Sunday, March 9, 2014

The Anti-Empire Report - “At last the world knows America as the savior of the world!” – President Woodrow Wilson, Paris Peace Conference, 1919


English
Português
William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #124
O Relatório Anti-Império No. 124
By William Blum – Published January 9th, 2014
Por William Blum – Publicado em 9 de janeiro de 2014
“At last the world knows America as the savior of the world!” – President Woodrow Wilson, Paris Peace Conference, 1919
“Por fim o mundo reconhece os Estados Unidos como o salvador do mundo!” – Presidente Woodrow Wilson, Conferência de Paz de Paris, 1919
The horrors reported each day from Syria and Iraq are enough to make one cry; in particular, the atrocities carried out by the al-Qaeda types: floggings; beheadings; playing soccer with the heads; cutting open dead bodies to remove organs just for mockery; suicide bombers, car bombs, the ground littered with human body parts; countless young children traumatized for life; the imposition of sharia law, including bans on music … What century are we living in? What millennium? What world?
Os horrores relatados cada dia a partir da Síria e do Iraque são o bastante para fazer qualquer pessoa chorar; em particular, as atrocidades cometidas pelos tipos al-Qaeda: chicoteamentos/espancamentos; decapitações; jogo de futebol com as cabeças; corpos cortados para remoção de órgãos apenas por escárnio; homens-bomba suicidas, carros carregados de bombas, o chão conspurcado por pedaços de corpos humanos; incontáveis crianças em tenra idade traumatizadas pelo resto da vida; imposição da lei sharia, inclusive proibição de música … Em que século estamos vivendo? Em que milênio? Em que mundo?
People occasionally write to me that my unwavering antagonism toward American foreign policy is misplaced; that as awful as Washington’s Museum of Horrors is, al-Qaeda is worse and the world needs the United States to combat the awful jihadists.
Pessoas ocasionalmente escrevem-me dizendo que meu antagonismo pertinaz em relação à política externa estadunidense está direcionada para o alvo errado; que, por mais pavoroso seja o Museu de Horrores de Washington, a al-Qaeda é pior e o mundo precisa dos Estados Unidos para combater os horrendos jihadistas.
“Let me tell you about the very rich,” F. Scott Fitzgerald famously wrote. “They are different from you and me.”
“Deixem-me contar a vocês algo acerca dos muito ricos,” escreveu, celebremente, F. Scott Fitzgerald. “Eles são diferentes de você e de mim.”
And let me tell you about American leaders. In power, they don’t think the way you and I do. They don’t feel the way you and I do. They have supported “awful jihadists” and their moral equivalents for decades. Let’s begin in 1979 in Afghanistan, where the Moujahedeen (“holy warriors”) were in battle against a secular, progressive government supported by the Soviet Union; a “favorite tactic” of the Moujahedeen was “to torture victims [often Russians] by first cutting off their nose, ears, and genitals, then removing one slice of skin after another”, producing “a slow, very painful death”. [Washington Post May 11, 1979; New York Times, April 13 1979]
E deixem-me contar algo a vocês acerca dos líderes estadunidenses. No poder, eles não pensam como você e eu. Eles não sentem do modo que vocês e eu sentimos.  Eles vêm apoiando “horrendos jihadistas” e seus equivalentes morais há décadas. Comecemos em 1979 no Afeganistão, onde os mujahidin (“guerreiros sagrados”) estavam em armas contra um governo secular progressista apoiado pela União Soviética;  “tática favorita” dos mujahidin era “torturar vítimas [amiúde russas] mediante primeiro cortar seus narizes, orelhas e órgãos genitais, e depois remover um pedaço de pele após outro”, produzindo “morte lenta, muito penosa”. [Washington Post 1o. de maio de 1979; New York Times, 13 de abril de 1979]
During this same period the United States was supporting the infamous Khmer Rouge of Cambodia; yes, the same charming lads of Pol Pot and The Killing Fields. [William Blum, “Rogue State: A Guide to the World’s Only Superpower” (2005), chapter 10]
No decorrer desse mesmo período os Estados Unidos estavam apoiando o execrável Khmer Rouge do Cambódia; sim, exatamente aqueles rapazes encantadores de Pol Pot e dos Campos de Extermínio. [William Blum, “Estado sem Escrúpulos: Guia para a Única Superpotência do Mundo” (2005), capítulo 10.]
President Carter’s National Security Adviser, Zbigniew Brzezinski, was a leading force behind the US support of both the Moujahedeen and the Khmer Rouge. What does that tell you about that American leader? Or Jimmy Carter – an inspiration out of office, but a rather different person in the White House? Or Nobel Peace Laureate Barack Obama, who chose Brzezinski as one of his advisers?
