Friday, November 15, 2013

The Anti-Empire Report - The Cold War Revisited


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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #122
O Relatório Anti-Império No. 122
By William Blum – Published November 7th, 2013
Por William Blum – Publicado em 7 de novembro de 2013
The Cold War Revisited
A Guerra Fria Repensada
I’ve written the Introduction to a new book recently published in Russia that is sort of an updating of my book Killing Hope. 4 Here is a short excerpt:
Venho de escrever a Introdução de novo livro recentemente publicado na Rússia o qual é uma espécie de atualização de meu livro O Assassínio da Esperança. 4 Eis aqui curto excerto:
The Cold War had not been a struggle between the United States and the Soviet Union. It had been a struggle between the United States and the Third World, which, in the decade following the dissolution of the Soviet Union, continued in Haiti, Somalia, Iraq, Yugoslavia and elsewhere.
A Guerra Fria não foi uma luta entre os Estados Unidos e a União Soviética. Foi uma luta entre os Estados Unidos e o Terceiro Mundo que, na década subsequente à dissolução da União Soviética, continuou no Haiti, na Somália, no Iraque, na Iugoslávia e em outros lugares.
The Cold War had not been a worldwide crusade by America to halt Soviet expansion, real or imaginary. It had been a worldwide crusade by America to block political and social changes in the Third World, changes opposed by the American power elite.
A Guerra Fria não foi uma cruzada mundial dos Estados Unidos para deter a expansão soviética, real ou imaginária. Foi uma cruzada mundial dos Estados Unidos para bloquear mudanças políticas e sociais no Terceiro Mundo, mudanças às quais se opunha a elite de poder estadunidense.
The Cold War had not been a glorious and noble movement of freedom and democracy against Communist totalitarianism. It had typically been a movement by the United States in support of dictatorships, authoritarian regimes and corrupt oligarchies which were willing to follow Washington’s party line on the Left, US corporations, Israel, oil, military bases, et al. and who protected American political and economic interests in their countries in exchange for the American military and CIA keeping them in power against the wishes of their own people.
A Guerra Fria não foi um glorioso e nobre movimento de liberdade e democracia contra o totalitarismo comunista. Foi, tipicamente, um movimento dos Estados Unidos em apoio a ditaduras, regimes autoritários e oligarquias corruptas dipostos a seguir a linha partidária de Washington no tocante a Esquerda, corporações estadunidenses, Israel, petróleo, bases militares et al., e que protegiam os interesses políticos e econômicos estadunidenses em seus países, em troca de a instituição militar estadunidense e a CIA mantê-los no poder contra os desejos de seus próprios povos.
In other words, whatever the diplomats at the time thought they were doing, the Cold War revisionists have been vindicated. American policy had been about imperialism and military expansion.
Em outras palavras, o que quer que os diplomatas, à época, achassem que estavam fazendo, veio a ficar patente que os revisionistas da Guerra Fria estavam certos. A política estadunidense dizia respeito a imperialismo e a expansão militar.
Apropos the countless other myths we were all taught about the Soviet Union is this letter I recently received from one of my readers, a Russian woman, age 49, who moved to the United States eight years ago and now lives in Northern Virginia:
No tocante aos incontáveis outros mitos que contaram a todos nós acerca da União Soviética, eis aqui carta que recebi recentemente de uma de minhas leitoras, mulher russa de 49 anos de idade, que se mudou para os Estados Unidos há oito anos e agora mora no norte da Virgínia:
I can’t imagine why anybody is surprised to hear when I say I miss life in the Soviet Union: what is bad about free healthcare and education, guaranteed employment, guaranteed free housing? No rent or mortgage of any kind, only utilities, but they were subsidized too, so it was really pennies. Now, to be honest, there was a waiting list to get those apartments, so some people got them quicker, some people had to wait for years, it all depended on where you worked. And there were no homeless people, and crime was way lower. As a first grader I was taking the public transportation to go to school, which was about 1 hour away by bus (it was a big city, about the size of Washington DC, we lived on the outskirts, and my school was downtown), and it was fine, all other kids were doing it. Can you even imagine this being done now? I am not saying everything was perfect, but overall, it is a more stable and socially just system, fair to everybody, nobody was left behind. This is what I miss: peace and stability, and not being afraid of the future.
