Sunday, January 19, 2014

C4SS - Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology - Pages 26-30



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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology
Destruição da Casa do Senhor Com as Ferramentas do Senhor: Algumas Notas acerca da Teoria Libertária da Ideologia
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 15 (First Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 15 (Primeiro Semestre de 2013)
supernatural being which is bound by the limitations of the physical form it takes on—gives its subjects a form of leverage against it. “For it is largely by reference to its contribution to group welfare that power seeks to become authority—i.e., to legitimate itself.... The process by which power is rationalized thus inevitably creates general moral principles of performance by which it may be judged and found wanting.”73
ser sobrenatural constrangido pelas limitações da forma física que assume — dá a seus súditos uma forma de poder contra ela. “Pois é em grande parte mediante referência a sua contribuição para o bem-estar do grupo que o poder busca tornar-se autoridade — isto é, busca legitimar-se.... O processo pelo qual o poder é racionalizado, portanto, inevitavelmente cria princípios morais gerais de desempenho por meio dos quais pode ser julgado e achado em falta.”73
If, however, this flattering self-portrait is to have any rhetorical force among subordinates, it necessarily involves some concessions to their presumed interests. That is, rulers who aspire to hegemony in the Gramscian sense of that term must make out an ideological case that they rule, to some degree, on behalf of their subjects. This claim, in turn, is always highly tendentious but seldom completely without resonance among subordinates.74
Se, contudo, esse autoretrato lisonjeiro deva ter qualquer força retórica entre subalternos, necessariamente envolverá algumas concessões aos presumidos interesses deles. Isto é, os governantes que aspirem a hegemonia no sentido gramsciano do termo terão de desenvolver argumentação ideológica segundo a qual eles governam, em alguma medida, no interesse de seus súditos. Essa reivindicação, por sua vez, é sempre altamente tendenciosa mas raramente de todo sem ressonância entre os subalternos.74
Any ruling group, in the course of justifying the principles of social inequality on which it bases its claim to power, makes itself vulnerable to a particular line of criticism. Inasmuch as these principles of inequality unavoidably claim that the ruling stratum performs some valuable social function, its members open themselves to attack for the failure to perform these functions honorably or equitably. The basis of the claim to privilege and power creates, as it were, the groundwork for a blistering critique of domination on the terms invoked by the elite. Such a critique from within the ruling discourse is the ideological equivalent of being hoisted on one's own petard. For any particular form of domination one may specify the claims to legitimacy it makes, the discursive affirmations it stages for the public transcript, the aspects of power relations that it will seek to hide (its dirty linen), the acts and gestures that will undermine its claims to legitimacy, the critiques that are possible within its frame of reference, and, finally, the ideas and actions that will represent a repudiation or profanation of the form of domination in its entirety. 75
Qualquer grupo em posição de poder, no curso de justificar os princípios de desigualdade social no qual baseia sua revindicação ao poder, torna-se vulnerável a linha específica de crítica. Na medida em que esses princípios de desigualdade inevitavelmente demandam que o estrato no poder desempenhe alguma função social notavelmente útil, seus membros expõem-se a ataque pela falha em desempenhar essas funções respeitável ou equanimemente. A base sobre a qual se alicerça a asseveração de privilégio e poder cria, por assim dizer, as condições propícias para crítica acerba da dominação nos termos invocados pela elite. Tal crítica a partir de dentro do discurso dos no poder é o equivalente ideológico do ficar preso na própria armadilha. Para qualquer forma específica de dominação é possível especificar as reivindicações de legitimidade que faz, as afirmações discursivas que apresenta para transcrição pública, os aspectos de relações de poder que tentará ocultar (sua roupa suja, isto é, assuntos que seriam embaraçosos se tornados públicos), os atos e gestos que solaparão suas pretensões de legitimidade, as análises e avaliações críticas possíveis dentro de seu quadro de referência e, finalmente, as ideias e ações que representarão repúdio ou profanação da forma de dominação em sua totalidade. 75
...[T]he official transcript helps... to define which of the practices that compose the inevitable dirty work of power must be screened from public view. The very operation of a rationale for inequality creates a
...[A] transcrição oficial ajuda... a definir quais dentre as práticas que compõem o inevitável trabalho sujo do poder terão de ser filtradas para não serem exibidas ao público. A própria operação de justificativa da desigualdade cria
73 Scott, “Protest and Profanation: Agrarian Revolt and the Little Tradition, Part I,” Theory and Society 4 (1977), pp. 14-15.
