Sunday, February 2, 2014

C4SS - Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology - Pag 51-55


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology
Destruição da Casa do Senhor Com as Ferramentas do Senhor: Algumas Notas acerca da Teoria Libertária da Ideologia
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 15 (First Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 15 (Primeiro Semestre de 2013)
phenomenon sui generis, a radical break with normal reasoning and action and therefore suggestive of a kind of collective derangement, if not psychopathology. This is unfortunate for two reasons. ...[I]t ignores the rich history of millenarian movements in the West that continue to this day.  140
fenômeno sui generis, rompimento radical com raciocínio e ação normais e portanto algo sugestivo de espécie de desarvoramento coletivo, se não psicopatologia. O que é lamentável por dois motivos. ...[i]gnora a rica história dos movimentos milenários no Ocidente que continuam até hoje.  140
As Hill argued, newly literate or illiterate laborers, in the flourishing of debate after the lapse in censorship and the availability of cheap Bibles, were grappling seriously with social problems using the only conceptual tools at their disposal.
Como argumentou Hill, trabalhadores recentemente alfabetizados ou analfabetos, no vicejo do debate após o ocaso da censura e a disponibilidade de Bíblias baratas, atacavam seriamente problemas sociais usando as únicas ferramentas conceptuais à sua disposição.
Take a young Welshman like Arise Evans, who came to London in 1629. He tells us how his attitude towards the Bible changed in the decade before the Revolution. 'Afore I looked upon the Scripture as a history of things that passed in other countries, pertaining to other persons; but now I looked upon it as a mystery to be opened at this time, belonging also to us.' This attitude must have been shared by many of the victims of economic and political crisis who turned to the Bible for guidance in those perplexing years. The 1640s and 50s were indeed the great age of 'mechanick preachers'—laymen like Bunyan interpreting the Bible according to their untutored lights with all the confidence and excitement of a new discovery....
Tome-se jovem galês como Arise Evans, que foi para Londres em 1629. Conta-nos ele que sua atitude em relação à Bíblia mudou na década anterior à Revolução. 'Antes eu olhava a Escritura como história de coisas que se haviam passado em outros países, aplicável a outras pessoas; mas agora eu olhava para ela como mistério a ser destapado nesta época, pertencendo também a nós.' Essa atitude certamente terá sido compartida por muitas das vítimas da crise econômica e política que se voltaram para a Bíblia em busca de orientação naqueles anos cheios de perplexidade. Os 1640 e 50 foram com efeito a grande época dos 'pregadores trabalhadores' — homens leigos como Bunyan que interpretavam a Bíblia de acordo com suas luzes não tuteladas com toda a confiança e entusiasmo de descoberta nova....
The Bible was the accepted source of all true knowledge. Everybody cited its texts to prove an argument, including men like Hobbes and Winstanley, who illustrated from the Bible conclusions at which they had arrived by rational means. The difference in the case of simpler men like Arise Evans is that they believed the Bible to be divinely inspired, and applied its texts directly to problems of their own world and time, with no idea of the difficulties of translation, nor of the historical understanding required.... But these untrained minds included a George Fox and a John Bunyan. They were grappling with the problems of their society, problems which called urgently for solution, and they were using the best tools they knew of. 141
A Bíblia era a fonte aceita de todo verdadeiro conhecimento. Todo mundo citava seus textos para patentear a verdade de uma argumentação, inclusive homens como Hobbes e Winstanley, que ilustravam, a partir da Bíblia, conclusões às quais haviam chegado por meio racional. A diferença, no caso de homens mais simples como Arise Evans, é que estes acreditavam que a Bíblia era divinamente inspirada, e aplicavam seus textos diretamente a problemas de seu próprio mundo e tempo, sem ideia das dificuldades de tradução, nem do entendimento histórico requerido.... Contudo, essas mentes não treinadas incluíram um George Fox e um John Bunyan. Eles estavam a braços com os problemas de sua sociedade, problemas que pediam urgentemente solução, e estavam usando as melhores ferramentas que conheciam. 141
The use of religious conceptual building blocks by revolutionary ideologies is not at all “primitive” or “irrational.” The conceptual tools of both official state legitimizing ideologies and ideologies of rebellion were alike religious.
O uso de blocos de construção conceptuais religiosos por ideologias revolucionárias não é, de modo algum, “primitivo” ou “irracional.” As ferramentas conceptuais tanto das ideologias legitimadoras do estado quanto das ideologias de rebelião eram igualmente religiosas.
