Monday, March 17, 2014

The Anti-Empire Report - If you’ve never done anything you wouldn’t want the government to know about, you should re-examine your life choices.


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #124
O Relatório Anti-Império No. 124
By William Blum – Published January 9th, 2014
Por William Blum – Publicado em 9 de janeiro de 2014
If you’ve never done anything you wouldn’t want the government to know about, you should re-examine your life choices.
Se você nunca fez algo que não quisesse que o governo soubesse, deveria reexaminar suas opções de vida.
“The idea is to build an antiterrorist global environment,” a senior American defense official said in 2003, “so that in 20 to 30 years, terrorism will be like slave-trading, completely discredited.” [New York Times, January 17, 2003]
“A ideia é construir um ambiente global antiterrorista,” disse, em 2003, alta autoridade de defesa estadunidense, “de tal maneira que, em de 20 a 30 anos, o terrorismo venha a ser análogo ao tráfico de escravos, algo completamente desacreditado.” [New York Times, 17 de janeiro de 2003]
One must wonder: When will the dropping of bombs on innocent civilians by the United States, and invading and occupying their country become completely discredited? When will the use of depleted uranium, cluster bombs, CIA torture renditions, and round-the-world, round-the-clock surveillance become things that even men like George W. Bush, Dick Cheney, Barack Obama, and John Brennan will be too embarrassed to defend?
Não há como não perguntar: Quando é que os Estados Unidos despejarem bombas  em civis inocentes, e invadirem e ocuparem o país deles, se tornará algo completamente desacreditado? Quando é que uso de urânio empobrecido, bombas de fragmentação, entrega de pessoas pela CIA para tortura, e espionagem em todo o mundo, vinte e quatro horas por dia, tornar-se-ão coisas que mesmo homens como George W. Bush, Dick Cheney, Barack Obama e John Brennan ficarão envergonhados demais para defender?
Last month, a former National Security Agency official told the Washington Post that the Agency’s workers are polishing up their résumés and asking that they be cleared – removing any material linked to classified programs – so they can be sent out to potential employers. He noted that one employee who processes the résumés said, “I’ve never seen so many résumés that people want to have cleared in my life.” [Washington Post, December 7, 2013]
No mês passado, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional - NSA disse ao Washington Post que os funcionários da agência estão retocando seus currículos e pedindo que estes sofram expurgo – com remoção de qualquer material ligado a programas secretos – a fim de poderem ser enviados a empregadores em potencial. Ele observou que um empregado que processa os currículos disse:  “Nunca vi, em minha vida inteira, tantos currículos que pessoas queiram ver expurgados.” [Washington Post, 7 de dezembro de 2013]
Morale is “bad overall”, said another former official. “The news – the Snowden disclosures – it questions the integrity of the NSA workforce,” he said. “It’s become very public and very personal. Literally, neighbors are asking people, ‘Why are you spying on Grandma?’ And we aren’t. People are feeling bad, beaten down.” [Washington Post, December 18, 2013]
O moral “está baixo em toda parte”, disse outro ex-funcionário. “As notícias – os vazamentos de Snowden – questionam a integridade do pessoal da NSA,” disse ele. “A coisa tornou-se muito pública e muito pessoal. Literalmente, os vizinhos estão perguntando às pessoas: ‘Porque você está espionando a vovó?’ E não estamos. As pessoas estão-se sentindo mal, oprimidas.” [Washington Post, 18 de dezembro de 2013]
President Obama was recently moved to declare that he would be proposing “some self-restraint on the NSA” and “some reforms that can give people more confidence.” He also said “In some ways, the technology and the budgets and the capacity [at NSA] have outstripped the constraints. And we’ve got to rebuild those in the same way that we’re having to do on a whole series of capacities … [such as] drone operations.” [Washington Post, December 7, 2013]
O Presidente Obama foi recentemente levado a declarar que proporá “alguma autorrestrição da NSA” e “algumas reformas que possam dar às pessoas mais confiança.” Disse também que “sob certos aspectos, a tecnologia, os orçamentos e a capacidade [da NSA] superaram as restrições. E temos de reelaborá-los do mesmo modo que temos tido de fazer com uma série de recursos … [tais como] atividades de drones [aviões não tripulados].” [Washington Post, 7 de dezembro de 2013]
Well, dear readers and comrades, we shall see. But if you’re looking for a glimmer of hope to begin a new year, you may as well try grabbing onto these little offerings. When the American Empire crumbles, abroad and at home, as one day it must, Edward Snowden’s courageous actions may well be seen as one of the key steps along that road. I’ve long maintained that only the American people have the power to stop The Imperial Machine – the monster that eats the world’s environment, screws up its economies, and spews violence on every continent. And for that to happen the American people have to lose their deep-seated, quasi-religious belief in “American Exceptionalism”. For many, what they’ve been forced to learn the past six months has undoubtedly worn deep holes into the protective armor that has surrounded their hearts and minds since childhood.
