Wednesday, January 8, 2014

C4SS - Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology - Pages 11-15


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology
Destruição da Casa do Senhor Com as Ferramentas do Senhor: Algumas Notas acerca da Teoria Libertária da Ideologia
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 15 (First Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 15 (Primeiro Semestre de 2013)
Eber, but themselves comprised a confederacy of tribes descended from twelve eponymous sons of Israel, is
fairly typical among tribal confederacies in non-state spaces that share common cultural roots with neighbors in lowland states.
Eber, mas eles próprios compreendiam uma confederação de tribos descendentes de doze filhos epônimos de Israel, é bastante típica entre confederações tribais em espaços não estatais que partilham raízes culturais comuns com vizinhos de estados de terras baixas.
The legends, rituals, and politics of hill societies can be usefully read as a contentious dialogue with the valley state that looms largest in its imagination. The closer and larger that state, the more of the conversation it will usurp. Most of the origin myths of hill societies assert a hybridity or connection that implies kinship. In some cases a stranger/foreigner arrives and forms a union with an autochthonous woman. Their joint progeny are this hill people. In other legends, hill and valley people are hatched from different eggs—of the same parentage— and are, hence, brother and sister. Already, a certain original equality between highland and lowland becomes part of the narrative.24
As lendas, os rituais e a política das sociedades das colinas podem ser na prática entendidos como diálogo contencioso com o estado do vale, que assoma como o maior em sua imaginação. Quanto mais próximo e maior aquele estado, mais usurpará ele a conversação. A maior parte dos mitos da origem de sociedades das colinas afirma hibridez ou conexão que implica parentesco. Em alguns casos um estranho/estrangeiro chega e consuma união com mulher autóctone. Sua progênie conjunta é aquele povo da colina. Em outras lendas, povos da colina e do vale são chocados em ovos diferentes — de mesma linhagem — e são, portanto, irmão e irmã. Logo, certa igualdade original entre terras altas e terras baixas torna-se parte da narrativa.24
The Miao Rebellion of Guizhou province in the 19th century involved a broad coalition of oppressed elements among the settled state population and stateless populations in marginal areas, united by a millenarian religious ideology. It was probably about half ethnically Han (including disgraced Han officials and other dissident elements of the settled population) and ethnic hill minorities.25 In the Dieu-python Rebellion of the Vietnamese Central Highlands in 1937, likewise,
A Revolução Miao da província Guizhou no século 19 envolveu ampla coalizão de pessoas oprimidas em meio à população do estado estabelecido e populações sem estado em áreas marginais, unidas por ideologia religiosa milenária. Provavelmente a metade era de etnia Han (inclusive autoridades Han caídas em desgraça e outros elementos dissidentes da população estabelecida) e minorias étnicas das colinas.25 Na Rebelião Dieu-python das terras altas centrais vietnamitas de 1937, analogamente,
[w]hat took the French utterly by surprise was the pronounced multiethnic character of the uprising and its shared cosmology. Colonial ethnographers had invested great effort in cataloguing the different “tribes” of the Central Highlands, and the idea that these disparate peoples (some of whom were nominally Catholic!) would actually share a mobilizing cosmology was both astounding and troubling.26
[o] que tomou os franceses completamente de surpresa foi o caráter pronunciadamente multiétnico do levante e sua cosmologia compartilhada. Etnógrafos coloniais haviam investido grande esforço em catalogar as diferentes “tribos” das terras altas centrais, e a ideia de que essas pessoas extremamente diferentes (algumas delas eram nominalmente católicas!) partilhassem em realidade uma cosmologia mobilizadora era tanto surpreendente quanto perturbadora.26
The Israelite tribal confederacy and the myth of eponymous founders constructed around it are thus examples, in Gottwald's terminology, of “retribalization.” The Canaanite highlands, settled by a disparate population of refugees from the lowland city-states, “did not have a single preexistent social organization but developed their own by building on the kinship ties of various immigrant groups and improvising additional social networks as
A confederação tribal israelita e o mito de fundadores epônimos construído em torno dela são pois exemplos, na terminologia de Gottwald, de “retribalização.” As terras altas canaanitas, assentadas por uma população muito heterogênea de refugiados das cidades-estados das terras baixas, “não tinham uma única organização social preexistente, e sim desenvolveram a sua própria mediante criação de liames de parentesco de grupos imigrantes vários e mediante improvisação de redes sociais adicionais na medida do
24 James Scott, The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia (New Haven and London: Yale University Press, 2009), p. 305.
