Wednesday, April 23, 2014

IPS - To Spy To Live


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IPS – Inter Press Service
IPS – Inter Press Service
To Spy To Live
Espionar Para Viver
The mother and father of Fadi Al-Qutshan beside their son's framed picture outside their home in Gaza. Credit: Khaled Alashqar/IPS.
A mãe e o pai de Fadi Al-Qutshan ao lado da foto emoldurada do filho do lado de fora de seu lar em Gaza. Crédito: Khaled Alashqar/IPS.
GAZA CITY , Mar 28 2014 (IPS) - “If you want to live and receive medical treatment, you have my number, so you can call me and agree to my request. You will then get medical help, and survive.” The request, the patient said, was from an Israeli intelligence officer looking to recruit him in exchange for treatment.
GAZA CITY , 28 de março de 2014 (IPS) - “Se você quiser viver e receber tratamento médico, tem meu número, portanto pode ligar para mim e concordar com meu pedido. Receberá então ajuda médica, e sobreviverá.” O pedido, disse o paciente, foi feito por agente da inteligência israelense buscando recrutá-lo em troca de tratamento.
The 28-year-old Fadi Al-Qutshan never did become a spy for Israel. And he did not survive long.
Fadi Al-Qutshan, de 28 anos de idade, nunca se tornou espião a serviço de Israel. E não sobreviveu por muito tempo.
Qutshan suffered from a rare illness that led to artery blockage. With no help possible in Gaza, he was advised to go for treatment at a hospital in the West Bank. His application to Israeli authorities – needed for a Palestinian to enter another Palestinian area – was refused several times. It was finally granted on the intervention of the Palestinian Centre of Human Rights in Gaza.
Qutshan sofria de rara doença que levava a obstrução das artérias. Sem ajuda possível em Gaza, foi-lhe recomendado que buscasse tratamento em hospital na Margem Oeste. Seu requerimento às autoridades israelenses – indispensável para palestino entrar em outra área palestina – foi recusado diversas vezes. Finalmente foi deferido mediante intervenção do Centro Palestino de Direitos Humanos em Gaza.
At the West Bank hospital Qutshan was told he needed treatment at the Israeli hospital, Tel Ha Shomar. He did get passage and admission to the Israeli hospital and was operated on successfully. He needed a follow-up visit to complete treatment. That return became conditional.
No hospital Qutshan na Margem Oeste foi-lhe dito que precisava de tratamento no hospital israelense, Tel Ha Shomar. Obteve passagem e admissão ao hospital israelense e foi operado com sucesso. Precisaria porém de voltar lá, para acompanhamento, para completar o tratamento. Esse retorno tornou-se condicional.
“His phone rang when he was sitting next to me, and his expressions started to change and he suddenly ended the call and switched off his phone,” his mother Zeina Al-Qutshan told IPS. “He told me after that the caller was an officer from the Israeli intelligence services offering a permit to return to the hospital in exchange for working with Israel as a spy in Gaza.” Zeina said her son refused to collaborate. He died soon after.
“O telefone dele tocou quando ele estava sentado a meu lado, e sua expressão começou a mudar e ele subitamente encerrou o telefonema e desligou o telefone,” disse ao IPS a mãe dele, Zeina Al-Qutshan. “Depois ele me disse que quem telefonara fora agente dos serviços de inteligência de Israel oferecendo permissão para retorno ao hospital em troca de trabalhar para Israel como espião em Gaza.” Zeina disse que o filho recusou-se a colaborar. Morreu logo depois.
“Blackmail of patients because of their need to travel through Israeli checkpoints has turned these checkpoints into traps for Palestinian patients,” Ahlam Al-Aqra’, solicitor with the legal aid unit of the Palestinian Centre for Human Rights in Gaza, told IPS. “Many needing to go through checkpoints are either arrested or pressured to work as spies,” he said. “This is against basic human rights, and it must stop.”
“Chantagem a pacientes por causa da necessidade deles de viajar atravessando barreiras israelenses transformou essas barreiras em armadilhas para pacientes palestinos,” disse ao IPS Ahlam Al-Aqra, advogado da unidade de auxílio jurídico do Centro Palestino de Direitos Humanos em Gaza. “Muitas pessoas que precisam atravessar as barreiras são ou detidas ou pressionadas para trabalhar como espiãs,” disse ele. “Isso é contra direitos humanos básicos, e precisa acabar.”
The centre has documented several cases of arrest and manipulation of patients from Gaza needing to pass through the Erez crossing (at the intersection of Gaza, the West Bank and Israel), and of harassment of their family members or others accompanying them.
O centro já documentou diversos casos de detenção e manipulação de pacientes de Gaza necessitados de passar pelo posto fronteiriço de Erez (na intersecção de Gaza, Margem Oeste e Israel), e do assédio a membros das famílias respectivas ou de pessoas que os acompanhavam.
