Thursday, October 17, 2013

The Anti-Empire Report - The War on Terrorism ... or whatever



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William Blum
William Blum
Official website of the author, historian, and U.S. foreign policy critic.
Website oficial do autor, historiador e crítico da política externa dos Estados Unidos.
The Anti-Empire Report #121
O Relatório Anti-Império No. 121
By William Blum – Published October 7th, 2013
Por William Blum – Publicado em 7 de outubro de 2013
The War on Terrorism … or whatever.
A Guerra ao Terrorismo … ou o que seja.
“U.S. hopes of winning more influence over Syria’s divided rebel movement faded Wednesday after 11 of the biggest armed factions repudiated the Western-backed political opposition coalition and announced the formation of an alliance dedicated to creating an Islamist state. The al-Qaeda-affiliated Jabhat al-Nusra, designated a terrorist organization by the United States, is the lead signatory of the new group.” 1
“A esperança dos Estados Unidos de ganharem maior influência sobre o dividido movimento rebelde da Síria feneceu na quarta-feira, depois de 11 das maiores facções armadas repudiarem a coalizão de oposição política apoiada pelo Ocidente e anunciarem a formação de uma aliança dedicada à criação de um estado islâmico. A Jabhat al-Nusra, filiada à al-Qaeda, designada organização terrorista pelos Estados Unidos, é a signatária líder do novo grupo.” 1
Pity the poor American who wants to be a good citizen, wants to understand the world and his country’s role in it, wants to believe in the War on Terrorism, wants to believe that his government seeks to do good … What is he to make of all this?
Coitado do pobre estadunidense que deseja ser bom cidadão, deseja compreender o mundo e o papel de seu país nele, deseja acreditar na Guerra ao Terrorismo, deseja acreditar que seu governo busca agir virtuosamente ... O que fará ele de tudo isso?
For about two years, his dear American government has been supporting the same anti-government side as the jihadists in the Syrian civil war; not total, all-out support, but enough military hardware, logistics support, intelligence information, international political, diplomatic and propaganda assistance (including the crucial alleged-chemical-weapons story), to keep the jihadists in the ball game. Washington and its main Mideast allies in the conflict – Turkey, Jordan, Qatar and Saudi Arabia – have not impeded the movement to Syria of jihadists coming to join the rebels, recruited from the ranks of Sunni extremist veterans of the wars in Chechnya, Iraq, Afghanistan, and Libya, while Qatar and the Saudis have supplied the rebels with weapons, most likely bought in large measure from the United States, as well as lots of of what they have lots of – money.
Por cerca de dois anos, seu querido governo estadunidense vem apoiando o mesmo lado antigoverno que os jihadistas, na guerra civil na Síria; não apoio total, pleno, mas bastante equipamento militar, suporte logístico, informação de inteligência, assistência diplomática e de propaganda (inclusive a crucial história das alegadas armas químicas), para manter os jihadistas no jogo. Washington e seus principais aliados no Oriente Médio no conflito – Turquia, Jordânia, Catar e Arábia Saudita – não têm obstado o deslocamento, para a Síria, de jihadistas que vão apoiar os rebeldes, recrutados das fileiras de veteranos extremistas sunitas das guerras em Chechênia, Iraque, Afeganistão e Líbia, enquanto Catar e os sauditas têm fornecido armas aos rebeldes, mais provavelmente compradas em grande medida dos Estados Unidos, assim como muito do que eles têm em grande quantidade – dinheiro.
This widespread international support has been provided despite the many atrocities carried out by the jihadists – truck and car suicide bombings (with numerous civilian casualties), planting roadside bombs à la Iraq, gruesome massacres of Christians and Kurds, grotesque beheadings and other dissections of victims’ bodies (most charming of all: a Youtube video of a rebel leader cutting out an organ from the chest of a victim and biting into it as it drips with blood). All this barbarity piled on top of a greater absurdity – these Western-backed, anti-government forces are often engaged in battle with other Western-backed, anti-government forces, non-jihadist. It has become increasingly difficult to sell this war to the American public as one of pro-democracy “moderates” locked in a good-guy-versus-bad-guy struggle with an evil dictator, although in actuality the United States has fought on the same side as al Qaeda on repeated occasions before Syria. Here’s a brief survey:
Esse disseminado suporte internacional tem sido fornecido a despeito das muitas atrocidades cometidas pelos jihadistas – caminhões e carros com explosivos conduzidos por homens-bomba suicidas (com numerosas baixas civis), bombas plantadas em beira de estrada à la Iraq, repulsivos massacres de cristãos e curdos, grotescas decapitações e outras dissecções de corpos de vítimas (o mais encantador de todos: vídeo no Youtube de um líder rebelde retirando órgão do peito de uma vítima e mordendo-o enquanto o sangue respinga). Toda essa barbárie por cima de um absurdo ainda maior – aquelas forças antigovernamentais, apoiadas pelo Ocidente, estão amiúde engajadas em batalha com outras forças antigovernamentais apoiadas pelo Ocidente, não jihadistas. Tem-se tornado cada vez mais difícil vender essa guerra ao público estadunidense como guerra de “moderados” pró-democracia engalfinhados numa luta de mocinho contra bandido com um ditador perverso, embora, em realidade, os Estados Unidos tenham lutado do mesmo lado da al-Qaeda em repetidas ocasiões antes da Síria. Eis aqui breve vistoria:
Afghanistan, 1980-early 1990s: In support of the Islamic Moujahedeen (“holy warriors”), the CIA orchestrated a war against the Afghan government and their Soviet allies, pouring in several billions of dollars of arms and extensive military training; hitting up Middle-Eastern countries for donations, notably Saudi Arabia which gave hundreds of millions of dollars in aid each year; pressuring and bribing Pakistan to rent out its country as a military staging area and sanctuary.