Não consigo imaginar por que alguém se surpreenda ao ouvir quando digo que sinto saudade da vida na União Soviética: o que há de errado com saúde e educação grátis, emprego garantido, e residência assegurada? Nenhum aluguel ou hipoteca, apenas pagamento de serviços públicos, os quais porém também eram subsidiados, de modo que pagávamos realmente centavos. Agora, para ser honesta, havia uma lista de espera para obter aqueles apartamentos, e assim algumas pessoas os conseguiam mais rápido, algumas pessoas tinham de esperar anos, tudo dependia de onde a pessoa trabalhava. E não havia pessoas sem teto, e a criminalidade era muito mais baixa. Como aluna do primeiro ano eu usava transporte público para ir à escola, que ficava mais ou menos a 1 hora de ônibus (era uma cidade grande, perto do tamanho de Washington DC, morávamos nos subúrbios, e minha escola era no centro da cidade), e estava tudo bem, todas as outras crianças faziam a mesma coisa. Pode alguém sequer imaginar isso sendo feito em nossos dias? Não estou dizendo que tudo era perfeito mas, de modo geral, era um sistema mais estável e socialmente justo, justo para todos, ninguém era negligenciado. É disso que sinto falta: paz e estabilidade, e não ter medo do futuro.
Problem is, nobody believes it, they will say that I am a brainwashed “tovarish” [comrade]. I’ve tried to argue with Americans about this before, but just gave up now. They just refuse to believe anything that contradicts what CNN has been telling them for all their lives. One lady once told me: “You just don’t know what was going on there, because you did not have freedom of speech, but we, Americans, knew everything, because we could read about all of this in our media.” I told her “I was right there! I did not need to read about this in the media, I lived that life!”, but she still was unconvinced! You will not believe what she said: “Yes, maybe, but we have more stuff!”. Seriously, having 50 kinds of cereal available in the store, and walmarts full of plastic junk is more valuable to Americans than a stable and secure life, and social justice for everybody?
O problema é, ninguém acredita, dizem que sou uma “tovarish” [camarada] que sofreu lavagem cerebral. Já tentei antes argumentar com estadunidenses a respeito, mas desisti. Eles simplesmente se recusam a acreditar em qualquer coisa que contradiga o que a CNN vem dizendo a eles a vida inteira. Uma senhora me disse, certa vez: “Você simplesmente não sabe o que estava acontecendo lá, porque vocês não tinham liberdade de expressão, mas nós, estadunidenses, sabíamos de tudo, porque podíamos ler a respeito de tudo em nossa mídia.” Eu disse a ela: “Eu estava lá! Eu não precisava ler na mídia, eu vivia aquela vida!”, mas ainda assim ela não estava convencida! Você não acreditará que ela dise: “Sim, talvez, mas temos mais coisas!”. Seriamente, ter 50 tipos de cereal disponíveis no comércio, e walmarts cheias de porcarias de plástico é mais precioso para os estadunidenses do que uma vida estável e segura, e justiça social para todos?
Of course there are people who lived in the Soviet Union who disagree with me, and I talked to them too, but I find their reasons just as silly. I heard one Russian lady whose argument was that Stalin killed “30, no 40 million people”. First of all it’s not true (I don’t in any way defend Stalin, but I do think that lying and exaggerating about him is as wrong)*, and second of all what does this have to do with the 70s, when I was a kid? By then life was completely different. I heard other arguments, like food shortages (again, not true, it’s not like there was no food at all, there were shortages of this or that specific product, like you wouldn’t find mayo or bologna in the store some days, but everything else was there!). So, you would come back next day, or in 2-3 days, and you would find them there. Really, this is such a big deal? Or you would have to stay in line to buy some other product, (ravioli for example). But how badly do you want that ravioli really that day, can’t you have anything else instead? Just buy something else, like potatoes, where there was no line.
Obviamente há pessoas que moraram na União Soviética que discordam de mim, e conversei com elas também, mas vejo suas razões como igualmente bobas. Ouvi uma senhora russa cujo argumento era o de que Stalin matou “30, aliás 40 milhões de pessoas”. Antes de tudo, não é verdade (de modo algum defendo Stalin, mas acho mentir e exagerar em relação a ele igualmente errado)*, e ademais o que isso tem a ver com os anos 1970, quando eu era menina? Então a vida era completamente diferente. Ouvi outros argumentos, como racionamento de alimentos (repetindo, não é verdade, não é que não houvesse alimentos em absoluto, havia racionamento deste ou daquele produto específico, por exemplo em alguns dias a gente não achava maionese ou mortadela no comércio, mas encontrava tudo o mais!). Então a gente voltava no dia seguinte, ou 2 ou 3 dias depois, e encontrava. Realmente, isso é um grande problema? Ou você precisava ficar na fila para comprar algum outro produto (ravioli, por exemplo). Mas o quanto você deseja avidamente aquele ravioli naquele dia, você não pode comprar outra coisa no lugar? Era só comprar alguma outra coisa, como batatas, para a qual não houvesse fila.
