Sunday, December 1, 2013

C4SS - No, Stossel. The Pilgrims Were Starved by a Corporation, Not by Communism.



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CENTER FOR A STATELESS SOCIETY
CENTRO POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO
A Left Market Anarchist Think Tank and Media Center
Centro de Políticas e de Mídia Esquerdista Anarquista de Mercado
Commentary
Comentário
No, Stossel. The Pilgrims Were Starved by a Corporation, Not by Communism.
Não, Stossel. Os Peregrinos Foram Levados à Inanição por uma Corporação, Não pelo Comunismo.
Kevin Carson | November 27th, 2013
Kevin Carson | 27 de novembro de 2013
Each year at this time somebody in the right-libertarian world, reenacting an obligatory Thanksgiving ritual, drags out the old chestnut about the Pilgrims at Plymouth almost starving from “communism” until private property rights and capitalism saved them. This year John Stossel (“We Should Be Thankful for Private Property,” Reason, Nov. 27) gets the honors.
Todo ano, nesta época, alguém do mundo libertário de direita, repetindo ritual obrigatório de Ação de Graças, faz voltar à tona a velha ladainha acerca de os Peregrinos, em Plymouth, quase morrerem de fome por causa do  “comunismo,” até direitos privados de propriedade e capitalismo os salvarem. Este ano, John Stossel (“Deveríamos Estar Agradecidos pela Propriedade Privada,” Reason, 27 de novembro) colhe as honras.
In the received version the Puritans, motivated by a misguided idealism, initially set out to restore the primitive Christian communism of the Book of Acts, “holding all things in common.” Stossel characterizes the arrangement as sounding “like something out of Karl Marx.” When the obvious incentive problems entailed in this practice led to starvation, the settlers accommodated themselves to reality and divided up the land and worked it individually. Output skyrocketed, starvation was averted, and everybody was happy.
Na versão com que somos aquinhoados, os Puritanos, impelidos por idealismo equivocado, inicialmente tratam de restaurar o primitivo comunismo cristão do Livro dos Atos, “tendo todas as coisas em comum.” Stossel caracteriza o arranjo como soando “como algo proveniente de Karl Marx.” Quando os óbvios problemas de incentivo implícitos naquela prática levaram a inanição, os colonos tiveram de aceitar a realidade e dividiram a terra, passando a trabalhá-la individualmente. A produção disparou, a inanição foi revertida, e todo mundo ficou feliz.
But that’s not the way things actually happened.
Não foi assim, porém, que as coisas realmente se passaram.
Richard Curl’s history of cooperatives in America, For All the People, fills in some missing details that change the meaning of the story entirely. Curl supplements Bradford’s history with material from J. A. Doyle’s English Colonies. According to Doyle, the agreement between the Pilgrim Separatists and the Merchant Adventurers corporation provided that
A história, escrita por Richard Curl, acerca das cooperativas nos Estados Unidos, Para Todas as Pessoas, preenche alguns detalhes faltantes que modificam inteiramente o significado da narrativa. Curl suplementa a história de Bradford com material de Colônias Inglesas, de J. A. Doyle. De acordo com Doyle, o acordo entre os Peregrinos Separatistas e a corporação dos Comerciantes Mercadores estipulava que
“[a]ll settlers … were to receive their necessaries out of the common stock. For seven years there was to be no individual property or trade, but the labor of the colony was to be organized according to the different capacities of the settlers. At the end of the seven years the company was to be dissolved and the whole stock divided.
“[t]odos os colonos … receberiam suprimento para suas necessidades oriundo de estoque comum. Durante sete anos não haveria propriedade ou comércio individual, mas o trabalho da colônia seria organizado de acordo com as diferentes capacidades dos colonos. Ao final dos sete anos, a companhia seria dissolvida e o estoque todo dividido.
Two reservations were inserted, one entitling the settlers to separate plots of land about their houses, and the other allowing them two days in the week for cultivation of such holdings. The London partners, however, refused to grant these concessions, and the agents of the emigrants withdrew them rather than give up the scheme.”
Foram incluídas duas ressalvas, uma dando direito aos colonos de separar glebas ao redor de suas casas, e a outra permitindo-lhes dois dias na semana para cultivo delas. Os parceiros de Londres, contudo, recusaram-se a fazer essas concessões, e os agentes dos emigrantes retiraram-nas, para não abrirem mão do esquema.”
In the conventional narrative the apostolic zeal of the Pilgrims, who desire to recreate the communism of the early Church, is confronted by hard reality. But according to Curl, relations between the Puritan settlers and the Merchant Adventurers make more sense in light of an entirely different subtext — the English peasantry’s relations with the landed classes in the Old Country: “The colonists, most of them tenant farmers in the open fields of an old manorial hunting park in Nottinghamshire, considered that the investors’ demand essentially reduced them to serfdom. The settlers were asking for no more than was normal under England’s manorial system in effect since the Middle Ages. Peasants worked in the lord’s fields but also had time to work with individual plots for their household needs.”
Na história convencional o zelo apostólico dos Peregrinos, que desejam recriar o comunismo da Igreja primitiva, é confrontado pela dura realidade. De acordo com Curl, porém, as relações entre os colonos Puritanos e os Comerciantes Mercadores fazem mais sentido à luz de significado implícito inteiramente diferente — as relações do campesinato inglês com as classes proprietárias de terras do País Velho: “Os colonos, a maioria dos quais formada de arrendatários rurais nos campos abertos de um velho parque de caça senhorial em Nottinghamshire, consideravam que a exigência dos investidores essencialmente reduzia-os à condição de servos. Os colonos não estavam pedindo mais do que o normal no sistema senhorial da Inglaterra em vigor desde a Idade Média. Os camponeses trabalhavam nos campos do senhor mas também tinham tempo para trabalhar glebas individuais para suas necessidades familiares.”
