Tuesday, April 29, 2014

FFF - Morsi, Allende, and Kennedy



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The Future of Freedom Foundation
A Fundação Futuro de Liberdade
Hornberger’s Blog
O Blog de Hornberger
Morsi, Allende, and Kennedy
Morsi, Allende e Kennedy
March 25, 2014
25 de março de 2014
The military coup in Egypt provides a fascinating insight into the mindsets of the national-security establishments in both Egypt and the United States. After all, don’t forget: It has been the U.S. national-security state that has, over the decades, funded, built up, fortified, trained, and closely worked with the Egyptian military-intelligence establishment. Thus, it should come as no surprise that the mindsets of those who manage these two massive national-security state structures in both countries are similar to each other.
O golpe militar no Egito propicia fascinante percepção da postura mental dos establishments de segurança nacional tanto no Egito quanto nos Estados Unidos. Afinal de contas, não nos esqueçamos: Tem sido o estado de segurança nacional dos Estados Unidos que, ao longo de décadas, financiou, construiu, fortaleceu, treinou e trabalhou intimamente com o establishment militar-de inteligência egípcio. Portanto, não deveria ser surpresa as posturas mentais dos que gerem essas duas maciças estruturas de estado de segurança nacional em ambos os países serem similares uma à outra.
In ousting the democratically elected president of the country, Mohamad Morsi, the Egyptian national-security establishment sent a powerful message: That when it comes to determining what constitutes a threat to national security, the national-security branch of the government — i.e., the military and intelligence forces — not the president or the legislature — is the final determiner. If the national-security establishment determines that the elected president is a threat to national security, then, in the minds of the national-security establishment, it is incumbent on the nation’s military and intelligences forces to terminate the threat to the nation by removing the president from office.
Em derrubando o presidente democraticamente eleito do país, Mohamad Morsi, o establishment de segurança nacional egípcio enviou mensagem de forte efeito: Que, quando se trate de determinar o que constitui ameaça à segurança nacional, o ramo de segurança nacional do governo  — isto é, as forças da instituição militar e da inteligência — não o presidente ou o legislativo — é o determinante final. Se o establishment de segurança nacional determinar que o presidente eleito é ameaça à segurança nacional, então, nas mentes do establishment de segurança nacional, compete à instituição militar e às forças de inteligência acabar com a ameaça à nação mediante removerem do cargo o presidente.
It’s not difficult to understand how those in the national-security branch of the government would arrive at this mindset. It’s the specific mission of the military and intelligence branch of the government to protect “national security.” That’s its area of expertise. Thus, the idea is that the military and intelligence forces are much better positioned than the president and legislature to understand the complexities of national security and to recognize the nature of genuine threats to national security.
Não é difícil entender como os integrantes do ramo de segurança nacional do governo chegam a essa postura mental. É missão específica do ramo representado pela instituição militar e pela inteligência do governo proteger a “segurança nacional.” É a área de especialização dele. Portanto, a ideia é a de que as forças da instituição militar e da inteligência têm condição muito melhor do que o presidente e o legislativo para entender a complexidade da segurança nacional e para reconhecer a natureza das ameaças genuínas à segurança nacional.
Of course, the ideal case is when the executive, legislative, and national-security branches of the government are on the same page in ascertaining and dealing with threats to national security. Terrorists, communists, and drug dealers are good examples of where all three branches of government come together to address what they jointly consider to be grave threats to national security.
Obviamente, a situação ideal é aquela na qual os ramos executivo, legislativo e de segurança nacional do governo estão de acordo quanto a identificar e a lidar com ameaças à segurança nacional. Terroristas, comunistas e traficantes de drogas são bons exemplos de casos nos quais todos os três ramos do governo se juntam para tratar do que conjuntamente consideram graves ameaças à segurança nacional.
But life doesn’t always turn out as planned. Voters make mistakes. They elect the wrong people. In those rare instances where they elect the wrong person to be president, a person whose polciies are sending the nation into economic chaos, communism, or terrorism, it becomes the uncomfortable duty of the national-security establishment to correct the mistake and remove the threat. That’s what was done, of course, with Morsi.