74 Scott, Domination and the Art of Resistance: Hidden Transcripts (New Haven and London: Yale University Press, 1990), p. 18.
75 Ibid., p. 103.
73 Scott, “Protesto  e Profanação: Revolta Agrária e a Pequena Tradição, Parte I,” Teoria e Sociedade 4 (1977), pp. 14-15.
74 Scott, Dominação e a Arte da Resistência: Transcrições Ocultas (New Haven and London: Yale University Press, 1990), p. 18.
75 Ibid., p. 103.
potential zone of dirty linen that, if exposed, would contradict the pretensions of legitimate domination. A ruling stratum whose claim to authority rests on the provision of institutionalized justice under law with honest judges will have to go to exceptional lengths to hide its thugs, its hired assassins, its secret police, and its use of intimidation. An elite that bases its power on its self-sacrificing, public-spirited probity will be damaged more by an expose of corruption in high places than one based on a patronage machine. Every publicly given justification for inequality thus marks out a kind of symbolic Achilles heel where the elite is especially vulnerable.
zona potencial de roupa suja que, se exposta, contradiria as pretensões de dominação legítima. Um estrato no poder cuja reivindicação de autoridade repousa sobre provisão de justiça institucionalizada sob a lei com juízes honestos terá de ir excepcionalmente longe para ocultar seus leões de chácara, seus assassinos contratados, sua polícia secreta, e seu uso de intimidação. Uma elite que baseie seu poder em sua probidade altruísta e socialmente preocupada será mais prejudicada por exposição de corrupção em altos lugares do que uma baseada em máquina de clientelismo. Toda justificativa dada publicamente para a desigualdade, portanto, expõe uma espécie de calcanhar de Aquiles simbólico onde a elite fica especialmente vulnerável.
Attacks that focus on this symbolic Achilles heel may be termed critiques within the hegemony. One reason they are particularly hard to deflect is simply because they begin by adopting the ideological terms of reference of the elite.... Having formulated the very terms of the argument and propagated them, the ruling stratum can hardly decline to defend itself on this terrain of its own choosing.... Any dominant group is, in this respect, least able to take liberties with those symbols in which they are most heavily invested.
Ataques assestados contra esse calcanhar de Aquiles simbólico podem ser chamados de análises e avaliações críticas internas à hegemonia. Um dos motivos pelos quais eles são particularmente difíceis de defletir é simplesmente o começarem por adotar os termos ideológicos de referência da elite.... Havendo formulado os próprios termos da argumentação e os propagado, o estrato no poder dificilmente poderá declinar de defender-se nesse terreno que ele próprio selecionou.... Qualquer grupo dominante é, sob esse aspecto, pouco capaz de sentir-se confortável na lide com aqueles símbolos nos quais investiu tão fortemente.