The Plymouth story is sometimes compared to that of agriculture in the last days of the Soviet Union, where most of the food consumed came from private family plots — essentially kitchen gardens with some small livestock thrown in. Had the entire Soviet population been forced to subsist on the output of State and collective farms alone, the result would have been mass starvation — exactly like in Plymouth. This parallel is entirely accurate. What the received version of the Plymouth story leaves out, however, is that the role of the “collective farm” in the little drama is played not by the naive Puritan zealots seeking to “hold all things in common” but by a private corporation chartered by the English crown.
A história de Plymouth é por vezes comparada à da agricultura nos últimos dias da União Soviética, onde a maior parte do alimento consumido vinha de glebas familiares privadas — essencialmente hortas domésticas com algum gado de pequeno porte ali inserido. Se a população soviética inteira tivesse sido forçada a subsistir só com a produção das fazendas estatais e coletivas, o resultado teria sido inanição em massa — exatamente como em Plymouth. Esse paralelismo é inteiramente correto. O que a versão com que somos aquinhoados da história de Plymouth deixa de fora, entretanto, é que o papel da “fazenda coletiva” no pequeno drama é obra não de ingênuos Puritanos extremados procurando “ter todas as coisas em comum,” e sim de corporação privada credenciada pela coroa inglesa.
And as Curl describes it, the system of private plots adopted after the rebellion against the Merchant Adventurers wasn’t much like modern fee simple ideas of “private property,” either. It sounds more like the open-field system the settlers had experienced in Nottinghamshire: The family plots were ad hoc, to be periodically redivided, and not subject to inheritance.
E, do modo que descreve Curl, o sistema de glebas privadas adotado depois da rebelião contra os Comerciantes Mercadores tampouco assemelhava-se às ideias modernas de domínio pleno da “propriedade privada.” Soa mais como o sistema de campo aberto de que os colonos tinham tido experiência em Nottinghamshire: As glebas familiares eram ad hoc, a serem periodicamente redivididas, e não passíveis de herança.
So the proper analog to what almost killed off the Pilgrims is not, as Stossel says, “Karl Marx” or “today’s [presumably left-wing] politicians and opinion-makers.” It’s the lord of an English manor — or a Fortune 500 corporation. But the story as it actually happened is still a testament to the evils of statism and the benefits of voluntary cooperation. The Merchant Adventurers, like the Fortune 500 companies of today, was a chartered corporation that depended entirely on benefits and legal privileges conferred by the state. The living arrangements it attempted to impose on the Plymouth settlers were the same as the extractive arrangements that prevailed on an English manor, enforced by the legal privileges the state conferred on the landed nobility. And the new system the Pilgrims replaced them with were the age-old open field system that peasant villages had spontaneously created for themselves, in the absence of coercive interference, since neolithic times.
Portanto o análogo adequado ao que quase exterminou os Peregrinos não é, ao contrário do que diz Stossel, “Karl Marx” ou “políticos e formadores de opinião [presumivelmente de esquerda].” É o senhor da herdade inglesa — ou corporação das 500 da Fortune. A história, porém, como de fato aconteceu, é ainda assim evidência dos males do estatismo e dos benefícios da cooperação voluntária. Os Comerciantes Mercadores, como as 500 empresas da Fortune de hoje, formavam uma corporação credenciada que dependia inteiramente dos benefícios e dos privilégios legais concedidos pelo estado. As fórmulas de convivência que essa corporação tentou impor aos colonos de Plymouth eram as mesmas das estipulações extrativas prevalecentes na herdade inglesa, feitas cumprir pelos privilégios legais que o estado conferia à nobreza fundiária. E o novo sistema pelo qual os Peregrinos as substituíram foi o vetusto sistema de campo aberto que vilas de camponeses haviam espontaneamente criado para si próprias, com ausência de interferência coercitiva, desde épocas neolíticas.
Kevin Carson is a senior fellow of the Center for a Stateless Society (c4ss.org) and holds the Center's Karl Hess Chair in Social Theory. He is a mutualist and individualist anarchist whose written work includes Studies in Mutualist Political Economy, Organization Theory: A Libertarian Perspective, and The Homebrew Industrial Revolution: A Low-Overhead Manifesto, all of which are freely available online. Carson has also written for such print publications as The Freeman: Ideas on Liberty and a variety of internet-based journals and blogs, including Just Things, The Art of the Possible, the P2P Foundation, and his own Mutualist Blog.
Kevin Carson é membro graduado do Centro por uma Sociedade sem Estado (c4ss.org) e titular da Cátedra Karl Hess em Teoria Social do Centro. É mutualista e anarquista individualista cuja obra escrita inclui Estudos em Economia Política Mutualista, Teoria da Organização: Uma Perspectiva Libertária, e A Revolução Industrial Gestada em Casa: Manifesto de Baixo Overhead, todos disponíveis grátis online. Carson tem também escrito para publicações impressas como O Homem Livre: Ideias acerca de Liberdade e para várias publicações e blogs da internet, inclusive Apenas Coisas, A Arte do Possível, a Fundação P2P, e seu próprio Blog Mutualista.




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