Bem, prezados leitores e camaradas, veremos. Se, porém, você estiver à cata de algum vislumbre  de esperança para começar o ano novo, até poderá tentar agarrar-se a essas pequeninas ofertas. Quando o Império Estadunidense se esfacelar, internamente e no exterior, como um dia terá de acontecer, as corajosas ações de Edward Snowden serão muito provavelmente vistas como um dos passos decisivos naquele sentido. Há muito tempo afirmo que apenas o povo estadunidense tem o poder de deter A Máquina Imperial – o monstro que devora o ambiente do mundo, escangalha com suas economias, e vomita violência em todos os continentes. E para que isso aconteça o povo estadunidense terá de perder sua crença profundamente instilada, quase religiosa, no “Excepcionalismo Estadunidense”. Para muita gente, o que ele foi forçado a saber nos últimos seis meses indubitavelmente vazou profundos buracos na armadura protetora que circunda seus corações e mentes desde a infância.
A surprising and exhilarating example of one of these holes in the armor is the New Year’s day editorial in the New York Times that is now well known. Entitled “Edward Snowden, Whistle-blower” – itself a legitimation of his actions – its key part says: “Considering the enormous value of the information he has revealed, and the abuses he has exposed, Mr. Snowden deserves better than a life of permanent exile, fear and flight. He may have committed a crime to do so, but he has done his country a great service.”
Surpreendente e estimulante exemplo de um desses buracos na armadura é o editorial, agora bem conhecido, do dia de Ano Novo no New York Times. Intitulado “Edward Snowden, Denunciante” – em si legitimação das ações dele – sua parte essencial diz: “Considerando-se o enorme valor da informação que ele revelou, e os abusos que expôs, o Sr. Snowden merece mais do que uma vida de exílio permanente, medo e fuga. Ele pode ter cometido crime ao fazer aquilo, mas prestou a seu país um grande serviço.”
The president has been moved to appoint a committee to study NSA abuses. This of course is a standard bureaucratic maneuver to keep critics at bay. But the committee – Review Group on Intelligence and Communications Technologies – did come up with a few unexpected recommendations in its report presented December 13, the most interesting of which perhaps are these two:
O presidente viu-se impelido a nomear uma comissão para estudar abusos da NSA. Isso, naturalmente, é manobra burocrática padrão para manter críticos à distância. A comissão, porém – Grupo de Revisão de Tecnologias de Inteligência e Comunicações – fez algumas recomendações inesperadas em seu relatório apresentado em 13 de dezembro, as mais interessantes das quais, talvez, sejam estas duas:
“Governments should not use surveillance to steal industry secrets to advantage their domestic industry.”
“Governos não deveriam usar vigilância para furtar segredos de indústria em proveito de sua indústria doméstica.”
