das definições existentes de fator de produção, com tanta razão de qualquer modo quanto como caracterizadas tantas das funções do empreendedor capitalista em nossos dias? Esse fator, como outros, poderia então ser dito exibir "produtividade marginal" e seu preço poderia ser visto como a medida e o equivalente do serviço por ele prestado. De qualquer modo, onde deverá ser traçada linha lógica entre os postos de pedágio e direitos de propriedade de recursos escassos em geral? 27
Thorstein Veblen made a similar distinction between property as capitalized serviceability, versus capitalized disserviceability. The latter consisted of power advantages over rivals and the public which enabled owners to obstruct production. 28
Thorstein Veblen fez distinção similar entre propriedade como servicibilidade capitalizada, por oposição a desservicibilidade capitalizada. Esta última consistia de vantagens de poder sobre os rivais e o público que permitiam aos donos obstruírem a produção. 28
It is sometimes argued, in response to attacks on patents as monopolies, that "all property is a monopoly." True, as far as it goes; but tangible property is a monopoly by the nature of the case. A parcel of land can only be occupied and used by one owner at a time, because it is finite. By nature, two people cannot occupy the same physical space at the same time. "Intellectual property," in contrast, is an artificial monopoly where scarcity would not otherwise exist. And unlike property in tangible goods and land, the defense of which is a necessary outgrowth of the attempt to maintain possession, enforcement of "property rights" in ideas requires the invasion of someone else's space. "Patents... invade rather than defend property rights." 29
É por vezes argumentado, em resposta a ataques a patentes e monopólios, que "toda propriedade é monopólio." Verdade, até certo ponto; mas a propriedade tangível é monopólio pela natureza do caso. Um pedaço de terra só pode ser ocupado e usado por um dono por vez, porque é finito. Por natureza, duas pessoas não podem ocupar o mesmo espaço físico ao mesmo tempo. A "propriedade intelectual," em contraste, é monopólio artificial onde de outra forma não existiria escassez. E, diferentemente da propriedade em bens e terra tangíveis, a defesa da qual é resultado inevitável da tentativa de manter a posse, o fazer cumprir "direitos de propriedade" em ideias requer a invasão do espaço de alguém. "As patentes... invadem, em vez de defenderem, direitos de propriedade." 29
Kinsella describes the way that so­called “intellectual property” rights give the holder a right in other people's real—tangible—property. An “intellectual property” right implies that
Kinsella descreve o modo pelo qual os assim chamados direitos de “propriedade intelectual” dão ao detentor direito em relação a propriedade real—tangível—de outras pessoas. Direito de “propriedade intelectual” implica que
“A person who comes up with some useful or creative idea which can guide or direct an actor in the use of his own tangible property thereby instantly gains a right to control all other tangible property in the world, with respect to that property’s similar use.” This new­fangled homesteading technique is so powerful that it gives the creator rights in third parties’ already owned tangible property.
“Pessoa que tenha alguma ideia útil ou criativa que possa guiar ou dirigir agente no uso de sua própria propriedade tangível em decorrência ganha instantaneamente o direito de controlar todas as outras propriedades tangíveis do mundo, com respeito a uso similar em tais propriedades.” Essa técnica modernosa de colonização é tão poderosa que dá ao criador direitos em relação a propriedade tangível já de propriedade de terceiros.
For example, by inventing a new technique for digging a well, the inventor can prevent all others in the world from digging wells in this manner, even on their own property. To take another example, imagine the time when men lived in caves. One bright guy—let’s call him Galt-­Magnon—decides to build a log cabin on an open field, near his crops. To be sure, this is a good idea, and others notice it. They naturally imitate Galt­Magnon, and they start building their own cabins. But the first man to invent a house, according to IP advocates, would have a right to prevent others from building houses on their own land, with their own logs, or to charge them a fee if they do build houses. It is plain that the innovator in these examples becomes a partial owner of the tangible property (e.g., land and logs) of others, due not to first occupation and use of that property (for it is already owned), but due to his coming up with an idea.
Por exemplo, mediante inventar nova técnica para perfurar poço, o inventor pode impedir que todas as outras pessoas do mundo perfurem poço da mesma maneira, mesmo na própria propriedade delas. Para tomarmos outro exemplo, imaginemos o tempo em que o homem vivia em cavernas. Um sujeito brilhante—chamemo-lo Galt-­Magnon—resolve construir uma cabana de troncos num campo aberto, perto de sua lavoura. Sem dúvida é boa ideia, e outras pessoas percebem isso. Elas naturalmente imitam Galt-­Magnon, e começam a construir suas próprias cabanas. O primeiro homem a inventar uma casa, contudo, de acordo com os defensores da propriedade intelectual - IP, teria o direito de impedir que outras pessoas construíssem casas na própria terra delas, com seus próprios troncos, ou de cobrar delas taxa se elas construíssem casas. Fica claro que o inovador, nos exemplos acima, torna-se dono parcial da propriedade tangível (isto é, terra e troncos) de outrem, não por causa de primeira ocupação e uso dessa propriedade (pois ela já tem dono), mas pelo fato de ele ter tido uma ideia.
