Wednesday, February 19, 2014

C4SS - Governance, Agency and Autonomy: Anarchist Themes in the Work of Elinor Ostrom - Pages 19-22


ENGLISH
PORTUGUÊS
Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Governance, Agency and
Autonomy: Anarchist Themes in the Work of Elinor Ostrom
Governança, Agência e Autonomia: Temas Anarquistas na Obra de Elinor Ostrom
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 16 (Second Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 16 (Segundo Semestre de 2013)
Of course, individuals start out with more innate inclination toward cooperation than game theory would predict. Ostrom echoes Kropotkin's cooperative take on evolutionary psychology in this regard:
Obviamente os indivíduos já começam com inclinação mais inata para a cooperação do que a teoria dos jogos prevê. Ostrom, no tocante a esse aspecto, faz eco à abordagem de Kropotkin da psicologia evolutiva:
Human evolution occurred mostly during the long Pleistocene era that lasted for about 3 million years to about 10,000 years ago. During this era, humans roamed the earth in small bands of hunter-gatherers who were dependent on each other for mutual protection, sharing food, and providing for the young. Survival was dependent not only on aggressively seeking individual returns but also on solving many day-to-day collective action problems. Those of our ancestors who solved these problems most effectively and learned how to recognize who was deceitful and who was a trustworthy reciprocator had a selective advantage over those who did not.... Humans have acquired well-honed skills at facial recognition and strong abilities to detect cheating. Research provides evidence that humans keep rough internal accounts—both in regard to goodwill... and threats.... 35
A evolução humana ocorreu principalmente durante a longa era do Pleistoceno, que durou cerca de 3 milhões de anos, findando há cerca de 10.000 anos atrás. No decorrer desse período, os seres humanos perambulavam pela terra em pequenos bandos de caçadores-segadores que dependiam uns dos outros para efeito de proteção mútua, partilha de comida, e manutenção da prole. A sobrevivência dependia não apenas de busca agressiva de resultados mas, também, de solução de muitos problemas cotidianos de ação coletiva. Aqueles de nossos ancestrais que resolveram esses problemas mais eficazmente e aprenderam a reconhecer quem estava trapaceando e quem era reciprocador fidedigno tiveram vantagem seletiva em relação aos que não o fizeram.... Os seres humanos foram adquirindo capacidade cada vez mais aperfeiçoada de reconhecimento facial e aguda habilidade de detecção de trapaça. Pesquisa proporciona evidência de que os seres humanos mantêm contabilidade interna tosca — tanto para registrar espírito de cooperação... quanto ameaças.... 35
On top of this, behavior also evolves on a Lamarckian pattern, with successful strategies quickly catching on and being propagated culturally. 36
Além disso, o comportamento também evolui segundo padrão lamarckiano, com estratégias bem-sucedidas rapidamente popularizando-se e sendo propagadas culturalmente. 36
Individuals are also more likely to behave cooperatively, and to formulate a sustainable set of governance rules, if they are engaged in an ongoing relationship in which present defection has future consequences and confidence increases from continued interaction, rather than in a one-off exchange with people they'll never see again. The outcomes of Prisoner's Dilemma games vary a great deal, depending on “whether the participants are engaged in a one-time encounter or over an indefinitely long sequence of plays.” 37
Os indivíduos também exibem maior probabilidade de comportar-se cooperativamente, e de formular conjunto sustentável de regras de governança, se estiverem envolvidos em relacionamento permanente no qual defecção presente tenha consequências futuras e a confiança aumente com interação contínua, em vez de câmbio único com pessoas que nunca verão de novo. Os desfechos dos jogos do Dilema do Prisioneiro variam muito, dependendo de “se os participantes estão envolvidos em experiência única ou em sequência indefinidamente longa de lances.” 37
The issue isn't simply whether states are necessary for creating cooperative governance systems. The model of corporate capitalism promoted by modern states, arguably, fosters levels of centralization, atomization and anonymity that directly undermine the conditions required for stable local governance rule systems, and are instead conducive to individual adoption of rational egoist strategies at the expense of more cooperative ones.
A questão não é simplesmente se os estados são necessários ou não para a criação de sistemas cooperativos de governança. O modelo de capitalismo corporativo promovido pelos estados modernos, possivelmente, promove níveis de centralização, atomização e anonimato que erodem diretamente as condições requeridas para sistemas de regras de governança locais estáveis e são conducentes, isso sim, a adoção individual de estratégias egoístas racionais a expensas das mais cooperativas.