“Governments should not use their offensive cyber capabilities to change the amounts held in financial accounts or otherwise manipulate the financial systems.” [“Liberty and Security in a Changing World”, p.221]
“Governos não deveriam usar seus recursos cibernáticos ofensivos para modificar as quantias existentes em contas financeiras ou outrossim manipular sistemas financeiros.” [“Liberdade e Segurança em Mundo em Mudança”, p.221]
The first recommendation refers to a practice, though certainly despicable, that is something the United States has been doing, and lying about, for decades. [See Anti-Empire Report, #118, June 26, 2013, second part] Just this past September, James Clapper, Director of US National Intelligence, declared: “What we do not do, as we have said many times, is use our foreign intelligence capabilities to steal the trade secrets of foreign companies.” [Statement by Director of National Intelligence James R. Clapper on Allegations of Economic Espionage, September 8, 2013]
A primeira recomendação refere-se a algo que, embora certamente merecedor de desprezo, é algo que os Estados Unidos têm praticado, e a respeito do que mentido, durante décadas. [Ver Relatório Anti-Império, #118, 26 de junho de 2013, segunda parte] Logo agora em setembro último James Clapper, Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, declarou: “O que nós não fazemos, como já dissemos muitas vezes, é usar nossos recursos de inteligência estrangeira para roubar segredos comerciais de empresas estrangeiras.” [Declaração do Diretor de Inteligência Nacional James R. Clapper acerca de Alegações de Espionagem Econômica, 8 de setembro de 2013]
Clapper is the same gentleman who told Congress in March that the NSA does not intentionally collect any kind of data on millions of Americans; and, when subsequently challenged on this remark, declared: “I responded in what I thought was the most truthful, or least untruthful, manner by saying ‘no’.” [NBC News, June 9, 2013]
Clapper é o mesmo cavalheiro que disse ao Congresso, em março, que a NSA não coleta intencionalmente qualquer tipo de dado de milhões de estadunidenses; e, quando subsequentemente questionado acerca do que dissera, declarou: “Eu respondi da maneira que entendi ser a mais veraz, ou a menos inveraz, ao dizer ‘não’.” [NBC News, 9 de junho de 2013]
The second recommendation had not been revealed before, in a Snowden document or from any other source.
A segunda recomendação não havia sido revelada antes, nem em documento de Snowden nem em de nenhuma outra fonte.
“That was a strangely specific recommendation for something nobody was talking about,” observed the director of a government transparency group. [Kel McClanahan, executive director of National Security Counselors, speaking to ABC News Radio, December 23, 2013]
“Aquela foi recomendação estranhamente específica a respeito de algo de que ninguém falava,” observou o diretor de um grupo de transparência de governo. [Kel McClanahan, diretor executivo da Conselheiros de Segurança Nacional, falando à Rádio ABC Notícias, 23 de dezembro de 2013]
ABC News reported that “A spokesperson for the NSA declined to comment on the issue of bank account hacking, and a representative for U.S. Cyber Command did not immediately return an emailed request for comment.” [ABC News Radio, December 23, 2013]
A ABC Notícias informou que “porta-voz da NSA declinou de comentar acerca do assunto de invasão de contas bancárias, e representante do Comando Cibernético dos Estados Unidos não retornou de imediato pedido de comentário por email.” [Rádio ABC Notícias, 23 de dezembro de 2013]
Manipulating bank records is about as petty and dishonorable as a superpower can behave, and could conceivably, eventually, lead to the end of the NSA as we’ve all come to know and love it. On the other hand, the Agency no doubt holds some very embarrassing information about anyone in a position to do them harm.
Manipular lançamentos bancários é praticamente a coisa mais mesquinha e moralmente inaceitável que uma superpotência pode fazer, e poderia concebivelmente, por fim, levar ao fim da NSA tal como todos nós viemos a conhecer e a amar. Por outro lado, a Agência sem dúvida detém alguma informação muito constrangedora acerca de qualquer pessoa em posição de causar dano a ela.

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