140 Ibid., p. 311.
141 Hill, The World Turned Upside Down, pp. 93-94
140 Ibid., p. 311.
141 Hill, O Mundo Virado de Cabeça Para Baixo, pp. 93-94
Human beings use and adapt the conceptual tools that are available. Alchemy, for example, was a set of conceptual tools for explaining empirical observations and controlling the world. Consider how many of the founders of scientific method in the early modern period started out as alchemists.
Os seres humanos usam e adaptam as ferramentas conceptuais que estejam disponíveis. A alquimia, por exemplo, era conjunto de ferramentas conceptuais para explicação de observações empíricas e para controle do mundo. Considere-se quantos dos fundadores do método científico no início do período moderno começaram como alquimistas.
Magic, likewise, is to a considerable extent a body of empirical, inductive observation and praxis using an alien (to most people reading this) conceptual vocabulary. Using “spiritual” terminology to denote the hypothetical mechanism behind observed phenomena is no more irrational than Greek physicians using the term “humors.” In both cases, the chosen term was in effect assigned to a black box. Our very word “atom” was originally a metaphysical term adopted by Ionian philosophers, and only far later found to loosely correspond with the findings of modern experimental science. Even distinguishing Epicurus' “natural” atoms from a shaman's “supernatural” spirits is imposing an anachronistic distinction on people who were just trying to find patterns of regularity in observed reality.
A mágica, do mesmo modo, é, em considerável medida, corpo empírico de observação e práxis que usa vocabulário conceptual estranho (para a maior parte de quem lê estas notas). Usar terminologia “espiritual” para denotar o mecanismo hipotético por trás dos fenômenos observados não é mais irracional do que médicos gregos utilizarem o termo “humores.” Em ambos os casos, o termo escolhido foi, com efeito, atribuído a uma caixa preta. Nossa própria palavra “átomo” era originariamente termo metafísico adotado pelos filósofos jônicos, e só muito mais tarde foi descoberto corresponder frouxamente às descobertas da moderna ciência experimental. Até mesmo distinguir os átomos “naturais” de Epicuro dos espíritos “sobrenaturais” do xamã é impor distinção anacrônica a pessoas que estavam apenas tentando encontrar padrões de regularidade na realidade observada.
In Poul Anderson's novel Brain Wave, life on Earth had evolved for millions of years as the planet passed through a vast energy field which slightly dampened electro-chemical activity like that of neurons. As the Earth passed out of this field, every species with a central nervous system experienced an abrupt increase in intelligence of several hundred percent. In one of his vignettes Wato, a West African shaman, spontaneously began reinventing Aristotle's Organon using conceptual building blocks from his own magical vocabulary: “—the law of similarity, that like causes like, may be expressed in the form ya or not-ya, thus showing that this form of magic obeys the rule of universal causality. But how to fit in the law of contagion—?” 142
No romance de Poul Anderson Onda Cerebral, a vida na Terra havia evolvido por milhões de anos à medida que o planeta passara através de vasto campo de energia que enfraquecera levemente atividade eletroquímica como a dos neurônios. Ao a Terra sair desse campo, toda espécie com sistema nervoso central experimentou abrupto aumento de inteligência de diversas centenas por cento. Em uma de suas descrições evocativas Wato, xamã da África Ocidental, espontaneamente começou a reinventar o Órganon de Aristóteles usando blocos de construção conceptuais de seu próprio vocabulário mágico: “ — a lei da similaridade, que o semelhante causa o semelhante, pode ser expressada na forma ya ou não-ya, mostrando assim que essa forma de mágica obedece à regra da causalidade universal. Mas como encaixar aí a lei do contágio — ?” 142
More recently, we see the same phenomenon—the drawing of ideological symbolism from a common cultural pool by contending class interests—in the American political struggles leading up to the Revolution. The Federalists, essentially a court party that wanted to replicate the Walpolean system without Britain, nevertheless used the symbolism of Anglo-Republicanism (Cato's Letters, Harrington, etc.) to buttress their arguments for a centralizing, aristocratic Constitution.
Mais recentemente, vemos o mesmo fenômeno — o delineamente de simbolismo ideológico, a partir de repositório cultural comum, por interesses de classe em competição — nas lutas políticas estadunidenses que levaram à Revolução. Os Federalistas, essencialmente partido de corte que desejava reproduzir o sistema walpoleano sem a Grã-Bretanha, usaram todavia o simbolismo do anglorrepublicanismo (Cartas de Cato, Harrington, etc.) para robustecer seus argumentos favoráveis a Constituição centralizadora e aristocrática.