35 Ibid., p. 125.
35 Ibid., p. 125.
36 Ibid, pp. 126-127.
36 Ibid, pp. 126-127.
37 Ibid, p. 53.
37 Ibid, p. 53.
As William Gillis put it, “States create game theoretic environments around their peripheries that suppress cooperation and reward antisocial strategies.” 38
Nas palavras de William Gillis, “Os estados criam ambientes teoréticos de jogo em torno de suas periferias que suprimem a cooperação e recompensam estratégias antissociais.” 38
The social capital embodied in self-organized governance systems takes generations of lived experience to build up, and can be quickly dissipated when state policies are destructive to it.
O capital social incorporado nos sistemas auto-organizados de governança leva gerações de experiência vivida para ser construído, e pode ser rapidamente dissipado quando políticas do estado são destrutivas em relação a ele.
The shared cognitive aspects of social capital help to account for two of its unusual characteristics that differ from those of physical capital. First, social capital does not wear out the more it is used. It may, in fact, improve with use so long as participants continue to keep prior commitments. Using social capital for an initial purpose creates mutual understanding and ways of relating that can frequently be used to accomplish entirely different joint activities at much lower start-up costs. It is not that learning curves for new activities disappear entirely. Rather, one of the steepest sections of a learning curve—learning to make commitments and to trust one another in a joint undertaking--has already been surmounted. A group that has learned to work effectively together in one task can take on other similar tasks at a cost in time and effort that is far less than bringing an entirely new group together who must learn everything from scratch. The fungibility of social capital is, of course, limited to broadly similar activities. No tool is useful for all tasks. Social capital that is well adapted to one broad set of joint activities may not be easily molded to activities that require vastly different patterns of expectation, authority, and distribution of rewards and costs than those used in the initial activities.
Os aspectos cognitivos compartidos do capital social ajudam a dar conta de duas de suas características inusitadas que diferem das do capital físico. Primeiro, o capital social não se exaure quanto mais seja usado. Ele pode, em realidade, melhorar com o uso desde que os participantes continuem a manter compromissos anteriores. O uso do capital social para propósito inicial cria entendimento mútuo e maneiras de relacionamento que podem amiúde ser usados para realizar atividades conjuntas inteiramente diferentes com custos iniciais muito mais baixos. Não é que as curvas de aprendizagem para novas atividades desapareçam inteiramente. Antes, uma das secções mais íngremes da curva de aprendizagem — aprender a assumir compromissos e ganhar confiança mútua em empreendimento conjunto -- já foi superada. Grupo que tenha aprendido a trabalhar eficazmente em conjunto em uma tarefa poderá empreender outras tarefas similares com custo, em tempo e esforço, muito menor do que o de formar grupo inteiramente novo que precise aprender tudo a partir de zero. A fungibilidade do capital social está, obviamente, limitada a atividades de modo geral similares. Nenhuma ferramenta é útil para todas as tarefas. O capital social bem adaptado a determinado conjunto amplo de atividades conjuntas poderá não ser facilmente moldável a atividades que requeiram padrões vastamente diferentes de expectativa, autoridade e distribuição de recompensas e custos dos daqueles usados nas atividades iniciais.
Second, if unused, social capital deteriorates at a relatively rapid rate. Individuals who do not exercise their own skills can lose human capital relatively rapidly. When several individuals must all remember the same routine in the same manner, however, the probability that at least one of them forgets some aspect increases rapidly over time. Further, as time goes on, some individuals leave and others enter any social group. If newcomers are not introduced to an established pattern of interaction as they enter (through job training, initiation, or any of the myriad of other ways that social capital is passed from one generation to
Segundo, se não usado, o capital social deteriora-se em ritmo relativamente rápido. Indivíduos que não exerçam suas próprias habilidades poderão perder capital humano relativamente depressa. Quando porém diversos indivíduos tenham que todos lembrar a mesma rotina do mesmo modo, a probabilidade de que pelo menos um deles se esqueça de algum aspecto aumenta rapidamente ao longo do tempo. Ademais, à medida que o tempo passe, alguns indivíduos sairão e outros entrarão em qualquer grupo social. Se os novatos não forem apresentados a padrão estabelecido de interação ao ingressarem (por meio de treinamento na atividade, iniciação, ou qualquer dos outros modos da miríade pela qual o capital social é passado de geração para