Perhaps for this reason..., so many radical attacks originate in critiques within the hegemony—in taking the values of ruling elites seriously, while claiming that they (the elites) do not. To launch an attack in these terms is to, in effect, call upon the elite to take its own rhetoric seriously. Not only is such an attack a legitimate critique by definition, but it always threatens to appeal to sincere members of the elite in a way that an attack from outside their values could not.76
Talvez por esse motivo..., tantos ataques radicais originem-se em análises e avaliações críticas internas à hegemonia — no levar a sério os valores das elites no poder asseverando, ao mesmo tempo, que elas (as elites) não o fazem. Deflagrar ataque nesses termos é, em realidade, exigir que a elite leve a sério sua própria retórica. Não apenas são tal ataque análise e tal avaliação crítica legítimas por definição, como sempre ameaçam apelar a membros sinceros da elite de modo tal que ataque aos valores dela a partir de fora não conseguiria apelar.76
Hence the argument of Soviet dissident Vladimir Voinovich that the greatest danger to the regime came from earnest young students of the theoretical foundations of communism, who took the regime's ideological self-justifications seriously.77 It's no accident that so many national uprisings against Soviet power in Eastern Europe after WWII took the form of heretical variants of Marxism developed within the national communist parties, or that the grass-roots resistance relied so heavily on workers' councils, factory committees, and other libertarian communist organizational precedents.
Daí o arrazoado do dissidente soviético Vladimir Voinovich, segundo o qual o maior perigo para o regime vinha de sinceros e ardorosos jovens estudantes dos fundamentos teóricos do comunismo, que levavam a sério as autojustificativas ideológicas do regime.77 Não é acidente tantos levantes nacionais contra o poder soviético na Europa Oriental depois da Segunda Guerra Mundial terem tomado a forma de variantes heréticas do marxismo, desenvolvidas dentro de partidos comunistas nacionais, ou a resistência de base ter recorrido tão fortemente a conselhos de trabalhadores, comissões de fábrica e outros precedentes organizacionais comunistas libertários.
76 Ibid., pp. 105-106.
77 Ibid., p. 106.
76 Ibid., pp. 105-106.
77 Ibid., p. 106.
As Scott argues himself, the hill people's inversions of the symbols of the official religions of lowland states is not a phenomenon limited to non-state spaces—at least if we equate “non-state spaces” to broad geographical areas outside the state's governance. They do, of course, tend to predominate in areas that are opaque to the state, even within the state's area of governance: “unauthorized and unmentioned secret assemblies of subordinates,” like Lollardry in “the pastoral, forest, moorland, and fen areas, where the social control of the church and the squirearchy did not effectively penetrate.”78 E.P. Thompson, writing of England three centuries later, said that “free intellectual life and democratic experiments” tended to proliferate in “the chapel, the tavern, and the home....”79 And these places “were seen by secular authorities and by the church as places of subversion.”80
Como argumenta o próprio Scott, as inversões, pelos povos de colina, dos símbolos das religiões dos estados de terras baixas não é fenômeno limitado a espaços não estatais — pelo menos se considerarmos como equivalentes “espaços não estatais” e amplas áreas geográficas fora da governança do estado. Tenderão, obviamente, a predominar em áreas opacas ao estado, mesmo dentro da área de governança do estado: “reuniões não autorizadas e não mencionadas de subalternos,” como o lollardismo nas “áreas de pastagens, florestas, páramos e charcos, onde o controle social da igreja e da classe proprietária de terras não penetrava de modo eficaz.”78 E.P. Thompson, escrevendo da Inglaterra de três séculos depois, disse que “livre vida intelectual e experimentos democráticos” tendiam a proliferar na “capela, na taverna, e no lar....”79 E esses lugares “eram vistos pelas autoridades seculares e pela igreja como lugares de subversão.”80
The importance of the tavern or its equivalent as a site of antihegemonic discourse lay less in the drinking it fostered or in its relative insulation from surveillance than in the fact that it was the main point of unauthorized assembly for lower-class neighbors and workers. Along with the market, which was larger and more anonymous, the tavern was the closest thign to a neighborhood meeting of subordinates....
A importância da taverna ou de seus equivalentes como lugar de discurso anti-hegemônico residia menos na bebida que fomentava ou em seu relativo isolamento que a protegia de ser observada do que no fato de ela ser o principal ponto de reunião não autorizada para vizinhos da classe mais baixa ou trabalhadores. Juntamente com o mercado, que era maior e mais anônimo, a taverna era coisa mais próxima de uma reunião de vizinhança de subalternos....
