Sunday, March 2, 2014

C4SS - Governance, Agency and Autonomy: Anarchist Themes in the Work of Elinor Ostrom - Pages 35-38



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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Governance, Agency and
Autonomy: Anarchist Themes in the Work of Elinor Ostrom
Governança, Agência e Autonomia: Temas Anarquistas na Obra de Elinor Ostrom
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 16 (Second Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 16 (Segundo Semestre de 2013)
realistic assessments of the many projects designed by donor and host government staff repeatedly reveal unintended negative outcomes. Evaluations show that the projects have increased or reinforced the overcentralization of recipient countries' governments, were poorly designed (given local circumstances), and generated inappropriately large debt burdens for the recipient countries. How is it possible for highly motivated, hard-working people who sincerely want to improve conditions in these recipient countries to be repeatedly involved in the design and implementation of projects that do not accomplish this goal?  64
avaliações realistas dos muitos projetos concebidos por pessoal de governo doador e anfitrião repetidamente revelam resultados negativos involuntários. Avaliações mostram que os projetos aumentaram ou reforçaram a centralização excessiva dos governos dos países recipientes, foram mal concebidos (dadas as circunstâncias locais) e geraram ônus impropriamente grandes de dívida para os países recipientes. Como é possível que pessoas altamente motivadas, diligentes, com sincero desejo de melhorar as condições daqueles países recipientes, sejam repetidamente envolvidas em concepção e implementação de projetos que não concretizem tal meta?  64
Ostrom points to several quite plausible structural factors, some of them which would cause readers of James Scott's work to smile and nod. The U.S. Congressional mandate to spend a certain portion of foreign aid on purchases of American-made equipment create, to some extent, a structural bias in favor of projects involving heavy equipment.65 The fiscal incentives all government agencies face, of spending this year's entire budget by the end of the year in order to secure the same levels of funding next year, creates a bias toward a smaller number of expensive projects that can be processed quickly by a limited staff.66 And the need for what Scott would call “legibility” results, given political pressure to reduce embarrassing levels of skimming off the top by local officials in recipient countries, in a focus on large-scale projects for the sake of reduced monitoring costs. 67
Ostrom aponta diversos fatores estruturais bastante plausíveis, alguns dos quais levariam leitores da obra de James Scott a sorrir e a acenar com a cabeça em aquiescência. A determinação do Congresso dos Estados Unidos de gasto de determinada parcela da ajuda externa em compra de equipamento fabricado nos Estados Unidos cria, em certa medida, viés estrutural em favor de projetos envolvendo equipamento pesado.65 Os incentivos fiscais  proporcionados a todos os órgãos de governo, de gastar o orçamento inteiro deste ano até o fim do ano para assegurar o mesmo grau de financiamento no ano seguinte, cria viés no sentido de número menor de projetos dispendiosos que possam ser processados rapidamente por pessoal limitado.66 E a necessidade do que Scott chamaria de “legibilidade” resulta, dada pressão política para redução de níveis constrangedores de corrupção financeira por parte de autoridades locais dos países recipientes, em foco em projetos de larga escala para efeito de redução de custos de acompanhamento. 67
The problem is that Ostrom posits all these entirely valid and plausible factors as an alternative to “conspiracy theories.” One doesn't have to visualize World Bank policy wonks literally twirling their mustaches like Snidely Whiplash, or saying with Milton's Lucifer “Evil be thou my good,” in order to see them as actively and enthusiastically serving the interests of global corporate capital. Sincerely promoting some vision of the “general welfare,” as they see it, is perfectly compatible with having internalized an ideology in which the present system is natural and inevitable, and the only feasible alternative for organizing human society.
