Saturday, March 29, 2014

The Anti-Empire Report - “Bias in favor of the orthodox is frequently mistaken for ‘objectivity’. Departures from this ideological orthodoxy are themselves dismissed as ideological.” – Michael Parenti



English
Português
William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #125
O Relatório Anti-Império No. 125
By William Blum – Published February 4th, 2014
Por William Blum – Publicado em 4 de fevereiro de 2014
“Bias in favor of the orthodox is frequently mistaken for ‘objectivity’. Departures from this ideological orthodoxy are themselves dismissed as ideological.” – Michael Parenti
“Viés favorável ao ortodoxo é amiúde confundido com ‘objetividade’. Distanciamentos da ortodoxia ideológica são desqualificados por ideológicos.” – Michael Parenti
An exchange in January with Paul Farhi, Washington Post columnist, about coverage of US foreign policy:
Discussão em janeiro com Paul Farhi, colunista do Washington Post, acerca da cobertura da política externa dos Estados Unidos:
Dear Mr. Farhi,
Prezado Sr. Farhi,
Now that you’ve done a study of al-Jazeera’s political bias in supporting Mohamed Morsi in Egypt, is it perhaps now time for a study of the US mass media’s bias on US foreign policy? And if you doubt the extent and depth of this bias, consider this:
Agora que o senhor fez um estudo do viés político da al-Jazeera apoiando Mohamed Morsi no Egito, será talvez hora de examinar o viés da grande mídia dos Estados Unidos em relação à política externa dos Estados Unidos? E se o senhor duvidar da extensão e profundidade desse viés, considere o seguinte:
There are more than 1,400 daily newspapers in the United States. Can you name a single paper, or a single TV network, that was unequivocally opposed to the American wars carried out against Libya, Iraq, Afghanistan, Yugoslavia, Panama, Grenada, and Vietnam? Or even opposed to any two of these wars? How about one? In 1968, six years into the Vietnam war, the Boston Globe [Boston Globe, February 18, 1968, p.2-A] surveyed the editorial positions of 39 leading US papers concerning the war and found that “none advocated a pull-out”.
Há mais de 1.400 jornais diários nos Estados Unidos. Consegue o senhor dar o nome de um único jornal, ou de uma única estação de televisão, inequivocamente contra as guerras estadunidenses conduzidas contra Líbia, Iraque, Afeganistão, Iugoslávia, Panamá, Grenada, e Vietnã? Ou mesmo contra duas quaisquer de todas essas guerras? E que tal contra uma única? Em 1968, já a guerra do Vietnã com seis anos de duração, o Boston Globe [Boston Globe, 18 de fevereiro de 1968, p.2-A] fez levantamento das posições editoriais de 39 jornais importantes dos Estados Unidos concernindo à guerra e descobriu que “nenhum defendia retirada”.
Now, can you name an American daily newspaper or TV network that more or less gives any support to any US government ODE (Officially Designated Enemy)? Like Hugo Chávez of Venezuela or his successor, Nicolás Maduro; Fidel or Raúl Castro of Cuba; Bashar al-Assad of Syria; Mahmoud Ahmadinejad of Iran; Rafael Correa of Ecuador; or Evo Morales of Bolivia? I mean that presents the ODE’s point of view in a reasonably fair manner most of the time? Or any ODE of the recent past like Slobodan Milosevic of Serbia, Moammar Gaddafi of Libya, Robert Mugabe of Zimbabwe, or Jean-Bertrand Aristide of Haiti?
Ora bem, pode o senhor dar o nome de jornal diário ou rede de televisão estadunidense que apoie, em maior ou menor grau, qualquer ODE (Inimigo Oficialmente Declarado) do governo dos Estados Unidos? Como Hugo Chávez da Venezuela ou seu sucessor, Nicolás Maduro; Fidel ou Raúl Castro de Cuba; Bashar al-Assad da Síria; Mahmoud Ahmadinejad do Iran; Rafael Correa do Equador; ou Evo Morales da Bolivia? Quero dizer, que apresente o ponto de vista do ODE de maneira razoavelmente imparcial a maior parte do tempo? Ou qualquer ODE do passado recente como Slobodan Milosevic da Sérvia, Moammar Gaddafi da Líbia, Robert Mugabe do Zimbabwe, ou Jean-Bertrand Aristide do Haiti?
Who in the mainstream media supports Hamas of Gaza? Or Hezbollah of Lebanon? Who in the mainstream media is outspokenly critical of Israel’s treatment of the Palestinians? And keeps his or her job?
Quem, na mídia convencional, apoia o Hamas de Gaza? Ou o Hezbollah do Líbano? Quem, na mídia convencional, é crítico declarado do tratamento dispensado aos palestinos por Israel? E mantém seu emprego?
Who in the mainstream media treats Julian Assange or Chelsea Manning as the heroes they are?
Quem, na mídia convencional, trata Julian Assange ou Chelsea Manning como os heróis que são?
And this same mainstream media tell us that Cuba, Venezuela, Ecuador, et al. do not have a real opposition media.