The reasons the more unmediated versions of the hidden transcripts should be encountered in taverns, alehouses, at the marketplace, during carnival, and at night in secluded spots are instructive. A dissident subculture “invests the weak points in a chain of socialization.”81
Os motivos de as versões menos censuradas das transcrições ocultas serem encontradas em tavernas, cervejarias, no mercado, durante o carnaval, e à noite, em pontos isolados, são instrutivos. Uma subcultura dissidente “investe nos pontos fracos de uma cadeia de socialização.”81
The typical response of those in authority is panopticism: “a hopelessly utopian (a master's utopia, to be sure) project of eliminating any and all protected communication among slaves.”82 According to Foucault, the central principle of Bentham's Panopticon was individualization, isolation, and the elimination of horizontal ties:
A reação típica daqueles com autoridade é a panóptica: “projeto utópico desesperado (utopia de senhores, sem dúvida) de eliminação de toda e qualquer comunicação protegida entre os escravos.”82 De acordo com Foucault, o principio central do Panopticon de Bentham era individuação, isolamento, e eliminação de vínculos horizontais:
...a supervision that was both general and individual: to observe the worker's presence and application, and the quality of his work; to compare workers with one another, to classify them according to skill
...supervisão tanto geral quanto individual: observar a presença e a atuação do trabalhador, e a qualidade de seu trabalho; comparar trabalhadores uns com os outros, para classificá-los de acordo com suas habilidades
78 Ibid., p. 121.
79 E.P. Thompson, The Making of the English Working Class, pp. 51-52, quoted in Ibid. p. 121.
80 Scott, Domination and the Arts of Resistance, p. 121.
81 Ibid., pp. 122-123; material in quotes is from Stuart Hall and Tony Jefferson, Resistance Through Rituals: Youth Subcultures in Post-war Britain (Hutchinson, 1976).
82 Ibid. p. 127.
78 Ibid., p. 121.
79 E.P. Thompson, A Formação da Classe Trabalhadora Inglesa, pp. 51-52, citado em Ibid. p. 121.
80 Scott, Dominação e a Arte da Resistência, p. 121.
81 Ibid., pp. 122-123; material entre aspas é de Stuart Hall e Tony Jefferson, Resistência por Meio de Rituais: Subculturas da Juventude na Grã-Bretanha do Pós-Guerra (Hutchinson, 1976).
82 Ibid. p. 127.
and speed; to follow the successive stages of the production process. All these serializations formed a permanent grid: confusion was eliminated: that is to say, production was divided up and the labour process was articulated, on the one hand, according to its stages or elementary operations, and, on the other hand, according to the individuals, the particular bodies, that carried it out: each variable of this force— strength, promptness, skill, constancy—would be observed, and therefore categorized, assessed, computed and related to the individual who was its particular agent. Thus, spread out in a perfectly legible way over the whole series of individual bodies, the work force may be analysed in individual units. At the emergence of large- scale industry, one finds, beneath the division of the production process, the individualizing fragmentation of labour power; the distributions of the disciplinary space often assured both .83
e velocidades; acompanhar os sucessivos estágios do processo de produção. Todas essas seriações formavam uma grade permanente: a confusão era eliminada: vale dizer, a produção era dividida e o processo de trabalho era segmentado, de um lado, de acordo com seus estágios ou operações elementares e, de outro, de acordo com os indivíduos, os corpos específicos, que levavam-no a cabo: cada variável desse grupo — força, prontidão de execução, perícia, constância — seria observada, e portanto categorizada, avaliada, computada e relacionada com o indivíduo que era seu agente específico. Assim, pois, espraiada de maneira perfeitamente legível ao longo de toda uma série de corpos individuais, a força de trabalho poderia ser analisada em unidades individuais. No surgimento da indústria de larga escala descobre-se, subjacente à divisão do processo de produção, a fragmentação individuadora do poder de trabalho; as distribuições do espaço disciplinar amiúde asseguravam ambas.83
...permit an internal, articulated and detailed control... , to render visible those who are inside it; in more general terms, an architecture that would operate to transform individuals: to act on those it shelters, to provide a hold on their conduct, to carry the effects of power right to them, to make it possible to know them, to alter them.84
...permite controle interno, segmentado e pormenorizado... , para tornar visíveis aqueles que estão dentro dele; em termos mais gerais, uma arquitetura que funcionaria para transformar indivíduos: para atuar sobre aqueles que abriga, para proporcionar controle de sua conduta, para levar os efeitos do poder diretamente a eles, para tornar possível conhecê-los, alterá-los.84
To enforce effective control and minimize subversion of the official narrative, authority must isolate the individual in order to exact agreement and compliance from her in isolation, and prevent any communication that might undermine her sense of powerlessness and atomized responsibility by creating feelings of solidarity. Conversely, horizontality is key to challenging the official narrative.
