Tuesday, February 4, 2014

C4SS - Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology - Pages 55-60



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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology
Destruição da Casa do Senhor Com as Ferramentas do Senhor: Algumas Notas acerca da Teoria Libertária da Ideologia
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 15 (First Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 15 (Primeiro Semestre de 2013)
class compromise look. With this development, crisis tendencies shift, of course, from the economic into the administrative system. 148
compromisso de classe serão delineados. Com esse desdobramento, as tendências da crise deslocam-se do sistema econômico para o administrativo. 148
The more visible force becomes, the more the system is seen as an extension of the will of those who govern it, the more its legitimacy is undermined in the view of the public. And as James Scott notes, the more a system is compelled to resort to open force in order to secure obedience, rather than eliciting obedience as a response to a natural state of affairs, the less the values of the system are internalized—and hence the more dependent the system becomes on open coercion and intimidation for its stability. 149
Quanto mais visível se torne a força, quanto mais o sistema seja visto como extensão da vontade daqueles que o governam, mais sua legitimidade se verá solapada perante a visão do público. E, como observa James Scott, quanto mais sistema seja compelido a recorrer à força escancarada a fim de assegurar obediência, em vez de extrair obediência como reação a estado de coisas natural, menos os valores do sistema serão internalizados — e portanto mais dependente o sistema se tornará de coerção e intimidação abertas para sua estabilidade. 149
A system that depends on open shows of force or constant surveillance to coerce obedience from a population that does not recognize its legitimacy is an extremely costly and inefficient system. That's why slavery was such an inefficient method for extracting surplus labor. In the American south, “the semiclandestine culture of the slaves encouraged and celebrated theft from the masters and morally reproved any slave who would dare expose such a theft....” 150
Sistema que dependa de exibições escancaradas de força ou de vigilância constante para coagir a obediência população que não reconheça sua legitimidade tornar-se-á extremamente dispendioso e ineficiente. Eis porque a escravidão era método tão ineficiente de extração de labor excedente. No sul estadunidense, “a cultura semiclandestina dos escravos estimulava e aprovava furtar dos senhores e reprovava  moralmente qualquer escravo que ousasse tornar público tal furto....” 150
And when such deligitimization and consequent increased need for surveillance is combined with increased opacity to surveillance, the situation for the ruling class becomes very dangerous indeed.
E quando tal deslegitimação e consequente aumento de necessidade de vigilância seja  conjugado com crescente opacidade a vigilância, a situação da classe dominante torna-se com efeito muito perigosa.
When the legitimating ideology serves to maintain ruling class morale and espirit de corps, such contrast may undermine their own cohesion. Vinay Gupta has argued that the capitalist security state cannot afford to be honest with itself—to operate in the full knowledge of what its real goals are —because the true nature of those goals is too abhorrent. As a result, most subordinates within the state repression apparatus operate with the protective blinders of cognitive dissonance, relying on official doctrines about promoting “peace and freedom” around the world to conceal the truth of enforcing global corporate rule through drone assassinations, repressive states and death squads. An evil cause will be weakened by cognitive dissonance among its functionaries.
Quando a ideologia legitimadora serve para manter o moral da classe dominante e seu espirit de corps, tal contraste pode solapar sua própria coesão. Vinay Gupta argumentou que o estado de segurança capitalista não se pode permitir ser honesto consigo próprio — funcionar com pleno conhecimento de quais são seus verdadeiros objetivos — porque a real natureza desses objetivos é demasiado abominável. Em decorrência, a maior parte dos subalternos dentro do aparato de repressão do estado funciona com venda protetora contra dissonância cognitiva, recorrendo a doutrinas oficiais acerca de promover “paz e liberdade” em todo o mundo para esconder a verdade de impor domínio corporativo mundial por meio de assassínios via aviões não tripulados [drones], estados repressores e esquadrões da morte. Qualquer causa malévola será enfraquecida por dissonância cognitiva entre seus funcionários.
By stripping away this protective cover, and confronting lower- level state functionaries with the real nature of the system of power they serve, we
Mediante removermos essa coberta protetora, e expormos a funcionários de nível mais baixo do estado a real natureza do sistema de poder ao qual eles servem,
148 Jurgen Habermas, Legitimation Crisis (Polity Press, 1988), p. 68.
149 Scott, Domination and the Art of Resistance, pp. 109-110.
150 Ibid., p. 188.
148 Jurgen Habermas, Crise de Legitimação (Polity Press, 1988), p. 68.
149 Scott, Dominação e a Arte da Resistência, pp. 109-110.
150 Ibid., p. 188.
can undermine the security state’s morale and cohesion.
poderemos minar o moral e a coesão do estado de segurança.
