Wednesday, April 9, 2014

The Anti-Empire Report - JFK, RFK, and some myths about US foreign policy


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #125
O Relatório Anti-Império No. 125
By William Blum – Published February 4th, 2014
Por William Blum – Publicado em 4 de fevereiro de 2014
JFK, RFK, and some myths about US foreign policy
JFK, RFK, e alguns mitos acerca da política externa dos Estados Unidos
On April 30, 1964, five months after the assassination of President John F. Kennedy, his brother, Attorney General Robert F. Kennedy, was interviewed by John B. Martin in one of a series of oral history sessions with RFK. Part of the interview appears in the book “JFK Conservative” by Ira Stoll, published three months ago. (pages 192-3)
Em 30 de abril de 1964, cinco meses após o assassínio do Presidente John F. Kennedy, o irmão dele, Procurador-Geral Robert F. Kennedy - RFK, foi entrevistado por John B. Martin em uma de uma série de sessões de história oral com RFK. Parte da entrevista aparece no livro “JFK Conservador” de Ira Stoll, publicado há três meses. (páginas 192-3)
RFK: The president … had a strong, overwhelming reason for being in Vietnam and that we should win the war in Vietnam.
RFK: O presidente … tinha forte, irresistível motivo para estar no Vietnã e para que devêssemos vencer a guerra no Vietnã.
MARTIN: What was the overwhelming reason?
MARTIN: Qual era esse motivo irresistível?
RFK: Just the loss of all of Southeast Asia if you lost Vietnam. I think everybody was quite clear that the rest of Southeast Asia would fall.
RFK: Simplesmente a perda de todo o Sudeste Asiático se perdêssemos o Vietnã. Acho que estava bem claro para todo mundo que o resto do Sudeste Asiático cairia.
MARTIN: What if it did?
MARTIN: E se caísse?
RFK: Just have profound effects as far as our position throughout the world, and our position in a rather vital part of the world. Also it would affect what happened in India, of course, which in turn has an effect on the Middle East. Just as it would have, everybody felt, a very adverse effect. It would have an effect on Indonesia, hundred million population. All of those countries would be affected by the fall of Vietnam to the Communists.
RFK: Isso teria efeitos profundos no tocante a nossa posição em todo o mundo, e nossa posição numa parte bastante vital do mundo. Também afetaria o que acontecesse na Índia, obviamente, o que por sua vez tem efeito no Oriente Médio. Haveria, todo mundo achava, efeito muito prejudicial. Teria efeito sobre a Indonésia, população de cem milhões. Todos esses países seriam afetados pela queda do Vietnã nas mãos dos comunistas. 
MARTIN: There was never any consideration given to pulling out?
MARTIN: Nunca houve cogitação de retirada?
RFK: No.
RFK: Não.
MARTIN: … The president was convinced that we had to keep, had to stay in there …
MARTIN: … O presidente estava convencido de que tínhamos de permanecer, de ficar lá …
RFK: Yes.
RFK: Sim.
MARTIN: … And couldn’t lose it.
MARTIN: … E não poderia perder o Vietnã.
RFK: Yes.
RFK: Sim.
These remarks are rather instructive from several points of view:
Essas observações são bastante instrutivas sob diversos pontos de vista:
1. Robert Kennedy contradicts the many people who are convinced that, had he lived, JFK would have brought the US involvement in Vietnam to a fairly prompt end, instead of it continuing for ten more terrible years. The author, Stoll, quotes a few of these people. And these other statements are just as convincing as RFK’s statements presented here. And if that is not confusing enough, Stoll then quotes RFK himself in 1967 speaking unmistakably in support of the war.
1. Robert Kennedy contradiz as muitas pessoas convencidas de que, se tivesse vivido, JFK teria bastante rapidamente posto fim ao envolvimento dos Estados Unidos no Vietnã, em vez de a guerra ter continuado por mais dez terríveis anos. O autor, Stoll, cita algumas dessas pessoas. E tais outras declarações são tão convincentes quanto as declarações de RFK aqui apresentadas. E se isso não é suficientemente causador de confusão, Stoll em seguida cita o próprio RFK em 1967 falando inequivocamente em apoio à guerra.
It appears that we’ll never know with any kind of certainty what would have happened if JFK had not been assassinated, but I still go by his Cold War record in concluding that US foreign policy would have continued along its imperial, anti-communist path. In Kennedy’s short time in office the United States unleashed many different types of hostility, from attempts to overthrow governments and suppress political movements to assassination attempts against leaders and actual military combat; with one or more of these occurring in Vietnam, Cambodia, Laos, British Guiana, Iraq, Haiti, Dominican Republic, Cuba and Brazil.
