Wednesday, January 1, 2014

C4SS - Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology - Pages 1-5


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Center for a Stateless Society
Centro por uma Sociedade Sem Estado
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Destroying the Master's House With the Master's Tools: Some Notes on the Libertarian Theory of Ideology
Destruição da Casa do Senhor Com as Ferramentas do Senhor: Algumas Notas acerca da Teoria Libertária da Ideologia
Kevin Carson
Kevin Carson
Center for a Stateless Society Paper No. 15 (First Half 2013)
Centro por uma Sociedade sem Estado Paper No. 15 (Primeiro Semestre de 2013)
We commonly look at ideology from the perspective of the ruling class, as a legitimizing tool. But ideology serves the purposes of the ruled, as well—as
a guide to action in their class interest.
Comumente olhamos para uma ideologia da perspectiva da classe dominante, como ferramenta de legitimação. A ideologia, entanto, serve igualmente aos propósitos dos dominados — como guia para ação no interesse de sua classe.
The respective ideologies of rulers and ruled tend to be interdependent.
The official legitimizing ideology of a ruling class appeals to standards of
legitimacy that have cultural resonance with the ruled. At the same time, ideologies of resistance frequently use the ruling classes' own standards of legitimacy as weapons against them.
As ideologias respectivamente dos dominantes e dos dominados tendem a ser interdependentes. A ideologia oficial legitimadora de uma classe dominante apela para padrões de legitimidade que têm ressonância cultural junto aos dominados. Ao mesmo tempo, ideologias de resistência amiúde usam os próprios padrões de legitimidade das classes dominantes como armas contra tais classes.
The latter phenomenon, the contesting or inversion of symbols from the official ideology and their use as a tool of resistance, is the theme of this paper.
Este último fenômeno, a contestação ou inversão de símbolos da ideologia oficial e seu uso como ferramenta de resistência, é o tema do presente paper.
James Scott: Non-State Spaces and Zomian Culture
James Scott: Espaços Não Estatais e Cultura Zomiana
James Scott's The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia treats Zomia—the highland areas of southeast Asia—as a paradigmatic example of what he calls “nonstate spaces.”
A Arte de Não Ser Governado: História Anarquista das Terras Altas do Sudeste Asiático, de James Scott, trata Zomia — as terras altas do sudeste asiático — como exemplo paradigmático do que ele chama de “espaços não estatais.”
What Scott calls “state spaces and nonstate spaces” are the central theme of The Art of Not Being Governed. State spaces, Scott wrote in Seeing Like a State, are geographical regions with high-density population and high-density grain agriculture, “producing a surplus of grain... and labor which was relatively easily appropriated by the state.” The conditions of nonstate spaces were just the reverse, “thereby severely limiting the possibilities for
reliable state appropriation.”1
O que Scott chama de “espaços estatais e espaços não estatais” é o tema central de A Arte de Não Ser Governado. Espaços estatais, escreveu Scott em Do Ver Como Estado, são regiões geográficas com alta densidade populacional e alta densidade de agricultura de grãos, “produzindo excesso de grãos... e trabalho de relativamente fácil apropriação pelo estado.” As condições de espaços não estatais são exatamente o inverso, “limitando assim severamente as possibilidades de apropriação estatal consistente.”1
This might have served as the topic sentence for his next book, The Art of
Not Being Governed. In fact, according to Scott,2 Seeing Like a State was actually an offshoot of the research that eventually led to The Art of Not Being Governed. His original line of inquiry was “to understand why the state has always seemed to be the enemy of 'people who move around'....” In his studies of “the perennial tensions between mobile, slash-and-burn hill peoples on one hand and wet-rice, valley kingdoms on the other,” along with assorted nomads and runaway slaves, Scott was diverted into a study of legibility as a motive for state policies of sedentarization. Having developed that topic, he came back to his original focus in The Art of Not
Essa poderia ter servido como a sentença de tópico para o livro seguinte dele, A Arte de Não Ser Governado. De fato, de acordo com Scott,2 Do Ver Como Estado foi na verdade uma ramificação da pesquisa que por fim levou a A Arte de Não Ser Governado. Sua linha original de investigação visava a “entender por que o estado sempre pareceu ser inimigo das 'pessoas que se deslocam'....” Em seus estudos acerca de “as perenes tensões entre povos moventes, de coivara, das colinas, de um lado, e reinos do vale, de arrozais inundados, do outro,” juntamente com nômades variados e escravos fugidos, Scott foi desviado para um estudo da legibilidade como motivo das políticas de sedentarização do estado. Havendo desenvolvido esse tópico, ele retornou a seu foco original em A Arte de Não
1 Scott, Seeing Like a State, p. 186.
2 Ibid., pp. 1-2.
1 Scott, Do Ver Como Estado, p. 186.
2 Ibid ., pp. 1-2.
Being Governed.
