Tuesday, December 3, 2013

dbfrank - What Kind of Theory Do We Need for Translation? 1. Introduction


Bible Translation Conference 2008: Translator and Audience
February 4-6, 2008
UK Campus of the European Training Programme, Horsleys Green, England
ENGLISH
PORTUGUÊS
What Kind of Theory Do We Need for Translation?
De Que Tipo de Teoria Precisamos para Tradução?
David B Frank
David B Frank
SIL International
SIL International
1. Introduction
1. Introdução
A theory can be explained as a lens with which we can view something. It is a way of viewing what seems to be a coherent field of data calling for explanation. But because of our limited human perspective, our theories, like a lens, are only able to focus on certain parts of the object of study, and leave other parts out of focus. A theory might help one see some things clearly, and see other things fuzzily or not at all. As Albert Einstein has suggested, “Whether you can observe a thing or not depends on the theory which you use. It is the theory which decides what can be observed.”
Pode-se explicar uma teoria comparando-se-a a uma lente com a qual conseguimos ver algo. É uma forma de ver o que parece ser campo coerente de dados que requerem explicação. Por causa, contudo, de nossa perspectiva humana limitada, nossas teorias, do mesmo modo que as lentes, só são capazes de focalizar certas partes do objeto de estudo, ficando outras partes fora do foco. Uma teoria poderá ajudar alguém a ver algumas coisas claramente, e levar esse alguém a ver outras coisas indistintamente, ou a mesmo não vê-las. Como Albert Einstein sugeriu, “Se você consegue observar uma coisa ou não dependerá da teoria que você use. A teoria é que decide o que conseguirá ser observado.”
As philosopher of science Thomas Kuhn has pointed out (1970), throughout history one theory sometimes replaces another. This happens when it becomes obvious that the dominant theory (which might not be recognized as a theory at all) is not able to explain some important facts. A “scientific revolution” takes place, and the old theory is trumped by a new one that can explain these facts. Or there are other times when a theory arises out of a context where there is no agreed-upon way of understanding something, which Kuhn describes as a pre-paradigmatic state. In the situation where one theory replaces a former dominant theory, Kuhn describes this as a paradigm shift. Or a theory might coexist with other theories, jockeying for dominance. Kuhn would call these co-existing theories competing paradigms.
Como destacou o filósofo da ciência Thomas Kuhn (1970), ao longo da história uma teoria, por vezes, passa a ocupar o lugar de outra. Isso acontece quando torna-se óbvio que a teoria dominante (que poderá sequer ser reconhecida como teoria) não consegue explicar certos fatos importantes. Tem lugar uma “revolução científica,” e a antiga teoria é substituída por outra que possa explicar tais fatos. Ou então, há outras ocasiões em que uma teoria surge de um contexto onde não há modo acerca do qual as pessoas se ponham de acordo quanto a entender algo, o que Kuhn descreve como estado pré-paradigmático. Na situação na qual uma teoria substitui uma teoria anteriormente dominante, Kuhn descreve isso como mudança de paradigma. Ou então uma teoria pode coexistir com outras teorias, competindo por domínio. Kunh chamaria essas teorias coexistentes de paradigmas em competição.
It is possible to have different co-existing theories each directed toward the same object of study, but each with a different approach and focus. It is possible, for example, for one theorist  to emphasize the predictability of certain behaviors, while another theorist emphasizes  the unpredictability. Within social studies, including linguistics and communication studies,  one theorist may emphasize cognitive factors while another emphasizes sociological factors.  Some theories are more structural in orientation, following the tradition of Ferdinand de Saussure, while others are more functional in orientation and have little concern for structure.
É possível ter-se diferentes teorias coexistentes, cada uma dirigida para o mesmo objeto de estudo, mas cada uma com diferente abordagem e centro de interesse. É possível, por exemplo, um teórico enfatizar a previsibilidade de determinados comportamentos, enquanto outro teórico enfatiza a imprevisibilidade. Em estudos sociais, inclusive estudos de linguística e comunicação, um teórico pode enfatizar fatores cognitivos, e outro enfatizar fatores sociológicos. Algumas teorias têm orientação mais estrutural, seguindo a tradição de Ferdinand de Saussure, enquanto outras exibem orientação mais funcional e se importam pouco com estrutura.
Structuralism has been a more powerful influence in the study of human behavior than many people realize. Saussure is generally recognized as both the father of synchronic linguistics and of modern structuralism (though its roots go back at least as far as Plato). Saussure distinguished between synchronic and diachronic linguistics and ushered in the present era of attention to the former. He distinguished between langue and parole and focused his attention on the former, the system underlying spoken language. He saw phonemes as elements that can only be understood as part of an overall phonological system. Much of our understanding of linguistics is based on the pioneering work of Saussure, and this influence spread to related fields such as psychology, anthropology and literary theory as well.