The  Christianity  of  black  slaves  in  the  southern  United  States  was
O cristianismo dos escravos pretos no sul dos Estados Unidos constituía,
142 Poul Anderson, Brain Wave (1954) [please see link in the original], p. 32.
142 Poul Anderson, Onda Cerebral (1954) [por favor ver link no original], p. 32.
essentially a millenarian, libertarian inversion of their masters' religion.
essencialmente, inversão milenária libertária da religião de seus senhores.
Preachers with the interest of the masters at heart would emphasize New Testament passages about meekness, turning the other cheek, walking the extra mile, and texts like the following (from Ephesians 6:5-9), which, paraphrased, also appeared in a catechism for “Colored Persons”: “Servant, be obedient to them that are your masters according to the flesh, with fear and trembling, in singleness of your heart, as unto Christ; not with eye service, as men pleasers; but as the servants of Christ, doing the will of God from the heart.” In contrast to this plea for a sincere official transcript from slaves, the offstage Christianity... stressed the themes of deliverance and redemption, Moses and the Promised Land, the Egyptian captivity, and emancipation. The Land of Canaan, as Frederick Douglass noted, was taken to mean the North and freedom. When they could safely boycott or leave sermons that condemned theft, flight, negligent work, and insolence, the slaves did just that.... There is little doubt... that their religious beliefs were often a negation of the humility and forbearance preached to them by whites. Ex-slave Charles Ball noted that heaven for blacks was a place where they could be avenged of their enemies, and that the “cornerstone” of black religion was the “idea of a revolution in the conditions of the white and blacks.” 143
Pregadores com o interesse dos senhores em mente enfatizariam passagens do Novo Testamento acerca de submissão, oferecer a outra face, andar a segunda milha, e textos como o seguinte (de Efésios 6:5-9), que, parafraseado, também apareceu no catecismo para “pessoas de cor”: “Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo; não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.” Em contraste com esse pedido de sincera transcrição oficial por parte dos escravos, o cristianismo de bastidores... enfatizava os temas de livramento e redenção, Moisés e a Terra Prometida, o cativeiro no Egito, e emancipação. O Senhor de Canaã, como observou Frederick Douglass, era entendido significar o Norte e a liberdade. Quando eles podiam em segurança boicotar ou não assistir a sermões que condenavam furto, fuga, trabalho negligente e insolência, os escravos faziam exatamente isso.... Há pouca dúvida... de que suas crenças religiosas eram amiúde negação da humildade e da contenção pregadas a eles pelos brancos. O ex-escravo Charles Ball observou que o Céu, para os pretos, era um lugar onde eles poderiam ser vingados de seus inimigos, e que a “pedra de esquina” da religião preta era a “ideia de uma revolução nas condições dos brancos e dos pretos.” 143
James Scott quotes an angry outburst by Aggy, a house slave, provoked by the master's beating of her daughter. “Thar's a day a -comin'!” she cried, a day of rumbling chariots, flashing guns, flowing blood and retribution for all the blows and humiliations inflicted by whites. Scott comments:
James Scott cita irada explosão de Aggy, escrava doméstica, provocada pelo espancamento de sua filha pelo senhor. “O dia está chegando'!” gritou ela, dia de carruagens ribombantes, armas flamejantes, sangue em borbotões e retribuição por todas as pancadas e humilhações infligidas pelos brancos. Scott comenta:
What is particularly striking is that this is anything but an inchoate scream of rage; it is a finely drawn and highly visual image of an apocalypse, a day of revenge and triumph, a world turned upside down using the cultural raw materials of the white man's religion. Can we conceive of such an elaborate vision rising spontaneously to her lips without the beliefs and practice of slave Christianity having prepared the way carefully? 144
Particularmente notável é que isso é tudo, menos um grito rudimentar de furor; é imagem finamente traçada e altamente visual de um apocalipse, dia de vingança e triunfo, mundo virado de cabeça para baixo, mediante uso de matérias-primas culturais da religião do homem branco. Poderemos conceber visão tão elaborada ascender espontaneamente aos lábios dela sem as crenças e a prática do cristianismo escravo terem preparado cuidadosamente o caminho? 144
Ideological Warfare: Lessons For Us. James Scott describes the general phenomenon as “symbolic jiujitsu.” Prophetic rebellious movements in non-
Guerra Ideológica: Ensinamentos Para Nós. James Scott descreve o fenômeno geral como “jiujitsu simbólico.” Movimentos proféticos rebeldes em espaços
143 James Scott, Domination and the Art of Resistance: Hidden Transcripts (New Haven and London: Yale University Press, 1990), pp. 116-117.
144 Ibid., p. 8.
143 James Scott, Dominação e a Arte da Resistência: Transcrições Ocultas (New Haven and London: Yale University Press, 1990), pp. 116-117.