The Bolshevik victory in Petrograd was sealed when the Winter Palace Guards defected. Throughout its history, the U.S. military has been plagued by soldiers firing over the heads of their enemies. Even firing squads must be issued one blank round so each member can reassure himself it wasn’t him that killed the prisoner.This isn’t just history. As you may recall, a fairly large number of NYPD officers called in sick on the day “Bloomberg’s army” shut down the Zuccotti Park encampment. We see a proliferation of groups like Oath-Keepers and Occupy Police whose members are clearly less than single-minded in their allegiance to the regime.
A vitória bolchevique em Petrogrado foi selada quanto os Guardas do Palácio de Inverno desertaram. Ao longo de sua história, a instituição militar dos Estados Unidos sempre foi flagelada por soldados atirando acima das cabeças de seus inimigos. Até a esquadrões da morte é preciso fornecer bala de festim, a fim de que cada membro possa convencer-se de não ter sido ele quem matou o prisioneiro. Isso não é apenas história. Como você poderá lembrar, número bastante grande de policiais do Departamento de Polícia de New York telefonou dizendo estar doente no dia em que o “exército de Bloomberg” fechou o bivaque do Parque Zuccotti. Vemos proliferação de grupos tais como os Mantenedores de Promessa e o Ocupem a Instituição Policial cujos membros estão longe de hastear a bandeira de lealdade ao regime.
Our side can make use of our full potential because we can trust our members to use their own judgment without permission. We can act with our eyes open and in full awareness of the real situation, because we are not serving an evil cause that requires us to conceal the truth from ourselves. Our enemies, on the other hand, cannot. Let’s exploit these advantages for all they’re worth. To quote Gupta:
Nosso lado pode fazer uso de nosso pleno potencial porque podemos confiar em que nossos membros usarão seu próprio juízo sem permissão. Podemos atuar com nossos olhos abertos e com plena consciência da real situação, porque não estamos servindo causa malévola que nos requeira ocultar a verdade de nós próprios. Nossos inimigos, por outro lado, não podem fazê-lo. Exploremos essas vantagens ao máximo. Para citar Gupta:
The implication is that a moral side – even a smaller one – could out-compete the Great Powers because moral ground = intellectual clarity. The strategic advantage of a moral war is the ability to think clearly about the ends required to meet a genuinely justified end….
A implicação é a de que um lado moral – mesmo menor – pode competir com sucesso com Grandes Potências porque terreno moral = coerência e inteligibilidade intelectual. A vantagem estratégica da guerra moral é a capacidade de pensar claramente acerca dos fins [sic] necessários para atingir fim genuinamente justificado….
This is important, even though it seems simple, because it’s a moral asymmetry in warfare – it’s a reason to believe the good guys do win. In a conflict, the side which can bear to define it’s goals clearly can then plot a strategy to attain them. It can win. You can’t win a war who’s purpose you cannot bear to define: the Americans in Iraq defined fighting with their eyes closed: empire narrative. 151
Isso é importante, embora pareça simples, porque é assimetria moral na atividade de guerra – é motivo para acreditar que os heróis vencerão. Num conflito, o lado que evidencie definir seus objetivos claramente poderá em seguida planejar estratégia para atingi-los. Poderá vencer. Você não conseguirá vencer guerra cujo propósito não consiga definir: os estadunidenses no Iraque definiram lutar com os olhos fechados: narrativa de império. 151
If anything, the official ideology is probably more important in justifying the ruling class's power in its own eyes than in those of the ruled. Scott refers favorably to arguments that
Pelo contrário: a ideologia oficial é provavelmente mais importante para justificar o poder da classe dominante aos seus próprios olhos do que aos dos dominados. Scott refere-se favoravelmente a argumentos segundo os quais
the ideological effect of Catholicism was... to help unify the feudal ruling class, define its purpose, and create a family mortality [sic] that would hold property together....
o efeito ideológico do catolicismo foi... ajudar a unificar a classe dominante feudal, definir seu propósito, e criar uma mortalidade [sic] de família que manteria a propriedade unida....