Afeganistão, 1980-início dos 1990: Apoiando os islâmicos Moujahedeen (“guerreiros sagrados”), a CIA orquestrou uma guerra ao governo afegão e a seus aliados soviéticos, despejando diversos biliões de dólares em armas e amplo treinamento militar; pedindo doações de países do Oriente Médio, especialmente à Arábia Saudita, que deu centenas de milhões de dólares de ajuda todo ano; pressionando e subornando o Paquistão para alugar aquele país como área de montagem/preparação e refúgio.
It worked. And out of the victorious Moujahedeen came al Qaeda.
Funcionou. E dos vitoriosos Moujahedeen surgiu a al Qaeda.
Bosnia, 1992-5: In 2001 the Wall Street Journal declared:
Bósnia, 1992-5: Em 2001 o Wall Street Journal declarou:
It is safe to say that the birth of al-Qaeda as a force on the world stage can be traced directly back to 1992, when the Bosnian Muslim government of Alija Izetbegovic issued a passport in their Vienna embassy to Osama bin Laden. … for the past 10 years, the most senior leaders of al Qaeda have visited the Balkans, including bin Laden himself on three occasions between 1994 and 1996. The Egyptian surgeon turned terrorist leader Ayman Al-Zawahiri has operated terrorist training camps, weapons of mass destruction factories and money-laundering and drug-trading networks throughout Albania, Kosovo, Macedonia, Bulgaria, Turkey and Bosnia. This has gone on for a decade. 2
É seguro dizer que o nascimento da al-Qaeda como força no cenário mundial pode ser rastreado diretamente ao passado em 1992, quando o governo muçulmano bósnio de Alija Izetbegovic emitiu passaporte, em sua embaixada em Viena, para Osama bin Laden. … nos últimos 10 anos, os mais elevados líderes da al Qaeda visitaram os Bálcãs, inclusive o próprio bin Laden em três ocasiões entre 1994 e 1996. O cirurgião egípcio que se tornou líder terrorista, Ayman Al-Zawahiri, tem gerido campos de treinamento terroristas, fábricas de armas de destruição em massa e redes de lavagem de dinheiro e comércio de drogas em Albânia, Kosovo, Macedônia, Bulgária, Turquia e Bósnia. Isso vem acontecendo há uma década. 2
A few months later, The Guardian reported on “the full story of the secret alliance between the Pentagon and radical Islamist groups from the Middle East designed to assist the Bosnian Muslims – some of the same groups that the Pentagon is now fighting in “the war against terrorism”. 3
Alguns meses mais tarde, The Guardian publicou “a história completa da aliança secreta entre o Pentágono e grupos islamistas radicais do Oriente Médio para efeito de prestar auxílio aos muçulmanos bósnios – alguns dos mesmos grupos que o Pentágono está agora combatendo na “guerra ao terrorismo”. 3
In 1994 and 1995 US/NATO forces carried out bombing campaigns over Bosnia aimed at damaging the military capability of the Serbs and enhancing that of the Bosnian Muslims. In the decade-long civil wars in the Balkans, the Serbs, regarded by Washington as the “the last communist government in Europe”, were always the main enemy.
Em 1994 e 1995 forças de Estados Unidos e OTAN levaram a efeito campanhas de bombardeiro na Bósnia visantes a causar dano à capacidade militar dos sérvios e a aumentar a dos muçulmanos bósnios. Nas guerras civis de década de duração nos Bálcãs, os sérvios, vistos por Washington como o “último governo comunista na Europa”, foram sempre o principal inimigo.