144 Ibid., p. 8.
state spaces “appropriate the power, magic, regalia, and institutional charisma of the valley state in a kind of symbolic jiujitsu in order to attack it.” 145
não estatais “apropriam-se de poder, mágica, emblemas e insígnias e carisma institucionais do estado do vale numa espécie de jiujitsu simbólico a fim de atacar o estado.” 145
And symbolic jiujitsu has become especially important in the ideological wars of the 20th and 21st centuries.
E o jiujitsu simbólico tem-se tornado especialmente importante nas guerras ideológicas dos séculos 20 e 21.
Every major popular uprising against a pro- Soviet regime in Eastern Europe after World War II framed itself in Marxist ideological terms, and adopted basically libertarian communist organizational forms. The East Germans in 1953, Hungarians in 1956, Czechs in 1968 and Poles in 1981 organized workers' councils in the factories and put themselves forward as a socialist movement—a movement fighting for genuine workers' power over state and economy—contending against a state capitalist ruling class.
Todo grande levante popular contra regime pró-soviético no Leste Europeu depois da Segunda Guerra Mundial formulou-se em termos ideológicos marxistas, e adotou basicamente formas organizacionais comunistas libertárias. Os alemães orientais em 1953, húngaros em 1956, tchecos em 1968 e poloneses em 1981 organizaram conselhos de trabalhadores nas fábricas e propuseram-se como movimento socialista — movimento em luta por poder genuíno dos trabalhadores sobre o estado e a economia — porfiando com uma classe dominante capitalista de estado.
At Center for a Stateless Society, we make similar use of free market concepts as an ideological weapon against corporate power. Classical liberalism and classical political economy were originally, to a great extent, attacks on the established class interests of the Whig landed magnates and mercantilists of early industrial Britain. It was only after the rising industrial capitalists had won their victory over the older agrarian-mercantile capitalist establishment and established themselves as a part of the ruling class that “free market” ideology became a conservative apologetic for ruling class interests (“hired prize-fighters” and “vulgar political economists,” in Marx's colorful terminology).
No Centro por uma Sociedade sem Estado, fazemos uso similar de conceitos de livre mercado como arma ideológica contra o poder corporativo. O liberalismo clássico e a economia política clássica foram originariamente, em grande medida, ataques aos interesses de classe estabelecidos dos magnatas grandes proprietários de terras Whig e dos mercantilistas da Grã-Bretanha industrial inicial. Foi apenas depois de os ascendentes capitalistas industriais terem conseguido sua vitória sobre o mais antigo establishment agrário-mercantil e se haverem estabelecido eles próprios como parte da classe dominante que a ideologia do “livre mercado” tornou-se apologética conservadora dos interesses da classe dominante (na fascinante terminologia de Marx, “combatentes caçadores de prêmios contratados” e “economistas políticos vulgares.”).
But even in the time since, there has never ceased to be a genuinely radical free market critique of capitalism. It has been expressed in the thought of Thomas Hodgskin, Herbert Spencer at his more radical, the American individualist anarchists (the “Boston Anarchists”), and Henry George and radical Georgist critics of capitalism like Bolton Hall, Franz Oppenheimer and Ralph Borsodi.
Sem embargo, mesmo no tempo desde então nunca cessou de haver análise e avaliação crítica detalhada de livre mercado genuinamente radical do capitalismo. Ela se tem expressado no pensamento de Thomas Hodgskin, no Herbert Spencer mais radical, nos anarquistas individualistas estadunidenses (os “Anarquistas de Boston”), e em Henry George e nos críticos radicais do capitalismo georgistas tais como Bolton Hall, Franz Oppenheimer e Ralph Borsodi.
We at C4SS are very much in this tradition. One of the most powerful weapons against neoliberalism and corporate rule is to demonize big business interests in terms of their own “free market” rhetoric. Dean Baker does this regularly. Baker skewers the “free trade” rhetoric of Tom Friedman by pointing out the real mercantilist nature of phony “free trade agreements,” in which so-called “intellectual property” plays the same
Nós do C4SS nos inserimos muito nessa tradição. Uma das mais poderosas armas contra o neoliberalismo e o domínio corporativo é demonizar interesses das grandes empresas em termos de sua própria retórica de “livre mercado.” Dean Baker faz isso regularmente. Baker critica a retória do “livre comércio” de Tom Friedman mediante ressaltar a real natureza mercantilista dos fajutos “acordos de livre comércio,” no quais a assim chamada “propriedade intelectual” desempenha o mesmo
Scott, The Art of Not Being Governed, p. 307.