38 William Gillis, “The Retreat of the Immediate,” Center for a Stateless Society, November 17, 2013 .
38 William Gillis, “A Retirada do Imediato,” Centro por uma Sociedade sem Estado, 17 de novembro de 2013.
the next), social capital can dissipate through nonuse. Then no one is quite sure how a particular joint activity used to be done. Either the group has to pay some of the start-up costs all over again or forgo the joint advantages that they had achieved at an earlier time.39
a próxima), o capital social poderá dissipar-se via não uso. Portanto ninguém está totalmente seguro acerca de como determinada atividade conjunta  costumava ser feita. O grupo terá ou de pagar de novo parte dos custos iniciais ou de abdicar das vantagens conjuntas conseguidas em ocasião anterior.39
Authority, Legibility and Authoritarian High Modernism: Paging James Scott. According to Ostrom, most of the literature is “silent” on questions involving the factors that influence the adoption of common pool resource governance rules by appropriators, “since the presumption is made in this literature that making policies is what government officials, rather than those who are directly affected by problems, do.” 40
Autoridade, Legibilidade e Alto Modernismo Autoritário: Paginação de James Scott. De acordo com Ostrom, a maior parte da literatura é “silente” quanto a questões envolvendo os fatores que influenciam a adoção de regras de governança de recurso de repositório comum por apropriadores, “visto ser feita presunção, nessa literatura, de que formular políticas é algo feito por autoridades do governo, e não por aqueles diretamente afetados pelos problemas.” 40
Unfortunately—from the perspective of government officials, anyway—the kinds of policies made by government officials rather than those directly affected by problems almost always result in stupidity, irrationality and suboptimality. In fact this is true of all situations—including decisions by corporate management—in which authority-based rules override the judgment of those in direct contact with a situation.
Infelizmente — da perspectiva das autoridades do governo, em todo caso — os tipos de políticas formuladas pelas autoridades do governo em vez de por aqueles diretamente afetados pelos problemas quase sempre resultam em disparate, irracionalidade e subotimalidade. Com efeito, isso é verdade em todas as situações —inclusive decisões da gerência corporativa — nas quais as regras baseadas em autoridade sobrepujam o juízo daqueles em contato direto com situação.
Ostrom cites a wide range of studies showing that “national government agencies have been notably unsuccessful in their efforts to design effective and uniform sets of rules to regulate important common-pool resources across a broad domain,” including government policies of nationalizing forests, fisheries, etc., previously governed by local user-groups.41 Many newly-independent developing countries nationalized land and water resources in the period from the 1950s through the 1970s, with disappointing results.
Ostrom cita amplo espectro de estudos os quais mostram que “órgãos do governo nacional têm sido notavelmente malsucedidos em seus esforços para projetar conjuntos de regras eficazes e uniformes para regulamentar importantes recursos de repositório comum cruzando amplo domínio,” inclusive políticas de governo de nacionalização de florestas, pesqueiros etc., previamente administrados por grupos de usuários locais.41 Muitos países recentemente indepedentes em desenvolvimento nacionalizaram recursos de terra e água no período dos anos 1950 aos anos 1970, com resultados decepcionantes.
The institutional arrangements that  local  resource  users had devised to limit entry and use lost their legal standing. The national governments that assumed these new and difficult tasks lacked adequate funds and personnel to monitor resource use effectively. They frequently turned to private forestry firms to gain revenue from these resources. Governments in these countries wanted  to  convert  common-pool  resources  to  a  de  jure government-property regime, but their actions frequently resulted in de facto open-access regimes.... The incentives of an open-access  commons  were  accentuated  since  local  users  had
Os esquemas institucionais que usuários locais de recursos haviam concebido para limitar ingresso e uso perderam sua legitimidade ativa. Os governos nacionais que assumiram essas novas e difíceis tarefas não dispunham de fundos e pessoal adequados para acompanhar de maneira eficaz o uso dos recursos. Frequentemente recorreram a firmas privadas de silvicultura para obterem receita oriunda desses recursos. Os governos desses países queriam converter recursos de repositório comum a regime de jure de propriedade governamental, mas suas ações amiúde resultaram em regimes de facto de acesso irrestrito.... Os incentivos para comum de acesso irrestrito foram acentuados, visto aos usuários locais ter sido