O estruturalismo tem sido influência mais poderosa no estudo do comportamento humano do que muita gente percebe. Saussure é generalizadamente reconhecido tanto como pai da linguística sincrônica quanto do estruturalismo moderno (embora as raízes deste remontem a pelo menos alguém tão antigo quanto Platão). Saussure distinguiu entre linguística sincrônica e diacrônica e inaugurou a presente era de atenção voltada para a primeira. Distinguiu entre langue e parole e concentrou sua atenção na primeira, no sistema subjacente à linguagem falada. Viu os fonemas como elementos que só podem ser entendidos como parte de um sistema fonológico geral. Muito de nossa compreensão da linguística está baseado na obra pioneira de Saussure, e essa influência dissemina-se também para campos relacionados tais como psicologia, antropologia e teoria literária. 
In the history of modern linguistics since the time of Saussure, there was an emphasis in the middle part of the 20th Century known as the American Structuralist movement. TheTransformational-Generative variety of linguistics that rose to prominence in the late 1950s and reached its height during the 1960s and early 1970s grew out of a general recognition that American Structuralism was not equipped to answer some important questions about language. While Noam Chomsky used the term “structuralists” in a derogatory way to describe his intellectual predecessors, his Transformational-Generative theory of linguistics continued the structuralist tradition. In fact, by distinguishing between surface structure and deep structure, Chomsky’s model took structuralism to new heights. In his book The Concept of Structuralism, Pettit cites Saussure, Jakobson and Chomsky as the main structuralist theorists (1975:1).
Na história da linguística moderna desde o tempo de Saussure houve ênfase na parte do meio do século 20 conhecida como o movimento estruturalista estadunidense. A variedade transformacional-gerativa que ascendeu a preeminência no final dos anos 1950 e atingiu seu ápice no decorrer dos anos 1960 e início dos 1970 dissipou-se por causa de reconhecimento geral de que o estruturalismo estadunidense não estava equipado para responder a algumas importantes perguntas acerca da linguagem. Embora Noam Chomsky tenha usado o termo “estruturalistas” de modo depreciativo ao descrever seus predecessores intelectuais, sua teoria transformacional-gerativa da linguística continuou a tradição estruturalista. Na verdade, ao distinguir entre estrutura de superfície e estrutura profunda, o modelo de Chomsky levou o estruturalismo a novas alturas. Em seu livro O Conceito de Estruturalismo, Pettit cita Saussure, Jakobson e Chomsky como os principais teóricos estruturalistas (1975:1).
It is the thesis of this paper that a structuralist orientation has dominated theoretical approaches to both linguistics and translation in modern history, but that an alternate theoretical and methodological orientation can help elucidate important factors in translation studies that a structuralist orientation cannot. What I present here is what I consider a structural-functional model for translation that is sociological or sociolinguistic in perspective, as opposed to the psychological models that are dominant. Note that I will prefer the term “model” rather than“theory,” since there is sometimes disagreement or confusion concerning how the latter term should be used. (Some define a theory such that it must make predictions and is falsifiable, while for others it is a coherent, methodological way of understanding and explaining some subject.) Having said that, what will be presented here is an alternative to other things that have been called theories, such as Relevance Theory or Skopos Theory.
A tese deste paper é a de que orientação estruturalista tem dominado as abordagens teóricas tanto da linguística quanto da tradução na história moderna, mas orientação alternativa teórica e metodológica poderá ajudar a elucidar importantes fatores em estudos de tradução que uma orientação estruturalista não pode. O que apresento aqui é o que considero um modelo estrutural-funcional para tradução de perspectiva sociológica ou sociolinguística, por oposição aos modelos psicológicos dominantes. Notemos que preferirei o termo “modelo” ao termo “teoria,” visto haver por vezes desacordo ou confusão no tocante a como este último termo deva ser usado. (Algumas pessoas definem teoria como algo que tem de fazer previsões e é refutável, enquanto para outras pessoas ela é modo coerente e metodológico de entender e explanar algum objeto.) Havendo isto dito, o que será apresentado aqui é uma alternativa a outras coisas que têm sido chamadas de teoria, como a Teoria da Relevância ou a Teoria Skopos.
We can take a structural approach to analyzing language and other types of human behavior, or a  functional approach, or a mixture of the two. These may not be the only ways of trying to make sense of human behavior, but these are the approaches being compared and contrasted here.
Podemos adotar abordagem estrutural para analisar a linguagem e outros tipos de comportamento humano, ou então abordagem funcional, ou misto das duas. Poderá ser que não sejam os únicos modos de tentar encontrar sentido no comportamento humano, mas são estas as abordagens que serão comparadas e contrastadas aqui.

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