151 Kevin Carson, “Vinay Gupta: The Authoritarian Cause Will Be Defeated by Its Own Cognitive Dissonance,” P2P Foundation Blog, January 17, 2012 [please see link in the original]
151 Kevin Carson, “Vinay Gupta: A Causa Autoritária Será Derrotada por Sua Própria Dissonância Cognitiva,” Blog da Fundação P2P, 17 de janeiro de 2012 [por favor veja link no original]
The importance of the dominant ideology and its manifestations for the elite would surely help explain political ceremony that is not even intended for nonelite consumption. 152
A importância da ideologia dominante e de suas manifestações para a elite seguramente ajudará a explicar cerimônia política sequer pretendida para consumo pela não elite. 152
Appendix: The Axial Period
Apêndice: O Período Axial
Karl Jaspers coined the term “Axial Age” to describe a widespread, fundamental shift in ethical values that occurred in a number of societies in the mid-1st millennium BCE. It included the rise of Greek philosophy, Buddhism, Zoroastrianism and the prophetic movement of Judah and Israel. All these developments were characterized by a shift from aristocratic values to democratic and universal ones that applied equally to all human beings regardless of social status.
Karl Jaspers cunhou a expressão “Era Axial” para descrever deslocamento disseminado e fundamental em valores éticos que ocorreu em certo número de sociedades em meados do primeiro milênio antes da era comum - BCE. Incluiu a ascensão da filosofia grega, o budismo, o zoroastrismo e o movimento profético de Judá e Israel. Todos esses desdobramentos foram caracterizados por deslocamento de valores aristocráticos para valores democráticos e universais que se aplicavam igualmente a todos os seres humanos, independentemente de condição social.
It essentially overlapped with what Nietzsche called the “slave revolt in morality” in The Genealogy of Morals. For Nietzsche, the essence of this “slave revolt” was a shift from values based on “High” and “Low” or “Good” and “Bad” (with “good” being defined largely in terms of aristocratic values) to values based on “Good” and “Evil” (with both good and evil being universal moral values of justice by which the high could be judged for their treatment of the low).
Essencialmente imbricou-se com o que Nietzsche chamou de “revolta dos escravos na moral” em A Genealogia da Moral. Para Nietzsche, a essência dessa “revolta dos escravos” era um deslocamento de valores baseados em “Alto” e “Baixo” ou “Bom” e “Mau” (com “bom” sendo definido em grande medida em termos de valores aristocráticos) para valores baseados em “Bem” e “Mal” (com tanto bem quanto mal constituindo valores universais de justiça por meio dos quais o alto poderia ser julgado por seu tratamento do baixo).
This shift was in many cases was accompanied by a shift in the view of the afterlife, typified by that within the Jewish prophetic movement. In the older understanding, for the vast majority of human beings the afterlife was synonymous with the grave (e.g. Hebrew Sheol and Greek Hades), a “land of dust and darkness” in the words of the Epic of Gilgamesh, in which human souls survived only as dim shades with no memories of their lives on Earth. Paradise was the habitation only of the blessed gods, accompanied— perhaps—by a handful of human beings who had somehow earned the privilege of dwelling with the gods by some extraordinary feat of heroism or renown. In other words, the afterlife was reserved exclusively for the High. The Axial Age religions, on the other hand, took a much more democratic view of the afterlife. In place of Paradise and Hades, there were Heaven and Hell—places of reward and punishment, respectively—and the entire human race was to be assigned to one or the other after death, based not on social status or aristocratic standards of heroism but on moral character.
Esse câmbio foi, em muitos casos, acompanhado de mudança na visão do pós-vida, tipificada pela que ocorreu internamente ao movimento profético judaico. No antigo modo de entender, para a vasta maioria dos seres humanos, o pós-vida era sinônimo de jazigo (por exemplo, o hebraico Sheol e o grego Hades), “terra de pó e trevas” nas palavras da Epopeia de Gilgamesh, em que as almas humanas sobreviviam apenas como tênues sombras, sem memória de suas vidas na Terra. O Paraíso era habitação apenas dos deuses bem-aventurados, acompanhados — talvez — de um punhado de seres humanos que haviam de algum modo obtido o privilégio de residir com os deuses graças a extraordinário feito de heroísmo ou a renome. Em outras palavras, o pós-vida estava reservado exclusivamente para os Altos. As religiões da Era Axial, por outro lado, assumiram visão muito mais democrática do pós-vida. Em lugar do Paraíso e do Hades, havia Céu e Inferno — lugares de recompensa e punição, respectivamente — e à raça humana inteira seria atribuído um ou o outro depois da morte, com base não em condição social ou padrões aristocráticos de heroísmo, e sim no caráter moral.