Kosovo, 1998-99: Kosovo, overwhelmingly Muslim, was a province of Serbia, the main republic of the former Yugoslavia. In 1998, Kosovo separatists – The Kosovo Liberation Army (KLA) – began an armed conflict with Belgrade to split Kosovo from Serbia. The KLA was considered a terrorist organization by the US, the UK and France for years, with numerous reports of the KLA having contact with al-Qaeda, getting arms from them, having its militants trained in al-Qaeda camps in Pakistan, and even having members of al-Qaeda in KLA ranks fighting against the Serbs. 4
Kosovo, 1998-99: Kosovo, esmagadoramente muçulmano, era província da Sérvia, a principal república da antiga Iugoslávia. Em 1998, separatistas do Kosovo – O Exército de Libertação do Kosovo (KLA) – começou um conflito armado com Belgrado para separar o Kosovo da Sérvia. O KLA foi considerado, durante anos, organização terrorista por Estados Unidos, Reino Unido e França, com numerosos relatórios acerca de o KLA ter contato com a al Qaeda, obtendo armas dela, tendo militantes recebendo treinamento em campos da al-Qaeda no Paquistão, e até tendo em suas fileiras membros da al-Qaeda combatendo os sérvios. 4
However, when US-NATO forces began military action against the Serbs the KLA was taken off the US terrorist list, it “received official US-NATO arms and training support” 5 , and the 1999 US-NATO bombing campaign eventually focused on driving Serbian forces from Kosovo.
Entretanto, quando forças de Estados Unidos-OTAN começaram ação militar contra os sérvios, o KLA foi tirado da lista de terroristas dos Estados Unidos, “recebeu armas e treinamento oficiais de Estados Unidos-OTAN” 5 , e a campanha de bombardeio Estados Unidos-OTAN de 1999 finalmente concentrou-se em expulsar forças sérvias de Kosovo.
In 2008 Kosovo unilaterally declared independence from Serbia, an independence so illegitimate and artificial that the majority of the world’s nations still have not recognized it. But the United States was the first to do so, the very next day, thus affirming the unilateral declaration of independence of a part of another country’s territory.
Em 2008 o Kosovo declarou unilaterlamente independência da Sérvia, independência tão ilegítima e artificial que a maioria das nações do mundo ainda não a reconheceu. Entretanto, os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo, logo no dia seguinte, assim solidarizando-se com declaração unilateral de independência de parte de território de outro país.
The KLA have been known for their trafficking in women, heroin, and human body parts (sic). The United States has naturally been pushing for Kosovo’s membership in NATO and the European Union.
O KLA é conhecido por seu tráfico de mulheres, heroína e partes de corpos humanos (sic). Os Estados Unidos vêm naturalmente pressionando no sentido de aceitação do Kosovo como membro da OTAN e da União Europeia.
Nota bene: In 1992 the Bosnian Muslims, Croats, and Serbs reached agreement in Lisbon for a unified state. The continuation of a peaceful multi-ethnic Bosnia seemed assured. But the United States sabotaged the agreement. 6
Nota bene: Em 1992 muçulmanos bósnios, croatas e sérvios firmaram acordo de estado unificado, em Lisboa. A continuação de uma Bósnia pacífica multiétnica parecia assegurada. Os Estados Unidos, contudo, sabotaram o acordo. 6
Libya, 2011: The US and NATO to the rescue again. For more than six months, almost daily missile attacks against the government and forces of Muammar Gaddafi as assorted Middle East jihadists assembled in Libya and battled the government on the ground. The predictable outcome came to be – the jihadists now in control of parts of the country and fighting for the remaining parts. The wartime allies showed their gratitude to Washington by assassinating the US ambassador and three other Americans, presumably CIA, in the city of Benghazi.
Líbia, 2011: Os Estados Unidos e a OTAN prestam socorro de novo. Por mais de seis meses, ataques quase diários de mísseis ao governo e a forças de Muammar Gaddafi, enquanto diversos jihadistas do Oriente Médio reuniam-se na Líbia e combatiam o governo localmente. O resultado previsível concretizou-se – os jihadistas agora em controle de partes do país e lutando pelas partes restantes. Os aliados de tempo de guerra mostraram sua gratidão a Washington mediante assassinarem o embaixador dos Estados Unidos e outros três estadunidenses, presumivelmente da CIA, na cidade de Benghazi.
Caucasus (Russia), mid-2000s to present: The National Endowment for Democracy and Freedom House have for many years been the leading American “non-government” institutions tasked with destabilizing, if not overthrowing, foreign governments which refuse to be subservient to the desires of US foreign policy. Both NGOs have backed militants in the Russian Caucasus area, one that has seen more than its share of terror stretching back to the Chechnyan actions of the 1990s. 7
Cáucaso (Rússia), meado anos 2000 ao presente: A Dotação Nacional para a Democracia e a Casa da Liberdade têm sido, por muitos anos, as principais instituições estadunidenses “não governamentais” encarregadas de desestabilizar, se não derrubar, governos estrangeiros que se recusam a ser subservientes aos desejos da política externa dos Estados Unidos. Ambas essas ONGs têm apoiado militantes na área do Cáucaso Russo, que já teve mais do que sua quota de terror remontando às ações chechenas dos anos 1990. 7
Notes
Notas
1. Washington Post, September 26, 2013
2. Wall Street Journal, November 1, 2001
3. The Guardian (London), April 22, 2002
4. RT TV (Moscow), May 4, 2012
5. Wall Street Journal, November 1, 2001
6. New York Times, June 17, 1993, buried at the very end of the article on an inside page
7. Sibel Edmonds’ Boiling Frogs Post, “Barbarians at the Gate: Terrorism, the US, and the Subversion of Russia”, August 30, 2012


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