Was this annoying, yes, and at the time I was annoyed too, but only now I realized that I would much prefer this nuisance to my present life now, when I am constantly under stress for the fear that I can possibly lose my job (as my husband already did), and as a result, lose everything else – my house? You couldn’t possibly lose your house in Soviet Union, it was yours for life, mortgage free. Only now, living here in the US, I realized that all those soviet nuisances combined were not as important as the benefits we had – housing, education, healthcare, employment, safe streets, all sort of free after school activities (music, sports, arts, anything you want) for kids, so parents never had to worry about what we do all day till they come home in the evening.
Era aborrecido, sim, e à época eu também ficava aborrecida, mas só agora entendo que preferiria muito mais aquele incômodo a minha vida no presente, quando estou constantemente ansiosa por medo de poder perder meu emprego (como já aconteceu com meu marido) e, como resultado, perder tudo mais - minha casa? Ninguém corria o risco de perder a casa na União Soviética, era da gente para a vida toda, sem pagamento de empréstimo imobiliário. Apenas agora, morando aqui nos Estados Unidos, entendi que todos aqueles incômodos soviéticos juntos não eram tão importantes quanto os benefícios que tínhamos - casa, educação, saúde, emprego, ruas seguras, toda sorte de atividades grátis depois do horário escolar (música, esportes, artes, o que quiséssemos) para as crianças, de modo que os pais nunca precisavam se preocupar com o que fazíamos o dia todo até eles voltarem para casa à noite.
* We’ve all heard the figures many times … 10 million … 20 million … 40 million … 60 million … died under Stalin. But what does the number mean, whichever number you choose? Of course many people died under Stalin, many people died under Roosevelt, and many people are still dying under Bush. Dying appears to be a natural phenomenon in every country. The question is how did those people die under Stalin? Did they die from the famines that plagued the USSR in the 1920s and 30s? Did the Bolsheviks deliberately create those famines? How? Why? More people certainly died in India in the 20th century from famines than in the Soviet Union, but no one accuses India of the mass murder of its own citizens. Did the millions die from disease in an age before antibiotics? In prison? From what causes? People die in prison in the United States on a regular basis. Were millions actually murdered in cold blood? If so, how? How many were criminals executed for non-political crimes? The logistics of murdering tens of millions of people is daunting. 5
* Todos já ouvimos as cifras muitas vezes … 10 milhões … 20 milhões … 40 milhões … 60 milhões … morreram durante o governo de Stalin. O que, porém, significa o número, qualquer seja o número que você escolher? Obviamente muitas pessoas morreram no governo de Stalin, muitas pessoas morreram no governo Roosevelt, e muitas pessoas ainda estão morrendo no governo Bush. Morrer parece ser fenômeno natural em todo país. A pergunta é: como essas pessoas morreram no governo Stalin? Morreram elas da falta extrema de víveres que castigou a URSS nos anos 1920 e 1930? Como? Por quê? Mais pessoas certamente morreram na Índia no século 20 por causa de escassez severa de víveres do que na União Soviética, mas ninguém acusa a Índia de matar em massa seus próprios cidadãos. Morreram aqueles milhões de doença numa época em que ainda não existiam antibióticos? Pessoas morrem sistematicamente em prisões nos Estados Unidos. Foram milhões efetivamente mortos a sangue frio? Se sim, como? Quantas dessas pessoas foram criminososos executados por crimes não políticos? A consideração dos detalhes do assassínio de dezenas de milhões de pessoas é desanimadora. 5
Notes
Notas
4. Copies can be purchased by emailing Podem ser comprados exemplares pedindo-se-os por email a kuchkovopole@mail.ru
5. From William Blum, Freeing the World to Death: Essays on the American Empire (2005), p.194 De William Blum, A Libertação do Mundo para a Morte: Ensaios Acerca do Império Estadunidense.

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