The number of patients arrested and put in Israeli jails has increased, according to the Palestinian Ministry of Prisoners. The total number of Palestinian political prisoners and detainees in Israel is 4,800, and it says about a quarter require medical help.
O número de pacientes detidos e levados para cárceres israelenses vem aumentando, de acordo com o Ministério de Prisioneiros Palestino. O número total de prisioneiros políticos e detidos em Israel é 4.800, e segundo aquele órgão cerca da quarta parte deles necessita de ajuda médica.
Ministry spokesperson Eslam Abdo gave a specific breakdown. “In all 170 prisoners need surgery, 23 prisoners have cancer, and 45 are suffering from a physical disability and need support with their movement. Eighteen prisoners are serving a sentence in Ramallah jail-clinic because of their critical health situation.”
O porta-voz do Ministério, Eslam Abdo, desdobrou de modo específico os números: “No total, 170 prisioneiros precisam de cirurgia, 23 prisioneiros têm câncer, e 45 estão sofrendo de incapacitação física e precisam de ajuda para movimentar-se. Dezoito prisioneiros estão cumprindo pena na clínica prisional em Ramallah por causa de sua situação crítica de saúde.”
More than 1.5 million people live in Gaza Strip on a small area of 360 sq km. As a result of the Israeli-imposed blockade, Gaza is suffering from severe shortage of hospitals and medical equipment. Hospitals in Gaza are unable to deal with all medical needs, and they refer critical cases to the West Bank and Israel depending on permits from the Israeli army who control the Erez crossing point.
Mais de 1,5 milhão de pessoas vive na Faixa de Gaza numa pequena área de 360 quilômetros quadrados. Como resultado do bloqueio imposto por Israel, Gaza está sofrendo de severa escassez de hospitais e de equipamento médico. Os hospitais em Gaza são incapazes de atender a todas as necessidades médicas, e encaminham casos críticos para a Margem Oeste ou para Israel, dependendo das permissões dadas pelo exército israelense, que controla o posto fronteiriço de Erez.
The health system in the West Bank is in a better situation but it is Israeli hospitals that are well-equipped.
O sistema de saúde na Margem Oeste está em situação melhor, mas os hospitais israelenses é que estão bem equipados.
Mahmould Shamlakh was detained by the Israeli army on his way to an Israeli hospital. “After obtaining all required permits I accompanied my wife for medical treatment to the West Bank,” he told IPS. “My wife was sent back to Gaza and I was detained for nine months in Israeli jails under difficult circumstances for no reason.”
Mahmould Shamlakh foi detido pelo exército israelense quando rumava para um hospital israelense. “Depois de obter todas as permissões exigidas acompanhava minha mulher para tratamento médico na Margem Oeste,” disse ele ao IPS. “Minha mulher foi mandada de volta para Gaza e eu fui detido durante nove meses em cárceres israelenses em circunstâncias difíceis sem qualquer motivo.”
Physicians for Human Rights (PHR Israel) has condemned Israeli policies towards Palestinian patients seeking medical access.
A Médicos pelos Direitos Humanos (PHR Israel) já condenou as políticas israelenses em relação a pacientes palestinos em busca de acesso a cuidados médicos.
“Physicians for Human Rights-Israel had called in the past on the Israeli security authorities to stop this manipulation of the most basic humanitarian needs of medical patients from Gaza as a means of coercing them and their families,” the organisation told IPS in a statement.
“A Médicos pelos Direitos Humanos já, no passado, demandou que as autoridades de segurança israelenses parassem com essa manipulação das necessidades humanitárias mais básicas de pacientes necessitados de cuidados médicos de Gaza como meio de coagi-los e a suas famílias,” disse a organização ao IPS, em declaraão.
“This conduct of arresting patients or persons who escort them after giving them permits or clearance to pass through Erez is a policy that constitutes cruel, inhuman [treatment] that PHR Israel strongly condemns and objects to.”
“Essa conduta de deter pacientes ou pessoas que os acompanham depois de dar-lhes permissões ou autorizações para passarem através de Erez é política que constitui [tratamento] cruel e desumano que a PHR Israel condena enfaticamente e à qual objeta.”
Over the last three years, 13,000 cases have been referred for further and urgent medical treatment to Israeli and Palestinian hospitals outside Gaza, according to the Ministry of Health. The Israeli blockade of Gaza, coupled now with closure of the Rafah crossing with Egypt, means that this number is likely to increase over the coming weeks and months.
Ao longo dos últimos três anos, 13.000 casos já foram encaminhados para tratamento médico adicional ou urgente em hospitais israelenses e palestinos fora de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde. O bloqueio israelense a Gaza, acomplado agora com o fechamento do posto de Rafah na fronteira com o Egito, significa que esse número provavelmente aumentará nas semanas e meses vindouros.

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