A vida, porém, nem sempre transcorre como planejado. Eleitores cometem equívocos. Elegem as pessoas erradas. Naqueles raros casos em que elegem a pessoa errada para ser presidente, pessoa cujas políticas empurram a nação para o caos econômico, comunismo, ou terrorismo, torna-se desconfortável dever do establishment de segurança nacional corrigir o equívoco e remover a ameaça. É o que foi feito, obviamente, com Morsi.
It’s important to understand that in this process, the personnel in the national-security establishment do not consider themselves to be bad people for doing what they have to do to protect the nation — i.e., oust the person who the voters have democratically elected president of the country. On the contrary, when something like this has to be done, the military and intelligence forces consider themselves great patriots, that is, people who are simply doing what has to be done to protect national security.
É importante entender que, nesse processo, o pessoal do establishment de segurança nacional não se considera como sendo gente ruim por fazer o que tem de fazer para proteger a nação — isto é, remover a pessoa que os eleitores elegeram democraticamente presidente do país. Pelo contrário, quando algo como isso tem de ser feito, as forças da instituição militar e da inteligência consideram-se integradas por grandes patriotas, isto é, pessoas que estão simplesmente fazendo o que precisa ser feito para proteger a segurança nacional.
You especially see this phenomenon in Egypt, where military and intelligence officials have not only removed the president from office but where they also have imposed a brutal military crackdown on anyone who might object to what they have done and are doing. Those officials honestly believe that they are heroes for what they have done and are doing to “restore democracy” to the nation.
Vocês veem esse fenômeno especialmente no Egito, onde autoridades da instituição militar e da inteligência não apenas removeram o presidente do cargo como também impuseram brutal repressão militar a qualquer pessoa que pudesse objetar ao que fizeram e estão fazendo. Aquelas autoridades honestamente acreditam que são heroínas pelo que fizeram e estão fazendo para “restaurar a democracia” no país.
Equally important, so does the U.S. national-security state. Oh sure, there are the standard expressions of “concern” about the widespread vicious crackdown on the citizenry by the Egyptian national-security establishment, but everyone knows that it’s all for show. There certainly has been no termination of U.S. support for Egypt’s military dictatorship, and U.S. officials have performed all sorts of contortions to avoid calling the Egyptian coup a coup in order to avoid triggering an automatic termination of U.S. money, weaponry, and ammunition to the Egyptian military.
Igualmente importante, o mesmo faz o estado de segurança nacional dos Estados Unidos. Oh, claro, há as manifestações padrão de “preocupação” com a disseminada feroz repressão dos cidadãos pelo establishment egípcio de segurança nacional, mas todo mundo sabe que é tudo para inglês ver. Certamente não ocorreu cessação do apoio dos Estados Unidos à ditadura militar egípcia, e as autoridades dos Estados Unidos exercitam toda forma de prestidigitação para evitar chamar de golpe o golpe no Egito, a fim de evitarem deflagrar término automático de dinheiro, armamentos e munições dos Estados Unidos para a instituição militar egípcia.
Even more revealing, U.S. officials continue to maintain the same position as Egypt’s military regime — that any Egyptian citizen who violently resists the military tyranny under which the nation is now suffering is a terrorist and should be dealt with accordingly.
Ainda mais revelador, as autoridades dos Estados Unidos continuam a manter a mesma posição que o regime militar do Egito — que qualquer cidadão egípcio que resistir violentamente à tirania militar sob a qual a nação hoje sofre é terrorista e deverá ser tratado acordemente.
We witnessed a similar occurrence in Chile in 1973. The national-security establishment in both Chile and the United States reached the conclusion that Chile’s democratically elected president, Salvador Allende, constituted a threat to national security, both in Chile and the United States. In the eyes of military and intelligence officials in both countries, the Chilean electorate had made a grave mistake by electing Allende, a self-avowed socialist and communist, to be president. As President Nixon’s national-security advisor Henry Kissinger put it, “I don’t see why we should have to stand by and let a country go Communist due to the irresponsibility of its own people.”
Testemunhamos ocorrência similar no Chile em 1973. O establishment de segurança nacional tanto no Chile quanto nos Estados Unidos chegou à conclusão de que o presidente democraticamente eleito do Chile, Salvador Allende, constituía ameaça à segurança nacional, tanto do Chile quanto dos Estados Unidos. Aos olhos das autoridades da instituição militar e da inteligência de ambos os países, o eleitorado chileno havia cometido grave equívoco ao eleger Allende, confesso socialista e comunista, para presidente. Como disse Henry Kissinger, conselheiro de segurança nacional do President Nixon, “Não vejo por que deveríamos ficar parados e deixar um país tornar-se comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo.”