O problema é que Ostrom postula todos esses fatores inteiramente válidos e plausíveis como alternativa a “teorias da conspiração.” Ninguém terá que visualizar caxias das políticas do Banco Mundial retorcendo literalmente seus bigodes como Snidely Whiplash, ou dizendo, com o Lúcifer de Milton, “O mal será meu bem,” para vê-los como servindo ativa e entusiasticamente aos interesses do capital corporativo global. Promover sinceramente alguma imagem mental futura do “bem-estar geral,” como o entendem, é perfeitamente compatível com o haverem internalizado ideologia na qual o sistema presente é natural e inevitável, e a única alternativa viável para organização da sociedade humana.
And the neoliberal institutions that coordinate foreign aid are guided by an ideology in which the most efficient model of development—indeed, the only one conceivable by right-thinking people—is large-scale capital-intensive industry and large-scale, mechanized, chemical-intensive, export-oriented agriculture.
E as instituições neoliberais que coordenam a ajuda externa são guiadas por uma ideologia na qual o mais eficiente modelo de desenvolvimento — na verdade, o único concebível por pessoas de pontos de vista e princípios são — é o de indústria de larga escala de capital intensivo e de agricultura de larga escala mecanizada, com utilização intensiva de produtos químicos e orientada para exportação.
64 Ibid., pp. 156-157.
64 Ibid., pp. 156-157.
65 Ibid., p. 157.
65 Ibid., p. 157.
66 Ibid., p. 157.
66 Ibid., p. 157.
67 Ibid., p. 159.
67 Ibid., p. 159.
We're All Humans Here. In all her work, Ostrom never lost sight of one central truth: collective institutions, whether they're called governments, corporations, or commons, are all framed from the same crooked human timber. Advocates of government activity and critics/skeptics of anarchism, all too often, simply assume a level of omniscience on the part of the state that's denied to the state, or handwave away the actual problem of detecting and punishing infractions. For example, those who are skeptical about anarchism ask the supposedly telling question of how a stateless society would prevent something like the Deepwater Horizons oil spill—without stopping to consider whether the EPA and its regulations in our actual statist society managed to prevent it.
Somos Todos Humanos Neste Mundo. Em toda sua obra, Ostrom nunca perdeu de vista uma verdade central: instituições coletivas, sejam elas chamadas governos, corporações, ou comuns, são todas construídas com a mesma madeira empenada humana. Defensores da atividade do governo e críticos/céticos em relação ao anarquismo, com demasiada frequência, simplesmente assumem nível de onisciência por parte do estado que o estado não consegue ter, ou desconversam do problema real de detectar e punir infrações. Por exemplo, os céticos em relação ao anarquismo suscitam a pretensamente importante pergunta a respeito de como uma sociedade sem estado impediria algo como a explosão da plataforma de petróleo da Deepwater Horizons — sem parar para cogitar de se a Agência de Proteção Ambiental - EPA e suas regulamentações em nossa sociedade estatista real conseguiram impedi-la.
Giving an official name to the collectivity does nothing to alter the fact that it's just a bunch of human beings doing stuff together. And they don't cease to be fallible, limited in perspective, and influenced by self-interest just because they have official titles or claim to be working in the name of the public or the shareholders.
Dar nome oficial à coletividade nada faz para alterar o fato de que se trata de apenas grupo de seres humanos atuando conjuntamente. E que não deixam de ser falíveis, de ter perspectiva limitada, e de ser influenciados por interesses próprios só pelo fato de ostentarem títulos oficiais ou asseverarem estar trabalhando em nome do público ou dos acionistas.
Obviously, I do not know if these appropriators reached optimal solutions to their problems. I strongly doubt it. They solved their problems the same way that most individuals solve difficult and complex problems: as well as they were able, given the problems involved, the information they had, the tools they had to work with, the costs of various known options, and the resources at hand. 68
Obviamente não sei se esses apropriadores atingiram soluções ótimas para seus problemas. Duvido muito. Eles resolveram seus problemas do mesmo modo que a maioria dos indivíduos resolve problemas difíceis e complexos: tão bem quanto possa, dados os problemas envolvidos, as informações disponíveis, as ferramentas com as quais trabalhar, os custos das várias opções conhecidas, e os recursos à mão. 68
Resource users are explicitly thought of [in mainstream conservation policy literature] as rational agents who plunder local resources so as to maximize their own short-term benefits. Government officials are implicitly depicted, on the other hand, as seeking the more general public interest, having the relevant information at hand, and the capability of designing optimal policies....