Ser Governado.
In the latter book, Scott surveys the populations of “Zomia,” the highland
areas spanning the countries of Southeast Asia, which are largely outside the reach of the governments there. He suggests areas of commonality between the Zomians and people in nonstate areas around the world, upland and frontier people like the Cossacks, Highlanders and “hillbillies,” nomadic peoples like the Romani and English and Irish Travelers, and runaway slave communities in inaccessible marsh regions of the American South.
No segundo livro, Scott vistoria as populações de “Zomia,” as áreas mais altas que permeiam os países do Sudeste Asiático, as quais ficam, em grande parte, fora do alcance dos governos de lá. Ele sugere pontos em comum entre os zomianos e pessoas de áreas não estatais em todo o mundo, povos de terras altas e de terras onde começa o sertão tais como os cossacos, montanheses da Escócia e “caipiras apalachianos,” povos nômades como os ciganos e os itinerantes ingleses e irlandeses, e comunidades de escravos fugidos em regiões pantanosas inacessíveis do sul dos Estados Unidos.
States attempt to maximize the appropriability of crops and labor,
designing state space so as “to guarantee the ruler a substantial and reliable surplus of manpower and grain at least cost...” This is achieved by geographical concentration of the population and the use of concentrated, high-value forms of cultivation, in order to minimize the cost of governing the area as well as the transaction costs of appropriating labor and produce.3 State spaces tend to encompass large “core areas” of highly concentrated grain production “within a few days' march from the court center,” not necessarily contiguous with the center but at least “relatively accessible to officials and soldiers from the center via trade routes or navigable waterways.”4 Governable areas are mainly areas of high-density agricultural production linked either by flat terrain or watercourses.5
Os estados tentam maximizar a apropriabilidade de plantações e trabalho, estabelecendo espaço estatal de modo a “garantir ao governante substancial e fidedigno excedente de mão de obra e grãos pelo menor custo...” Isso é conseguido por concentração geográfica da população e pelo uso de formas de cultivo concentradas, de alto valor, para o fito de minimização do custo de governar a área, bem como minimização dos custos de transação da apropriação do trabalho e da produção.3 Os espaços estatais tendem a abranger grandes “áreas cerne” de produção de grãos altamente concentrada a “poucos dias de caminhada do centro da corte,” não necessariamente contíguas ao centro mas pelo menos “relativamente acessíveis a autoridades e soldados oriundos do centro via rotas de comércio ou vias navegáveis.”4 Áreas governáveis são principalmente áreas de produção agrícola de alta densidade ligadas ou por terreno plano ou por cursos de água.5
The nonstate space is a direct inversion of the state space: it is “state repelling,” i.e. “it represents an agro-ecological setting singularly
unfavorable to manpower- and grain-amassing strategies of states. States
“will hesitate to incorporate such areas, inasmuch as the return, in
manpower and grain, is likely to be less than the administrative and military costs of appropriating it.”6
O espaço não estatal é inversão direta do espaço estatal: é “repelidor do estado,” isto é, “representa um cenário agroecológico singularmente desfavorável a estratégias dos estados referentes a mão de obra e acumulação de grãos. Os estados “hesitarão em incorporar tais áreas, na medida em que o retorno, em mão de obra e grãos, tenderá a ser menor do que os custos administrativos e militares de apropriação.”6
The greater the dispersal of the crops, the more difficult they are to collect, in the same way that a dispersed population is more difficult to grab. To the degree that such crops are part of the swiddener's portfolio, to that degree will they prove fiscally sterile to states and raiders and be
Quanto maior a dispersão das plantações, mais difícil será coletá-las, do mesmo modo que uma população dispersa é mais difícil de açambarcar. Na medida em que tais plantações sejam parte do elenco do coivarador, nesse mesmo grau elas se revelarão fiscalmente estéreis para estados e invasores e serão
3 James C. Scott, The Art of Not Being Governed: An Anarchist History of Upland Southeast Asia (New Haven and London: Yale University Press, 2009), pp. 40-41.