Thus, with the full support of the U.S. national-security establishment, the Chilean national-security establishment removed the threat to national security that the democratically elected Allende supposedly posed. In a violent coup, the Chilean military ousted Allende from power and assumed brutal military control over the country, as a way, of course, to transition to “democracy,” as the military is doing in Egypt.
Assim, pois, com total apoio do establishment de segurança nacional dos Estados Unidos, o establishment de segurança nacional chileno removeu a ameaça à segurança nacional que o democraticamente eleito Allende supostamente representava. Em golpe violento, a instituição militar chilena tirou Allende do poder e assumiu controle militar brutal sobre o país, como forma, obviamente, de transição para a “democracia,” como a instituição militar está fazendo no Egito.
Not surprisingly, the aftermath of the Chilean coup was quite similar to the Egyptian coup. In Chile, there were mass round-ups and incarceration of tens of thousands of innocent people, killing of peaceful protestors, torture, disappearances, kidnappings, suppression of dissent, cessation of an independent press, and even rape of detainees.
Não surpreendentemente, a esteira do golpe chileno foi muito parecida com a do golpe egípcio. No Chile, houve prisões em massa e encarceramento de dezenas de milhares de pessoas inocentes, assassínio de manifestantes pacíficos, tortura, desaparecimentos, sequestros, repressão de dissidência, cessação de imprensa independente, e até estupro de detidos.
It was all justified in the same way that the Egyptian coup was justified: that this was all necessary to protect “national security.”  Moreover, like the Egyptian national-security state officials, to this day the Chilean military-intelligence forces consider themselves to be great patriots for what they did, notwithstanding the fact that many of them are now serving time in Chilean penitentiaries for their “patriotic” actions.
Foi tudo justificado do mesmo modo que o golpe egípcio foi justificado: tudo fora necessário para proteger a “segurança nacional.” Ademais, do mesmo modo que as autoridades do estado de segurança nacional egípcio, até hoje as forças militares/de inteligência consideram-se grandes patriotas por terem feito o que fizeram, apesar do fato de seu integrantes hoje estarem cumprindo pena em penitenciárias chilenas por suas ações “patrióticas.”
While U.S. national-security officials were playing an important supporting role in the Chilean coup, Nixon, Kissinger, and other high U.S. officials were, at the same time, publicly denying any participation in the coup, much as President Obama, the Pentagon, and the CIA are denying any supportive role in the Egyptian coup. But it was all a lie — part of what is called “plausible deniability — the national-security state’s doctrine that entails having the president become an official liar to the world.
Enquanto autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos desempenhavam importante papel de suporte no golpe chileno, Nixon, Kissinger e outras altas autoridades dos Estados Unidos negavam, ao mesmo tempo, qualquer participação no golpe, de modo muito parecido com a negação, por Obama, o Pentágono e a CIA de qualquer papel de apoio ao golpe egípcio. Tudo porém foi mentira — parte do que é chamado de “negabilidade plausível — a doutrina do estado de segurança nacional que implica em o presidente tornar-se mentiroso oficial em relação ao mundo.
In fact, it was so important to the U.S. national-security establishment that its participation in the Chilean coup be kept secret that U.S. military and intelligence officials operating in Chile during the coup even participated in the execution of two American journalists, one of whom had inadvertently stumbled upon evidence of U.S. complicity in the coup. Since, with such knowledge, these two Americans, Charles Horman and Frank Teruggi, had become a threat to “national security,” it was decided that it was okay to kill them.
Na verdade, era tão importante para o establishment de segurança nacional dos Estados Unidos que sua participação no golpe chileno permanecesse em segredo que as autoridades militares e de inteligência dos Estados Unidos que operavam no Chile durante o golpe participaram até da execução de dois jornalistas estadunidenses, um dos quais havia inadvertidamente tropeçado em evidência da cumplicidade dos Estados Unidos no golpe. Visto que, detentores de tal conhecimento, aqueles dois estadunidenses, Charles Horman e Frank Teruggi, haviam-se tornado ameaça à “segurança nacional,” foi decidido que tudo bem matá-los.