Usuários de recursos são explicitamente vistos [na literatura de políticas convencionais de conservação] como agentes racionais que pilham recursos locais a fim de maximizarem seus próprios benefícios de curto prazo. As autoridades do governo são implicitamente retratadas, por outro lado, como buscando o interesse público mais geral, tendo as informações relevantes à mão, e a capacidade de conceber políticas as melhores possíveis....
One should not, however, presume that all government officials are “saints” while assuming that all resource users are “sinners.” Nor should we presume that officials have all the relevant knowledge to manage complex dynamic systems while local appropriators are ignorant. The knowledge base of government officials may not, in reality, be better than that of local
Não se deveria, porém, presumir que todas as autoridades do governo sejam “santas” assumindo, ao mesmo tempo, que todos os usuários de recursos sejam “pecadores.” Nem deveríamos presumir que as autoridades tenham todo conhecimento relevante para administração de sistemas complexos dinâmicos, e apropriadores locais sejam ignorantes. A base de conhecimento das autoridades do governo poderá não ser, em realidade, melhor do que a dos apropriadores locais
68 Ostrom, Governing the Commons, p. 56.
68 Ostrom, Do Governar os Comuns, p. 56.
appropriators who have used a particular resource for years and know its characteristics in considerable detail. Even when the knowledge base is similar, no guarantee exists that government officials (or the researchers who advise them) will use available information to make efficient and/or sustainable decisions.69
que venham usando recurso específico há anos e conheçam suas características em considerável pormenor. Mesmo quando a base de conhecimento seja similar, nenhuma garantia existe de que as autoridades do governo (ou pesquisadores que as assessorem) usarão a informação disponívei para tomar decisões eficientes e/ou sustentáveis.69
BIBLIOGRAPHY - BIBLIOGRAFIA
Kevin Carson. Legibility and Control: Themes in the Work of James C. Scott. Center for a Stateless Society Paper No. 12 (Winter/Spring 2011) .
William Gillis. “The Retreat of the Immediate” Center for a Stateless Society, November 17, 2013 .
Sanford J. Grossman and Oliver D. Hart. “The Costs and Benefits of Ownership: A Theory of Vertical and Lateral Integration” Journal of Political Economy 94:4 (1986).
Edward S. Greenberg. “Producer Cooperatives and Democratic Theory.” In Jackall and Levin, eds., Worker Cooperatives in America (University of California Press, 1986).
Bonnie J. McCay, James M. Acheson, eds. The Question of the Commons: The Culture and Ecology of Communal Resources. GF49 .Q47 1987
Elinor Ostrom. "Building Trust to Solve Commons Dilemmas: Taking Small Steps to Test an Evolving Theory of Collective Action" Workshop in Political Theory and Policy Analysis Indiana University. Center for the Study of Institutional Diversity (Arizona State University, 2008).
Ostrom. Governing the Commons: The Evolution of Institutions for Collective Action (Cambridge University Press, 1990).
Ostrom. "Neither Market Nor State: Governance of Common-Pool Resources in the Twenty-first Century" Lecture presented June 2, 1994 at the International Food Policy Research Institute, Washington, D.C.
Ostrom. Understanding Institutional Diversity (Princeton and Oxford: Princeton University Press, 2005).
Ostrom and Charlotte Hess. Private and Common Property Rights" Workshop in Political Theory and Policy Analysis, Indiana University W07-25 11/29/07.
69 Ostrom, Understanding Institutional Diversity, p. 238.
Ostrom, Larry Schroeder and Susan Wynne. Institutional Incentives and Sustainable Development: Infrastructure Policies in Perspective (Boulder, San Francisco, Oxford: Westview Press, 1993).

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