4 Ibid., p. 53.
5 Ibid., p. 58.
6 Ibid., p. 178.
3 James C. Scott, A Arte de Não Ser Governado: História Anarquista das Terras Altas do Sudeste Asiático (New Haven and London: Yale University Press, 2009), pp. 40-41.
4 Ibid., p. 53.
5 Ibid., p. 58.
6 Ibid., p. 178.
deemed “not worth the trouble” or, in other words, a nonstate space.7
consideradas “não valerem a pena” ou, em outras palavras, espaço não estatal.7
Nonstate spaces benefit from various forms of “friction” that increase the
transaction costs of appropriating labor and output, and of extending the
reach of the state's enforcement arm into such regions. These forms of friction include the friction of distance8 (which amounts to a distance tax on centralized control), the friction of terrain or altitude, and the friction of seasonal weather.9 In regard to the latter, for example, the local population might “wait for the rains, when supply lines broke down (or were easier to cut) and the garrison was faced with starvation or retreat.”10
Os espaços não estatais beneficiam-se de diversas formas de “fricção” que aumentam os custos de transação de apropriação do trabalho e da produção, e de estender o alcance do braço compelidor do estado até tais regiões. Essas formas de fricção incluem a fricção da distância8 (que equivale a um imposto de distância onerador do controle centralizado), a fricção das características físicas do terreno ou da altitude, e a fricção das condições metereológicas sazonais.9 Com relação a esta última, por exemplo, a população poderá “esperar as chuvas, quando as linhas de suprimento entrem em colapso (ou sejam mais fáceis de interromper) e a guarnição se veja na iminência de inanição ou retirada.”10
In Zomia, as Scott describes it:
Em Zomia, como Scott descreve:
Virtually everything about these people's livelihoods, social organization, ideologies, ...can be read as strategic positionings designed to keep the state at arm's length. Their physical dispersion in rugged terrain, their mobility, their cropping practices, their kinship structure, their pliable ethnic identities, and their devotion to prophetic, millenarian leaders effectively serve to avoid incorporation into states and to prevent states from springing up among them.11
Praticamente tudo acerca dos modos de sustento dessas pessoas, sua organização social, suas ideologias, ...pode ser entendido como posicionamentos estratégicos visantes a manter o estado à distância. Sua dispersão física em terreno escabroso, sua mobilidade, suas práticas de plantação, sua estrutura de relações de sangue, suas identidades étnicas flexíveis, e sua devoção a líderes proféticos milenários servem na verdade para impedir a incorporação em estados e a impedir que os estados subitamente se instalem entre elas.11
In order to avoid taxes, draft labor and conscription, they practiced “escape
agriculture: forms of cultivation designed to thwart state appropriation.” Their social structure, likewise, “was designed to aid dispersal and autonomy and to ward off political subordination.”12
Para impedir tributos, trabalho forçado e conscrição militar, elas praticavam “agricultura de escape: formas de cultivo projetadas para impedir apropriação pelo estado.” Sua estrutura social, analogamente, “estava projetada para favorecer dispersão e autonomia e impedir subordinação política.”12
Zomia is one of many nonstate spaces throughout the world—whether
territorial or nomadic societies—populated by secessionists voting with their feet: they include the Cossacks, Romani, English and Irish Travelers, and the “pirate utopias” and American “tri-racial isolates” described by Hakim Bey.
Zomia é um dos espaços não estatais ao redor do mundo — quer sociedades territoriais, quer nômades — povoados por secessionistas votantes por meio de abandono da mesa de negociação: aí se incluem os cossacos, ciganos, itinerantes ingleses e irlandeses, e as “utopias piratas” e os “isolados trirraciais” estadunidenses descritos por Hakim Bey.
The latter category, unfortunately, got its name from the American eugenics movement at the turn of the 20th century. They descended from
runaway black slaves, white indentured servants and Indians who formed
Esta última categoria, infelizmente, obteve seu nome a partir do movimento eugenista estadunidense da virada do século 20. Eles descendem de escravos pretos fugidos, servos brancos contratados e índios, que constituíram
7 Ibid., p. 196.
8 Ibid., p. 51.
9 Ibid., p. 61.
10 Ibid., p. 63.
11 Ibid., x .
12 Ibid., p. 23.
7 Ibid., p. 196.
8 Ibid., p. 51.
9 Ibid., p. 61.
10 Ibid., p. 63.
11 Ibid., x .
12 Ibid., p. 23.

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