E essa mesma mídia convencional diz-nos que Cuba,  Venezuela, Equador, et al. não têm uma mídia de oposição real.
The ideology of the American mainstream media is the belief that they don’t have any ideology; that they are instead what they call “objective”. I submit that there is something more important in journalism than objectivity. It is capturing the essence, or the truth, if you will, with the proper context and history. This can, as well, serve as “enlightenment”.
A ideologia da mídia convencional estadunidense é a crença de que não tem nenhuma ideologia; que é, pelo contrário, o que chama de “objetiva”. Eu sugiro que há algo mais importante em jornalismo do que a objetividade. É captar a essência, ou a verdade, se preferir, com o contexto e a história adequados. Isso pode, até, ter função de “esclarecimento”.
It’s been said that the political spectrum concerning US foreign policy in the America mainstream media “runs the gamut from A to B”.
Tem sido dito que o espectro político concernente a política externa na mídia convencional dos Estados Unidos “abrange o intervalo de A a B”.
Sincerely, William Blum, Washington, DC
Atenciosamente, William Blum, Washington, DC
(followed by some of my writing credentials)
(seguem-se algumas de minhas credenciais como escritor)
Reply from Paul Farhi:
Resposta de Paul Farhi:
I think you’re conflating news coverage with editorial policy. They are not the same. What a newspaper advocates on its editorial page (the Vietnam example you cite) isn’t the same as what or how the story is covered in the news columns. News MAY have some advocacy in it, but it’s not supposed to, and not nearly as overt or blatant as an editorial or opinion column. Go back over all of your ODE examples and ask yourself if the news coverage was the same as the opinions about those ODEs. In most cases. I doubt it was.
Acho que o senhor está confundindo cobertura noticiosa com política editorial. Não são a mesma coisa. O que um jornal defende em sua página de editorial (o exemplo do Vietnã que o senhor cita) não é o mesmo que, ou como, assunto é coberto nas colunas noticiosas. As notícias PODEM ter alguma defesa de ponto de vista nelas, mas supõe-se que não tenham, e nem de perto tão aberta ou flagrantemente como num editorial ou em coluna de opinião. Repasse todos os seus exemplos de ODE e pergunte-se se a cobertura noticiosa foi a mesma que as opiniões a respeito desses ODE. Na maioria dos casos, duvido que tenha sido.
Dear Mr. Farhi,
Prezado Sr. Farhi,
Thank you for your remarkably prompt answer.
Obrigado por sua resposta notavelmente presta.
Your point about the difference between news coverage and editorial policy is important, but the fact is, as a daily, and careful, reader of the Post for the past 20 years I can attest to the extensive bias in its foreign policy coverage in the areas I listed. Juan Ferrero in Latin America and Kathy Lally in the Mideast are but two prime examples. The bias, most commonly, is one of omission more than commission; which is to say it’s what they leave out that distorts the news more than any factual errors or out-and-out lies. My Anti-Empire Report contains many examples of these omissions, as well as some errors of commission.
Sua observação acerca da diferença entre cobertura noticiosa e política editorial é importante, mas o fato é: como leitor diário e cuidadoso do Post nos últimos 20 anos posso atestar do pronunciado viés na cobertura dele de política externa nas áreas que listei. Juan Ferrero na América Latina e Kathy Lally no Oriente Médio são apenas dois excelentes exemplos. O viés, comumente, é por omissão mais do que comissão, vale dizer é o que eles deixam sem mencionar que distorce a notícia, mais do que quaisquer erros factuais ou completas mentiras. Meu Relatório Anti-Império contém muitos exemplos dessas omissões, bem como alguns erros por comissão.
Incidentally, since 1995 I have written dozens of letters to the Post pointing out errors in foreign-policy coverage. Not one has been printed.
Incidentalmente, desde 1995 escrevi dúzias de cartas ao Post destacando erros de cobertura de política externa. Nenhuma delas foi até hoje publicada.
Happy New Year
Feliz Ano Novo
I present here an extreme example of bias by omission, in the entire American mainstream media: In my last report I wrote of the committee appointed by the president to study NSA abuses – Review Group on Intelligence and Communications Technologies – which actually came up with a few unexpected recommendations in its report presented December 13, the most interesting of which perhaps are these two:
Apresento aqui exemplo extremo de viés por omissão, em toda a mídia convencional estadunidense: Em meu último relatório escrevi da comissão nomeada pelo presidente para examinar os abusos da Agência de Segurança Nacional - NSA – Grupo de Revisão de Tecnologias de Inteligência e Comunicações – que com efeito fez algumas recomendações inesperadas em seu relatório apresentado em 13 de dezembro, as mais interessantes das quais talvez estas duas:
“Governments should not use surveillance to steal industry secrets to advantage their domestic industry.”
“Governos não deveriam usar vigilância para furtar segredos da indústria para proveito de sua indústria doméstica.”
“Governments should not use their offensive cyber capabilities to change the amounts held in financial accounts or otherwise manipulate the financial systems.”
“Governos não deveriam usar suas capacidades ofensivas cibernéticas para modificar os montantes mantidos em contas financeiras ou de qualquer forma manipularem os sistemas financeiros.”
So what do we have here? The NSA being used to steal industrial secrets; nothing to do with fighting terrorism. And the NSA stealing money and otherwise sabotaging unnamed financial systems, which may also represent gaining industrial advantage for the United States.
Então o que temos aqui? A NSA sendo usada para furtar segredos industriais; nada a ver com lutar contra terrorismo. E a NSA furtando dinheiro e outrossim sabotando sistemas financeiros não nomeados, o que poderá também representar ganho de vantagem industrial para os Estados Unidos.
Long-time readers of this report may have come to the realization that I’m not an ecstatic admirer of US foreign policy. But this stuff shocks even me. It’s the gross pettiness of “The World’s Only Superpower”.
Leitores de longa data deste relatório podem ter chegado ao entendimento de que não sou admirador entusiástico da política externa dos Estados Unidos. Essa notícia, porém, choca até a mim. É a mesquinhez repulsiva da  “Única Superpotência do Mundo”.
A careful search of the extensive Lexis-Nexis database failed to turn up a single American mainstream media source, print or broadcast, that mentioned this revelation. I found it only on those websites which carried my report, plus three other sites: Techdirt, Lawfare, and Crikey (First Digital Media).
Cuidadosa pesquisa da vasta base de dados Lexis-Nexis não logrou mostrar uma única fonte de mídia convencional estadunidense, impressa ou por transmissão, que mencionasse essa revelação. Só a encontrei em websites que publicam meu relatório, e mais três outros sites: Techdirt, Lawfare, e Crikey (First Digital Media).
For another very interesting and extreme example of bias by omission, as well as commission, very typical of US foreign policy coverage in the mainstream media: First read the January 31, page one, Washington Post article making fun of socialism in Venezuela and Cuba.
Para outro muito interessante e extremo exemplo de viés por omissão, bem como comissão, muito típico da cobertura da política externa dos Estados Unidos na mídia convencional: Leiam primeiro o artigo do Washington Post de 31 de janeiro, página um fazendo troça do socialismo na Venezuela e em Cuba.
Then read the response from two Americans who have spent a lot of time in Venezuela, are fluent in Spanish, and whose opinions about the article I solicited.
Em seguida leiam a resposta de duas estadunidenses que passaram muito tempo na Venezuela, são fluentes em espanhol, e cujas opiniões acerca do artigo eu solicitei.
I lived in Chile during the 1972-73 period under Salvadore Allende and his Socialist Party. The conservative Chilean media’s sarcastic claims at the time about shortages and socialist incompetence were identical to what we’ve been seeing for years in the United States concerning Venezuela and Cuba. The Washington Post article on Venezuela referred to above could have been lifted out of Chile’s El Mercurio, 1973.
Morei no Chile durante o período 1972-73 no governo de Salvador Allende e seu Partido Socialista. As afirmações sarcásticas da mídia chilena conservadora à época acerca de escassez e incompetência socialista eram idênticas ao que vimos vendo há anos nos Estados Unidos no concernente a Venezuela e Cuba. O artigo do Washington Post acerca da Venezuela referido acima poderia ter sido retirado do El Mercurio do Chile de 1973.
[Note to readers: Please do not send me the usual complaints about my using the name “America(n)” to refer to “The United States”. I find it to be a meaningless issue, if not plain silly.]
[Nota para os leitores: Por favor, não me enviem as reclamações usuais acerca de eu usar o nome “America(n)” para referir-me a “Os Estados Unidos”. Considero isso questão sem sentido, se não totalmente tola.]

1 comment:

  1. Sorry. Existe uma única América, dividida em norte, central e sul.

    ReplyDelete