Dilbert creator Scott Adams, in a rather feeble attempt to defend copyright, used the analogy of underpants:
O criador de Dilbert, Scott Adams, em tentativa bastante fraca de defender o copyright, usou a analogia da cueca:
Let me give you an analogy. Let’s say your neighbor sneaks into your house while you are gone
Permitam-me uma analogia. Digamos que seu vizinho entre sorrateiramente em sua casa enquanto você estiver fora
27 Maurice Dobb, Political Economy and Capitalism: Some Essays in Economic Tradition, 2nd rev. ed. (London: Routledge & Kegan Paul Ltd, 1940, 1960), p. 66.
28 Veblen, The Place of Science in Modern Civilization and other Essays, p. 352, quoted in John R. Commons, Institutional Economics (New York: MacMillan, 1934), p. 664.
29 Rothbard, Power and Market: Government and the Economy. (Kansas City: Sheed Andrews and Mcmeel, Inc., 1970, 1977) , p. 71
and borrows your underpants. After wearing your underpants all day, the neighbor launders them, folds them neatly, and returns them to your house in perfect condition, all while you are gone. He tells himself that he will say good things to people about your business – whatever business that is – so this arrangement is good publicity for you. The next time he sees you, he tells you about the underpants because he figures you’ll thank him for saying nice things about his business. He informs you that it’s a win-win scenario.
e tome de empréstimo cueca sua. Depois de usar sua cueca o dia inteiro, o vizinho a lava, dobra-a cuidadosamente, e leva-a de volta para a sua casa em perfeitas condições, tudo enquanto você está fora. Ele diz a si próprio que dirá boas coisas às outras pessoas a respeito de suas atividades profissionais – quaisquer sejam elas – e portanto esse arranjo é boa publicidade para você. Da próxima vez que ele vir você, falará a você acerca da cueca porque acha que você agradecerá a ele por dizer coisas positivas a respeito de suas atividades profissionais. Ele informa a você que este é um cenário de todos saírem ganhando.
Given that you have full use of your property (the underpants), is it a victimless crime? I would say the owner of the underpants lost something even though his property is physically the same. 30
Dado que você goza de uso pleno de sua propriedade (a cueca), é aquele um crime sem vítima? Eu diria que o dono da cueca perdeu algo, embora sua propriedade continue sendo a mesma. 30
This is a remarkably poor analogy. Underpants are a physical object that can only be in one place at a time. When the neighbor borrows my underpants, I no longer have that particular pair in my possession any more. His use of them logically precludes my being able to use them. Physical property is a zero-sum game, in which one person's possession necessarily comes at the expense of everyone else's possession. That is exactly why property rights are a logical conflict avoidance mechanism for physical property: given the fact that a physical object can only be possessed by one person at a time, property rules establish who the rightful owner is and prevent conflict between multiple claimants trying to possess the same thing at the same time. For underpants to be a good analogy, they would have to be reproducible at zero marginal cost so that the same identical pair of underpants could be in ten million dresser drawers at the same time, without the original owner ever losing physical possession of his pair of underpants.
Esta é analogia consideravelmente pobre. Cuecas são objetos físicos que só podem estar num lugar em determinado momento. Quando o vizinho toma de empréstimo minha cueca, não mais tenho a posse daquela cueca específica. O uso dela por ele logicamente impede que eu goze da faculdade de vesti-la. A propriedade física é jogo de soma zero, no qual a posse por uma pessoa necessariamente ocorre a expensas da posse por todo mundo mais. Exatamente por isso os direitos de propriedade constituem mecanismo lógico de evitação de conflito no tocante a propriedade física: dado o fato de objeto físico só poder ser possuído por uma pessoa em determinado momento, as regras de propriedade estabelecem quem é o proprietário de direito e impede conflito entre múltiplos pretendentes que tentem possuir a mesma coisa ao mesmo tempo. Para que a cueca fosse boa analogia, teria de ser reproduzível a custo marginal zero de tal maneira que a mesma cueca pudesse estar em dez milhões de gavetas de cômodas ao mesmo tempo, sem que o dono original jamais perdesse a posse física de sua cueca.
A more accurate analogy would be to suppose that I could cause an exact duplicate of Adams' underpants, created from atoms in my own house, to appear in my own underwear drawer entirely through publicly available knowledge of the configuration of atoms in the original pair, without ever trespassing in Adams' home or disturbing his particular pair of underpants in any way.
Analogia mais precisa seria supor que eu pudesse fazer com que duplicata exata da cueca de Adams, criada de átomos de minha própria casa, aparecesse em minha gaveta de roupas de baixo, inteiramente graças a conhecimento publicamente disponível acerca da configuração dos átomos da cueca original, sem nunca invadir a casa de Adams ou mexer com aquela cueca específica dele.