25 Ibid., p. 316.
26 Ibid., p. 316.
24 James Scott, A Arte de Não Ser Governado: História Anarquista das Terras Altas do Sudeste Asiático (New Haven and London: Yale University Press, 2009), p. 305.
25 Ibid., p. 316.
26 Ibid., p. 316.
needed.”27 Gottwald draws parallels to other “improvised” or “jerry-built” tribal confederacies like
necessário.”27 Gottwald traça paralelos com outras confederações tribais “improvisadas” ou “criadas açodadamente” tais como
the improvisational social organization of the Plains Indians, who formed “composite tribes” out of peoples of diverse backgrounds, though sometimes of the same linguistic stock, who migrated from the eastern woodlands and the western Great Basin in order to develop an equestrian bison-hunting political economy that reached its peak from 1750 to 1850. Although weak in clan and lineage structure in some instances, these tribes were bound by ceremonial, social, and military sodalities and led by shifting chieftainships.28
a organização social improvisada das Planícies Índias, com formação de “tribos compostas” a partir de pessoas de ancestralidade diversa, embora por vezes de mesma linhagem linguística, que haviam migrado das terras cobertas de árvores e da Grande Bacia ocidental a fim de desenvolverem uma economia política de caça ao bisão que atingiu seu pico de 1750 a 1850. Embora lassas em estruturas de clã e de linhagem em alguns casos, essas tribos eram ligadas por laços cerimoniais, sociais e militares, e lideradas por chefes mutáveis.28
(It's worth noting in passing that the Lakota and Oglala, who basically moved to marginal areas in the Plains and adopted equestrian bison-hunting after getting their butts kicked in the Great Lakes area, are themselves an excellent example of a Zomian people.)
(Vale notar, de passagem, que os Lakotas e os Oglalas, que basicamente mudaram para áreas marginais nas Planícies e adotaram a caça equestre ao bisão depois de terem tido seus traseiros chutados na área dos Grandes Lagos, são eles próprios excelente exemplos de povo zomiano.)
Put all this together, and we have an early Israelite religion which amounts to an inversion of the lowland Canaanite religion and reconstruction of it around the themes—naturally enough for a marginal population composed largely of runaway slaves, serfs and debtors—of bondage and exodus.
Ponha-se tudo isso junto, e temos uma religião israelita primeva que equivale a inversão da religião canaanita das terras baixas e a reconstrução dela em torno dos temas — naturalmente bastantes para uma população marginal composta em grande parte por escravos, servos e devedores fugidos — de servidão e êxodo.
The fundamental substratum of the Israelite religion was the Canaanitic El cultus, with El as the patriarch of apantheon of gods. El—the generic Ugaritic-Hebrew term for “god,” converted into a proper name—remained the name for the Israelite god in the E Document, along with many of the same epithets (most notably El Shaddai29) and holy sites (e.g. Bethel and its bull cult30 and the El Berit—“God of the Covenant”—cult at Shechem31) associated with him in the original Canaanite religion. El was also traditionally depicted as seated on a cherubim throne, which should strike a familiar chord with students of the Bible,32 and is frequently also depicted as dwelling in tents or tabernacles, presiding over assemblies of the Gods (any similarity to the opening scene in the Book of Job is purely coincidental, of course).33 The Israelite polity that emerged from 1200 BCE
O substrato fundamental da religião israelita era o culto do caananita El, sendo El o patriarca de um panteão de deuses. El — o  genérico ugarítico-hebreu para “deus,” convertido em nome próprio — permaneceu como nome do deus israelita no Documento E, juntamente com muitos dos mesmos epítetos (mais notavelmente El Shaddai29) e lugares sagrados (por exemplo Betel e seu culto do touro30 e o culto a El Berit — “Deus do Concerto” — em Siquém31) associados a ele na religião original canaanita. El era também tradicionalmente mostrado como sentado num trono de querubins, o que deveria tanger um acorde familiar para estudiosos da Bíblia,32 e é também representado como residindo em tendas ou tabernáculos, presidindo reuniões dos deuses (qualquer similaridade com a cena de abertura do livro de Jó é pura coincidência, naturalmente)33 A comunidade politicamente organizada que emergiu de 1200 BCE