Para lograr tornar eficaz o controle e minimizar a subversão da narrativa oficial, a autoridade tem de isolar o indivíduo a fim de conseguir concordância e cooperação dele em isolamento, e impedir qualquer comunicação que possa debilitar seu senso de impotência e responsabilidade atomizada por meio da gestação de sentimentos de solidariedade. Inversamente, a horizontalidade é a chave para o questionamento da narrativa oficial.
It's probably no coincidence that the lowest levels of compliance in the Stanford Prison Experiment occurred when subjects were allowed to talk to one another.
Provavelmente não é coincidência que os níveis mais baixos de cooperação no Experimento da Prisão de Stanford tenham ocorrido quando os sujeitos tinham permissão de falar uns com os outros.
It's impossible to overestimate the anti-authoritarian effects of replacing the old broadcast communications system (with its unidirectional, hub-and-spoke architecture where one person at the center spoke and many at isolated endpoints listened) with a networked system that permitted horizontal communication. The Cluetrain Manifesto had a lot to say about the ability of people to talk to each other, as undermining the ability of
É impossível superestimar os efeitos antiautoritários de substituir o antigo sistema de transmissão por rádio e televisão (com sua arquitetura unidirecional, de rede em estrela, onde uma pessoa no centro falava e muitas em pontas isoladas ouviam) por sistema redeado que permite comunicação horizontal. O Manifesto Cluetrain teve muito a dizer quanto à capacidade das pessoas de falarem umas com as outras como forma de debilitar a capacidade de
83 Michel Foucault, Discipline and Punish: The Birth of the Prison, Translated by Alan Sheridan 1977. Second Vintage Edition (New York: Vintage Press, 1995), p. 145.
84 Ibid., p. 152.
83 Michel Foucault, Disciplina e Punição: O Nascimento da Prisão, Traduzido por Alan Sheridan 1977. Second Vintage Edition (New York: Vintage Press, 1995), p. 145.
84 Ibid., p. 152.
marketing departments to control a message unilaterally through one-directional broadcast culture. When the audience viewing the official message are free to talk to one another, it ceases to be a one-way communication to the audience members and instead becomes the subject matter of their communications with one another—like the crappy movies mocked by Joel and the bots on MST3K.
departamentos de marketing para controlar unilateralmente mensagem por meio de cultura de transmissão unidirecional. Quando a plateia espectadora da mensagem oficial fica livre para seus membros falarem uns com os outros, a comunicação deixa de ser unidirecional e passa, em vez disso, a ser o tópico objeto de comunicação desses membros uns com os outros — como os filmecos objeto de escárnio de Joel e os bernes no MST3K.
Imagine for a moment: millions of people sitting in their shuttered homes at night, bathed in that ghostly blue television aura. They're passive, yeah, but more than that: they're isolated from each other.