One of the fascinating aspects of the coups in both Chile and Egypt is how they have received the ardent support of American conservatives. For example, after the Egyptian coup that removed the democratically elected Morsi from office, the Wall Street Journal, undoubtedly expressing the viewpoint of most other U.S. conservatives, wrote: “Egyptians would be lucky if their new ruling generals turn out to be in the mold of Chile’s Augusto Pinochet, who took over power amid chaos but hired free-market reformers and midwifed a transition to democracy.”
Um dos aspectos fascinantes dos golpes tanto no Chile quanto no Egito é como eles receberam ardoroso apoio dos conservadores estadunidenses. Por exemplo, depois do golpe egípcio que removeu do cargo o democraticamente eleito Morsi, o Wall Street Journal, expressando indubitavelmente o ponto de vista da maioria dos outros conservadores estadunidenses, escreveu: “Os egípicios serão afortunados se seus novos generais governantes se revelarem do tipo de Augusto Pinochet do Chile, que tomou o poder em meio ao caos mas contratou reformadores de livre mercado e partejou transição para a democracia.”
That, of course, is an incredible insight into the conservative mind. I don’t see how anyone can read such a statement and not come up with the conclusion that conservatives ardently endorse the notion that it is the patriotic duty of a national-security establishment to protect national security by removing from office a democratically elected president who purportedly poses a grave threat to national security.
Isso nos dá, obviamente, incrível entendimento profundo da mente conservadora. Não vejo como alguém possa ler tal declaração sem chegar à conclusão de que os conservadores endossam ardorosamente a noção de ser dever patriótico de um establishment de segurança nacional proteger a segurança nacional mediante remover do cargo presidente democraticamente eleito que pretensamente represente grave ameaça à segurança nacional.
Given such a mindset, I can’t understand why conservatives get so bent out of shape when people point the finger at the U.S. national security establishment in the assassination of President John F. Kennedy. After all, wouldn’t U.S. national-security officials have simply been doing their patriotic duty to protect national security by removing Kennedy from office, just as national-security state officials have done with Allende and Morsi?
Dada tal postura mental, não consigo entender por que os conservadores ficam tão indignados quando alguém aponta o dedo para o establisment de segurança nacional dos Estados Unidos no assassínio do Presidente John F. Kennedy. Afinal, as autoridades de segurança nacional dos Estados Unidos não estavam simplesmente cumprindo seu dever patriótico ao tirarem Kennedy do cargo, do mesmo modo que as autoridades do estado de segurança nacional fizeram com Allende e Morsi?
This post was written by: Jacob G. Hornberger
Jacob G. Hornberger is founder and president of The Future of Freedom Foundation. He was born and raised in Laredo, Texas, and received his B.A. in economics from Virginia Military Institute and his law degree from the University of Texas. He was a trial attorney for twelve years in Texas. He also was an adjunct professor at the University of Dallas, where he taught law and economics. In 1987, Mr. Hornberger left the practice of law to become director of programs at the Foundation for Economic Education. He has advanced freedom and free markets on talk-radio stations all across the country as well as on Fox News’ Neil Cavuto and Greta van Susteren shows and he appeared as a regular commentator on Judge Andrew Napolitano’s show Freedom Watch. View these interviews at LewRockwell.com and from Full Context. Send him email.
Esta postagem foi escrita por: Jacob G. Hornberger
Jacob G. Hornberger é fundador e presidente da Fundação Futuro de Liberdade. Nasceu e foi criado em Laredo, Texas, e recebeu seu grau de Bacharel em Artes em economia do Instituto Militar da Virgínia e seu grau em leis da Universidade do Texas. Foi advogado atuante durante doze anos no Texas. Foi também professor adjunto na Universidade de Dallas, onde lecionou leis e economia. Em 1987, o Sr. Hornberger deixou a prática jurídica para tornar-se diretor de programas na Fundação de Educação Econômica. Tem promovido liberdade e livres mercados em estações de rádio com participação da audiência em todo o país, bem como nos programas da Fox News de Neil Cavuto e Greta van Susteren, e participou como comentador regular no programa do Juiz Andrew Napolitano Observatório da Liberdade. Veja essas entrevistas em LewRockwell.com e a partir de Full Context. Envie-lhe email.


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