152 Scott, Domination and the Art of Resistance, pp. 68-69.
152 Scott, Dominação e a Arte da Resistência, pp. 68-69.
Both the Axial Age and “slave revolt in morality” coincide to some extent with the phase transition, in Eric Voegelin's schema (presented in the multi-volume Order and History series), from cosmological civilizations to universal moralities.
Tanto a Era Axial quanto a “revolta dos escravos na moral” coincidem em certa medida com transição de fase, no esquema de Eric Voegelin (apresentado na série Ordem e História, em diversos volumes), de civilizações cosmológicas para morais universais.
Examples of cosmological civilizations, in Voegelin's framework, were the early civilizations of Mesopotamia and Egypt, China and Mesoamerica. The universal moralities that succeeded them—Greek philosophy and post-Exilic prophets—were largely the same as Jaspers' Axial Age exemplars.
No esquema de Voegelin, foram civilizações cosmológicas as de Mesopotâmia e Egito, China e Mesoamérica. As morais universais que as sucederam — filosofia grega e profetas pós-exílio — foram em grande parte as mesmas que os exemplos típicos da Era Axial de Jaspers.
The morality of a cosmological civilization is authoritarian: “as above, so below.” The arrangement of hierarchical authority on earth—the order of king, priests and nobles—is a mirror of the order of Heaven (the pantheon of gods under some chief god). And, as observed by Voegelin, the universal religions or ideologies tend to be associated with the idea of history. Cosmological civilizations are static or cyclical, with the human order mirroring the cosmic order of recurring seasons.
A moral da civilização cosmológica é autoritária:  “como acima, assim é abaixo.” A organização da autoridade hierárquica na terra — a ordem do rei, sacerdotes e nobres — é espelho da ordem no Céu (o panteão dos deuses sob algum deus principal). E, como observado por Voegelin, as religiões ou ideologias universais tendem a estar associadas à ideia de história. As civilizações cosmológicas são estáticas ou cíclicas, com a ordem humana espelhando a ordem cósmica de estações recorrentes.
In particular the Jewish prophetic movement, and the Deuteronomic school of history which edited the books of Deuteronomy through Kings into their final form, saw Israel as having been called out “from among the nations,” out of the “flesh pots of Egypt,” into a special relationship with a transcendent God. For them history was a linear process, in relation to a transcendent God, culminating in some sort of fulfillment.
Em particular o movimento profético judaico, e a escola deuteronômica de história que editou os livros de Deuteronômio até Reis em sua forma final, via Israel como tendo sido chamado, “de entre as nações,” deixando as “panelas de carne do Egito,” para relacionamento especial com um Deus transcendente. Para ele a história era processo linear, em relação a um Deus transcendente, culminando em certo tipo de plenitude/realização.
The royal Davidic ideology of the early monarchy, found in its most undiluted form in the Psalms, is a classical cosmological system, with symbolism comparable to that of other societies in the fertile crescent. The first god defeats the primeval chaos (represented by a serpent, a dragon, or the waters), sires a pantheon of gods, founds a heavenly dynasty, and creates the universe and humanity. Then kingship descends among men, reproducing the heavenly order on earth. And from that point the human order, once established, follows a static course of perfection modeled on the heavenly order.
A ideologia real davídica da monarquia inicial, encontrada em sua forma a mais pura nos Salmos, é sistema cosmológico clássico, com simbolismo comparável ao do de outras sociedades no crescente fértil. O primeiro deus derrota o caos primevo (representado por serpente, dragão, ou águas), é progenitor de um panteão de deuses, funda dinastia celeste, e cria o universo e a humanidade. Então o reinado desce para entre os homens, reproduzindo a ordem celeste na terra. E a partir desse ponto a ordem humana, uma vez estabelecida, segue curso estático de perfeição modelada segundo a ordem celeste.