27 Gottwald, The Politics of Ancient Israel, p. 170.
28 Ibid., p. 300n.
29 Frank Moore Cross, Canaanite Myth and Hebrew Epic: Essays in the History of the Religion of Israel (Harvard University Press: Cambridge, Mass., 1973), p. 59.
30 Ibid., pp. 74. The house of Aaron (who fashioned the Golden Calf) was closely associated with Bethel. Ibid. p. 199.
31 Ibid., p. 39.
32 Ibid., p. 35.
33 Ibid., pp. 42-43.
27 Gottwald, A Política do Israel Antigo, p.170.
28 Ibid., p. 300n.
29 Frank Moore Cross, Mito Canaanita e Épica Hebreia: Ensaios na História da Religião de Israel (Harvard University Press: Cambridge, Mass., 1973), p. 59.
30 Ibid. , pp. 74. A casa de Aarão (que criou o Bezerro de Outro) estava estreitamente associada a Betel.
Ibid.p. 199.
31 Ibid., p. 39.
32 Ibid., p. 35.
33 Ibid., pp. 42-43.
on was an amphictyony (a league or federation of tribes sharing a common religion and participating in periodic rituals at common holy sites, like the Delphic amphictyony in Greece) centered on the Israelite version of the El cultus, sharing many of the same holy places (again most notably Bethel and Shechem, with the addition of Shiloh as the preeminent rendezvous point for the league's religious functions) as its original Canaanitic counterpart.
em diante era uma anficcionia (liga ou federação de tribos partilhando uma religião comum e participando de rituais periódicos em lugares sagrados comuns, tal como a anficcionia délfica na Grécia) centrada na versão israelita do culto de El, compartindo muitos dos mesmos lugares sagrados (repetindo, mais notavelmente Betel e Siquém, com a adição Siló como preeminente ponto de encontro para as funções religiosas da liga) que sua contraparte original canaanita.
The origin and significance of the Yahweh cultus are controversial. Frank Moore Cross finds the origins of the name itself in an Ugaritic ephithet of El meaning “to cause to be,” “to create,” or “to procreate,” and likely starting out as a cult phrase “I AM that I AM” used in the worship of El.34 The worship of Yahweh, as an epithet of El, may have originated among Midianite El-worshipers (El was worshipped as the chief god far to the south, in ethnically Canaanitic or Hebrew areas like Sinai).35 This dovetails nicely with the fact that Moses was introduced to the worship of Yahweh by his future father-in-law Jethro, the High Priest of The LORD in Midian. The name Yahweh first appears, in written history, in Egyptian records and pottery fragments associated with Midian and Edom.36 It first appeared as an independent name, rather than an epithet of El, in 14th and 13th century BCE lists of Edomite (south Palestinian) place names.37
A origem e a importância do culto de Iavé são controversas. Frank Moore Cross encontra as próprias origens do nome num epíteto ugarítico de El significando “causar ser,”  “criar,” ou “procriar,” e provavelmente começando como uma frase de culto “Eu SOU o que SOU” usada na adoração de El.34 A adoração de Iavé, como epíteto de El, pode ter-se originado entre adoradores midianitas de El (El era adorado como o deus principal bem ao sul, em áreas etnicamente canaanitas ou hebraicas como o Sinai).35 Isso se casa belamente com o fato de que Moisés foi iniciado na adoração de Iavé por seu futuro sogro Jetro, Alto Sacerdote do SENHOR em Mídiã. O nome Iavé aparece pela primeira vez, na história escrita, em registros egípcios e fragmentos de cerâmica associados com Mídiã e Edom.36 Apareceu pela primeira vez como nome independente, em vez de epíteto de El, em listas de nomes de lugares edomitas (sul-palestinos) dos séculos 14 e 13 BCE.37