Parece que nunca saberemos com qualquer grau de certeza o que teria acontecido se JFK não tivesse sido assassinado, mas eu ainda me fio em seu histórico de Guerra Fria para concluir que a política externa dos Estados Unidos teria continuado em sua trilha imperial anticomunista. No curto tempo de Kennedy no cargo os Estados Unidos deflagraram muitos tipos diferentes de hostilidade, de tentativas de derrubar governos e suprimir movimentos políticos a tentativas de assassínio de líderes e combate militar efetivo; com um ou mais desses eventos ocorrendo em Vietnã, Cambódia, Laos, Guiana Britânica, Iraque, Haiti, República Dominicana, Cuba e Brasil. 
2. “Just have profound effects as far as our position throughout the world, and our position in a rather vital part of the world.”
2. “Isso teria efeitos profundos no tocante a nossa posição em todo o mundo, e nossa posição numa parte bastante vital do mundo.
Ah yes, a vital part of the world. Has there ever been any part of the world, or any country, that the US has intervened in that was not vital? Vital to American interests? Vital to our national security? Of great strategic importance? Here’s President Carter in his 1980 State of the Union Address: “An attempt by any outside force to gain control of the Persian Gulf region will be regarded as an assault on the vital interests of the United States of America”.
Ah sim, parte vital do mundo. Será que existe alguma parte do mundo, ou qualquer país, onde os Estados Unidos tenham intervindo, que não fosse vital? Vital para os interesses estadunidenses? Vital para nossa segurança nacional? De grande importância estratégica? Eis aqui o Presidente Carter em seu Discurso Acerca do Estado da União de 1980: “Tentativa de força de fora para ganhar controle da região do Golfo Pérsico será vista como agressão aos interesses vitais dos Estados Unidos da América”.
“What a country calls its vital economic interests are not the things which enable its citizens to live, but the things which enable it to make war.” – Simone Weil (1909-1943), French philosopher
“O que um país chama de seus interesses econômicos vitais não são as coisas que permitem a seus cidadãos viver, mas as coisas que o habilitam a fazer guerra.” – Simone Weil (1909-1943), filósofa francesa
3. If the US lost Vietnam “everybody was quite clear that the rest of Southeast Asia would fall.”
3. Se os Estados Unidos perdessem o Vietnã “estava bem claro para todo mundo que o resto do Sudeste Asiático também cairia.”
As I once wrote:
Como escrevi no passado:
Thus it was that the worst of Washington’s fears had come to pass: All of Indochina – Vietnam, Cambodia and Laos – had fallen to the Communists. During the initial period of US involvement in Indochina in the 1950s, John Foster Dulles, Dwight Eisenhower and other American officials regularly issued doomsday pronouncements of the type known as the “Domino Theory”, warning that if Indochina should fall, other nations in Asia would topple over as well. In one instance, President Eisenhower listed no less than Taiwan, Australia, New Zealand, the Philippines and Indonesia amongst the anticipated “falling dominos”. [New York Times, April 8, 1954]
Asssim, pois, ocorreria a pior coisa possível para os temores de Washinton: Toda a Indochina – Vietnã, Cambódia e Laos – cairia nas mãos dos comunistas. Durante o período inicial do envolvimento dos Estados Unidos na Indochina nos anos 1950, John Foster Dulles, Dwight Eisenhower e outras autoridades estadunidenses fizeram pronunciamentos fatídicos do tipo conhecido como “Teoria do Dominó”, advertindo que, se a Indochina caísse, outras nações da Ásia também cairia. Numa dessas ocasiões, o Presidente Eisenhower listou não menos do que Taiwan, Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e Indonésia entre as previstas “peças de dominó cadentes”. [New York Times, 8 de abril de 1954]
Such warnings were repeated periodically over the next decade by succeeding administrations and other supporters of US policy in Indochina as a key argument in defense of such policy. The fact that these ominous predictions turned out to have no basis in reality did not deter Washington officialdom from promulgating the same dogma up until the 1990s about almost each new world “trouble-spot”, testimony to their unshakable faith in the existence and inter-workings of the International Communist Conspiracy.
Tais advertências foram repetidas periodicamente ao longo da década seguinte por sucessivas administrações e outros partidários da política dos Estados Unidos na Indochina como argumentação decisiva em defesa de tal política. O fato de essas previsões agourentas revelarem-se não ter base nenhuma na realidade não dissuadiu as autoridades de Washington de promulgarem o mesmo dogma até os anos 1990 acerca de cada “local problemático” do mundo, testemunho da fé inabalável delas na existência e nas interações da Conspiração Comunista Internacional.

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