The Davidic ideology, to a large extent, was an exercise in reimposing a conventional structure on the liberatory religion of the Israelite “Zomians,” which was an egalitarian religion of runaway serfs and slaves. The older themes, still preserved in bits and pieces in such forms as the Mosaic Law's Jubilee year, provided raw material for the later prophetic movement, which
A ideologia davídica, em grande medida, constituiu exercício de reimposição de estrutura convencional à religião libertária dos “zomianos,” que era religião igualitária de servos e escravos fugidos. Os temas mais antigos, ainda preservados em pequenas unidades em formas tais como o ano do jubileu da lei mosaica, ofereceram matéria-prima para o movimento profético posterior, que
—coinciding with the Axial Period—juxtaposed a universalistic moral religion against the older David interpretation of Judaism. Hence the condemnation of land enclosure by the prophets, like Isaiah in this passage: “Woe unto them who join house to house, who lay field to field, till there is no place, that they may be placed alone in the midst of the earth!” (Isaiah 5:8)
— coincidindo com o Perído Axial — justapôs uma religião moral universalista contrastante com a mais antiga interpretação davídica do judaísmo. Daí a condenação do cerco da terra pelos profetas, como Isaías nesta passagem: “Ai dos que ajuntam casa a casa, reunem campo a campo, até que não haja mais lugar, e ficam como únicos moradores no meio da terra!” (Isaías 5:8)
The Hebrew prophets of the exilic and post-exilic period—one of Jaspers' chief examples of the Axial movement, along with Greek philosophy, Zoroastrianism and Buddhism—replaced this cosmological ideology with the idea of human history as something linear, with a beginning and an end, something subject to time under the transcendent rule of God and proceeding toward some final goal. The surviving remnants of the earlier cosmological civilization only show through here and there, in a Bible almost completely reworked by redactors from the prophetic movement.
Os projetas hebreus do período de exílio e pós-exílio — um dos principais exemplos de Jaspers do movimento Axial, juntamente com a filosofia grega, o zoroastrismo e o budismo — substituíram essa ideologia cosmológica pela ideia de história humana como algo linear, com começo e fim, algo sujeito ao tempo sob o transcendente governo de Deus e prosseguindo rumo a objetivo final. Os restos sobreviventes da mais antiga civilização cosmológica apenas se mostram aqui e ali, numa Bíblia quase totalmente revisada por redatores do movimento profético.
The cosmological religion of the early Israelite monarchy, like the neighboring civilization of Mesopotamia, was thoroughly aristocratic. There was a Paradise, inhabited by Yahweh and his pantheon, and—at best—a handful of kings and heroes like Enoch and Elijah who had been caught up alive into Paradise. And then there was Sheol where the entire human race was destined to go. In their place the prophetic religion created Heaven and Hell, both of them open to both high and low, depending on their adherence to ethical norms.
A religião cosmológica da monarquia israelita inicial, do mesmo modo que a civilização vizinha da Mesopotâmia, era completamente aristocrática. Havia um Paraíso, habitado por Iavé e seu panteão, e — na melhor das hipóteses — punhado de reis e heróis como Enoque e Elias, que foram levados vivos para o Paraíso. E havia então o Sheol, para onde toda a raça humana estava destinada a ir. Em lugar desses a religião profética criou o Céu e o Inferno, ambos abertos a ambos, os altos e os baixos, dependendo da aderência deles a normas éticas.
The slave revolt in morality was frequently associated with dying god cults (Dumuzi, Osiris and Dionysos, as well as Christ) in which the god descended into human form, experienced the suffering of humanity, died a horrific death and was resurrected—in the process redeeming the poor and weak and elevating them to his level. The apotheosis of this egalitarian dying god was “Christ, and him crucified,” with the “scandal of the Cross” juxtaposed against the Olympian gods—lounging about, fornicating, and drinking nectar.
A revolta dos escravos em moral estava frequentemente associada a cultos de deuses moribundos (Dumuzi, Osíris e Dionísios, bem coo Cristo) onde o deus descia assumindo forma humana, experimentava o sofrimento da humanidade, morria morte horrível e ressuscitava — e em o fazendo redimia os pobres e fracos e os elevava até seu nível. A apoteose desse deus moribundo igualitário foi “Cristo, e Cristo crucificado,” com o “escândalo da Cruz” justaposto em contraste com os deuses do Olimpo — que se espojavam em ócio, fornicavam, e bebiam néctar.
When combined with the idea of history, as in the Jewish prophetic tradition and Christianity, the messianic idea led to apocalyptic visions in which history culminated in a New Heaven and a New Earth, transformed to reflect transcendent ideals of justice.
Quando conjugada com a ideia de história, como na tradição profética judaica e no cristianismo, a ideia messiânica levou a visões apocalípticas nas quais a história culminava em Novo Céu e Nova Terra, transformados para refletir ideais transcendentes de justiça.
To be continued at

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