Scott, A Arte de Não Ser Governado, p. 307.
protectionist role for transnational corporations as tariffs did for the old national industrial trusts. RFK Jr. regularly points out that all the “free market” rhetoric conceals a real-world practice of externalizing costs on the taxpayer. And we on the libertarian left, who really believe in free markets, are doing this kind of thing every day.
papel protecionista das corporações transnacionais que as tarifas desempenhavam em relação aos antigos trustes industriais nacionais. RFK Jr. regulamente ressalta que toda retória de “livre mercado” oculta uma prática, no mundo real, de externalizar custos para o contribuinte. E nós, da esquerda libertária, que realmente acreditamos em livres mercados, estamos fazendo esse tipo de coisa todo dia.
According to Bryan Register, “the maintenance of state power requires that the populace acquiesce in state actions. This requires the development of hegemony in civil society.” 146
De acordo com Bryan Register, “a manutenção do poder do estado requer que a população aquiesça quanto às ações do estado. Isso requer o desenvolvimento de hegemonia na sociedade civil.” 146
One of the most powerful weapons in our arsenal is the ideology of the ruling class. Almost nothing is as brutally effective as contrasting the reality of their power to the pretensions of their legitimizing rhetoric.
Uma das mais poderosas armas de nosso arsenal é a ideologia da classe dominante. Quase nada é tão brutalmente eficaz quanto contrastar a realidade do poder dela com as pretensões da retórica legitimadora de que ela lança mão.
The cynicism of the taped Oval Office conversations in the Nixon White House was a devastating blow to the public transcript claim to legality and high mindedness. Similarly, the poorly concealed existence of special shops and hospitals for the party elites in the socialist bloc profoundly undercut the ruling party's public claim to rule on behalf of the working class. 147
O cinismo das conversas gravadas da Sala Oval da Casa Branca de Nixon foi golpe devastador desferido na reivindicação da transcrição pública de legitimidade e de sólidos princípios morais. Similarmente, a existência mal disfarçada de lojas e hospitais especiais para as elites do partido no bloco socialista solapou profundamente a reivindicação pública do partido de governar no interesse da classe trabalhadora. 147
The most efficient system of power is one in which the actual exercise of power approaches most closely to invisibility. The ideal is for the system of power to appear to its subjects as little like a system of power at all—in the sense of a system requiring deliberate human design and intervention—but rather as spontaneous or natural. That's especially true of the traditional American ideology of “Free Enterprise,” which—as Jurgen Habermas describes it—requires capitalism to appear to have an “unplanned, nature-like” character. This is undermined, in late capitalism, by the increased need for state involvement for the realization of capital to occur, and for state involvement to become progressively more direct and visible.
O sistema de poder mais eficiente é aquele no qual o exercício efetivo do poder aproxima-se o mais possível da invisibilidade. O ideal é o sistema de poder aparecer para seus súditos tão pouco quanto possível como sistema de poder — no sentido de um sistema requerendo projeto e intervenção humanos — aparecendo antes como espontâneo ou natural. Isso é especialmente verdade da ideologia estadunidense tradicional de “livre empresa,” a qual — como Jurgen Habermas descreve — requer que o capitalismo pareça ter caráter “não planejado, como que natural.” Isso é solapado, no capitalismo tardio, pela crescente necessidade de envolvimento do estado para que a realização do capital ocorra, e de o envolvimento do estado tornar-se progressivamente mais direto e visível.
To the extent that the class relationship itself has been repoliticized and the state has taken over market-replacing as well as market-supplementing tasks... , class domination can no longer take the anonymous form of the law of value. Instead, it now depends on factual constellations of power whether, and how, production of surplus value can be guaranteed through the public sector, and how the terms of the
Na medida em que a relação de classes ela própria tem sido repolitizada e o estado açambarcado tarefas de substituição de mercado, bem como de suplementação de mercado... , a dominação de classe não mais consegue assumir a forma anônima da lei do valor. Pelo contrário, agora depende de constelações factuais de poder se, e como, a produção de valor excedente pode ser garantida por meio do setor público, e como os termos do
146 Bryan Register, “Class, Hegemony, and Ideology: A Libertarian Approach,” POP Culture: Premises of Post-Objectivism (2001) [please see link in the original].
147 Scott, Domination and the Art of Resistance, p. 11.
146 Bryan Register, “Classe, Hegemonia e Ideologia: Abordagem Libertária,” POP Culture: Premissas do Pós-Objetivismo (2001) [por favor veja link no original].
147 Scott, Dominação e a Arte da Resistência, p. 11.



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