Not controversial, however, is the basic consensus that he was grafted onto the earlier El worship and equated to El. And it's telling that when the northern tribes revolted against the House of David, they endowed shrines to Yahweh with golden bull calves at Bethel and Dan.38
Não controverso, porém, é o consenso básico de que ele foi enxertado na adoração mais antiga de El e igualado a El. E é significativo que quando as tribos do norte se rebelaram contra a Casa de Davi, elas dotaram santuários de Iavé com bezerros de ouro em Betel e em Dã.38
The social institutions of the Israelite society, as it emerged in marginal areas beyond the conrol of the Canaanite authorities, were in many ways an egalitarian peasant inversion of the lowland class system. In The Tribes of Yahweh, Gottwald originally stressed the origins of Israel in a straightforward peasant revolution and the egalitarianism of the society in areas of Israelite control. He later qualified these broad strokes, but kept the essence. Writing twenty years after the book's first publication, he said:
As instituições sociais da sociedade, como emergiram em áreas marginais além do controle das autoridades canaanitas, eram, sob vários aspectos, uma inversão camponesa igualitária do sistema de classes das terras baixas. Em As Tribos de Iavé, Gottwald originalmente enfatizou as origens de Israel numa franca revolução camponesa e o igualitarismo da sociedade em áreas sob controle israelita. Posteriormente ele qualificou essas pinceladas, mas manteve a essência. Escrevendo vinte anos após a primeira publicação do livro, disse:
34 Ibid., pp. 65-66, 68.
35 Ibid., p. 71.
36 The Anchor Bible: Joshua, pp.
119-120.
37 Cross, op. cit., p. 61.
38 Martin Smith, Palestinian Parties and
Politics that Shaped the Old Testament
(New York and London: Columbia
University Press, 1971), pp. 22-23.
34 Ibid., pp. 65-66, 68.
35 Ibid., p. 71.
36 A Bíblia Âncora: Josué, pp. 119-120.
37 Cross, op. cit., p. 61.
38 Martin Smith, Partes e Políticas Palestinas Que Deram Forma ao Velho Testamento (New York and London: Columbia University Press, 1971), pp. 22-23.
My argument for the social equality of Israelites was muddled and imprecise, since there is evidence of status and wealth differentials, but the society was clearly less hierarchical than in the surrounding states and it provided extended family and clan-based “social safety nets” for those in greatest need. I have since come to speak of Israel’s tribal society as “communitarian”. Setting aside the mistaken notion that a peasant revolution is a dramatic one-shot event that succeeds or fails in one stroke, it may be reaffirmed that Israel was a peasant movement cast in pposition to city-state hierarchy and struggling for independence from outside control. The extent to which the social and political difference between Israel and it city-state neighbors can be called “revolutionary” depends, I believe, on how intentional the Israelite peasants were in pursuing and exploiting their independent manner of life. A great deal hinges on the extent to which the tribes of Israel were simply the haphazard result of a breakdown in dominant Canaanite institutions and the extent to which the tribes of Israel were consciously formed or shaped as an alternative to oppressive social and political institutions. My own belief is that there was both a breakdown and an intentional movement of peasants in the midst of that breakdown. Alternatively, the tribal system of early Israel may be conceived as a “devolution” from hierarchic society, facing backwards to a pre-state mode of life, or it can be conceived as both an “evolution” and a “revolution,” facing forwards in anticipation of modes of social and political freedom that were not yet realizable or sustainable under the conditions of antiquity.39