O Assessor de Segurança Nacional do Presidente Carter, Zbigniew Brzezinski, foi força preeminente por trás do apoio dos Estados Unidos tanto aos mujahedin quanto ao Khmer Rouge. O que isso diz a vocês acerca daquele líder estadunidense? Ou Jimmy Carter – uma inspiração fora do cargo, mas pessoa muito diferente na Casa Branca? Ou o Laureado com o Prêmio Nobel da Paz Barack Obama, que escolheu Brzezinski como um de seus assessores?
Another proud example of the United States fighting the awful jihadists is Kosovo, an overwhelmingly Muslim province of Serbia. The Kosovo Liberation Army (KLA) began an armed conflict with Belgrade in the early 1990s to split Kosovo from Serbia. The KLA was considered a terrorist organization by the US, the UK and France for years, with numerous reports of the KLA having contact with al-Qaeda, getting arms from them, having its militants trained in al-Qaeda camps in Pakistan, and even having members of al-Qaeda in KLA ranks fighting against Serbia. [RT TV (Russia Today, Moscow), May 4, 2012] But Washington’s imperialists, more concerned about dealing a blow to Serbia, “the last communist government in Europe”, supported the KLA.
Outro eminente exemplo do combate, pelos Estados Unidos, aos horrendos jihadistas é Kosovo, província esmagadoramente muçulmana da Sérvia. O Exército de Libertação da Kosovo (KLA) começou conflito armado com Belgrado nos primeiros anos dos 1990 para separar a Kosovo da Sérvia. O KLA foi considerado organização terrorista pelos Estados Unidos, pelo Reino Unido e pela França durante anos, com numerosos relatos do KLA ter tido contato com a al-Qaeda, obtendo armas dela, tendo seus militantes treinados em campos da al-Qaeda no Paquistão, e até tendo membros da al-Qaeda em fileiras do KLA em combate contra a Sérvia. [ RT TV (Russia Today, Moscou), 4 de maio de 2012] Os imperialistas de Washington, contudo, mais preocupados com desfecharem golpe na Sérvia,  “o último governo comunista na Europa”, apoiaram o KLA.
The KLA have been known for their torture and trafficking in women, heroin, and human body parts (sic). [Associated Press, December 14, 2010] The United States has naturally been pushing for Kosovo’s membership in NATO and the European Union.
O KLA tem sido conhecido por sua prática de tortura e por tráfico de mulheres, heroína e órgãos do corpo humano (sic). [Associated Press, 14 de dezembro de 2010] Os Estados Unidos vêm naturalmente pressionado por ingresso da Kosovo na OTAN e na União Europeia.
More recently the US has supported awful jihadists in Libya and Syria, with awful consequences.
Mais recentemente os Estados Unidos vêm apoiando horrendos jihadistas em Líbia e Síria, com pavorosas consequências.
It would, moreover, be difficult to name a single brutal dictatorship of the second half of the 20th Century that was not supported by the United States; not only supported, but often put into power and kept in power against the wishes of the population. And in recent years as well, Washington has supported very repressive governments, such as Saudi Arabia, Honduras, Indonesia, Egypt, Colombia, Qatar, and Israel.
Seria, ademais, difícil mencionar uma única ditadura brutal da segunda metade do século 20 que não tenha sido apoiada pelos Estados Unidos; não apenas apoiada, mas amiúde posta no poder e mantida no poder contra os desejos da população. E, bem assim em anos recentes, Washington tem apoiado governos muito repressores, tais como os de Arábia Saudita, Honduras, Indonésia, Egito, Colômbia, Catar e Israel.
Not exactly the grand savior our sad old world is yearning for. (Oh, did I mention that Washington’s policies create a never-ending supply of terrorists?)
Não exatamente o grande salvador pelo qual nosso triste mundo vem ansiando.  (Oh, terei já mencionado que as políticas de Washington criam suprimento inesgotável de terroristas?)
And what do American leaders think of their own record? Former Secretary of State Condoleezza Rice was probably speaking for the whole private club when she wrote that in the pursuit of its national security the United States no longer needed to be guided by “notions of international law and norms” or “institutions like the United Nations” because America was “on the right side of history.” [Foreign Affairs (Council on Foreign Relations), January/February 2000 issue]
E o que pensam os líderes estadunidenses de seu próprio histórico? A ex-Secretária de Estado Condoleezza Rice provavelmente estava falando em nome de todo o clube privado quando escreveu que, na busca de sua segurança nacional, os Estados Unidos não mais precisavam ser guiados por “noções de lei e normas internacionais” ou “instituições como as Nações Unidas” porque os Estados Unidos estavam “do lado certo da história.” [Foreign Affairs (Conselho de Relações Exteriores), edição de janeiro/fevereiro de 2000]

1 comment:

  1. Brilliant and brave William Blum and a great translation!!

    ReplyDelete