Adams' real objection, obviously, is not to the deprivation of the thing itself or its use in any sense, but to loss of the economic value of artistic creations that would result from his sole legal right to sell them. But as Kinsella argues, “one cannot have a right to the value of one’s property, but only in its physical integrity.” 31 One cannot argue otherwise without accepting the premises of local zoning laws and assorted aesthetic ordinances (against outbuildings, compost piles, clotheslines, solar panels, front yard gardens, cars parked on lawns, etc., etc.) designed to protect homeowners from a decline in their “property values.” One's primary right in a property is to its unfettered use, not to cooperation by others in the maintenance of its resale value. A law that restrains one's use and enjoyment of one's own property, in order to maintain the market value of someone else's property—and all in the name of “property rights,” no less—is fundamentally perverse.
A real objeção de Adams, obviamente, não é à privação da coisa ela própria ou de seu uso em qualquer sentido, mas à perda do valor econômico de criações artísticas que resultassem exclusivamente de seu direito legal de vendê-las. Como porém argumenta Kinsella, “não se pode ter direito ao valor da propriedade, mas apenas a sua integridade física.” 31 Não se pode argumentar de outra maneira sem aceitar as premissas das leis de zoneamento local e dos diversos regulamentos a propósito de estética (contra anexos, lixo orgânico para feitura de adubo, varais, painéis solares, jardins de frente, carros estacionados em gramados etc. etc.) concebidos para proteger donos de residências de declínio de seu “valor da propriedade.” O principal direito de alguém em relação à propriedade é seu uso irrestrito, não cooperação de outras pessoas na manutenção de seu valor de revenda. Uma lei que restrinja o uso e o gozo da propriedade de alguém, a fim de manter o valor de mercado da propriedade de outra pessoa—e tudo em nome dos “direitos de propriedade,” por incrível que pareça—é fundamentalmente perversa.
Blogger Mark Poncelet, incidentally, came up with a hilarious parody of Adams' underpants analogy:
O blogueiro Mark Poncelet, incidentalmente, oferece cômica paródia da analogia da cueca de Adams:
Let's not forget that you never actually own your underpants (unless you crochet them yourself. Just be very careful that you don't make a pair that looks like someone else's. You could be liable for damages). Most underpants makers only give you a license to wear them. When you "buy" these underpants, some of that money goes to the person who designed them. The rest goes to the
Não nos esqueçamos de que nunca realmente somos donos de nossa cueca (a menos que você próprio as teça. Apenas seja bem cuidadoso para não fazer uma parecida com a de outra pessoa. Poderá ser processado por danos). Os fabricantes de cuecas, em sua maioria, apenas dão a você licença de usá-las. Quando você "compra" essas cuecas, parte do dinheiro vai para a pessoa que as projetou. O resto vai para a 
30 Scott Adams, “Is Copyright Violation Stealing?” The Dilbert Blog, April 7, 2007 Link in the original
31 Kinsella, Against Intellectual Property, p. 47.
company that mass­-produced them and the company that shipped them. Some of that money finds its way to entities who are preparing to sue you for wearing your underpants improperly.
empresa que as fabricou em massa e para a empresa que as embarcou. Parte desse dinheiro é canalizado para entidades aparelhadas para processar você se usar as cuecas inadequadamente.
I pay a subscription fee to a company that sends me underpants on demand. I can wear them, but they get to choose how often I wear them, and I can't wear similar underpants too many times in a row. When I'm done, I have to send the underpants back. This is a whole lot better than some other methods of getting underpants....
Pago taxa de assinatura para empresa que me manda cuecas a pedido. Posso vesti-las, mas ela decide com que frequência posso vesti-las, e não posso vestir cuecas similares muitas vezes seguidamente. Quando termino, tenho de mandar as cuecas de volta. Esse método de conseguir cuecas é bem melhor do que alguns outros....
Buy your underpants from iTunes? At least you get to keep them! Yet be prepared to have someone from Apple watch you put them on and take them off....
Você compra suas cuecas do iTunes? Pelo menos você pode ficar com elas! Não obstante, esteja preparado para ter alguém da Apple espreitando você quando você as veste e desveste....
Regardless of how you get your underpants, there are some brutal realities to consider before you put them on. Like I mentioned above, you don't own these underpants. Someone else does. They're just giving you permission to wear them. In return for this permission, they get to decide a lot. 32
Independentemente de como você obtenha suas cuecas, há algumas realidades cruas a considerar antes de vesti-las. Como mencionei acima, você não é o dono dessas cuecas. Outra pessoa é. Estão apenas dando permissão para que você as vista. Em troca dessa permissão, eles ganham poder de decisão muito grande. 32
32 Mark A. Poncelet, “Leave my underpants alone,” poncelet, April 9, 2007 Link in the original



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