Imagine por um momento: milhões de pessoas sentadas dentro de seus lares com as janelas fechadas à noite, banhadas naquela fantasmagórica aura azul da televisão. Elas são passivas, sim, porém ocorre algo mais: elas estão isoladas umas das outras.
Now imagine another magic wire strung from house to house, hooking all these poor bastards up. They're still watching the same old crap. Then, during the touching love scene, some joker lobs an off-color aside — and everybody hears it. Whoa! What was that? People are rolling on the floor laughing. And it begins to happen so often, it gets abbreviated: ROTFL. The audience is suddenly connected to itself.
Agora imagine outro cabo mágico estendido de casa a casa, ligando todos aqueles infelizes. Eles ainda estão assistindo à mesma porcaria. Então, durante a tocante cena de amor, algum engraçadinho lança algum comentário picante no ar — e todo mundo ouve. Uau! O que foi isso? As pessoas rolam no chão de rir. E isso começa a acontecer tão frequentemente que passa a ser abreviado: ROTFL - estou rolando no chão de tanto rir. A plateia está subitamente conexa consigo própria.
What was once The Show, the hypnotic focus and tee-vee advertising carrier wave, becomes in the context of the Internet a sort of reverse new-media McGuffin — an excuse to get together rather than an excuse not to. Think of Joel and the 'bots on Mystery Science Theater 3000. The point is not to watch the film, but to outdo each other making fun of it.85
O que antes era O Espetáculo, o foco hipnótico de onda portadora de anúncios de TV, torna-se, no contexto da Internet, uma espécie de nova mídia McGuffin invertida — pretexto para as pessoas se aglomerarem, em vez de desculpa para não o fazerem. Pense em Joel e os bernes do Teatro de Ciência de Mistério 3000. O que interessa não é assistir ao filme, e sim cada pessoa superar as outras no caçoar dele.85
It's probably no coincidence that the lowest levels of compliance in the Stanford Prison Experiment occurred when subjects were allowed to talk to one another.
Provavelmente não terá sido coincidência que os níveis mais baixos de cooperação no Experimento da Prisão de Stanford tenham ocorrido quando os sujeitos tiveram permissão para falar uns com os outros.
Of course people have always been able to mock politicians' speeches and network news talking heads in bars and in their living rooms, making snide remarks to one another as they watch the show. But with the emergence of a many-to-many medium, the comparative ubiquity of the official version of reality versus the self-organized version has suffered a serious decline. In the old days of broadcast culture, the mockery was marginalized by the very fact of being something that was heard only in tiny islands of physical space occupied by a few other physically present listeners. The private reality of mockery was an isolated phenomenon in a larger “public” reality defined by official hierarchies. Official reality, as defined by the President's
Obviamente as pessoas sempre puderam, nos bares e em suas salas de estar, fazer troça dos discursos de políticos e de locutores de redes noticiosas, fazendo observações sardônicas umas para as outras enquanto assistindo ao espetáculo. Contudo, com o surgimento de uma mídia de muitos para muitos, a relativa ubiquidade da versão oficial da realidade, em contraste com a versão auto-organizada, sofreu sério declínio. No antigo tempo da cultura de difusão por rádio e televisão, o escárnio ficava marginalizado pelo simples fato de ser algo ouvido apenas em minúsculas ilhas de espaço físico ocupado por poucos outros ouvintes fisicamente presentes. A realidade privada da troça era um fenômeno isolado numa realidade “pública” maior definida pelas hierarquias oficiais. A realidade oficial, como definida pelas coletivas de imprensa do Presidente
85 Christopher Locke, “Waiting for Joe Six-Pack,” The Cluetrain Manifesto [Please see link in the original]
85 Christopher Locke, “A Espera por Joe Estadunidense Ingênuo,” O Manifesto Cluetrain [por favor veja link no original]

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