39. Ostrom, “Neither Market Nor State,” p. 21.
39. Ostrom, “Nem Mercado Nem Estado,” p. 21.
40. Ostrom, Understanding Institutional Diversity, p. 220.
40. Ostrom, Entendimento de Diversidade Institucional, p. 220.
41. Ibid., p. 221.
41. Ibid., p. 221.
specifically been told that they would not receive the long-term benefits of their own costly stewardship efforts.42
dito especificamente que não receberiam os benefícios de longo prazo de seus próprios dispendiosos esforços de gerência.42
As concern for the protection of natural resources mounted during the 1960s, any developing countries nationalized all land and water resources that had not yet been recorded as private property. The institutional arrangements that local users had devised to limit entry and use lost their legal standing, but the national governments lacked monetary resources and personnel to monitor the use of these resources effectively. Thus, resources that had been under a de facto common-property regime enforced by local users were converted to a de jure government-property regime, but reverted to a de facto open-access regime. When resources that were previously controlled by local participants have been nationalized, state control has usually proved to be less effective and efficient than control by those directly affected, if not disastrous in its consequences.... The harmful effects of nationalizing forests that had earlier been governed by local user groups have been well documented for Thailand..., Nepal... and India.... Similar results have occurred in regard to inshore fisheries taken over by state or national agencies from local control by the inshore fishermen themselves.... 43
Ao a preocupação com proteção de recursos naturais aumentar nos anos 1960, alguns países em desenvolvimento nacionalizaram todo recurso de terra e água que não havia ainda sido registrado como propriedade privada. Os esquemas institucionais que usuários locais haviam concebido para limitar entrada e uso perderam sua legitimidade ativa, mas aos governos faltavam recursos monetários e pessoal para acompanhar eficazmente o uso desses recursos. Em decorrência, recursos que haviam estado sob regime de facto de propriedade comum feito cumprir por usuários locais foram convertidos para regime de jure de propriedade do governo, mas revertidos a regime de facto de acesso irrestrito. Quando recursos previamente controlados por participantes locais foram nacionalizados, o controle pelo estado usualmente revelou-se menos eficaz e eficiente do que o controle pelos diretamente afetados, se não desastroso em suas consequências.... Os efeitos prejudiciais de nacionalização de florestas que haviam antes sido geridas por grupos de usuários locais já foi bem documentado no tocante a Tailândia..., Nepal... e Índia.... Resultados similares ocorreram em relação a pesqueiros próximos da costa assumidos pelo estado ou por órgãos nacionais em substituição a controle local pelos próprios pescadores costeiros.... 43
Two things are worth noting here. First, authority relations create both knowledge and incentive problems that result from faulty internalization. The main effect of authority is to decouple decision-making power both from situational knowledge and from experiencing the consequences of the decision. This stands to reason, since power is by definition the ability to override the judgment of others, shift costs onto others, and appropriate benefits for oneself. Depriving commoners of the benefits of wise stewardship of a common-pool resource destroys their inventive to effectively monitor and enforce use.
Duas coisas, aqui, são dignas de nota. Primeiro, as relações de autoridade criam problemas tanto de conhecimento quanto de incentivo, resultantes de internalização falha. O principal efeito da autoridade é dissociação do poder de tomada de decisão tanto do conhecimento situacional quanto da experiência das consequências da decisão. Isso salta à vista, visto que o poder é, por definição, a capacidade de suprimir o juízo de outrem, canalizar custos para outrem, e apropriar benefícios para si próprio. Privar usuários de comuns dos benefícios de gerência competente de recurso de repositório comum destrói sua inventividade no tocante a acompanhamento e ao fazer cumprir as regras de uso.
This leads us to the second note-worthy point: policies adopted by those in authority frequently reflect a zero-sum relationship between their interests and those over whom they exercise authority, in which the practical effect of a policy—despite its framing and ideological legitimization in terms of
Isso leva-nos ao segundo ponto digno de nota: políticas adotadas por aqueles em posição de autoridade amiúde refletem relação de soma zero entre os interesses deles e os daqueles sobre os quais eles exercem autoridade, na medida em que o efeito prático de uma política — a despeito da forma em que ela elaborada e de sua legitimação ideológica em termos de
42 Ibid., pp. 221-222.
42 Ibid., pp. 221-222.
43 Elinor Ostrom and Charlotte Hess. Private and Common Property Rights" Workshop in Political Theory and Policy Analysis, Indiana University W07-25 11/29/07, pp. 7-8.
43 Elinor Ostrom e Charlotte Hess. "Direitos de Propriedade Privados e Comuns" Workshop em Teoria Política e Análise Política, Universidade de Indiana W07-25 29/11/2007, pp. 7-8.

No comments:

Post a Comment