Minha argumentação em favor da igualdade social dos israelitas foi pouco organizada e imprecisa, visto haver evidência de diferenciais de status e de riqueza, mas a sociedade era claramente menos hierárquica do que as dos estados circundantes e proporcionava “redes de segurança social” baseadas em parentesco e em clãs para aqueles que padecessem forte necessidade. Desde então vim a falar da sociedade tribal de Israel como“comunitária”. Deixando de lado a noção equivocada de que uma revolução camponesa é um evento único dramático que tem sucesso ou fracassa de uma vez só, pode ser reafirmado que Israel era um movimento camponês formado em oposição à hierarquia da cidade-estado e lutando por independência em relação a controle externo. A medida em que a diferença social e política entre Israel e suas vizinhas cidades-estados pode ser chamada de “revolucionária” depende, acredito, do quanto eram intencionais os camponeses israelenses em perseguir e explorar seu modo de vida independente. Muito depende de em que medida as tribos de Israel foram simplesmente resultado acidental de colapso das instituições dominantes e da medida em que as tribos de Israel tenham-se formado ou delineado conscientemente como alternativa a instituições sociais e políticas opressoras. Minha crença pessoal é ter-se tratado tanto de um colapso quanto de movimento intencional de camponeses em meio ao colapso. Alternativamente, o sistema tribal do primeiro Israel pode ser concebido como uma “degeneração” da sociedade hierárquica, com visão regressiva de um modo de vida pré-estado, ou pode ser concebido como tanto “evolução” quanto “revolução,” numa visão para o futuro de antecipação de modos de liberdade social e política ainda não realizáveis ou sustentáveis nas condições da antiguidade.39
Zomias Everywhere. The Icelandic Commonwealth, settled disproportionately by small holders fleeing the growing impositions of the king and nobility, was a Zomian population many libertarians are familiar with. The Icelandic settlements recounted in the Sagas took place at a time when kings on the Scandinavian mainland “were enlarging their authority at the expense of the traditional rights of free farmers.”40 King Harald Fairhair, for example, imposed taxes on previously allodial land, with the jarls under him keeping a share of the tax revenues for themselves.41 The families who fled the continent consciously structured the new society along comparatively egalitarian lines to avoid such evils.42
Zomias Por Toda Parte. A Comunidade Islandesa, assentada desproporcionadamente por pequenos detentores em fuga de crescentes imposições do rei e da nobreza, era uma população zomiana com a qual muitos libertários estão familiarizados. Os assentamentos islandeses descritos nas Sagas tiveram lugar numa época na qual reis da Escandinávia continental “estavam aumentando sua autoridade a expensas dos direitos tradicionais dos lavradores livres.”40 O rei Harald Cabelo Belo, por exemplo, impôs tributos sobre terras previamente alodiais, com os chefes a ele subordinados ficando com uma fatia da receita tributária para si próprios.41 As famílias que fugiram do continente consciamente estruturaram a nova sociedade ao longo de linhas relativamente igualitárias para impedir tais males.42
39 Gottwald, “Revisting The Tribes of Yahweh” (1999) [please see link in the original]
40 Jesse Byock, Viking Age Iceland (Penguin, 2001), p. 65. 41 Ibid., p. 83. 42 Ibid., p. 84.
39 Gottwald, “Nova Perspectiva das Tribos de Iavé” (1999) [por favor veja link no original]
40 Jesse Byock, Islândia do Tempo dos Vikings (Penguin, 2001), p. 65.
41 Ibid., p. 83.
42 Ibid., p. 84.
According to Kropotkin, medieval towns—and the entire country of Switzerland, for that matter—were such areas, made up of runaway serfs and other populations attracted to territories with a prohibitive cost of governance. Paralleling the towns' building of fortifications, federation and revolt against the authority of feudal lords, in many places villages federated together to resist their feudal lords. In most cases, lacking the protection of walls or defensible terrain, they were quickly defeated. But in favorable defensive terrain like the Alps, “such peasant republics became independent units of the Swiss Confederation.”43
De acordo com Kropotkin, as cidadezinhas medievais — e o país inteiro da Suíça, aliás — eram áreas da espécie, formadas por servos fugidos e outras populações atraídas para territórios com custo de governança proibitivo. Ao lado de construção, pelas cidadezinhas, de fortificações, e de federação e revolta contra a autoridade dos senhores feudais, em muitos lugares os habitantes de vilas federavam-se em conjunto para resistir a seus senhores feudais. Na maior parte dos casos, falecendo-lhes a proteção de muros ou de terreno defensável, eram rapidamente derrotados. Contudo, em terreno defensável favorável, como nos Alpes, “tais repúblicas camponesas tornaram-se unidades independentes da Confederação Suíça.”43
James Scott Contra Constructivist Theories of Ideology
James Scott Contra Teorias Construtivistas da Ideologia
This paper considers, more specifically, liberatory or nonstate ideology as a weapon against power and exploitation. As described by Scott, Zomian religion frequently borrows from the same pool of myths and cultural themes as the dominant religion in state spaces. But it recuperates them—in a classic example of “using the master's tools to tear down the master's house”—inverting the state religion and standing on its head. Scott, in the context of his discussion of “great traditions” vs. “little traditions,” writes: “In this 'counterpoint to the leading melody,' as Wertheim has described it, many of the central values of elite culture are symbolically rejected or stood on their head.”44 The religion of the lower orders frequently reflects “the appropriation of religious symbolism in the service of class interests.... Little tradition syncretism... represents a reworking, a selective appropriation, of those elements of a religious doctrine that answer the needs of a subordinate class.”45
Este paper considera, mais especificamente, a ideologia liberatória ou não estatal como arma contra o poder e a exploração. Como descrito por Scott, a religião zomiana frequentemente abebera-se do mesmo repositório de mitos e de temas culturais que a religião dominante em espaços estatais. Ela, porém, os retoma — em clássico exemplo de “usar as ferramentas do senhor para destruir completamente a casa do senhor” — invertendo a religião do estado e tornando-a o oposto do que era. Scott, no contexto de sua discussão das “grandes tradições” versus “pequenas tradições,” escreve: “Nesse 'contraponto à melodia principal,' como descreveu Wertheim, muitos dos valores centrais da cultura da elite são simbolicamente rejeitados ou tornados o oposto do que eram antes.”44 A religião das ordens mais baixas frequentemente reflete “a apropriação do simbolismo religioso a serviço dos interesses de classe.... O sincretismo da pequena tradição... representa um retrabalho, uma apropriação seletiva, daqueles elementos de uma doutrina religiosa que responde às necessidades de uma classe subordinada.”45
Scott takes issue especially with the assumption that ideological hegemony necessarily leads to a loss of agency by subordinate groups—“that the ideological incorporation of subordinate groups will necessarily diminish social conflict.”
Scott discorda especialmente da assunção de que a hegemonia ideológica necessariamente conduz a perda da condição de agente por parte de grupos subordinados — “de que a incorporação ideológica de grupos
subordinados necessariamente vá diminuir o conflito social.”
And yet, we know that any ideology which makes a claim to hegemony must, in effect, make promises to subordinate groups by way of explaining why a particular social order is also in their best interests. Once such promises are extended, the way is open to social conflict. How
E, sem embargo, sabemos que qualquer ideologia que reivindique hegemonia precisará, com efeito, fazer promessas aos grupos subordinados mediante explicar-lhes por que uma ordem social específica atende também aos melhores interesses deles. Uma vez tais promessas sejam ampliadas, está aberto o caminho para o conflito social. Como
43 Pyotr Kropotkin, Mutual Aid: A Factor of Evolution (New York: Doubleday, Page and Company, 1909), pp. 206-207.
44 Scott, “Protest and Profanation: Agrarian Revolt and the Little Tradition, Part I,” Theory and Society 4 (1977) No. 1, pp.16-17.
45 Scott, “Protest and Profanation: Agrarian Revolt and the Little Tradition, Part II,”Theory and Society 4 (1977) No. 2, p.226.
43 Pyotr Kropotkin, Ajuda Mútua: Fator de Evolução (New York: Doubleday, Page and Company, 1909), pp. 206-207.
44 Scott, “Protesto e Profanação: Revolta Agrária e a Pequena Tradição, Parte I,” Teoria e Sociedade 4 (1977) No. 1, pp.16-17.
45 Scott, “Protesto e Profanação: Revolta Agrária e a Pequena Tradição, Parte II,” Teoria e Sociedade 4 (1977) No. 2, p.226.

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